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O "épico" de hoje?

 

Não, de maneira nenhuma precisaríamos de outra versão cinematográfica de Ben-Hur, a história ficcional cruzada com um dos mais importantes capítulos bíblicos, mas visto que temos que "gramar" com mais um … cá vamos então! Tudo começou com um livro escrito pelo devoto General Lew Wallace que chegou ao grande ecrã, pela primeira vez, em 1925. Durante o espaço (desde a sua criação literária a este "embrião" de épico que assistimos em 2016), surgiu a epopeia de 1959, um colosso filme de William Wyler que revelou-se numa mostra de grandeza de uma Hollywood agregada a majors e produções sem precedentes.

 

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Protagonizado por Charlton Heston, que viria a tornar-se no galã de épicos de longo fôlego, esse Ben-Hur fez História dentro do circuito cinematográfico da altura, arrecadou uns impressionantes 11 Óscares, um feito que seria mais tarde "batido" por James Cameron e o seu trágico naufrágio ao som de Celine Dion. Obviamente que este novo Ben-Hur não irá triunfar com a mesma dezena de estatuetas (uma piada fácil que fora optada pela imprensa norte-americana), porém, seria de esperar um outro tipo de tratamento em relação às tão famosas adaptações.

 

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Sim, heresias à parte, este equivoco de Timur Bekmambetov é o mais tolerável das versões cinematográficas por um simples facto - é em comparação com os outros três o menos evangélico, cristalizado, e o mais ambíguo no que requer ao retrato "demonizado" dos romanos, os perfeitos antagonistas e … pagãos, como é referido no filme de 1925. Claramente, que essa faceta "humanitária" deriva de um século (hoje vivido), em que questionamos e pensamos sobre o fundamento da religião e das ideologias dos de crença oposta. Nesse termo, são pequenas as provocações (tal como sucedera em Exodus, de Ridley Scott), mas é evidente que esta tentativa de afastar-se o quanto possível do cristianismo intolerante das obras anteriores é, não um feito, mas um esforço que faz com que Ben-Hur seja readaptado às mais diferentes audiências. Aliás, esse vector de pensamento é evidente no, por fim, vislumbre de Jesus Cristo (aqui interpretado por Rodrigo Santoro), uma figura ocultada pelas produções anteriores porque simplesmente seria blasfémia atribuir uma cara ao Nazareno em uma história ficcional do século passado.

 

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Todavia, vamos ser sinceros, mesmo que fraudulento e movido com a maior das preguiças (a edição é uma lastima), este Ben-Hur ganha aos pontos à adorada versão Wyler pela naturalidade (ou pela aproximação) nos desempenhos. Afastando-se do exagero overacting, e do charlatão Charlton Heston. Mas perde, novamente na comparação, no ponto menos improvável - qualidade de produção - Ben-Hur de 1959 continua imbatível nesses termos; numa realização orgânica, uma edição monstruosa e quase sem falhas (a corrida continua, depois destes anos todos, no auge da acção cinematográfica) e os cenários construídos que atribuem uma textura impressionável. Agora, com o de 2016, face aos avanços tecnológicos, temos um produto estival, demasiado corriqueiros e igualmente desastrado. Quanto à famosa e mortal corrida no coliseu … nada a fazer … uma sequência "engasgada" onde ninguém parece perceber bem o quê.

 

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Certamente, não iríamos apostar num "novo clássico", mas o filme de Timur Bekmambetov não deixa dúvidas - o épico morreu em Hollywood - e ninguém parece importar com qualidade produtivas (actualmente o único a operar efectivamente em grandes produções hollywoodianas é Christopher Nolan, fica a provocação). Uma afronta para actores (Toby Kebbel condenado a outro "flop" de Verão), aos envolvidos (penso que ninguém se orgulhará proclamar que fez parte da produção) e ao público que cresceu a "venerar" a versão de William Wyler e que encontra aqui um tremendo e prolongado videoclipp narrado por Morgan Freeman. Ah! Já me ia esquecendo, quanto a evangelizações, este Ben-Hur tem outro ponto contra, possui o final mais moralmente "tosco" das mencionadas três versões.

 

Real.: Timur Bekmambetov / Int.: Jack Huston, Toby Kebbell, Rodrigo Santoro, Nazanin Boniadi, Morgan Freeman, Haluk Bilginer, Pilou Asbæk, James Cosmo

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:48
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29.8.16

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Morreu Gene Wilder, uma das "caras" mais célebres do cinema de comédia da década de 70 e 80.

 

Foi protagonista de inúmeros trabalhos de Mel Brooks como Blazzing Sandles, Young Frankenstein e The Producers, mas provavelmente é a sua versão de Willy Wonka and the Chocolat Factory que o tornou mundialmente famoso. Segundo o seu sobrinho, Jordan Walker-Pearlman, Wilder sucumbiu face a complicações com a doença Alzheimer, o qual fora diagnosticado à 3 anos. Tinha 83 anos.

 

Nascido a 11 de Junho em Milwaukee, no estado de Wisconsin (EUA), em 1933, Jerome Silberman (o seu nome verdadeiro) começou por brilhar nos palcos da Broadway, sendo que numa dessas peças contracenou com Anna Bancroft, a actriz que nos anos 60 namorava com o realizador de comédias Mel Brooks. Este conhecimento foi crucial no seu salto para o grande ecrã.

 

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No cinema estreou em 1967 com Bonnie & Clyde, num vistoso pequeno papel, e em The Producers, que inaugurou o inicio da sua colaboração com Brooks e garantiu-lhe a primeira nomeação ao Óscar, na categoria de Melhor Actor Secundário. Em 1971 protagonizou o filme Mel Stuart naquele que viria a ser o seu papel mais famoso, o excêntrico Willy Wonka na primeira adaptação cinematográfica do conto de Road Dahl. Depois seguiu-se um trabalho com Woody Allen em Everything You Always Wanted to Know About Sex (O ABC do Amor, 1972) e outra adaptação de um livro infanto-juvenil, The Little Prince (O Principezinho, 1974), com Mel Brooks ainda trabalhou nos bem-sucedidos Blazing Sandles e Young Frankenstein, e integrou outras inúmeras comédias dos anos 70 e 80, muitas delas fazendo dupla com o actor Richard Pryor.

 

Gene Wilder ainda apostou na realização, tendo alguns resultados satisfatórios como o popular The Woman in Red (1984).

 

Gene Wilder (1933 - 2016)


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27.8.16

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A comunidade de Vinterberg!

 

"Qual é o valor da tua ferramenta?" foi com esta pergunta que uma das cenas mais memoráveis do documentário Torre Bela, de Thomas Harlan (o relato da transição ideológica de um Portugal pós-25 de Abril), se iniciou. Nesta mesma, os sonhos de uma politica de esquerda, a vontade de uma comunidade, é afrontada pela necessidade e orgulho de um só individuo, aqui um agricultor nada disposto a ceder a sua enxada a uma cooperativa agrária.

 

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Quarenta anos depois, Thomas Vinterberg, um dos fundadores do Dogma 95 ao lado de Lars Von Trier, dirige The Commune (A Comuna), um exorcizar de uma ingenuidade politica que o realizador acolhera na sua juventude, porém, como o próprio parece demonstrar nesta sua nova obra, uma quebradiça ideia face às necessidades individuais. O casal preferido do cinema dinamarquês (Ulrich Thomsen e Trine Dyrholm), são novamente requisitados como volantes desta trama que arranca com uma herança imobiliária e um desejo de harmoniosa comunidade. Contudo, essa mesma fabricada colectividade, uma comuna entre amigos, é abalada com o aparecimento de um novo amor, uma terceira pessoa num relacionamento matrimonial de anos.

 

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Thomas Vinterberg estende num prolongado confronto entre a comunidade e o individuo, salientando a "humanidade" de cada um face às ideologias politicas. Parece que este "sonho esquerdista" não é à prova de bala, neste caso de sentimentos vividos. Não com isto induzir-nos numa propaganda politica e tendo em conta o calor de posições do género que afronta o nosso país (quarenta anos desde Torre Bela e essa reconstrução ideológica continuamos com dúvidas acerca da nossa governação e dos requisitos destas), A Comuna é um filme que valida-nos como seres específicos e personalizados e não como rebanho de uma só voz. É também o retrato de que uma correcta politica é uma fantasia sonhada por homens idealizados. Não existe nenhum maniqueísmo, até mesmo a democracia é aqui questionada, segundo a personagem de Ulrich Thomsen, "não é a maioria que ditará como viverei a minha vida".

 

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Longe da provocação fácil dos seus congéneres, Thomas Vinterberg segue o caminho mais subtil e difícil, porém, o faz com o auxilio de bons "tenores". Neste caso, Trine Dyrholm é uma musa expressiva, uma "bomba" emocional que testa qualquer doutrina sociopolítica.

 

Real.: Thomas Vinterberg / Int.: Fares Fares, Ulrich Thomsen, Trine Dyrholm, Julie Agnete Vang

 

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26.8.16

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Uma animação que se podia ficar no segredo dos deuses!

 

Logo após as primeiras notícias de sucesso, foi instantaneamente anunciado a preparação de uma sequela, mas cá entre nós, o conselho é de não se incomodarem com tal. Dos estúdios que nos trouxeram Despicable Me e o spin-off Minions, a Ilumination Studios parece ter encontrado a sua mais recente "mina de ouro", através de uma intriga de pura preguiça, engano e obviamente, de uma trivialidade identificável para com muitos dos espectadores (será isto a fórmula do sucesso?).

 

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São animais de estimação, reduzidos a um copy/paste de Toy Story, porém, ao contrário da premissa prometida dos trailers - o que fazem o nossos "bichos" durante a ausência dos donos? - esta animação, que melhor figura faria nas grelhas das matines televisivas, é um embuste que passeia por um enredo rudimentar de regresso a casa. Em tempos, faziam filmes destes, só que ao invés de bonecos tecnológicos tínhamos animais "verdadeiros" treinados e muito engodo induzido na narrativa.

 

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Em The Secret Life of the Pets, o que temos é personagens ocas, de motivos vazios e sem carácter que concretizam um macguffin enquanto "bombardeiam" o espectador com um prolongado humor slapstick dedicado unicamente para a faixa etária mais jovem, e mesmo assim, convenhamos, não de todo indicada. The Secret Life of the Pets é um episódio violento, a invocar o lado de "mau gosto" dos Looney Tunes e Tom & Jerry, aquela violência graficamente castrada que nos leva a crer que o mundo que nos rodeia é inquebrável e que uma vida é uma pura piada reciclada.

 

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Sim, apercebemos isso, esta é uma daquelas animações que não nos leva a lado nenhum, de difícil comoção visto que não simpatizamos de todos com estes "bonecos" que se disfarçam de estereótipos já fundamentados desta indústria. Para os pais, questiona-se, será que os nosso filhos não merecem algo melhor que assistir a um imenso vazio, que nem o moralismo pedagógico consegue transmitir? Fica a dúvida, enquanto nos rendemos ao puro vórtice do marketing.    

 

Real.: Chris Renaud, Yarrow Cheney / Int.: Louis C.K., Eric Stonestreet, Kevin Hart, Albert Brooks, Lake Bell, Steve Coogan

 

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publicado por Hugo Gomes às 01:19
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25.8.16

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Velocidade Espacial!

 

Depois de minar dois Star Treks com os seus len flares, J.J. Abrams partiu para outra "galáxia" mas a sua presença reside na produção destas novas aventuras da USS Enterprise. No lugar do leme chega-nos então Justin Lin, o responsável por trazer mais velocidade e vitalidade a uma outra saga milionária - Fast & Furious - tornou-se então o capataz do provavelmente mais energético de toda o universo Star Trek.

 

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Enquanto que a ideia dos envolvidos nesta nova saga "trekkie" foi trazer mais de Star Wars do que propriamente o franchise que acompanha o cinema desde 1979 (pois, tudo começou com um inteligente filme de Robert Wise, mas antes existia a série televisiva), este Além do Universo funciona como uma equação perfeita para tal requerida fórmula, é o "mexido" blockuster de Verão, sem astúcia e muita estética.

 

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Uma aventura galáctica imensa de efeitos visuais, correrias, batalhas "navais" e aquilo que poderemos caracterizar de "artes marciais" interestelares, sim, é um anti-Star Trek, tal como fora o anterior de Abrams, Into Darkness. Só que ao contrário do filme de 2013, o vilão não consegue realmente prender-nos, aliás se isto fosse uma crítica em inglês se poderia utilizar o termo "lame"… apesar de Idris Elba dar "corpo" a este antagonista.

 

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O resto, devemos salientar, é mais do mesmo (bem, como estou tão farto de dizer isto). Um argumento reciclado onde sobra-nos um twist a meio da intriga (um "gancho" para iminentes capítulos), alguns actores esforçados nas suas personificações (Zachary Quinto é, apesar de tudo, uma boa alternativa de Leonard Nimoy) e por fim, umas homenagens, quer acidentais, quer planeadas, de algumas personalidades e personagens que marcaram esta saga além fronteiras. Leonardo Nimoy (obviamente), o recém-falecido Anton Yelchin, toda a antiga tripulação do Enterprise e o tributo à orientação sexual de George Takei, o original Sulu, incorporado na reencarnação de John Cho.

 

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Enfim, tínhamos tudo para deparar-nos com um agradável aventura cósmica, assim como muitos capítulos de Star Trek conseguiram invocar, mas as tentativas de tornar esta mesma saga num "refeitório geral" fez com que um legado caminhasse para uma variação de Velocidade Furiosa nas estrelas. Confirma-se, até à data é o pior do Reinado de J.J. Abrams.

 

"Fear of death is what keeps us alive"

 

Real.: Justin Lin / Int.: Chris Pine, Zachary Quinto, Karl Urban, Zoe Saldana, John Cho, Simon Pegg, Anton Yelchin, Idris Elba, Sofia Boutella

 

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Ler Críticas Relacionadas

Star Trek (2009)

Star Trek: Into Darkness (2013)

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publicado por Hugo Gomes às 00:52
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24.8.16

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Don't Breathe, a nova sensação do terror norte-americano de Fede Alvarez (Evil Dead), vai abrir a décima mostra de Cinema de Terror em Lisboa, por outras palavras, MOTELx. Descrito como um novo fôlego no subgénero home invasion, Don't Breathe apresenta-nos três ladrões que deparam-se com tenebrosos obstáculos quando tentam orquestrar o "perfeito golpe".  

 

A programação, agora completamente revelada (ver aqui), esconde algumas novidades curiosas e esperadas no circuito do cinema de terror. Entre as quais, poderemos contar com 31, o novo e badalado filme de Rob Zombie, o ex-músico dos White Zombie tem-se revelado cada vez mais num particular autor "por estas bandas". O mais recente filme de Olivier Assayas, Personal Shopper, o vencedor do prémio de Melhor Realizador no último Festival de Cannes, também estará presente na programação. A história centra em Maureen (Kristen Stewart), uma mulher com dons sobrenaturais que trabalha como "personal shopper" para personalidades de discreto "profile". A juntar a isto ainda temos The Wailing, do sul-coreano Na Hong-jin, um exercício de terror que evoca The Exorcist.

 

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Mas a grande novidade desta décima edição é o lançamento da Competição de Melhor Longa-Metragem Europeia, uma iniciativa que tende em promover e divulgar cinema fantástico europeu, e quem sabe, até mesmo português. Ruggero Deodato, o realizador do mítico Holocausto Canibal, que para além de ser um dos convidados especiais do festival, será o presidente de júri, que tem como restante formação: o realizador e produtor Mick Garris e Fernando Ribeiro (vocalista da banda Moonspell).

 

O 10º MOTELx: Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa decorrerá no Cinema São Jorge, Cinemateca e Teatro Tivoli BBVA, entre 6 a 11 de Setembro.

 

 

Ver Também

Dez anos de MOTELx! Vejam as primeiras novidades da esperada edição!

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:29
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Mais uma pólvora que não arde no cinema português!

 

Esta é a história de Lucas Mateus (Ivo Canelas), um músico de carreira falhada que entra em depressão após descobrir que a sua namorada o traía com o seu melhor amigo, Pedro (João Tempera), que ao contrário do protagonista é um músico com uma carreira bem sucedida. Com as desilusões que se vão acumulando na sua vida, Lucas desesperadamente entra num ciclo vicioso de “carrologia”, uma arte de engate em que consiste “estudar” o conteúdo dos carrinhos de supermercado. É durante essa “caça a mulheres” que Lucas reencontra a ao conhecer uma estranha rapariga, cuja principal particularidade é de viver dentro de um fato de dinossauro cor-de-rosa.

 

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Na teoria, Refrigerantes e Canções de Amor soa como uma variação de criatividade “Sundance style”, mas o pior é quando chegamos realmente à prática, e aí sim, é onde “a dinossaura torce o rabo”. Escrito pelo humorista Nuno Markl, esta é uma comédia de ideias, porém, mal executadas em derivação de um malabarismo de tons, de uma realização ausente de frescura, por um overacting conformado por muitas das suas estrelas e por um timing incorrectamente aplicado.

 

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Devo dizer que esta obra tem de tudo para funcionar com um case study, exibido em qualquer aula de preparação para estudantes de cinema nos termos do que se “deve ou não deve fazer”. Verdadeiramente triste que isso aconteça, até porque no leme deste projecto está o veterano Luís Galvão Teles, que ainda este ano presenteou-nos com a louvada tentativa de Gelo, um filme de ficção cientifica que não envergonha ninguém. Infelizmente é na sua direcção que encontramos a “faca de dois gumes” deste Refrigerantes e Canções de Amor, se por um lado a realização de Galvão Teles afasta-nos da usual linguagem televisiva que empesta as produções comerciais (*cof* O Pátio das Cantigas *cof*), é nele que encontramos o desleixo total, confirmado no patético climax, onde não existe qualquer noção espacial e até temporal.

 

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Sim, meus caros, Refrigerantes e Canções de Amor é um produto falhado, sem amor nem carinho, despachado e dilacerado precocemente. Algo bom nisto tudo é Victoria Guerra, que mesmo deixada à sua mercê no interior de um fato de dinossauro rosa, consegue graciosamente contagiar-nos com o seu talento. Aliás é nela que encontramos o termo de requisitada interpretação, onde os gestos e a voz valem mais que muitas expressões faciais.

 

Real.: Luís Galvão Teles / Int.: Ivo Canelas, Lúcia Moniz, Victória Guerra, João Tempera, Sérgio Godinho, Jorge Palma, Margarida Moreira, Marina Albuquerque, Ruy de Carvalho, Gregório Duvivier

 

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3/10

publicado por Hugo Gomes às 14:55
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18.8.16
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Cães danados!

 

"I don't care if it's legal! It's wrong.", dizia Bridget Monayan em relação ao comércio de armas levado a cabo pelo protagonista de The Lord of War. Toda esta confrontação ideológica como um esquema de "smartest guy in a room" serviu de tour de force para Nicolas Cage, a marioneta escolhida por Andrew Niccols nesse sleeper de 2005.

 

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Onze anos depois, surge o revisitar, não como a assumida sequela ou spin-off do mercador de arsenal, mas ao "lugar-comum", um incomodo para todos aqueles que veneram um certo paternalismo hippie. War Dogs é um improvável em todo este cenário, dirigido pelo "orquestrador" do êxito de The Hangover e produzido por um dos maiores estúdios de Hollywood, eis um episódio de ascensão e queda sob tiques à la gangster que revela o armamento como uma questão de artimanha. Novamente o limiar da legalidade e do maniqueísmo exorcizado em um reconto de cinismo e de falsas-filosofias, tendo como protagonismo duas iguais estrelas de ascensão (Jonah Hill e Miles Teller a preencher os requisitos de duo dinâmico).

 

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Tal como acontecera com The Hangover, Todd Phillips é versátil em construir rápidas relações de camaradagem, mas continua fraudulento no que requer a trazer humanidade a todo este ácido cenário de conselhos pagos. É verdade que esta fraqueza não seja inteiramente culpa do nosso realizador, até que esta "chico-espertize" contém camadas próprias para a auto-comercialização do produto, vendendo-se como um comédia negra buddie até culminar numa crítica passageira e inofensiva "encavalitada" no mesmo esquema narrativo.

 

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É um Scorsese que tresanda, a narração quase indulgente de The Wolf of Wall Street até às trocas e baldrocas das etapas narrativas de um Casino (por exemplo), tudo em prol do conto, segundo eles. Nada de alarmante, visto que este "faz-de-conta" não é de todo um exercício escusado, mas falta-lhe sumo para chegar aos calcanhares do seu parente mais próximo - The Lord of War - assim como eficácia em deslocar-se para fora do modelo exposto, até porque novamente temos uma cumplicidade "espetada" num universo tão míope e egocêntrico.   

 

Real.: Todd Phillips / Int.: Jonah Hill, Miles Teller, Steve Lantz, Bradley Cooper, Ana de Armas

 

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publicado por Hugo Gomes às 01:45
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O universo de The Big Lebowski vai-se expandir!

 

Segundo o site Birth.Movie.Death encontra-se a ser preparado um spin-off do popular e aclamado filme dos irmãos Coen, centrando exclusivamente na personagem Jesus Quintana, que fora interpretado por John Turturro em 1998.

 

Tendo como título Going Places, esta ramificação de The Big Lebowski contará com Turturro como na direcção, assim como o regresso ao seu anterior papel. Bobby Cannavale, Audrey Tautou e Susan Sarandon estarão igualmente no elenco.

 

O enredo deste spin-off terá como base o clássico filme de Bertrand Blier, As Bailarinas (Les Valseuses, 1974), que fora protagonizado por Gérard Depardieu e Patrick Dewaere, e que recebeu o título inglês de Going Places. Aqui, Jesus (Turturro) entra numa competição com o seu colega do crime (Cannavale) para providenciar o primeiro orgasmo a uma mulher (Tatou).

 

Going Places encontra-se de momento a ser filmado em Nova Iorque, sem qualquer contacto com os irmãos Coen.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 00:16
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17.8.16

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Morreu Arthur Hiller, o realizador canadiano que esteve por detrás de algumas comédias de êxito dos anos 70 e 80 e de Love Story, descrito como antecessor dos populares romances sparkianos. Faleceu esta quarta-feira, dia 17 de Agosto, tinha 92 anos.

 

Nascido em Alberta, Canadá, em 1923, Hiller começou a sua carreira nos anos 50 como produtor e realizador de algumas séries televisivas como On Camera e Matinee Theatre. No cinema estreou-se em 1957 com The Careless Years, uma variação contemporânea de Romeu & Julieta com Dean Stockwell e Natalie Trundy, mas foi com as comédias que a sua carreira cinematográfica expandiu.

 

Mesmo sob uma filmografia quase detida no género da comédia, Hiller concretizou em 1970, o seu filme mais popular e relembrado, Love Story, cujo êxito levou, para muitos, à formação de um subgénero romântico próprio que seria seguido até aos dias de hoje por Nicholas Spark e outros "tearjerkers". Foi nomeado a sete Óscares, incluindo o de Melhor Filme.  

 

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Nos anos 80 prolongou-se a sua "colecção de comédias", algumas delas como Cegos, Surdos e Loucos (See no Evil, Hear no Evil) foram bem sucedidas, porém, na década seguinte as suas concretizações não obtiveram o mesmo fascínio nem pelo público, nem pela crítica.

 

Para além dos seus trabalhos na direcção e produção, Arthur Hiller foi presidente dos Directors Guild of America (Sindicato de Realizadores da América) entre 1989 a 1993, e presidente da Academy of Motion Picture Arts and Sciences entre 1993 a 1997. Em 2001 foi laureado com o Prémio Humanitário Jean Hersholt, devido ao seu trabalho com inúmeras organizações de caridade, instituições educativas e grupos de direitos civis.

 

Arthur Hiller (1923 - 2016)


publicado por Hugo Gomes às 21:28
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Perdão e Castigo!

 

As ruínas prevalecem como feridas abertas de uma cidade megalómana e orgulhosa que conheceu a derrota da pior maneira possível. A capital alemã, Berlim, presencia o seu ano zero, o seu recomeço, uma ressurreição quase bíblica e nada glorificante, cujo intervalo não decorreu em três dias mas sim em três anos. Porém, este regressar é doloroso, o qual uma outrora triunfante nação que vivia "o seu ignorante sonho" é forçado a resistir à perpetua humilhação, de joelhos perante os seus declarados "inimigos".

 

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Esta cidade fantasma, onde os seus habitantes comportam-se como peregrinos, vagueando em direcções incógnitas, eis que surge o novo encontro de Roberto Rossellini com a realidade filmada, o seu neo-realismo, um estilo resistente às fantasias cinematográficas e à ficção moralista de Hollywood. Um cinema despido de qualquer aura literária ou onírica e da inesperada arte da impressão. Em Germania anno zero, o seu veio artístico é puramente outro, o puro real digno de um documentário etnográfico, com o cenário que assombra cada plano e personifica-se na pele de um menino, um “inocente” numa consequência devastadora.

 

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Edmund Moeschke não deseja somente sobreviver, mas sim o de não desapontar a sua respectiva família de tornar, esforçando-se a transformar, este pesadelo no menos insuportável possível. O trabalho árduo que tenta submeter-se ilegalmente, o ilícito do seus actos para “matar a fome” dos seus e por fim a sua descabida noção de realidade que o faz cometer um hediondo e mortal gesto. Edmund é Berlim, e Berlim é Edmund, uma dualidade que une personagem e cenário, com Rossellini a operar umbilicalmente numa transfiguração gradual, com um percurso prescrito de uma cidade reduzida a ruínas e de uma criança ainda por transcrever.

 

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Germania anno zero é também uma afronta ao high moral ground levado a cabo pelo cinema aliado, é a confrontação de um teor cinzento com a camada “sonhadora” proveniente de Hollywood, é a limpeza dos maniqueísmos evidentes mesmo que a moralidade esteja presente no trágico desfecho desta obra. Mas Roberto Rossellini não converte a sua obra num retrato de tremenda luta de um povo pela sobrevivência, é sim, o confronto desse mesmo com o seu orgulho nacionalista. Tal como evidenciara-se na metáfora cinematográfica em Der letzte Mann (O Últimos dos Homens, 1924), de F.W. Murnau, a Alemanha segue a sua dignidade como uma farda limpa e engomada, a última "telha" a cair de um tecto descoberto. Todo este retrato que deixa o espectador vaguear livremente, mais livre que as suas próprias personagens na sua cidade natal, não serve de catarse para um passado a ser recordado vezes sem conta, ao invés disso é um espelho que reflecte a imagem distorcida do nosso "eu" julgador.

 

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A Alemanha perdeu a Guerra, os seus "filhos" pedantes numa moribunda distinção o qual chamam de futuro e a tomada de posse, imperativa numa cidade feita refém, condenada aos "cegos" pecados que afligiram. Assim, voltando a reafirmar, Edmund é Berlim, o mais preocupado com o seu bem estar face à negligencia cometida por outros, e o destino que colide com o silencioso pedido de ajuda duma outrora imponente cidade confinada ao seu … ano zero!

 

Real.: Roberto Rossellini / Int.: Edmund Moeschke, Ernst Pittschau, Ingetraud Hinze

 

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10/10

publicado por Hugo Gomes às 19:16
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13.8.16

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2001: A Space Odyssey (Stanley Kubrick, 1969)

 

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 Star Trek: The Motion Picture (Robert Wise, 1979)

 

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Solaris (Steven Soderbergh, 2002)

 

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 Gravity (Alfonso Cuarón, 2014)

 

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Interstellar (Christopher Nolan, 2015) 

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:50
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O Leopardo de Ouro pode ter seguido para uma co-produção búlgara, francesa e dinamarquesa, Godless, mas o grande destaque desta 69ª edição do Festival de Locarno é a atribuição do Leopardo de Prata (Melhor Realizador) a João Pedro Rodrigues, pela sua obra O Ornitólogo.  

 

A nova obra do realizador de Odete e A Última Vez que Vi Macau, tem como base o mito do Santo António, onde seguimos Fernando, um homem fascinado por aves, que certo dia decide descer o rio com o seu caiaque na esperança de avistar raras cegonhas negras. Mas durante este percurso, é derrubado pelas correntes e desviado do seu próprio destino. Paul Hamy protagoniza a história que impressionou a imprensa internacional, segundo as palavras do site norte-americano Indiewire: "will blow your mind!"

 

Porém, este não foi o único prémio atribuído a Portugal. O argentino-brasileiro O Auge do Humano, de Eduardo Williams, vencedor da categoria de Cineasta do Presente, contém produção portuguesa.

 

A Palma de Ouro de Cannes, I, Daniel Blake, de Ken Loach, foi o elegido pelo público.

 

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COMPETIÇÃO INTERNACIONAL


Leopardo de Ouro 

Godless (Ralitza Petrova)


Prémio Especial do Júri

Inimi Cicatrizate (Radu Jude)


Melhor Realização

João Pedro Rodrigues (O Ornitólogo)


Melhor Atriz

Irena Ivanova (Godless)


Melhor Actor

Andrzej Seweryn (Ostatnia Rodnizina)


Menção Especial 

Mister Unvierso (Tizza Covi, Rainer Frimmel)

 


CINEASTI DEL PRESENTE


Leopardo de Ouro 

O Auge do Humano (Eduardo Williams)


Prémio Especial do Júri

The Challenge (Yuri Ancarani)


Melhor Realizador Emergente

Mariko Tetsuya (Destruction Babies)


Menção Especial

Viejo Calavera (Kiro Russo)


Melhor Primeiro Filme 

El Futuro Perfecto (Nele Wohlatz)

 

 

PARDI DI DOMANI (CURTAS-METRAGENS)


Pardino d'Oro internacional

L"Immense Retour (Manon Coubia)


Pardino d'Oro nacional

Die Brücke Über Den Fluss (Jadwiga Kowalska)


Pardino d'Argento internacional

Cilaos (Camilo Restrepo)

 


Prémio do Público

I, Daniel Blake (Ken Loach)

 

 

Ver também

Portugueses "ao rubro" no 69º Festival de Locarno!

Primeiro vislumbre do novo filme de João Pedro Rodrigues!

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 14:31
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11.8.16

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Os "Amigos" Improváveis!

 

A sensação que temos com este Me Before You, é que a argumentista e escritora do romance original, Jojo Moyes, teve uma experiência e tanta ao ver o mega-êxito francês, Intouchables (Amigos Improváveis), ao ponto de converter a tal história bromance num romance literário. O resultado foi também um sucesso, e obviamente, os estúdios oportunistas aproveitaram a "deixa" para conceder a sua adaptação cinematográfica.

 

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Assim temos mais uma variação "wannabe" Nicholas Spark que centra na história de uma jovem inglesa simplória (e inocente) que arranja trabalho como assistente domiciliaria de um tetraplégico, milionário e …claro, jovem charmoso. Esta relação profissional, inicialmente "azeda" vai-se transformando num tremendo caso de amor. Todavia a nossa protagonista descobre os desejos de morte do seu "paciente", e como tal torna-se determinada a alterar as suas ideias a fim de preservar um promissor amor.

 

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Se existe qualquer coisa de ambicioso em tudo isto, é o debate sugerido e por vezes culminado sobre a eutanásia, mas dar crédito ao filme de Thea Sharrock pelo dito é uma pura hipocrisia. Este é um romance prazenteiro que aborda temas sob uma fantasia pueril e inconsequente, partilhada com uma visão monocromática por parte da sua personagem principal, aqui desempenhada por uma irritante Emilia Clarke. Porém, toda esta condição humana é enfatizada por Sam Claflin que se comporta como um mártir tragicamente amoroso versão galã.

 

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Em Me Before You, a importância da estética deste "mundo faz-de-conta" serve como dieta para um filme tecnicamente "bem-disposto", mas demasiado corriqueiro nas sua tendências de encantar corações despedaçados e romanticamente incuráveis. Aliás, é a milésima vez que nos inserimos num universo míope e homogeneizado, onde as personagens secundárias são meros "produtos de cartão".

 

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Quanto a eutanásias, mortes assistidas e vidas com dignidade, ao leitor fica inúmeras outras sugestões que vai desde o Mar Adentro, com Javier Bardem numa das suas melhores prestações, o cuidado Million Dollar Baby de Eastwood, o abismal Amour, de Michael Haneke, assim como o original Intouchables. Quatro exemplos bem mais entusiasmantes e cinematograficamente ricos do que assistir Emilia Clarke a fugir da sua "obrigação" de "caçar dragões".    

 

"Live boldly. Push yourself. Don't settle."

 

Real.: Thea Sharrock / Int.: Emilia Clarke, Sam Claflin, Charles Dance, Janet McTeer, Matthew Lewis

 

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4/10
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publicado por Hugo Gomes às 02:08
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8.8.16

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Here we go again!

 

A Disney faz das suas, aquilo que tem feito ultimamente, e continua com a sua jornada de auto-reciclagem. Desta vez pegaram no seu próprio clássico, Pete's Dragon (1977), um pouco esquecido actualmente devido à sua obsoleta tecnologia (que hoje lhe atribui um certo “charme”), para o transformar na produção estival direccionada a toda a família.

 

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É uma obra politicamente correcta sobre a amizade entre um menino e um dragão “peludo”. O enredo tenta conduzir-nos por um falso-folclore onde apresenta os EUA como uma terra povoada por essas criaturas lendárias, e quem conta tal facto é nada mais, nada menos, que Robert Redford, só para dar uma certa credibilidade. O actor / realizador narra o seu encontro com a “besta” com mais emoção que todo o filme, e quem o sabe é Bryce Dallas Howard, que após “caçar dinossauros” decide procurar o seu próprio dragão.

 

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O grande problema de Pete's Dragon (A Lenda do Dragão) é a sua costura, tão formatada nos tremendos lugares-comuns e na narrativa formulaica que somente ganha admiração com a sua criação tecnológica. Enquanto que no original de 1977, o dito dragão era um molde de animação tradicional (seguido a tradição de Mary Poppins e Bedknobs and Broomsticks, sendo que a arte foi aperfeiçoada anos depois com Who Frammed Roger Rabbit), nesta versão moderna, o animal é fruto de CGI. Até aqui, nada contra, visto que a animação em si é irrepreensível, mas com isso perde-se a … singularidade.

 

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Depois temos as sequências involuntariamente cómicas, desde a “vingança do Bambi” à reconstituição infantil de Tarzan e Jane. Para filme de família, ressentido no seu moralismo quase ecológico, A Lenda do Dragão resulta como um trabalho amorfo, nada de ofensivo e nem sequer de ousado. É com produtos como este, sem vontade de transgredir ou levar-nos a outro tipo de linguagem cinematográfica que tornam Hollywood num lugar aborrecido para viver.

 

Real.: David Lowery / Int.: Bryce Dallas Howard, Robert Redford, Oakes Fegley, Karl Urban, Wes Bentley

 

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4/10
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publicado por Hugo Gomes às 21:20
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7.8.16

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Atenção: o artigo que segue não deve ser visto como uma defesa ou ataque ao filme Suicide Squad.

 

Mais uma vez, a imprensa norte-americana não ficou impressionada com outro arranque da DC Comics no seu expansivo universo cinematográfico. Um pouco por todo lado fala-se e reflecte-se sobre uma eventual "campanha negra" que parece condenar Suicide Squad e os seus congéneres.

 

Nessas provas confirmamos desde os incontáveis artigos que prevêem um fim de um franchise (dias antes da estreia do filme em salas) até às críticas de teor difamatório que dão a entender que o filme de David Ayer é um dos piores (se não o pior) do seu género. Por outro lado, a histeria em massa deu resultado a uma petição para acabar com a Rotten Tomatoes, o site agregador de críticas, tendo em conta a negatividade que o Esquadrão e o anterior Batman V Superman obtiveram no meio crítico. Dentro dessa mesma "paranóia", assim por dizer, deparamos com uma teoria da conspiração de que a Marvel Studios em coligação com a Disney tem pago e manipulado a própria crítica de forma a causar um apelativo hype pós-estreia.

 

Antes de avançarmos com teorias, histerias e julgamentos quanto ao filme, devo salientar um verdadeiro problema em todo este cenário, chama-se críticos, ou neste caso a falta deles.

 

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Primeiro, o que é um crítico de cinema? Um crítico é uma pessoa especializada para analisar, idealizar, debater e teorizar sobre cinema. Uma definição justa que o leitor deve aperceber, mas o que significa realmente tudo isso? A arte da crítica, antes de mais, não serve simplesmente para dizer se o filme em causa é bom, ou não é bom, o crítico deve se estabelecer como um guia, não no sentido de aconselhar o espectador o filme que deve ou não ver, mas o de apresentar as ferramentas necessárias para um eventual debate com o filme. Trata-se da ligação do espectador com o filme, o lançamento de questões, provocações e o incentivo da cinefilia envolta. Não é apenas um jogo de estrelas, sabendo que as estrelas, por sua vez, são atractivos, adereços quase inseparáveis do senso comum da crítica.

 

Aliás, o crítico não deve somente focar no cinema, mas também explorar as outras vertentes que o filme possa indiciar, entre os quais ciências politicas, sociais, psicológicas e emocionais. Existe também uma exploração das outras artes: literatura; pintura; artes plásticas; televisão e até música, sendo possível criar ou recriar ligações entre as mesmas, paralelismos ou simplesmente implementar uma visão "avant-garde" desses meios artísticos.

 

O crítico não deve ter medo de ousar, de exprimir uma ideia tendo em conta que o mundo aponta para outra. Deve-se sobretudo ser imparcial, directo, intelectual e sempre disposto para entender perspectivas para trabalhar a sua própria ideologia. Reavaliar trabalhos e sempre conduzir um olhar por entre os tempos, assim como possuir um paladar diversificado do gosto cinematográfico.

 

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Isto é a definição clara e simplista de um crítico profissional, alguém que respira cinema e que faz desse ar uma linguagem audível e perceptível.

 

Agora o que um crítico nunca pode fazer é acorrentar-se a um sistema de avaliação consoante o seu mero júbilo, o seu prazer sem razão crítica. Infelizmente, é isso que temos evidenciado nessa "mão cheia de profissionais", muitos daqueles que criticaram Suicide Squad usaram o argumento de "not fun" sem qualquer fundamento para ir mais além… Como se isso resumisse a uma crítica e como se o entretenimento fosse a razão crucial para existir o cinema.

 

Os EUA tem essa tendência, uma escola que fora valorizada com a fama crescente de Roger Ebert, um crítico que se seguia sobretudo pelos seus padrões morais e pelo polegar, e cujo seu modo de operação conquistou verdadeiramente as massas. Há sim, com isto, um medo de serem complexos, o de pensarem sobre as imagens, um receio sobretudo de analisar, e nessa fobia, a de afastar da perceção e emotividade com o público.

 

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Como funciona este formato de crítica norte-americana? Uma preocupação extrema com os gostos do próprio público. Ebert, por exemplo, tinha sempre notas de quais os filmes que as crianças ou mais novos DEVEM ou não ver. Ou seja, um filme apto para um grande número de audiências era por si, à partida, um grande filme para inúmeros críticos norte-americanos que enchiam manchetes de colunas de jornais com expressões como "a fun ride" ou "two thumbs up".

 

Raramente saem da camada, dificilmente aprofundam a questão e, claro, evitam os case studies. É apenas a opinião do momento, que não terá grandes efeitos para o posteriori, que não edificam os filmes, nem os descrevem sobre filosofia cinematográfica. Existe uma maior preocupação em criar chamariz do que propriamente trabalhar em teses, o de enfrentar principalmente a "chuva de opiniões" que a internet suscitou. 

 

Claro que poderei estar a generalizar! Dentro desse seio "surpreendentemente" valorizado, há exemplos que se destacam, mas quando se referem a blockbusters e neste caso, super-heróis, existe um evidente clubismo e oportunismo de marketing, visto que em terra de Hollywood, são as majors que comandam. Depois existe a noção de que a crítica move mercados, e gera sucessos de bilheteira (uma ideia errada que tem condicionado a própria opinião crítica).

 

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Quanto à conspiração, a Marvel tem sido "vergonhosamente" beneficiada pela crítica, mas não por "pagamentos ilícitos" nem nada disso e sim pela incompetência, pela falta do olhar crítico e sobretudo pela natureza destes "profissionais" o qual são enviados aos visionamentos de imprensa. A verdade, é que os critérios utilizados nos filmes da DC não tem sido os mesmos para os da sua concorrente, a prova disso é o de ignorar o formulaico sistema de industrialização (fórmulas podem fazer um filme, mas nunca Cinema), o argumento fraco e ilógico de Civil War (por exemplo), assim como as suas perversas ideologias politicas. Infelizmente, isso foi deixado de parte por essa suposta "comunidade pensante".

 

No fundo, muitos deles [críticos] não passam de wannabes que estão num cargo equivocadamente, limitados a uma visão cada vez mais refém da própria industrialização e da massificação da internet. 

 

Agora, a importância dada pelo mesmo público a este tipo de críticas tem sido, também ele, um absoluto exagero. A crítica não deve ser vista como um voz imperativa, mas sim como um incentivo a um debate. Se um crítico mencionar Suicide Squad como o pior filme de sempre, há que aprofundar os seus argumentos, entendê-los e seguir a sua perspectiva para perceber a nossa. Por vezes ao entramos na "pele" de um outro advogado podemos aperfeiçoar o nosso ponto-de-vista. Se um crítico aclama que Suicide Squad é o melhor filme do Mundo, os mesmos processos acima referidos devem ser feitos. 

 

O Cinema é moldável, e como tal a nossa perspectiva, o nosso argumento, e a nossa visão cinematográfica. Aliás até mesmo os Cahiers du Cinéma tiveram que se desculpar por não terem apercebido a tempo do génio de John Ford. Por outras palavras, nem os críticos são perfeitos.  

 

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publicado por Hugo Gomes às 19:12
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3.8.16

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Serão estes os heróis da DC?

 

É a moda do vilão, o fascínio pelo bandido, a má índole e do carismático anti-herói, e no ano 2016, os filmes de super-heróis têm beneficiado disso, a começar com Deadpool que introduziu uma certa "vibe" a um género cada vez mais industrializado e homogéneo ("shame on you Marvel") e do, aos poucos reavaliado, Batman V Superman, que converteu dois dos mais conhecidos super-heróis da BD em potenciais ameaças globais e pessoais. Já que referimos a DC, vale a pena avançar para este Suicide Squad (Esquadrão Suicida), baseado numa popular série de banda desenhada onde um grupo de reconhecidos vilões terão que aceitar missões suicidas de forma a redimir-se dos seus "pecados".

 

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No filme adaptado por David Ayer (End of Watch) os vilões estão mais próximos dos "tipos incompreendidos" que propriamente da criminalidade que acompanha estas personagens, e é nesse conceito de "bad guy" que Suicide Squad falha. Ao invés disso leva-nos a um estilo já indiciado por Guardians of Galaxy (sim o da rival Marvel), onde um "bando de misfits" unem-se em prol de um mal comum. Visto que falamos no filme de James Gunn, é de comparar o seu estilo narrativo e nos acordes de acompanhamento, por outras palavras, na musicalidade e a sua importância para o dramatismo das personagens. Mas onde Suicide Squad vence à trupe intergaláctica é na sua estética, pois em vez de perfeitamente integrar o CGI como um criador de mundos e criaturas inimagináveis, funciona de forma a condensar um estilo. David Ayer não quer perder a linha de raciocínio de Zack Snyder e dos seus outros dois capítulos, por isso é de evidenciar os "slows", a coreografia hiperactiva nas sequências de acção e ainda um veia de Guy Ritchie, naquele formato videoclipe que quase obriga-nos a exclamar "cool!".

 

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Talvez o tom pretendido neste filme seja outro, aquele teor descontraído ou quase screwball de um Deadpool, visto que após o êxito da fita todos anseiam por "cópias". Pois, tirando poucos ou raros momentos, Suicide Squad leva-se inteiramente a sério e é essa dramatização que muitos acusam de ser o "calcanhar de Aquiles". Neste extenso universo cinematográfico da DC Comics / Warner Bros. está um romance puramente caótico entre duas das mais interessantes personagens deste universo: Harley Quinn e Joker, uma química improvável entre Margot Robbie e Jared Leto. A dupla compõe algumas das melhores sequências de Suicide Squad, apoiando-se na já referida estética e na sua musicalidade. Obviamente são os seus desempenhos que orientam para esse factor; Robbie é um "must" e Leto é um esboço da genialidade de um demente e diferente Joker, contornando totalmente as anteriores incursões de Heath Ledger e de Jack Nicholson.

 

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David Ayer consegue em todos os caso concretizar um competente filme no sentido em que mina uma narrativa exaustiva por introduções prolongadas e por humanizações sob pouco tempo de antena. Consegue transformar uma "mess" em algo visitável (se Batman V Superman é heavy metal este é punk rock) e recheá-lo por personagens que queremos realmente conhecer. O problema é que tudo isto não passou de um supra-estilizado desfile cosplay, mas uma parada que se vê com agrado. Sim, longe da tentativa de suicídio que as críticas norte-americanos e o seu sistema de "fun" ou "not fun" tentam descrever. Aliás, foram os mesmos que deixaram Civil War impune das suas patéticas ideologias politicas, por isso não vale ir por aí.

 

"We're bad guys, it's what we do."

 

Real.: David Ayer / Int.: Margot Robbie, Will Smith, Jared Leto, Viola Davis, Jay Hernandez, Adewale Akinnuoye-Agbaje, Ezra Miller, Ben Affleck, Joel Kinnaman, Cara Delevingne, Common, Jai Courtney

 

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publicado por Hugo Gomes às 23:40
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