Real.: George A. Romero
Int.: Simon Baker, John Leguizamo, Asia Argento, Dennis Hopper
George A. Romero entrou nos registos do horror americano, em 1968 com Night of the Dead, um filme de baixo orçamento e filmado a preto e branco que originou um grande êxito comercial e caiu nas boas graças do público e da crítica, nesse filme puramente sanguinário, Romero se destacou num subgénero criado por si, onde os protagonistas eram cadáveres ambulantes com forte apetite por carne humana (zombies). Um filme que viria a ser escutado como uma mordaz critica á Guerra do Vietname. Dez anos mais tarde, voltaria á categoria, mas com um orçamento mais alargado e com um tom crítico mais acentuado em Dawn of the Dead, considerada a sua obra-prima, onde o autor satiriza o consumismo. Só em 1985, Dead se converteu numa trilogia com Day of the Dead, que apesar de não conseguir comparar com os anteriores funcionaria assim como um puro delito carniceiro.
Passaram 20 anos, e depois de termos assistidos a varias incursões, algumas meio patéticas assim por dizer, deste mundo romereano e do musculado, mas vivo remake de Dawn of the Dead de Zack Snyder que se constituiu como uma das surpresas do ano 2003, o mestre regressa com Land of the Dead, que á semelhança dos três anteriores vai se alargando em termos de orçamento e em termos de cenário apocalíptico. O filme gira em torno de uma “cidade” isolada num mundo “governando” por zombies. Essa mesma sobrevive com a ajuda de muros electrificados, segurança de alto risco e um exército armado sempre ao dispor. Contudo, dentro desse “paraíso” encontra-se vários problemas sociais entre eles a grande diferença entre ricos e pobres, e as suas descriminações. Esta cidade ainda tem as características de sobreviver com a recolha de produtos, medicamentos e outros bens essenciais na espoliarão de localidades abandonadas e arrasadas pelo fenómeno zombie, e para isso é preciso uma elite especializada, para sobreviver e lutar num “mundo” tão morto e outsider. Para complicar a situação um dos membros desse esquadrão (Simon Baker), faz uma descoberta surpreendente e aterradora, os seres mortos-vivos estão a evoluir tal como a lei evolutiva de Darwin. Estão a começar a pensar e pior a cooperar entre si, tornando-se mais rápidos, mais reflectores e ainda mais mortais.
George A. Romero articula aqui um filme bem doseado de terror e acção bem encenada, com tempo de mordaz sátira como também espaço para os artifícios mais comerciais que resultam num espectáculo de bom gosto. È na situação dos EUA em relação ao mundo e as diferenças sociais e de classes que o autor veio buscar inspiração, e sempre irrequieto em termos criativos, o seu conceito de inteligência que as suas criaturas predilectas adquirem ganha notoriedade e temor. Mesmo não sendo perfeito, o que não é, tendo os defeitos habituais de um produto de série B, como uma leveza na caracterização das personagens e nalguma previsibilidade, difere das diferentes adaptações e de muitos outros produtos com o mesmo “B” por provar que o mestre ainda continua vivo depois de 20 anos de ausência no tempo. Com um elenco não muito apelativo, mas eficaz (Dennis Hopper e John Leguizamo estão soberbos), efeitos especiais e práticos de grande categoria e recheado de grandes momentos de “puro” terror e de acção, Land of the Dead – Terra dos Mortos, dentro da sua limitação serial é bastante classe A.
O melhor – a prova que o mestre está vivo depois de uma longa ausência
O pior – grande esquematização nas personagens
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