24.9.14
24.9.14

A identidade violentada!

 

Russos na Crimeia! Agora que já consegui a vossa atenção, vou então prosseguir. O que temos aqui não é nenhum filme de teor politico sobre o mediático conflito que faz correr tinta nas diversas manchetes da imprensa internacional. Não, em Name Me, de uma estreante nas longas metragens, a russa Nigina Sayfullaeva, o que encontramos é um drama conflituosamente psicológico que nos remete ao caos como um força impulsora. Força, essa, motivada por um voluntária, mas não inofensiva, "troca de identidades". A história remete-nos a duas jovens moscovitas, as amigas inseparáveis Olya e Sasha, que seguem viagem para a região da Crimeia para conhecer por fim o pai de Olya. Mas, quando chega a hora da verdade, esta sente-se insegura quanto ao tão esperado encontro. Assim sendo, Olya pede a Sasha para "trocar de lugar com esta", visto ser uma rapariga mais espontânea e menos inibida. No inicio toda esta situação torna-se divertida e gratificante, mas cedo Sergey (o pai) começa a desconfiar do sucedido e as consequências são assim desvendadas.

 

 

Acredito que este Name Me foi um filme concretizado sem a menor intenção de invocar uma crítica social e politica, mas tal e qual como a suposta "brincadeira inocente" dos seus protagonistas, o inevitável é algo que não se consegue contornar e assim sucedem as sequelas. Há duas maneiras de "ler" este filme: a primeira como o enésimo drama da busca pela entidade paternal num conturbado coming-to-age; a segunda, com as personagens e as suas situações a surgir como espelho do panorama actual onde, por mais que a opinião pública discuta o tema, tudo se resume a um conflito ambíguo e de delicada abordagem.

 

 

Name Me é um filme vertiginoso em termos emocionais, filmado com um naturalismo que só salienta esses mesmos sentimentos e a dupla vencedora de actrizes (Alexandra Bortich, Marina Vasilieva) revela-se um duo explosivo, quer na interpretação, quer pela evolução a que as suas personagens são submetidas. Por sua vez, Konstantin Lavronenko (de The Return, de Andrey Zvyagintsev), apresenta-nos uma figura negra de difícil interacção com o espectador. Porém, a tarefa não é impossível e, quando o consegue, impossível é mesmo largar essa compaixão. Estes "três peões" formam um triângulo aguçado que tendem em comprimir gradualmente sob um cenário que se demonstra frio e por vezes hostil para o efeito.

 

 

A narrativa os acompanha com uma certa cumplicidade enquanto num tremendo loop de emoções. Esta é uma fascinante primeira obra, que visa uma construção versátil nas suas personagens e a desconstrução da sua ênfase dramática, ao mesmo tempo que tece uma demanda cronista e subliminar do conflito da Crimeia, perceptível a quem pretender ver para além das aparências. A não perder!

 

Filme visualizado na 62ª edição do Festival de Cinema Internacional de San Sebastian

 

Real.: Nigina Sayfullaeva / Int.: Alexandra Bortich, Marina Vasilieva, Konstantin Lavronenko

 

 

8/10

publicado por Hugo Gomes às 12:23
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23.9.14

 

Com I Love Kuduro nos cinemas portugueses, o Cinematograficamente Falando teve a oportunidade de falar com o realizador Mário Patrocínio sobre esta demanda musical na terra dos "batuques".

 

1. Como surgiu a ideia deste projecto? Porquê o Kuduro e não outro estilo musical?

A vontade de fazer um filme sobre assunto surgiu quando morávamos no Brasil, com o objetivo de concretizar o projeto Complexo - Universo Paralelo. Foi nessa altura que comecei a escrever a sinopse do filme “kuduro”. Mas a paixão e a curiosidade sobre o tema já vêm dos meus tempos de faculdade quando em meados dos anos 90, o kuduro apareceu em força em algumas discotecas de Lisboa. Já na altura me interrogava onde viriam aqueles beats frenéticos com animações que pareciam “non sense” mas que nos faziam viajar. O ritmo era contagiante e a música era acompanhada de animações ao vivo com danças e “toques” que levavam as discotecas ao rubro. A animação e a energia que se sentia eram completamente diferentes do que se passava noutros contextos: faziam-se rodas de dança no meio da pista e assistia-se às performances dos bailarinos e MC’s , que com um estilo muito próprio conseguiam pôr toda a gente a dançar. Queira saber mais sobre o kuduro, como era feito, quem eram os verdadeiros protagonistas daquele som. Há três anos, quando resolvemos desenvolver o projecto do kuduro, conhecemos um empreendedor cultural, o Coreón Dú, que também queria contar a história do kuduro. Com um objectivo comum juntámos esforços e concretizámos o I Love Kuduro.

 

2. Em "Complexo - Universo Paralelo", a tentativa foi de desmistificar uma da mais infames favelas do Rio Janeiro expondo o seu quotidiano. Em I Love Kuduro tentaram fazer o mesmo com o estilo musico em si?

Nós procuramos histórias que nos inspirem de alguma forma especial e que sintamos que merecem e devem ser partilhadas com o mundo. O kuduro, como referi na questão anterior,  foi algo que desde cedo despoletou em mim uma enorme curiosidade. Com o passar do tempo a noção do fenómeno enquanto movimento cultural contemporâneo urbano e africano veio trazer-me também, e cada vez mais, a consciência de que havia uma profundidade no kuduro que ia para além da música e da dança. Quando fomos para o terreno fazer pesquisa sobre o assunto, ouvir os verdadeiros intervenientes da história do kuduro até aos dias de hoje, e falar com uma série de pessoas que viveram ou estiveram envolvidas no crescimento do fenómeno, tivemos a certeza que essa profundidade do kuduro tinha que ser partilhada.

 

3. Existe em I Love Kuduro um certo rigor no tratamento da fotografia, nos dias de hoje é mais relevante um documentário apresentar estilo visual ou concentrar-se no conteúdo?

Tudo é relevante, mas o conteúdo é o que segura qualquer filme. Mas dependendo do tema, o próprio estilo visual pode transformar-se em conteúdo.

 

4. Com que "olhos" vêm o panorama actual dos documentários de produção portuguesa?

A única certeza que tenho é que Portugal tem realizadores talentosos mas que os filmes que são feitos dificilmente chegam às pessoas.

 

5. A seguir a I Love Kuduro? 

Existe um projeto que nos tem inspirado especialmente. É a nossa primeira ficção e é uma adaptação do livro “As Mulheres do Meu Pai” do escritor angolano José Eduardo Agualusa. Para além disto a BRO está a desenvolver outros projetos em diferentes áreas sendo que a nossa prioridade é e sempre será encontrar histórias que nos movam, que nos apaixonem, que mereçam ser contadas e partilhadas!

 

 

Ver também

I Love Kuduro (2013)

Complexo - Universo Paralelo (2010)

Estreia da Semana: I Love Kuduro, em busca da "batida"!

Complexo - Universo Paralelo em Cinema ao Ar Livre no Jardim da Estrela!

I Love Kuduro vence prémio de Melhor Fotografia no Cineport!

DocLisboa '13: I Love Kuduro, uma viagem pelo universo kuduro!

Os irmãos Patrocínio em busca do Kuduro!

 

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publicado por Hugo Gomes às 20:00
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Denzel Washington é o protagonista de The Equalizer, a adaptação cinematográfica de uma série televisiva dos anos 80, que estreia esta semana, dia 25 de Setembro, nos cinemas nacionais. Trata-se da segunda cooperação entre o actor e o realizador Antoine Fuqua (Training Day), The Equalizer remete-nos a Robert McCall (Washington), um veterano das operações especiais que finge a sua morte para poder viver uma vida pacifica em Boston. Porém McCall abandona a sua "fraudulenta" aposentaria para resgatar uma jovem prostituta (Chloë Grace Moretz, Carrie) das mãos da Máfia Russa. Melissa Leo (The Fighter), Bill Pullman (Lost Highway), Dan Bilzerian (Lone Survivor) e Marton Csokas (Alice in Wonderland) completam o elenco. A sequela encontra-se de momento em produção. 

 

Ver Crítica, aqui

 

 

Ver Também

The Equalizer - O Trailer!

The Equalizer - Denzel Washington em modo furtivo!

 

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publicado por Hugo Gomes às 02:06
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22.9.14

 

Foi divulgado um novo trailer de The Better Angels do estreante realizador / argumentista A. J. Edwards, uma produção de Terence Mallick (Tree of Life, Thin Red Line) que aborda a juventude o anterior presidente dos EUA, Abraham Lincoln, e dos factores que o moldaram como o homem pelo qual é mundialmente relembrado. A fita conta com as participações de Jason Clarke, Diane Kruger e Wes Bentley e foi apresentado no Festival de Sundance e no Festival de Berlim.

 

Ver também

The Better Angels, a juventude de Lincoln (primeiro teaser trailer)

Juventude de Lincoln em produção de Terrence Malick

 

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publicado por Hugo Gomes às 21:47
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Requisitando os mínimos do thriller!

 

A primeira impressão, e talvez a única relevante, que podemos constatar em La Isla Mínima é que a região da Andaluzia é um "pequeno" paraíso a ser visitado o quanto antes, porque de resto, deparamos com um "thriller local" contagiado pelas diversas influências e "tiques" do cinema do género, ou na maior das hipóteses pela resposta televisiva ao mesmo. No final da sessão do Festival de San Sebastian, as comparações foram de tudo; desde a elogiada mini-série True Detective, passando por Fargo dos Coens, até aos policiais franceses em que Jean Reno é o rei. La Isla Mínima foi concebido para agradar os aficionados do subgénero sem grandes desafios, visto que estruturalmente é um filme modelizado e bem arquitectado com os elementos de sucesso.

 

 

Esta ambiciosa produção espanhola remete-nos inicialmente para belas imagens topográficas da região, a fim de ambientar o espectador aos climas amenos e húmidos nos quais decorrerá a trama. Seguidamente surgem-nos os lugares-comuns: duas jovens desaparecem sem deixar rasto e a missão de encontrá-las é confiada a dois detectives (Javier Gutiérrez, Raúl Arévalo), ambos marcados por passados negros.

 

 

O realizador Albert Rodriguez (Grupo 7) é oriundo da mesma região que serve de cenário a La Isla Mínima, o que explica as constastes demonstrações de fascínio visual e descritivo, como a forma desolada com que transforma esta região paradisíaca num ápice. Mesmo sendo competente no ritmo e não poupando na violência (graças aos céus que não é nenhuma produção apelativa a jovens), este thriller percorre os mesmos trilhos que muitos congéneres já o fizeram. A solução para salientar La Isla Mínima foi apresentar personagens devidamente fortes para marcar a mente do espectador, mas infelizmente o resultado ficou-se pelo mero esboço. Promissores sim, mas limitados a isso (influenciando também os desempenhos eficazes, mas não transversais).

 

 

O enredo ainda possui outra desvantagem. A sua intensidade é desvanecida com a chegada do esperado e grande climax, deixando demasiadas "pontas soltas" e as expectativas da audiência no abandono. Depois ainda temos direito a um twist pouco antes do desfecho, já esperado, confesso, e que nada de novo ou relevante acrescenta ao teor deste thriller meramente visual. É verdade que ninguém é inocente neste mundo de aparências e hipocrisias, mas porquê continuar a afirmá-lo somente com o óbvio maniqueísmo?

 

Filme visualizado na 62ª edição do Festival de Cinema Internacional de San Sebastian

 

Real.: Alberto Rodriguez / Int.: Raúl Arévalo, Nerea Barros, Jesús Carroza, Jésus Castro

 

 

5/10

publicado por Hugo Gomes às 21:06
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Morreu Peter von Bagh, o célebre cineasta e historiador finlandês que desempenhou funções directivas na Cinemateca Finlandesa, fundador do Midnight Sun Film Festival, o famoso festival da Lapónia, e mais recentemente como programador do festival Cinema Ritrovatto, em Bolonha. Como realizador e argumentista, possui uma extensa carreira dotada de ficções (esteve por detrás do argumento de I Hired a Contract Killer de Aki Kaurismäki) e até mesmo documentários, sendo que nesta última estância e paixão, tornou-se uma presença habitual no Doclisboa desde 2010, tendo sido presidente do Júri do respectivo festival em 2011. O comunicado foi feito pela própria organização do festival que ainda revelou que a edição deste ano homenageará a sua pessoa, Socialism (o seu ultimo filme) encerrará o Doclisboa 2014. Peter von Bagh faleceu na sua terra natal, Helsínquia, tinha 71 anos.

 

Peter von Bagh (1943 -2014)

 

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publicado por Hugo Gomes às 16:57
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Joseph Gordon-Levitt pode interpretar Edward Snowden no filme biográfico que se encontra a ser desenvolvido por Oliver Stone. A notícia é avançada pelo Deadline. O argumento do filme biográfico vai ter como base o livro "The Snowden Files: The Inside Story of the World's Most Wanted Man". Vale ainda a pena recordar que Stone e o produtor adquiriram recentemente os direitos do livro (ainda não lançado) "Time Of The Octopus". O enredo acompanha a história ficcional de Joshua Cold, um indivíduo que é ameaçado pelo Governo por ter revelado informações relevantes, tendo pedido asilo junto das autoridades russas.

 

"The Snowden Files: The Inside Story of the World's Most Wanted Man" foi publicado em Portugal com o título "Os ficheiros Snowden - A história secreta do homem mais procurado do mundo" e tem a seguinte sinopse (via Wook): O que se seguiu transformou-se na mais impressionante fuga de informação alguma vez testemunhada pelo mundo moderno. As consequências abalaram líderes de inúmeras nações: de Obama a Cameron, aos presidentes do Brasil, França e Indonésia, passando pela chanceler alemã. Edward Snowden, um jovem génio informático a trabalhar para a Agência de Segurança Nacional americana (NSA), ousou tornar público o programa secreto de espionagem mundial. Levado a cabo com o beneplácito do governo dos Estados Unidos da América, esse plano é defendido como sendo essencial à vigilância de eventuais atos terroristas. No entanto, para o cidadão comum trata-se de um feroz atentado à privacidade.
Desde logo, urgia pensar nas motivações de Snowden e nas consequências que a sua revelação teria a nível mundial. Este trabalho, apresentado pelo premiado jornalista do The Guardian, Luke Harding, dá a conhecer todos os pormenores do caso Snowden: o dia em que este abandona a namorada no Havai e parte para Hong Kong com quatro computadores carregados de informações secretas, as semanas posteriores à divulgação do programa da NSA e a procura incessante de asilo político. Agora, em Moscovo, Edward Snowden enfrenta as acusações de espionagem por parte dos Estados Unidos da América e um futuro incerto no exílio.

 

O filme ainda não tem uma data de estreia definida.

 

In: Rick's Cinema.

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publicado por Guest às 16:22
editado por Hugo Gomes às 21:04
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Já se encontra online um novo trailer internacional de "The Interview". O filme é realizado por Seth Rogen e Evan Goldberg. Goldberg e Rogen assumem ainda o cargo co-argumentistas (repetindo a parceria de "This is the End") ao lado de Dan Sterling ("The Sarah Silverman Show"). O elenco de "The Interview" conta com elementos como James Franco, Seth Rogen, Lizzy Caplan, Randall Park, entre outros.

 

 

O enredo de "The Interview" desenrola-se em volta de um apresentador televisivo (Franco) e do seu produtor (Rogen), uma dupla que se envolve num plano rocambolesco para o assassinato do Primeiro Ministro da Coreia do Norte.

 

Trailer de "The Interview":

 

 

In: Rick's Cinema.


publicado por Guest às 16:12
editado por Hugo Gomes às 21:13
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Uma questão de "batuques"!

 

Os irmãos portugueses, Mário e Pedro Patrocínio, desmistificaram uma das favelas mais infames no Rio de Janeiro no seu ensaio documental de 2010, Complexo: Universo Paralelo, através de uma representação do seu respectivo quotidiano, sem receios nem mediatismos sociais. Passados três anos, a dupla embarca agora noutra aventura documental, desta vez em um país bem diferente, Angola.

 

 

Os irmãos decidem assim abordar as diversas questões sociais e algumas politicas do país em questão, mas a temática é por vias de "batuques", como certa altura alguém afirma, tudo se resuma a uma questão de barulhos. Pois bem, eis um documentário sobre um dos estilos musicais mais proeminentes da Angola, e provavelmente a fazer digressão no resto do Mundo, o Kuduro, música para alguns, barulho para outros, a verdade é que por vias dessa mesma manifestação artística que os irmãos Patrocínio incutem em I Love Kuduro um olhar sempre atento aos conflitos inerentes de um país, devastado pela Guerra e acentuado pela gradual diferença entre classes.

 

 

No seio de uma colectânea de testemunhos de diversos artistas do estilo musical, apercebemos esse olhar clínico e critico dos envolvidos, a não consensualidade entre os depoimentos das ditas "celebridades", onde o espectador irá, por exemplar, notar um certo choque entre o clássico e o moderno, reafirmados pelos dançarinos da Velha Guarda do Kuduro, que proclamam retratar um país em fase de reconstrução, ou a desmistificação do próprio mito em redor desta música angolana - é que afinal o Kuduro nasceu entre a burguesia e não no gueto como muitos crêem.

 

 

Visualmente requintado, I Love Kuduro manifesta os seus propósitos mais evidentes, ser um documentário exclusivo para adeptos e aficionados do ritmo, mesmo acabando por se tornar algo mais que isso. Contudo esse ponto é por vezes prejudicado pelo primeiro objectivo, realmente sentimos que existe mais para além da música em si, e temos a necessidade de fugir às extravagâncias dos artistas como também explorar a razão para o culminar de tais "batuques".

 

 

Até certo ponto I Love Kuduro é restringido ao seu horizonte comercial? Os Patrocínios tentam contorna-lo incentivando o debate e "caçando fadas", mas infelizmente os temas são tocados de forma leve e pouco provocante, bem que não perderiam se fossem devidamente explorados (como é o caso do Kuduro como hino de libertação dos homossexuais angolanos, segundo Titica, a primeira estrela nacional transexual). Para adeptos e não só!

 

Real.: Mário Patrocinio / Int.: Nagrelha, Príncipe Ouro Negro e Presidente Gasolina, Tchobari, Francis Boy, Cabo Snoop, Titica

 

 

6/10

publicado por Hugo Gomes às 15:06
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21.9.14

O super-herói dentro de nós!

 

Quem não gostaria de ser mais do que um mero mortal, quem nunca imaginou ter … super-poderes? Uma pergunta que qualquer pessoa responderia sem hesitar, ainda mais influenciado com a vaga de super-heróis que tem atracado a industria cinematográfica nos últimos anos. Com estas questões acima referidas, surge outra - o que fazer com tais especialidades? Salvar o mundo, praticar o Bem ou o Mal ou apenas para uso próprio e jubilante? Para Vincent, apenas ser discreto para que o resto da Civilização não descubra, é o suficiente.

 

Realizado, escrito e protagonizado por Thomas Salvator, Vincent n'a pas d'écailles leva-nos a uma distopia sem a espectacularidade dos filmes muy generis desta temática, tornando o arquétipo do sobrehumano em algo marginal e talvez indiferente em termos apelativos. Nesse aspecto e visto ser uma primeira obra e de baixo-orçamento, a abordagem dessa temática num filme sujeito a essas condições revela-nos um desafio produtivo, tendo em conta que é adicionada outra vertente, a do realismo. Pois bem, nada de alienígenas vindo do espaço, artefactos misteriosos e abençoados nem picadas por animais radioactivos, Vincent é possuidor de uma força, agilidade e velocidade acima de qualquer ser humano normal, atributos, esses, despertados em contacto com a água, quanto à explicação para a origem desse evento - um total mistério.

 

Eis um filme que funcionaria na perfeição se Thomas Salvator soubesse realmente o que pretendia, por outras palavras, o desafio da produção é superado, visto que o polivalente realizador é para além de tudo, um exímio acrobata e alpinista, o que facilita no acto de demonstração de tais poderes, contudo não sabe o que fazer com o material. Tudo acaba por ser um espectáculo exibicionista e narcisista, quase circense, emancipado por uma narrativa episódica e ausente de qualquer emocionalidade nem rigor estrutural, parece que Thomas Salvator confundiu conduzir uma história minimamente decente com uma colectânea de paisagens naturais, que por sorte apresenta mais química e expressividade que o próprio protagonista.

 

E falando em química, Vincent n'a pas d'écailles é minado com um romance risível e igualmente isente da mesma. Ainda para juntar "à festa", a carência de personagens, meros bonecos inumanos, sem carisma nem objectividade, e ditados por desempenhos figurativos. Bem, parece que não existe herói algum que seja capaz salvar esta pseudo-fantasia, que estava destinada a grandes feitos, de um desastre artístico.

 

Filme visualizado na 62ª edição do Festival Internacional de San Sebastian

 

Real.: Thomas Salvator / Int.: Thomas Salvador, Vimala Pons, Youssef Hajdi

 

4/10

publicado por Hugo Gomes às 21:55
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A produtora Stopline encontra-se de momento a preparar uma trilogia de refilmagens a clássicos da "era de ouro" do cinema português, sendo O Pátio das Cantigas (1942), o primeiro do grupo. Miguel Guilherme, César Mourão, Dânia Neto, Cristóvão Campos, Sara Matos e Anabela Moreira são os actores cotados para esta nova versão do filme protagonizado por Vasco Santana, Francisco Ribeirinho e António Silva, totalmente ambientado no bairro de Alfama. Por detrás deste projecto está Leonel Vieira (Arte de Roubar, Zona J) como eventual realizador.

 

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publicado por Hugo Gomes às 01:32
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Este filme não é para velhos!

 

Na sua primeira longa-metragem, Hermes Paralluelo filma os seus próprios pais como personagens decadentes acorrentadas a um sistemático ciclo de rituais e gestos. Poderíamos aclamar que este No Todo es Vigilia é algo que bebe da mesma água que um Hiroshima, Mon Amourde Alain Resnais, por exemplo. Isto pelo simples facto desta ser uma ficção enraizada na veia documental ou, simplesmente, por um conceito simplista, um documentário que durante o seu processo resultou numa mostra híbrida, ficcional e, em simultâneo, renunciando tal categoria.

 

 

Paralluelo aborda uma história de amor, não no momento ardente da sua paixão, mas no conforto acostumado com o seu par. Existe afecto aqui e o espectador sente isso quando visualiza imagens de insuportabilidade psicológica seguida por um perdão silencioso de quem ama. O realizador consegue uma obra alicerçada por planos magistrais e uma fotografia fantasmagórica, que acentuam o vazio e a solidão iminente. A rotina é aqui o centro do espectáculo, da mesma forma que os paradoxais diálogos governam uma narrativa decadente, cujo desenvolvimento comporta como uma mera entidade invisível e acossadora. No fundo as ideias deste primeiro filme são estas: a fobia da "velhice", o medo da solidão e o ciclo rotineiro que se dá como "cartão de visita" para o fim dos elementos.

 

 

Neste aspecto No Todo es Vigilia resulta na perfeição mas, como primeira obra, a presunção precoce do realizador acentua um desfecho tardio e sequências non sense que reafirmam o que já havia sido dito. Um dia chegaremos assim, decadentes no tempo, mas loucos viventes das "folgas" impostas pela morte. Folgas essas lentas, quase e desesperadamente imperecíveis. Hermes Paralluelo constrói a homenagem digna ao amor dos seus pais, o olhar no passado com dedicação e afecto que só um filho poderia dar. Nisso, No Todo es Vigilia é admirável.

 

Filme visualizado na 62ª edição do Festival de Cinema Internacional de San Sebastian

 

Real.: Hermes Paralluelo / Int.: Antonio Paralluelo, Felisa Lou

 

 

7/10

publicado por Hugo Gomes às 00:41
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20.9.14

Denzel, o implacável!

 

Sem formalismos; a nova reunião entre o realizador Antoine Fuqua e Denzel Washington resulta em tudo, excepto num novo Training Day, esse thriller de acção e contornos dramáticos com o qual o actor venceu o Óscar de Melhor Actor em 2003. The Equalizer, tendo como matéria base uma série de TV dos anos 80 (1985-1989), é um filme de acção que funciona de forma exímia durante 15 minutos, aliás o primeiro terço (uma aspiração a Taxi Driver, isento do existencialismo de Scorsese), até dar conta que o seu público alvo esta a borrifar-se para exercícios narrativos e para claros ensaios de sugestões cinematográficas.

 

 

O que estas audiências anseiam é tudo aquilo que é possível e esperado encontrar em produtos deste género. Tendo isso em consideração, Fuqua esmera-se em concentrar todo o foco dramático no seu protagonista, e a causa dos "justos", ao mesmo tempo que opera com todo o esforço para tornar o conceito em algo "cool" o suficiente, a fim de fermentar um novo franchising. Obviamente um desses elementos ficaria a perder nesta dualidade e o derrotado foi a sua ênfase dramática, aqui condenada em converter-se em combustível para o funcionamento do seu "anti-herói". Claro que Denzel Washington é já um actor com estatuto, algo que em The Equalizer evidencia pouco. Apesar de tudo, crê-se ser o melhor deste filme desigual e demasiado "correcto", mesmo sob os graus de violência que esboça ( a demanda deste "herói" é mais sangrenta que a última equipa de The Expendables).

 

 

No fim das contas, esta é uma desculpa para um regresso à velha história: um homem contra a máfia - neste caso os russos, que novamente são os principais vilões de serviço nos inúmeros filmes de acção norte-americanos actualmente produzidos (como se fosse uma mensagem que quisessem transmitir ao resto do Mundo). Pelo menos Chloe Moretz esforça-se para ser algo mais que mera vítima, mas nem por aí vale a pena contar com grandes pretensões. A sequela já vem a caminho!

 

Real.: Antoine Fuqua / Int.: Denzel Washington, Marton Csokas, Chloë Grace Moretz

 

 

4/10

publicado por Hugo Gomes às 10:11
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19.9.14

 

Foi divulgado o primeiro trailer de "Big Eyes", o novo filme realizado por Tim Burton. O filme conta no elenco com Terence Stamp ("The Adjustment Bureau"), Jason Schwartzman ("The Grand Budapest Hotel"), Krysten Ritter ("Breaking Bad"), Danny Huston ("Hitchcock"), Amy Adams ("The Master"), Christoph Waltz ("Django Unchained"), entre outros.

 

O enredo de "Big Eyes" acompanha Margaret e Walter Keane, uma dupla de pintores famosa por elaborar figuras de crianças com grandes olhos. Estas obras eram muito populares durante a década de 50 e 60, tendo gerado um grande sucesso de vendas. Walter era o responsável pelas vendas, enquanto Margaret era a responsável pelas pinturas, apesar dele levar o crédito por ambas as actividades. Mais tarde, Margaret e Walter separaram-se e iniciaram uma disputa no tribunal.

 

Trailer:

 

 

Post in: Rick's Cinema


publicado por Guest às 02:24
editado por Hugo Gomes em 25/09/2014 às 22:30
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Ver programação, aqui

 

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publicado por Hugo Gomes às 00:57
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18.9.14

 

O Festival de Cinema de San Sebastian aguarda por aí e eu vou ao seu encontro. Nos próximos dias, o Cinematograficamente Falando … se encontrará em modo lento, talvez consiga actualizar com um ou outro artigo vindo directamente da programação do festival, mas por enquanto isso não é definitivo. Contudo o caros e assíduos leitores não irão desesperar, o blog não irá morrer nem algo que valha. Continuaremos a prestar atenção ao mundo do Cinema e as últimas novidades não estarão fora da lista. Aníbal Santiago do muito prestigiado blog Rick's Cinema (ver aqui) concordou em ajudar-me a manter a "chama acesa" e actualiza-lo na minha ausência durante os próximos dias.  Muito obrigado caro companheiro.

 

Sem mais nenhum assunto, embarco então numa nova aventura, talvez a primeira de muitas que me ajudarão a crescer, quer como individuo, quer como cinéfilo.

 

Por isso não se esqueçam, conforme seja a vossa escolha, Bons Filmes!

 


publicado por Hugo Gomes às 21:18
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A partir de hoje é possível assistir às duas primeiras obras de Leo Carax, Boy Meets Girl – Paixões Cruzadas (1984) e Mauvais Sang – Má Raça (1986), ambas versões restauradas,em exibição no Espaço Nimas, Lisboa, até dia 25 de Setembro, altura que o cinema dará lugar a uma retrospectiva do cineasta indiano Satyajit Ray. Os bilhetes para as sessões rodam entre os 6€ (bilhete normal) e 4€ (segunda-feira). Uma proposta irresistível de cinema.

 

Ver horários aqui

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 18:14
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Ver também

Um novo poster para Interstellar de Christopher Nolan!

Mais um trailer de Interstellar de Christopher Nolan!

Interstellar, o próximo filme de Christopher Nolan com novo trailer!

Interstellar de Christopher Nolan tem primeiro poster!

Interstellar - Christopher Nolan no espaço!

Christopher Nolan volta à Ficção Cientifica!

 

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publicado por Hugo Gomes às 16:22
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Foi revelado o Top de Agosto de 2014 dos Circulo de Críticos Online Portugueses (CCOP), com Cinematograficamente Falando … incluído. O nosso candidato ao Óscar e vencedor do Prémio Especial do Júri, do prémio FIPRESCI no Festival de Locarno 2013, E Agora? Lembra-me de Joaquim Pinto (crítica brevemente) conquistou o primeiro lugar do top. Em segundo lugar seguiu-se o primeiro filme de Anthony Chen, Ilo Ilo  (crítica, ver aqui), e por fim, em terceiro lugar, o mais recente êxito da Marvel, Guardians of the Galaxy de James Gunn (a critica pode ser lida, aqui).

 

 

A lista completa pode ser vista aqui

 

 


publicado por Hugo Gomes às 12:56
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Os miúdos de Jersey sabem cantar!

 

No rescaldo do sucesso de Elvis e anos antes da febre dos The Beatles, The Four Seasons era a banda do momento. Os seus singles ainda hoje perduram como sucessos, grande parte destes, como Can't Take my Eyes off you, continuam a ser utilizados até à exaustão em filmes e anúncios de TV. Composto por quatro membros, todos eles dotados de divergentes tons vocais, os The Four Seasons tinham como vocalista principal Frankie Valli, cuja voz angelical derreteu corações e o conduziu para o top de melhores artistas musicais norte americanos. Ainda hoje a banda está no activo e, apesar de vários anos no palco e sucessos, só em 1990 é que ingressou na Hall of Fame of Rock 'n' roll. O legado de sucesso dos The Four Seasons originou livros e até mesmo peças da Broadway, duas vertentes que serviram de inspiração para Clint Eastwood para, por fim, dar ao cinema uma biografia que a banda já merecia.

 

 

Vamos ser claros. Dentro do modelo de biopic musical, Jersey Boys dá um passo em frente ao conseguir consolidar a sua veia melódica com a esquematização narrativa e, neste último ponto, concentrar se em atribuir ao filme personagens interessantes e estáveis ao seu desenvolvimento. Tal como o realizador proferiu em diversas entrevistas, Jersey Boys não foi concebido para ser mais um musical. Ao invés, Eastwood preferiu apelidar a sua obra de um "filme com música". O elemento musical está presente e participa na narrativa, mas as personagens encaram esses momentos como parte do seu quotidiano, longe da alienação de, por exemplo, alguns musicais dos anos 50, onde as personagens num ápice desatavam a cantar. Assim sendo, Jersey Boys funciona como uma das matérias primas do qual foi adaptada: o musical da Broadway (baseado na peça de Marshall Brickman e de Rick Elice, que também contribuíram para o argumento). Ao mesmo tempo, Clint Eastwood contorna a tendência de transcrever um espectáculo na sua integra para o grande ecrã e a metamorfoseia numa obra de teor classicista e sob rigor cénico e técnico.

 

 

Podemos dizer que Jersey Boys não prejudica de forma alguma a saúde do espectador. Aliás, nesse aspecto, o divertimento é um convite quase irrecusável, aludido um pouco à mítica frase de O Padrinho, visto encontrarmos certas influências do chamado "mob movie", nesta história de ascensão e impasses na carreira dos The Four Seasons. Eastwood esmera-se naquele que possivelmente será o seu melhor filme desde Gran Torino, evidenciando um trabalho exemplar na reconstituição de época e no desenvolvimento das suas personagens (um dos casos mais notórios é o de Frankie Valli, interpretado por John Lloyd Young), ao mesmo tempo que se revela num exímio director de actores. As interpretações são impagáveis (Vincent Piazza funciona tão bem como dispositivo cómico da fita, como catalisador da ênfase dramática) e a química realmente existe no grupo fictício da metragem.

 


Jersey Boys ainda nos mina com referências lúdicas do mundo da música e do cinema, em particular a entrada de Joe Pesci (o célebre actor de Goodfellas) como uma figura quase caricatural. O único senão é o tratamento demasiado leviano das personagens femininas, promissoras, mas longe de fugir da sua função de meros marcos narrativos. Mas nada disto é realmente ameaçador ao entretenimento que este Jersey Boys consegue implementar. Arrisco mesmo em afirmar que este é uma das melhores biopics musicais dos últimos anos. Sim, arrisco.

 

Real.: Clint Eastwood / Int.: John Lloyd Young, Vincent Piazza, Christopher Walken, Erich Bergen, Michael Lomenda, Joey Russo, Donnie Kehr e Erica Piccininni

 

 

8/10
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publicado por Hugo Gomes às 12:17
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