30.4.16

13565503_10206493509593388_2104894952_n.jpg

Por entre a realidade filmada em jeito documental e a encenação não como um dispositivo fictício, mas antes uma ferramenta para compreender esse mesmo veio de veracidade, Olmo e a Gaivota [ler crítica] é um dos filmes mais fascinantes a chegar aos nossos cinemas este ano. As autoras desta obra, a brasileira Petra Costa e a dinamarquesa Lea Glob, falaram com o Cinematograficamente Falando … sobre esta colaboração não voluntária que resultou numa catarse sobre o cinema propriamente dito, sem limitações a géneros nem estilos. No seio de Olmo e a Gaivota esconde-se ainda temáticas a merecer da nossa consideração, algumas delas fazendo parte da luta de Petra, os direitos das mulheres e a soberania destas pelo seu próprio corpo.

                                                     

 

Começo com a pergunta mais básica, como surgiu este projecto?

 

Petra Costa: Este projecto surgiu através do Dox Lab, num festival da Dinamarca. Todo os anos são convidados dez realizadores não-europeus para co-dirigir com dez europeus. Eu fui convidada para trabalhar com a Lea, tinha até um certo interesse no cinema dinamarquês e queria conhecer um pouco mais sobre ele. Tínhamos uma semana para decidir que tipo de filme iríamos conceber, mesmo antes de conhecer-nos pessoalmente. Vim com dez ideias que tinha guardado desde então, uma delas era a documentação de um dia na vida de uma mulher onde nada acontece, mas que tudo acontece na sua cabeça. Entretanto, a Lea sugeriu: "e que tal pegasse-mos numa mulher real". Ela estava mais interessada em fazer documentário e no meu caso, ficção. Ela queria ir para a Amazónia e eu para Dinamarca.

 

"Sim, vamos pegar numa mulher real, mas se for actriz, pegaríamos na vida real dela, e eu conheço uma actriz". A actriz que falava era Olivia Corsini, que estava no momento a fazer uma turneê no Brasil através da companhia teatral francesa Theatre du Soleil e que tinha visto o meu primeiro filme [Elena]. Ela havia sugerido fazer um filme comigo, então falei-lhe da ideia. A Lea gostou. Fizemos uma reunião através do Skype com Olivia que demonstrou automaticamente interesse. Todavia, ela disse "estou grávida", e foi aí que decidimos alargar um dia para nove meses.

 

Lea Glob: Foi um convite através do CPH:Dox, a escolha seguiu do comité do festival, por isso não tivemos decisão nenhuma com a formação deste par. Enquanto isso, eu tinha visto Elena, e encontrei similaridades com a minha curta [Mødet med min far Kasper Højhat], ambos falavam de histórias pessoais que tinham como temática o suicídio. Esse era o primeiro filme da Petra, e no meu caso, tinha acabado de formar na Escola Nacional de Cinema da Dinamarca, eu sou europeia, ela não, por isso julgo que quem decidiu esta dupla encontrou uma espécie de ligação, algo em comum.

 

 

O facto de trabalhar com uma actriz, seria a melhor forma de trabalhar ambos os lados, o lado ficcional e o lado verídico, neste caso documental?

 

 

LG: Absolutamente, tal era essencial. Aliás ela era bastante dada a trabalhar desta maneira, isso nota-se ao longo do filme. Ao trabalhar com actores assim tornaríamos realizadores mais livres e chegaríamos facilmente à intensidade do material.

 

PC: Na grande maioria dos documentários, uma das grandes questões é ter acesso ao personagem e a questão dos limites, se está ou não a invadir a vida daquela pessoa, ou se está usando ela num filme que supostamente poderá não ser tratada da forma como ela pretende. Mas a grande vantagem de trabalhar com um actor é que o desejo é recíproco, ela não quer contar uma história, ela quer ser usada, porque essa é a sua profissão, o seu desejo, a de estar ao serviço de uma história nem que para isso tenha que usar o corpo e a mente. Mas quando a história é na realidade a vida dela, o ângulo inverte mas continua no âmbito do desejo.

 

 

No caso de Petra, visto que já conta com duas longas-metragens, Elena e Olmo e a Gaivota, existe uma palavra que caracteriza esse seu cinema - intimidade. Enquanto que em Elena, o espectador sentia-se incomodado por invadir a sua intimidade, neste filme, estamos a invadir a intimidade de uma actriz, o qual em certas sequências Olivia pede mesmo para parar. Como sente em invadir a intimidade de outras pessoas?

 

PC: É um pouco mais que isso, porque é justamente nessas questões que estou a falar, quando é a sua própria intimidade vai da vontade, não existe um limite imposto. Mas essa tensão foi frutífera, é como estivéssemos constantemente a jogar aquele jogo de cordas onde cada um puxa para o seu lado. Nós tentamos chegar um pouco mais fundo na intimidade dela, e ela, com clareza, deixava, depois há um momento em que colocamos visivelmente as nossas interacções com ela. Nesse aspecto, tratou-se de revelar esse limite - as portas  - como as do banheiro que se fecham, neste caso conseguimos estar do lado dentro do banheiro (risos).

 

maxresdefault.jpg

 

Em Olmo e a Gaivota, o que é que poderemos considerar ficção e documentário?

 

LG: Não existe resposta para isso (risos), nem sei se consigo responder correctamente a isso. Julgo que é a mais bela parte do filme, porque incentiva os espectadores, mas não se trata de um jogo do que é falso ou real. Diria antes que é uma "onda" de interacção, sim diria antes isso, e como tal gosto do filme por causa disso, porque faz-me sentir que fizemos algo certo naquilo.

 

PC: Sim, essa é a questão que motiva o filme, que analisa todas as cenas, é como fizéssemos um filme hermafrodita, qual seria a parte masculina, qual seria a feminina. O filme é precisamente a tensão entre os dois géneros.

 

 

Quais as grandes influências para a condução deste filme?

 

LG: O teatro, assim como a peça de Anton Tcheknov, que foram bastantes importantes para o tom do filme.

 

PC: Primeiramente o teatro, Olivia integrava o Theatre du Soleil, por isso temos registos dos seus ensaios e encenações. Temos ainda influências do cinema francês, não da Nouvelle Vague, mas da facção Rive Gauche, como Chris Marker, Alain Resnais e Agnès Varda, que usualmente abordam as questões da identidade, da memória, mais do feminino. O livro de Virgina Woolf, Miss Dalloway, que foi para nós essencialmente um guia, visto que era para ser um dia na vida de uma mulher, mas que fez com que olhássemos para a vida de Olivia através da moldura desse livro.  

 

 

No final, Olmo e a Gaivota resultou num retrato de um romance. Uma romance entre dois actores, marido e mulher que teriam que lidar com o maior dos fardos. O filme captou esse amor na sua integral forma, relembro da sequência musical [Mi Sono Innamirato di Te], por exemplo. Tal factor [o romance] já estava prescrito na ideia ou foi uma oportunidade que surgiu durante o processo?

 

LG: Diria que foram os dois casos. Visto que temos uma história sobre gravidez e era normal termos um amor, uma relação amorosa, que poderíamos aprofundar. Bem, eu penso que sou a pessoa mais romântica da "equipa" (risos) o que fez também abordar esse tópico.

 

É bom sentir o amor, e existe bastante neste filme. Petra também mencionou que tal transmitia uma empatia entre os dois, não apenas como marido e mulher, mas também como actores, o que permitiu-nos segui-los, o qual tornaram uma relação gentil. Eles são gentis juntos, e isso foi bom. Quanto às canções, como também muitos outros gestos, surgiram através deles. Foram tudo ideias deles.

 

PC: Sim, penso que isso está muito presente na sua relação. Talvez tenhamos provocado mais o outro sentido, do que mostrar mais amor. O amor surgiu naturalmente, assim como demonstraram as "fracturas" desse relacionamento.

 

olmo-zupi3.jpg

 

Quanto a novos projectos? Regressarão como equipa ou separadamente?

 

LG: Bem, ambas temos novas ideias, mas serão em separado. Não temos ideia de regressar a esta colaboração, quer dizer, se Petra pedir estarei disponível, assim vice-versa. As portas estão abertas e continuarão assim. Neste momento, estou a preparar um filme sobre a sexualidade, a interpretação de mulheres através de memórias erradicadas, como elas procedem a esse encontro.

 

PC: Estou a trabalhar num filme ficcional que decorre nos anos 80, no Brasil, sob o ponto-de-vista de uma jovem rapariga, focando na maneira como ela interage com a diferença de classes e politicas. Também estou a trabalhar num documentário sobre a crise politica brasileira.

 

 

Para Petra, gostaria de falar sobre a sua campanha "O Meu Corpo, as Minhas Regras"?

 

PC: Sim. Surgiu quando o nosso filme ganhou o Prémio de Melhor Documentário no Festival do Rio. Fiz um discurso em que dedicava o prémio a todas as mulheres, para que nenhuma sofresse de machismo no Brasil, desde a presidenta até à doméstica, e que todas tivesse a soberania sobre o próprio corpo, seja para mergulhar numa gravidez como a nossa personagem, com todos os direitos para isso, ou fosse para interromper, como já é legal na França e EUA há mais de quarenta anos.

 

Nessa noite fui dormir feliz, até porque tinha ganho um prémio (risos) e feito um discurso. Na manhã seguinte, acordo com uma invasão de milhares de comentários muito agressivos na minha pagina de Facebook, "sua abortista, você deveria morrer, é pena que a tua mãe te teve, fecha a perna, sua vagabunda", um machismo que nunca tinha encontrado, pelo menos a este nível. O que demonstra um ódio crescente que o Brasil tem experimentando.

 

Então através disto fiz um vídeo, pelo qual já tinha vontade de fazer, que tratasse das questões do filme que não estão claramente abordadas nela, que é a falta de interpretação de mulheres no cinema, a questão do corpo e do próprio aborto. Tinha alguns actores que tinham visto o filme e que tinha gostado, e então sugeri a ideia, eles gostaram e prosseguimos com a iniciativa. A ideia era pegar no figurino de Olivia, mulheres e homens engravidando até para colocar na mente das pessoas o que aconteceria se o sexo masculino pudesse mesmo engravidar. No Brasil, muitos colocavam a hipótese se o homem engravidasse o aborto já teria sido legalizado há muitos séculos.

 

O vídeo surgiu disso, brincar com todas essas questões e ele viralizou, teve umas 14 milhões de visualizações e partilhas em diferentes páginas de Facebook. Acabou por virar uma "onda", que fora a primeira "onda" feminista de grande impacto no Brasil. O país teve um movimento feminista nos anos 60 e 70, mas foram bastante reprimidos. Ou seja, eles afirmaram menos do que desafirmaram, virou quase "xingamento", só em Novembro do ano passado é que ser feminista deixou de ser "xingamento" no Brasil.

 

Tudo também foi possível porque temos um forte antagonista que é Eduardo Cunha, presidente da Câmara, que é um dos políticos mais machistas que o Brasil presenciou, e também um dos corruptos, o qual vem retrocedendo diversas pautas que foram conquistados pelas mulheres.

 

207386.jpg

 

O que está a tentar dizer que o Brasil é no fundo um país conservador?

 

É um país contraditório, para muitos é a terra do samba, da mulher "pelada", do homem cordial, da igualdade racial, mas isso é falso de certa forma, essas contradições é como estivessem enterradas por ali. Somos um país que comemora a democracia, mas na realidade ela é uma fina camada de papel, que por baixo vai sendo corroída por ratos. Esses mesmos ratos, comeram, comeram, até que quebraram a coluna vertebral, e os ratos estão agora expostos, mas na verdade eles sempre estiveram ali. Talvez seja do facto do Brasil nunca ter tido uma Guerra Civil como os EUA ou uma grande luta pela independência. Nunca houve esse embate de ideais.

 

Hoje assistimos a um país sob uma Guerra Civil retardada, uma parte, esclavagista, machista, oligarca e conservadora contra uma outra porção que luta pelos direitos humanos.    

      

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.


publicado por Hugo Gomes às 19:44
link do post | comentar | partilhar

flash-barry-allen-dc-comics.jpg

Segundo a The Hollywood Reporter, Seth Grahame-Smith abandonou a direcção de The Flash, o filme-solo do homónimo super-herói da DC Comics que se encontra agendado para 2018.

 

A fonte adianta que a saída do realizador derivou de "divergências artísticas" com o estúdio, Warner Bros., e a pressão exercida pelo mesmos nos seus filmes após os decepcionantes resultados de Batman V Superman: Dawn of Justice.

 

Depois das notícias da saída de Grahame-Smith ao universo DC, surgem rumores de que James Wan, ingressado na direcção de Aquaman, poderá também sair da produção devido às mesmas causas que o seu colega. As mesmas fontes adiantam que o estúdio não está a poupar esforços para negociar a sua estadia, mas segundo o realizador, o stress obtido nesta produção está a atingir proporções insustentáveis.

 

Quanto a Seth Grahame-Smith, conhecido como o escritor dos livros Orgulho e Preconceito e Zombies e Abraham Lincoln: O Caçador de Vampiros, ambos já originaram respectivas adaptações cinematográficas, está de momento encarregue escrita da sequela de Beetlejuice: Os Fantasmas Divertem.

 

justice-league-concept-art-700x300.jpg

 

Ler Críticas Relacionadas

Man of Steel (2013)

Batman V Superman: Dawn of Justice (2016)

 

Ver Também

Confirmado: Ben Affleck será realizador de Batman!

Batman é o convidado em novo trailer de Suicide Squad!

Suicide Squad tem novo trailer!

Nova imagem do filme-a-solo de Wonder Woman (A Mulher Maravilha)!

J.K. Simmons junta-se à Liga da Justiça!

Primeiro vislumbre do filme Wonder Woman!

Suicide Squad arrebenta com novo trailer!

Vejam o primeiro teaser poster de Suicide Squad!

Amber Heard em Aquaman?

Neil Patrick Harris assume interpretar The Riddler no cinema, mas por uma condição ...

Nicole Kidman em Wonder Woman (Mulher-Maravilha)!

Preparem-se! ... Primeiro trailer de Suicide Squad!

Ben Affleck irá protagonizar e dirigir novo filme de Batman!

James Wan, realizador de Velocidade Furiosa 7, assina Aquaman!

Primeira imagem do Esquadrão Suicida no filme Suicide Squad!

Oficial: Imagem de Jared Leto como Joker!

Joel Kinnaman em Suicide Squad (O Esquadrão Suicida)!

Primeira imagem de Jared Leto como Joker em Suicide Squad!

Confirmado: elenco de Suicide Squad!!

Filme da “Mulher Maravilha" com realizadora confirmada!

Jai Courtney poderá integrar elenco de Suicide Squad!

Escolhida a Harley Quinn para o filme do The Suicide Squad!

Jared Leto poderá ser Joker?

Prequela de Man of Steel poderá chegar ao pequeno ecrã?

The Flash chegará aos cinemas em 2018!

Dwayne "The Rock" Johnson é vilão da DC Comics!

Warner Bros. afasta-se de super-heróis cómicos!

Primeira imagem da Mulher Maravilha!

Dwayne "The Rock" Johnson na DC Comics?

Sebastian Stan desvaloriza confronto entre Marvel e DC Comics!

A Liga da Justiça a caminho ...

Habemos Wonder Woman!!

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.

tags:

publicado por Hugo Gomes às 11:56
link do post | comentar | partilhar

29.4.16

BPE7GJ.jpg

Dennis, O Pimentinha (Dennis, The Menace), poderá contar com uma nova versão para os cinemas. A personagem de BD criada por Hank Ketcham em 1959 contou com uma adaptação cinematográfica em 1993, através de um filme de Nick Castle sob um argumento de John Hughes. Quanto à nova produção, de momento Stacey Menear (The Boy) encontra-se encarregue da escrita.

 

Recordamos que o filme de Dennis, O Pimentinha, seguia a história de um rapaz traquinas (Mason Gamble) que é um ávido "poço" de sarilhos para o seu vizinho, Wilson (Walter Mathau). A obra foi um sucesso de bilheteira.

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.

tags:

publicado por Hugo Gomes às 20:47
link do post | comentar | partilhar

28.4.16

alicia-vikander-ft1.jpg

Segundo a Variety, a actriz sueca Alicia Vikander, a mais recente vencedora do Óscar por The Danish Girl, será a nova Lara Croft na adaptação cinematográfica do famoso jogo Tomb Raider que se encontra a ser preparada.

 

O argumentista Evan Daugherty (Snow White and the Hunstman) será o autor desta reinvenção, enquanto que o realizador Roar Uthaug, que esteve por detrás do filme-desastre norueguês, The Wave (a estrear em Portugal), "tomará as rédeas" do projecto. Neste novo filme será apresentado uma protagonista mais nova e provavelmente a viver a sua primeira aventura.

 

Recordamos que Tom Raider, criada pela Eidos em 1996, nos remete a uma arqueóloga, Lara Croft, astuta e atlética que vive aventuras idênticas ao de Indiana Jones (o qual foi sempre comparado). Gerou duas adaptações cinematográficas, ambas protagonizadas por Angelina Jolie, em 2001 e 2003.

 

 

Ver Também

Daisy Ridley na "mira" para ser a nova Tomb Raider!

Vem aí "reboot" do Tomb Raider!

 

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.


publicado por Hugo Gomes às 21:56
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

13140632_10206107756829810_117115586_n.jpg

O "furacão" Macaigne, como é assim apelidado pela imprensa, esteve em Portugal por alturas do Indielisboa. O festival lisboeta dedicou-lhe uma retrospectiva sobre o seu incansável trabalho como actor, produtor e realizador, e salientou o seu tremendo contributo para com as novas gerações que actualmente surgem no cinema francês. O Cinematograficamente Falando … falou com este "Herói Independente".

 

É a sua primeira vez em Lisboa?

Sim, esta é a minha primeira vez. Tenho andado por aí a ver a cidade e Lisboa é realmente um local bonito … e bastante louco.

 

Como se sente ao saber que um festival lhe dedica uma retrospetiva?

Como eu me sinto? Bem, é bastante estranho porque eu não me sinto assim tão velho.

 

Acredita que as retrospetivas são para "velhos"?

Não nesse sentido, eu acredito que quando um festival dedica-te uma retrospectiva, é sinal de que algo precisa de mudar na tua carreira, ou seja, a partir daqui devo fazer algo diferente.

 

257831.jpg

 

E ao saber que o festival dedicou-lhe uma retrospectiva em conjunto com a de Paul Verhoeven?

Bem, faz-me sentir bem pior em relação à velhice (risos). Agora a sério, é uma honra estar lado a lado com este cineasta, como homenageados num festival.

 

Em Éden, de Mia Hansen-Løve, o Vincent interpreta uma personagem que a certa altura aclama o "infame" Showgirls, de Verhoeven, como uma obra-prima. Já viu o filme e partilha a mesma opinião da sua personagem?

Sim, eu vi o filme, mas posso dizer que não concordo com a palavra "obra-prima". Essa frase é exclusiva da minha personagem, não partilho essa opinião.

 

Em 2013, com três filmes em competição no Festival de Cannes, consideraram-no numa espécie de revelação do cinema francês, um novo "Depardieu" para ser mais específico. Foi, de certa maneira, nessa altura que se tornou numa presença habitual da mesma cinematografia. O que lhe fez interessar repentinamente pelo cinema?

Quanto à minha presença em Cannes, não foi bem isso que aconteceu. Apenas entrei em três filmes que porventura conseguiram integrar a selecção de Cannes, não fui nenhuma revelação como a imprensa apelidou. Todos os anos existe sempre um actor ou uma actriz que entra em mais do que um filme em Cannes e pronto, temos a revelação do ano. Quanto ao meu interesse no cinema, não foi algo que nasceu de repente, já possuía esse interesse há muitos anos, desde os meus tempos no Conservatório Nacional, apenas não havia ainda encontrado o melhor momento para fazer parte da indústria.

 

LesDeuxAmis.jpg

 

Um dos seus trabalhos mais recentes foi na produção Les Deux Amis, no qual foi dirigido e contracenou com Louis Garrel. É bem verdade que vocês já se conheciam? Como foi trabalhar com Garrel como realizador?

Eu conhecia Louis Garrel desde os tempos do Conservatório Nacional, participamos em algumas peças juntos e desde então tornámo-nos amigos. Entretanto entrei na sua curta de La Règle de Trois e a coisa até correu bastante bem. Algum tempo depois convidou-me para integrar o elenco da sua primeira longa-metragem, Les Deux Amis, e obviamente aceitei. Louis tem muito talento e divertidas ideias fixas. Mesmo tendo sido o seu primeiro grande filme, soube perfeitamente lidar com todo o tipo de situações que poderia prejudicar qualquer "novato". Digamos que o cinema está no seu gene.

 

Já que refere o Conservatório Nacional, para si qual é o mais desafiante, o teatro ou o cinema? Qual deles prefere?

São dois "palcos" completamente diferentes. No teatro, o espectador vê o presente e o actor representa o momento. No cinema, é uma questão de memória, o espectador vê uma interpretação ultrapassada, apenas gravada. Ao contrário do teatro, o cinema mexe no passado das coisas. Outro exemplo é quando adoptamos uma personagem no teatro e esta tem tendência a alterar-se em cada sessão, existe um improviso evidente. No cinema, a personagem é trabalhada e depois de filmada é tudo aquilo que está exposto e pronto.

 

Voltando ao ponto da imprensa, esta refere-lhe que de certa maneira está a levar o cinema francês para uma Nova Vaga. Concorda?

Não me considero como tal, por vezes a imprensa exagera nos títulos e nas descrições. Apenas gosto de representar e estou aberto para qualquer proposta, seja cinema de autor ou filmes de alto orçamento. Aliás, eu entrei recentemente em Les Innocentes, de Anne Fontaine, que é um filme grande.

 

les_innocentes_p0001460.jpg

 

O que tem a dizer sobre o estado actual do cinema francês?

É uma indústria muito diversificada, são vários os filmes gerados por ano, penso que sejam mais de mil, não tenho a certeza. É muito difícil avaliar qualquer tipo de estado.

 

Quanto a novos projetos?

Neste momento encontro-me em plenas filmagens de Les Philosophes, um filme de Guilhem Amesland, e estarei no elenco de La Loi de la Jungle, que foi rodado na Amazónia e é escrito e realizado por Antonin Peretjako que é o mesmo de La Fille du 14 Juillet (A Rapariga de 14 de Julho).

 

Existe a possibilidade desse último filme estar em algum festival?

Julgo que não, La Loi de la Jungle tem estreia marcada para Julho.

 

Gostaria de regressar a Cannes?

Sinceramente, Cannes é um óptimo festival para filmes, mas para mim é muita confusão, uma pessoa não consegue desfrutar aquilo direito. Prefiro festivais mais pequenos como este aqui. Uma pessoa pode ver filmes, conviver, fazer turismo com a maior das tranquilidades e isso é precioso.

 

Se recebesse algum convite para Hollywood, aceitaria?

Claro que sim, mas duvido que me convidem até porque tenho grande dificuldade em falar inglês.

 

372474.jpg

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.


publicado por Hugo Gomes às 14:54
link do post | comentar | partilhar

Sam-Mendes.jpg

O realizador Sam Mendes (American Beauty, Spectre) foi o escolhido para liderar o júri da Selecção Oficial da 73ª edição do Festival de Veneza, sucedendo assim ao cineasta mexicano Alfonso Cuarón.

 

Recordamos que Sam Mendes estreou no certame de Veneza em 2002 com o filme Road to Perdition (Caminho da Perdição).

 

 

O Festival de Veneza deste ano decorrerá entre 31 de Agosto até dia 10 de Setembro na dita cidade italiana.

 

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.


publicado por Hugo Gomes às 07:59
link do post | comentar | partilhar

27.4.16

Todos Querem o Mesmo.jpg

Os inconscientes anos 80!

 

Dazed and Confused, que por cá obteve o título de Juventude Inconsciente, reivindicou um efeito proustiano nos espectadores de 1993, ano em que a obra estreava nos cinemas. É que este espontâneo filme do "hiperactivo" Richard Linklater trouxe-nos à memória, algo mais que um retorno à década de 70 com todos os seus "adornos" e marcos, mas si a juventude de cada um. Sem ser especifico nesta detenção de recordações, Juventude Inconsciente teve como enredo um grupo de jovens a viverem o seu último dia de aulas de liceu, depois disto só mesmo a Universidade, o destino que muitos destes partilham num dia pleno de "liberdade". Disposto por uma rebeldia única, cujas intrigas encontram-se endereçadas nas espontaneidades destas personagens "abertas" e "intermitentes" (o espectador apenas sabe tão pouco de cada uma delas e o que se conhece é somente aquilo que as personagens estão dispostas a distribuir).

 

e9b96aff2d254f321634bd876b55a8c392ebf46f.jpg.cf.jp

 

São 24 horas descritas de pura imersão neste mundo inconsequente, onde a folia é a palavra de ordem e o futuro, algo não desejado e ainda disforme. Mas passados 23 anos, surge uma sequela que só vem a confirmar o quanto Linklater não gosta de estar parado. Contudo, este Todos Querem o Mesmo (tendo como titulo original Everybody Wants Some, como tributo à homónima  música de Van Halen) está mais próximo do anterior Boyhood do que propriamente da referida prequela. Até porque a edição neste capítulo tem uma presença mais prejudicial no próprio decorrer temporal na narrativa.

 

ews-2.0.jpeg

 

Enquanto que em Juventude Inconsciente, a “intriga” foi nos entregue como um cartão de visita para um dia na vida destas personagens, em Todos Querem o Mesmo, a proposta torna-se mais ambiciosa e simultaneamente mais simples de transcrever para o grande ecrã: o último fim-de-semana de férias de um caloiro universitário, que porventura foi uma das personagens destaque do filme de 1993. Esse e mais uma personagem repetente que surge lá pelo meio, são as únicas ligações "vivas" com a anterior de Linklater.

 

everybody-wants-some-trailer-1.jpg

 

Neste fim de semana que antecede a mais um ciclo de rotinas, "liberdade" é vendida, como é de esperar, ao redor de três elementos - álcool, droga e sexo. Porém, ao contrário do que esses trindade de factores poderia culminar, provavelmente uma qualquer "canção" de rockstar, a verdade em que em Todos Querem o Mesmo, o teor é ingénuo, apenas descontraído e isente de qualquer julgamento vindo para lá do politicamente correcto ou da propaganda de mocidade. A sensação é simples, é como se as personagens e o próprio espectador experienciasse pela primeira vez essas ditas experiências ao som de uma colectânea musical dos anos 80.

 

everybody-wants-some-trailer.jpg

 

Mas voltando ao tema da edição: devido à narrativa centrada em três dias, onde vemos jovens a serem inconsequentemente jovens, o filme possui uma maior manipulação quanto à edição e a respectiva influência no tempo decorrido. Entre outras, a edição torna-se mais omnipresente, visto chega a funcionar em prol das emoções das personagens, com por exemplo, o slow motion e cabelos "ao vento" tão digno das enésimas comédias adolescentes. Chegamos até a sentir saudades da entrega ao natural de Juventude Inconsciente, provavelmente uma das propostas mais bem-vindas do cinema pseudo-neorealista dos anos 90.

 

everybody-wants-some-image1.jpg

 

Mas existe todo aquele senso nostálgico digno de Richard Linklater, um homem que tão bem filma actos de camaradagem como de puro hedonismo juvenil. Talvez a culpa desta "inferioridade" nesta revisão, não seja do realizador, da reciclagem das histórias, da sua esperada edição, da falta de naturalismo apresentado, mas sim dos anos. Com sabem são os 80 e não os libertadores e rebeldes 70, como se costuma dizer. Não sei se tal terá alguma influência, mas é certo que a surpresa dissipou, o que vemos é uma aventura que se gostaria recordar, infelizmente sem esses referidos momentos "proustianos".

 

"We came for a good time, not for a long time."

 

Real.: Richard Linklater / Int.: Blake Jenner, Tyler Hoechlin, Ryan Guzman, Wyatt Russell, Zoey Deutch, J. Quinton Johnson

 

glen-powell-everybody-wants-some-600x314.jpg

6/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 23:37
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Capitão América - Guerra Civil.jpg

Vamos brincar às politicas de collants!

 

Capitão América reencontra o seu amigo de infância, agora inimigo da SHIELD e da ordem mundial, Bucky Barnes, num apartamento em Berlim. Neste secreto encontro, Bucky tenta convencer o nosso herói da sua inocência quanto a um tenebroso atentado à Sede das Nações Unidas, cujas provas apontam para o seu envolvimento. Entretanto surge a notícia de que tal edifício está cercado pela polícia de intervenção alemã e a única forma de ambos escaparem da massa policial é através dela. Bucky garante ao nosso amigo "que não irá matar ninguém". As sequências seguintes são de uma brutalidade avassaladora, o denominado Soldado do Inverno e o Capitão América tentam sair do prédio, golpeando, atirando "borda-fora" e fortemente batendo nos ditos policiais. As imagens são evidentes, são poucos os que conseguem resistir a tais golpes. Toda esta cena vem provar o que não precisa ser provado, estamos perante a um filme inconsequente nos seus actos. Tudo muito bem, o problema é quando se joga com a politica.

 

2127299373-chris-evans-como-o-capitao-america-em-c

 

A Marvel prometeu uma Guerra Civil, baseada numa homónima série de BD, porém, o resultado é deveras decepcionante. Como já referi, neste franchise da Disney o terreno é fértilmente politico, digno do cinema adulto, mas o que consegue é nada mais, nada menos que um ensaio pueril que brinca com as ditas politicas da mesma forma que movimenta figuras de acção. Tudo começa com uma chamada aos tempos da Guerra Fria, que depois dos nazis disfarçados que fora a organização antagónica HYDRA , chega-nos os fantasmas da União Soviética, com o modelo do Candidato da Manchúria como primeira base.

 

guerra-civil-trailer-japones-capa.jpg

 

O anterior Soldado de Inverno continua a fazer das suas, integrado em mais missões terroristas que servem de pano de fundo para uma conspiração a cargo global. Mas o problema não está nos vilões “vermelhos”, mas sim nos próprios Vingadores, cada vez militarizados e convertidos em forças especiais a operar nos locais mais remotos em defensa de uma estilo de vida próprio, o qual acreditam piamente. Depois de uma missão que terminou em tragédia em Lagos, Nigéria, vitimando mais de uma dezena de civis, as Nações Unidas engendram um plano, não para destruir a iniciativa dos Vingadores, mas destituir os seus poderes e a liberdade destes, sendo que a única solução é uma interligação à NATO, o qual só operariam caso fossem precisos ou convocados.

 

Captain-America-Civil-War-Spider-Man-Shield-Offici

 

É um registo teoricamente interessante seguir este território pantanoso no subgénero de super-heróis, Christopher Nolan o conseguiu com a sua trilogia protofascista (The Dark Knight) e a última estância da DC Comics (Batman V Superman), sombreia a responsabilidade da imensidão dos poderes num só individuo. Mas a Marvel, ligada à sua Disney, apenas consegue proclamar ideologias fascistas e anárquicas no seu Capitão América, confundindo-as com alusões de liberdade individual e em politicas maniqueístas, e nada de ambiguidades, muito menos chamadas de "facas de dois gumes". Guerra Civil vai ao encontro dessas doutrinas e crenças, transformando o Homem de Ferro e os seus “seguidores”, a fim de tomar responsabilidades governamentais, como os verdadeiros vilões da fita. Com “brigas” atrás de “brigas”, o filme acaba por transmitir uma visão de um Mundo e esta “realidade” é estabelecida como a mais correcta das verdades.

 

captain-america-civil-war-war-machine.jpg

 

Conclusão, temos super-heróis politicamente perversos ao serviço de um argumento inconsequente que parece ter sido escrito por uma criança de 5 anos com toda aquela harmonia típica da Disney. Conforme são as nossas acções e posições acabamos por ser todos “amigos” perante uma causa comum. A moralidade no seu "melhor"! Mas o pior, é que como é um filme de super-heróis bem oleado, portanto, ninguém leva a sério estas tais politiquices jogadas num só norte. Infelizmente, é por estas e por outras que, com a ajuda dos ávidos seguidores de BD, filmes como estes são venerados e aclamados como produtos cinematográficos de requinte, até porque o que interessa é saber quem ganha no confronto Capitão VS Homem de Ferro, e o Homem-Aranha "enfiado a martelo”, apenas para providenciar futuros capítulos (um registo imaturo que só vem a provar para quem são direccionados este tipo de produções). O restante é simplesmente “peanuts”.

 

"I know how much Bucky means to you... Stay out of this one, please. You'll only make this worse."

 

Real.: Anthony e Joe Russo / Int.: Chris Evans, Robert Downey Jr., Tom Holland, Elizabeth Olsen, Scarlett Johansson, Paul Rudd, Sebastian Stan, Paul Bettany, Gwyneth Paltrow, Chadwick Boseman, Martin Freeman, Daniel Brühl

 

Spider-Man-Civil-War-Team-Cap.jpg

 

Ler Críticas Relacionadas

The Amazing Spider-Man (2012)

The Amazing Spider-Man 2 (2014)

Spider-Man 2 (2004)

Spider-Man 3 (2007)

Guardians of the Galaxy (2014)

Iron Man (2008)

Iron Man 2 (2010)

Iron Man 3 (2013)

Hulk (2003)

The Incredible Hulk (2008)

Thor (2011)

Thor: The Dark World (2013)

Captain America: The First Avenger (2011)

Captain America: The Winter Soldier (2014)

The Avengers (2012)

The Avengers: Age of Ultron (2015)

 

4/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 16:15
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

joseph-gorden-levitt-as-edward-snowden.jpg

Eis que é revelado o primeiro trailer de The Snowden Files, o próximo e, provável, controverso filme de Oliver Stone. A obra girará em torno de Edward Snowden e os seus ficheiros, aqui interpretado pelo actor Joseph Gordon-Levitt.

 

Baseado na publicação de Anatoly Kucherena [o advogado russo de Snowden], The Time of the Octopus, e no do jornalista Luke Harding, The Snowden Files, The Inside Story of the World's Most Wanted Man. Shailene Woodley, Melissa Leo, Zachary Quinto, Nicolas Cage, Tom Wilkinson, Rhys Ifans, Joely Richardson e Timothy Olyphant compõem o elenco.

 

O filme está previsto chegar aos cinemas em Setembro de 2016.

 

 

Ver Também

The Snowden Files, o novo filme de Oliver Stone, já tem teaser trailer!

Oliver Stone poderá assumir filme sobre jornalista russo!

Nicolas Cage em filme sobre Snowden, realizado por Oliver Stone!

Arranca filme sobre Edward Snowden!

Joseph Gordon-Levitt pode interpretar Edward Snowden no filme biográfico que se encontra a ser desenvolvido por Oliver Stone

Oliver Stone transportará história de Edward Snowden ao cinema!

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.


publicado por Hugo Gomes às 14:51
link do post | comentar | partilhar

26.4.16

450864-130824-rev-the-best-offer.jpg

Conhecida pelo seu desempenho em a La Migliore Offerta [ler crítica], a actriz holandesa, Sylvia Hoeks será a protagonista da sequela de Blade Runner, cujas filmagens arrancarão no próximo mês de Julho.

 

Assim sendo, Hoeks juntará aos actores Ryan Gosling (The Big Short [ler crítica]) Harrison Ford, Robin Wright, Dave Bautista (Spectre [ler crítica]) e Ana de Armas (Knock Knock [ler crítica]). A direcção deste novo filme estará a cargo de Denis Villeneuve, o responsável pelo muito elogiado Sicario [ler crítica], enquanto que Ridley Scott apenas estará presente como produtor.

 

Relembramos que Blade Runner, de 1982, é baseado num livro de Philip K. Dick - Do Androids Dream of Electric Sheep? – O seu enredo leva-nos a um futuro longínquo, onde a civilização humana é ameaçada pela propagação dos replicantes, andróides que tentam estabelecer o seu direito à “vida” e à humanização. No centro da história encontramos Rick Deckard (Harrison Ford), um caçador de recompensas que se dedica à caça dessas mesmas imitações humanas.

 

Blade Runner é hoje considerado uma das obras-primas da ficção científica cinematográfica, mas na altura da sua estreia foi “abalado” por imensas críticas negativas e um desinteresse total pelo público em geral. O filme foi também prejudicado por inúmeras versões, sendo que todas elas debatiam na sequência final (crê-se que a Warner Bros, pretendia um final feliz, bastante divergente da vilão do realizador) e de uma cena chave que poderia questionar a condição do seu protagonista.

 

Com estreia agendada para Outubro de 2017, o filme será distribuído internacionalmente pela Sony, sendo que em Portugal a empresa responsável pela sua distribuição seja a Big Pictures.  

 

 

Ver também

Dave Bautista em Blade Runner 2!

Robin Wright estará em Blade Runner 2!

Blade Runner 2 com rodagens agendadas!

Harrison Ford volta a Blade Runner, com realizador escolhido!

Ridley Scott não vai realizar Blade Runner 2!

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.

tags:

publicado por Hugo Gomes às 23:00
link do post | comentar | partilhar

25.4.16

Sem Título.jpg

Foi anunciado as restantes personalidades que irão compor o júri da Selecção Oficial do próximo Festival Cannes.

 

No júri, que será presidido pelo realizador George Miller (Mad Max: Fury Road), estarão integrados os cineastas Arnaud Desplechin (Trois Souvenirs de ma Jeunesse) e László Nemes (Saul Fia), os actores Donald Sutherland (The Hunger Games), Mads Mikkelsen (da série Hannibal), Vanessa Paradis (Fading Gigolo), Valeria Golino (Per Amor Vostro), Kristen Dunst (Melancholia) e a produtora iraniana Katayoon Shahabi.

 

A 69ª edição do Festival de Cannes decorrerá entre 11 a 22 de Maio.

 

 

Ver mais sobre Cannes 2016

Cannes revela novos filmes na programação!

Primeiro trailer de Café Society, o novo filme de Woody Allen!

Duas curtas-metragens portuguesas na Semana da Crítica em Cannes!

Primeira imagem de American Honey, o novo filme de Andrea Arnold!

Realizador de Oldboy tentará a sua sorte com The Handmaiden!

Conheçam a Selecção Oficial do Festival de Cannes 2016!

Conheçam a selecção oficial de curtas-metragens do 69º Festival de Cannes!

Novo Filme De Jodorowsky na Quinzena Dos Realizadores!

Conheçam o poster da edição de 2016 da Semana da Crítica!

Woody Allen abre 69º Festival de Cannes

Aki Kaurismäki será premiado em Cannes!

Valérie Donzelli será presidente do Júri da Semana da Crítica de Cannes!

Poster: 69ª Festival de Cannes

George Miller vai presidir júri do próximo Festival de Cannes!

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.


publicado por Hugo Gomes às 18:36
link do post | comentar | partilhar

xmen0002.jpg

Foi revelado o trailer final de X-Men, Apocalypse (com um surpresa para os fãs). Tal como titulo e o video sugerem, a equipa de mutantes gerida pelo Prof. Xavier terá um desafio à sua altura, o imponente Apocalypse (Oscar Isaac).

 

Esta personagem antagonista [Apocalypse], cujo verdadeiro nome é En Sabah Nur (que significa numa língua ancestral como "o primeiro"),  foi criada por Louise Simonson e Jackson Guice e integrado na série de BD X-Men em 1986. É o mais puro dos mutantes e provavelmente a maior ameaça destes e da Humanidade. O primeiro vislumbre deste ser enigmático e tenebroso no cinema deu-se com a cena pós-créditos de X-Men: Days of a Future Past, o qual víamos um jovem Apocalypse (aqui interpretado por Brendan Pedder) a ser venerado como um Deus egípcio tratasse.

 

Bryan Singer regressa à franquia, assim como os actores James McAvoy, Jennifer Lawrence, Evan Peters, Nicholas Hoult e Michael Fassbender, enquanto isso, Sophie Turner, Olivia Munn, Ty Sheridan e Alexandra Shipp são as novas aquisições. X-Men: Apocalypse chegará aos cinemas nacionais no dia 19 de Maio de 2016.   

 

 

Ler Críticas

X-Men (2000) 

X-Men: The Last Stand (2006

X-Men Origins: Wolverine (2009) 

X-Men: First Class (2011)

Wolverine (2013)

X-Men: Days of Future Past (2014)

Deadpool (2016)

 

Ver também

Deadpool tem sequela confirmada!!

X-Men ao rubro com um novo trailer!

Magnitudes épicas em X-Men: Apocalypse? Vejam o spot da Super Bowl!

Feliz Natal e novo trailer de Deadpool no "sapatinho"!

Primeiro trailer de X-Men: Apocalypse!

Primeiro poster de X-Men: Apocalypse!

X-Men: Apocalypse, novas imagens revelam aspecto do grande vilão!

Comic-Con 2015: o primeiro vislumbre do Deus mutante, Apocalypse!

Realizador do Planeta dos Macacos vai dirigir Gambit, com Channing Tatum!

Três novos actores no elenco de X-Men: Apocalypse

Agendado spin-off de Gambit, com Channing Tatum!

Channing Tatum será Gambit no próximo X-Men

Oscar Isaac será Apocalypse em novo filme de X-Men!

Channing Tatum será Gambit no próximo X-Men

Mystique poderá ter filme a solo!

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.


publicado por Hugo Gomes às 14:16
link do post | comentar | partilhar

13101189_10206101801760937_133013868_n.jpg

Une Jeunesse Allemande foi um dos filmes mais elogiados da passada edição do Indielisboa, um relato inteiramente composto por imagens de arquivo que demonstra a ascensão da Facção do Exército Vermelho, fundando por Andreas Baader e Ulrike Meinhof. Jean-Gabriel Périot foi o mentor dessa estrutura documental e agora é uma das figuras centrais da edição deste ano do mesmo festival que o havia acolhido. O Cinematograficamente Falando … falou com o realizador que tem demonstrado um intenso trabalho a nível de pesquisa, funcionado em prol da "mãe" de todas as questões - Porquê que lutamos?

 

 

É a sua primeira vez em Portugal?

Não, é a minha terceira vez.

 

Como se sente ao saber que um festival de cinema dedica a uma secção especialmente para si?

Posso dizer que fico feliz por ver um festival a passar os meus filmes. Digamos que quando um festival decide dedicar-me uma retrospectiva e criar uma espécie de "relação" comigo é no mínimo … estranho. 

 

O seu trabalho é quase exclusivamente à base do found footage, mas a questão é como surgem as suas ideias? Olha para uma imagem e elas "falam" consigo?

Tirando algumas exceções, a ideia nunca vem das imagens, e sim dos livros. Quando interesso-me por um assunto começo por ler bastante, investigo, pesquiso e só depois da ideia formada é que dirijo-me para os arquivos, ou seja, já existe filme antes das imagens. Só houve um que fugiu à regra, "Eût-elle été criminelle...", o qual eu segui primeiramente aos arquivos. Mas tirando isso, eu começo por inteirar-me num tópico e só depois é que surge o meu "assalto" aos arquivos.

 

eut-elle-ete-criminelle51.png

 

Os seus filmes têm uma forte componente política, por norma eles abordam a luta contra qualquer coisa. Esta sua vontade de demonstrar a insurreição, o combate, a manifestação, surgiu em algum ponto da sua vida, ou simplesmente você é um rebelde que odeia autoridades?

Na verdade, eu realmente odeio autoridades! (risos)

 

Mas por alguma razão?

Apenas não percebo porque é que algumas pessoas pretendem ser superiores, esse é um verdadeiro problema da autoridade. Por exemplo, eu sou um realizador, por isso poderia superiorizar-me perante os outros, mas para conseguir criar ou manter uma relação com os eles devo manter ao mesmo nível e não assumir como uma autoridade. O mesmo se passa com os políticos ou os chefes de estado, ninguém é superior a ninguém. Mas sei muito bem que precisamos de organização, porém, precisamos ainda mais de partilhá-la. Não cabe a uma pessoa decidir o destino de todos os outros.

 

E foi então que começou a fazer filmes sobre a luta contra a autoridade de qualquer forma?

Nem sempre isso se aplica aos meus filmes. Mas, por exemplo, mesmo quando deparamos com a resistência, a luta assim por dizer, questionamo-nos do "porquê que as pessoas lutam". Penso que é uma questão de energia.

 

w964.jpg

 

Então é essa a questão que procura nos seus filmes, o porquê de nós lutarmos?

Sim, é essa a questão que procuro. Por vezes, quando lutamos, libertamos muita energia e essa mesma energia quebra as nossas rotinas de vida. O universo não é perfeito, mas penso que encontramos o nosso lugar como ser humano enquanto resistimos a algo.

 

No caso da sua longa-metragem, Une Jeunesse Allemande, acredita ter feito um manifesto?

Não, pois penso que quando fazemos um referido manifesto o fazemos de maneira positiva. Se fizesse um manifesto comunista, por exemplo, seria algo do género "nós mudaremos o Mundo, mas ele teria que ser assim". Une Jeunesse Allemande é mais um filme sobre História a ser feita. Assistirmos a tantas pessoas falharem que é como um completo conjunto de fracassos. Nada muda. Julgo que neste filme é mais uma questão "do que fazer" e não "do que recusar". Tudo resume-se a uma invocação de resistência.

 

Referiu numa entrevista que prefere partilhar os seus filmes aos alcances de todos, mas no caso Une Jeunesse Allemande não funcionou bem assim. Quer explicar o porquê dessa decisão?

Simplesmente não tem a ver comigo, mas sim com a produção. Porque o cinema é arte e também indústria, e para faze-lo é preciso dinheiro, então arranjei quem o financiasse e esses mesmos produtores querem o seu dinheiro de volta. É assim que funciona, trata-se de um produto, não se pode divulgar gratuitamente na internet, essas pessoas [produtores] querem a sua "fatia". Obviamente que para mim, enquanto realizador, é preferível partilhar os meus filmes de maneira que todos pudessem vê-los.

 

453830348_1280x720.jpg

 

Foi curioso referir o seu filme como produto, por norma os realizadores evitam esse mesmo adjectivo.

O problema do cinema é que ela é uma indústria. Politico, autoral, etc, faz tudo parte da indústria. Como eu fiz muitos filmes sem dinheiro, os festivais sempre foram importantes para a divulgação dos meus filmes, exceto, obviamente, a internet. Mas quando iniciei não havia internet e mesmo assim ela não é suficiente. Por exemplo, eu próprio não gosto de ver filmes na internet, prefiro ir a um cinema ou até mesmo ter um DVD. Mas como realizador preciso de ir a todo o lado. É um preço a pagar para quem deseja fazer filmes.

 

E quanto a novos projectos?

Vou apostar num filme de ficção acerca de Hiroxima.

 

Ficção? Quer falar melhor sobre esse projecto?

De certa maneira será uma metáfora sobre o que Hiroxima "aprendeu". Passei algum tempo na cidade, em preparações para o meu 200,000 Phantoms, ouvi os seus habitantes, os sobreviventes da catástrofe, os testemunhos. Com tal experiência senti-me mais livre, o facto de ter em minha posse este tipo de História e o conhecimento gerado por este. Uma História preciosa, e igualmente frágil, porque os sobreviventes tentam lutar para serem felizes, mesmo tendo em conta tudo aquilo que passaram. Ou seja, terem a possibilidade de serem felizes, combatendo tudo aquilo que poderá destruir o mundo. Este filme trará não uma questão política, mas sim de como lidamos com o tempo. 

 

62900596_1280x720.jpg

 


Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.


publicado por Hugo Gomes às 00:06
link do post | comentar | partilhar

24.4.16

13090347_10206083112053706_1917755091_n.jpg

Depois de ter silenciado Cannes duas vezes, uma em 2002 com Irréversible e em 2009 com Enter the Void, Gaspar Noé voltou a fazer das suas em terras francesas com Love, uma história de amor, sexo e obsessão o qual prometeu alterar para sempre a maneira de encenar sexualmente no grande ecrã. Depois de uma estreia mediática no Festival, Love chega por fim a Portugal no âmbito do Indielisboa, o Cinematograficamente Falando … teve a oportunidade de falar com o realizador argentino radicado na França, numa conversa descontraída que disseca a sua obra, aborda uma vida que o cineasta pode nunca mais reaver, e o seu trabalho com "caras" desconhecidas.

 

 

Como foi concluir o seu "projecto de sonho"?

 

Foi um dos meus projectos de sonho. Eu escrevi o primeiro rascunho do guião após escrever o Enter the Void e depois de escrever uma curta sinopse do Irréversible. Como não consegui arranjar financiamento para o Enter the Void após a minha primeira longa-metragem, então optei por um projecto de baixo-orçamento que pudesse filmar e produzir em Paris. Escrevi um rascunho deste filme, que na altura intitulava-se por Danger, e conheci o Vincent Cassell num clube o qual perguntou-me o que estava a preparar. Disse-lhe que estava a espera de financiamento para o Enter the Void, mas que encontrava-se a preparar uma história de amor, bastante erótica, em Paris, e que estava interessado em que a Monica Bellucci entrasse.

 

Então encontrei-me com produtores que anunciaram que tinham o dinheiro para este projecto com Vincent Cassell e Monica Bellucci, e foi então que apercebi-me de que a maneira que pretendia filmar poderia comprometer o trabalho destes atores. Mas apresentei na mesma a minha ideia e eles simplesmente disseram “Não”. Foi então que sugeri, como estava livre nesse verão e o produtor também, fazer um outro projecto rápido e foi assim que concretizei o Irreversível. Nós o fizemos e tornou-se num grande êxito, desde então fiquei com a esperança de improvisar o projecto, mas entretanto o meu outro projecto foi aceite. É que depois do Irreversível, tive o desejo de filmar o Enter the Void.

 

5988476088_6fe0f9a839_o.jpg

 

Depois de estrear o Enter the Void, avancei com este filme, porque eu sempre havia dedicado a este projecto, que era algo tão próximo de mim, tão próximo da minha própria vida. Mesmo que não fosse uma autobiografia, era como fosse a vida que os meus amigos tinham e na qual estava integrado. A vida dos 25 anos, com festas, noites, drogas, o amor desesperado, aquela maneira estranha dos fracassos, o qual tornaram este projecto muito afectivo. 

 

 

Foi então que optou por actores desconhecidos para Love? Como os escolheu?

 

Há pessoas que tem carisma e outras não. Quando nós dirigimos atores descobrimos que alguns tem maior aptidão para decorar as deixas, lembrar longos diálogos, outros tens talentos interpretativos, facilmente choram, outros desempenham uma personagem desenvolvidas por eles. Mas quando descobrimos pessoas carismáticas, não precisamos de atores… basta que tenham boas capacidades de improvisação, visto que eu faço muita edição. Depois de Vincent Cassell e Monica Bellucci terem recusado, decidi apostar em rostos desconhecidos. No entanto, apesar de ter uma grande admiração por bons actores, também gosto de ver em filmes, caras que não conheço, visto que trazem consigo algo novo.

 

 

Isso tem a haver com o facto de não associarmos essas caras com outras personagens?

 

Sim, mas atenção, eu não conseguiria fazer o Irréversible sem a Monica e o Vincent, porém, não poderia ser radical com eles devido às suas respectivas carreiras e sucessos anteriores. Neste caso, para um filme destes, pretendia atores mais jovens, e que não estivessem ligados a filmes anteriores.

 

Irreversible-2.jpg

 

Por exemplo, quando eu vejo o filme The Dreamers, a representação de Michael Pitt é perfeita. No entanto eu não poderia tê-lo no meu filme, porque o espectador iria associar de imediato com The Dreamers ou outros dos seus anteriores filmes, e o mesmo iria acontecer com a rapariga. Para além disso, o actor está demasiado velho para o papel. Quando comecei os castings, a minha grande preocupação era encontrar um rapaz ou uma rapariga que se sentissem confortáveis com os “corpos de outra pessoa” … e com a sua nudez. Para muitos atores profissionais, este papel poderia ser considerado como um risco, por causas dos seus planos de carreira, fãs e o facto de se exporem desta maneira.

 

Para estes casos, as pessoas estão sempre mais alertas. Além do mais, é mais fácil para um homem mostrar o seu pénis, erecto ou não erecto, do que uma mulher expor-se em situações sexuais. Tudo isto porque vivemos num mundo dominado por homens, onde um pai não se iria importar que este tipo de papéis fossem vistos pelos seus próprios filhos. No caso da mulher, no mundo em que vivemos, ela facilmente seria julgada.

 

 

Como preparou-os para as cenas sexuais?

 

A ideia principal é que os atores fossem tangíveis, ousados e que soubessem o tipo de filme que estavam a fazer. Teriam que conhecer o tema e para isso debatíamos muito. Pedi aos atores para terem em conta, nestas cenas, que não se poderiam depilar, visto que para mim era esteticamente não-natural e eu pretendia algo vintage. Fico sempre chocado com esta nova moda das raparigas depilarem as suas “partes baixas” … acho feio! Para alguns homens é excitante mas para mim a depilação pertence à indústria pornográfica e não à vida real.

 

transferir (1).jpg

 

Mas não pretendia fazer um filme pornográfico?

 

Não, eu estava simplesmente à procura de algo real. Não queria copiar nenhum dos filmes, nem sequências eróticas que tivesse visto, muito menos cenas explícitas que são tudo menos eróticas, mas sim reproduzir a maneira como beijamos e fazemos sexo quando estamos apaixonados por alguém.

 

 

Como surgiu o 3D para este filme?

 

Eu já tirava fotos em 3D, tinha uma câmara própria para o efeito. Numa altura difícil, na qual a minha mãe estava a morrer, eu tirei várias fotos com essa câmara para ter a possibilidade de recordar dela. Via essas fotografias num pequeno monitor.

 

Eu recebi um subsídio em França, através do Centro Nacional de Cinema (CNC), para ajudar a desenvolver novas tecnologias. Um mês depois de começar a filmar, pensei em usufruir do subsídio, mas não o pude fazer, porque teria que aguardar mais quatro meses antes de avançar no projecto. Mas como estava a filmar há já a um mês, eles colocaram o meu projecto no topo da “pilha”, duas semanas depois começamos a filmar com tais câmaras [3D]. Tive imensa sorte em participar neste tipo de indústria.

 

8itsnjodg3pvajw805hizd7it.jpg

 

Ao filmar em 3D, não tornei este projecto mais caro mas ficou incluindo na categoria dos filmes de “grande orçamento”. Para além disso, o filmamos em 5 semanas.

 

 

Automaticamente associamos Love a si. Não pelo seu nome aparecer nos créditos, mas sim por ser um filme imenso de referências das suas anteriores obras. Cheio de easter eggs.

 

Mais uma vez, este filme não é uma autobiografia mas sim o retrato de uma vida que eu e os meus amigos conhecemos. São esses os elementos do filme. Tentei filmar o jovem actor como um irmão mais novo tratasse, um tipo que estuda cinema, fez uma curta-metragem e que não sabe se vingará na indústria. A personagem é um rapaz fixe, descontraído, mas um verdadeiro fracasso, como um amigo fracassado.

 

 

Na sua carreira, existe uma frase que o persegue - O tempo destrói tudo - e Love não é excepção.

 

Sim, o tempo apaga tudo, mas penso que isto é mais a memória apaga o passado e como a vida consegue destruir os teus ideais. Como pequenos acidentes podem alterar os seus projectos de vida. Por exemplo, no filme, quando o protagonista engravida a rapariga, trata-se de um acidente, duma quebra. Aliás, são os acidentes que mudam o percurso das personagens nos meus filmes.

 

 

E quanto a novos projectos?

 

Não sei exactamente aquilo que eu vou fazer, mas estou a pensar em diferentes projectos.

 

20151103love_promo1.jpg

 

Quer falar sobre esses projectos?

 

Simplesmente, porque de momento não estou a preparar nenhum filme. Mas estou a considerar projectos diferentes.

 

 

Radiante por ver o seu filme a circular depois da mostra de Cannes?

 

Eu mudei um pouco, penso que agora a duração esteja com menos um minuto, visto que retirei três minutos do filme e acrescentei dois no final e mudei algumas músicas. O filme actualmente está mais perfeito do que a versão vista em Cannes, cuja música era provisória assim como os créditos. Que não estavam concluídos.

 

 

Então digamos que é um director's cut?

 

Sinceramente, eu não estava à espera que estivesse pronto para o Festival de Cannes, porque em meados de Fevereiro, o filme ainda estava a ser filmado. A meio de Abril, antes de anunciar os restantes filmes seleccionados para o festival, perguntaram-me se eu queria estar na Sessão da Meia-Noite de Cannes, aceitei mas antes advertir que o filme não estava completo. Faltavam três semanas para o início do festival, contudo, consegui terminar a tempo, foi o maior stress da minha vida.

 

pourquoi-pnl-ne-ressemble-personne-1446144100 (1).

 

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.


publicado por Hugo Gomes às 22:32
link do post | comentar | partilhar

23.4.16
23.4.16

Boi Neon.jpg

Néon é o novo preto!

 

Boi Neon tem diversas vezes a noção de que a beleza pode ser fabricada mesmo sobre chapa zinco. Tal como é possível assistir a certo momento nesta obra de Gabriel Mascaro, um boi pintado sobre cores neons, conseguindo-se tornar-se no ponto alto de um rodeo decadente. Ou seja, o belo pode ser procurado e interpolado nos mais inóspitos cenários, mesmo quando o conto em si, beleza real nada traz. Tal como Domésticas, o anterior trabalho de Mascaro, o foco é novamente a "mão-de-obra", indivíduos sujeitos ao bem-estar dos outros, completando serviços que ninguém sonha ter como um derradeiro destino.

 

boiNeon.jpg

 

As donas de casa são substituídas pelos "Reis do Gado", e por detrás dessa luxuosa visão de paisagens verdejantes e bovinos ruminando calmamente, existe um mundo algures entre a "podridão" e a escravatura do novo século. Porém, Boi Neon é mais que um alerta político-social, longe do filme-denúncia de teor propagandista, é um ensaio da natureza intrínseca da masculinidade, e como esta pode ser invertida num mundo onde os homens preocupam com as futilidades do seu aspecto e com os sonhos mantidos de estilismos e outros acessórios associados ao feminino. Nesse mesmo universo, mantido com algum humor screewball e mordaz, as mulheres são seres dominantes, activas que fazem dos homens meros objectos de prazer sexual, ou serventes de manda, como gado que estará aí por nascer.

 

001.jpg

 

É um exotismo não visto num Brasil fora do mercado das novelas e de muitas favela movies que contamina indústrias cinematográficas com um realismo modelizado para com o que convém. Este é o Brasil desconhecido, inóspito de elegância, cuja beleza está presente a quem procura e Boi Neon é o filme certo para "entrar" nessa honestidade estética, a "belezura" de papelão, tingida e infringida de maneira crua e suja. Um dos grandes filmes brasileiros dos últimos anos, sem medo para transgredir o politicamente correcto, ou por outras palavras, o conservacionismo.  

 

Filme visualizado no 13º Indielisboa: Festival Internacional de Cinema Independente

 

Real.: Gabriel Mascaro / Int.: Juliano Cazarré, Maeve Jinkings, Josinaldo Alves

 

iremar-costurando-1024x576.jpg

 

8/10

publicado por Hugo Gomes às 13:16
link do post | comentar | partilhar

553062.jpg

Eva no Duerme (Pablo Aguero, 2015)

 

deadgirl.jpg

 Deadgirl (Marcel Sarmiento & Gadi Harel, 2008)

 

the-corpse-of-anna-fritz-1.jpg

 El Cadáver de Anna Fritz (Hèctor Hernández Vicens, 2015)

 

army.jpg

Swiss Army Man (Dan Kwan & Daniel Scheinert, 2016)

 

WeekendAtBernies_184Pyxurz.jpg

Weekend at Bernie (Ted Kotcheff, 1989)

 

General-Zod-Batman-V-Superman-Movie-Michael-Shanno

 Batman V Superman: Dawn of Justice (Zack Snyder, 2016)

 

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.


publicado por Hugo Gomes às 12:02
link do post | comentar | partilhar

22.4.16

tumblr_o11ugfAxx21qej1i6o1_1280 (1).jpg

O cineasta iraniano Asghar Farhadi estará presente na Competição Oficial do próximo Festival de Cannes com The Salesman, a história de um casal cuja relação torna-se ácida após uma interpretação na peça de teatro, Death of a Salesman (Morte de um Vendedor), de Arthur Miller.

 

Porém, Farhadi não foi a única presença anunciada hoje para o Festival de Cannes. A secção Un Certain Regard divulgou que vai arrancar o seu certame com Eshtebak, do egípcio Mohamed Diab, e contando ainda com o novo filme do britânico David MacKenzie, Hell or High Water. Enquanto isso, Blood Father, de Jean-François Richet, será exibido na sessão de Meia-Noite.

 

Teremos ainda três sessões especiais: Wrong Elements, de Jonathan Littell; La Forêt De Quinconces, de Grégoire Leprince-Ringuet, uma produção de Paulo Branco, e Chouf, de Karim Dridi.

 

A organização anunciou a presença de Iggy Pop, o vocalista dos The Stooges, na sessão do filme Gimme Danger,  um olhar intimista e biográfico do cantor dirigido por Jim Jarmusch.

 

A 69ª edição do Festival de Cannes decorrerá entre 11 a 22 de Maio.

 

 

Ver mais sobre Cannes 2016

Primeiro trailer de Café Society, o novo filme de Woody Allen!

Duas curtas-metragens portuguesas na Semana da Crítica em Cannes!

Primeira imagem de American Honey, o novo filme de Andrea Arnold!

Realizador de Oldboy tentará a sua sorte com The Handmaiden!

Conheçam a Selecção Oficial do Festival de Cannes 2016!

Conheçam a selecção oficial de curtas-metragens do 69º Festival de Cannes!

Novo Filme De Jodorowsky na Quinzena Dos Realizadores!

Conheçam o poster da edição de 2016 da Semana da Crítica!

Woody Allen abre 69º Festival de Cannes

Aki Kaurismäki será premiado em Cannes!

Valérie Donzelli será presidente do Júri da Semana da Crítica de Cannes!

Poster: 69ª Festival de Cannes

George Miller vai presidir júri do próximo Festival de Cannes!

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.


publicado por Hugo Gomes às 17:09
link do post | comentar | partilhar

thumbnail_23757.jpg

Um novo  trailer acaba de ser revelado de Independence Day: Resurgence, a sequela do grande êxito de Roland Emmerich em 1996, protagonizado por Will Smith. Agora sem o actor no elenco, mas contando com o regressos de Jeff Goldblum e Bill Pullman, eis o segundo round do embate entre humanos e extraterrestres, com os invasores a tentarem vingar-se da pesada derrota.

 

Jessie Usher, Maika Monroe e Liam Hemsworth são as novas caras do elenco. Realizado novamente por Emmerich, Independence Day: Resurgence chegará aos cinemas em Junho de 2016.

 

 

Ver Também

Falando em destruição, vejam o tv spot de Independence Day: Resurgence!

Trailer: O 2º round em o "Dia da Independência"!

O Dia da Independência a dobrar!!

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.


publicado por Hugo Gomes às 13:57
link do post | comentar | partilhar

image001.jpg

O cineasta tailandês Apichatpong Weerasethakul está presente em Portugal para dirigir um Seminário do curso de doutoramento em Estudos Artísticos da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da Universidade Nova de Lisboa (UNL), assim como apresentar três sessões especiais na Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema.

 

A Cinemateca dedicará uma programa em sua honra, composto por filmes da sua escolha (um variado leque de obras de Tsai Ming-liang, Hou Hsiao-Hsien, Forough Farrokhzad, Abbas Kiarostami, Jacques Tourneur, Francis Ford Coppola, Len Lye, Maya Deren, Stephen e Timothy Quay, Bruce Baillie) e ainda duas longas e 14 curtas-metragens da sua autoria.

 

Apichatpong Weerasethakul estará presente hoje, 22 de Abril, na apresentação de Goodbye Dragon Inn, de Tsai Ming-liang (pelas 21h30), no dia 26 com uma sessão composta por algumas das suas curtas e da sua longa Mekong Hotel [ler crítica] e ainda no dia 28, na estreia do seu recente trabalho, Cemetery of Splendor [ler crítica], numa colaboração da Cinemateca com a Midas Filmes.

 

O programa completo, poderá ser visto aqui

 

maxresdefault (1).jpg

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.


publicado por Hugo Gomes às 11:07
link do post | comentar | partilhar

21.4.16

cafe-society.png

Foi divulgado o primeiro trailer Café Society, o filme de Woody Allen que terá as honras de abrir a 69ª edição do Festival de Cannes (11 a 22 de Maio).

 

Quanto ao enredo, Café Society leva-nos de volta à década de 30, onde um jovem rapaz procura uma oportunidade na indústria cinematográfica. Nessa sua jornada acaba por apaixonar-se e integrar numa vibrante sociedade de café.

 

Filmado em Nova Iorque (Vittorio Storato é o director de fotografia), o filme conta com os desempenhos de Kristen Stewart, Jesse Eisenberg, Blake Lively, Steve Carell, Corey Stoll e Park Posey. Bruce Willis era também um dos nomes presentes no elenco, mas a sua saída deveu-se à adaptação de Misery, pela Broadway, o qual iria participar.

 

 

Ver mais sobre Woody Allen

Woody Allen abre 69º Festival de Cannes

Elaine May e Miley Cyrus em série de Woody Allen!

Bruce Willis fora do novo filme de Woody Allen!

Blake Lively no próximo filme de Woody Allen!

Bruce Willis e Kristen Stewart em novo filme de Woody Allen!

Woody Allen vai realizar série de televisão!

 

Ver mais sobre Cannes 2016

Aki Kaurismäki será premiado em Cannes!

Valérie Donzelli será presidente do Júri da Semana da Crítica de Cannes!

Poster: 69ª Festival de Cannes

George Miller vai presidir júri do próximo Festival de Cannes!

 

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.


publicado por Hugo Gomes às 18:54
link do post | comentar | partilhar

sobre mim
pesquisar
 
arquivos
2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


recentemente

Paul Vecchiali e Jem Cohe...

Power Rangers (2017)

Novo Suspiria será negro ...

10ª Festa do Cinema Itali...

Kleber Mendonça Filho pre...

Arranca hoje!

Falando com Alain Guiraud...

Homossexualidade na Disne...

Falando com Dalibor Matan...

Beauty and the Beast (201...

últ. comentários
A Bela e o Monstro (2017): 5*Eu amei o filme.As mú...
Annabelle: 4*A história de "Annabelle" é muito int...
On the reverse side, we still have many of vets th...
Não vejo como foi previsível. Os críticos contavam...
Não vejo como foi previsível. Os críticos contavam...
Takes
10/10 - Magnífico
9/10 - Imprescindível
8/10 - Bom
7/10 - Interessante
6/10 - Razoável
5/10 - Medíocre
4/10 - Muito Fraco
3/10 - Mau
2/10 - Péssimo
1/10 - De Fugir
0/10 - Nulidade
stats counter
HTML Hit Counter
counter
links
mais comentados
25 comentários
20 comentários
13 comentários
12511335_1084470088250815_732384524_o
subscrever feeds
blogs SAPO