30.4.14
30.4.14

O 3D como linguagem de autor!

 

No âmbito do programa Guimarães 2012: Capital Europeia da Cultura, o encontro de inúmeros artistas das diferentes áreas da Arte (Cinema, Literatura, Musica, Arquitectura, etc) originou diversos projectos que têm se aventurado pelo resto do país, integrando festivais e outros eventos nas respectivas áreas. No Cinema foram várias as obras que nasceram deste projecto multicultural, mas acima de tudo relevante para a cidade "berço" de Portugal, Guimarães. O convite de variados autores em filmar neste cenário tão antigo do nosso património tem sido uma das propostas mais empolgantes dos últimos anos no panorama cinematográfico nacional.

 

 

Um desses "filhos" foi 3X3D, um ambicioso e ao mesmo tempo espontâneo projecto que funde as impressões digitais de três realizadores diferentes, distinguidos por estilos variados. Para contrariar a ideia de que a tecnologia 3D é limitada à comercialidade dos produtos cinematográficos ou ligado às grandes produções hollywoodescas, 3X3D transforma essa "maldita plataforma", segundo vários puristas, num alicerce para as ideias de foro artístico destes mesmos autores. Assim sendo, temos Peter Greenaway, Edgar Pêra (o pioneiro deste projecto) e Jean-Luc Godard a "remexerem" nas memórias. O primeiro na memória histórica, o segundo na memória do espectador (atravessando também a do cinema) e por último a memória das imagens com a figura ímpar da Nouvelle Vague a desconstruir e construir a sua linguagem fílmica.

 

 

3X3D abre com "Just in Time" de Greenaway, uma espécie de atracção de feira onde o espectador é arrebatado por uma excentricidade visual, simultaneamente cuidada e rica no teor histórico. É o legado da cidade Guimarães imprensa nos frames deste tremendo traveling pelos corredores do Mosteiro local ao encontro das marcas dos séculos e em embate com os protagonistas dessas mesmas referências. Uma experiência visual única que funciona na perfeição sob o formato de 3D e que arrisco a aclamar como a melhor "coisa" vista neste formato numa sala de cinema. Se 3X3D terminasse no preciso momento em que este segmento encerra, cinco estrelas era algo que dava sem qualquer tipo de contestação.

 

 

Passamos para o segundo capitulo, Cinesapiens, de Edgar Pêra, cujo estilo visual do realizador de O Barão é facilmente identificável, ou seja, podemos contar com o loop de sobreposição de imagens. Neste segmento o espectador é confrontado com ele próprio, uma pequena remessa da História do Cinema narrada e protagonizada pelo sempre possante Nuno Melo e, voilá, dá-se de seguida um espectáculo circense no qual o autor dispara para todos os alvos. Uma pitada de H.P. Lovecraft aqui, o teor "trash" ali e todo um despreocupado espectáculo sem receio algum de se tornar ridículo. É diversão mental, é o torcer de uma arte até transformá-la num mundo à parte. Se o objectivo de Edgar Pêra era mesmo provocar, então foi cumprido de forma plena e fértil nas interpretações individuais. Deslocado, é o melhor elogio deste segmento.

 

 

Para finalizar, dá-se o tempo de antena a Jean-Luc Godard, em The Three Disasters. Verdade seja dita, o veterano acaba por "borrar" a pintura. Ao contrário dos seus colegas, Godard não se induz na criação de imagens mas sim na montagem delas, ao mesmo tempo que transcreve uma tese do poder da imagem e da constante metamórfica linguagem. Ainda há tempo de criticar Hollywood, renegar origens e decifrar matrizes, um pleno exercício de filosofia visual que demonstra o afastamento do autor às temáticas cinematográficas, abraçado a sua marginalização como poeta visual e eremita. Esta panóplia de excertos, clipes e formas narrativas não convencionais faz com que 3X3D termine numa incógnita. A beleza de Greenaway e a provocação visual de Pêra são deformados pela vaidade artística de Godard, que não faz uso do 3D como veículo da sua própria aura artística. Ao invés disso, funciona como insignificante acréscimo. Não é mais ou menos isso que os "artesãos" de Hollywood fazem?

 

Filme visualizado no IndieLisboa'14

 

Real.: Peter Greenaway, Edgar Pêra, Jean-Luc Godard / Int.: Nuno Melo, Carolina Amaral, Keith Davis, Leonor Keil

 

 

7/10

publicado por Hugo Gomes às 15:39
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O actor Bob Hoskins faleceu ontem à noite, dia 29 de Abril, em consequência de um surto de pneumonia, declarou a sua esposa Linda e os seus filhos Alex, Sarah, Rosa e Jack através de um comunicado à imprensa. Tinha 71 anos e um carreira extensa quer no cinema como na televisão, mas foi no grande ecrã que ficou celebre em filmes como Who Framed Roger Rabbit, Hook, Brazil e Hollywoodland. Também experienciou a realização com obras como  The Raggedy Rawney e Rainbow com Dan Aykroyd. Retirou do cinema em 2012 devido á doença de Parkinson, mas também como pretexto de passar mais tempo com a sua família, o seu ultimo filme foi Snow White and the Huntsman (2012).

 

Bob Hoskins (1942 - 2014)

 

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publicado por Hugo Gomes às 14:46
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Marretas à procura de sequela!

 

Após um pé dentro da sala, o espectador tem que ter a noção de algo bastante crucial - não vão estar perante de nenhuma obra de Bergman. Por outras palavras, todo o intuito de Os Marretas, como todo o seu historial como show televisivo, e não só, é apenas o de entreter, custe que custar, seja por via de canções, gags e uma vastidão de cameos de luxo.

 

 

Depois de uma ressurreição agradável e nostálgica no grande ecrã em 2011, os fantoches predilectos do seu criador, Jim Henson, regressam novamente sob as rédeas de James Bobin e com ele a modéstia da sequela logo após os créditos iniciais. "Vamos procurar um enredo aceitável" ou "Não vai ser melhor que o original", cantarola o Sapo Cocas e a sua gangue, enquanto os críticos (os fantoches, para que não se caia no erro) entram em hilariante pânico.

 

 

Sim, a verdade é que a sequela não é melhor que a sua muito antecipada aparição em 2011, não por falta de meios ou gags certeiros, mas pela ausência daquilo que a primeira incursão de Bobin possuía, o seu coração. Sente-se a ausência de momentos como os de "Man or Muppet" ou aquele existencialismo leve e familiarmente aceitável, aquele toque que consegue por momentos separar o humor non sense das cantorias sucessivas com a ternura nostálgica significativa para quem cresceu de perto estes fantoches.

 

 

Porém, não julguem que o espectáculo aqui é medíocre. Tomara que grande parte das comédias de Hollywood fossem assim divertidas, descontraídas e ocasionalmente geniais (um sósia de Cocas com tiques de DeNiro, por exemplo). E apesar deste ser um "episódio" para conquistar novos fãs, um nova geração e, claro, rentabilizar ao máximo os bonecos protagonistas, como "feel-good movie" esta sequela está no caminho certo, sendo ainda importante referir os incalculáveis cameos de luxo, numa colecção que angaria personalidades como Christoph Waltz, Usher, Salma Hayek, Danny Trejo, Ray Liotta e James McAvoy. Para quando um filme a solo da dupla de críticos?

 

Real.: James Bobin / Int.: Steve Whitmire, Eric Jacobson, Ricky Gervais, Ty Burrell, Tina Fey, Jemaine Clement, Christoph Waltz, Usher, Salma Hayek, Danny Trejo, Ray Liotta, James McAvoy, Tom Hiddlestone, Toby Jones, Frank Langella, Miranda Richardson, Chloë Grace Moretz, Til Schweiger, Saoirse Ronan, Stanley Tucci

 

 

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The Muppets (2011)

 

6/10
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publicado por Hugo Gomes às 14:27
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29.4.14

 

Confirma-se as presenças dos veteranos Mark Hamill, Harrison Ford, Carrie Fisher, Anthony Daniels (C-3PO), Kenny Baker (R2-D2) e Peter Mayhew (Chewbacca) que se juntam ao já comprovado Adam Diver, o vilão de serviço, no elenco do sétimo capitulo de Star Wars. Mas não é tudo, a Disney e LucasFilm revelaram hoje o há muito esperado, resto do, elenco. Eles são; John Boyega (Attack the Blocks), Max Von Sydow (The Exorcist), Andy Serkis (The Lord of the Rings), Oscar Isaac (Inside Llewyn Davis), Daisy Ridley (Scrawl) e Domhnall Gleeson (About Time, Dredd). Outra revelação sobre o antecipado filme foi feita Bob Iger, CEO da Walt Disney Company, que divulgou que o enredo de Star Wars VII decorre trinta anos depois da trilogia original. O realizador J.J. Abrams (Star Trek) encontra-se à frente do projecto.

 

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publicado por Hugo Gomes às 18:46
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A Revolução visto pelos suíços!

 

O que está em causa aqui não é o facto de um estrangeiro abordar um assunto de tanto afecto nacional que é a Revolução de 25 Abril, nem nada que pareça. Na verdade, o grande conflito de Les Grandes Ondes (à l'ouest) de Lionel Baier é essa mesma abordagem, uma visão distorcida daquilo que foi uma das datas mais importantes da História recente de Portugal.

 

 

A fita que contou com uma co-produção entre a Suíça, França e Portugal nos remete à aventura de uma equipa de jornalistas da Rádio Suíça que chegam ao nosso país em vésperas do 25 de Abril para concretizar uma reportagem sobre ajuda suíça no desenvolvimento de Portugal. Repentinamente a mesma equipa vê-se envolvida no seio da Revolução dos Cravos, e aquilo que concretizaram nessa celebre data tornou-se num dos episódios mais celebres da História Radiofónica suíça.

 

 

Les Grandes Ondes (à l'ouest) segue assim numa perspectiva dos protagonistas, estrangeiros perdidos num país desconhecido para estes, em plena corrente para a mudança ideológica e social. Tudo poderia ser servido como um choque entre culturas, mas por entre uma ou duas ideias que glorificam o povo português, é intercalada por ofensas subliminares e a conversão de uma Nação por estereótipos. E é então que o filme de Lionel Baier tem a mais triste das ideias, confundi-la com uma revolução do foro sexual. Assim sendo temos uma fita que prometia divertida, usufruindo de rasgos da comédia clássica francesa e do movimento "Nouvelle Vague" pelo meio, mas que vai gradualmente convertendo num ignorante retrato de época, que sob jogadas jubilantes torna a data mais querida dos portugueses numa pura quadra caricatural, onde até mesmo injecções de musical de Robert Wise ou de Godard possui.

 

 

Depois de acabada a "palhaçada", Les Grandes Ondes (à l'ouest) demora a terminar, prolonga-se sem aviso e arrasta-se na pura presunção do autor e da sua nacionalidade. Voltando a focar no primeiro ponto, não se trata de um estrangeiro pegar algo nosso, trata-se sim de um legado maltratado por esquematizações e pura desinformação, e claro a tomada de paternalismo digno de turista (mesmo possuindo mais fascínio pela França que supostamente por Portugal). Não via nada assim desde que Billie August decidiu retratar a Resistência Portuguesa por vias de alusões aos Parisans.   

 

Filme visualizado no IndieLisboa'14

 

Real.: Lionel Baier / Int.: Valérie Donzelli, Michel Vuillermoz, Patrick Lapp

 

 

4/10

publicado por Hugo Gomes às 13:59
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Morreu o actor Pedro Cunha, que segundo a imprensa portuguesa cometeu o suicídio na passada segunda-feira, dia 28 de Abril, na sua habitação em Chelas, Lisboa. Presença regular em telenovelas e série televisivas, Pedro Cunha integrou no cinema em filmes como Assalto ao Santa Maria e Aristides de Sousa Mendes - O Cônsul de Bordéus e em curtas metragens como Amélia e Pontas Soltas. O jovem também participou em diversas produções inglesas e espanholas. Tinha 33 anos.

 

Pedro Cunha (1980 - 2014)


publicado por Hugo Gomes às 09:53
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28.4.14

 

Vem aí o filme de Justice League (A Liga da Justiça), quem confirma o "óbvio" é a revista Variety que ainda adianta que os estúdios da Warner vão avançar com o projecto mais cedo do que se imaginava, prevê-se que seja lançado em 2017. Visto como uma resposta da DC Comics ao sucesso dos The Avengers da Marvel, Justice League será dirigido e escrito por Zack Snyder, o homem que concretizou Man of Steel, a reinvenção do Super-Homem, e que prepara para rodar a sequela / crossover com Batman no próximo mês.

 

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publicado por Hugo Gomes às 23:36
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27.4.14

Primeiro Verão, O.jpg

 

A primeira longa!

 

O Primeiro Verão é curiosamente a primeira longa-metragem de Adriano Mendes, um verdadeiro polivalente no ramo, já que para além de realizador é ainda o argumentista, um dos protagonistas e até mesmo o compositor da banda sonora. Para além disso, devo salientar o trabalho conjunto de uma equipa preparada para tudo, para empregar qualquer tarefa dentro da produção de um filme. Talvez seja isso que o cinema português merece - boa vontade e claro, bom material para trabalhar.

 

 

Quanto ao filme propriamente dito, é verdade que temos aqui uma obra nervosa em atingir o seu território, não conseguindo evitar as suas fragilidades e limitações. Em O Primeiro Verão podemos enumerar alguns riscos mas acima de tudo alguns indícios de cinema e mais, uma forma de manusear tais indícios. Tal como o titulo indica, O Primeiro Verão decorre inteiramente nessa mesma estação do ano. O filme acompanha Isabel (Anabela Caetano), uma jovem adulta da Sertã que durante uma aula de condução conhece Miguel (Adriano Mendes) e que a partir daí nasce uma bela amizade entre eles que instantaneamente se converte num romance conturbado pelo processo "coming-of-age".

 

 

Trata-se de uma obra naturalista, narrativamente lenta e de espírito contemplativo. Porém, é nos seus planos limitados e fechados que encontramos o seu teor, ou seja, o de lançar o espectador ao efeito de sugestão. Adriano Mendes não transforma tal história em mais um conto adolescente, ao invés, transcreve memórias sob espaços brancos. Espaços esses, sendo aquilo que a câmara não "apanha" e que o espectador preenche com a sua própria reminiscência. Para todos os efeitos esta é uma obra adequada para o confronto emocional com as memórias passadas, uma adolescência já consumida por parte dos mais velhos. Quanto aqueles que vivem a flor da idade, este é um reflexo do seu quotidiano sem efeitos novelescos.

 

 

Nos desempenhos destaca-se a naturalidade das personagens secundárias (muitos deles "não-actores"), a conduta da jovem Anabela Caetano e o cão, a verdadeira essência dramática de um filme que possui um conflito demasiado tardio. Contudo, é nesse retardamento da ênfase dramática que consiste a grande fragilidade do O Primeiro Verão que, como resultado, cai sob um moroso processo de contemplação até conseguir por fim atingir os seus fins. Ainda assim, e como primeira obra de longa duração, Adriano Mendes consegue algo que pode ser descrito como uma experiência, uma lembrança abundante sob a forma cinematográfica. Um filme que verdadeiramente nos remete ao fim da adolescência como muitos bem conhecem.

 

Filme Visualizado no IndieLisboa'14

 

Real.: Adriano Mendes / Int.: Adriano Mendes, Anabela Caetano

 

 

6/10

publicado por Hugo Gomes às 20:02
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26.4.14

Busca Implacável 2? Não! Algo do género!

 

3 Days to Kill resume-se aquele tipo de filme que mais assemelham a um campo de minas, sendo que estas mesmas estão recheadas com os mais variados lugares-comuns de um standard de produção. Pois bem, estamos perante numa nova aposta de regaste do actor Kevin Costner levada a cabo por mais um produto francês de Luc Besson. É aí que reside o segredo. Tendo na sua bagagem produções como Taken e Transporter: Correio de Risco, é normal encontrar no filme os ingredientes básicos da sua filmografia, nomeadamente e, talvez o mais irritante, o seu fascínio pelo norte-americano e a sua pretensão de superioridade em relação ao resto do mundo.

 


Contando com um McG (Charlie's Angel) mais calmo que nunca na realização, 3 Days to Kill centra-se num veterano agente da CIA (Costner) que, após lhe ter sido diagnosticado uma doença terminal, viaja para Paris a fim de passar o tempo que resta ao lado da sua filha e da mulher. Contudo, na capital francesa é abordado por uma misteriosa agente da CIA, Vivi (Amber Heard), que lhe propõe algo irrecusável.

 

 

Salienta-se o tom cómico que atenua, de tempos em tempos, a tensão proposta nas sequências de acção ou dos momentos "rip-offs" do cinema de espionagem trivial. Porém, tal tom funciona também como um impasse narrativo, arrastando o filme e prolongando-o para além do que não era suposto. Ao mesmo tempo, a verdade é que são esses mesmos gags que resultam no melhor de uma obra minada por lugares-comuns, previsibilidade e muitas situações desmioladas – inclusive no que se refere à linguagem cinematográfica.

 


Resumidamente, tudo se traduz num filme passageiro que, ocasionalmente, entretém, e onde Kevin Costner e Amber Heard possuem classe para dar e vender, o que não chega para salvar mais uma obra condenada à falta de originalidade e à saturação na exploração dos temas. Para terminar, a jovem actriz Hailee Steinfeld (nomeada ao Óscar de Academia pelo seu desempenho em True Grit dos irmãos Coen) parece ficar reduzida a este tipo de papeis que nada acrescenta à sua carreira em desenvolvimento.

 

Real.: McG / Int.: Kevin Costner, Hailee Steinfeld, Connie Nielsen, Amber Heard

 

 

4/10
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publicado por Hugo Gomes às 02:03
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25.4.14

 

Foram revelados os vencedores da 13ª edição do Festival de Cinema de Tribeca, tendo a comédia negra israelita Zero Motivation, de Talya Lavie, conquistado dois prémios, o galardão máximo de Melhor Filme da competição e o prémio Nora Ephron, que tem como intuito distinguir realizadoras ou argumentistas com uma "voz" distintiva. O documentário Point and Shoot, um retrato sobre a guerra civil da Líbia, foi distinguido como Melhor Documentário, The Kidnapping of Michel Houellebecq recebeu a menção honrosa e de Melhor Argumento e os actores Valeria Bruni Tedeschi (Il Capitale Umano - filme de encerramento da última 8 1/2 Festa do Cinema Italiano)  e Paul Schneider (Goodbye All That) foram os vencedores dos respectivos prémios de interpretação.

 

Competição Internacional (Ficção)

Melhor Filme: Zero Motivation
Menção Especial do Júri: The Kidnapping of Michel Houellebecq
Melhor Actor – Paul Schneider,  Goodbye to All That
Melhor Actriz – Valeria Bruni Tedeschi, Human Capital
Melhor Cinematografia – Damian García, Güeros
Melhor Argumento – Guillaume Nicloux, The Kidnapping of Michel Houellebecq
Melhor Edição: Keith Miller, Five Star

 

Competição Internacional (Documentário)

Melhor Filme – Point and Shoot
Menção Especial do Júri: Regarding Susan Sontag
Melhor Edição: Sabne Lubbe Bakker e Niels van Koevorden, Ne Me Quitte Pas

Melhor Novo Realizador (Ficção)

Melhor Realizador – Josef Wladyka, Manos Sucias
Menção Especial: Alonso Ruizpalacios, Güeros

Melhor Novo Realizador (Documentário)

Melhor Realizador – Alan Hicks, Keep On Keepin' On

 

Curtas-Metragens

Melhor Filme: The Phone Call
Melhor Curta Documental – One Year Lease
Menção Especial: The Next Part
Prémio Visionário: Nesma's Bird
Menção Especial: Cycloid

 

Prémio Bombay Sapphire para Transmedia

Clouds

 

Prémio Nora Ephron

Melhor Filme: Zero Motivation
Menção Especial: I Won't Come Back

 

Tribeca Online Festival

Melhor Filme: Vara: A Blessing
Melhor Curta-Metragem: Love in the Time of March Madness

 

 


publicado por Hugo Gomes às 15:48
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A estação, um Mundo!

 

Alguma vez questionaram-se quem será a pessoa que se está ao vossos lado na fila do comboio ou aquele que se encontra dentro da carruagem do metro no banco à vossa frente. Qual será a sua história de vida? Os seus segredos? Os seus arrependimentos e as suas alegrias? É sob esse conceito que Claire Simon explora nesta crescente ramificação narrativa que se denomina por Gare du Nord, alusão à famosa e bela estação de comboios de Paris, a mais movimentada da Europa, chegando a contar com 180 milhões de passageiros por ano (por mera curiosidade, foi também a estação de comboios de Hugo, o filme de Martin Scorsese).

 

 

Uma ficção paralela com o documentário Géographie Humaine, também da autoria da realizadora, que concentra-se em espelhar uma representação multicultural e diversificada dos arredores da capital francesa, tudo isso limitado à referida Gare, que a certa altura é vista, citando uma das personagens desta corrente humana, como uma praça da aldeia global. No seio deste quadro heterogéneo e imenso de vida, apesar de nunca ninguém querer interagir com o próximo, encontramos um cruzar de histórias e personagens que nos despertam as emoções. É a colisão dos corpos ausentes que transforma o figurante em personagem, o auferir de um motivo e a correspondência de espírito ao corpo. Clare Simon demonstra que existe vida, existem sorrisos, lágrimas e sonhos no interminável cardume humano, em simultâneo quando esboça a mesma distancia.

 

 

Assim sendo, Gare du Nord funciona como um inicial retrato de realismo, conjugando a ficção com o documentário. Contudo, a metáfora de "mortos na multidão" transfigura-se no cariz sobrenatural. A certa altura fala-se em não ignorar tais experiência e a partir daí algo que supostamente poderia servir de figuração - os passageiros vistos como espectros vazios e semi-inanimados - repentinamente ostenta uma forma física, um teor elementar. Depois do realismo, Gare du Nord arruína-se no paranormal e no onírico, de forma a resolver um desfecho por vias do facilitismo. Devido a isso, sentiu-se que se descartou a oportunidade de se fazer um grande filme em prol de devaneios metafísicos.

 

Filme de abertura do IndieLisboa'14

 

Real.: Claire Simon / Int.: Nicole Garcia, Reda Kateb, François Damiens

 

 

6/10

publicado por Hugo Gomes às 14:29
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24.4.14

 

[REC]4 Apocalipsis de Jaume Balagueró é o filme de abertura da edição 2014 do Festival Internacional de Cinema Fantástico da Catalunha (Sitges - a decorrer 3 a 12 de Outubro).

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:25
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Um pecado no Cinema Português!

 

Encontra-se de momento a surgir uma nova vaga de cineastas. Cineastas esses, que pretendem assumir um papel de messias na exigência do público português e segundo os seus "bravos" bramidos, resgatar o cinema nacional da escuridão dos elitistas e puristas "intelectuais". Não os vejo com bons olhos, confesso. A questão aqui não é o aparecimento de sangue novo na industria (ou arte, como quiserem chamar), é o facto desta "juventude" não levar consigo a bagagem necessária para ser um cineasta. Pior, chegam mesmo a ignorar as raízes. É triste saber que o cinema português é deixado ao abandono, atacado e renegado vezes sem conta por uma geração que se diz rebelde, mas que quando chega a hora da verdade consegue resultados meramente lastimáveis e inaptos. Mas para compreender o que quero dizer deveremos seguir para a génese do problema, a falta de educação no campo da 7ª Arte (há cada vez mais alunos a ir para cursos de cinema que não vêm filmes e se vêem ficam-se pelo comercial norte-americano sob fórmulas), a ausência de exigência pessoal e a perda da veia artística. Aliás, estamos num país que cada vez salienta e aponta arte como um bem exclusivo para snobs ou presunçosos intelectuais.

 

 

Sob esse gesto, o de apontar, criticar e acima de tudo abjurar as origens cinematográficas é uma tendência cada vez mais comum nestes "novos" cineastas, que parecem não fazer cinema, mas sim videos para mais tarde serem publicados na internet. Não sei se este é o caso do realizador Luís Diogo, mas Pecado Fatal é isso, um embuste. Vende-se como algo irreverente, "um filme português para quem não gosta de cinema português" para depois "esbarrar" na maior das fragilidades do nosso cinema: a falta de vontade, principalmente em soltar-se das amarras académicas, ou seja, de seguir uma esquematização de planos agendados, implantados, sem que haja algum rasgo de desveneração a esse processo mecânico ou uma visão original. O que vemos aqui é algo semelhante ao que acontece a um mero estudante a realizar um enésimo exercício académico e sob a constante avaliação dos professores. Por outras palavras, o filme não possui a versatilidade de um cinema que o seu marketing tenta descaradamente vender. Ao invés, assistimos às aplicação das matrizes ensinadas e revistas em cursos e licenciaturas de cinema. Não existe um "outside the box", existe sim a reprodução dos modelos primários e de influências televisivas, o seguir do livro de instruções da planificação para que nos últimos 20 minutos tudo ceda à câmara tremida e nervosa (felizmente com o efeito necessário no espectador, mas não nesse sentido).

 


Sim, poderá haver a desculpa de que Pecado Fatal é um filme de baixo-orçamento, o qual o realizador pagou inteiramente do seu bolso. Isso sim é um feito louvável que demonstra ousadia na industria, mas nada justifique que o cinema em questão seja por via do amadorismo. Como consequência, temos um argumento (escrito pelo próprio) que não é mais que uma colagem incoerente e involuntariamente risível de diversas intrigas novelescas e a acrescentar a isso há ainda uma incapacidade de gerir uma narrativa e acentuar uma carga dramática. Aliás, falando em ênfase dramática, o filme de Luís Diogo parece forçadamente inserir um conflito interno dos seus personagens, sem que com isso transpareça nos desempenhos dos seus actores, vazios e unidimensionais, como os seus respectivos personagens, com Sara Barros Leitão a tornar-se na rainha do "overacting" (aqui provando que Luís Diogo chega a ser melhor realizador do que diretor de actores). Por fim, este filme de embaraços é ainda recheado de diálogos infelizes, sem naturalidade e de uma abordagem brusca e demasiado gratuita, com os atores sem a energia necessária para os proferirem.

 

 

Em Pecado Fatal não existe aqui algo que se possa chamar verdadeiramente de cinema. É um exercício académico que não faz jus à sua frase propagandista de "(...) para quem não gosta de cinema português". Podemos até revoltar-nos com os autores conformistas à espera dos subsídios e dos filmes "para amigos", mas não é com este género de obras que combateremos isso. Aliás, são produtos como estes que me fazem temer pela próxima geração de cineastas, mas isso é outra conversa."Toda a gente julga toda a gente"

 

Filme visualizado no FESTin 2014: Festival de Cinema Itinerante de Língua Portuguesa

 

 

Real.: Luis Diogo / Int.: Sara Barros Leitão, Miguel Meira, João Guimarães

 

 

2/10

publicado por Hugo Gomes às 21:18
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Foi divulgado o novo trailer de Capitão Falcão de João Leitão, uma produção que nos aborda um super-herói português porém sob um jeito de paródia politica. Nesta fita seguiremos o homónimo vingador mascarado (Gonçalo Waddington) e o seu sideckick, Puto Perdiz (David Chan), ao serviço de Salazar na luta contra o Comunismo e a restauração dos “bons valores” do Estado Novo. Uma produção da Individeos e a ser distribuído pela Zon Lusomundo, contudo ainda sem data de estreia. José Pinto, Miguel Guilherme, Rui Mendes, Tiago Rodrigues, Carla Maciel, Nuno Lopes, Bruno Nogueira, Ricardo Carriço, Manuel João Vieira, António Durães, Luís Vicente e Pepê Rapazote integram o elenco

 


publicado por Hugo Gomes às 13:36
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O produtor Paulo Branco revelou ontem, 23 de Abril, durante uma conferência de imprensa que vai avançar com uma queixa contra a distribuidora Big Pictures 2 Films, em causa está, segundo o próprio, práticas irregulares no mercado. Durante a conversa com os jornalistas, o produtor divulgou que essa mesma empresa, liderada por António João, faz exigências “precisas” e “discriminatórias” à Medeia. Um exemplo citado foi o caso da exibição do último filme de Wes Anderson, The Grand Budapest Hotel, o qual a Big Pictures detém, e que foi exigido à Medeia uma quantia monetária de segurança para que este pudesse exibir o filme nos seus cinemas. Prática infrequente no panorama das distribuições / exibições, sendo que por norma é uma percentagem do rendimento do filme em sala que segue para a distribuidora e nada de “garantia de segurança paga de avanço”. Como consequência, Paulo Branco decidiu retirar The Grand Budapest Hotel das suas salas, mesmo estando a gerar excelentes resultados de bilheteira, e recusa a exibir qualquer filme da empresa até que esta situação esteja regularizada.  

 

Ver Também

Paulo Branco denuncia "insustentabilidade da exibição independente"!

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 09:22
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Aceder à programação e outras informações, aqui

 

 


publicado por Hugo Gomes às 01:23
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Já se encontra disponível o trailer do filme Boyhood, a nova obra de Richard Linklater (Before Midnight), que foi apresentada e aclamada no último festival do Sundance. Trata-se de um filme que remete-nos à história de um rapaz desde os seus 6 anos até ao fim da sua adolescência, algo perfeitamente banal dentro do melodrama cinematográfico, porém Boyhood tem um sabor especial - foi filmado durante 12 anos, sendo possível graças a este processo acompanhar o crescimento real dos seus personagens. Ellar Coltrane, Ethan Hawke e Patricia Arquette integram o elenco.

 

 

Ver também

Boyhood: a sensação do Sundance!

Before Midnight (2013)

 

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publicado por Hugo Gomes às 01:18
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23.4.14

 

Foi divulgado um novo trailer de Sin City: A Dame To Kill For, a sequela da adaptação cinematográfica da graphic novel de Frank Miller, que fora lançado em 2005 sob a direcção do próprio autor em conjunto com Robert Rodriguez (ambos continuam na realização deste novo capítulo) e uma pequena participação de Quentin Tarantino. Neste novo filme regressaremos a Basin City, a apelidada Nova Babilónia, cenário para as múltiplas histórias ditadas pela violência, corrupção e luxúria. Tendo como estreia prevista para 22 de Agosto nos EUA, Sin City: A Dame to Kill For conta com os desempenhos de Mickey Rourke, Joseph Gordon-Levitt, Jessica Alba, Bruce Willis, Josh Brolin, Rosario Dawson, Eva Green, Juno Temple, Lady Gaga, Jaime King e Ray Liota.

 

 

Ver Também

Sin City: A Dame To Kill For (O Trailer)

Novas imagens de Sin City: A Dame to Kill For

Primeiras Imagens: Josh Brolin na sequela de Sin City

 

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publicado por Hugo Gomes às 23:57
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Depois da bem-sucedida experiência que foi o lançamento em simultâneo em sala, DVD e VOD de Viramundo, Uma Viagem Musical com Gilberto Gil de Pierre-Yves Borgeaud, a distribuidora Alambique decide repetir a iniciativa com dois filmes, ambos com estreia em sala já amanhã, dia 24 de Abril, no Cinema City Classic Alvalade (Lisboa). Os filmes são o documentário Tropicália de Marcelo Machado e For Those in Peril (Por Aqueles em Perigo) de Paul Wright, dois "peões" de um novo modelo de distribuição que permite o espectador ver o respectivo filme da maneira que desejar, seja em experiência numa sala de projecção, quer no conforto de casa por vias do VOD (videoclube de televisão) ou até adquiri-lo em DVD (Tropicália será lançado neste formato no dia 28 de Abril).  

 


publicado por Hugo Gomes às 23:33
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Nuno Bernardo, fundador, produtor e argumentista da beActive, empresa especializada na produção e distribuição de conteúdos multi-plataforma, foi seleccionado pela ICA - Instituto do Cinema e do Audiovisual em Portugal para representar o nosso país na 15ª edição do European Film Promotion’s, denominado Producers on the Move, uma iniciativa paralela ao Festival de Cinema de Cannes. Este evento que conta com mais uma década de vida (fundada em 2000) como objectivo reunir mais de 20 produtores europeus que irão orientar outros profissionais da área para eventuais parcerias para os seus futuros projectos ou simplesmente fomentar oportunidades executivas. A empresa beActive está ligadas à produção de filmes como Beat Girl, Collider e o recente documentário A Estrada da Revolução (já disponível para Video On Demand). 

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 23:19
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