Data
Título
Take
14.8.07

 

Real.: Peter Jackson

Int.: Naomi Watts, Jack Black, Adrien Brody, Andy Serkis

 

 

Um realizador, Carl Denham (Jack Black) e a sua equipa viajam para a enigmática Skull Island (Ilha Caveira) como fim de descobrir o segredo envolto. A besta lendária é real e o pior fica obcecado por Ann Darrow (Naomi Watts), uma actriz que vinha com a equipa. O monstro rapta Darrow, a os referidos terão que sobreviver a dinossáurios esfomeados, insectos gigantes e muitos outros, como tentativa de salvamento da actriz das mãos do rei de Skull Island, o poderoso King Kong.

King Kong(1933) realizado por M.C.Cooper e E.B. Schoedsack, tem um lugar vago na história do cinema, na altura em que fora realizado, era um filme bastante credível e dispendioso nos seus meios, sendo que o stop motion era os CGI dos anos 30, e a fita tinha ao seu dispor o artesão da altura, o grandioso Willis O' Brien. Mas chegando a uma altura onde a produção técnica é mais valorizada que as boas intenções, sendo das razões que milhões pagam para ver os seus blockbusters, muito deles encorajados por um vazio humano e disfarçados com as mais avançadas tecnologias de efeitos especiais. Muitos géneros saíram prejudicados e um deles, o qual o emblemático King Kong pertencia encontrava-se praticamente extinto, o verdadeiro filme de aventuras, onde tudo era constantemente artificial face á facil solução dos CGI e dos fundos verdes.

Peter Jackson, o homem por detrás de um dos mais belos e pomposos épicos da história do cinema (a trilogia O Senhor Dos Anéis) confessou ao mundo a sua paixão pela obra de M.C.Cooper e E.B. Schoedsack (King Kong) e sendo assim encarregou-se de concretizar o previsivel mas arrojado remake. A partir daí a opinião dos cinéfilos dividiram-se; de um lado os que defendiam aclamando que Jackson era a pessoa ideal para faze-lo, já que The Lord of the Rings, trilogia anteriormente realizada por Jackson era considerada uma das melhores adaptações cinematográficas de um conjunto de livro e reparem que não era obras literarias quaisquers, eram livros dificeis outrora quase impossiveis de ser levados ao grande ecrã, e por outro lado havia aqueles que gritavam morte ao cinema, acusando de falta de imaginação por parte de Hollywood. Determinando a faze-lo, Jackson não olhou a meios, usou a tecnologia mais avançada que dispunha e um leque de actores, muitos deles em ascensão, eficientes para os seus papéis; Naomi Watts vestiria o papel de Ann Darrow, a Bela do conto, Adrien Brody (o conhecido pelo papel do pianista Wladyslaw Szpilman no filme The Pianist de Roman Polanski) e Jack Black (a veia cómica dos êxitos de School Of Rock e Shark Tale).

Com todos estes atributos, Jackson tinha medida e tanta para criar um blockbuster arrasador nas bilheteiras, algo que poderia salvar da crise cinematografica que o Mundo assistia, coincidentemente há 72 anos, a estreia do primeiro King Kong era marcada pela Grande Depressão cuja queda das bilheteiras de cinema eram abruptas. O resultado desta nova versão é algo notável; a qualidade dos efeitos especiais, as sequências de acção fabulosas e todo aquele ambiente de aventura são pequenas em comparação com a maior vantagem do filme, o seu “coração”. King Kong de Peter Jackson é um fruto de amor entre o realizador e o cinema que traz a nós um blockbuster emocionante, cheio de acção e afecto á 7º Arte, em que todos os planos parecem homenagens cheias de amor do director e essa fita incontornavel do cinema. Peter Jackson encontra-se aqui na sua melhor perfomance, já que julgavam que o homem iria amolecer após o milionário O Senhor dos Anéis. Os fãs de Jurassic Park podem matar algumas saudades, repito algumas, porque King Kong é mais do que um blockbuster cujo único motivo de fazer dinheiro. King Kong foi realizado, direccionado com o coração, é isso que os filmes precisam.

Ao contrario da versão dos anos 30, Jackson ousou em acrescentar uma melhor quimica entre Darrow e a besta que a rapta, consolidam assim uma das mais autenticas e belas variações do conto "A Bela e o Monstro". Enquanto em King Kong de 1933, o gorila gigante era visto como uma besta indomavel e sem coração, a "bela" encontrava-se sempre aterrorizada e negada perante o "macaco grande", na obra de Peter Jackson temos um retrato de algo mais intrinseco que medo, afeicção e amor. E nisso verifica-se o porquê que Naomi Watts tem mais quimica com a criatura em CGI que com o seu par romântico, Adrien Brody. O real e o digital se fundem, provando que os efeitos especiais são ainda mais especiais, envolvidas com emoção do que o vazio inconsequente. E é tudo isto que faz de King Kong um blockbuster perfeito, um romance para lá da nossa imaginação. Maravilhoso! Já agora é tão bom ver Jack Black num papel ... bem, mais ... sério (só para não dizer aceitavel)!

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 20:39
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