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Colo, o novo filme de Teresa Villaverde que se encontrou presente na Competição do último Festival de Berlim, terá as honras de abrir o 14º Indielisboa. Recordamos que a obra é descrita como um retrato realista de uma família no limiar da pobreza.

 

O festival de cinema independente de Lisboa decorrerá entre 3 a 14 de Maio,  tendo ainda revelado o seu filme de encerramento, I Am Not Your Negro, um documentário de Raoul Peck sobre a luta pelos direitos civis nos EUA. O filme contou com uma nomeação ao Óscar de Melhor Documentário.

 

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publicado por Hugo Gomes às 16:15
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Arranca a partir de hoje a iniciativa 4.Doc, um conjunto de quatro obras aclamadas e premiados no festival Doclisboa que será exibidos no Cinema Ideal. O primeiro filme é Calabria [ler crítica], de Pierre-François Sauter, o vencedor do Grande Prémio na última edição do certame. Um documentário que visa reflectir a condição do imigrante através de uma viagem entre dois homens de origens distintas que prestam o serviço de uma funerária.

 

Os realizador e os protagonistas (José ​Russo Baião ​e Jovan​ Nikolic) estarão presentes nas duas das sete sessões programadas (dia 30 de Março e 1 de Abril). Calabria será exibido entre 30 de Março a 5 de Abril, sempre no horário das 19h. Na sexta feira, dia 31, após a sessão haverá um concerto de Jovan Nikolic no Salão Ideal.

 

Os outros filmes inseridos na programação são O Terceiro Andar, de Luciana Fina (a ser exibida a partir de 8 de Junho), Oleg Y Las Raras Artes, de Andrés Duque (6 de Julho) e o quarto e último filme, a ser projectado a partir de 14 de Setembro, ainda está por anunciar. Todas as sessões serão acompanhadas por debates e outras actividades.

 

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publicado por Hugo Gomes às 16:03
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Fantasmas de Shirow!

 

Bem-vindos à queda do cinema americano, e não, nada tem a haver com as controvérsias de whitewashing, a escolha de Scarlett Johansson para interpretar uma cyborg. Não, simplesmente o que vemos nesta adaptação de uma adaptação de uma manga da autoria de Masamune Shirow, é o requisito de lugares-comuns e dos truques primários que tanto minam o cinema para as massas oriundos dos grandes estúdios americanos.

 

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Já a primeira conversão do material original para cinema, uma animação estilizada de Mamoru Oshii, funcionou como um quebra-formulas daquilo que poderia no entanto suscitar. É ficção cientifica da futurista, com pinceladas fortes de Phillip K. Dick e, sob linguagem cinematográfica, influenciada por clássicos como Metropolis e Blade Runner, que orquestrava uma narrativa anti-climax, sugestiva e sobretudo cerebral. Aonde irão as nossas particularidades enquanto seres humanos num mundo completamente a mercê do robótico? E as questões da inteligência artificial? E do "uncanny valley"? Estas tendências são debatidas em quase tudo o que se designa  ser ficção cientifica "astuta". Sim, o filme tinha esses propósitos de servir mais como uma reflexão ao serviço da animação, do que se apresentar como o enésimo arquétipo de acção animada, e a esquecida sequela (Innocence, 2004) prolongou essa fantasia filosófica de um futuro à vista.

 

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Porém, eis que surge a lavagem de Hollywood, um produto com claras pretensões de agradar os fãs do original e adeptos dos chamados "blockbusters inteligentes", mas que se perde perante as suas ambições. O porquê? Por que todos os ingredientes que transformaram Ghost in the Shell em mais do que um mero fruto da industrialização, são esquecidos e trocados por equações homogéneas daquilo que tanto abunda no entretenimento mainstream. Diria que este Agente do Futuro (lembraram-se de traduzir para português) é um embrião do cada vez mais formulaico cinema de super-heróis, trocando a dita filosofia por enredos de vingança, o sugestivo pelo explicito, e o cerebral pelo códigos primitivos do bem entreter (salienta-se ainda o maniqueísmo básico). 

 

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Scarlett Johansson é a nossa heroína, meio Lucy, meio "Viuva Negra" da Marvel, que se movimenta pela narrativa como uma "boneca de prontidão exacta para a acção". A sua Major é demasiado emocional, frente às crises existenciais da versão animada. Tudo o resto, excepto o ocasional "Kitano Show" [Takeshi Kitano a assumir o controlo a meio da fita], é uma réplica prolongada, e segundo eles actualizada, que apenas jura fidelidade ao visual da obra de 1995. São estes raros pontos de contacto que fazem salivar os ditos fãs, mas por aqui grito em pleno pulmões: "It's a trap".

 

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Talvez uma premonição de como este Ghost in the Shell iria falhar (se bem que se espera, mesmo assim, que faça sucesso nas bilheteiras, até porque Scarlett Johansson já faz parte do star system) é a época em que os dois filmes surgem. A versão de Mamoru Oshii surgiu em 1995 e foi uma das influências para The Matrix dos Wachowsky, e esta versão de Rupert Sanders (com Snow White and the Huntsman no currículo) surge numa altura em que quase todo o entretenimento cinematográfico encontra-se contagiado pelo referido frenesim cyberpunk. Resultado, apenas chuva em terra molhada. 

 

"Well, maybe next time you can design me better."

 

Real.: Rupert Sanders / Int.: Scarlett Johansson, Pilou Asbæk, Takeshi Kitano, Michael Pitt, Juliette Binoche, Anamaria Marinca

 

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4/10
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publicado por Hugo Gomes às 00:58
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29.3.17
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O efeito negação!

 

Por vezes também acontece o inesperado, um filme medíocre onde as possibilidades de cinema são limitadas pela linguagem televisiva e no virtuosismo académico, que mesmo assim tem a capacidade de gerar um debate para além do visto na grande tela. Denial (Negação), de Mick Jackson, resume-se a um drama de tribunal que tem como anexo uma história verídica (o que não falta por aí são "histórias verídicas", ou seja, a "oeste" nada de novo, o julgamento de Deborah Lipstadt (Rachel Weisz), escritora do livro Denying The Holocaust, da editora Penguin Books, acusada de difamação para com o historiador David Irving (Timothy Spall), um negacionista do Holocausto e um dos maiores estudiosos da vida de Adolf Hitler.

 

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Ao decorrer desta obra, que remexe sem espinhas por entre a sua compostura competente e o elenco de igual adjectivo que faz antever uma boa entrega nesta reconstituição, Denial vai-nos apresentando temas que implodirão como objectivos para uma eventual discussão e reflexão acerca do mundo que assistimos em constante transformação. A ascensão do populismo, com clara ligação aos extremismos, essa propagação, e até que ponto a liberdade de expressão poderá ser abalada, e o quanto abalados poderemos ser em relação à mesma, e por fim, o negocismo como um problema, suavizado por historiadores, como um revisionismo histórico, e por vezes utilizado sob contextos políticos e ideológicos.

 

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Temáticas, essas, que ficam para fora da sala, visto que a obra de Mick Jackson "sensivelmente" toca nos pontos, mas a sua agenda possui uma certa tendência ao moralismo panfletário. Em particular, há que realçar uma sequência dispensável à narrativa, decorrida fora dos réus, que comete a pedagógica alusão do Holocausto como um assunto inesquecível e cuja a abordagem é necessária para evitar réplicas imorais. Uma cena com os propósitos de abalar consciências e criar um signo de "males que vem por bem" no nosso século. Será o Holocausto cada vez mais restrito a um símbolo de erro humano, e custe o que custar teremos que relembrar na consciência como uma porta interdita a reentradas?

 

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Sim, um filme como este, condenado ao esquecimento e sem o brilho da literal categoria cinematográfica, consiga ser um fósforo por entre uma inflamável "fogueira". Talvez seja os tempos "loucos" que nos fazem requerer modéstias como implantes reflexivos e pensativos do nosso século XXI. Esquece-se o filme, fica-se pelo debate.

 

Filme de abertura do 5º Judaica: Mostra de Cinema e Cultura

 

Real.: Mick Jackson / Int.: Rachel Weisz, Timonthy Spall, Tom Wilkinson, Andrew Scott

 

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5/10

publicado por Hugo Gomes às 16:58
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Chega-nos o primeiro teaser trailer de Le Redoutable, a biopic do cineasta Jean-Luc Godard, que será desempenhado por Louis Garrel (La Jelouise).

 

Com a assinatura de Michel Hazanavicius, o realizador do galardoado The Artist, o projeto acompanhará a vida de um dos pioneiros da Nova Vaga francesa, realizador, argumentista, ensaísta e importante crítico da Cahiers du Cinema.

 

A produção terá como principal foco o romance entre o autor e a actriz Anne Wiazemsky, durante as rodagens de O Maoísta (La Chinoise)Stacy Martin (Nymphomaniac) é Wiazemsky, enquanto Bérénice Bejo (The Artist, Childhood of a Leader) marcará igualmente presença no elenco.  

 

Le Redoutable chega aos cinemas em 2017.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 16:45
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25.3.17

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A animação sueca Ma Vie de Courgette, de Claude Barras, foi premiado na 16ª edição da MONSTRA. O júri laureou o filme com o cobiçado Grande Prémio, distinguindo-o "pela sua sensibilidade e sua capacidade de expressar o espírito das crianças, através de um trabalho de uma animação subtil, encontramos um filme bonito e poético." Com estreia prevista para Maio deste nas salas portuguesas, o filme contou também com o Prémio do Público na mesma categoria.

 

O videoclip do músico Samnuel Úria, realizado por Pedro Serrazina, É Preciso que Eu Diminua, venceu o Prémio de Melhor Filme Português - Prémio SPA | Vasco Granja. Já o filme francês Periferia, de David Coquart-Dassault, saiu-se como o triunfante da categoria de curta-metragem.

 

Destaca-se ainda o norueguês Ludovigo e Luca – A Grande Corrida do Queijo na distinção de Melhor Filme para a Infância e Juventude, o filme Window Horses – A Epifania Poética Persa de Rosie Ming de Ann Marie Fleming pela Menção Honrosa e ainda Louise à Beira-Mar, de Jean-François Laguionie, pelo Prémio Especial do Júri.

 

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PALMARÉS MONSTRA 2017
 
COMPETIÇÃO MONSTRINHA – CURTAS PARA INFÂNCIA E JUVENTUDE 
Júri: João Jaime, Luísa Violo, Michel Simeão
 
Menções Honrosas
CATEGORIA PAIS E FILHOS
Caminho dos Gigantes / Way of Giants – Alois Di Leo | Brasil | 2016 | 12’
CATEGORIA 3 AOS 6
Teia de Aranha / The Gossamer – Natalia Chernysheva | Rússia | 2016 | 4´
CATEGORIA 7 AOS 12
O Senhor Pau / Stick Man –  Jeroen Jaspaert, Daniel Snaddon | Reino Unido | 2015 | 27´
CATEGORIA MAIS DE 13
O Tribunal / The Courthouse – Estelle Costedoat, Antoine Engels, Julien Fradin, Florian Gourdin, Pierre-Edouard Mérien, Olivier Royer | França | 2016 | 7´
 
Prémios do Público
CATEGORIA PAIS E FILHOS
Pat e Mat – Sumo de Laranja / Pat and Mat – Orange Juice – Marek Beneš | República Checa | 2016 | 8´
CATEGORIA 3 AOS 6
Na Jaula / In a Cage -  Loic Bruyere | França | 2016 | 6´
CATEGORIA 7 AOS 12
O Senhor Pau / Stick Man –  Jeroen Jaspaert, Daniel Snaddon | Reino Unido | 2015 | 27´
CATEGORIA MAIS DE 13
O Tribunal / The Courthouse – Estelle Costedoat, Antoine Engels, Julien Fradin, Florian Gourdin, Pierre-Edouard Mérien, Olivier Royer | França | 2016 | 7´
 
Grande Prémio Monstrinha
Amoras / Cloudberry –  Polina Minchenok | Rússia | 2015 | 8’
 
 
COMPETIÇÃO AMENDOIM DE OURO
 
Amendoim de Bronze
69SEC –  Laura Nicolas | Bélgica | 2016 | 1’42
Amendoim de Prata
O D de David / The D in David –  Michelle Yi, Yaron Farkash | EUA | 2016 | 2’06
Amendoim Ouro
Sr. Patola de Pés Azuis / Mr. Blue Footed Booby –  Gino Imagino | Equador | 2015 | 2’19
 
 
 
COMPETIÇÃO ESTUDANTES
Júri: Joana Nogueira, Jonathan Hodgson, Juan Pablo Zaramella
Júri júnior: Ana Rita Margaço, João Vermelho, Adriana Abreu, Raghuraj Rai
 
Menções Honrosas
Corpo Estranho / Foreign Body – Marta Magnuska | Polónia | 2016 | 7′
Onde as nossas memórias estão / Where our memories are –  Yuriko Ogawa | Reino Unido | 2016 | 4′
 
Melhor Curta de Estudantes Portuguesa
Lugar em Parte Nenhuma / A Place in Nowhere –  Bárbara de Oliveira, João Rodrigues | Portugal | 2016 | 6′
 
Melhor Curta de Estudantes
Olha Apenas para Mim / Look at Me Only –  Tomoki Misato | Japão | 2016 | 8′
 
Menções Honrosas
Eidos – Elena Ortolan | Itália | 2016 | 5′
 
A Mesa / The Table –  Eugène Boitsov | França | 2016 | 4′
 
Uma História de Amor / A Love Story –  Anushka Kishani Naanayakkara | Reino Unido | 2016 | 7′
 
Melhor Curta de Estudantes Portuguesa
Lugar em Parte Nenhuma / A Place in Nowhere –  Bárbara de Oliveira, João Rodrigues | Portugal | 2016 | 6′
 
Melhor Curta de Estudantes
Steven Vai ao Parque / Steven Goes to the Park – Claudia Cortés Espejo | Bélgica | 2016 | 6′
  
 
 
COMPETIÇÃO CURTÍSSIMAS
Júri: Pedro Letria, Vera Neubauer, Meenakshi e Vinay Rai
 
Menções Honrosas
A verdade mais sombria sobre o amor/ The Darkest Truth About Love – Lara Lee, Hannah Jacobs | Reino Unido | 2015 | 1’49
 
Aftermath – Layla Atkinson | Reino Unido | 2015 | 3′
 
Tekkol –  Jorn Leeuwerink | Países Baixos | 2015 | 2′
 
Melhor Curtíssima Portuguesa
A lenda de Stingy Jack / Stingy Jack´s Tale - Andreia Reisinho Costa | Portugal | 2016 | 2’52
 
Melhor Curtíssima
Circuito de Bicicleta / Tour – Jasmijn Cedee | Bélgica | 2016 | 2’21
 

COMPETIÇÃO LONGAS
Júri: Andrea Basilio, Claudia Bolshaw, Olivier Cotte, Pedro Brito, Zsuzsanna Kreif
 
Melhor Filme Infância e Juventude
Ludovigo e Luca – A Grande Corrida do Queijo / Louis & Luca – The Big Cheese Race, Rasmus A. Sivertsen | Noruega | 2015 | 78′
 
Menção Honrosa
Window Horses – A Epifania Poética Persa de Rosie Ming / Window Horses – The Poetic Persian Epiphany of Rosie Ming – Ann Marie Fleming | Canadá | 2016 | 89’
 
Prémio Especial do Júri
Louise à Beira-Mar / Louise by the Shore – Jean-François Laguionie | França, Canadá | 2016 | 75’
 
Grande Prémio MONSTRA
A minha vida de Courgette / My Life as a Zucchini – Claude Barras | França, Suíça | 2016 | 70’
 
Prémio do Público
A minha vida de Courgette / My Life as a Zucchini – Claude Barras | França, Suíça | 2016 | 70’
 
 
 
COMPETIÇÃO CURTAS
Júri: Andrea Basílio, Andrea Martignoni, Géza M. Tóth, Irena Jukic Pranjic, Tiago Neves de Albuquerque
 
Menções Honrosas
O Vómito de Verão é a Delícia do Inverno / Summer’s Puke is Winter’s Delight – Sawako Kabuki | Japão | 2016 | 3′
 
Acidentes, Erros e Calamidades / Accidents, Blunders and Calamities – James Cunningham | Nova Zelândia | 2015 | 5′
 
Melhor Filme Experimental
Squame – Nicolas Brault | Canadá | 2015 | 4´
 
Melhor Curta Portuguesa
Chatear-me-ia Morrer Tão Joveeeeem… / It Would Piss Me Off To Die So Yoooooung… – Filipe Abranches | Portugal | 2016 | 16′

Prémio Especial do Júri
Entre as Ondas Negras / Among the Black Waves – Anna Budanova | Rússia | 2016 | 11′
 
Grande Prémio MONSTRA - CURTA
Periferia / Peripheria – David Coquard-Dassault | França | 2015 | 12′
 
Prémio do Público
Blind Vaysha - Theodore Ushev | Canadá | 2016 | 8´
 

COMPETIÇÃO PORTUGUESA – SPAUTORES/VASCO GRANJA
Júri: Falk Schuster, Giannalberto Bendazzi, Paula Tavares
 
Menções Honrosas
Chatear-me-ia Morrer Tão Joveeeeem… / It Would Piss Me Off To Die So Yoooooung… – Filipe Abranches | Portugal | 2016 | 16′
Última Chamada / Final Call – Sara Barbas | Portugal | 2016 | 12′
 
Melhor Filme Português – Prémio SPautores / Vasco Granja
É preciso que eu diminua / It is necessary that I diminish – Pedro Serrazina | Portugal | 2016 | 4′

Prémio do Público
Última Chamada / Final Call - Sara Barbas | Portugal | 2016 | 12´

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 23:04
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Foi revelado o primeiro trailer oficial de Justice League (A Liga da Justiça - Parte 1).

 

Para quem desconhece (visto serem poucos os desinformados), trata-se de um projecto que reunirá grande parte dos super-heróis da DC Comics, como Batman, Super-Homem, Wonder Woman e Aquaman, e é visto como uma resposta da Warner Bros. aos The Avengers - Os Vingadores da Marvel. A formada equipa de "meta-humanos" é composta por Ben Affleck, Henry Cavill, Jason Mamoa, Ray Fischer, Ezra Miller e de Gal Gadot, que formarão a dita equipa de "meta-humanos". Ciarán Hinds, Willem Dafoe e o retornado Jesse Eisenberg, serão os vilões de serviço.

 

O filme tem estreia prevista para 16 de Novembro deste ano.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:21
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24.3.17

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O realizador Brett Ratner, responsável pela trilogia Rush Hour e de X-Men: The Last Stand, declarou à Entertainment Weekly, durante a sua passagem no Sun Valley Film Festival, que a indústria cinematográfica encontra-se ameaçada pela Rotten Tomatoes, o famoso agregador de críticas: "A pior coisa que temos na cultura cinematográfica de hoje é o Rotten Tomatoes. Acho que é a destruição do nosso negócio". 

 

O realizador argumentou, revelando que possuía respeito e admiração pela crítica: "Tenho tanto respeito e admiração pela crítica cinematográfica. Quando eu estava a crescer, a crítica de cinema era uma arte real. Era uma tarefa munida por algum intelecto. E você lia as críticas da Pauline Kael, ou de outros, e isso não existe mais. Agora é sobre um número. Um número composto de positivas contra negativas. O que se pergunta actualmente é 'Qual a tua pontuação no Rotten Tomatoes?'."

 

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Ratner deu ainda o exemplo de Batman V Superman, o filme de Zack Snyder que a sua produtora, a RatPac, co-financiou e que foi prejudicado pela más críticas, e sobretudo pela baixa pontuação no referido site. “As pessoas não percebem o que acontece ao fazer um filme daqueles. É de loucos, danifica o negócio, leva as pessoas a não verem um filme. Há casos na América em que se diz 'Oh, tem uma pontuação baixa no Rotten Tomatoes, por isso não vou ver, não deve prestar'. O que não entendem é que esse numero é uma agregação e muitos não sabem o que isso significa, e nem sempre está correcta. Já vi grandes filmes com pontuações abismais no Rotten Tomatoes. O mais triste é que a crítica de cinema está a desaparecer. Isso sim, é triste

 

Recordamos ainda que Brett Ratner não é a única voz contra o sistema de agregação de crítica. Em entrevista ao Cinematograficamente Falando …, o crítico Jonathan Rosenbaum declarou que o Rotten Tomatoes, assim como as pontuações do IMDB estão a transformar "o cinema num desporto". A entrevista completa poderá ser lida aqui.

 

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publicado por Hugo Gomes às 17:56
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Ma Vie de Courgette separa-se do destino do próprio e homónimo protagonista, Courgette, a sorte bateu à porta desta longa-metragem de animação stop-motion assinado pelo suíço Claude Barras. Uma passagem feliz no Festival de Cannes, uma nomeação ao Óscar, para além de ter sido o candidato suíço à categoria de Melhor Filme de Língua Estrangeira, e agora, a alta distinção na 16ª edição da MONSTRA. Ma Vie de Courgette enche-se de orgulho, mas talvez nem tudo foi uma questão de sorte e o filme fala por si. O Cinematograficamente Falando … teve a honra de conversar com o realizador sobre esta sua preciosa criação, um conto infantil agridoce com todos os requisitos do cinema social europeu, e claro, uma alternativa ao mercado imperativo da Disney. As crianças requerem diversidade, assim como nós. 

 

Como surgiu a ideia para este filme?

 

Quando tinha 10 anos li um livro que achei muito bom (Autobiographie d'une courgette), e me lembrava as séries de órfãos como Nobody's Boy: Remi ou a Heidi. Hoje em dia há menos diversidade de filmes para crianças, não há muitos filmes realistas ou que simplesmente falam da realidade para os mais novos. Foi por isso que decidi adaptar o livro.

 

Courgette é um pouco diferente dos outros filmes. Em vez de ser um filme para crianças, é um filme sobre crianças.

 

É uma abordagem realista sobre a infância na animação, a dirigir-se também às crianças e com a estrutura de um conto. 

 

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Como funcionou o processo de stop-motion?

 

Influenciou o lado realista no uso da luz e da mise-en-scène, a partir de marionetas muito simples para a animação. Foram 12 fotos por segundo com a pessoa que manipula a marioneta altera os braços, as pernas, a boca, faz pestanejar, imagem por imagem.

 

Em relação ao design, houve quem apontasse como uma influência ao universo de Tim Burton?

 

Sim, adoro os filmes dele, sobretudo pelo aspecto gráfico. Mas também sei que ele foi influenciado pela Rankin / Bass, uma dupla de cineastas da década de 60 que também recorriam ao uso de marionetas, portanto, também me baseie no trabalho deles.

 

Acha que o Tim Burton vai gostar de ver o seu trabalho?

 

Não sei, espero que sim. (Risos)

 

O The Guardian aclamou que o seu filme era um "Ken Loach para as crianças".

 

Gosto muito dos Ken Loach, dos Dardenne, aquele cinema social europeu. Sim. Penso que sim, que possa ser visto dessa maneira, cinema social de animação.

 

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É um statement político aquele que faz no filme, contra o mercado da Disney na animação?

 

Penso que as crianças têm necessidade de diversidade e que este é um pouco diferente dos outros. Penso que fiz bem em comparar a animação à realidade, à sociedade, à violência, à sexualidade, mas através de um muro, que é o da esperança. Os filmes da Disney são muito caros e têm menos liberdade no sujeito que abordam. Ao fazer um filme com um orçamento menor, consigo ter a liberdade que quero.

 

Como se sentiu por Courgette ser a sua primeira longa-metragem?

 

Estou muito contente com o resultado, foi muito duro. Mas é um filme colectivo, com uma grande colaboração técnica. Também estou feliz porque acho que vou continuar a dirigir-me às crianças com um lado ecológico, com estes temas importantes e que nos fazem reflectir.

 

Como foi colaborar com a argumentista Céline Sciamma?

 

Gostei muito, admiro imenso o trabalho dela e foi o meu produtor que me propôs trabalhar com ela. Já tinha as personagens e uma primeira versão do argumento e, portanto, trabalhámos ao longo de um mês. Pelo meio tivemos uma pequena discussão, mas tive a impressão de que ela estava a escrever para mim. Ficámos a conhecer-nos bem pessoalmente e com a promoção do filme ficámos muito amigos.

 

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Alguns pensamentos sobre a nomeação aos Óscares e a passagem pelo Festival de Cannes?

 

Durante a rodagem, sabia que o filme agradaria às crianças, mas não tinha tanta certeza o quanto iria agradar uma audiência adulta. A passagem por Cannes foi muito forte, intensa, violenta porque creio que dei mais de 100 entrevistas em apenas três dias [risos]. Mas foi uma chance enorme passar por um festival que deu uma projecção tremenda ao filme. A quantidade de jornalistas que falaram do filme atraiu um grande número de pessoas para vê-lo. Porque, infelizmente, é difícil filmes assim encontrarem um público.

 

Depois de Cannes passei 2 meses a fazer 30 projecções nos EUA. O produtor do filme tinha dinheiro para permitir a cobertura por revistas e pôs em movimento uma máquina de guerra. Para a selecção, são 200 pessoas que votam e foi bom ter a energia e dinheiro para fazer o filme chegar até elas. É uma competição difícil, é necessária muita publicidade. Mas gostei de ganhar e de ir à cerimónia, mesmo não tendo ganho, mas o único filme de animação não-americano a ser premiado com o Óscar até à data foi Spirited Away, por isso nada a fazer.

 

E quanto a novos projectos? Vai ficar-se pela stop-motion?

 

Sim, gosto muito da técnica que ora está perto da animação, ora se aproxima do cinema "live action", graças ao uso da luz e do mise-en-scène. Tem uma certa veia directa como o teatro e com a perfomance, daí poder surgir algo espontâneo o e que é muito bonito.

 

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publicado por Hugo Gomes às 14:28
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23.3.17

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O meu nome não é Ninguém … é Courgette!

 

Icare, mais conhecido como Courgette, é um rapaz de nove anos cujo infortúnio bateu-lhe à porta, a sua mãe morre. A criança é assim transportada para um orfanato onde tentará conviver com outros na mesma situação, ou não, que ele. Sob o olhar atencioso de Raymond, um policial que encarregou-se do seu caso, Courgette tentará aprender por entre a sua vida caótica encontrar a felicidade nas pequenas coisas.

 

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A primeira longa-metragem do suíço Claude Barras é uma aventura espirituosa que se assume como uma afronta ao legado mercantil da Disney, através de uma duração com mais de uma hora (não mais que isso), consegue construir uma trama igualmente emocional sem o utensílio de conflitos demarcados nem da requisição de moralidades maniqueístas. Trata-se de um filme sobre crianças, ao contrário da tendência de filmes para criança, uma obra honesta nas ambições dos seus "heróis" e verdadeiramente presente nestas.

 

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Courgette, a figura, capta a nossa atenção pelo seu jeito doce, inocente e Claude Barras, sob a colaboração de Céline Sciamma (autora do argumento adaptado de uma obra de Gille Paris), invocam devidamente essa ingenuidade digna de enfant. No meio desse olhar deliciado e subjugado aos efeitos de um tom intrinsecamente agridoce, Ma Vie de Courgette é aquilo que poderemos identificar como dois em um. Uma animação stop-motion que encara o infortúnio como um ciclo vivente e despejado (sem vozes panfletárias) na superação, e ao mesmo tempo, uma subversiva visão para com o sistema de tutor educacional e de adopção.

 

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Em tempos de Bambi, onde a morte é vista como um trauma incontornável mas parte integra da vida (tal como ela é sem floreados) Ma Vie de Courgette poderia ter-se triunfado por entre a audiência mais jovem, mesmo com as claras sugestões que encontramos em determinadas personagens, mas numa época como aquela que se vive hoje, onde os nossos filhos estão sob uma constante, e por vezes alarmante, vigilância e protecção (e nisso reflecte a qualidade dos desenhos animados que assistem), o filme de Claude Barras apenas será restringido a um público adulto.

 

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Porém, espera-se que haja um passa-a-palavra, Ma Vie de Courgette, que teve a ventura de estrear em Cannes com algum entusiasmo e a nomeação ao Óscar ao lado de outros concorrentes de peso como Kubo and the Two Strings e Le Tortue Rouge (o prémio, que infelizmente, caiu nas mãos do mais previsível e formatado candidato), é um mimo para a nossa sensibilidade. Um mimo acima do que aquilo que realmente merecemos!

 

Filme visualizado na 16ª Monstra: Festival Internacional de Animação de Lisboa

 

Real.: Claude Barras / Int.: Gaspard Schlatter, Sixtine Murat, Paulin Jaccoud

 

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8/10

publicado por Hugo Gomes às 21:42
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21.3.17

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O espaço na moldura!

 

Ao ver Ornamento e Crime, a sensação é praticamente idêntica de ter visto The Good German, de Steven Soderbergh, há alguns anos atrás, que tentava a passos citar Casablanca no seu modo produtivo. Temos um cinema tributo que não sai desse mesmo acto, o de forçar um ligação com a memória cinematográfica do espectador.

 

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O resultado é iminente neste episódio film noir de Rodrigo Areias (que já se tinha aventurado em outro género póstumo, o western em A Estrada de Palha), onde a música colaborativa entre Rita Redshoes e The Legendary Tigerman batem certo numa incursão reservado em termos de personalidade. Ou seja, o que assistimos não é mais do que um mero exercício de reflexão de género, mas o vazio abate perante as referências e lugares-comuns propositados.

 

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Porque o film noir morreu há anos, o que resta são os seus embriões, e mesmo apetecível este saudosismo por um subgénero tão característico, sentimo-nos preso a uma peça de museu, com a arte pedagógica de informar e relembrar-nos que em tempos existiu filmes assim. Sem desfazer a contribuição artística por detrás de Ornamento e Crime, desde a fotografia, o som e a capacidade de mimetizar dos seus atores, este é um filme que fascina-nos pela sua invocação, e não pela sua presença. Entre detectives privados, casos infiéis, gangsters, prostitutas e femme fatales, somos corridos a uma pele de cobra, brilhante, esplendorosa à luz natural, mas oco por dentro.

 

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Ornamento e Crime é tudo aquilo que esperávamos numa proposta destas, e tal como soa a sua melancólica banda sonora e citando essa letra de cabaret, é caso para dizer que estamos perante num filme "Vodoo", um objecto que respira somente através dos outros. Não era isto que tínhamos em mente quando referimos dinamizar o cinema português.

 

Real.: Rodrigo Areias / Int.: Vítor Correia, Tânia Dinis, Djin Sganzerla, Ângela Marques

 

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5/10

publicado por Hugo Gomes às 18:05
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Paul Vecchiali, realizador e produtor francês conhecido pela sua irreverência, e Jem Cohen, prolifero cineasta norte-americano, serão homenageados na próxima edição do IndieLisboa na categoria de Heróis Independentes.

O primeiro contará com uma longa retrospectiva a ser projetada na Cinemateca-Portuguesa Museu do Cinema. Tal será composta por algumas das suas mais importantes obras, incluindo o seu mais recente trabalho, Le Cancre, que fora exibido no Festival de Cannes em 2015, numa Sessão Especial. Conhecido pelo carácter provocador e a sua natureza polivalente, para além de realizador e produtor (destaca-se a sua colaboração com os primeiros anos de Jean Eustache), Vecchiali contribui com alguns, mas importantes artigos, para a Cahiers du Cinema.

Em relação a Jem Cohen, o Indielisboa sempre manteve uma relação intima e atenta para com a obra deste artista que conta com mais de 70 trabalhos, desde longas a curtas, instalações e fotografias, todos eles marcados por uma veia indie, que o festival tem vindo apoiar desde os primórdios da sua existência.

Indielisboa chegará a partir do dia 3 de Maio, prolongando-se até 14 do mesmo mês.
 
 
 

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publicado por Hugo Gomes às 16:32
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20.3.17

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 Go, go, Power Rangers!

 

Qualquer indicio de algo vindo do universo de Power Rangers é por si só difícil de ser levado a sério, quanto mais uma longa-metragem cuja palavra de ordem é … a seriedade. A esta altura do campeonato, a existência de uma réstia de faísca dramática de um Transformers é mera miragem. É então que, para contrariar a "tradição", entra este novo franchise com tudo aquilo que sempre questionamos existir no cinema blockbuster meramente adolescente: enredos teens com robôs alienígenas - uma fórmula aproveitada até à exaustão na cultura popular nipónica.

 

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Aliás, o Japão foi o país de origem deste reciclado programa chamado Power Rangers. Pois, só que não altura chamavam-se Super Sentai e eram vistos como uma forma artesanal de "colar" jovens ao ecrã, e bombardeá-los com um fuinha "monster of the week". Quanto aos americanos, os Power Rangers, a popularidade atingiu o seu pico mas hoje eles são vistos como objectos kitsch, como uma recordação da infância. Mas será que para isso merecíamos algo como este filme, negro, pretensioso e de ideias do formato industrial? A resposta é mais que previsível, porém, se existe, há que justificar a sua existência. Certo?

 

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Pois bem, a primeira parte é algo - não sei se devo mencionar tal palavra, mas cá vai - promissora, com um início cuidadoso em colocar as personagens nos seus devidos lugares. O processo encontrado para tal foi ao recitar John Hughes e o seu Breakfast Club. E a ação que encontra simpatia pela câmara de mão e pela chamada crash camera, auferindo um sentimento de cinema fora de estúdio. Até aqui, o filme engana bem os seus propósitos mais primitivos. Mas tudo acaba cedo. Os nossos adolescentes danados por estereótipos e clichés cedem à preciosidade dos poderes alienígenas de Zordon, um talkhead (na sua forma mais literal) encarnado por Bryan Cranston que promete maravilhas em troca de responsabilidades. Lá vamos nós com o "com grandes poderes vêm grandes responsabilidades".

 

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Há que proteger o Mundo da iminente destruição e para isso, para os nossos cinco jovens o objetivo é treinar duro e duro … por 11 dias, obviamente, condicionados a uma montagem musical para poupar o tempo que sobra. Elizabeth Banks entra em cena e rouba o espetáculo com a sua vil caricatura de Rita Repulsa. Sim, esta é a grande vilã de Power Rangers, que por si já era uma paródia às figuras antagónicas, mas que encontra nesta nova versão um equilíbrio entre o sombrio e o show off.

 

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Mas se Banks vale o preço do bilhete, já o terceiro ato, uma desculpa para inserir-se no desonesto "fan service", onde cada plano soa como um "tiro ao lado" em termos circenses. É tudo igualmente vistoso, mas na sua igualdade tudo se resume de A para B em questões de argumento, com um macguffin impaciente servindo de nota para uma saga em pré-construção. Como os produtores são atenciosos em olhar para o horizonte, perdemo-nos então entre climaxes anoréticos, personagens sofríveis, descartáveis e easters eggs para dar brilho aos olhos dos fãs (sim, temos cameos de alguns membros da velha equipa).

 

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But who cares! Porquê encararmos como houvesse muito mais num filme baseado em Power Rangers? Dean Israelite, que parece ter impressionado os produtores com o Project: Almanach, teve essa iniciativa. Não o vamos julgar por isso, mas tal como os dez mandamentos, existem leis incontornáveis de como fazer um espetáculo à lá Hollywood para render globalmente (e não estamos a falar só do filme, existe ainda o merchandise). No final de contas, Power Rangers não é diferente de muitos filme que também respeitam as regras dos blockbusters.

 

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Real.: Dean Israelite / Int.: Dacre Montgomery, Naomi Scott, RJ Cyler, Ludy Lin, Becky G., Elizabeth Banks, Bill Hader, Bryan Cranstone

 

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4/10
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publicado por Hugo Gomes às 14:50
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18.3.17

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Suspiria é hoje tido como uma das obras-primas do mestre do cinema de terror italiano Dario Argento, e uma das suas principais particularidades é a paleta de cores utilizada, auferindo ao filme um tom plástico e berrante. Contudo, a nova versão irá afastar-se desse mesmo tom visual, e quem o garante é o realizador, o também italiano Luca Guadagnino (I am Love).

 

Segundo Guadagnino, o remake de Suspiria (cuja a rodagem encontra-se finalizada desde o ano passado) tentou afastar-se do célebre filme de Argento, constituindo-se como uma visão própria. O realizador adiantou que o seu filme terá como temáticas "a culpa e a maternidade. Não possuirá as cores primárias na sua paleta, tal como o original" e "será frio, maléfico e muito negro".

 

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Recordamos ainda que Chloe Moretz Grace será a protagonista, e Dakota Johnson, Mia Goth, Tilda Swinton e Jessica Harper (protagonista do original) completarão o elenco. Suspiria remete-nos a uma conceituada escola de dança que recebe uma jovem bailarina americana. Durante a sua estadia, fenómenos bizarros e assassinatos macabros ocorrem por dentro e por fora das paredes da Academia.

 

O original de 1977 foi o primeiro filme de uma trilogia que Dario Argento apelidou das "Três Mães", que fora posteriormente completado com Inferno (1980) e Mãe das Lágrimas: A Terceira Mãe (2007). A nova versão estreará ainda este ano. De momento não existe data de estreia.

 

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publicado por Hugo Gomes às 01:07
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16.3.17

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Com cinco cidades em simultâneo, a Festa do Cinema Italiano chegará com esta 10ª edição na sua mais pujante força. para além de Lisboa, junta-se as cidades de Almada, Coimbra, Porto e Setúbal na partilha desta programação, embrulhada em promessas de trazer o melhor do cinema italiano recente, assim como invocar às mais perpetuas memórias cinematográficas.

 

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O filme de Marco Bellocchio, Sweet Dreams, foi o escolhido para abrir esta festa nostra no dia 5 de Abril, uma mostra que se prolongará até dia 13, tendo como desfecho o In Guerra Per Amore, de Pierofrancesco Diliberto. Entre as grandes novidades da secção Panorama conta-se os dois novos trabalhos de Roberto Andó (Le Confessioni - Políticos Não se Confessam) e Paolo Genovese (Perfetti Sconosciuti - Amigos, Amigos, Telemóveis à Parte).

 

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Serão seis os filmes presentes na habitual secção Competitiva, uma mostra repleta de novos nomes do cinema italiano e alguns ascendentes neste ramo. Já na Altre Visioni, dedicado ao cinema mais experimental e desafiante, teremos à nossa mercê quatro longas-metragens que melhor definem a maleabilidade da linguagem cinematográfica. A juntar ao já acostumado esquema de programação, as secções Il Corto (curtas-metragens), Piccolini (cinema de animação, este ano com o apoio da Monstra), e como não poderia deixar de ser, Amarcord, dedicado aos grandes clássicos de Itália.

 

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Neste último espaço, as novidades são imensas. O ciclo Dino Risi, um dos génios da comédia, o qual será composto por 10 longas-metragens, incluindo o unanimemente aclamado e famoso Il Sorpasso - A Ultrapassagem. Ainda, a reposição numa cópia 4k da obra-prima de Dario Argento, Suspiria, que à imagem do 8 1/2 , de Fellini, do ano passado, encontrará lugar nas salas UCI Corte-Inglês durante todo o festival. Por fim, outro clássico popular do cinema italiano, Trinitá, o Cowboy Insolente, com a dupla Bud Spencer (falecido ano passado) e Terence Hill a protagonizar esta fusão entre western spaghetti e comédia slapstick.

 

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Mas a Festa do Cinema Italiano não é apenas uma mostra de filmes, o festival será palco de um encontro entre produtores portugueses e italianos  com vias de lançar novas parcerias entre os dois países. A iniciativa, organizada pela associação Il Sorpasso, tem a colaboração do ICA, o MiBACT - Direzione Generale Cinema e a ANICA.

 

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publicado por Hugo Gomes às 18:22
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O realizador de Som ao Redor e Aquarius, Kleber Mendoça Filho, vai presidir o júri da próxima Semana da Crítica de Cannes. Contando agora com a sua 56ª edição, a Semana da Crítica contará ainda com a produtora e directora artística do Festival de Cartagena, Diana Bustamante Escobar, o chefe de reportagem do site Indiewire, Eric Kohn, directora do Cinema Metropolis, o primeiro cinema arthouse do Líbano, Hania Mroué e o actor Niels Schneider como jurados.

 

Recordamos que a Semana da Crítica, secção paralela do Festival de Cannes, é dedicado à promoção de novos talentos do cinema, exibido uma mostra composta por primeiras e segundas obras.

 

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publicado por Hugo Gomes às 16:36
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16.3.17

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publicado por Hugo Gomes às 15:38
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Chamam-lhe provocador, e não é por menos. Os filmes de Alain Guiraudie apostam na naturalidade das coisas, inclusive no natural estado em que a sexualidade é traduzida no ecrã. Apresentando agora, Staying Vertical (Rester Vertical), o seu mais recente trabalho que chegou aos cinemas portugueses, conserva tudo o que esperávamos da sua arte. Aquela, que se pode considerar a arte de provocar. Através do seu novo filme, o Cinematograficamente Falando … tenta desmistificar o homem por detrás da obra.

 

Novamente se verifica em Staying Vertical, existe um certo "eu" cómico nestas tramas?

 

Penso que o humor é muito importante. O porquê de importante? Porque por vezes gosto de rir, e uma boa gargalhada traz uma certa ligeireza ao tom dramático e até mesmo trágico. O humor fundido com o drama, é um equilíbrio que procuro com o intuito de interligar as pessoas aos enredos.

 

A sua filmografia é dotada por inúmeros elementos naturais que por si residem como uma imagem de marca. Estamos a referir os exemplos da água, o rio e outros sistemas fluviais.

 

A Natureza faz-me sonhar. Aprecio ter um certo cinema sensorial, e para tal uso elementos para o transmitirem, tais como a água, o céu, arvores e o vento. Sobretudo o vento, até porque sigo uma das indicações de Orson Welles: "o cinema é o vento e as arvores". Sou um fascinado pelo Mundo e pela Natureza em particular, cresci rodeado desta, aliás em vim do campo, por isso o meu "cinematográfico" possui um certo magnetismo com este meio ambiente. Não sei se conseguiria filmar um filme numa metrópole.

 

Como consegue consolidar esses elementos naturais com a vertente cinematográfica, sobretudo no contexto visual?

 

Para mim é difícil definir o conceito visual apropriado, porque é igualmente complicado traduzir a grandiloquência da natureza neste filme. Para isso gosto de trabalhar com a luz natural e o Sol é a melhor electricidade do Cinema. Neste filme aprendi que também a Lua consegue funcionar da mesma maneira que o Sol. Foi a minha primeira vez que utilizei o luar para iluminar os meus planos e a meu veredicto é que o brilho desta possui um certo encanto. Um encanto dignamente místico.

 

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Luz natural?

 

Sim, em todas as sequências exteriores, utilizei somente luz natural. Com a tecnologia é possível reproduzir tal efeito, mas esta é demasiado recente, por isso optei por restringir-me ao luar.

 

Outras das suas marcas autorais. À semelhança de O Desconhecido no Lago (L’ Inconnu du Lac), este Staying Vertical respeita um certo signo, onde reside algures uma criatura de que as nossas personagens temem. No caso do filme anterior, fora o siluro, neste são, evidentemente, os lobos. Estes "papões" funcionam como metáforas para algo?

 

Não é necessariamente uma metáfora, não é a representação do "papão" nos lobos em Staying Vertical nem a misteriosa criatura do L’ Inconnu du Lac, mas isso pode muito bem ser induzido consoante a nossa própria interpretação. É possível olharmos para os lobos, assim como o "peixe-gato", como um medo colectivo, eles existem e as suas auras encontram-se ligadas a fábulas e outras histórias do arco-da-velha, ou até mesmo bíblicas. Sinceramente, olho para estas criaturas e revejo-as num confronto entre a entidade real e as lendas que se encontram ligadas.

 

Neste Staying Vertical, o Alain derrubar as "paredes" que separavam a fantasia e a realidade.

 

Exacto, gosto de pensar que o cinema nasceu de algo muito concreto, realista e que aos poucos consegue entregar-nos um efeito mais próprio da fábula, da mitologia e até da fantasia. Tal como os lobos, voltando ao assunto anterior, que possuem esse poder lendário por detrás, então porque não combinar esses dois terrenos numa simbiótica combinação. Sinceramente, o cinema que detesto é aquele que se foca e que por fim se prende na realidade, e o que exibe é nada mais que isso.

 

E o conteúdo sexual? O seu cinema é característico por uma naturalidade nesse ramo.

 

Primeiramente, era algo que tentava fugir. Só que nos últimos anos reflecti a importância de exibir ou não exibir esse conteúdo sexual. Porque haveria de não mostrar a naturalidade dessa temática? Perguntava a mim próprio. Se é algo importante para as nossas vidas, porque não mostrá-la no ecrã.

 

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O que pretende com essa procura?

 

Uma nova linguagem sexual. Por exemplo, quando filmamos, procuramos novas áreas para explorar e no Cinema estamos bem atrás da literatura, na questão de como devemos mostrar a sexualidade.

 

Para si, existe alguma diferença entre o filmar essa nova linguagem sexual e a pornografia? Qual a linha que separa esses dois universos?

 

De momento é me difícil definir uma fronteira para mim mesmo. O grande obstáculo para mim é realmente encontrar actores que possam levar do início ao fim as referidas cenas, sem ser ao uso da simulação. Mas penso que se pode filmar tudo, a questão deverá ser como a filmar. A abordagem no centro de tudo. Mas respondendo directamente à pergunta, a grande diferença entre a pornografia e o aceitável está nos "point-of-views". Na má pornografia, principalmente, a câmara encontra-se em ângulos impossíveis e na distância. No cinema tentamos ter um boa distância, algo que na pornografia, habitualmente, não existe.

 

Então tenta evitar a pornografia?

 

Tento evitar [risos].

 

E quanto às acusações de ser um provocador?

 

Também não tento provocar, mas constantemente questiono o porquê de não poder filmar certas coisas.

 

Como por exemplo, a sequência em que filma um parto real?

 

Tento exprimir o ciclo da vida através da edição. E através dessa tento sobretudo expor algum humor, um senso de divertimento que unicamente se consegue na edição. Nesta cena em particular o que faço é demonstrar directamente, no sentido mais literal, frontalmente o nascimento para o público.

 

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Em matéria de edição, pensa que foi eficaz e perceptível?

 

Sinto que neste filme não fui totalmente bem-sucedido, queria dar uma sensação que estava gradualmente a abandonar a imperatividade da montagem, mas julgo que os espectadores não estão cientes perante isso. Como tal, julgo que Staying Vertical não consegui atingir o objectivo.

 

Falando em cenas, existe a sequência final em que surge por fim os nossos "papões". Como foi filmar essa particular cena? Eles são reais?

 

Foi uma cena complicada. Os lobos, sim, são reais, e devido à dificuldade desta particular sequência, tivemos que utilizar efeitos visuais em pós-produção, até porque a tarefa era perigosíssima, tínhamos lobos de um lado e cordeiros do outro. Então filmamos os animais em separado e os juntamos através da edição.

 

O significado desta particular cena?

 

É um sacrifício aludido aos contornos bíblicos, uma visão utópica de uma coabitação pacifica. A harmonia entre o lobo e o cordeiro.

 

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publicado por Hugo Gomes às 00:34
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14.3.17

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No ano passado, num divulgado trailer de Finding Dory, era possível ver duas mulheres com uma criança, imagem essa, que instantaneamente foi deduzida como um casal de lésbicas. A homossexualidade iria por fim entrar no universo Pixar, um prenuncio que suscitou euforia para a comunidade LGBTQ e profecias de destruição moral por parte do leque mais conservador. Até à sua estreia, Finding Dory usufrui deste tipo de publicidade, positiva ou negativa, consoante a perspectiva e ideologia de cada um. O resultado foi, simplesmente, fogo de artificio, as duas personagens nada de relacionado davam a entender. Para algumas publicações e órgãos de comunicação, a oportunidade foi vista como um total desperdício.

 

Um ano depois, não propriamente no seio Pixar, mas nos estúdios Disney, o anúncio de por fim, uma personagem gay neste Universo, levantou, igualmente, muitos festejos como também reacções espontaneamente negativas em relação à nova versão de The Beauty and the Beast (A Bela e o Monstro). Desde a boicotes, censuras em cinemas de Alabama (sim, territórios norte-americanos!), alterações da classificação etária em território russo, adiamentos na estreia em alguns países como a Malásia, de forma a conseguir cortar a respectiva sequência, ou seja, o Mundo ficou de pantanas ao ter conhecimento numa persistência homossexual nas produções dirigidas a famílias.

 

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Será isto uma ameaça real aos velhos valores morais, ou tudo se deve ao facto de vivermos num Mundo cada vez mais governado pelo populismo e por mentalidades arcaicas? Que perigo encontraremos numa personagem destas num filme orquestrado para uma vasta gama de audiências? Caros leitores, antes de mais, não existe qualquer perigo nisto. Mais uma vez, a oportunidade foi desaproveitada, a dita cena "homossexual" é vista por breves segundos e utilizado como um veículo cómico (quantas comédias é que utilizam a homossexualidade como gag e são devidamente aceites em sociedade conservadoras?), provavelmente de forma a não prejudicar o frame-to-frame que o filme ousa em assumir-se. O veredicto é que até nesta vertente de ser avant-garde do cinema familiar, A Bela e o Monstro converte-se igualmente conservador e reservado nesta matéria.

 

Sendo assim, a Disney provou ser capaz para tocar no tema, e sem precisar de grandes anúncios, veja-se por exemplo na chuva de beijos num segmento da série infanto-juvenil Star Vs the Forces of Evil (ver abaixo), que sim, passou na televisão e não usufrui de igual mediatismo.  

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:08
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Há dois anos atrás, na secção Un Certain Regard do Festival de Cannes, um filme croata emocionou o público com uma abordagem criativa e romântica do conflito dos Balcãs. É um enredo que prolonga-se por mais de trinta anos, jogando-se com encarnações e momentos dignamente shakespearianos. Esse filme foi Zvizdan, por cá sob o título de Sol de Chumbo, que acabaria por vencer o prémio de Júri de tal secção.

 

O Cinematograficamente Falando … falou na altura com Dalibor Matanic, o realizador assumidamente optimista que parece figurar-se numa nova e ascendente geração que promete fazer um cinema activista, mas sobretudo de carácter urgente e moralista.

 

Ao ver o seu filme temos a sensação que o Dalibor é um homem romântico.

 

Sim, mas penso que se deveria antes dizer que sou um optimista. Neste assunto é o meu ponto de vista, a minha posição e o filme sou eu, é tudo aquilo que vejo à minha volta. A minha família sempre me disse: "que as pessoas metem em primeiro lugar as suas energias mais negativas, como o ódio, ao invés de outros sentimentos como o amor e o afecto".

 

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Como nasceu a ideia para este filme?

 

Curiosamente, a ideia veio da minha avó. Cresci com ela e ela foi para mim um poço de amor incondicional, mas à medida que ia ficando mais velha começou a repetir o mesmo conselho "por favor arranja uma rapariga que não seja sérvia". Isto é absurdo, alguém que te dá todo o amor na tua vida e ao mesmo tempo é capaz de interditá-lo. Isso fez-me pensar no porquê que estas boas pessoas estão infectadas com este elemento de ódio, ou por vezes, presas. Por isso, este filme funciona como um "gatilho" de resposta a esses sentimentos, e demonstrar como é possível apostar no oposto.

 

Digamos que este é um filme activista?

 

Sim, mas no filme tentei ser gentil na temática, mesmo assim poderá suscitar algumas reacções negativas para algumas pessoas com ideias fundamentadas. Para além da gentileza, tentei transparecer uma certa disposição, como um espelho, que reflecte-as e que as confronta com o seu próprio reflexo.

 

Mas porquê este formato: 3 histórias, 3 décadas diferentes e 2 actores?

 

Queria transmitir às audiências uma precaução de que o destino é sempre o mesmo, uma sensação de ciclo repetitivo e foi com esse intuito que utilizei os mesmos actores para personagens diferentes. Porém, com esse processo tentei esclarecer um ciclo onde as cargas negativas vão-se esmorecendo conforme o destino.

 

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Como preparou os seus actores para um ciclo repetitivo, e ao mesmo tempo divergente, de papeis?

 

Eu não sou do tipo que gosta de explicar tudo, a maneira como se deve agir, o sorriso, o olhar. Nada disso. O que pretendia aqui era pequenos ou até pormenores invisíveis entre personagens. Trabalhamos muito e por muito tempo para poder encontra estes pequenos itens que nos levam a diferenciar personagens, não pretendia diferenças discrepantes entre elas, queria transmitir a sensação que apesar de diferentes e de viverem em décadas distantes, estas eram unidas, como algo hereditário, a um só ser, aquela energia continua. As minhas personagens possuem uma ideia que habita dentro delas, não exibindo-as como parte da sua estética. Algo comparado ao subconsciente.

 

Estes eram os atores com quem inicialmente pensou em trabalhar? Como os escolheu?

 

Tenho orgulho de ter no meu elenco Tihana, o qual considero ser uma das melhores actrizes croata da sua geração. Já nos conhecíamos há anos e por isso a adaptação foi tranquila. Claro que tive que executar um casting para as personagens mais velhas e sobretudo para o protagonista masculino. Foi então que encontrei Goran Markovic, que foi perfeito para o papel.

 

Muita da imprensa afirma que o seu filme poderá se tornar no mais influente e conhecido filme croata. O que sente acerca destas afirmações?

 

Sou pacifico em relação a isso [risos], quando estava a filmar o filme, depositei nele alguns dos meus sentimentos e em Cannes apercebi-me que essa energia está de certa forma estampada nele. Mas não é só as referências croatas, julgo que todo o leste precisa de filmes como estes. Um cinema que aborda estes mesmos medos, fantasmas e temas. Actualmente, surge entre nós uma geração de jovens com um tamanho ódio instalado no coração, eles odeiam tudo, por isso, é importante que exista este tipo de filmes e que esta mesma geração os veja e, acima de tudo, sejam confrontados por estes.

 

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Em relação ao título. Porquê High Sun (título internacional)?

 

"High Sun" (Sol ascendente) é quando o Sol está no pico, e ele ilumina-nos deixando a nossa sombra saliente no chão, como tal existe uma espécie de reflexão, ou por outras palavras, um confronto entre o iluminado e o fruto dessa iluminação. É como olharmos para nós próprios, mas sob a influência de algo acima da nossa compreensão.

 

Novos projectos?

 

Este Zvizdan será o início de uma trilogia, o qual apelido de a trilogia do Sol. Com esta saga tentarei esclarecer os aspectos sentimentalmente positivos como negativos, um embate entre a Humanidade e as energias negativas que habitam entre nós à séculos. O meu próximo capítulo terá como título "Down Sun", como uma Aurora, o qual tentarei estabelecer sentimentos próximos do luto.   

 

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publicado por Hugo Gomes às 16:55
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9/10 - Imprescindível
8/10 - Bom
7/10 - Interessante
6/10 - Razoável
5/10 - Medíocre
4/10 - Muito Fraco
3/10 - Mau
2/10 - Péssimo
1/10 - De Fugir
0/10 - Nulidade
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