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Foram reveladas as primeiras imagens do filme de animação do realizador israelita Ari Folman, que gira em torno da história de Anne Frank, a jovem rapariga judia, vítima do Holocausto, que morreu aos quinze anos de idade num campo de concentração, mas que deixou como legado um diário que fora escrito durante o tempo que se encontrava refugiada num sótão, antes de ter sido capturada pelas tropas nazis. Porém, esta nova versão seguirá a perspectiva de Kitty, o amiga imaginário de Anne Frank, que será personificado no filme através de uma marioneta.

 

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Seguindo o mesmo estilo de animação híbrido em 2D (novamente dirigida por Yoni Goodman) das suas anteriores obras, Waltz with Bashir e The Congress, Folman  terá ainda ao seu dispor cenários concebidos através do processo de stop-motion (colaboração com o director de fotografia, Tristan Oliver, e o designer Andy Gent, conhecidos pelos seu trabalho em The Fantastic Mr. Fox, de Wes Anderson). 

 

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Recordamos que a história de Anne Frank já foi contada diversa vezes, quer no grande ou pequeno ecrã. No cinema, a mais famosa foi a biografia dirigida por George Stevens, The Diary of Anne Frank (1959), com Mille Perkins no papel de Anne, ganhou três Óscares, incluindo o de Melhor Actriz Secundária para Shelley Winters. Enquanto na televisão, o telefilme de 1980, baseado na vida de Anne Frank, com Melissa Gilbert como Anne e Maximilian Schell como seu pai Otto, recebeu várias nomeações aos prémios Emmy.

 

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Ainda vale a pena lembrar que a Alemanha prepara a sua primeira produção cinematográfica baseada na história verídica da jovem judia. Contando com produção de Michael Souvignier e Walid Nakschbandi num filme de Hans Steinbichler, que conta com a jovem Lea von Ackeren no protagonismo, sendo acompanhada por Martina Gedeck (Night Train to Lisbon) e Ulrich Noethen (Hannah Arendt) no papel dos seus pais.

 

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Imagens cedidas pelo site Cinemascope.mako.co.il/

 

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The Congress (2013)

Waltz with Bashir (2008)

 

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publicado por Hugo Gomes às 23:40
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As criaturas da noite!

 

Há qualquer coisa de estranho em Davide (Davide Capone). Ele é um rapaz, mas não se sente como tal. A sua particularidade é vista com um afecto consolador da parte da mãe, que sofre de uma doença óptica regressiva, mas com uma violenta reprovação pelo pai, o que leva o jovem de 14 anos a abandonar a família e a viver à sua mercê nas ruas do bairro San Berillo. Aqui, Davide encontrará uma família adoptiva, um grupo diversificado de homossexuais, transexuais e outros que partilham, com o nosso protagonista, o orgulho pela diferença e o repúdio pela padronização social.

 

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A primeira obra de Sebastiano Riso poderá ser vista como um exemplo mais que modelizado do chamado subgénero "queer", onde até mesmo o seu desfecho nos remete à dor existencial deste tipo de cinema. Porém, Più Buio di Mezzanotte tem como minuciosidade o tratamento da classe homossexual e transgénero como se de criaturas alienadas se tratassem, viventes e falsamente livres na escuridão da noite. Em termos referenciais, diríamos que este leque de personagens excêntricos e de carácter bizarro são vistos como uma espécie de vampiros transvestidos saídos de uma obra qualquer dos anos 70 ou 80, como também são evidentes claras influências do cinema de Walter Hill, nomeadamente The Warriors (1979), em que é possível testemunhar abordagens quase tribais.

 

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É um retrato de uma homossexualidade confundida com contra-cultura, que ocasionalmente encontra a estranha beleza nas suas imagens, entre as quais um primeiro choque para com o bairro San Berillo, com o espectador a ser guiado por um plano sequência frontal e sob um rígido carácter etnográfico. Todavia, Più Buio di Mezzanotte pode muito deter um estética válida, mas é carente em emoção e um dos factores que se destaca é a unidimensionalidade das personagens secundárias e um cenário demasiado "pastiche". Infelizmente, são várias as oportunidades que Sebastiano Riso tem de implantar uma marca pessoal neste enredo demasiado frigido e cumpridor dos códigos "queer".

 

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A sensação final, e embora não seja um total desperdício, é que estamos perante uma pequena desilusão, especialmente  tendo em conta as cartas jogadas. Sob uma esforçada linguagem cinematográfica e no descodificar do erotismo na homossexualidade, Più Buio di Mezzanotte é como aquelas crianças mal comportadas, que afinal são tudo menos irreverentes.

 

Filme visualizado na 8ª edição do 8 1/2 Festa do Cinema Italiano

 

Real.: / Int.: Davide Capone, Pippo Delbono, Vincenzo Amato, Micaela Ramazzotti

 

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5/10

publicado por Hugo Gomes às 21:02
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Foi revelado um novo trailer de Mad Max: Fury Road (Mad Max: Estrada da Fúria), o quarto filme de uma saga cinematográfica iniciada em 1979 e a única sem a presença de Mel Gibson, que fora o herói de um mundo pós-apocalíptico onde o petróleo escasseia e a humanidade tenta selvaticamente sobreviver num interminável e árido deserto.

 

Tom Hardy, Charlize Theron, Nicholas Hoult, Riley Keough, Zoe Kravitz, Josh Helman, Rosie Huntington-Whiteley, Megan Gale e Nathan Jones  compõem o elenco. George Miller continua no cargo de realizador.

 

Mad Max: Fury Road tem a sua estreia no cinemas em Maio de 2015 e será apresentado no Festival de Cannes fora de competição.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 18:50
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Arrancaram em Los Angeles, as filmagens do novo filme do cineasta dinamarquês Nicolas Winding Refn  (Drive, Only God Forgives), The Neon Demon  (anteriormente intitulado de I Walk with the Dead).

 

A produção tem sido descrita como um conto de horror sobre a obsessão pela beleza, envolvendo modelos e canibalismo, seguindo a história de uma aspirante de actriz que muda-se para Los Angeles ao encontro de novos rumos para a sua carreira. Porém torna-se objecto de obsessão por um grupo de mulheres, a sua juventude é um dos alvos dessa cobiça extrema. Livremente baseado na vida da Condessa Erzebet Bathory, uma aristocrata húngara da Europa de Leste do século XVII que tem tentado travar o seu envelhecimento através de banhos com o sangue de virgens.

 

A jovem actriz Elle Fanning (Maleficent) é a protagonista desta bizarra e psicadélica história cuja ideia, segundo o realizador, surgiu numa certa manhã apercebera que vivia num mundo dominado por mulheres. The Neon Demon, com estreia para 2016, contará com a banda sonora de Cliff Martinez, um colaborador habitual de Refn, e com a fotografia de Philippe Le Sourd  (The Grandmaster). Keanu Reeves, Christina Hendricks, Abbey Lee, Jena Malone e Bella Heathcote completam o elenco.

 

 

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30.3.15

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Lázaro Ramos confirma a sua presença na 6ª edição do FESTin: Festival de Cinema Itinerante de Língua Portuguesa (8 a 15 de Abril), o qual apresentará a sessão de abertura, que será marcado pela projecção do filme O Vendedor de Passados. O actor brasileiro desempenha o papel de um homem que ganha a vida "fabricando" passados para quem decide um novo presente.

 

Na mesma sessão estará presente José Agualusa, o escritor angolano do homónimo livro que serviu de base para o filme dirigido por Lula Buarque de Hollanda.

 

Recordamos ainda que Lázaro Ramos encontra-se actualmente nomeado a um Sophia, prémios atribuídos pela Academia Portuguesa de Cinema, na categoria de Melhor Actor, graças ao seu desempenho em O Grande Kilapy, de Zezé Gamboa (que reúne um total de 12 nomeação aos respectivos prémios), curiosamente foi o filme de abertura da 4ª edição do FESTin, em 2013.

 

 

 

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29.3.15

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Foi divulgado o primeiro poster e trailer do novo filme de Nanni Moretti, Mia Madre, que terá em principio antestreia no próximo Festival de Cannes.

 

A história seguirá uma realizadora, Margherita (Margherita Buy), que se encontra em rodagens num filme com um famoso actor norte-americano (John Turturro). Fora do seu trabalho, Margherita é confrontada com a doença da sua mãe e filha adolescente, o qual tenta reconciliar os problemas  da sua vida pessoal com a profissional.

 

Nanni Moretti é também um dos actores, voltando ao duplo activo [actor e realizador], quatro anos depois de Habemus Papa.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:03
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Tempo, porque é que não voltas atrás?

 

Aquilo que o filme identifica como Le Cose Belle (A Coisa Bela) é a juventude,  aqui abordada como algo frágil mas ao mesmo tempo comum a todos nós. A flor de idade serve aqui como um contra-campo para o grande objectivo do documentário, ou seja, o de retratar a desilusão de uma geração sonhadora e convicta em vingar no futuro, mas cujo presente foi atropelado e obrigado a ceder à sobrevivência, tornando essa inocência arcaica em promessas incumpridas e juras burladas. São sonhos perdidos, olhados com tristeza e saudade, mas sobretudo confrontos intrínsecos com o grupo de quatro ex-crianças, gracejadas com uma felicidade irracional, mas convertidas em jovens adultos arrependidos e desesperançados.

 

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A dupla Ferrente e Piperno segue pisadas semelhantes às do cineasta brasileiro, Eduardo Coutinho, falecido em Fevereiro do ano passado, o qual havia feito com igual perseverança e regulamentação com os elementos temporais no documentário Cabra Marcado para Morrer (1985). Nesta obra que adquiriu grande valor na cinematografia brasileira, Coutinho revisitava nos anos 80 uma família do Noroeste do Brasil que tentou filmar nos anos 60, em que foi impedido de continuar o projecto original em consequência do regime militar que o país vivia. Ou seja, este documentário "brinca" com as mesmas condições prescritas do tempo e da memória, e em épocas do hype de Boyhood, Le Cose Belle ostenta como uma confirmação da paciência como um estilo fílmico de produção.

 

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Mas apesar do seu processo criativo, que por si realçará os atributos do filme enquanto obra de estudo etnográfico, Le Cose Belle apela diversas vezes à emoção, não só os dramas humanos contados sob um jeito nostálgico perdido, mas como música que funciona nessa linha unificada de passado e presente, com claro vislumbre para o futuro. As crianças de ontem, os adultos do amanhã, o espelho dessas duas faces lado-a-lado neste registo cinematográfico. Vale a pena espreitar as "coisas belas" da vida!

 

Filme visualizado na 8ª edição do 8 1/2 Festa do Cinema Italiano

 

Real.: Agostino Ferrente, Giovanni Piperno / Int.: Enzo Della Volpe, Fabio Rippa, Adele Serra, Silvana Sorbetti

 

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8/10

publicado por Hugo Gomes às 13:09
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Foi divulgado o primeiro trailer de Southpaw, um filme de Antoine Fuqua (Training Day, Olympus has Fallen) com Jake Gylenhaal no papel de um pugilista que tenta ascender na sua carreira, face a eventuais infortúnios que surgem no seu percurso ao título. Com Rachel McAdams, Naomie Harris, Curtis "50 Cent" Jackson, Tyrese Gibson e Forest Whitaker no elenco, Southpaw é descrito como uma obra da mesma linha de The Fighter, de David O'Russell, ou até de Warrior, de Gavin Hood.

 

Recordamos que o projecto da Weinstein Company já esteve nas mãos da Dreamworks, com Eminem no protagonismo. Estreia em Julho nos EUA.

 

 

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The Fighter (2010)

Warrior (2011)

 

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publicado por Hugo Gomes às 00:52
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28.3.15

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Será que devemos gritar: "Graças a Deus"!

 

A crise financeira e a austeridade servem novamente como conflito para mais uma produção italiana fincada no realismo formal. No novo filme de Edoardo Winspeare, In Grazia di Dio, a severidade dos nossos tempos leva quatro mulheres, de gerações diferentes, a desfazerem-se das suas vidas passadas e imperativamente subsistirem daquilo que a terra lhes dá. O espectador é constantemente remetido a um jogo de cumplicidades entre o quarteto protagonista e as suas "armas" de combate, as quais convertem em desesperadas atitudes de sobrevivência. Assim, vislumbramos uma panóplia de confrontos geracionais, todos descritos no feminino como se de um filme de Ozon se tratasse .

 

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Até aqui tudo bem, nada que não tenhamos visto anteriormente, e infelizmente sob temáticas mais criativas e dinâmicas (basta ver por exemplo o caso de L'Interprido, apresentado na 8 1/2 Festa do Cinema Italiano de 2014). In Grazia di Dio prolonga-se recorrendo a um teor novelesco que defere todas as suas hipóteses de reconciliação com o cenário realista que falsamente realça, sendo frequentemente "assaltado" por um humor subtil disfarçado de caricatura das personagens, todas elas dignas de abençoadas "segundas hipóteses" e de, por vezes rebuscadas, ambiguidades. Porém, Celeste Ciasciaro consegue oferecer-nos, não apenas um desempenho forte, mas a personagem mais desenvolvida e conciliadora do leque. A proclamada "chefe de família", Casciaro, funciona como a força desta intriga que é dilacerada por ideias vencidas, voltando a frisar a ingenuidade do argumento contra o sistema capitalista e tecendo um maniqueísmo social aprofundado como uma solução credível.

 

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Moralidades à parte, In Grazia di Dio possui outra fragilidade: a sua duração. As suas duas horas e pouco parecem uma eternidade devido a um conjunto de sequências inúteis e entulhadas, sem sequer possuírem um cariz artístico ou experimental. O mesmo ponto de vista e o estilo mais corriqueiro, elementos comuns do realismo cinematográfico, tornam a obra de Winspeare num projecto banalizado e, no seu todo, fragilmente distorcido. De certeza absoluta que não foi com a graça de Deus que este filme não conseguiu vingar.

 

Filme visualizado na 8ª edição do 8 1/2 Festa do Cinema Italiano

 

Real.: Edoardo Winspeare / Int.: Celeste Casciaro, Laura Licchetta, Anna Boccadamo

 

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5/10

publicado por Hugo Gomes às 09:06
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Foi divulgado o primeiro teaser trailer do vigésimo quarto filme de James Bond [007], intitulado de Spectre. O título desta nova aventura tem como alusão uma organização fictícia criada pelo escritor Ian FlemingSpectre (Special Executive for Counter-intelligence, Terrorism, Revenge and Extortion), constantemente presente nos seus livros assim como as aparições cinematográficas, neste último caso surgiu na primeira aventura de James Bond, Dr. No (1962). É praticamente a “casa” dos grandes vilões do nosso agente.

 

Neste novo episódio da franquia, James Bond (Daniel Craig) seguirá uma pista do passado que o levará a um secreta organização terrorista. Enquanto isso, M (Ralph Fiennes) tenta combater forças politicas que tentam desmantelar a MI6. Naomie Harris, Ben WhishawChristoph WaltzAndrew Scott, Dave Bautista, Monica Bellucci, Jesper Christensen e Léa Seydoux completam o elenco.

 

O filme tem estreia marcada para 23 de Outubro no Reino Unido.

 

 

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A semente de Polanski!

 

Provavelmente quem desconhecerá qualquer pormenor sobre a obra em si, poderá equivocadamente julgar, tendo em conta a primeira sequência, estar perante de uma comédia sob toques reconhecíveis da escola de Sundance. Mas algo transforma-se e num ápice vemo-nos envolvidos numa rampa decrescente à trépida relação do casal protagonista. Inspirado no livro de Marco Franzoso, Hungry Hearts, de Saverio Costanzo (La Solitudine Dei Numeri Primi), é a história de um jovem casal que assume a responsabilidade paternal no preciso momento em que a "cegonha bate à porta". E é então, nesse determinado instante que a vida dos inicialmente felizes, Mina (Alba Rohrwacher) e Jude (Adam Driver), drasticamente altera para contornos bizarramente dementes. Ela, encarando o seu filho como um divino ser de outra dimensão, tenta purificar a sua estadia neste Mundo e ele protegendo o seu rebento da sua própria progenitora.

 

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É certo que Hungry Hearts, uma produção italiana maioritariamente falada em inglês, tem muito a dever ao suspense de Roman Polanski, nomeadamente o psicológico de Rosemary's Baby com Rohrwacher a comportar-se como uma nova Mia Farrow. O peso desse incutido terror psicológica começa a sentir gradualmente na narrativa, nomeadamente a câmara de Costanzo é embebida por essa dimensionalidade, e nós, espectadores, testemunhamos esse fruto e os efeitos da mesma. Quanto ao elenco, se Adam Driver consegue o apelo, é em Alba Rohrwacher que concentra como o catalisador de toda a teia de suspense ditada por Costanzo. Mais de que uma musa "polanskiana", a actriz vencedora de um respectivo Prémio no último Festival de Veneza, demonstra-nos uma frieza arrepiante na pele de uma psicótica mãe à deriva de um tremendo vórtice.

 

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Hungry Hearts induz-se nesses desempenhos, fortes e de certa maneira bastardos , e de uma atmosférica claustrofobia que apenas adensa no último terço, onde o ritmo parece render-se a uma eventual elipse com claras premonições para com o twist. Apesar deste último ser demasiado repentino e insípido, opera sob uma razoável satisfação. Entenda-se que o filme de Costanzo tinha iminente horizontes a atingir, contudo, o resultado fica-se por um ensaio de suspense construído de forma sombria, mas ritmada a pouco vapor. Sobra então o efeito conseguido desde então e os desempenhos de "cortar a faca", nomeadamente, Alba Rohrwacher a alcançar um dos seus personagens mais singulares, provavelmente mencionada em futuras galerias de mulheres psicopatas do Cinema.  

 

Filme visualizado na 8ª edição do 8 1/2 Festa do Cinema Italiano

 

Real.: Saverio Costanzo / Int.: Adam Driver, Alba Rohrwacher, Roberta Maxwell

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7/10

publicado por Hugo Gomes às 02:42
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27.3.15

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Foi divulgado a primeira imagem de Deadpool, o anti-herói da Marvel que terá o seu primeiro filme a solo em 2016. O actor Ryan Reynolds desempenhará o papel, a segunda vez desde , X-Men Origins: Wolverine, de Gavin Hood.  Morena Baccarin, Gina Carano, T.J. Miller e Ed Skrein fazem parte do elenco desta obra, a qual conta com a realização do estreante Tim Miller.

 

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publicado por Hugo Gomes às 17:59
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Foi divulgado um novo trailer de Capitão Falcão, de João Leitão, uma produção que nos aborda um super-herói português, porém, sob um jeito de paródia politica. Nesta fita seguiremos o homónimo vingador mascarado (Gonçalo Waddington) e o seu sideckickPuto Perdiz (David Chan), ao serviço de Salazar, na luta contra o Comunismo e a restauração dos “bons valores” do Estado Novo. Uma produção da Individeos que estreará nos cinemas nacionais no dia 23 de Abril e recentemente foi escolhido como abertura do próximo Indielisboa. 

 

José Pinto, Miguel Guilherme, Rui Mendes, Tiago Rodrigues, Carla Maciel, Nuno Lopes, Bruno Nogueira, Ricardo Carriço, Manuel João Vieira, António Durães, Luís Vicente e Pepê Rapazote integram o elenco

 

 

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26.3.15

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A maravilhosa ficção!

 

O Grande Vencedor do Prémio do Júri da passada edição do Festival de Cannes, Le Meraviglie, é sobretudo uma etnoficção que se estabelece como um acordo entre uma Itália antiga e misteriosa, em plena relação rupestre com os seus ancestrais, e um país em vias de transição com o moderno, a globalização agregada a Confederações Europeias, por exemplo. É um mundo exposto, limitado à sua inerente "beleza", receosa pela extinção que é proclamada pelos novos “ventos” e por sinal, pela tecnologia. Mas mais do que um evidente retrato crítico sobre mais um embate entre a antiguidade e o sofisticado, a segunda longa-metragem de ficção de Alice Rohrwacher nos envolve com um enredo recheado de simbolismos e notas identitárias.

 

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Segundo a própria realizadora, a temática das abelhas são mais que meras criaturas que povoam o mundo de Le Meraviglie, e sim, uma "riqueza" invisível que transmite a mais plena sensação de liberdade. Tal como aclama Rohrwacher, até o mais rico dos apicultores, face à natureza deste insecto “doméstico”, nada tem em sua posse, ou algo que possa ser verdadeiramente considerado “seu”. Talvez seja esta liberdade vista como um refúgio de uma família de apicultores que tentam manterem-se unidos num mundo em plena mudança, e que mesmo tempos se esforçam por integra-lo parcialmente. Essa dita inclusão é figurativa nos medias, mais particularmente de um concurso televisivo populista que apresenta o tradicional como um registo exoticamente obsoleto e prestes a enfrentar a sua respectiva extinção.

 

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Tal como algumas obras de Matteo Garrone e Nani Moretti, a televisão tem aqui o seu crucial papel como um catalisador de surrealismo, aparentemente real face aos constantes simbolismos. É uma ênfase populista que transmite a influência e a padronização social a nível colectivo, para além disso, o mesmo “pequeno ecrã” é descrito muito mais que um mero dispositivo de entretenimento, mas um espelho identitário, neste caso numa vulnerabilidade desse aspecto, de uma comunidade face a uma massa “circense”, manipulada e absorvida pela igual ignorância. Alice Rohrwacher atribui contornos místicos a esse programa de televisão, recriando em todo o ser num “isco” impossível de escapar para os seus personagens viventes dum derradeiro “oásis” (o camelo funciona como uma alegoria desse termo quase alienado), até mesmo a selecção de Mónica Bellucci, como diva desse mundo fictício e produtivo, realça as tais burladas ostentações, códigos quase “fausteanos” para “As Maravilhosas” (aquele que deveria ser a tradução mais correcta).

 

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Novamente frisando, Alice Rohrwacher compõe um filme que revisa os tradicionais costumes como um claro alerta do seu desaparecimento, mas ao invés de ilustrar um panfleto cinematográfico óbvio, transforma este híbrido de documentário e ficção (em Portugal o género seria docuficção) num silencioso zumbido que ecoa num presente evidente mas interagido com o respectivo passado. A misteriosa identidade do povo etrusco é servida como uma das complexidades desta obra de espelhos. Perto da maravilha que se adivinhava.

 

Filme de abertura da 8ª edição do 8 ½ Festa do Cinema Italiano

 

Real.: Alice Rohrwacher / Int.: Alba Rohrwacher, Maria Alexandra Lungu, Sam Louwyck, Monica Bellucci

 

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8/10

publicado por Hugo Gomes às 11:26
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25.3.15

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Arnold Schwarzenegger vai possuir um papel mais dramático do que o habitual na recente produção independente de Henry Hobson, Maggie. O actor de filmes como The Terminator e The Expendables desempenhará um desgostoso e desesperado pai que tentará de tudo para proteger a sua filha (Abigail Breslin), contaminada por um vírus que transforma seres humanos em seres moribundos, por outras palavras - zombies. Joely Richardson e J.D. Evermore completam o elenco desta produção independente que será apresentado no Festival de Tribeca, de 15 a26 de Abril. Ainda não existe data de estreia para Portugal.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 23:03
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A Entertainment Weekly revelou que aquele que poderá ser o primeiro vislumbre de Jesse Eisenberg como Lex Luthor, o arqui-inimigo do Superman, e provavelmente o vilão principal do próximo filme da DC Comics, Batman v Superman: Dawn of Justice.

 

Novamente dirigido por Zack Snyder, o filme é uma sequela directa de Man of Steel e a antecipação da chegada cinematográfica da Liga da Justiça, que irá contar o regresso de Henry Cavill de ao papel de Superman e Ben Affleck como Batman. Jason Momoa desempenhará Aquaman, Gal Gadot como a "Mulher-Maravilha" e o resto do elenco será composto pelos actores Jeremy Irons, Holly Hunter, Amy Adams, Diane Lane e Laurence Fishburne. Estreia 24 de Março de 2016 em Portugal.

 

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publicado por Hugo Gomes às 17:12
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Mad Max: Fury Road,  o quarto filme de uma saga cinematográfica iniciada em 1979 e a única sem a presença de Mel Gibson, vai ser exibido na 68ª edição do Festival de Cannes, numa sessão fora de competição. As aventuras do herói vivente de um mundo pós-apocalíptico, onde o petróleo escasseia e a humanidade tenta selvaticamente sobreviver num interminável e árido deserto, vai ser projectado no Grand Théâtre Lumière, dia 14 de Maio. Com Tom Hardy a substituir Mel Gibson na pele do homónimo herói, em Mad Max: Fury Road poderemos ainda encontrar Charlize Theron, Nicholas Hoult, Riley Keough, Zoe Kravitz, Josh Helman, Rosie Huntington-Whiteley, Megan Gale e Nathan Jones no elenco. George Miller continua no cargo de realizador.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 17:03
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A realizadora Alice Rohrwacher terá a honra de abrir a 8ª edição do 8 ½ Festa do Cinema Italiano, que decorrerá a partir de hoje, dia 25 de Abril, no Cinema São Jorge, Lisboa, prolongando até dia 2 de Abril. A mencionada realizadora, assim como a actriz, sua irmã, Alba Rohrwacher, estarão presentes na sessão de abertura para apresentar o seu último trabalho, Le Meraviglie (O País das Maravilhas), que venceu na passada edição do Festival de Cannes o Grande Prémio de Júri. Como filme de encerramento, o muito invulgar Il Ragazzo Invisibile (O Rapaz Invisível) dará as honras da “casa”.

 

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A 8 ½ Festa do Cinema Italiano contará com uma diversificada selecção do melhor que se produziu na indústria cinematográfica italiana, seguindo a mesma política das edições anteriores, uma vasta gama de obras inéditos e recentes. Entre os quais, destaca-se a antestreia de Hungry Hearts (Corações Inquietos), de Saverio Costanzo, o Leopardi, de Mario Martone e o regresso de Ettore Scolla com a sua homenagem ao lendário Fellini em Che strano chiamarsi Federico (Que Estranho Chamar-Se Federico). Na secção de Competição, diversas obras tentarão a sua sorte, ou talento, em prol do galardão, entre as quais a mais recente direcção da actriz Asia Argento, Incompresa, ou os antecipados Anime Mere (Almas Negras), de Francesco Munzi, Short Skin (Idade à Flor da Pele), de Duccio Chiarini, e In Grazia Di Dio, de Edoardo Winspeare.

 

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A Alter Vision regressa com mais um rubrica que remete-nos a alguns dos filmes mais originais e alternativos da actual industria cinematográfica italiana. Mas não é só actualidade de que é feito a Festa do Cinema Italiano, o passado, glorioso, envolve toda a sua atmosfera de festa num pleno Amarcord (a palavra italiana mais próxima do nosso saudade). Para além da cópia restaurada de Nuovo Cinema Paradiso, um dos clássicos mais amados pelo grande público e até à data o filme mais emblemático de Giuseppe Tornatore, a Festa do Cinema Italiano orgulha-se de apresentar uma homenagem a um dos seus mestres, Sergio Leone, num conjunto de cópias restauradas que vai desde o incontornável Il Buono, Il Brutto E Il Cattivo (O Bom, O Mau e o Vilão), o western spaghetti mais famoso de todos os tempos com Clint Eastwood, Lee Van Cleef e Eli Wallache, ao épico Once Upon Time in America (Era Uma Vez na América), em versão de realizador.

 

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Depois de Lisboa, a festa prosseguirá em digressão noutras cidades do país: Porto, de 9 a 12 de Abril, Évora de 15 a 18 de Abril, Caldas da Rainha de 25 a 27 de Abril, Loulé de 1 a 3 de Maio e Coimbra de 5 a 7 de Maio

 

Para mais informações sobre o festival e a respectiva programação, ver aqui.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 13:33
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Depois dos bem-sucedidos ciclos de Bergman, Ozu, Carax e Satyajit Ray, chega agora a vez do "pai" do neo-realismo italiano, Roberto Rossellini. A Leopardo Filmes / Medeia Filmes arrancará  com uma especial retrospectiva de dez obras restauradas, todas elas realçando as multi-facetas do realizador que contagiou todo uma geração.

 

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Entre 26 de Março e 29 de Abril, no Espaço Nimas e a partir de 2 de Abril no Teatro Municipal do Campo Alegre, os horários são fixos e as exibições decorrem em diversas sessões ao longo do dia.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 11:47
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A moda dos heróis corrompidos!

 

Baseado num romance do poeta alemão Henrich von Kleist, Michael Kohlhaas é a história do homónimo comerciante de cavalos que após ter sido submetido a uma grande injustiça decide vingar de quase toda nobreza existente do seu território, os senhores, o qual apelida constantemente, através de um exército de camponeses e criados revoltados com as suas situações actuais. Mais do que um mero conto de vingança, Michael Kohlhaas é uma obra existencialista que se depara nas diferentes perpectivas justiceiras, e o revisitar dos heróis corrompidos, “bêbados” pelas suas obsessões vingativas. É em tal retrato que o protagonista é submetido, um defensor luminoso dos direitos de igualdades entre classes que se converte durante a sua demanda sangrenta num ditador elegido pelas suas próprias leis.

 

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Obviamente existe muito por onde ligarmos a este conto mediável, mas mesmo assim detentor de reflexões sociais modernas e empregues em políticas contemporâneas. Infelizmente, Arnaud des Pallières aborda essas teias filosóficas e intimamente humanista da forma mais leviana possível, quase com receio que tais dilemas contagiassem o ritmo fílmico e até mesmo a composição do seu “herói”, este interpretado por Mads Mikkelsen, que depois de Valhalla Rising, de Nicolas Winding Refn, confirma que nasceu para este tipo de papéis. Todas essas “citações” da obra original e toda a sua temática é apenas ilustrada como meras frases, quase sem convicção pelas suas personagens, excepto por Denis Lavant, que surge repentinamente na narrativa como uma aproximação fantasmagórica da voz do poeta Von Kleist, emanando os valores cristãos e a incentivação do protesto “não-violento”, doutrina que mais tarde seria adoptada por Gandhi e até mesmo Martin Luther King.

 

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Como compensação, Des Pallières injecta neste conto fictício, mas historicamente baseado em factos reais, um senso de realismo quase provocante, em simultâneo, o realizador evita qualquer confronto directo com os lugares-comuns deste tipo de produções, nomeadamente a violência gráfica, ofuscando-a pelo efeito sugestão. Mas nós como espectadores, dificilmente conseguimos aceitar a profundidade teológica e quase jurídica deste Michael Kohlhaas como uma mera sugestão. Henrich von Kleist merecia mais que isto, mais do que um pseudo-épico integrado na independência dos seus meios, mas descaradamente “acorrentado” às suas convicções literárias.

 

Real.: Arnaud des Pallières / Int.: Mads Mikkelsen, Bruno Ganz, David Kross, Delphine Chuillot, Denis Lavant, Mélusine Mayance

 

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Valhalla Rising (2009)

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publicado por Hugo Gomes às 12:12
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