30.11.14

Saint Laurent.jpg

Já se encontra nos cinemas, Saint Laurent, o segundo dos dois os biopic de 2014 sobre o famoso estilista francês, Yves Saint Laurent, sendo que primeiro foi o homónimo filme de Jalil Lespert onde Pierre Niney desempenhou o artista de alta-costura e que já marcou presença nos nossos cinemas (ver crítica aqui). Quanto ao referido filme de Bertrand Bonello, o mais requintado e antecipado, que fora apresentado no Festival de Cannes e que serviu de abertura a Lisbon & Estoril Film Festival, o actor Gaspard Ulliel (Hannibal Rising) veste a pele do celebre estilista, contudo este filme possui menos interesse na moda e mais na fragilidade emocional do próprio Laurent. O belga Jerémie Renier, que integrou outro biopic francês, Cloclo, de Florent-Emilio Siri, sobre o cantor pop Claude François, desempenha em Saint Laurento companheiro Pierre Bergé.

 

Ver Crítica, aqui

 

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.


publicado por Hugo Gomes às 22:02
link do post | comentar | partilhar

Ogier_Schroeter_16-9.jpg

Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema divulgou a sua programação de Dezembro, tendo como principal destaque a continuação da retrospectiva da obra do cineasta alemão Werner Schroeter, em colaboração com o Goethe Institut e a Cinemateca de Munique, que apresentado em Novembro e que encerrará este mês. A segunda passagem pelo mundo visionado por este intemporal realizador que tanto operou em Portugal, nos remeterá aos seus trabalhos dos anos 80 seguindo até ao seu último filme Nuit de Chien (2008). Esta mostra contará também com os seus quatros trabalhos documentais; entre os quais o seu diário de viagem politico (De L'Argentine, 1986).  

 

WK-AY642_Sighti_G_20110721173345.jpg

 

A Cinemateca continuará a ser abrangido na programação dos Festivais de Cinema de Lisboa, este mês é a chegada do Cinefiesta - Mostra de Cinema Espanhol 2014, levada a cabo pelo Ministério da Cultura espanhol em colaboração com a Embaixada de Espanha em Lisboa. O Museu do Cinema no âmbito dessa festa "à la espanhola" exibirá o documentário raro de Jorge Semprún (Les Deux Mémoirs), a cópia restaurada de 35 mm do filme de Orson Welles, Chimes at Midnight (1966), concebido pela Cinemateca para a Filmoteca Española, e por fim a sessão muito especial sessão dedicada ao pioneiro Segundo de Chómon, com acompanhamento ao piano por Jordi Sabatés.  

 

s00001.jpg

 

Outra colaboração da Goethe Institut marcará a programação da Cinemateca, duas sessões especiais apresentado pelo Prof. Gerald Bär, que muito tem estudado a temático dos "duplos" ("doppelgänger") do expressionismo alemão. Os filmes que serão exibido são O Estudante de Praga (Der Student Von Prag, 1913), de Stellan Rye e Paul Wegener, e O Outro (Der Andere, 1913) de Max Mack. Dia 18 de Dezembro será celebrado o Dia da Amália na Cinemateca, três obras que contaram com a participação da popular fadista Amália Rodrigues serão exibidas nesta mencionada data.

 

AMALIA-E-VIRGILIO-TEIXEIRA-EM-FADO-HISTORIA-DE-UMA

 

O finalista dos prémios LUX, do Parlamento Europeu, marcará presença na programação, o filme elegido foi Bande de Filles, de Céline Sciamma (ver crítica, aqui). Por fim, outras sessões a destacar, como os filmes; Steamboat Round the Bend, de John Ford, C'eravamo Tanto Amati (Tão Amigos que Nós Eramos, de Ettore Scola), Brief Encounter (Breve Encontro, David Lean), The Fountainhead (Vontade Indómita, King Vidor), Nazarin, de Luis Buñuel, Journey into Fear (Jornada do Medo, Orson Welles e Norman Foster), Repo Man (Clandestino, Alex Cox) e Shock Corridor, de Samuel Fuller, são algumas das propostas irrecusáveis neste mês dedicado exclusivamente à Sétima Arte.

 

Para mais informação sobre a programação, ver aqui

 

ceravamo-tanto-amati.jpg

 Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.


publicado por Hugo Gomes às 21:53
link do post | comentar | partilhar

thumnb_OC756602_P3001_183018.JPG

 

No âmbito da estreia de Virados do Avesso, que chega aos cinemas nacionais esta semana, o Cinematograficamente Falando … teve o privilégio de falar com Edgar Pêra, o realizador deste pitoresco caso de perda de identidade de um homossexual. Para além das questões em torno da comédia, tivemos ainda hipótese de saber mais sobre os futuros projectos, os atores "fetiche" e o seu interesse em consolidar o público português com o cinema "da sua terra".

 

Como surgiu a ideia para esta comédia?

A ideia veio dos argumentistas e da vontade da produtora em fazer uma comédia popular. Depois adaptei em conjunto com os atores, de forma a dar corpo àquele cocktail pós-modernos de clichés das comédias românticas. Virados do Avesso é sobretudo um filme de performances cómicas, em que os têm toda a primazia.

 

O que lhe atraiu neste projecto, visto ser um filme de vertente mais comercial?

A ideia base de alguém que perde a memória da sua identidade sexual. É um conceito de ficção científica que pode originar cenas hilariantes, e que ao mesmo tempo põe em causa a nossa ideia de "normalidade".


Existe algum cuidado especial quando se faz um filme comercial como Virados de Avesso e uma obra mais autoral como O Barão, por exemplo?

Existe a preocupação em atrair o máximo de espectadores portugueses do presente. Em O Barão, houve uma preocupação em criar um património para o futuro, é um filme para ir sendo visto.

 

virados.png

 

 

Em relação ao politicamente correcto que tem afectado as obras cinematográficas, nomeadamente a do género de comédia. É arriscado em Portugal trabalhar com temas ainda delicados como é o caso da homossexualidade, principalmente sob o jeito de paródia?

Nunca tive medo de arriscar, é tarde para arrepiar caminho. Esta comédia parte de estereótipos, não vale a pena procurarmos personagens tridimensionais. Há sobretudo a preocupação em levar mais longe alguns clichés como o do macho lusitano e o artista plástico, ou o escritor gay no armário. São caricaturas e como tal são de uma espessura muito fina, são bidimensionais, cartoonescas.

 

Quando surgem comédias cinematográficas nacionais, tem-se a tendência de comparar ou invocar a idade do ouro do cinema português (os tempos de Vasco Santana e António Silva). Será difícil superar esses tempos, ou Portugal está preparado para seguir em frente em relação a essas memórias?

Quando fiz A Janela (Maryalva Mix) revistei os fantasmas da comédia portuguesa, à luz de uma linguagem de vanguarda. Com Virados do Avesso, o humor nasce sobretudo da farsa popular. Vamos esperar pelos resultados. Mas não acredito que a idade de ouro do cinema português esteja localizada nos anos 40. Essa época foi a idade de ouro do teatro de revista e esses filmes são a sua transposição cinematográfica. De resto, acho que o cinema feito em Portugal nunca foi tão diversificado como hoje.

 

Acredita que existe um certo preconceito por parte do público ao cinema nacional?

Estamos demasiado habituados a ver cinema legendado falado em inglês para nos habituarmos ao cinema falado em português. Aconteceu algo de semelhante com a música há umas décadas atrás, mas aí houve uma evolução maior do público. O problema maior é a formatação das mentalidades, estamos todos condicionados a consumir produtos e subprodutos de Hollywood. Nesse sentido somos um povo culturalmente colonizado pelo cine-Império hollywoodesco.

 

Na sua opinião, a educação é um meio fulcral para fazer filmes, ou o talento é o quanto baste para ser cineasta?

A educação serve sobretudo para termos uma ideia da história do cinema, e depois procurarmos encontrar um lugar nela.

 

O som continua a ser uma importante marca da sua carreira? O que é e não é gravado em pós-produção?

No caso de O Barão, houve uma grande percentagem de som re-gravado e de dobragens, de forma a criar um som límpido e dramático. Virados é uma comédia, e como houve bastante improviso na criação das cenas torna-se mais difícil substituir o som directo sem perder a espontaneidade da performance dos actores.

 

17776798_QfQWE.jpeg

 

 

Escolheu o elenco para o filme?

Quase todo. O casting foi fundamental para começar a pensar no filme.

 

O actor Nuno Melo tem participado em muitos dos seus projectos. Será que podemos afirmar que ele é o seu actor «fetiche»?

O Nuno funciona como um ecrã das minhas ideias de cinema. É mais fácil trabalhar com pessoas que conhecem os nossos métodos. Mas gosto sempre de trabalhar com novos atores e neste filme conheci atores surpreendentes.

 

Está previsto algum lançamento internacional da obra?

Espero que sim.

 

Lançou um livro no ano passado onde contava algumas das histórias mais curiosas de Hollywood. Tem mais algum projecto literário? Foi este o primeiro de mais livros?

Estou a escrever outro livro: O Espectador Espantado, que será também um filme em 3D.

 

Quanto a novos projetos cinematográficos?

Vamos filmar muito em breve a Caverna, uma curta-metragem 3D, estou a preparar um documentário sobre o Roussado Pinto, e estou a escrever com a Luísa Costa Gomes, Não Sou Nada, para além de mais uma mão cheia de projectos por revelar. E pretendo estrear em Janeiro, outra longa-metragem em 3D, Lisbon Revisited, inspirada na obra de Fernando Pessoa.

 

Texto originalmente publicado no C7nema

 

Ver Também

Virados do Avesso (2014)

O Barão (2011)

3X3D (2012)

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.

 


publicado por Hugo Gomes às 18:38
link do post | comentar | partilhar

dario-argento1.jpg

O mestre do cinema de terror italiano, Dario Argento, a mente por detrás dos clássicos Suspiria e Profondo Rosso, vai avançar com Sandman, que contará com o cantor Iggy Pop seria o protagonista. O projecto esteve em busca de financiamento através da plataforma crowdfunding IndieGogo, tendo arrecadado mais 188 mil dólares (necessitava no mínimo de 165 mil dólares para receber luz verde de produção). Assim sendo, Sandman começará a ser filmado em 2015. A história remeterá a um jovem estudante chamado Nathan que durante a sua infância testemunhou a mortes da sua mãe pelas mãos de um serial killer. Passado alguns anos, Nathan, ainda sofrendo do trauma que tal trágica memória despoletou, é surpreendido com a morte de uma mulher pelo mesmo assassino, o mais bizarro é que  tal homicida havia sido assassinado pelo próprio Nathan.  

 

jacopo-mariani-in-una-scena-del-prologo-del-film-p

 

Enquanto isso, o Festival de Cinema de Turim exibiu uma cópia restaurada do celebre Profondo Rosso (O Mistério da Casa Assombrada, 1975), que irá regressar aos cinemas em 2015. A cópia foi restaurada pela CSC-Cineteca Nazionale, em colaboração com a Rti. Em Portugal com um pouco de sorte poderá ser exibida no próximo Fantasporto.

 

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.


publicado por Hugo Gomes às 16:39
link do post | comentar | partilhar

414952.jpg-c_640_360_x-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg

A revista Cahiers du Cinema, escolheu o último filme de Bruno Dumont, P'tit Quinquin (que esteve presente no último Lisbon & Estoril Film Festival) como o melhor filme do ano 2014, seguido por Adieu au Langage, de Jean-Luc Godard e Under the Skin, de Jonathan Glazer.

 

  1. P'tit Quinquin
  2. Adiey au Langage
  3. Under the Skin
  4. Map to the Stars
  5. Le Vent se Lève
  6. Nymphomaniac
  7. Mommy
  8. Love is Strange
  9. Le Paradis
  10. Our Sunhi

 

Ver Também

Nymphomaniac Vol 1 (2013)

Nymphomaniac Vol 2 (2013)

Under the Skin (2013)

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.

tags:

publicado por Hugo Gomes às 12:10
link do post | comentar | partilhar

age_of_adaline.jpg

Foi divulgado o novo trailer de The Age of Adaline, o filme em que a actriz Blake Lively (The Town) desempenha uma homónima mulher que nasceu a meados do século XX e após um acidente, deixou de envelhecer. Vivendo uma vida solitária e imortal, Adaline apaixona-se por um homem, o qual é merecedor da abdicação da sua imortalidade para viver uma vida feliz junto a este. Dirigido por Lee Toland Krieger (Celeste e Jesse Forever), The Age of Adaline é um romance independente que irá nos remeter aos constantes dilemas do romance em seres "vampíricos". Harrison Ford, Ellen Burstyn e Richard Hammon completam o elenco. Estreia prevista para Abril de 2015.

 

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.


publicado por Hugo Gomes às 11:30
link do post | comentar | partilhar

29.11.14

roberto-gomez-bolaños-mundo-odontologo.jpg

Morreu aos 85 anos o icónico actor mexicano, Roberto Gómez Bolaños, o criador dos êxitos de Chaves e Chapolin, duas séries de comédia televisiva que romperam fronteiras e conheceram enorme sucesso no Brasil, assim como noutros países da América Latina. Faleceu na passada sexta-feira, dia 28 de Novembro, na sua casa em Cancún, vitima de uma paragem cardíaca.

 

Nascido em 21 de Fevereiro de 1929, na Cidade do México, Bolaños, filho do pintor Filipe Gómez Linares, desistiu da Universidade de Engelharia para integrar no negocio de publicada de televisiva. Logo começou a escrever guiões para programas de rádio e TV, fez a sua primeira aparição como actor em 1968 no programa "Os Super-Génios da Mesa Quadrada", o qual também escrevia. Nesse programa conheceu diversos actores que mais tarde iriam colaborar nas suas futuras criações, como Chapolin em 1970 (que se tornou na primeira série de televisão mexicana a ser vendido para transmissões internacionais), e o grande êxito da sua carreira, Chaves. Também integrou o cinema, entre os quais o êxito de Charritos (1984), uma produção cómica com temas de western, que produziu, realizou, escreveu e protagonizou ao lado da sua mulher, Florinda Meza (que contracenou em muitas outras produções, nomeadamente em Chaves). Em 2006 produziu uma série animada de Chaves, e encontrava-se de momento integrado numa outra produção animada em 3D para os cinemas, El Chapulín Colorado 3D.

 

Nota de curiosidade, a sua interpretação como Chapolin inspirou mais tarde um dos populares personagens de The Simpsons, Bumblebee Man.

 

Roberto Gómez Bolaños (1929 - 2014)

 


publicado por Hugo Gomes às 09:03
link do post | comentar | partilhar

o-BOYHOOD-facebook.jpg

A revista Sight & Sound, publicada pela British Film Institute, revelou a sua lista dos 20 melhores do ano, sendo que Boyhood, de Richard Linklater (que estreou esta semana nos cinemas nacionais) lidera o top, seguido por Adieu au Langage, de Jean-Luc Godard e um ex-aequo - Leviathan, de Andrey Zvyagintsev, e Cavalo Dinheiro, de Pedro Costa.

 

1. Boyhood

2. Goodbye to Language 3D

3. Leviathan

3. Cavalo Dinheiro

5. Under The Skin

6.The Grand Budapest Hotel

7. Winter Sleep

8. The Tribe

9. Ida

9. Jauja

11. Mr. Turner

11. National Gallery

11. The Wolf of Wall Street

11. Whiplash

15. The Duke of Burgundy

16. Birdman

16. Two Days, One Night

18. Citizenfour

18. The Look of Silence

18. The Wind Rises

 

Ver Também

Ida (2013)

Jauja (2014)

The Wind Rises (2013)

The Wolf of Wall Street (2013)

Under the Skin (2013)

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.

tags:

publicado por Hugo Gomes às 08:56
link do post | comentar | partilhar

28.11.14

Terra dos Carecas.jpg

Imaginem que num futuro distópico, a Nova Zelândia decreta uma lei que proíbe a calvície e com isso o uso de perucas. Condenados a viver na marginalidade, é então que um grupo de carecas seguem numa jornada em busca de uma terra prometida onde os sofredores de calvície podem por fim viver em liberdade, a prometedora Baldlands.

 

Trata-se A Terra dos Carecas (The Badlands), uma produção independente financiada pelo próprio realizador, Bernie Rao, um português radicado na Nova Zelândia, o qual resumiu a sua obra "numa comédia negra satírica que serve de homenagem aos filmes de ficção cientifica distópico como Logan's Run e Fahrenheit 451". O realizador refere ainda que o seu filme tem como ponto de partida demonstrar que a "liberdade é uma ilusão". No elenco podemos encontrar ainda o veterano actor neozelandês Murray Davidson em conjunto com Alasdair Johnston, Chris Jacobs, Steven Macnamara, Danielle Van der Linde, Andrew Cook e Kimberly Buchan. (ver site oficial, aqui)

 

A Terra dos Carecas está em digressão pelos festivais internacionais, mas o realizador, respeitando as suas raízes, decidiu de momento apresentar a sua obra em Portugal. Depois de Lamego e Coimbra (Oliveira do Hospital) é a vez de Lisboa, sendo que a próxima projecção está agendada para o dia 6 de Dezembro no Auditório António Silva no Cacém.

 

O filme será musicado ao vivo pelo próprio realizador, que tocará vários instrumentos musicais como contrabaixos, baterias, guitarras, teclados sintetizadores, etc...

 

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.

 


publicado por Hugo Gomes às 19:00
link do post | comentar | partilhar

28.11.14

1512809_464011107070346_6972926213077373363_n.jpg

 

 

 

 Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.


publicado por Hugo Gomes às 16:59
link do post | comentar | partilhar

the_raid_2_berandal.jpg

Depois da redenção, vem a traição!

 

A esperada sequela de The Raid: Redemption, o filme de acção sensação de 2011, funciona como um upgrade, algo desmarcado mas estampado como um expoente máximo do cinema de acção. Gareth Evans salienta uma fita que tem tanto de cliché como de surpreendente, e o porquê dessa razão?

 

the-raid-2.jpg

 

Se o enredo é comum, mas plausível (com claras influências do cinema de Hong Kong, nomeadamente e evidentemente Infernal Affairs, de Wai-Kung Lau e de Alan Mak) e sem a intenção de manter longe dos lugares-comuns o qual se apresenta instantaneamente. Já as sequências de acção (todo uma variedade de estilos) são inseridas sob um jeito rigoroso, energético e dinâmico, e é nesse aspecto que The Raid 2 se destaca, pela sua intenção de superar qualquer coisa que havia sido feito no mesmo campo. São perseguições automobilísticas capazes de fazer corar a popular saga de Fast & Furious, são combates corpo-a-corpo que tornam os de Ong-Bak, o que era considerado o "next big thing" do cinema de artes marciais, numa prolongada brincadeira de crianças, tudo isto embelezado por uma realização surpreendentemente activa por parte de Gareth Evans (basta somente espreitar a sequência do motim para perceber do que se fala).

 

The-Raid-2-Still-10-e1394600523732.jpg

 

The Raid 2 continua directamente a história do anterior capitulo, aqui, Rama (Iko Uwais - a caminho andado para converter-se num super-herói indonésio) após os eventos anteriores é forçado a operar como infiltrado numa poderosa gang local a fim de desmantelar a rede de policias corruptos que coopera com o crime organizado e que ameaçam a credibilidade das forças de autoridade. Mas Rama não tem me mente cumprir apenas a missão de que foi incutida, mas também planear uma grande vingança, a vingança ao homem que assassinou o seu irmão.

 

The-Raid-2-review-2.jpg

 

Tal como Redemption, Berandal pavoneia com uma narrativa digna de qualquer videojogo, pelo menos é desse conceito que bebe insaciavelmente. Se na obra de 2012, os andares do prédio cénico serviam como uma espécie de níveis, o mesmo se pode referir à forma como é exposta os conflitos e obstáculos que atravessam o percurso do nosso herói. Mas verdade seja dita, a sua jornada é feita com o maior dos agrados, numa fita que nunca vacila no seu ritmo, mesmo tendo em conta a sua longa-duração e os exageros que por orgulha de apresentar de forma jubilante. Provavelmente um dos mais vibrantes filmes de acção do nosso tempo, só é pena que o nosso mercado nacional não aposte devidamente nesse tipo de obras que não envergonham ninguém, pelo contrário.

 

Filme visualizado no MOTELx 2014: Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa

 

Real.: Gareth Evans / Int.: Iko Uwais, Yayan Ruhian, Arifin Putra

 

the-raid-2-berandal-15.jpg

 

8/10

publicado por Hugo Gomes às 16:04
link do post | comentar | partilhar

sw.jpg

Depois de uma longa espera, eis que surge o primeiro vislumbre do novo Star Wars, pois bem, foi divulgado o primeiro teaser trailer do inicio de uma nova trilogia dirigida por J.J. Abrams que centrará no universo criado e popularizado por George Lucas. A história de Star Wars: The Force Awakens decorrerá 30 anos depois do último filme (refiro a Return of the Jedi em 1983). Oscar Isaac, Adam Driver (que será o vilão), John Boyega, Domhnall Gleeson, Max von Sydow, Andy Serkis, Daisy Ridley, Lupita Nyong'o, Gwendoline Christie e Crystal Clarke integram um elenco em conjunto com os repetentes Harrison Ford, Mark Hamil, Carrie Fisher, Anthony Daniels, Peter Mayhew e Kenny Baker. Chega aos cinemas portugueses no dia 17 de Dezembro de 2015.

 

 

Ver Também

O próximo Star Wars já tem titulo!

Duas novas adições ao elenco de Star Wars VII!

Realizador de Looper em Star Wars 8?

Novo realizador para novo spin-off de Star Wars!

Lupita Nyong'o e Gwendoline Christie em Star Wars VII!

Realizador de Godzilla vai dirigir spin-off de Star Wars!

Revelado o elenco de Star Wars VII

Star Wars 7 começará a ser rodado já em Maio!

Adam Driver será vilão do novo Star Wars?

"Han Solo is back!"

J.J. Abrams no novo Star Wars!

Mais uma trilogia Star Wars!

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.


publicado por Hugo Gomes às 15:17
link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

10473577_733077420108782_8907488751598527791_n.jpg

Foi divulgado o primeiro trailer de Shaun the Sheep, a nova produção da Aardman, os mesmos estúdios  de Wallace & Gromit e Chicken Run. O filme é baseado na homónima série de animação de êxito, que em Portugal obteve o título de A Ovelha Choné, e centra-se nas aventuras da ovelha Shaun, que decide tirar um dia de folga do rebanho e passar algum tempo na cidade. Escrito e dirigido por Mark Burton e Richard Starzack, Shaun the Sheep estreia em Maio do próximo ano no nosso país (deixo no final o divertido teaser trailer que foi divulgado em Abril)

 

 

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.


publicado por Hugo Gomes às 13:56
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

27.11.14

1535710_218527224998729_1867253874_n.jpg

Foi divulgado o primeiro trailer da co-produção franco-russa, Voyage vers la Mère (Journey to the Mother), de Mikhail Kosyrev-Nesterov, com a actriz Adèle Exarchopoulos (La Vie d' Adéle) no elenco. O enredo remete a um jovem, Maxim (Artem Alekseev), que vem de Moscovo [sua actual residência] para visitar a sua mãe, que vive em Provença, França, há vários anos. Mas a sua chegada é acompanhada por eventos trágicos que ditarão a vida e morte num único dia, Maxim terá que superar essas adversidade ao lado da sua meia-irmã, Marie-Louise (Exarchopoulos). Voyage vers la Mère será apresentado no próximo Festival de Cinema Internacional de Singapura.

 

 

Ver também

La Vie d' Adéle (2013)

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.


publicado por Hugo Gomes às 21:56
link do post | comentar | partilhar

Desaparecimento de Eleanor Rigby - Eles.jpg

Vida depois do Amor!

 

Eleanor (Jessica Chastain) e Connor (James McAvoy) são um casal excepcional e apaixonado, pelo menos é isso que julgam e invejam as pessoas em seu redor. Mas quando a tragédia surge, o par rompe a sua ligação, apercebendo-se que o amor proclamado por ambos não é tão forte como suponham. Ele, abatido com a separação, tenta recuperar o seu amor perdido, com a esperança de que a distância é somente uma mera ilusão passageira. Ela tenta acima de tudo esquecer a sua vida anterior, por outras palavras, desaparecer.

 

68fea7_005f0d30c5fb487884b72225aa60b500.jpg

 

Um projecto dinâmico de Ned Benson, a sua primeira longa-metragem, que tenta consolidar as diferentes perspectivas de cariz sexual e ideológica do fim de uma relação. Tal como Rashomon, de Akira Kurosawa, aqui a verdade possui demasiadas versões e a fidelidade de Benson a esse veredicto resultou em dois filmes envolvidos em ângulos opostos, Ele e Ela, a visão de Connor e a de Eleanor, respectivamente. Ambas versões salientam a natureza e a divergência da guerra entre sexos proposta, supondo a superação como uma característica própria de cada ser e o amor, não como algo inabalável como se crê nos romances em geral, mas uma reacção natural, por vezes ardente e corrosiva, mas não intransponível. Porém, existe ainda outra versão, um terceiro filme, que tem como proclamação a de ser a definitiva visão, de ser a verdade absoluta – Eles (Them) – a obra que fora apresentado na secção Un Certain Regard do Festival de Cannes e no último Lisbon & Estoril Film Festival.

 

140912_MOV_McAvoyHader.jpg.CROP.promovar-mediumlar

 

Esta interligação baseia-se simplesmente no mesmo conceito utilizado em Blue Valentine – Só Tu e Eu, de Derek Cianfrance, o fim da relação, o fim de tudo, mas ao contrário da menção anterior, The Disappearance of Eleanor Rigby é levado por um tom mais agridoce, e até ao final, esperançoso numa eventual reconciliação. Já que falamos em referências, a obra de Ned Benson ajusta-se como uma distorcida versão de Un Homme at une Femme (Um Homem e uma Mulher, 1966), de Claude Lelouch, o que não por acaso, pois frequentemente vemos o respectivo poster no quarto de Eleonor Rigby, como a definição de espelho numa pintura flamenga, a alma do "pintor" em questão.

 

the-disappearance-of-eleanor-rigby.jpg

 

Este também é um filme que não se envolve amorosamente com a dor dos seus protagonistas, mas que acrescenta um mundo em redor destes – algumas personagens secundárias, mesmo sem grande espaço de antena, são uma delícia necessária para desanuviar o melancólico que a fita poderia reger. Uma delas é a indispensável Viola Davis. Talvez o mundo dela seja mais interessante e propício do que dele neste "universo partilhado", mas é ele que nos leva a iludir enquanto aos propósitos do filme, ao mesmo tempo que é imperativo perdoa-lo por essa sua fantasia que certamente não terá um final feliz.

 

transferir.jpg

 

Se James McAvoy encontra aqui um dos seus melhores desempenhos, é verdade que é Jessica Chastain a "engoli-lo" com uma deslumbrante performance. A actriz prova mais uma vez que está a caminhar afincadamente para o título de uma das melhores da sua geração, principalmente a actuar na indústria norte-americana. Ela é emotiva o suficiente, sem com isso recorrer ao bacoco nem ao overacting. A dor da sua personagem consegue transcender e chega a ser partilhada pelo público. Quanto à química de ambos, a culpa de não vê-los definitivamente juntos começa a sentir-se gradualmente.

 

rigby.jpg

 

Mesmo que possa a não vir a ser a proposta aliciante das versões de Ele e Ela, o capitulo Eles funciona como um cativante e delicado drama que tenta contrastar com a definição do cinematograficamente romântico. Aliás, o que temos aqui é um filme isento dos moldes "hollywoodianos", mais envolvente e apaixonante, devo dizer, que um cinema mais marginal e autoral sobre a intimidade amorosa. Uma proposta para fazer-nos apaixonar pela triste beleza da separação!

 

Filme visualizado no Lisbon & Estoril Film Festival 2014

 

Real.: Ned Benson/ Int.: Jessica Chastain, James McAvoy, William Hurt, Bill Hader, Viola Davis, Isabelle Hupert, Ciarán Hinds

 

the-disappearance-of-eleanor-rigby-jessica-chastai

 

 

7/10

publicado por Hugo Gomes às 19:35
link do post | comentar | partilhar

27.11.14

Serena.jpg

Nas portas do Céu, outra vez!

 

Vamos desde já meter os pontos nos “is”, Serena não é um péssimo filme como se fala, mas sim um filme falhado. Falhado porquê? Pode parecer desculpa mas sua produção foi tão problemática que o seu trabalho de edição foi efectuado por três editores diferentes, tendo como resultado um desequilíbrio narrativo indecifrável que nem mesmo a dinamarquesa cineasta Susanne Bier (galardoado com o Óscar de Melhor Filme de Língua Estrangeira em 2011 com In Better World) conseguiu desemaranha-lo.

 

Serena.jpg

 

Serena, baseado no homónimo livro de Ron Rash, é uma história de época que lida com o perfil psicológico dos seus protagonistas: Bradley Cooper e Jennifer Lawrence novamente a interpretarem o par amoroso depois de Silver Linings Playbook (Guia para um Final Feliz), o qual apresentam uma química evidente mas desperdiçada num filme que não sabe se é “carne” ou se é “peixe”. Quanto à dita temática psicológica, é certo que o enredo requisita tal teor, mas Serena é plano quer narrativamente, quer na aprofundação dos seus personagens e com isso na sua psicologia. Pois é, confirmado como um provável descendente de Heaven’s Gate, de Michael Cimino, o filme transborda a esfoço e profissionalismo em produção, mas nada disso transparece no resultado.

 

serena-bradley-cooper.jpg

 

A reconstituição de época, assim como os cenários montanhosos de cortar o fôlego que recuperam assim alguma dignidade a esta fita absolutamente fragilizada, o que minimiza as mazelas. Mais vale salientar que Serena é um modelo daquilo que poderia ter sido, e quiçá um arrebatador drama ou um épico emocionalmente forte, não se sabe! Contudo o que restou do eventual filme o qual já esteve integrado personalidades como Darren Aronofsky e Angelina Jolie foi simplesmente … um puro fracasso ao mais altos níveis, e com muita pena nossa. Agora caro espectador, usem a vossa imaginação!

 

Real.: Susanne Bier / Int.: Jennifer Lawrence, Bradley Cooper, Rhys Ifans, Toby Jones, Sean Harris

 

serena-jennifer-lawrence-bradley-cooper.jpg

 

4/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 16:26
link do post | comentar | partilhar

jurassic-world-trailer-image-1.jpg

 

Há alguns dias foi divulgado o primeiro trailer de Jurassic World, o quarto filme da saga iniciada em 1993 por Steven Spielberg, que fora baseado num livro de Michael Crichton. O trailer em questão tem sofrido desde então com inúmeras críticas por parte dos fãs e outros, nomeadamente em relação aos seus efeitos visuais, que eram sucessivamente comparados com gráficos de um videojogo. Para além disso muitos questionaram se o filme continuaria o legado dos efeitos práticos e se o portão do parque, como é possível verificar no trailer, é verdadeiro ou mero fruto do CGI. O realizador Colin Trevorrow respondeu as respetivas críticas na sua conta Twitter:

 

O portão será prático, com verdadeira madeira, betão e aço.”

 

“O portão é prático, o meio ambiente é que não. A sequência foi feita especificamente para o trailer. O filme será diferente”

 

“A Stan Winston Studios chamou agora a Legacy Effects. Eles construíram e operam os nossos «animatrônicos» “

 

Jurassic World nos remete à fictícia ilha Nublar nos dias de hoje, onde um novo parque jurássico se tornou numa das atracções mais cobiçadas a nível global. Porém, como é previsível neste tipo de produções, algo inesperado acontece e que ameaça não só a integridade do parque como também dos visitantes. Chris Pratt (Guardians of the Galaxy), Bryce Dallas Howard (The Village), Vincent D'Onofrio, Judy Greer, Omar Sy (Intouchables), Irrfan Khan, Ty Simpkins, Nick Robinson e Jake Johnson integram o elenco. Jurassic World chegará aos cinemas em Junho de 2015.

 

Ver Também

Jurassic World: O trailer

Jurassic Park 4 recebe titulo e data de estreia!

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.


publicado por Hugo Gomes às 14:06
link do post | comentar | partilhar

Blade-Runner-2-Rachael.jpg

Segundo a Variety, Ridley Scott revelou que não irá dirigir a (muito esperada) sequela de Blade Runner – Perigo Iminente, que há pouco tempo atrás recebeu luz verde para a sua produção. Contudo, Scott confirmou que estará envolvido no desenvolvimento e na produção do respectivo filme de ficção científica.

 

"Nós falamos bastante sobre isso [o enredo da sequela] e penso que poderá sair uma narrativa de três actos bastante forte," diz Scott. "Harrison [Ford] também irá fazer parte do projecto, mas a fita constará em encontra-lo. Sendo que ele só aparecerá no terceiro acto."

 

Relembro que Blade Runner, de 1982, é baseado num livro de Philip K. Dick - Do Androids Dream of Electric Sheep? – O seu enredo leva-nos a um futuro longínquo, onde a civilização humana é ameaçada pela propagação dos replicantes, androides que tentam estabelecer o seu direito à “vida” e à humanização. No centro da história encontramos Rick Deckard (Harrison Ford), um caçador de recompensas que se dedica à caça dessas mesmas imitações humanas.

 

Blade Runner é hoje considerado uma das obras-primas da ficção científica cinematográfica, mas na altura da sua estreia foi “abalado” por imensas críticas negativas e um desinteresse total pelo público em geral. O filme foi também prejudicado por inúmeras versões, sendo que todas elas debatiam na sequência final (crê-se que a Warner Bros, pretendia um final feliz, bastante divergente da vilão do realizador) e de uma cena chave que poderia questionar a condição do seu protagonista.

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.

tags:

publicado por Hugo Gomes às 08:56
link do post | comentar | partilhar

Virados do Avesso.jpg

O meu namorado tem amnésia!

 

Experimental e bastante activo na indústria cinematográfica, Edgar Pêra recorre agora a uma vertente mais comercial do que o habitual (se cairmos na prenoção de que a comédia como género é exclusivamente direccionado ao grande público) para nos transmitir o seu filme mais vulgarizado e menos pessoal. A burlesca história de um homossexual que acorda certo dia sem ter noção da sua orientação sexual é já por si só meio caminho andado para mais uma anedota de género, mas Pêra trabalha na essência kitsch e no tom de comédia screwball. Por pouco existiriam aqui contornos do cinema de Almodóvar, para conduzir um filme de vasta viabilidade e de uma certa renegação da linguagem televisiva.

 

Anselmo-Ralph-Virados-do-Avesso.png

 

Diria antes, e voltando a referir o primeiro ponto, que encaramos este filme como um ensaio com escassos elementos da sua cinematografia, tirando obviamente da decisão do som de pós-produção, numa sequência com a sua marca autoral nas transposições visuais que deparamos lá para o final e Nuno Melo, aquele que tem servido durante grande parte da sua carreira como o seu molde humano. A verdade é que é o actor, que já havia vestido a pele do tenebroso Barão, a garantir grande parte (arriscaria a sublinhar a totalidade) das gargalhadas concentradas em todo o desenrolar da fita. Ele é o comic relief por natureza, e o trunfo na manga de Pêra nesta paródia que incentiva romper julgamentos populistas e preconceitos estabelecidos.

 

Virado.jpg

 

Virados de Avesso é um filme, que apesar do esforço, não consegue incentivar o espectador a seguir uma narrativa mais preocupada nas referências culturais e sociais do que nomeadamente nas personagem. Aliás, estas, meras caricaturas estereotipadas movidas por overacting sobre overacting, que nem mesmo Diogo Morgado escapa. Contudo, a homossexualidade no novo filme de Edgar Pêra está longe de ser apresentado sob tabus, mas não evita de ser uma prolongada gag cartoonesca, com menos graça do que aquilo que se imaginava ou do que fora prometido.

 

Real.: Edgar Pêra / Int.: Diogo Morgado, Jorge Corrula, Diana Monteiro, Nicolau Breyner, Nuno Melo, Marina Albuquerque, Miguel Partidário, Philippe Leroux e Anselmo Ralph

 

maxresdefault.jpg

 

Ver Também

O Barão (2011)

3X3D (2012)

4/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 05:03
link do post | comentar | partilhar

26.11.14

Ciume.jpg

A descrença na Humanidade, by Garrel!

 

Phillipe Garrel retorna para enfrentar os seus demónios interiores e novamente volta a perder face a eles. Mas em La Jalousie (Ciúme) existe outra vertente, uma arte esperada, que nada fora feito para impedi-lo, diria antes a arte do desgaste. Garrel articula em territórios conhecidos, aliás, sob os mesmos moldes e os mesmos ventríloquos, o seu filho - Louis Garrel - que regressa às vestes do "lobo". Este é o terceiro capitulo da sua trilogia dos Amantes, uma autobiografia moldada e recontada em diversos ângulos criativos, mas unidos pelas escolhas recorridas pelo seu respectivo "pintor".

 

louis-garrel-la-jalousie.jpg

 

É o mundo impuro e monocromático que se assenta para salientar os medos do realizador, que os utiliza como um culminar de vazios existenciais, simultaneamente evocando essas pretensões algo eruditas para dissecar o fruto das relações amorosas. La Jalousie é "amor-cão" em língua burguesa, é o de sentir apaixonado sem com isso sentir verdadeiramente, é distanciar os sexos sem de facto diferenciá-los, é o de monologar sem com isso dizer rigorosamente alguma coisa. Pois bem, Phillipe Garrel converteu-se ao conformismo, quer estético, quer estrutural até mesmo a nível ideológico, este é o seu mesmo filme de sempre, com o pormenor de que o próprio autor já o havia anteriormente cumprido e em melhores resultados. Ao menos esperava-se algo mordaz, cru e sem remorsos, mas o retrato dado por este neste reencontro com "demónios adormecidos" é o de somente vácuo.

 

la-jalousie-louis-garrel-anna-mouglalis.jpg

 

Misógino para alguns, sexualmente indiferente para outros, La Jalousie confirma a não superação de Garrel em enfrentar o que deveria ter enfrentado, ou o de simplesmente seguir em frente nessa sua longa jornada para provar a animalidade do Mundo dos compromissos. Talvez o recado dado por este seja do conhecimento de qualquer um, mas o nosso cineasta sente-se na obrigação de partilhar essa sua visão, quer queiram, quer não. A questão aqui é que até mesmo os autores tem fórmulas, a desculpa é que Garrel apenas aplicou a sua. Um dos mais fracos filmes da sua carreira, a prova de que a reinvenção é por vezes um novo fôlego a um autor, ao invés do estilo como dado adquirido.

 

Real.: Phillipe Garrel / Int.: Louis Garrel, Anna Mouglalis, Rebecca Convenant

 

la-jalousie.jpg

 

4/10

publicado por Hugo Gomes às 21:18
link do post | comentar | partilhar

sobre mim
pesquisar
 
arquivos
2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


recentemente

Alicia Vikander é Lara Cr...

Morreu Harry Dean Stanton...

Jamie Lee Curtis de volta...

Doclisboa'17: Wang Bing a...

IT (2017)

Cold Hell é o grande venc...

Trailer: Fifty Shades Fre...

Veneza'17: Guillermo Del ...

Train to Busan (2016)

Logan Lucky (2017)

últ. comentários
Viva Hugo! Boa análise do It. Gosto de ver a críti...
Tudo bem, Hugo? Falando em palhaços :DDê uma olhad...
Finalmente o Donald Sutherland recebe alguma coisa...
Olá, eu assisto todos os filmes neste site https:/...
Perdi a esperança neste mundo ...
Takes
10/10 - Magnífico
9/10 - Imprescindível
8/10 - Bom
7/10 - Interessante
6/10 - Razoável
5/10 - Medíocre
4/10 - Muito Fraco
3/10 - Mau
2/10 - Péssimo
1/10 - De Fugir
0/10 - Nulidade
stats counter
HTML Hit Counter
counter
links
mais comentados
25 comentários
20 comentários
13 comentários
12511335_1084470088250815_732384524_o
subscrever feeds
blogs SAPO