30.11.16

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O Fantasporto - Festival Internacional de Cinema do Porto vai regressar ao Rivoli em 2017, mais precisamente entre 20 de Fevereiro a 5 de Março.

 

Em comunicado, a organização anunciou que para além de manter a habitual Competição, a 37ª programação focará no Cinema de Acção de Taiwan (Taiwan Classics), passando pelo pouco conhecido Cinema Fantástico e de Terror da Argentina. O ano 2017 contará ainda com uma parceria com a TV Globo, o qual serão exibidos episódios inéditos de três séries e novelas criadas no âmbito do género Fantástico. Para além disso, como promete a organização, o festival trará à cidade do Porto inúmeras "caras conhecidas" pelo grande público.

 

Enquanto isso, a Competição de Cinema Fantástico, a Semana dos Realizadores Manoel de Oliveira, o tradicional Oriente Express e o Prémio de Cinema Português, sem contar com as Homenagens e Retrospectivas, manterão.

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:29
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Sete filmes distintos irão figurar a 9ª edição do Ciclo de Cinema Israelita, que terá lugar, novamente, no Cinema City Alvalade.

 

Segundo a organização, é o regresso de uma aposta recheada de obras recentes e bem sucedidas no panorama cinematográfico israelita, tendo como principal destaque Junction 48, um drama de Udi Aloni que marcou presença em alguns dos mais importantes festivais do ano, como Berlim, Tribecca e BFI London, o qual angariou prémios de Público e de Interpretação Masculina (Tamar Nafar). O filme remete-nos a um casal de músicos de diferentes religiões que terão que lidar com um Mundo hostil e cada vez mais desfragmentado.

 

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Em destaque ainda temos, Wedding Doll, de Nitzan Gilady, sobre uma atribulada relação entre uma mãe divorciada, uma filha com deficiências mentais e uma fabrica de papel higiénico que resume à vida de ambas. Falando em relação afectuosas e familiares, há ainda Baba Joon, de Yuval Adler, um retrato de heranças e emancipação no primeira produção israelita de linguagem persa.

 

Contando, mais uma vez, com o apoio da United King Films, um dos principais responsáveis  pela internacionalização da produção israelita, o 9º Ciclo arranca no dia 1 de Dezembro, prolongando-se até dia 7 do mesmo mês.

 

Para mais informação sobre a mostra e os respectivos horários, ver aqui

 

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publicado por Hugo Gomes às 14:57
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28.11.16

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Nesta edição do Muvi - Festival Internacional de Música no Cinema, saudade, essa palavra sem tradução, será o sentimento vivido em toda a sua programação. David Bowie, o influente cantor e músico que nos deixou este ano, Lemmy Kilmister, vocalista dos Motorhead, falecido ano passado, o realizador e fotografo Pedro Cláudio, e ainda os 35 anos da banda portuguesa Heróis do Mar, serão os destaques deste terceiro ano de vida do festival.

 

O britânico Bowie, que marcou o início de 2016 sob um véu de mau presságio, será o protagonista do arranque do festival. Como abertura será projectado, The Labyrinth (O Labirinto), o filme de fantasia realizado por Jim Henson (o pai dos Marretas), que conta com as interpretações do músico e de uma jovem Jennifer Connelly. A história de uma rapariga que se aventura num labirinto mágico de forma a salvar o seu irmão mais novo das "garras" do Rei Goblin, assinala os 30 anos. Será uma oportunidade única para o público descobrir ou redescobrir este culto garantido.

 

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A competição estará recheada, o Muvi orgulha-se de apresentar uma selecção de documentários e ensaios musicais, grande parte deles de produção nacional. Enterrado na Loucura - Punk em Portugal 82-88, de Hugo Conim e Miguel Newton, uma viagem ao que de "punk" se fez no nosso país, Benjamim: Auto Rádio, de Gonçalo Pôla, desbravando uma Guiné musical e a co-produção britânica, The Parkinsons: A Long Way to Nowhere, de Caroline Richards, sobre a "estranha" história da banda rock The Parkinsons, são alguns dos integrantes da programação.

 

Como encerramento, Lemmy Kilmister será a figura destaque num documentário tributo dirigido por Gregg Olliver Orshoski.

 

O 3º Muvi - Festival Internacional de Música no Cinema terá início amanhã, dia 29 de Novembro, prolongando até dia 5 de Dezembro, no Cinema São Jorge.

 

Toda a programação pode ser consultada, aqui

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 18:45
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Guerra Mundial, e o que nós temos haver com isso?

 

Para Selene (Kate Beckinsale) esta guerra entre vampiros e licantropos perdura à séculos, para o espectador, contando com 5 filmes, o conflito prolonga-se mais tempo que uma das duas Guerras Mundiais. A verdade, é que ninguém pediu um novo filme de Underworld. O último, que apesar do êxito, deitou por terra qualquer hipótese de inovação que poderia culminar, o que era difícil, visto que o primeiro filme era tudo, excepto sofisticado.

 

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E assim seguimos, mais um leque de cartas embaralhadas com personagens descartáveis, situações inconsequentes e todo uma ênfase dramática que nunca chega verdadeiramente a conduzir-nos. Muda-se os vilões, mas a existência é a mesma, uma guerra sem motivos algum num filme que perdeu de vez o esforçado profissionalismo do seu original, datado de 2003. Até porque nessa altura, Len Wiseman havia declarado um adepto das sagas dos monstros clássicos da Universal Pictures e até mesmo de um certo filme de John Landis, o qual emprestou muito dos seus efeitos práticos. Todavia, com quatros filmes à frente, só Kate Beckinsale sobrevive do elenco original, esse artesanato no ramo dos efeitos visuais é substituído por nada mais, nada menos que os preguiçosos CGI, e como tal pergunta-se, o que verdadeiramente nos espera este Blood Wars?

 

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Um videojogo apressado, carente e castrado, mesmo que se sinta alguma ousadia, principalmente em comparação com abominável quarto filme (Awakenings). Nesse aspecto, são as mulheres a darem o melhor neste episódio esquecível, seja o esforço de Beckinsale (atenção, a actriz teve em 2016, mais precisamente em Love & Friendship, um dos seus melhores desempenhos de carreira) ou da vilã, Lara Pulver, a servir de um modelo "carmeliano". Enfim, o resto, sente-se no automatismo da intriga, nos plot twists esforçados, e pouco mais. É para ver e chorar por menos, rezando que não se prolongue uma saga que já viveu melhores dias.

 

Real.: Anna Foerster / Int.: Kate Beckinsale, Theo James, Lara Pulver, Bradley James, Charles Dance

 

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publicado por Hugo Gomes às 17:59
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Foi divulgado uma nova imagem de Rita Repulsa, a vilã do próximo filme de Power Rangers, interpretado por Elizabeth Banks. O reboot da popular série infanto-juvenil chegará aos cinemas em Março de 2017.

 

O realizador Dean Israelite (Project Almanac) estará por detrás do projecto. Dacre Montgomery, Naomi Scott, Ludi Lin, Becky G, RJ Cyler e Elizabeth Banks, como a vilã Rita Repulsa, compõem o elenco.

 

Power Rangers segue cinco jovens comuns - Trini, Billy, Kimberly, Zack e Jason – que tornam-se os defensores da Terra contra uma ameaça vinda de outro Mundo [e aí entra Rita Repulsa].

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 17:48
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Morreu aos 79 anos, o actor português Carlos Santos, que se encontrava internado no Hospital de Faro onde foi submetido a uma intervenção cirúrgica na coluna cervical. Vivia maritalmente com a actriz Amélia Videira, com casamento marcado para Dezembro.

 

O actor teve estreia no cinema em 1965, ao lado de Tony De Matos, em Rapazes de Táxis, de Constantino Esteves, desde aí começou por tornar-se numa presença habitual no teatro, na televisão, como no grande ecrã.

 

Contam-se obras como A Maldição da Marialva (António De Macedo, 1991), Zona J (Leonel Vieira, 1998), Inferno (Joaquim Leitão, 1999), o "mito" do cinema português, A Bomba (Leonel Vieira, 2002), O Fascínio (José Fonseca e Costa, 2003), Dot.Com (Luís Galvão Teles, 2007) e mais recentemente Zeus, com estreia para Janeiro de 2017 nos cinemas portugueses e a comédia A Mãe é que Sabe, agendado para 8 de Dezembro.

 

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Carlos Santos (1937 - 2016)


publicado por Hugo Gomes às 15:08
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26.11.16

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Chatear-me-ia Morrer tão Joveeeeeeem…, de Filipe Abranches, conquista o Grande Prémio do Festival Caminhos do Cinema Português, que segundo a organização, foi escolhido por unanimidade pelo júri da Selecção Oficial. Entretanto, Cartas da Guerra, de Ivo M. Ferreira, foi consagrado a Melhor Longa-Metragem do certame, tendo ainda conquistado a distinção de Melhor Argumento Adaptado, Melhor Som, Melhor Montagem e Melhor Fotografia.

 

Quanto aos desempenhos, o filme Zeus, de Paulo Filipe Monteiro, arrecada duas distinções, a de Melhor Actor (Sinde Filipe) e Melhor Actor Secundário (Miguel Cunha). A de Melhor Actriz foi atribuída a Ana Padrão pelo seu desempenho no filme Campo de Víboras, e de Melhor Actriz Secundária para Elizabete Piecho por O Pecado de Quem nos Ama.

 

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Para além das interpretações, Zeus recebe os prémios de Melhor Caracterização e Melhor Guarda-Roupa. Rita Azevedo Gomes vê-se consagrada como Melhor Realizador, graças ao seu trabalho em Correspondências, ensaio visual baseado nas cartas trocadas entre Jorge Sena e Sophia Mello Breyner. O Melhor Argumento Original segue para John From, de João Nicolau, e o filme de abertura, Refrigerantes e Canções de Amor, laureado com as distinções de Melhor Banda Sonora Original e de Melhor Direcção Artística.

 

Como revelação temos A Balada dos Batráquios, de Leonor Teles, a curta-metragem distinguida no passado Festival de Berlim. José Miguel Ribeiro consegue o Prémio de Melhor Animação com o seu Estilhaços e o do Melhor Documentário seguiu para El Dorado, de Rui Eduardo Abreu, que tem como temática a emigração. Este último ainda teve como consagração Prémio Imprensa, a menção ficou-se por A um Mar de Distância, de Pedro Magano.

 

Destaque ainda para Melhor Curta-Metragem, Campo de Víboras, de Cristele Alves Meiram foi o premiado, enquanto que Menina, de Simão Cayatte, ficou-se pela menção. Por último, Pronto, era Assim, de Patrícia Rodrigues e Joana Nogueira recebe o Prémio de Ensaio Nacional SP Televisão e Emily Must Wait, de Christian Wittmoser, foi considerado Melhor Ensaio Internacional FNAC.

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:07
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Arranca hoje, a 3ª edição do Porto/Post/Doc, um Festival dedicado ao documentário que tem adquirido uma dimensão global em tão pouco tempo de longevidade. Esta nova programação focará primeiramente uma retrospectiva dedicada à Sensory Ethnography Lab, da Universidade de Harvard, um dos laboratórios de documentários mais entusiasmantes da última década, assim como o Cinema da cineasta checa Jana Ševcíková, devota a explorar comunidades esquecidas na Europa do Leste.

 

Eryk Rocha, um dos mais reconhecidos documentaristas brasileiros, estará integrado na programação com especial foco. Serão nove obras as serem apresentadas, incluindo o seu premiado Cinema Novo (vencedor do Prémio Golden Eye no Festival de Cannes de 2016), que abrirá o ciclo.  

 

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A Competição trará 13 filmes de produção recente, contando com as presenças de filmes como Ama-san, de Cláudia Varejão, sobre uma comunidade de "sereias japonesas", vencedor do Prémio de Melhor Documentário da Competição Nacional do Doclisboa'16. El Dorado XXI, de Salomé Lamas, um intimo olhar à cidade mineira de La Rinconada (a mais alta do mundo). O épico de luxúria social, Bangkok Nites, de Katsuya Tomita, Mimosas, de Oliver Laxe, vencedor da Semana da Crítica de Cannes, uma peregrinação de um sheik moribundo, e ainda Tarrafal, de Pedro Neves.

 

O 3º Porto/Post/Doc decorrerá entre 26 de Novembro até 4 de Dezembro, no Teatro Municipal Rivoli, Passos Manuel e Maus Hábitos. Toda a programação, poderá ser vista aqui.

 

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publicado por Hugo Gomes às 14:08
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25.11.16
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Alianças amorosas!

 

Claro que a imprensa sensacionalista e cor-de-rosa apelidará, assim servindo de publicidade gratuita, esta obra de sequela não assumida de Mr. And Mrs. Smith. Em derivação de tal título estão os inúmeros boatos originados pela separação de um dos casais maravilha de Hollywood, Brad Pitt e Angelina Jolie, assim como os rumores de um possível caso do actor com a actriz Marion Cottilard no set. Verdade ou não, tema, esse não nos cabe julgar perante esta nova longa-metragem de Robert Zemeckis, um dos classicistas movie brats a operar em Hollywood (mesmo seduzido pela tecnologia o qual dispõe para inserir na narrativa, e não o oposto como muito blockbuster que anda por aí).

 

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Mas de uma coisa essa dita imprensa acertou “na mouche”, de Mr. And Mrs. Smith, Allied (Aliados) tenta sobretudo replicar uma química entre Pitt e Cottilard, da mesma forma que o sucesso dependente de Doug Liman fez com o “ex-casal” em 2005. Proposta falhada, visto que, primeiro, com Brad Pitt tornou-se impossível o estabelecimento de qualquer ligação, até mesmo amorosa veritê (veja-se o caso com Jolie em By the Sea). O reconhecido grande galã do seu tempo, converteu-se num actor fechado a qualquer vínculo, e em consequência disso, limitado pelo cansaço de fugir ao seu verdadeiro role play (o papel de ser o próprio Brad Pitt, de interprete a globalizada socialité). Por sua vez, Marion Cottilard é uma faca de dois gumes, nunca fora devidamente aproveitada no cinema yankee, muito menos em grandes produções como este Aliados. Aliás, a sua personagem polariza um certo “quê”” de Ingrid Bergman em terras de Tio Sam, ou seja, um feminismo “fogo-de-vista”que esconde um real facto, ser o interesse amoroso do nosso “herói”, e neste caso especifico, uma espécie de macguffin que o faz correr num último terço bem apressado.

 

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Como é possível verificar, Aliados é uma fita que apostou sobretudo numa mediatizada dupla, mas que não soube compor, porque devidamente, nenhum dos dois está recíproco de tal demanda emocional. Quanto a referências, Robert Zemeckis apaixonado pelo fôlego algo perdido desse cinema clássico de uma idade de ouro que nunca mais será reproduzida, cita Casablanca em tudo o que pode. O célebre e popularizado “monumento cinematográfico” (possivelmente a obra que destroçou Gone with the Wind no estatuto de filme mais reconhecido da História do Cinema) é a estrutura óssea deste thriller de espionagem que joga com a duplicidade em estratagemas amorosos.

 

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Até mesmo um final ocorrido num aeroporto sob as juras de despedidas de dois amantes faz invocar-nos essa memória cinéfila, da mesma forma que o piano sob os acordes de A Marselha instala-se como o pico de sentimentalismo indomável, recorrendo a essa fantástica viagem do passado. Por outras palavras, Aliados é um filme de uma dotada herança de referências, porém, sem a imortalização dos mesmos, até porque o espectador mais atento sabe que tudo não passa de uma ficção, e o nosso Casablanca é agora uma memória colectiva bem real, da mesma forma que Paris é, a promessa idealizada de dois dos mais poderosos românticos da Sétima Arte.  

 

Real.: Robert Zemeckis / Int.: Brad Pitt, Marion Cottilard, Jared Harris, Lizzy Caplan, Matthew Goode, Simon McBurney

 

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publicado por Hugo Gomes às 16:17
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24.11.16

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Quem sai aos seus é da América!

 

Tornou-se quase cliché caracterizar um tipo de EUA como "votantes de Trump", um sinal de empobrecimento social que tem vindo a originar nos últimos tempos inúmeros documentos filmados sobre esse estilo de vida ignorado, e por vezes repugnado em embate com uma outra América, a cosmopolita que tanto se vende no cinema mais mainstream.

 

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Blood Father poderia culminar em mais uma enésima variação de Taken, daquele tipo de thriller de acção que puxa os elos paternais dos "espectadores mais másculos", ou até, tende em conta o seu protagonista, um regresso à estrada a referenciar Mad Max. Mas não, o que vemos é sobretudo uma oportunidade deste tipo de "americanos" possuírem a sua história contada (e recontada) no grande ecrã. Como tal, esse tipo de incisão faz-se por via de um exercício de acção longe do gratuito "arraial de pancada", onde Mel Gibson é o exemplo de herói que facilmente "repugnamos", um homem do interior, ex-condenado, com ligações a mexicanos mas com a ousadia de acusar estes imigrantes como "ladrões de trabalho", catalisando um dos pontos fulcrais para a falta de postos de trabalho através de um "inimigo comum". Como não podia deixar de ser, os "amigos" mais íntimos deste soldado do asfalto enfurecido são integrantes de uma comunidade de supremacia branca, referindo os seus ideais como modos viventes de uma sociedade em plena luta.

 

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No geral, Blood Father assume-se como um vulgar filme de acção, com qualidades próprias no ramo, para se aventurar numa crítica subversiva de um país em pleno "May Day", que encontra a salvação nos errados trilhos. Um filme que se disfarça de fascismo e xenófobo para se enfeitar como um "lobo nas veste de cordeiro". Pelo menos, este é o regresso esperado de Mel Gibson aos grandes ecrã, numa obra muito mais sincera que o seu retorno à realização. Sim, Hacksaw Ridge, muito mais racista que todo os 100 minutos de Blood Father.

 

Real.: Jean-François Richet / Int.: Mel Gibson, Erin Moriarty, Diego Luna, Michael Parks, William H. Macy

 

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publicado por Hugo Gomes às 17:16
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23.11.16

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Arranca o 1º Cine Atlântico – Mostra de Cinema Português de Hoje, um evento que tem como objectivo promover o que de melhor se faz na produção nacional cinematográfica, e que terá lugar na Ilha Terceira, Açores.

 

Com 9 longas-metragens e quatro realizadores presentes, esta primeira programação terá como destaque uma homenagem a Nicolau Breyner, o actor e realizador que faleceu este ano, um das caras mais queridas da actuação portuguesa será fruto de tributo com a passagem de Os Imortais. Um dos mais bem-sucedidos filmes da carreira de António-Pedro Vasconcelos, o qual Breyner interpretou um inspector da polícia numa demanda para desmantelar uma gangue ex-comandos concentrados em assaltar bancos.

 

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O Cine Atlântico terá como "pontapé de saída" a estreia de Zeus, a longa-metragem de Paulo Filipe Monteiro (que também marcou presença no Caminhos do Cinema Português) que remete-nos ao exílio de Manuel Teixeira Gomes, que fora o sétimo Presidente da República. Outros filmes da selecção são algumas das obras mais elogiadas no nosso recente panorama cinematográfico, o qual inclui Cavalo Dinheiro, de Pedro Costa (vencedor de um Prémio de Realização em Locarno), a primeira longa-metragem de João Salaviza, Montanha, o vencedor da Competição Nacional do Indielisboa'15, Os Olhos de André, de António Borges Correia, e o nosso candidato aos Óscares, Cartas da Guerra, de Ivo M. Ferreira, que fecha a programação.

 

Cine Atlântico - Mostra de Cinema Português de Hoje, de 24 a 27 de Novembro, na sala de cinema do Recreio dos Artistas, com a promoção do Cine-Clube da Ilha Terceira.

 

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publicado por Hugo Gomes às 20:41
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Premiado com o Prémio de Realização na 69ª edição do Festival de Cannes, Cristian Mungiu apresenta Bacalaureat (O Exame), a sua última obra que remexe novamente em consciências morais e em fantasmas do regime de Ceauseascu. O filme, novamente rígido na sua natureza replicada de realismo, chega às nossas salas após uma passagem pelo Lisbon & Estoril Film Festival. O Cinematograficamente Falando … teve o prazer de falar com um dos grandes nomes da chamada Nova Vaga do Cinema Romeno.

 

Como surgiu o argumento deste O Exame?

 

Foi uma combinação de vários temas. Durante algum tempo estava determinado em fazer um filme sobre o "envelhecimento", aquele que só acontece quando olhamos para trás e apercebemos que esse mesmo passado não nos agrada, assim encaramos o futuro com outro objectivo. Na altura, não encontrei automaticamente a história certa.

 

Em simultâneo, reflectia sobre a paternidade, a educação, nas minhas crianças e foi então que me surgia em mente, questões como: "o que posso dizer aos meus filhos sobre a sociedade que vivemos? Qual o tipo de futuro que queremos para elas e pode ser proporcionado?" Depois, procurei a melhor forma de expor a sociedade actual, uma relação que compromete-se através de uma sociedade corrosiva. Todos estes temas borbulhavam na minha cabeça, a partir daí decidi combiná-las num só filme, porém, como não tinha a narrativa nem a temática escolhida, peguei no meu computador e lancei-me numa pesquisa por inúmeros artigos de acontecimentos que marcaram a nossa sociedade nos últimos 5 anos.

 

Foram notícias, jornais, revistas, o qual rabisquei, cortei e colei, até conseguir criar um argumento que falasse de todos esses problemas sociais e que tivesse uma certa ligação real, mas que não fosse totalmente baseado em factos verídicos. Como tal nasceu O Exame, um filme que fala sobre o futuro, o crescimento e as nossas próprias decisões.

 

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Bacalaureat

 

É possível educar as nossas crianças com uma educação diferente daquela que obtivemos?

 

Não sei, foi graças a essa questão, pelo qual, eu fiz este filme. Através desse dilema tentei fazer com que O Exame me respondesse. Será possível que o Mundo mude através de uma nova geração, sabendo que essa mesma é educada pelos mesmos ideais e valores de uma geração anterior? Sinceramente, não sei. Só sei que tal não é racional, para o Mundo realmente mudar, era preciso que essa nova geração afastasse dos seus antecessores, teria que haver um espaço ininterrupto que pudesse quebrar a corrente. Quando falo nisto, não digo que devemos negligenciar os nossos filhos, não, teríamos que sim educá-las consoante o mais adequado para uma eventual mudança, e não para o que achamos correcto. Obviamente que com isto não quero afirmar que sou um mau pai, porque uma coisa é fazer da maneira mais racional possível, a outra é comprometer as nossas ligações emocionais com as pessoas que mais amamos.

 

Penso também que fiz este filme sobre as pessoas que são incapazes de lidar com as situações de forma racional, que se deixam levar pelas emoções. Até porque não somos personagens, somos seres humanos que dificilmente acreditamos ou questionamos aquilo que nos acontece em vida.

 

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Adrian Titieni, Maria-Victoria Dragus e Cristian Mingu

 

O Exame, é no geral, uma reflexão sobre os limites da paternidade?

 

Sim, pode ser um filme sobre os limites da paternidade, sabendo que com a paternidade surgem vários dilemas, muitos deles, não com as respostas correctas. Sabes, por vezes é fácil, enquanto pais, causar danos às nossas crianças, mesmo que isso não seja totalmente intencional, como o encarar a sabedoria como algo hereditário, que passe de geração a geração. É evidente que mesmo com a educação atenta dos nossos pais, praticamos as nossas próprias decisões e cometemos os nossos próprios erros, mas é ao tornar-nos pais que afrontamos a ideia de que podemos realmente moldar os nosso filhos consoante a nossa "educação", ou seja, acabamos por cometer os mesmos erros que os nosso pais, e assim sucessivamente. É uma corrente.  

 

Educamos as nossas crianças tendo como base a educação que os nossos pais nos deram, chegando mesmo a afirmar as mesmas afirmações que os nossos progenitores proclamaram certo dia. Pensamos "nem acredito que estou a dizer isto?". Obviamente, que também pensas como seria bom que as coisas acontecem desta maneira, mas ao mesmo tempo sabemos que não vai seguir o previsto.

 

Se nós estamos a preparar as crianças para a vida real, temos que parar com o habitual discurso moralista de "não mentir", "não roubar", "não trair", "não pisar os outros", esses moldes de doutrinas são, de certa maneira, vistas como ideais de um "falhado nesta sociedade", por outro lado, ensiná-las a ser lutadoras poderia, de certa forma, alterar essa mesma. Mas isso cabe a nós decidir, quais são os verdadeiros limites da paternidade. Conforme seja a nossa decisão, andamos de "mãos dadas" com as alterações da nossa sociedade.

 

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Bacalaureat

 

Em O Exame, ficamos com a sensação de que a corrupção, por mais pequena e involuntária que seja, é um acto profundamente natural do Homem moderno.

 

Para responder a essas questões, eu cito inúmeras vezes a realidade, sem necessariamente julgá-la, nem explicá-la por demasiadas palavras. Mas julgo que essa corrupção é muitas vezes confundida com o compromisso, uma espécie de mecanismo de sobrevivência, uma adaptação aos obstáculos que nos surgem, mas ao mesmo tempo, quando somos pais, temos que carregar este "fardo". É essa a diferença do mundo idealista, aquele, pelo qual, preparamos a nossa criança, e o mundo real.

 

O filme tenta investigar aos poucos esta relação, gradualmente aborda as causas da complexidade deste fenómeno [corrupção], que é algo tão fácil de julgar. O Exame diz que nem tudo isto é errado, até porque quando queremos ajudar alguém ou até mesmo combater um regime, praticamos estes actos "imorais", no entanto, os encaramos como uma espécie de luta, até porque as nossas intenções são boas. Nos dias de hoje, o regime já não é mais o inimigo número um, ao invés disso, nós é que nos tornamos a grande ameaça. Nós é que redefinimos os limites da nossa consciência moral.

 

De regresso à sua questão, julgo que as pessoas encontram-se desapontadas devido à dificuldade, ou quase impossibilidade, de mudar algo. As coisas são o que são, e é preciso imensa energia para uma pequena mudança. Quanto à mudança total, é quase "o impossível", que é apenas resolvida com soluções colectivas. O filme refere bastantes essas divergências entre decisões individuais, aquelas que fazemos para nós ou para a nossa família. A imigração é um bom exemplo sobre soluções individuais. Todavia, é necessário existir as ditas soluções colectivas, se não, o "barco" naufraga.

 

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Cristian Mingu

 

O Exame entra em paralelismo com um êxito seu, 4 Months, 3 Weeks and 2 Days onde um especifico evento abala e altera toda a personagem. É este o seu modo de narrar as suas histórias, pegar em acontecimentos que drasticamente marcam as suas personagens?

 

Não sabemos o que vai acontecer a estas personagens após o desfecho do filme. Quem sabe? Sim, eu pego em eventos drásticos que as suas personagens vivem, mas se estas vão mudar a conta disso, sinceramente, não sei responder. Julgo que isso não acontece muito na vida real e penso que nós próprios não mudamos assim tanto, mas é com as experiências que aprendemos algo. Algo sobre a vida, sobre si mesmo, sobre a situação, sobre a sociedade, até mesmo de integração. Mas julgo que tal não nos altera em longo termo, ao invés disso, algo morre em nós, perdemos algo muito próximo, e compreendemos que vivemos uma vida, e ta evento poderá ser importante, mas que só durará 3 dias, e depois regressas à tua vida.

 

Por isso, não sei realmente o que vai acontecer a estas personagens, mas o espectador deve entender que eu falo sobre as suas respectivas vidas reais. Por vezes, chegamos a entender o que vivemos através de vidas encenadas no grande ecrã.  

 

No final das sessões dos meus filmes, mais concretamente nos QaA, ouço imensas experiências vividas pelos espectadores. Ou seja, eles, de certa maneira, identificam-se com o que está retratado. É por essas e por outras que existe o Cinema.

 

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 4 Months, 3 Weeks and 2 Months

 

Então é, em derivação dessa aproximação, o motivo pelo qual os seus filmes deverem muito ao realismo?

 

 

Faço esse estilo, porque é a minha definição de Cinema. Porque acredito que o Cinema pode ajudar, não só, a conhecermo-nos, mas também a entender os outros, as nossas vidas, o nosso redor, e para isso temos que praticar um Cinema mais vinculado no realismo, apesar da vida real não ser tão espectacular, nem entusiasmante.

 

E ao seguir esse mesmo estilo, temos que ponderar alguns artifícios bem valiosos no Cinema, um dos exemplos é a edição. Na vida real não há edição, por isso, o meu Cinema tem que possuir o menor uso desse mesmo artificio, toda a cena deve ser filmada num só take. Outro exemplo é a música, não existe bandas sonoras na vida real, tal não poderá existir no meu Cinema. O que tento fazer é captar a emoção através da situação, é uma tarefa árdua, eu sei, sem a utilização desses artifícios, mas é sim que pretendo continuar a fazer Cinema.

 

As edições rápidas, as músicas que entram e saem, as cenas de acção, são tudo factores sedutores. Principalmente para quem deseja fazer entretenimento. Para os meus filmes que falam sobre as vida das pessoas, não pode existir esses meios de manipulação. Para tal, tenho que abdicar desses mesmos artifícios narrativos.

 

Por vezes eu sinto que os meus filmes adquirem um certo padrão de thriller, mas isso é a forma com que sinto em relação à vida. As pessoas estão cada vez mais stressadas, angustiados e decepcionadas.  

 

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Bacalaureat

 

É complicado filmar tudo num só take?

 

Por onde devo começar. Primeiro analiso e escolho a luz, abordo a cena e tento ver qual o ângulo que a filmar, atesto através da perspectiva que anseio contar esta determinada acção. Penso num cenário, durante a escrita, e procuro algo que corresponda ao imaginado. Se não encontro, construo-o. Obviamente que aquilo que imaginas não se aproxima da realidade, mas enquanto não houver mais nada a fazer, adaptas.

 

Depois trazes a equipa técnica, que trazem equipamentos de variados tamanhos e feitos. O Cinema é um processo bastante técnico que parece criativo. A partir daqui, posicionamos todos nos seus devidos lugares, apontamos a câmara para o ângulo desejado, e os actores decoram os seus diálogos e gestos em cenas de 10 a 15 minutos, pelo qual devem efectuar na perfeição. Todo este processo, só numa cena, demora … deixa lá ver … 20 a 40 takes.

 

É cansativo, complicado e no final do dia sentimos absolutamente exaustos, mas igualmente realizados. Todos os dias acabo por falar com cada um dos membros da minha equipa, encorajando-os para mais um round ou reparando certos pormenores. Todo os dias é uma luta, se não conseguimos filmar mais que uma cena num dia, tudo bem, alteramos o  cronograma, e recomeçamos no dia seguinte. Eu consigo fazer isto, até porque sou o produtor dos meus próprios filmes, o que me dá o direito de usufruir esta liberdade.

 

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Tales from the Golden Age

 

Quanto a novos projectos?

 

Não falo sobre novos projectos, porque nunca tenho novos projectos. Penso demasiadas vezes nos meus filmes, naquilo que fiz bem, no que correu não tão lindamente, no que foi importante referir ou o que precisa ser referido. Mas também penso nas pessoas, mais concretamente naquilo que as deprime, que as deixa angustiadas. Tento compreender as suas naturezas, as suas causas, e em consequência disso, por vezes, acabo de encontrar o filme certo, o ritmo certo e a história certa.

 

Muitos pensam que tudo se resume a direcção, mas para mim o mais relevante é o argumento. Procuro sempre o tópico, o tema e como o abordar, e como deve ser abordado.

 

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Beyond the Hills

 


publicado por Hugo Gomes às 20:36
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Considerado o "desastre de Cannes de 2016", o mais recente filme de Sean Penn, The Last Face [ler crítica], acaba por divulgar o seu primeiro trailer.

 

A crise dos refugiados e a condição profunda de uma África "esquecida" servem como palco de fundo para este romance entre dois médicos sem fronteiras. Javier Bardem, Charlize Theron, Jean Reno, Jared Harris e Adèle Exarchopoulos preenchem o elenco.

 

Estreia em território francês em Janeiro de 2017.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:55
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Foi divulgado o primeiro trailer de Silence (Silêncio), o próximo filme de Martin Scorsese que tem como base a obra literária de Shusaku Endo.  

 

Silence remete-nos à história de um missionário português, Sebastião Rodrigues, que segue para o Japão em pleno século XVII, com o dever de converter os nativos à fé católica. A obra será protagonizada por Andrew Garfield (Hacksaw Ridge) que interpretará o referido missionário, liderando um elenco composto por Adam Driver, Liam Neeson, Ciarán Hinds, Tadanobu Asano (Thor) e Issei Ogata (Yi-yi).

 

Estreia prevista para Dezembro deste ano.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 10:59
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21.11.16

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Eis que é revelado o primeiro teaser trailer de Cars 3 (Carros 3), aquela que será a próxima produção da Disney / Pixar a estrear nas nossas salas em 2017.

 

Com direcção de Brian Fee, que fora um dos artistas gráficos da saga animada, esta terceira aventura de Lightning McQueen leva-nos ao regresso do herói às pistas de corrida, após o afastamento em consequência de uma competitiva e nova geração de corredores.

 

Estreia prevista para 15 de Junho de 2017 nos cinemas portugueses 

 

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publicado por Hugo Gomes às 18:48
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20.11.16

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"De pequenino torce o pepino!"

 

O actor de 26 anos, Brady Corbet, joga de "cabeça" para a cadeira de realização e a sua proeza de transmitir os elos comuns entre as diferentes infâncias de ditadores é por si, um acto de tirar o chapéu. Esta sua primeira longa-metragem é um perfeito exemplo de como o terror é um género mestiço, sem idiossincrasias que o podem identificar num "só estalo". Com claras influências de The Omen: O Génio de Mal (Richard Donner, 1976) e de Rosemary's Baby: A Semente do Diabo (Roman Polansky, 1968), The Childhood of a Leader (A Infância de um Líder) é um corte dramático que transmite uma atmosfera em total sufoco, onde a tragédia é já uma premonição real e profetizada, e nela as personagens lutam ao sabor dos ventos de mau agoiro para contornar tal marcante destino.

 

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Uma criança de perigosos ideais, sob um evidente rancor e golpes vingativos em pleno crescimento no seu intimo, Brady Corbet dirige Tom Sweet (o nome revela-se numa paródia jocosa à sua personagem), que maneja todo este ódio na criação de um "pequeno monstrito" em ascensão para uma ameaça global. No centro deste ódio proeminente, encontra-se Bérénice Bejo num papel que partilha a mesma repudia que a personagem de Sweet, esclarecendo que em cada "psicopata" existe uma ligação umbilical com a sua matriarca. O confronto entre as duas forças faz-se sentir numa narrativa dilacerada em capítulos recorrentes a "birras". O ringue está montado, o espectador é o testemunho desta "origem" maldita com livre inspiração num conto de Sartre, que nos transporta para um ambiente de negligência afectuosa e disfuncional, o berço de um perverso "pensador", que analisa cuidadosamente a sua insaciável vedetta.  

 

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Se por vezes a câmara de Corbet revela genialidade com tendências suicidas (existe um dilema à lá Antonioni na sua sequência final, onde esta parece ser autónoma do seu manejador), é na banda sonora composta por Scott Walker que se contrai todo essa suspeita crescente. Apesar da "burguesia" envolto desta infância, tendo em conta que os grandes ditadores e infames lideres não obtiveram tais condições nos seus "verdes anos", A Infância de um Líder é,  apesar disso, uma das mais entusiasmantes e corajosas conversões de realização vista nos últimos anos. Corbet foge a "sete pés" do destino marcado dos actores convertidos a directores e sustenta um filme verdadeiramente assombroso, e o refere da forma mais sugestiva e misteriosa possível.

 

Real.: Brady Corbet / Int.: Tom Sweet, Bérénice Bejo, Robert Pattinson, Liam Cunnigham, Stacy Martin

 

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8/10
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publicado por Hugo Gomes às 15:10
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19.11.16

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Arranca hoje (dia 19 de Novembro) os XXII Caminhos Film Festival, mais uma edição do festival de matriz universitária com especial dedicação ao Cinema Português, porém, não será só de produções lusas estruturará na totalidade esta selecção oficial. Os principais focos serão o Cinema Catalão, uma "colheita" que contou com o apoio da Academia do Cinema Catalã (Catalan Film Academy), em comemoração dos Prémios Gaudí, e os filmes do Mundo.

 

A sessão de abertura terá lugar no Convento de Santa Clara-a-Nova, em Coimbra, pelas 21h45, com a exibição de curtas-metragens como a produção Banho de Paragem, criado no âmbito do curso de cinema ‘Cinemalogia’, a animação #Lingo, de Vicente Niro e ainda a longa-metragem de Luís Galvão Teles, Refrigerantes e Canções de Amor, com Ivo Canelas e Victoria Guerra a protagonizar um enredo escrito por Nuno Markl.

 

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No total teremos mais de 78 filmes a compor esta Selecção Oficial, uma mostra das principais produções nacionais do nosso panorama cinematográfico actual, incluindo algumas revelações que se espera ascender após o festival.  

 

Teremos ainda a exposição “Retratos da Academia Portuguesa”, com o apoio da própria Academia Portuguesa de Cinema, onde o fotografo José Pinto Ribeiro captou alguns dos principais rostos do Cinema Português nas últimas décadas. E ainda a abertura da 6ª Cinemalogia, com especial atenção ao tema 'Crítica de Cinema', com o crítico João Lopes a falar aos alunos sobre a importância da visão crítica na Sétima Arte.

 

XXII Caminhos Film Festival prolongará até dia 26 de Novembro no Teatro Académico Gil Vicente, assim como reposições no NOS do Alma Shopping.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 16:20
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Segundo o site The Hollywood Reporter, a sequela de Deadpool acaba por conseguir um novo realizador. A fonte avança que será David Leitch, um dos realizadores de John Wick, a tomar rédeas desta nova aventura do "endiabrado" personagem da Marvel.

 

Depois de ter facturado mais de 750 milhões de dólares globalmente, era inevitável uma sequela de Deadpool, e tal foi confirmado pela 20th Century Fox, assim como o regresso da sua equipa criativa, o realizador Tim Miller e a estrela Ryan Reynolds.

 

Porém, Tim Miller saiu do projecto, derivado a diferenças criativas com o actor. Apesar do retrocedo, a Fox havia na altura anunciado um terceiro filme, que segundo consta, terá um realizador diferente.

 

De momento, David Leitch filma The Coldest City, um thriller ambientado na Guerra Fria com Charlize Theron no protagonismo.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:12
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Emilia Clarke, a célebre Daenerys Targaryen da série A Guerra dos Tronos (Game of Thrones), vai integrar um outro popular universo, Star Wars. A actriz estará no spin-off de Han Solo, que encontra-se a ser preparado com Alden Ehrenreich a assumir o papel do famoso mercenário nos seus tempos de jovialidade. O anúncio foi feito pela Disney, via Twitter.

 

Pouco se sabe sobre o projecto Han Solo: A Star Wars Story, a não ser que chega aos cinemas em Maio de 2018, contando com a realização de Phil Lord e Chris Miller e o regresso da personagem de Chewbacca ao enredo.

 

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publicado por Hugo Gomes às 10:50
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17.11.16

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Arrancou hoje, dia 17 de Novembro, a 6ª edição do CINECÔA: Festival Internacional de Cinema de Vila Nova de Foz Côa, que se prolongará até ao dia 19, no Auditório Municipal da cidade. Este ano, a organização orgulha-se de contar com a presença do realizador britânico Hugh Hudson, conhecido pelo oscarizado Momentos de Glória (Chariots of Fire), que demonstrou agrado em conhecer o festival, assim como as famosas gravuras rupestres de Foz Côa.

 

A programação tem como composição 31 filmes, divididos em 14 países, cerca de oito longas-metragens, seis curtas e inúmeras animações para os mais novos. Tendo como "prato de entrada" a apresentação de Altamira, um filme protagonizado por Antonio Banderas, que dará as boas-vindas ao ilustre Hudson, visto ser a sua última obra estreada.  

 

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Depois do produtor Tino Navarro ter sido homenageado ano passado, o Cinecôa vai distinguir nesta edição, o realizador António-Pedro Vasconcelos, considerado por muitos como o grande artesão do cinema comercial português. Como homenagem será exibido o seu último e mais consensual filme, Amor Impossível, que terá como sucessão um concerto levado a cabo pela sua filha, Patrícia Vasconcelos, que recentemente lançou um disco.

 

A destacar no dia 18, temos como grande evento o filme-concerto Nosferatu, Eine Symphonie des Grauens, o muito incontornável clássico alemão de 1922, dirigido por F.W. Murnau. O acompanhamento musical será encarregue pela Orquestra do Norte.

 

Para mais informações e programação completa, ver aqui

 

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publicado por Hugo Gomes às 16:01
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