Real.: Ridley Scott
Int.: Sigourney Weaver, Tom Skerrit, Veronica Catwright, John Hurt, Ian Holm
“In Space no one can hear you scream”, é esta tagline que antevêem a uma nova fase do terror iniciada em 1979 pelo ainda inspirado realizador, Ridley Scott, que apenas havia realizado vários episódios de diferentes séries, uma curta-metragem e um filme de época, The Duelist, dois anos antes. Num complexo cruzamento entre The Thing of Another World de Christian Nyby (1951) e com um o básico conceito de um conto de Agatha Christie, Alien – O Oitavo Passageiro é uma jornada claustrofóbica de uma nova definição de medo transposta não só pelo monstro referido, mas por toda a estrutura da nave espacial do filme que reflecte os medos mais comuns do Homem, a limitação de espaço, o encurralamento, corredores esguios e sempre húmidos, uma escuridão rotineira marcada pelas sombras e pela presença de aura maligna (neste caso o Alien) que as suas aparições são sempre motivos para susto.
Este misto de ficção cientifica com terror percorre a desventura de uma nave mineira, Nostromo, que ”navega” pelo espaço rumo á Terra, até que o seu computador de bordo intercepta um pedido de ajuda de origem desconhecida, segundo os regulamentos espaciais, qualquer pedido deste género deve ser respondido e quem não o fizer terá direito a punições e é neste termo que a tripulação do Nostromo segue para um planeta desconhecido com o intuito de socorrer o dito cujo. Nesse planeta, encontram uma nave despenhada e praticamente destruída no solo tempestuoso, sem saber que segredos esconde, três tripulantes entram em busca de sobreviventes, mas o que encontram é algo mais misterioso que a própria nave. Kane (John Hurt) é atacado dentro do recinto por algo animado, no que ele próprio classifica de uma espécie de “ovo”, os dois membros restante da tripulação socorrem-no e levam-no para dentro do Nostromo, ignorando as ordens da Tenente Ripley (Sigourney Weaver), que estava sob o comando, em que os três deveriam estar em quarentena e não entrar directamente para a nave ao risco de contaminação já que Kane fora atacado por um ser vivo que filou a sua face. Invés disso permitiram entrar algo tão assustador e mortal que nenhuns dos tripulantes imaginava, poucas horas depois a nave viria a transformar num campo de batalha entre a vida e a morte em que os “passageiros” terão que lutar para sua sobrevivência, porque o “novo e oitavo passageiro” (Alien) está com fome e muita fome.
Foi o filme que trouxe o prestígio e fama ao realizador Ridley Scott, que mais tarde viria a realizar obras tão distintas como Blade Runner, Gladiator ou Thelma & Louise, enquanto isso este enorme sucesso de 79, como também um instantâneo filme de culto invoca o medo nas mais diferentes formas, como já havia referido na claustrofobia presente na nave e no desconhecido, neste caso o Alien. Este ultimo, é uma das criaturas fantásticas mais originais da existência do cinema, o seu aspecto fora baseado em criaturas marinhas abissais ainda hoje existentes no nosso planeta e a sua fronte na de um crânio humano (símbolo geral do medo), um dos mais bem sucedidos factores que levou a discreta fita de 79 a ser origem de um franchising eficaz. Além de tudo temos Ripley – Sigourney Weaver (inicialmente planeada para ser Veronica Catwright, que ficou em personagem secundaria) – como a primeira grande heroína da história do cinema, definindo um estereótipo de género nos filmes de ficção científica, tornou-se num apelo á força feminina muito antes de existir Tomb Raiders e Bloodraynes. Outro factor bem exposto é o elenco que representa toda a tripulação da nave Nostromo parece comportar-se como se convivessem á anos, o que resulta numa química conjuntiva credível.
Sendo discreto, inteligente quer como thriller, quer como ficção científica, esta obra magna do cinema fantástico recriou um subgénero para uma nova “vida”, aterrador mesmo com uns “anitos” em cima. Este Alien colocou Scott no mapa, como também Ripley (Sigourney Weaver) como a tal heroína de exemplo. Marcou uma geração e melhor de tudo continua a ser um grande filme.
“You are my lucky star, you … lucky, lucky, lucky”
O melhor – a sofisticação de um género
O pior – o rumo que esta ideia levará nos próximos filmes (nomeadamente Alien Vs Predator)
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