31.10.16

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Em Julho do ano passado, o crítico alemão Olaf Möller esteve presente na Cinemateca-Portuguesa Museu do Cinema, onde o qual apresentou um ciclo de filmes "desconhecidos" do cineasta conterrâneo G.W. Pabst. Numa das sessões, mais concretamente a de Das Bekenntnis Der Ina Kahr (As Confissões de Ina Kahr, 1954), Möller exibiu a sua indignação sobre o desprezo que o cinema produzido em tempos da R.F.A. obtém nos dias de hoje, inclusive na própria Alemanha.

 

Segundo as suas palavras, era como se esse período fosse "apagado" da História do Cinema, e como grande culpado apontou para o Manifesto de Oberhausen, que viria a gerar o chamado movimento moderno, a partir de 1970, em que se destacariam nomes como Werner R. Fassbinder, Wim Wenders e Werner Herzog e que redefiniriam a cinematografia alemã até aos tempos actuais.

 

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Desde então, determinado em fazer redescobrir tais obras para o público e para a comunidade cinéfila, regressa à Cinemateca com uma extensa mostra de "filmes rejeitados", um pouco como havia feito no anterior Festival de Locarno, mas destas vez sob versão alargada. O programa inclui mais de trinta e uma sessões de produções raras e de tamanho valor histórico, assim como artístico.

 

Desde policiais, thrillers, melodramas, comédias, entre outros, passando pela velha guarda como Fritz Lang, de autores que se impuseram nos anos 50 junto à crítica como Wolfgang Staudt e Helmut Käutner, e ainda revelações surgidas como Jean-Marie Straub. Olaf Möller estará em Lisboa, a partir do dia 15, para apresentar regularmente os filmes e o crítico francês Jean Douchet fará uma conferência, ilustrada com excertos de filmes, sobre O Túmulo Índio (Das Indiche Grabmal, 1959), de Fritz Lang, provavelmente o mais conhecido filme desta extensa selecção.

 

O ciclo arrancará no próximo dia 2 de Novembro, com O Rei Louco (Ludwig Ii – Glanz Und End Eines Königs, 1954), de Helmut Käutner, com Klaus Kinski no principal papel. Ver programação completa aqui.

 

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publicado por Hugo Gomes às 19:32
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Chega-nos o primeiro trailer de Life, um filme de ficção cientifica dirigido por Daniel Espinosa (Child 44) e protagonizado por Ryan Reynolds (Deadpool), Jake Gyllenhaal (Nightcrawler) e Rebecca Ferguson (Girl on a Train).

 

O filme, com estreia prevista para Maio de 2017, centrará numa estação espacial que está a passos de fazer uma das maiores descobertas da Humanidade do novo século, o primeiro contacto com vida extraterrestre. Porém, esse encontro será tudo, menos pacífico.

 

 

 


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publicado por Hugo Gomes às 15:11
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30.10.16

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De acordo com a The Hollywood Reporter, a Nu Image/Millennium Films encontra-se de momento a preparar um reboot de Rambo: A Fúria do Herói. Sim, esse mesmo, o icónico filme protagonizado por Sylvester Stallone, sobre um veterano de Guerra do Vietname que revolta-se contra um xerife que o maltratou.

 

Segundo a fonte, o israelita Ariel Vroman (Iceman), será o realizador desta obra, que possivelmente despoletará um novo franchise. Brooks McLaren será o argumentista.

 

Não existe, porém, nenhum anúncio de um eventual regresso de Stallone à saga, mas sabe-se que o actor encontra-se a preparar um série envolto da mítica personagem que interpretou em 1982, e que repetiu em três sequelas. Série, essa, produzida pelo actor em conjunto com o produtor Avi Lerner para a Fox terá como título Rambo: New Blood, e que centrará nas aventuras do filho do veterano.

 

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publicado por Hugo Gomes às 10:59
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29.10.16

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Calabria, de Pierre-François Sauter, uma viagem de dois agentes funerários até Itália valeu o prémio principal do 14ª Doclisboa: Festival Internacional de Cinema, enquanto que Black Sun (Sol Negro), de Laura Huertas-Millán, obteve uma menção honrosa na Competição Internacional. Destaque para o mais recente filme de Rita Azevedo Gomes, Correspondências, consagrado com o Prémio José Saramago, e  Cruzeiro Seixas – As Cartas Do Rei Artur, de Cláudia Rita Oliveira, que foi escolhido pelo Público como o Melhor Filme na Selecção Oficial, e Ama-San, de Cláudia Varejão, considerada o Melhor Filme da Competição Portuguesa.

 

COMPETIÇÃO INTERNACIONAL
Grande Prémio Cidade de Lisboa para Melhor Filme da Competição Internacional

Calabria, Pierre-François Sauter

Menção Honrosa Grande Prémio Cidade De Lisboa para Melhor Filme da Competição Internacional
Black Sun, Laura Huertas-Millán

 

Prémio Sociedade Portuguesa de Autores Do Júri Da Competição Internacional

Azayz, Ilias El Faris

COMPETIÇÃO TRANVERSAL
Prémio José Saramago - Fundação José Saramago E Livraria Lello - Para O Melhor Filme Falado Em Português, Galego Ou Crioulo De Origem Portuguesa Transversal A Competições E Riscos.

Correspondências, Rita Azevedo Gomes

Prémio FCSH Para Melhor Primeira Obra Transversal A Competições e Riscos

300 Miles, Orwa El Mokdad

 

Prémio Jornal Público Para Melhor Curta-Metragem Transversal A Competições e Riscos.
Downhill, Miguel Faro

Prémio do Público - Prémio RTP Para Melhor Filme Português Transversal A Competições, Riscos, Heart Beat E Da Terra À Lua
Cruzeiro Seixas – As Cartas Do Rei Artur, Cláudia Rita Oliveira

COMPETIÇÃO PORTUGUESA
Prémio Íngreme / Doclisboa Para Melhor Filme Da Competição Portuguesa

Ama-San, Cláudia Varejão

 

Prémio Kino Sound Studio Do Júri Da Competição Portuguesa
A Cidade Onde Envelheço, Marília Rocha

 

Prémio Escolas ETIC — Para Melhor Filme Da Competição Portuguesa
O Espectador Espantado, Edgar Pêra

 

COMPETIÇÃO VERDES ANOS
Grande Prémio La Guarimba

Pulse, Robin Petré


Prémio Especial Do Júri Verdes Anos

O Cabo Do Mundo, Kate Saragaço-Gomes

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:56
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27.10.16

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Preservando memórias!

 

Deixem o entretenimento de lado, a faceta artística e experimental decidida a quebrar barreiras da transcendência visual e sonora, e encarem o seguinte - o Cinema é também um registo de memórias. Uma "cápsula do tempo" que congela esse mesmo Tempo, para ser alvo de descobertas para futuras gerações. O que somos? O que vivemos? Qual a nossa real natureza? Em A German Life nenhuma dessas perguntas será por fim respondida, mas o ensaio de preservação de pedaço de História é aqui invocada em todo o seu esplendor. Existe neste documentário uma aura passiva, de não alterar o rumo dessa mesma memória, mas sim citá-la com as mesmas palavras proferidas por quem as realmente viveu, como vivente desses mesmos episódios temos Brunhilde Pomsel.

 

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Quem é esta mulher? Perguntam vocês. O que de interessante tem a sua vida para merecer tal registo? O interesse não vem aqui ao caso, Pomsel não é um "animal enclausurado" exibido numa colecção zoológica, é sim uma mulher disposta a narrar as suas maiores "humilhações". Humilhações, essas, que a própria descarta de culpas e inocências - "vivíamos numa época diferente", "… para condenarem a mim, primeiro condenariam todo o povo alemão". Brunhilde Pomsel foi a estenográfica do Departamento de Propaganda Nazi, a mulher que fora constantemente próxima de um dos mais odiados homens de toda a "pegada" deixada pela Humanidade, Joseph Goebbels. O homem em questão foi um dos maiores responsáveis pela propagação dos ideais do Partido Nazista, e um dos braços direitos do próprio Adolf Hitler. O discurso de Pomsel, por outro lado, não tende em denunciar directamente todo o trabalho exposto por estes "homens fardados", mas sim descrever os sentimentos experienciados num país fechado, sob forte influência politica de quem culminou uma Guerra sem precedentes.

 

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São quatro, os realizadores deste A German Life, um quarteto de mentes que serviram como investigadores do background de Brunhilde Pomsel, aqui exposta a uma confissão sem fim. Visualmente, a fotografia de tons cinzento salienta o rosto envelhecido da protagonista (aplausos para Frank Van Vught). Este é um rosto de 103 anos, as rugas são como "cicatrizes" marcadas pelo maior dos inimigos, o Tempo. E antes que o Tempo faça das suas, deixando as memórias residente de Brunhilde Pomsel no puro esquecimento, os realizadores Christian Krönes, Olaf S. Müller, Roland Schrotthofer e Florian Weigensamer tentaram aqui uma "corrida" contra esse mesmo némesis. Explorar e extrair de Pomsel, as relevantes palavras para um futuro próximo.

 

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A German Life ostenta uma brilhante fotografia, como já havia referido, que atribui-lhe uma sensação de platina a um prolongado "talking head", uma entrevista ditada com emoção e comoção de quem é subjugado, intercalado com propaganda anti-nazi e até mesmo simpatizante nazi (faltava mais a fundo na própria propaganda do Departamento de Pomsel). Não tendo uma estrutura brilhante na sua concepção como documentário, A German Life vive como um documento sem culpas, nem denúncias do foro moral a uma, acima de tudo, cidadã de um período negro da nossa História. Aqui, a importância das palavras anexadas a memórias à beira da extinção, valem mais que ressentimentos ou decepções que aqui poderiam extrair.

 

"A Verdade é o maior inimigo do Estado." Joseph Goebbels

 

Filme visualizado no 14ª Doclisboa: Festival Internacional de Cinema

 

Real.: Christian Krönes, Olaf S. Müller, Roland Schrotthofer, Florian Weigensamer / Int.: Brunhilde Pomsel

 

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8/10

publicado por Hugo Gomes às 22:31
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O monstro de J.A. Bayona terá o privilégio de abrir a nova edição do Cine Fiesta, a Mostra de Cinema Espanhol, que se prolongará até dia 30 de Outubro nos UCI Cinema - EL Corte Inglês. O antecipado A Monster Calls (Sete Minutos Depois da Meia-Noite) é apenas o "pontapé de saída" para mais uma selecção de grande êxitos do cinema espanhol recente.

 

Entre eles, podemos contar com Toro, de Kike Maíllo, onde o actor Luís Tosar demonstra mais uma vez que é um dos grandes protagonistas do thriller de acção espanhol. O drama épico Palmeras en la Nieve (Palmeiras das Neves), de Fernando González Molina, com  Adriana Ugarte (uma das estrelas de Julieta, de Almodóvar) no papel principal e ainda as comédias, Corpo de Elite, de Joaquín Mazón, e Ocho apellidos Catalanes (Namoro à Espanhola: Aventura na Catalunha), de Emilio Martínez Lázaro, sequela do estrondoso sucesso de bilheteira Ocho apellidos Vascos (Namoro à Espanhola), são alguns dos filmes a não perder nesta mostra "muy hermosa".

 

Para mais informação sobre a programação e compra de bilhetes, ver aqui.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 18:53
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Segundo o site The Wrap, J.J. Abrams está de momento a produzir um terceiro filme envolto do fenómeno Cloverfield. Fenómeno esse, que originou dois bem sucedidos filmes: um found footage em 2008 e um "filme-surpresa", 10 Cloverfield Lane, que estreou entre nós em Março deste ano. God Particle, será o título deste terceiro tomo de uma saga, que a mesma fonte assegura, não terminará como uma trilogia. É reportado que Abrams prepara mais filmes deste franchise para a Paramount Pictures.

 

God Particle, será realizador por Julis Onah (The Girl is In Trouble), tendo como inspiração um argumento de Oren Uziel (22 Jump Street) e Doug Jung (Star Trek Beyond). David Oyelowo, Gugu Mbatha-Raw, Ziyi Zhang, Elizabeth Debicki, Daniel Brühl e Chris O’Dowd completam o elenco da obra.

 

Segundo o site, o enredo remeterá a um grupo de astronautas que perante uma "terrível descoberta", começam a lutar pelas suas próprias vidas.

 

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publicado por Hugo Gomes às 14:56
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Procurando o mestre …

 

Será este Cruzeiro Seixas: As Cartas do Rei Artur, o documentário falhado de Mário Cesariny? Falhado, porque o foco da câmara embica para um outro vértice, não do poeta e pintor surrealista que tanto se fala e no qual é referido como uma das mais valiosas prestações portuguesas no campo da arte contemporânea.

 

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Artur Cruzeiro Seixas, o outro artista, possui uma ligação incontornável no percurso emocional e artístico de Cesariny, a câmara de Cláudia Rita Oliveira logo cedo fica seduzida pela sua figura, aquela postura de derrotado, passando ao lado da verdadeira notoriedade, daquela luz que todos os artistas ambicionam chegar. Porém, o "mestre", como é várias vezes apelidado, é um anfitrião afável que deixa à vontade quer o espectador, quer o ensaio documental de Oliveira. A sua ironia vencida contagia o resto. Deixemos então, reféns dessas suas palavras, das memórias enriquecidas pelos escritos trocados entre dois seres, umbilicalmente interligados às suas convenções artísticas, assim como, cada um à sua maneira, na procura de um espaço afectivo que os não julga.

 

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Talvez seja por isso, que é impossível desligar Cesariny de Cruzeiro Seixas, e Cruzeiros Seixas de Cesariny. O testemunho de uma vida no limiar do limbo vivente e o fantasma que encoraja esse mesmo pesar. No seu limite, As Cartas do Rei Artur é um filme sobre a morte de Cesariny contado pelo seu mais intimo amigo … e, porque não … amante. Mas, por sua vez, Cláudia Rita Oliveira direcciona a lente, aponta o holofote na sua pessoa e assim, em paralelo com o artista-sombra, seguimos o percurso deste subestimado,"mestre" de nome, porém, não ainda de título. Neste território artístico que é um campo de batalha onde a luta é desigual, Cruzeiro Seixas é dos grandes derrotados. O filme serve-lhe de consolo, de "prémio de participação", criativo na variação do seu paladar.

 

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Todavia, Cruzeiro Seixas, este menosprezo incontável, poderá ter os dias expirados, e na deriva das profecias deste documentário biográfico e memorial, o pintor surrealista poderá por fim conhecer esse afortunado destino. Aliás, ele é a grande alma deste projecto, a sua personalidade é a narrativa condutora, a sua grandiloquência converte e atira Cláudia Rita Oliveira para segundo plano. Ela não guarda rancor, até porque o filme existe sob um signo apenas - o signo de um Rei Artur.

 

Filme visualizado no 14ª Doclisboa: Festival Internacional de Cinema

 

Real.: Cláudia Rita Oliveira / Int.: Artur Cruzeiro Seixas, Mário Cesariny

 

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7/10

publicado por Hugo Gomes às 14:36
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Cobie Smulders, conhecida pelos seus papeis em séries como How I Met Your Mother, e de S.H.I.E.L.D., assim como o filme Vingadores da Marvel, tem presença confirmada para a Comic Con Portugal.

 

A terceira edição deste evento decorrerá entre 8 a 13 na Exponor, durante o mês de Dezembro.

 

De momento, Cobie Smulders poderá ser vista no segundo filme de Jack Reacher, ao lado de Tom Cruise, em cartaz nos cinemas nacionais.

 

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publicado por Hugo Gomes às 13:58
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26.10.16

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Vila Nova de Famalicão será, durante os próximos quatro dias, o derradeiro Observatório de Cinema, o Close-Up, para ser mais exacto. E é já a partir de amanhã (27 de Outubro), que esta iniciativa projectada pelo Cineclube de Joane, arrancará com uma impressionante programação de filmes e eventos paralelos, que ligam o passado, presente e futuro do Cinema. Reflexões sobre a Sétima Arte, os primórdios em jeito de arqueologia, assim como os caminhos a seguir ou previsivelmente a instalar-se, muitos convidados e uma mostra seleccionada de filmes, com principal ênfase às produções nacionais, dividido em oito sessões temáticas, preencherão a Casa das Artes da cidade.

 

Temos como principal destaque o ciclo "Noite e Nevoeiro - 70 anos de Imagens do Holocausto", que tal como o título focará sobretudo no registo cinematográfico e documental dos horrores cometidos na Segunda Guerra Mundial. Inserido na sessão Paisagens Temáticas, neste espaço serão exibidos filmes, que vão desde o recente e premiado Saul Fia, de László Nemes, sobre um prisioneiro de Auschwitz que reencontra a sua Humanidade até ao mais novo trabalho de Sérgio Trefaut, Treblinka, um testemunho materializado daqueles que partiram contra em comboios cujos destinos são impensáveis. Passando pelo biográfico Hannah Arendt, de Margarethe Von Trotta, sobre a mulher por detrás dos pensamentos da Banalidade do Mal, até chegar, por fim, ao documentário O Homem Decente, de Vanessa Lapa, que retrata a vida de Heinrich Himmler, o mentor da chamada "Solução Final”, o extermínio dos judeus. Elena Piatok, directora do Judaica: Festival de Cinema e Cultura, e a jornalista e escritora Clara Ferreira Alves, serão as oradoras.

 

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Em "Fantasia Lusitana", espera-nos sete filmes que no seu todo formam um quadro, quer etnográfico, quer artístico de um país. É uma selecção de documentários nacionais sobre pessoas, animais, lugares e estados, escolhidos a dedo e interligados de alguma forma. Destaca-se as exibições do filme-testamento de Manoel de Oliveira, Visita ou Memórias e Confissões, seguido pela homenagem de João Botelho ao "mestre" em O Cinema, Manoel de Oliveira e Eu.

 

 

Dois dos mais venerados autores japoneses, Yasujiro Ozu e Isao Takahata, serão analisados e reavaliados nesta edição de Histórias de Cinema. De um lado, o dramático e emocionalmente expoente Ozu, um realizador marcado pela sua maneira inconfundível de filmar, planificar e dirigir os seus actores sobre um conjunto de falsos raccords. E do outro "canto", Takahata, um dos mestres da animação nipónica, que poderá não ter gozado da mesma aclamação que o seu colega Hayao Myizaki desfrutou, mas que mesmo assim, se apresenta como o criador de algumas das mais emotivas obras da Ghibli Studios. Animação e acção real, duas dimensões entrepostas neste olhar pelo cinema japonês.

 

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Um dos mais ascendentes cineastas brasileiros da actualidade será homenageado no Close-Up. Serão cinco, as obras exibidas nesta secção Cinema do Mundo, dedicado ao "outro Brasil" de Gabriel Mascaro. Nesta retrospectiva poderemos encontrar os muito aclamados Ventos de Agosto, um atípico romance de Verão, e o recente Boi Neon, que nos leva ao outro lado dos rodeos brasileiros sob uma confrontação com a própria ode da masculinidade.

 

O resto da programação será constituída por sessões direccionadas para escolas, com principal foco o tema da juventude. Vale a pena salientar que a primeira longa-metragem de Andrei Tarkovsky, Ivan's Childhood (A Infância de Ivan), encontra-se integrada no programa. Para além disso, está agendado uma Oficina de Animação dedicada aos mais novos. Close-Up ainda exibirá uma sessão especial de O Ornitólogo, a quinta longa de João Pedro Rodrigues que remete o espectador a uma viagem esotérico de um observador de pássaros, perdido nas encostas do Douro.

 

 

Por fim, como sessão de abertura, temos um "double bill" constituído pelo filme-concerto Steamboat Bill, Jr. (O Marinheiro de Agua Doce). Um dos grandes clássicos do "rei do slapstick" Buster Keaton, será transformado sob a vertente musical de Bruno Pernadas. E Cinco para Kiarostami, o filme homenagem a Abbas Kiarostami, o cineasta iraniano que infelizmente nos deixou recentemente, uma produção da Casa das Artes e do Cineclube de Joane, com direcção de Vítor Ribeiro e Mário Macedo.

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publicado por Hugo Gomes às 22:04
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26.10.16

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Um fim-de-semana com um morto!

 

Como o cinema é fascinado por road trips! Como as mesmas transformam-se em jornadas pessoais ou coming-to-age para personagens inocentes! Em Calabria, por outro lado, essa viagem, mesmo tendo um objectivo seguro, é uma linha plana sem desenvolvimentos pessoais, as suas personagens são as mesmas, inerentemente falando, do início, no meio e no seu desfecho.

 

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Tal como Louis L'Amour havia citado - "O caminho é o que importa, e não o seu fim" - Calabria adquire a sua dimensão enquanto produto documental no percurso, onde dois imigrantes suíços (um português e um sérvio), sem nada em comum tirando o facto de serem ambos empregados de uma funerária, partem longa viagem para entregar o corpo de um imigrante italiano. A narrativa faz-se pelas paragens em áreas de serviço e hotéis, que funcionam como pausas de um ininterrupta confissão. Os dois protagonistas dialogam sobre os seus medos, os ideais, o amor e até mesmo a cultura.

 

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O morto que transportam é o testemunho mudo desta troca de palavras, recorridas a um tom de companheirismo, sem afectos gratificantes, nem evoluções aparentes na relação de ambos. São meros colegas, prontos para cumprir o seu trabalho, cujas conversas correspondidas são meras distracções, entretenimentos para as horas que seguem, porém, são nelas que concentra as suas respectivas expressões étnicas. Um retrato etnográfico sem os odes do neo-realismo, sem a abrangência de uma determinada investigação? Pois bem, Calabria é um estudo sobre gente, um jogo ao acaso inserido nesta ideia onde a morte é a aproximação destas vidas, e cuja diversidade celebra-se perante festividades mórbidas.

 

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O realizador Pierre-François Sauter humaniza a imigração, atribui-lhes uma face, um passado, sonhos e relações afectivas a um fenómeno cada vez mais desprezado, criticado e sobretudo anexado a agendas politicas. Calabria é um agradável exercício de temáticas indirectas, o qual a Morte é novamente servida como palco de fundo para um estudo sobre a Vida.

 

Filme visualizado no 14ª Doclisboa: Festival Internacional de Cinema

 

Real.: Pierre-François Sauter / Int.: José Russo Baião, Jovan Nikolic

 

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6/10

publicado por Hugo Gomes às 19:52
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26.10.16

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300 milhas que separam a nossa inocência!

 

Será a inocência nos dias de hoje um aspecto perigoso? Será que essa natureza encontra-se perdida perante um Mundo cada vez mais cínico, e assumidamente hipócrita? Com a crise dos refugiados  a atingir um dos seus picos em 2015, uma fotografia automaticamente tornou-se viral, que suscitou novas discussões quanto à gravidade, ou não, do problema da migração forçada. Essa mesma foto exibia um corpo de uma criança, vitima desse mesmo fluxo migratório, um corpo sem vida que deu à costa da Turquia. Logo, os medias focaram na atenção global desta mesma imagem, explorando o passado desta precoce morte, ao mesmo tempo, sob um tom sensacionalista, desenhar um percurso futuro nos "se" da sua vivência. A comoção foi geral, mas depressa começou a surgir questões quanto às imagens, quanto à manipulação da história e dos interesses políticos por detrás (de ambos os lados) que repentinamente culminavam. Por isso, questiono, será a inocência válida nos tempo que decorrem, sem ser sobretudo, questionada?

 

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Enquanto reflectimos, temos que ter em conta que é uma mistura de inocência como também de pura ingenuidade que integram os maiores conflitos do nosso Mundo, desta forma são a base deste 300 Miles, a descoberta das razões que levarão a um dos mais badalados cenários bélicos dos tempos decorrentes. Sim, é a Síria, a temática tabu para muitos, a "mina de ouro" do mediatismo para alguns, e é aqui o arranque deste registo fílmico que reúne a pessoalidade do seu realizador (Orwa Al Mokdad) com a urgência de um jornalista "spotlight" sob tendências de guerrilha.

 

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Porém, neste último ponto, as respostas poderão ficar aquém das nossas expectativas, até porque a perspectiva de todos é requerida desses mesmos dois factores: inocência e ingenuidade. Da mesma forma que as duas crianças ao relento apontam para o Sol em busca de um ponto negro, visível com um persistente olhar (um simbolismo infantil da busca de uma outra perspectiva), temos os rebeldes, ou homens sob uma grande vontade de rebelar … contra o quê, ou quem? … nem eles mesmo sabem. Tudo se resume a isso, a inocência nos mais diferentes ramos, e é essa mesma torna-nos cego, desinformados, em simultâneo nos revela hipócritas e cínicos nas nossas buscas.

 

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Como documentário, Orwa Al Mokdad vai "beber" bastante do Silvered Water, Syria Self-Portrait (apresentado em Portugal no Lisbon & Estoril Film Festival de 2014), que também utiliza as diferentes plataformas de gravação de vídeo (com principal relance as webcams e câmaras de telemóvel) para mapear um conflito. Mas não é por isso, que este 300 Miles não possui a sua importância como documento de registo. Ou será que estamos a ser inocentes?

 

Filme visualizado no 14ª Doclisboa: Festival Internacional de Cinema

 

Real.: Orwa Al Mokdad / Int.: Orwa Al Mokdad

 

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6/10

publicado por Hugo Gomes às 14:50
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26.10.16

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Para onde vamos agora?

 

Vamos ser claros, Wang Bing é daqueles documentaristas com iniciativa, em constante busca por temas transgressivos e, alguns deles, tabus de uma China em plena crise identitária e moral. Sim, ele é incansável no seu trabalho de terreno, nas horas de filmagem, na abrangência do seu olhar que neste caso é a lente da sua câmara, tão operacional como ele.

 

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Porém, falta-lhe a objectividade, sobretudo no campo da edição. Existe nele uma possessão de material realmente forte, o que o impossibilita descartar algum do seu tempo de filmagem em prol do produto final. Em consequência, são filmes como estes, de temas fortes, mas sem a força necessária para que o espectador "abrace a causa". Talvez seja por isso que Wang Bing filma tanto, as suas criações não são centradas, nem devidamente frontais para com que realidade que o próprio encara, são objectos deambulados, etnograficamente ricos como documentos de igual matéria, longe da provocação que precisa para realmente ser ouvido.

 

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O documentarista chinês não faz "épicos de violência social", faz ensaios cansativos e completamente desarmantes de temas que deveriam ter o seu "quê" de alarme, e neste caso, Ta'ang, este registo do exilo levado a cabo por famílias inteiras burmesas, como escape da guerra civil, parece apenas servir como uma decoração para ferir os mais susceptíveis. São quadros vivos, mas dentro deles, existem pessoas que lidam com a sua desgraça, uma má sorte que para Wang Bing são matéria que compõem o seu mais recente ensaio de "poverty porn", um embrião dos reality shows dotados de uma certa tendência fetichista.

 

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A envolvência neste mundo em "cacos", onde as "personagens" tendem em lidar com as suas próprias situações, deixando para trás partes integras das suas vidas em busca de quem os acolhe, algo mediático tendo em conta a crise dos refugiados que nos bombardeia os medias, sendo que Ta'ang revela-nos um caso especifico ignorado por estes mesmos. Uma viagem desesperante sem fim, que o realizador filma com a maior das tranquilidades. Sentimo-nos cúmplices perante este mau trabalho de investigação, onde os testemunhos secam perante o "on" prolongado da câmara, sem qualquer indicio de moderação nem coordenação.

 

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Talvez, Wang Bing não queira manipular esta realidade, e nisso faz ele muito bem, porém, o que adianta mostrar por mostrar, o que adianta captar este novo-realismo que não nos electriza, ao invés disso nos entendia da forma mais emocional possível. Será Wang Bing um voyeurista da desgraça alheia? Pelos vistos sim, nada aqui aponta-nos estarmos cara-a-cara com o documentarista do novo século como fora aclamado desde sempre. 

 

Filme visualizado no 14ª Doclisboa: Festival Internacional de Cinema

 

Real.: Wang Bing

 

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4/10

publicado por Hugo Gomes às 14:26
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25.10.16

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Um estranho caso chamado Marvel!

 

Numa certa entrevista, Steven Spielberg comparou esta "onda" de filmes de super-heróis com o fenómeno do western existente há décadas atrás (abundância era "coisa" que o valha). Produtos replicados e lançados sistematicamente, que só poucos conseguiram realmente enfrentar o "maior inimigo de todos" - o tempo - e no caso destes meta-humanos, ainda estaremos vivos até surgir o determinante período em que caiam em desuso. Para tal acontecer, é preciso existir um desinteresse por parte do público, um factor crucial que se dará com o primeiro "crash" de uma das majors, o primeiro flop financeiro para ser mais concreto.

 

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Enquanto vivemos nesse tempo de "vacas gordas", vamos espreitar este Doutor Estranho, o mais recente tomo da franchise Marvel Cinematic Universe, pelo qual foi lhe encarregue a missão de salvar uma saga que parece sofrer com uma modelização crónica. Tirando um ou outro, a Marvel tem pontuado com uma máquina industrial oleada, e como recentemente Joss Whedon afirmou em entrevista, questionado sobre o embate do estúdio com a sua rival DC, a grande proeza deste negócio encontra-se na sua narrativa, intacta desde o primeiro capítulo e completamente despida de qualquer transgressão estilística (relembramos a saída de Edgar Wright por divergências artísticas em Ant-Man).

 

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Enquanto, Zack Snyder, e companhia, tentam fazer um "treat" mais visual do outro lado do campo, o produtor executivo Kevin Feige tenta preencher a sua Marvel com os mais marcados dispositivos narrativos, como também apostando forte na concepção das suas personagens. Doctor Strange surge no tempo em que o visual torna-se sobretudo num bem essencial e necessitado neste mesmo universo, e a suas trips mágicas e dimensionais funcionam como um regalo aos olhos, mesmo que, para o espectador mais relembrado, nada disto é absolutamente original. Nota-se por exemplo, os túneis alucinogénicos de um 2001: A Space Odyssey (clássica referência do metafísico no cinema), como a desconstrução de cidades a dever muito a Inception: A Origem, de Christopher Nolan, ou seja, todos estes impressionáveis conjuntos de efeitos visuais, que consistem em formar o mundo espiritual diversas vezes referido, são de uma imaginação pobre.

 

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Essa pobreza torna-se ainda mais visível no argumento. Ora vejamos, sabemos que Dr. Stephen Strange é um egocêntrico, um arrogante com uma vida perfeita, que a certa altura, em consequências de um acidente, todo o seu mundo "cai". Fica então dependente da caridade de outros, e para sair desta mesma situação procura ajuda, nem que para isso siga para os lugares mais remotos do Mundo. Nessa sua peregrinação, dá de "caras" com uma legião de magos e feiticeiros, a partir daqui arranca outra jornada pessoal - a aprendizagem de forças que nem o próprio compreende. O nosso herói acaba por aprender uma lição que se torna útil para o desfecho do climax. É o moralismo típico Disney, mas não só, existe muita reciclagem aqui. Tirando o assunto de esoterismo pagão, este Doctor Strange é uma versão upgrade do primeiro Homem de Ferro, o filme realizado por Jon Favreau que lançou a saga bilionária, assim como Robert Downey Jr. à ribalta estrelar. Parece que a Marvel já não tem volta a dar na sua "originalidade", esgotou a fórmula e o que sobra são os mesmos truques de sempre, o humor, por exemplo, continua como a sua melhor arma. Mas até quando isso se durará?

 

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Todavia, este Doctor Strange aguenta-se "nas canelas", a razão desse mesmo apoio chama-se Benedict Cumberbatch, que adapta-se à sua personagem com o carisma necessário. Ele é o tour de force de toda esta demanda heróica influenciado por um outro universo sob o selo Disney, Star Wars. Mas nem o actor é capaz de salvar este Mundo da iminente destruição, apenas retardá-lo. Basta agora, esperar o que o tempo dirá a este novo, e vistoso, capítulo de feitos heróicos. Será que Steven Spielberg tem razão? Por enquanto, ficamos a aguardar com o discurso do nosso mais recente, assim como esquecível (prato do dia para a Marvel), vilão de serviço (desta vez é Mads Mikkelsen a vitima), na mente. O Tempo é o maior inimigo de todos, ele destrói tudo. Não, meus senhores, não estou a confundir com o Irréversible, de Gaspar Noé.     

 

"You're a man looking at the world through a keyhole. You've spent your life trying to widen it. Your work saved the lives of thousands. What if I told you that reality is one of many?"

 

Real.: Scott Derrickson / Int.: Benedict Cumberbatch, Chiwetel Ejiofor, Rachel McAdams, Mads Mikkelsen, Tilda Swinton, Chris Hemsworth, Benedict Wong, Scott Adkins, Benjamin Bratt, Michael Stuhlbarg

 

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24.10.16

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"There's something in the Woods"

 

A sequela que ninguém havia pedido, mas que secretamente desejávamos, visto que o papel desta façanha coube a um maldito filme de 2000 (o que raio aquilo era). Adam Wingard, um dos descendentes directos do estilo multifacetado de John Carpenter, surpreendeu tudo e todos quando um dos seus programados projectos, anteriormente apelidado de The Woods, converteu-se automaticamente na continuação enviusada de um êxito de 1998, Blair Witch Project.

 

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O filme em questão não inventou o estilo found footage como muitos afirmam, porém, o reiventou para as novas geração, uma proposta de exploração que foi adiada até 2007 , no decorrer do baby boom do subgénero (as culpas ainda estão por apurar, ou é [REC] ou Diary of the Dead, de George A. Romero). Wingard tem a noção de que 2007 para cá, as pessoas andam minimamente “fartinhas” de found footage, por isso é que este Blair Witch providencia como um reflexo aos avanços tecnológicos que marcaram a pausa de 17 anos. Temos drones (GO PRO), câmaras integradas e digitais, GPS à mistura e um ego cada vez mais evidente das nossas personagens (culpamos aqui as redes sociais e a geração "Youtube").

 

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Mas nada disso impede que uma noite nas florestas amaldiçoadas de Burkittsville torne-se num autêntico pesadelo. Aquilo que o anterior Blair Witch conseguiu vingar até aos dias de hoje, é sobretudo esquecido neste pretensioso pedaço de homage. Falo obviamente da subtileza. Enquanto que no filme de Daniel Myrick e Eduardo Sánchez, o terror era uma sugestão obscura do outro lado da porta, na versão de Adam Wingard existe a tendência de “ver o monstro” por detrás dessa mesma porta.

 

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Não é bem culpa de Wingard, as audiências também evoluíram, e neste momento possuem apetites vorazes pelo grafismo, sobretudo pelo explicito, desejam o conhecido, a imaginação empapada e regida pela ordem de outros. Infelizmente não existe passo para o nosso intelecto, para a interpretação intima desse mesmo escuro, dos medos primitivos que governavam a Idade das Trevas, reina neste momento, a pura e simplesmente curiosidade, o mediático e o automático. Nesse sentido Blair Witch falha, não por ser bem concedido nos seus jump scares e condizê-los com o som (este é uma versão bem barulhenta), mas por limitar-se a preencher esse tal desconhecido com pesadelos que não são os nossos. Ou seja, conhecemos a origem dos barulhos paranormais, conhecemos as lendas e as suas veracidades e exploramos as pontas soltas do filmes de 1998 com uma vertente quase pornográfica.

 

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A sobrar nesta experiência mais devedora aos tiques triunfantes de [REC] do que à sua prequela, está os desempenhos destas jovens vitimas, a contrariar a tendência de personagens desinteressantes em enredos de artificio circense.

 

Real.: Adam Wingard / Int.: James Allen McCune, Callie Hernandez, Corbin Reid

 

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23.10.16

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O álbum de família!

 

A documentação e colecta de memórias é umas das principais raízes do cinema documental. O documentário longe da pedagogia interactiva que muitos parecem associar, mas sim, do registo de qualquer natureza. Tal como os índios amazónicos que acreditavam que uma fotografia roubava-lhe as almas, o cinema tem sido diversas vezes encarado como um “caçador de espíritos”, perseguindo, “agarrando” e preservado, não em âmbar, mas em fita, (neste momento o digital serve de alternativa).

 

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E dentro desse mesmo cinema-arquivo, encontramos por vezes o álbum de família, um grupo pelo qual pertence este 95 and 6 to Go, um filme dirigido pela realizadora Kimi Takesue, que remete-nos à história da sua família tendo principal foco o seu adorado avô, que com quase um século de vida expõe a sua experiência e aventuras, assim como desventuras, o qual foi submetido ao longo da sua longa existência. Mais do que uma “musa”, o patriarcal Tom Takesue torna-se, maioritariamente, no assistente de realização desta mesma obra, tal como refere em jeito jocoso nesta mesma jornada de registo.

 

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A sua vontade de viver, um dos tópicos pelo qual a câmara de Kimivasculha”, converte-se no maior combustível deste mesmo filme. Um velho que recusa morrer, e sobretudo guardar as tristezas de uma vida em desfragmentação no seu próprio ser. Tom refere várias vezes que a morte da esposa, assim como da filha, que faleceu antes do tempo, “espinhos” cravados de uma existência que dá e tira, mas que é no seu gradual esquecimento que o nosso protagonista encontra a resistência ao ceifeiro.

 

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Amante de cinema, música e dança, de um jeito curioso de ver o seu redor, Tom consiste na grande estrela destas filmagens tecidas entre si. Possivelmente sem ele, 95 and 6 to Go (nota-se que até o título foi escolhido pelo próprio Tom com alusão aos seis meses de vida que o seu médico previu perante um diagnóstico de cancro), seria uma tentativa falhada de colectar memórias mais queridas para nossa realizador do que para o público. Todavia, Kim encontrou uma “pepita de ouro”, um vórtice de interesse que resiste à monotonia do seu formato. E é essa jóia chama-se Tom, que nos contagia com a sua imensa vitalidade.

 

Filme visualizado no 14ª Doclisboa: Festival Internacional de Cinema

 

Real.: Kimi Takesue / Int.: Tom Takesue, Kimi Takesue

 

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6/10

publicado por Hugo Gomes às 00:08
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22.10.16

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A sequela de Godzilla, com previsão de estreia para Junho de 2018, parece ter encontrado um novo realizador depois da saída de Gareth Edwards.

 

Segundo a Screen Crush, Michael Dougherty (Krampus) foi o escolhido para dirigir esta segunda aventura do famoso kaiju nipónico pela Legendary Pictures / Warner Bros. Para além do cargo de realizador, Dougherty também trabalhará como argumentista, ao lado de Zach Shields. 

 

Godzilla 2 será o terceiro filme de um franchise a ser desenvolvido pelas duas produtoras. Depois do êxito de Godzilla (de Gareth Edwards), surgirá Kong: Skull Island (com estreia para o próximo ano), que introduzirá King Kong neste mesmo universo. Em 2020, será lançado o embate - Godzilla Vs. Kong.

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:53
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22.10.16

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O Evangelho dos Burgueses!

 

A crise dos refugiados contraiu tal dimensão mediática que é praticamente impossível ficar indiferente ao tema. Em consequência disso, são “às centenas”, as obras que são lançadas este ano e que deambulam sobre as condições desta gente. Felizmente, há quem o faça bem, como também, a quem os explores de maneira quase pornográfica. Nesta última opção encontramos Vangelo (em Competição Internacional do Doclisboa) sobre um actor e encenador italiano - Pippo Delbono (conhecido pelo seu desempenho em I am Love, de Luca Guadagnino, ao lado de Tilda Swinton) - que após a morte da sua querida mãe e dos diagnósticos assombrosos da sua saúde, decide aventurar-se entre os refugiados para … sabe-se lá o que se passa na cabeça dele … encenar o Evangelho.

 

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Antes disso, bem, após algumas sequências longas e narcisistas, filmadas por telemóvel sobre a sua pessoa, Pippo afirma que para consolação da sua dor havia encenado um chamado “Evangelho dos Ricos”, uma peça trabalhada com muitos dos seus amigos artistas, que segundo o realizador, são burgueses que desconhecem o mundo real. Bem visto, sim senhor, se não fosse o facto de logo a seguir Pippo afirmar que pessoas infelizes devem se manter próximo de pessoas ainda mais miseráveis para se sentir na melhor das formas.

 

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Solução, o encontro com um grupo de refugiados para confortar o seu pesar. Esta comparação entra logo em conflito com a moralidade do projecto, até porque a restante duração do documentário faz-se com puro bullying. Pippo é um burguês privilegiado que encontra nos refugiados o seu ar de graça para simplesmente troçar, quase obrigando-os a citar frases italianas, o qual se entende que estes homens não percebem nem sequer uma palavra daquilo, até à natureza religiosa cristã da peça sobre vários homens, que sem sombras de dúvidas, são muçulmanos. A persistência nessa evangelização está em perguntas como “Conheces Jesus?”. Será Pippo um jesuíta?

 

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O incomodo é um sentimento vivido por estes homens com vidas destroçadas, os respectivos olhos falam por si. Homens munidos de coragem para deixar para trás as suas vidas anteriores e aventurarem-se nas mais arriscadas façanhas (exemplo, é o único relato de vida destes, Safi, que com o seu péssimo inglês torna-se no ponto alto da obra). Por entre “torturas” (um homem residido minutos sem fim no alto mar para citar textos do Nazareno), até a interrogatórios frios e voyeuristas, Pippo, sob uma sugestiva respiração ofegante, faz de “domador de feras” num circo que ele próprio montou, para além disso, todo este registo funciona numa espécie de “snuff film”.

 

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Para finalizar, este homens cujo futuro é incerto, muitos deles com vistos negados e recambiados aos seus países de origem (qual? O filme nem interessa por isso), Pippo, revela o seu pensamento mais egoísta de puro conformista burguês, “estas pessoas são felizes porque tem música e dança”, ou “como estas pessoas não tem medo da morte, sabem o que é viver”. Mas que raio de “moralismo” é este?! Pippo pega nos refugiados para o seu próprio entretenimento (existe também alusões sexualmente fantasiosas com estes mesmos homens), depois reforça a sua miserabilidade humana, como fosse o mais desgraçado de todo este Mundo, esquecendo que é um privilegiado homem branco ocidental.

 

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No final temos a sua “queridaÚltima Ceia, sob o som de uma música em looping I Feel Good”, sim, bastante apropriado, indeed!. Pelos vistos, encontrei o Je m’appelle Hmmm … deste ano [ler crítica aqui], mal executado, mal idealizado e imoral no seu sentido de oportunismo.

 

Filme visualizado no 14ª Doclisboa: Festival Internacional de Cinema

 

Real.: Pippo Delbono

 

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2/10

publicado por Hugo Gomes às 16:04
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22.10.16

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Redesenhando as imagens que faltam!

 

No surgimento das memórias sem registo que fora o nomeado ao Óscar, A Imagem que Falta (L'Image Manquante), o cambojano Rithy Panh retoma aos fantasmas que o assombram, deambulando sobre as suas naturezas e reconhecê-las como reminiscência de um homem de hoje. Sim, esta é a história do exílio do próprio realizador, em tempos que a sua terra natal era transgredida por uma constante metamorfose político-ideológica, e as consequências que essa “revolução” ditará no seu consciente.

 

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Tal como havia sucedido com As Imagens que Falta, Rithy Panh narra e colecta vivências sob a batuta de imagens cinematográficas produzidas, assim recorrendo ao pouco uso das imagens de arquivo para centrar a sua proposta contada. Contudo, é talvez na sua força pessoal, assumindo como um conto autobiográfico, que Exile (Exílio) atinge o seu pico emocional, mas, até lá, a beleza plástica e por vezes metafórica do enclausuramento humano torna-se pomposamente artificial e de certa maneira, artisticamente pretensioso. Enquanto que os horrores de A Imagem que Falta são preservados, e aos mesmo tempo restaurados pelo simbolismo, em Exile é a performance e a grandiloquência visual que preenche esse vazio de complementos narrativos.

 

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A história descrita segue em paralelo um Cambodja em gradual transmutação (o anterior Kampuchea Democrático), anexando-o com uma riqueza quotes e frases poético-filosóficas que reflectem, não só contribuído para a emocionalidade da vivência de Rithy Panh, como também a natureza metafísica desta revolução determinada (grande parte destas são citações de Mao Tsé Tung arrancadas directamente do seu Livro Vermelho, o julgamento estará cargo do próprio espectador). Sim, Exile aposta nos ecos deixados pela A Imagem que Falta, mas infelizmente essas imagens que substituem não impotentes perante o relato deixado, assim como a jornada gastronómica que Rithy Panh parece deliciar no seu leito de sobrevivência.

 

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Vindo desse mesmo realizador, e tendo em conta que o registo é bem mais pessoal,  esta é uma obra decepcionante, de repetição autoral, mas alicerçado a um discurso sobretudo fantasmagórico.

 

Filme visualizado no 14ª Doclisboa: Festival de Cinema Internacional

 

Real.: Rithy Panh

 

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7/10

publicado por Hugo Gomes às 00:42
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21.10.16

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O texto imperativo!

 

Há uma mistura de teores que percorre todas estas palavras, desde o poético ao lírico passando pelo simplesmente politico, até à preocupação da nossa língua (essa nossa identidade), como a preservação dos nossos ideais culturais e sociais - "devemos ser mais como o gregos" - tal como é referido em determinado ponto. Rita Azevedo Gomes (A Vingança de uma Mulher) encontrou a sua matriz, a correspondência trocada entre dois poetas, Jorge Sena e Sophia Mello Breyner, durante o exílio do primeiro no Brasil e posteriormente dos EUA, de forma a "fugir" ao regime fascista que se vivia em Portugal. Porém, para Breyner, a sua escrita remete à recordação de cada palavra como a saudade do seu mais intimo amigo. Uma amizade separada por quilómetros de distância, mas reforçadas pelas estrofes, pelas frases que substituem horas e horas de conversa.

 

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Belos textos temos aqui! E a realizadora bem o sabe, aliás, até demais. Correspondência vem a reforçar a ideia de uma vaga que se vai brotado no nosso seio cinematográfico - um cinema cada vez mais lírico, empurrado pelos textos de uma correspondências antiga - que servem, não só de guião, assim como puro alicerce de uma eventual intriga. Será a saudade vencida por este prolongado método de comunicação, agora perdido pela distância de um clique das novas tecnologias em cumplicidade com as redes sociais que nos atingem, que nos faz invocar referido formato? Será a preocupação com o texto imprimido, a degustação de cada palavra, cada acento, cada paragrafo e até a grafia no seu mais extremo nível, que nos afronta espiritualmente?

 

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A verdade, é que temos aqui um português falado e escrito à beira da extinção, que nos dias de hoje, vê-se atropelado pela globalização e nesta redução de distância de contacto entre os mais diferentes pontos geográficos. Será que esta aproximação nos torna menos cuidados? Assim sendo, Correspondências vem ao auxilio de Cartas da Guerra, da Ivo Ferreira, a prioridade do texto-legado, da literatura salientada nas suas imagens. Mas infelizmente, para Azevedo Gomes, Ferreira soube construir uma narrativa visual que pudesse emancipar-se do próprio texto, em Correspondências tal isso não acontece, tudo é recorrido à forma de cautela. A nossa realizadora parece ter medo de superar o mencionado texto, focando-se nele e aceitando à aleatoriedade das imagens.

 

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Quase seguindo à letra a poética forma da citação, Correspondências  evidencia um "terror de penetrar na habitação secreta da beleza", o que impede que as encenações tomam conta das palavras residentes e trocadas, sem conseguir apoiar no seu todo. "As imagens atravessam os meus olhos e caminham para além de mim", uma miragem nestas Correspondências de facto. Nesse aspecto, Rita Azevedo Gomes poderia leccionar-se no seu próprio formato - "será que a vida é a luta das imagens que não morrem?" Ao invés disso, soube criar um belo produto para os nossos ouvidos, a sensualidade de palavras tecidas com a maior das dedicações, quer da sua forma e construção, quer do sentimento nelas depositadas. Poderia ser um grande filme … poderia, mas Rita Azevedo Gomes preferiu encenar um mero exercício de encenação.

 

Filme visualizado no 14ª Doclisboa: Festival Internacional de Cinema

 

Real.: Rita Azevedo Gomes / Int.: Luís Miguel Cintra, Rita Durão, Eva Truffaut, Mário Barroso, Tânia Dinis

 

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5/10

publicado por Hugo Gomes às 02:20
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