31.5.16

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Foi divulgado um novo trailer de Deepwater Horizon, a nova colaboração do realizador Peter Berg com o actor Mark Wahlberg (Lone Survivor).

 

Baseado em factos verídicos, Deepwater Horizon era uma sonda petrolífera de quinta geração que afundou em Abril de 2010 em consequência de uma explosão. Foi responsável por um dos maiores derrames de óleo da História dos EUA.

 

John Malkovich, Kate Hudson, Gina Rodriguez, Dylan O'Brien, Kut Russell e Ethan Suplee (The Wolf of Wall Street) completam o elenco.

 

Estreia agendada para 29 de Setembro em Portugal.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 16:54
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30.5.16

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"Rico, qual é a principal diferença moral entre um cidadão e um civil / Um cidadão assume total responsabilidade quanto à defesa politica, o civil não."

 

É fácil sentirmo-nos repugnados com Starship Troopers, o filme de Paul Verhoeven que não ostentou fascínio durante a sua data de estreia, até porque o realizador holandês a operar em Hollywood era visto nada mais como um voyeurista maldito, a juntar a isto o flop colossal de Showgirls. Mas não são o único factor que fecundou um injustiçado massacre a esta pseudo-ficção cientifica, não senhor, as acusações de fascismo era coisa que não faltava entre os insultos. Mas com o passar de quase 20 anos, olhamos para Starship Troopers não como um filme que lisonjeia o fascismo, mas sim como uma obra sobre o fascismo, e a sua aceitação, deveras normal, que causa no espectador uma tremenda sensação de incomodo. Porquê que estes soldados atacam insectos alienígenas? Qual o objectivo? O que é que fazemos no seu habitat natural?

 

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Verhoeven criou uma falsa propaganda, prolongada por um cínico magnetismo pela militarização. São as forças armadas, ditadas por autênticas lavagens cerebrais sociais, e fortalecidas por uma intolerância antropocêntrica. Com duas décadas em cima, este seja talvez um dos filmes mais actuais do realizador que nos dias de hoje tem sido alvo de uma reavaliação. Afinal, Verhoeven não é assim tão maldito como pintavam e a prova esteve no último Festival de Cannes com a sua nova obra integrada na Competição Oficial. Elle [ler crítica], título desta nova produção, apresentou um cenário bem diferente do habitual na carreira do realizador, foi unanimemente elogiado.

 

Durante a conferência de imprensa, Verhoeven foi confrontado com a questão de um eventual regresso a Hollywood, território que deixou em 2000 com o ainda malfadado The Hollow Man (O Homem Transparente). A resposta foi dada da seguinte maneira: com desejo de retornar ao país dos seus êxitos (quem não se lembra de Basic Instinct, Robocop e Total Recall), o realizador apenas expressou que de momento não recebera nenhuma proposta decente (indecente), enumerando o facto dos filmes de super-heróis dominarem o mercado hollywoodesco.

 

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A ponte aqui estabelecida entre dois filmes completamente distintos, é o fascismo representado em Starship Troopers, exposto para eventuais alvos críticos e o fascismo não assumido que um produto como Captain America: Civil War [ler crítica] ostenta, mas que passa despercebido pela crítica, porque simplesmente muitos dos órgãos preferem lançar conhecedores de BD e não de Cinema em geral. Para além disso, muito dos críticos norte-americanos fogem da militância politica assim como o Diabo foge da cruz.

 

Mas afinal o que há de errado com Civil War da Marvel? Primeiro, quando tentamos avaliar um filme destes deparamos sempre com uma legião de "marias-ofendidas" que nos apresentam a ideia que para avaliar é preciso ler uma BD, partindo do principio que no caso do material adaptado, a matéria-prima é sempre boa. Errado. Mas a questão não está em bater num filme de super-heróis como um hater qualquer, mas especificar o porquê de Civil War ser um dos piores filmes do subgénero dos últimos anos, e falamos obviamente no sentido ideológico, social e político, esses inúmeros factores que uma Empire Magazine gosta tanto de esquivar.

 

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Ao contrário da série de BDs originais, esta adaptação não refere a nenhuma Lei de Registos de Super-Humanos com tamanha supervisão do Governo dos EUA, não, somos apresentados a uma ameaça real, a ameaça de uma elite de "soldados", chamaremos assim, que podem combater em qualquer lugar do Mundo sem o mínimo de responsabilidade, quer governamental, quer humanitária. Um dos exemplos do filme dos irmãos Russo encontra-se nas primeiras sequências, onde uma missão em Lagos dá para o "torto", resultando numa centena de vitimas civis, fruto de uma negligência de um dos seus "protectores". Danos colaterais como alguns apelidarão.

 

Se os Russos fossem frontais como Verhoeven (e se a Disney deixasse), poderiam utilizar esse tópico como um balançado dilema ao longo da narrativa, porém, não é isso que acontece. Capitão América, o grande herói da malta, é incutido como uma voz dominante da razão, proclamando diálogos de liberdade sob a bandeira estaduniense estampada no seu peito. Afinal o Capitão não gosta de receber ordens, nem sequer ser coordenado pela ONU, o seu ideal é combater onde bem apetecer e sob os seus reflexos políticos, até porque o maniqueísmo existe aqui com fartura.

 

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Apesar de ser um filme esteticamente limpo (pudera, a Disney está interessada em vender brinquedos aos mais novos), tal serve como uma bandeja esterilizada para tais ideais. Traduzindo por miúdos, de como a ONU é má para o totalitarismo destes vigilantes e como os super-heróis podem matar pessoas sem qualquer tipo de responsabilidade nem monitorização. É algo perigoso, porque aqui não existe nenhum senso crítico ou alvo incomodo como o que Verhoeven fez com o seu Starship Troopers. Em tempos de Donald Trump e depois das lições aprendidas com a "invasão" das tropas norte-americanas no Iraque sob o argumento, ainda não provado, de armas de destruição maciça, coisas como este Civil War conseguem tornar-se filmes perigosos. Estarei a ser demasiado alarmante ou realmente existem filmes fascistas disfarçados como produtos para inúmeras idades.

 

Agora já sabemos o porquê de Verhoeven recusar fazer um filme de super-herói actual, visto que está impedido de desconstrui-los ideologicamente.

 

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publicado por Hugo Gomes às 19:00
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29.5.16

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Jeff Bridges, o eterno The Big Lebowsky, vai participar na sequela de Kingsman: The Secret Service, o filme de espiões britânicos que se tornou num dos mais inesperados êxitos de 2015, tendo rendido mais de 414 milhões de dólares em todo o Mundo. O anúncio desta nova aquisição foi feito pelo próprio actor por vias da sua conta de Twitter.

 

Nesta continuação, Kingsman: The Golden Circle, contaremos novamente com as presenças de Taron Egerton, Colin Firth e Mark Strong. Julianne Moore será a grande vilã, e Hale Berry, Elton John e Channing Tatum serão outras novas caras nesta sequela. Matthew Vaughn estará de volta à realização.

 

Kingsman: The Golden Circle tem estreia prevista para Junho de 2017.

 

 

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Channing Tatum em sequela de Kingsman!!

Matthew Vaughn adaptará I am Pilgrim para o cinema!

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 19:15
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28.5.16

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Foi divulgado o primeiro trailer de Morgan, o filme que será dirigido por Luke Scott, o filho do veterano realizador Ridley Scott (The Martian).

 

Apesar desta ser a sua primeira longa-metragem, Scott já teve contacto com o Cinema através da direcção de alguns episódios da série The Hunger (baseado num homónimo filme de Tony Scott, o seu tio), da curta-metragem Loom e ainda fora assistente de realização em Exodus: Gods and Kings e director artístico do flop 1492 - Cristovão Colombo.

 

Em Morgan seguimos uma profissional na resolução de problemas empresariais (Kate Mara) que desloca-se para um laboratório, situado numa localidade secreta, para avaliar um "ser" de Inteligência Artificial (sim, isto cheira a Ex Machina).

 

Toby Jones, Paul Giamatti, Jennifer Jason-Leigh, Rose Leslie e Chris Sullivan completam o elenco. Estreia agendada para Setembro deste ano.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:40
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O correcto acto da vingança!

 

Asghar Farhadi é um moralista, mas é o nosso tipo de moralista. Ao contrário do conto moral propagandista que muita da Hollywood faz e refaz, o cinema de Farhadi é de uma delicadeza articulada a espaços limitados, a mistérios "antonianos" não resolvidos e a dramas humanos impulsionados através de um olhar crítico e abrangente, e essa dita moralidade ocorre, não como uma lição a ser aprendida, mas sim num reflexo de múltiplas contemplações.

 

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Contudo, em O Vendedor, premiado com a distinção de Melhor Argumento no Festival de Cannes, possuímos um episódio competente na linha dos seus anteriores manifestos, mas perde-se numa loop de repetição autoral. Para o espectador ainda não inserido no universo deste badalado e consagrado cineasta iraniano (A Separation, Le Passé), este paralelismo entre a ficção e as encenações teatrais de Morte de Um Caixeiro Viajante, de Arthur Miller, revela-se numa fascinante experiência de juízo de valores, até estabelecer num climax narrativo que desagua facilmente em território de elipse.

 

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É um tipo de cinema que nos faz debater sobre a nossa própria moralidade, é aquele "mundo" longe ao nosso alcance, aqueles seres de uma civilização distante que não se afastam, rigorosamente nada, dos nossos quotidianos. Aliás, essa persistente comparação entre o drama de vingança e o teatro que vem adquirido contornos algo caóticos, remetem-nos a um elo cultural que interliga essa constante separação anunciada entre Ocidente / Oriente.

 

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É um exercício meticuloso, devidamente empregue à mercê dos seus actores que tudo fazem para adereçar a ênfase dramática nos conformes deste conceito de realismo. O Vendedor aproxima-se em passos personalizados ao território de Alain Resnais, a esse erudito estado de alma, sem como tal abandonar as suas heranças, quer culturais, cinematográficas e pessoais. No fim, a moralidade nos joga como uma força que nos embate consequencialmente, mas sem nunca constituir uma só verdade. A moral nasce, cresce, vive e morre em cada um de nós, o cinema Farhadi apenas providencia essas ferramentas.

 

Filme visualizado no 69º Festival de Cannes

 

Real.: Asghar Farhadi / Int.: Shahab Hosseini, Taraneh Alidoosti, Babak Karimi

 

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7/10

publicado por Hugo Gomes às 13:59
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27.5.16

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O actor Colin Firth poderá participar no filme sobre a tragédia do Kursk, o submarino nuclear russo que naufragou em 12 de Agosto de 2000, que se encontra a ser preparado pela Europacorp (produtora gerida do Luc Besson). A obra será dirigida por Thomas Vinterberg (Jagten: A Caça). O filme terá rodagem em inglês.

 

O desastre vitimou mais de 118 homens, sendo que 95 tiveram morte imediata, enquanto os outros 23 resistiram às explosões (segundo os relatos foram duas, mas existe hipóteses de uma terceira) e refugiaram num dos compartimentos, resistindo por mais de oito horas. Actualmente não sabe-se ao certo quais as causas que levaram a este episódio fatídico da Marinha Russa, mas existem teorias de que o incidente ocorreu durante o lançamento de torpedos, este teria explodido na proa, atingindo ainda outros compartimentos da belonave.

 

O argumento é da autoria de Robert Rodat (Saving Private Ryan), e tem como base um livro de  Robert Moore sobre a tragédia: A Time to Die. 

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 16:54
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25.5.16

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Penelope Cruz e Javier Bardem vão protagonizar o primeiro filme de língua espanhola de Asghar Farhadi, o realizador iraniano que consagrou dois prémios no último Festival de Cannes com o seu The Salesman. A obra será produzida pela El Deseo, a produtora gerida por Pedro Almodôvar e o seu irmão Agústin, e pela Memento Films.

 

De momento Asghar Farhadi terminou o guião e arrancará as rodagens já no próximo mês, em Espanha. A história seguirá uma família de viticultores num meio rural.

 

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publicado por Hugo Gomes às 19:53
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Uma loucura colorida!

 

Se a primeira versão "artificial" de Alice in Wonderland não fascinou de todo, apesar do sucesso comercial, este segundo filme, que requisitou somente o título de outro livro de Lewis Carroll, é uma autêntica "trapalhada" estrutural. Agora sem Tim Burton e com James Bobin, o mesmo realizador das duas longas-metragens dos The Muppets: Os Marretas, Alice Through the Looking Glass arranca com uma Alice (Mia Wasikowska) emancipadora, mulher brava e maruja que faz corar qualquer "gentleman" do Império Britânico.

 

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Depois de um gosto a "Marco Polo" (só um gostinho), a nossa protagonista encontra-se novamente forçada "a qualquer coisa", o resultado é uma ida ao Outro Lado do Espelho e um regresso ao tão batido País das Maravilhas para salvar um velho amigo. Com viagens no tempo à mistura e os mesmos vilões de sempre, este é uma filme de teor fantástico que nunca usufrui dessa mesma camada. Demasiado dependente dos efeitos especiais que servem de farinha para uma fraca composição de ingredientes, como um inexistente senso de aventura, personagens de uma descartabilidade vergonhosa e um argumento, apesar das suas luzes, tão previsível como uma grelha televisiva domingueira. Neste boom de cores e pirotecnia, apenas Sacha Baron Cohen é levado a sério numa personagem caricata.

 

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O resto é pura e simplesmente "mais do mesmo", sem a graça, sem a ousadia do conto original (há quem ainda confunda o livro de Alice no País das Maravilhas como uma proposta infantil, esquecendo das suas raízes alusivas), nem sequer a frescura de outrora. Eis uma sequela desnecessária, que ficará marcada num futuro próximo como a última contribuição do actor Alan Rickman.      

  

"You've been gone too long, Alice. There are matters which might benefit from your attention. Friends cannot be neglected. Hurry."

 

Real.: James Bobin / Int.: Mia Wasikowska, Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Anne Hathaway, Sacha Baron Cohen, Rhys Ifans, Ed Speleers, Timothy Spall, Alan Rickman, Andrew Scott, Stephen Fry, Michael Sheen

 

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4/10
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publicado por Hugo Gomes às 19:30
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23.5.16

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Foi divulgado o primeiro teaser trailer de Beauty and the Beast (A Bela e o Monstro), a próxima adaptação live-action da Disney.

 

Tal como aconteceu com Cinderella e The Jungle Book, esta nova versão será mais fiel à respectiva animação do que propriamente ao original conto. Emma Watson será a protagonista ao lado de Dan Stevens , Luke Evans, Ian McKellen, Ewan McGregor, Emma Thompson, Kevin Kline e Stanley Tucci completam o elenco.

 

A Bela e o Monstro” será dirigido por Bill Condon (Kinsey, The Twilight Saga: Breaking Dawn) e tem estreia prevista para Março de 2017.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 20:13
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A barafunda teve uma mutação!

 

A pedido de muitas famílias, Quicksilver possui mais tempo de antena, mas fora isso, a situação é bem negra neste final de uma segunda trilogia. Contudo, a culpa não é do filme propriamente dito, segundo a versão mais nova de Jean Grey (Sophie Turner) após a sua saída na projecção de Return of the Jedi, o terceiro é sempre o pior.  Se o regresso de Bryan Singer ao franchise que restaurou o cinema de super-heróis em 2000 não faz jus ao mito de D. Sebastião, é ele, também, o sinónimo de saturação num universo mais que preenchido. A confusão é total, não só na narrativa deste ambicioso capítulo, como também na cronologia temporal de uma saga que conta actualmente com dez filmes, uns não canónicos (por vergonha do estúdio), outros sem lugar para colocar nesta nova tabela periódica (cof* cof* Deadpool).

 

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Mas passemos a Apocalypse, o filme que prometeu trazer à luz um dos mais temidos vilões da galeria Marvel, aqui incorporado por um caricatural Oscar Isaac, um deus mutante que reúne uma legião de congéneres para a simples destruição mundial. São os “four horsemen”, os ironicamente apelidados cavaleiros do apocalipse, com Magnetto novamente do lado dos “maus”, desiludido com a Humanidade (novamente!), e as novas reentradas de Angel (Ben Hardy) e Storm (Alexandra Shipp), numa versão mais nova e carismática que a encarnação de Halle Berry (o que não era difícil). A nova aquisição neste “mutant band” é Psylocke, uma prometedora Olivia Munn que apenas gerou um vistoso boneco cosplay.

 

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E é assim que temos a nova equipa do terror, aquela que nos levará a mais um conflito de destruição em massa, com uma cidade em ruínas como cenário e as mesmas sequências catastróficas de sempre (não poderia faltar pontes a desintegrar). Do outro lado da moeda, dos super-heróis propriamente ditos, os X-Men, deparamos novamente com a liderança de Prof. Xavier de James McAvoy, cada vez mais próximo de Patrick Stewart, e um leque de jovens dotados que servem de esboço para personagens que os fãs tão bem reconhecem da anterior trilogia, e claro … Mystique, de Jennifer Lawrence, a receber os exagerados holofotes (Rebeca Romijn não teve direito a tanto destaque).

 

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X-Men: Apocalypse é de certa forma um afastamento dos parâmetros da mera colagem de BD que as últimas adaptações do género tem contraído, apostando assim na sua vertente de blockbuster, entretenimento de massas com vista grossa para os efeitos visuais e todo o um longo registo de artifícios e pirotecnia para manter o freguês espairecido. Com certeza que os easters eggs estão lá, assim como os ganchos que nos puxam ao encontro de “velhos” capítulos, operando em sequência de um automático e oleado produto paliativo.

 

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Mas a verdadeira desilusão é mesmo Bryan Singer, um realizador que tão bem encenou este material anteriormente, até Days of Future Past (o seu retorno à estância) mereceu mais atenção no ramo dramático e humanista destes “bonecos”, algo que todo este episódio carece. Quanto às tentativas de trazer tal vertente em Apocalypse são de puro fracasso, veja-se o enésimo confronto moral de Magnetto (Michael Fassbender em modo automático) e o destino trágico pelo qual foi submetido (again!). Ou seja, a continuação de uma brincadeira de "crianças", inconsequente e sob elementos bacocos numa seriedade no seu máximo "esplendor".

 

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Depois das ocasionais brisas refrescantes de Deadpool, o franchise da Fox voltou ao seu estado mais corriqueiro (já não lembrava disto desde que Brett Ratner que pegou no The Last Stand, aí está …o terceiro). Agora em modo provocação, só não é o pior filme de super-heróis do ano, porque para isso já temos o Captain America: Civil War [ler crítica], a inconsequência de um produto imaturo e politicamente perverso.

 

"Everything they've built will fall! And from the ashes of their world, we'll build a better one!"

 

Real.: Bryan Singer / Int.: James McAvoy, Michael Fassbender, Rose Byrne, Jennifer Lawrence, Oscar Isaac, Olivia Munn, Lucas Till, Evan Peters, Kodi Smit-McPhee, Sophie Turner, Tye Sheridan, Alexandra Shipp, Josh Helman, Lana Condor, Ben Hard, Hugh Jackman

 

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X-Men 2 (2003)

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Wolverine (2013)

X-Men: Days of Future Past (2014)

Deadpool (2016)

 

4/10
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publicado por Hugo Gomes às 02:03
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22.5.16

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Dez anos depois da surpreendente vitória de The Wind that Shakes the Barley, o cineasta irlandês Ken Loach volta a receber a Palma de Ouro com o I, Daniel Blake, o grito de protesto de um desemprego contra um sistema burocrático e humanamente frio que é a Segurança Social.

 

Entre os premiados da 69ª edição do Festival de Cannes, conta-se outras surpreendentes triunfos, entre os quais Juste la Fin du Monde, de Xavier Dolan, com o Grande Prémio de Júri, e o apupado Olivier Assayas como Melhor Realizador por Personal Shopper, prémio que partilhou com Cristian Mungiu (Bacalaureat).

 

Destaque ainda para Jaclyn Jose como Actriz em Ma'rosa, de Brillante Mendoza, que superou as muito cotadas Isabelle Huppert (Elle) e Sónia Braga (Aquarius).

 

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Palma de Ouro

I, Daniel Blake, de Ken Loach

 

Grande Prémio do Júri

Juste la fin du monde, de Xavier Dolan

 

Prémio de Melhor Realizador

Cristian Mungiu (Bacalaureat) e Olivier Assayas (Personal Shopper)

 

Prémio do Júri

American Honey, de Andrea Arnold

 

Prémio para Melhor Argumento

Asghar Farhadi, por The Salesman

 

Prémio de Melhor Actor

Shahab Hosseini (The Salesman)

 

Prémio de Melhor Actriz

Jaclyn Jose, por Ma'Rosa, de Brillante Mendoza

 

Câmara de Ouro para Melhor 1ª obra

Divines, de Houda Benyamina

 

Palma de ouro para Melhor Curta-Metragem

Timecode, de Juanjo Giménez

 

Palma de Ouro de Honra

Jean-Pierre Léaud

 

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 23:35
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21.5.16

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A história de um pugilista com chances para vencer o campeonato de pesos-leves mas que preferiu o amor de uma mulher, venceu o Grande Prémio da secção Un Certain Regard. O finlandês The Happiest Day in the Life of Olli Maki (Hymyileva Mies) foi anunciado assim como o grande vencedor do certame, segundo o júri presidido pela actriz suiça, Martha Keller, “onde cada filme se tornou numa rica experiência cinematográfica”. Destaque para La Tortue Rouge (The Red Turtle), uma animação sem diálogos dos estúdios Ghibli que tem conquistado o público e a crítica, vencedor do Prémio Especial, e Matt Ross como Melhor Realizador pelo seu trabalho em Captain Fantastic.

 

 

Prémio Un Certain Regard

The Happiest Day in the Life of Olli Mäki

 

Prémio de Júri

Harmonium

 

Prémio para Melhor Realização

Matt Ross, Captain Fantastic

 

Prémio para Melhor Argumento

Delphine Coulin e Muriel Coulin, The Stopover

 

Prémio Especial

The Red Turtle

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:48
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O "Cage" enraivecido!

 

Será esta a redenção de Paul Schrader com o cinema? Contudo, outra pergunta deveria ser feita – será que Schrader realmente vingou como realizador de cinema? “Tricky question”, mas a verdade que o autor é mais tido como um lendário argumentista, o responsável pelos guiões de Taxi Driver e Raging Bull, do que propriamente como um realizador a solo, sendo que as suas tentativas nessa área diversas vezes deram para o torto (nesse sentido Adam Ressurected poderá ter sido o seu melhor trabalho).

 

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Mas em Dog Eat Dog vemos um, não um regresso, mas  uma entrada bastante peculiar ao universo da direcção cinematográfica. É um filme violentado, sim, induzido numa indústria politicamente correcta e cheia de moralismos e sensibilidades que se insurge contra essa mesma condição. Dog Eat Dog é um thriller de acção da veia altamente criminosa, cuja premissa simplista se pode referir em três “malfeitores” que sequestram o bebé de um mafioso e o golpe desmorona desde o momento em que é concebido. No centro dessa intriga, que no papel não traduz a sua vitalidade, encontramos Nicolas Cage no seu inesperado regresso, o retorno à sua forma impulsiva dos anos 90 (quem não se lembra dos seus “irreais” papeis em Face Off e Leaving Las Vegas). Ao seu redor está um ambiente tipicamente 80’s sob as costelas deixadas pelo cinema de Scorsese (fruto das melhores colaborações de Schrader com o realizador nova-iorquino).

 

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Uma atmosfera que não deixa dúvidas, Schrader está a borrifar-se para os censores da boa conduta cinematográfica e muito mais para a classificação estabelecida pelos órgãos de avaliação. Isso nota-se na primeira sequência, onde um impagável Willem DaFoe destrói qualquer indicio de benevolência. Se Dog Eat Dog é um exercício de indisciplina cinematográfica, infelizmente é só isso que o filme tem a oferecer-nos. Com um final alucinado a “copiar” um David Lynch na sua melhor forma, Paul Schrader encerra o seu novo trabalho de forma inconclusiva. Assim, sentimos que havia mais a ser entregue aqui, mas tal não é cumprido.

 

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De resto, surge Nicolas Cage a demonstrar que não esqueceu de como actuar, sim, acabando por ser o grande presente de uma sessão pouco satisfatória. Dog Eat Dog é simplesmente “mais olhos que barriga”, mas precisamos mais olhos destes na actual indústria cinematográfica norte-americana.

 

Filme de encerramento da 48ª Quinzena de Realizadores

 

Real.: Paul Schrader / Int.: Nicolas Cage, Willem Dafoe, Magi Avila, Paul Schrader

 

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6/10

publicado por Hugo Gomes às 17:59
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21.5.16

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O desejo é algo indescritível!

 

Durante a sua carreira, ao holandês Paul Verhoeven foram atribuídos diversos "gloriosos" nomes: sexista, homofóbico, voyeurista, sádico, mau gosto, etc. Mas de uma coisa é certa, não lhe podemos negar o adjectivo de ousado e neste Elle, visto como o seu grande regresso ao cinema, a irreverência é o ingrediente que não falta.

 

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Com mais de cinquenta anos de experiência no cinema, o anterior e "maldito" realizador de Showgirls vira o jogo num mundo descrito pelo politicamente correcto e sobretudo pela hipocrisia. Essa partida joga a três: Verhoeven, a actriz Isabelle Huppert e o espectador, este último constantemente desafiado através dos outros dois "parceiros" pelos parâmetros maleáveis da demência (socialmente inaceitável) da sua protagonista. Trata-se de uma mulher forte, longe do heroísmo romantizado de Hollywood, ambígua (com o seu "quê" de psicótica) e sexualmente activa. Sim, é essa principal característica que coloca a personagem de Isabelle Huppert à frente de enésimos retratos feministas. Ela é sim uma perversa sexual, ou simplesmente (para não cairmos em julgamentos morais), uma mulher com  necessidades simples (se a personagem de Huppert fosse um homem não suscitaria tanto choque), dependente e independente do "cromossoma Y".

 

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Elle arranca com uma violação, um acto medonho de invasão sexual que automaticamente começa a perseguir Michelle (Huppert) e a tomar as suas próprias fantasias. Ao contrário de uma enésima variação de I Spit on Your Grave, este definitivamente não é um ensaio de vingança nem uma ode justiceira dos direitos das Mulheres oprimidas, trata-se sim de uma longa fantasia, mórbida para os mais sensíveis, que adquire os eventuais toques do síndroma de Estocolmo. Isabelle Huppert veste a pele desta personagem como ninguém, desta forte mulher do cinema, que sob algumas réstias da anterior Catherine Tramell (personagem de Sharon Stone em o Basic Instinct) domina num mundo supostamente dominado por homens. Ela é um hino da verdadeira emancipação feminina, e simultaneamente é a mais frágil vítima desse mesmo estatuto. O trabalho de Paul Verhoeven é definitivo, a criação da personagem assim como a tensão psicológica que a culmina, uma sólida ponte entre o ecrã e o espectador, tornam este thriller sagaz, ritmado e degustável sob variados paladares.

 

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Ora são os momentos dignamente screwball, ora é a veia mais arquitectónica do thriller hitchockiano, ou os devaneios voyeuristas merecedoras do realizador. Porém, em Elle não somos induzidos ao intimismo fácil. A personagem apenas deixa-nos conhecer gradualmente, discreta sob o seu perfil, como uma sedução. Somos "fracos" porque cedemos aos encantos desta mesma personagem e da dedicação de Isabelle Huppert em a trazer à "vida". Verhoeven novamente recorre ao seu método quase pornográfico na exploração intrínseca dos seus peões, o resultado é que depois da sedução cumprida somos intrusos na intimidade desta mulher.

 

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Enquanto segue por aí uma fenómeno cinematográfico-literário de Fifty Shades of Grey, onde a mulher é dominada por um homem sob perversões sexuais (apelidando essa vulnerabilidade emocional de "amor", o truque mais barato que pode haver), em Elle, Isabelle Huppert é uma refém dessa perversões, enquanto que, sempre de alguma maneira, tenta resistir a essas ditas fantasias sexuais. Despreocupada, livre, firme e activa, o novo filme de Paul Verhoeven consegue ser o mais recente grito ao papel da Mulher do cinema. Um regresso e "pêras"!

 

Filme visualizado no 69º Festival de Cannes

 

Real.: Paul Verhoeven / Int.: Isabelle Huppert, Virginie Efira, Christian Berkel, Anne Consigny

 

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9/10

publicado por Hugo Gomes às 14:11
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20.5.16

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A pintura borrada de Refn!

 

Promovido como um herdeiro do cinema provocatório de Lars Von Trier, o também dinamarquês Nicolas Winding Refn aposta num prolongado concurso de beleza, um universo enxugado de luzes e sons psicadélicos, porém, anoréctico em tudo o resto. É o seu conceito de filme de terror, segundo a ambição do realizador que confronta o espectador com mais outro retrato fascinado pela violência gráfica, visto que a psicologia é somente uma atmosfera dissipante e frágil nestas “ruelas”. Em certos aspectos, The Neon Demon resulta na extensão do moralismo fabulista. Neste caso o já rudimentar debate da beleza (a estética contra tudo o resto), apoiada na visão incandescente e por vezes alucinogénico que Refn alastra neste enésimo “conto” de procura e concretização de sonhos em terras dos “Anjos”.

 

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Neste episódio, seguimos Jesse (uma hipnotizante Elle Fanning), uma adolescente determinada a tornar-se numa modelo, nem que para isso tenha que vender a sua alma a uma entidade faustiana. Até porque no preciso momento em que assina o tão precioso contrato das mãos de Christina Hendrick algo de sobrenatural acontece, um íman inquebrável rodeia a nossa protagonista, um magnetismo que capta novas oportunidades como também novos e mortais inimigos.

 

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Uma bênção, um dom, ou uma inerente maldição? O destino de Jesse converte-se numa luxuosa descida aos infernos, com Nicolas Winding Refn a providenciar ferramentas visuais e sonoras ao serviço de tal tarefa danteana. Cada flash de fotografia ocorrida em Neon Demon é como a palpitação de uma monstruosa criatura se tratasse, uma anormalidade que se revela pouco a pouco mas nunca se desvenda na sua totalidade, como tal o filme parece não cumprir a sua simples premissa.

 

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O que soava como um estilizado produto de terror urbano, colorido sob um holofote néon, cede-se infelizmente à mera masturbação. Uma direcção em redor do seu umbigo, um punhado aleatório de referências que vão desde a Historia Antiga (alusão à trágica condessa Báthory), o cinema tingido de um Mario Bava ou do sucessor, Dario Argento, e até o neo-noir voyeurista de Brian DePalma.

 

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Contudo, é no interior deste festim de espontânea coloração que se esconde a verdadeira "espinha dorsal" deste projecto - o expressionismo alemão. The Neon Demon é um filme absolutamente influenciado por esse movimento; pelos enredos de pactos infernais, pela figura da femme fatal (que floresceu durante o expressionismo, ao contrário do senso comum da expansão do film noir norte-americano) e dos constantes jogos de sombras, aqui cambiados pelos berrantes néones que deixam transparecer as emoções das suas respectivas personagens.

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Uma euforia que resultaria num bem costurado tecido, mas como havia referido, Nicolas Winding Refn cede ao seu pesado ego e deixa cair por terra qualquer indicio de análise estética e psicológica. Provas disso, temos um final à deriva de um grotesco desnecessário, um evidente toque masculino em temática tão feminina e sob o cinismo de uma "improvável" homenagem à mulher do realizador e por fim, uma barafunda de elementos que nos leva aos mais desconcertantes "becos sem saída" narrativos. Depois do subvalorizado Only God Forgives, eis a obra mais desastrosa da sua carreira, um pretensioso exercício a ser distinguido com o título "mas que raio" (!?) do ano.  

 

Filme visualizado no 69º Festival de Cannes

 

Real.: Nicolas Winding Refn / Int.: Elle Fanning, Christina Hendricks, Keanu Reeves, Jena Malone, Bella Heathcote, Karl Glusman, Abbey Lee, Desmond Harrington

 

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5/10

publicado por Hugo Gomes às 23:46
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Being Xavier Dolan!

 

A difícil arte de ser Xavier Dolan, as complicações geradas por ser aclamado em tenros anos e consecutivamente ao longo da sua, até então, imaculada carreira. Se por um lado, ouvimos constantemente citações de historiadores e outros especialistas cinematográficos de que um "autor, até a obra mais fraca é melhor que tantas de outros realizadores", por outro, através de reflexões sobre o sentimento vivido por este Juste La Fin du Monde, um outro conselho surge ao meu alcance: "quando se gosta de um autor, somos os primeiros a admitir que ele errou".

 

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Porém, antes de começarem com as "pedradas", questiono o seguinte, será correcto considerar o ainda jovem franco-canadiano Xavier Dolan, num autor cinematográfico? Porque não!? Contudo, não é esta a derradeira questão aqui envolvida, aliás, muitos esperam que o nosso "cineastazito" prove de uma vez por todos que é digno desse título (sendo que em Mommy já havia provado que as aclamações precoces não foram um erro). Mas em Juste la Fin du Monde, a recente obra que ganhou mediatismo com os "surpreendentes" apupos na sessão de imprensa de Cannes, existe um claro tom de "auto-estima elevada". Talvez tenha sido esta sensação de "triunfo antes do sabor" que causou o maior choque entre o então adorado Xavier Dolan e os críticos que apelidavam o seu novo trabalho como "desastre artístico".

 

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Adaptação de uma peça teatral de Jean-Luc Lagarde, Juste La Fin du Monde beneficia de um ambiente caótico de procrastinação, enquanto a intriga começa a ganhar forma, desenvolvendo para lado nenhum, dando a sensação de impotência e clara frustração ao espectador. Esta é a história de um escritor homossexual que vai encontro da sua família para anunciar a sua breve morte, visto que é um seropositivo de HIV. A respectiva família, que desconhecia o seu paradeiro e o estilo de vida levado a cabo pelo seu ente querido, tenta o receber da melhor forma possível, mas os assuntos inacabados, que o nosso protagonista deixou para trás, o confrontam.

 

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Sim, Xavier Dolan acerta na "mouche" quanto ao teor a ser invocado neste drama de complexidades familiares, mas o que não anteviu é que por vezes o cinema tem que desligar do palco teatral para assumir a sua vida emancipada. Resultado isso, evidentemente, é um esforço descomunal na caracterização dos seguintes personagens, inseridos num rótulo de morte anunciada, a outra é os desempenhos, prometedores mas "fogo de vista" face a uma claustrofobia descontrolada deste enredo de manutenção de relações afectivas.

 

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Existem demasiadas pontas soltas aqui, obviamente que Dolan não irá resolver tendo em conta o respeito pela obra original, mas falta de extensão, do alinhamento, e da renegação com a artificialidade constrangedora com que tenta transformar drama de 2ª Arte para Sétima Arte, o leva para "becos sem saída" de criatividade intrínseca. Ao menos assumisse tudo como "teatro filmado" como Manoel de Oliveira sempre o fizera. Assim sendo, as personagens parecem "morrer" demasiado cedo, as actuações não se vingam perante tal voluntária barafunda (mesmo que Vincent Cassel, Gaspard Ulliel e Marion Cottilard mereçam destaque) e a técnica (fotografia, por exemplo) entra em conflito com o trabalho de escrita e de coordenação.

 

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E assim chegamos a outra questão, será a obra merecida de a sua devida reavaliação, a revisão por novas audiências? Não nego, cheira-me a filme a ser valorizado daqui a uns valentes anos, mas também não é com esta "fruta podre" do cesto que nos vai fazer desligar do potencial de Dolan. Por isso, que venha esse The Death and Life of John F. Donovan, porque está provado que o fim do mundo não é matéria para o nosso realizador.

 

Filme visualizado no 69ª Festival de Cannes

 

Real.: Xavier Dolan / Int.: Gaspard Ulliel, Lea Seydoux, Nathalie Baye, Vincent Cassel, Marion Cotillard

 

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Ler Críticas Relacionadas

Mommy (2014)

Tom à la Ferme (2013)

Les Amours Imaginaires (2010)

 

5/10

publicado por Hugo Gomes às 17:30
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A inesperada face de Sean Penn!

 

Por onde devemos começar? Pelo facto de Sean Penn, mesmo sob o pretexto de amor ONG, não conseguir esconder um espírito colonialista de uma África auxiliada pelo Ocidente? Pelo seu activismo politico e social com discursos de bolso sobre a ajuda humanitária aos Refugiados e à pobreza mundial? As boas intenções que não conseguem disfarçar o baratismo sentimental como dispositivo de comoção direccionado ao público das mesmas notícias de telejornais? Pelo enésimo branqueamento, literalmente falando, de uma África cinematográfica e problemática? Ou pelos diálogos incrivelmente bacocos e deslavados perante tanta "pirosidade"?

 

Sim, The Last Face é algo indescritível, o cinema volta a mostrar que pouco sabe de África para além dos estabelecidos lugares-comuns da eterna consciência branca. Sean Penn, defraudado com o seu "high moral ground", convencido que as boas intenções pagam a passagem ao barqueiro, incute um romance desproporcional tal como acontecera anos antes em Beyond Borders (Martin Campbell, 2003), onde Angelina Jolie e Clive Owen apaixonam-se para além das barreiras. Este não é o Penn que conhecemos, o realizador de Into the Wild, é antes um orador de um discurso activista com mais chance de irritar do que propriamente "mudar o mundo".

 

Uma colecção de "porverty porn" e de desgraças com mais noção hollywoodesca do que propriamente a criação de uma crítica / denúncia social. Nesse sentido, Beasts of No Nation é mais directo, sem a necessidade de condimentos românticos nem personagens ocidentais como atractivos de marketing. Até porque a África actual está longe do romantismo colonial de outrora, daquela "fantasia exótica" que os portugueses tanto adoram invocar nos seus filmes de época (Cartas da Guerra, Tabu, Costa dos Murmúrios). Isto é um assunto sério, a nível global, como também é desprezado por essa mesma escala. Tal como a canção colectiva "we are the world, we are the children", o mundo não muda com cantigas. O paternalismo hippie -  make love, not war -  aludido à primeira legenda deste filme, prevê o fracasso de todo o tamanho que este The Last Face iria se tornar.

 

Nem mesmo Javier Bardem e Charlize Theron safam-se a este grave atentado, a este Sean Penn "bêbado" que se julga Terrence Malick em causas humanitárias. Falando em atentados, ver a "promissora" actriz Adéle Exarchopoulos, presente no elenco só como garantia de co-produção, é o equivalente a esfaquear o meu coração com uma faca de manteiga. Matem-me, por favor!

 

Filme visualizado no 69º Festival de Cannes

 

Real.: Sean Penn / Int.: Charlize Theron, Javier Bardem, Adèle Exarchopoulos, Jean Reno, Jared Harris

 

2/10

publicado por Hugo Gomes às 13:45
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19.5.16

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Cristian Mungiu coloca a sua graduação fílmica em prática!

 

Bacalaureat (O Exame) é indiscutivelmente um filme de Cristian Mungiu, nota-se a "léguas", desde o seu vincando realismo inserido em longos takes até ao gradual desafio em que as suas personagens são submetidas nas mais drásticas situações, passando por uma atmosfera rodeada por fantasmas oriundos dos tempos de Ceauseascu.

 

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O realizador romeno, um dos braços fortes da sua Vaga Cinematográfica que tido cada vez mais presença nos festivais mundiais, é um homem sob um constante olhar para a condição humana, o encarando como um entusiasmante retrato da vida mundana. Os seus "heróis" não são mais que meros mortais, prevalecidos por seus actos involuntários e pela natureza que os rodeia e que os obriga a camuflar. Neste mesmo Cinema, não existe maniqueísmo, somente personagens sem passado definido e muito mais, sem futuro à vista do espectador.

 

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Em O Exame, o retrato segue ao encontro dos limites da paternidade, da educação que damos aos nossos "rebentos", o mundo idealizado que queremos os inserir. Porém, a realidade é mais violenta e "suja" que essa mesma idealização, e a inadaptação é o que espera a esta geração iludida. A jornada de um pai para preservar o futuro pretendido para a sua filha, o leva para os cantos mais obscuros e psicanalistas da consciência moral. Aliás, não existe o certo nem o errado, somente escolhas, aquelas decisões que agimos sem pensar em um momento que seja. Será a corrupção uma característica mais que natural do ser humano do que a imagem que o moralismo social nos quer fazer acreditar?

 

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Cristian Mungiu consegue um forte drama ambíguo, envolvido numa melancolia cautelosa, até porque esta Roménia ainda é conduzida por espectros, as vivências de tempos negros, aquela "prometida" Idade do Ouro. Como veiculo emocional (ou não) deste O Exame, está Adrian Titieni, uma das caras mais reconhecidas do cinema romeno recente, o qual tem vindo a provar estofo para exercer o papel de anti-herói em sociedades replicadas à nossa. Não sendo a melhor obra da Cristian Mungiu, este é um filme certamente para ver e reflectir, sem a imperatividade do sentimento manipulado.

 

Filme visualizado no 69º Festival de Cannes

 

Real.: Cristian Mungiu / Int.: Adrian Titieni, Maria-Victoria Dragus, Rares Andrici

 

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7/10

publicado por Hugo Gomes às 20:00
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18.5.16

ghostbusters2016.jpg

Eis um novo trailer oficial da versão feminina de Ghostbusters: Caça Fantasmas, por Paul Feig. 

 

Esta sequela / reboot do filme de culto de Ivan Reitman [ler crítica] (que só estará na produção deste novo filme) em 1984, seguirá a mesma linha das anteriores comédia de Feig, referindo obviamente a Bridesmaid ou The Heat, onde é comum elencos maioritariamente femininos e gags de igual género. Melissa McCarthyKristen Wiig, Leslie Jones e Kate McKinnon, serão a nova trupe de "caça-fantasmas". No elenco podemos ainda contar com Chris Hemsworth (Thor), que interpretará a "secretaria" da organização, e ainda Michael Kenneth Williams, Elizabeth Perkins, Andy Garcia e as participações especiais de Sigourney Weaver e de Dan Aykroyd.

 

O filme encontra-se agendado para 14 de Julho para o nosso país.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:48
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O fantástico não mora aqui!

 

Automaticamente encontramos em Captain Fantastic, a segunda longa-metragem de Matt Ross, um ensaio comparativo com a pouca ortodoxa obra de Yorgos Lanthimos, Canino, o qual se depara com uma distopia induzida, o como distorcer e controlar o nosso quotidiano, o mundo que olhamos e idealizamos regendo a essas ideias implementadas por órgãos superiores. Enquanto que o grego levava essa vertente para uma alegoria de caverna de Platão, em Captain Fantastic a situação declara-se inicialmente como um "grito de guerra" aos costumes ocidentalizados.

 

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Viggo Mortensen é esse "fantástico líder", um homem eremita que se refugia nos densos bosques americanos, dependendo do seu instinto e intelecto para sobreviver (pronto e uma "ajudinha" a nível de segurança social, pormenores, enfim). Em acréscimo, ele é um pai de 6 crias, o qual educa segundo as suas revolucionárias ideologias, promessas feitas para a sua falecida mulher, juras de uma impotente tendência de "mudar o Mundo" da sua própria formatação. Pois bem, até certo caminho, esta "estranheza" nada nova de Captain Fantastic conquista-nos com a sua crítica social, ingénua é certo, mas constantemente desafiadora da "perfeita comunidade" que se dá pelo nome de EUA.

 

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Neste percurso, previsivelmente anexado a mais uma road trip (como o cinema norte-americano independente adora viagens pela estrada fora), os alvos são muitos, desde a educação escolar (ou a insuficiência desta) até ao entranhar religioso nos nossos dias (a magnífica ideia de Ben substituir o Natal pelo dia de Noam Chomsky), passando pela falta de senso crítico individualista. Até determinado ponto, Captain Fantastic sabe "puxar" os fios de forma correcta, porém, estamos a falar de um obra de vertente indie, daquela classe que adequadamente figuraria num Festival de Sundance (na verdade o filme chegou mesmo a estrear no dito festival norte-americano), ou seja, tudo acaba por recorrer ao território moralista, mais do que o suposto intimismo.

 

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Quando o macguffin do filme revela-se numa família atípica a lutar para dar à falecida mãe e mulher um funeral digno às suas "crenças", entra em cena uns supostos antagonistas, os sogros de Ben (interpretados por Frank Langella e Ann Dowd), fervorosos religiosos e de frutíferas posses. A partir deste momento, Matt Ross tenta encontrar um "meio termo" entre o modo de vida pouco ortodoxa levado a cabo pelo protagonista e dos costumes "normais" de uma cultura ocidentalizada deste par de personagens. Falha a crítica, a perspectiva, a ousadia de transgredir o pensamento comum e por fim, a queda para o registo coming-to-maturity.

 

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Captain Fantastic, alusão ao energético álbum de Elton John (Captain Fantastic and the Brown Dirt Cowboy), sobrevive graças a uma ideia, a uma sugestão que não é levada avante em derivação do politicamente correcto que afronta os nossos dias, sem percebemos que essa atitude de não ferir susceptibilidades converte-se na sua maior ofensa. No final é isto, um filme cobarde apenas erguido com a força do seu protagonista. Pois bem, Viggo Mortensen é verdadeiramente o "fantástico" do título. Graças a Noam Chomsky!  

 

Filme visualizado na secção Un Certain Regard do 69º Festival de Cannes

 

Real.: Matt Ross / Int.: Viggo Mortensen, George MacKay, Samantha Isler, Frank Langella, Ann Dowd, Steve Zahn, Missi Pyle

 

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5/10

publicado por Hugo Gomes às 00:56
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