25.3.14

Percurso ao Passado!

 

A Segunda Guerra Mundial é sempre lugar de revisitação para o cinema e The Railway Man de Jonathan Teplitzky (Better than Sex) é a mais recente aquisição desse poço de memórias cinematográficas. Acrescenta como mais um exorcizar de fantasmas, assombrações que implementam nos seus personagens o desejo de vingança e noutros, a procura da redenção, como se pode evidenciar sobretudo num final despido de conflituosidades. Soaria num contexto de moralidade ou ética “colada a cuspo”, mas a razão é que no início somos logo advertidos de tratasse duma história baseada em factos verídicos e mais à frente, um pouco antes dos créditos finais, o lembrete de tal factor para que não caiamos no erro de classificar a obra como pura ficção hollywoodesca (outro equivoco, visto ser uma co-produção australiana e inglesa).

 

 

The Railway Man é uma obra de traços classicistas que se consegue ver com certo agrado, muito mais para todos aqueles que recordam as aventuras de David Bowie em Merry Christmas, Mr. Lawrence (Nagisa Ôshima, 1983) ou do fulgor épico de The Bridge on the River Kwai (David Lean, 1957). O filme de Teplitzky não tem porém o requinte narrativo do primeiro, nem sequer o espírito aventureiro do segundo, resume-se a um drama pós-guerra regido por flashbacks que abordam a sensação bélica de um jeito estilístico mas isente de sensação e uma narrativa presente que se funde com um registo mais intimista e pessoal, onde o actor Colin Firth se torna num catalisador de emoções.

 

 

Se os elogios são entregues ao desempenho e entrega de Firth e o apoio auferido por Stellan Skarsgård (a demonstrar mais uma vez os seus dotes de exímio narrador) e Hiroyuki Sanada, o grande “calcanhares de Aquiles” desta obra se concentra em Nicole Kidman, mais na sua personagem de que no próprio empenho de actriz (nesse aspecto a estrela australiana é um incentivador emocional incendiado somente com o olhar). The Raillway Man é condicionado à perspectiva da personagem de Kidman, a terceira pessoa de uma ênfase dramática contemplativa, todo o seu subplot parece sentir-se como um reforço quase interveniente à condição trágica da fita.

 

 

Ou seja, The Railway Man é desequilibrado na sua entrega, apresentando uma narrativa forçada para com os conflitos internos dos seus protagonistas, arrastando-se demasiado em cumplicidades para com o amontoado de flashbacks, o que retardam e atormentam o climax supostamente proposto. Poderia ter sido arrebatador no seu percurso mas o facto é que “descarrilou-se”. 

 

Real.: Jonathan Teplitzky / Int.: Colin Firth, Nicole Kidman, Stellan Skarsgård, Hiroyuki Sanada

 

 

5/10
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publicado por Hugo Gomes às 18:53
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24.3.14

 

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publicado por Hugo Gomes às 20:44
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A Universal Pictures prepara uma nova versão cinematográfica de Scarface (baseado num homónimo livro de Armitage Trail), a terceira desde o filme de Howard Hawks em 1932 e a celebre variação dirigida por Brian DePalma (com argumento de Oliver Stone) de 1983 com Al Pacino no popular e infame papel de Tony Montana. A ideia de um terceiro filme não é nova, contudo o projecto parece ter por fim "pernas para andar" após o anuncio da The Wrap, de que o eventual realizador encontra-se de momento em negociações. Para esse cargo a Universal Pictures escolheu o chileno Pablo Larrain, o autor do aclamado No, estreado ano passado no nosso país, que nos remete a uma abordagem objectiva às primeiras eleições livres do Chile e a queda do império de Pinochet. Voltando a Scarface, ainda não se sabe ao certo qual será o apelido e nacionalidade deste novo Tony, visto que o de 1932 era um italiano em Chicago e o de 1983, um cubano em Miami, porém existem rumores de que será um mexicano em ascensão no mundo do crime de Los Angeles.

 

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publicado por Hugo Gomes às 20:23
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A Screen Gems revelou que está de momento a planear um quinto filme da saga Underworld, que conta já com quatro filmes bem sucedidos em bilheteira com Kate Beckinsale e Scott Speedman nos principais papeis. O novo filme que remeterá mais uma vez a batalha entre vampiros e lobisomens nos tempos actuais já possui titulo, Underworld: The Next Generation, contudo ainda não existe realizador nem argumentista anexado, sendo que este novo fôlego do franchising só começará a ser desenvolvido em 2015.  

 

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publicado por Hugo Gomes às 18:37
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Foi divulgado o primeiro poster e trailer de Rurouni Kenshin: Kyoto Inferno (o novo titulo internacional), a sequela do filme de 2012 que por sua vez é uma adaptação de um popular manga / anime criado por Nobuhiro Watsuki. A história remonta-nos ao Japão da Era Tokogawa e ao personagem Kenshin Himura (Takeru Satô), um ex-assassino dos tempos de guerra e devoto em seguir a sua promessa feita após o término desta, nunca mais matar. O antigo Esquartejador vive agora uma vida pacífica ao lado dos seus amigos e da sua amada Kaoru (Emi Takei), contudo essa harmonia será abalada pela ameaça de Makoto Shishio (Tatsuya Fujiwara), uma outra lenda de guerra que tentará a todo custo destruir o Governo Meiji e implantar uma Nova Ordem em prol dos seus ideais. Para o deter, Kenshin terá que abandonar o seu voto. Rurouni Kenshin: Kyoto Inferno estreará no Japão no dia 1 de Agosto, a sua continuação, Rurouni Kenshin: The Legend Ends, estará em cartaz um mês depois, mais precisamente no dia 13 de Setembro. Ambos os filmes são dirigidos por Ohtomo Keishi que esteve por trás da bem-sucedida prequela de 2012.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:26
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O Festival de Cannes poderá receber a nova obra do veterano autor Jean-Luc Godard, um dos nomes incontornáveis do movimento Nouvelle Vague que marcou o cinema francês nos 60 e 70. Tem como titulo Adieu au Langage, foi filmado em 3D e remete-nos ao relacionamento d e uma mulher casada e um homem solteiro com todos afectos e conflitos expostos. Kamel Abdelli (Select Hotel), Dimitri Basil, Heloise Godet (La Vie est à Nous), Zoe Bruneau, Richard Chevalier e Jessica Erickson completam o elenco. 

 


publicado por Hugo Gomes às 15:18
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23.3.14

 

A produção brasileira de O Menino e o Mundo de Alê Abreu (ver trailer abaixo) conquistou o Grande Prémio de Longas-Metragens, quer de júri quer de público, da 13ª edição do Monstra: Festival de Animação em Lisboa que decorreu entre os dias 13 a 23 de Março no Cinema São Jorge. Por sua vez Boles de Spela Cadez (Eslovénia / Alemanha), venceu a competição de curtas-metragens. Todo os premiados podem ser vistos abaixo:

 

COMPETIÇÃO DE ESTUDANTES

 

MELHOR CURTA de ESTUDANTES PORTUGUESA | CARL ZEIS VISION A Ventoinha e o Candeeiro de Filipe Fonseca

MELHOR CURTA de ESTUDANTES INTERNACIONAL | CARL ZEIS VISION – Fishing Meteorites de Nina Christen e Evelyn Buri

PRÉMIO do PÚBLICO  The Kiosk de Anete Melece

JÚRI JUNIOR MELHOR CURTA de ESTUDANTES PORTUGUESA  Três Semanas em Dezembro de Laura Gonçalves

JÚRI JUNIOR MELHOR CURTA de ESTUDANTES INTERNACIONAL – Krake de Regina Walker

 

COMPETIÇÃO INTERNACIONAL de LONGAS

 

PRÉMIO ESPERCIAL do JÚRI  Cheatin’ de Bill Plympton

MELHOR LONGA – GRANDE PRÉMIO MONSTRA 2014 | PRÉMIO RTP O Menino e o Mundo de Alê Abreu

MELHOR BANDA SONORA  O Menino e o Mundo de Alê Abreu

MELHOR FILME PARA INFÂNCIA E JUVENTUDE Aunt Hilda! de Jacques-Rémy Girerd e Benôit Chieux

PRÉMIO do PÚBLICO O Menino e o Mundo de Alê Abreu

 

COMPETIÇÃO INTERNACIONAL de CURTAS

 

MELHOR FILME EXPERIMENTAL – Lay Bare de Paul Bush

PRÉMIO do PÚBLICO  Kiki of Montparnasse de Amélie Harrault

PRÉMIO ESPECIAL do JÚRI  Villa Antropoff de Kaspar Jancis e Vladimir Leschiov

GRANDE PRÉMIO MONSTRA 2014 | PRÉMIO RTP  Boles de Spela Cadez

PRÉMIO SPA | VASCO GRANJA  Carratrope de Paulo D’Alva

 

COMPETIÇÃO INTERNACIONAL de CURTÍSSIMAS

 

MELHOR CURTÍSSIMA PORTUGUESA | PRÉMIO FNAC  World of Paper de João Lagido

MELHOR CURTÍSSIMA INTERNACIONAL  Robbery de Jan Saska

 


publicado por Hugo Gomes às 15:48
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Esta semana a estreia destaque será a comédia francesa ambientado no seio da politica, Quai d'Orsay (O Palácio das Necessidades) de Bertrand Tavernier (A Sunday in the Country), o último grande vencedor dos prémios Lumiére da França. A história nos remete a um cómica crónica do Ministro dos Negócios Estrangeiros,  Alexandre Taillard de Vorms (Thierry Lhermitte, Le Dîner de Cons), um homem imponente, carismático e irresistível para as mulheres que é o case study do jovem universitário Arthur Vlaminck (Raphaël Personnaz, Anna Karenina) para a sua tese. Niels Arestrup (Un Prophéte), Bruno Raffaelli (Il y a Longtemps que je T'aime) e Julie Gayet (L'Art de Séduire) completam o elenco deste aclamado e divertido filme. Quando a politica não tem que ser aborrecida. Nos cinemas a partir do dia 27 de Março

 


publicado por Hugo Gomes às 15:29
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Herói ou farsa? O discurso de jubilação norte-americana!

 

Em The Saving Private Ryan de Steven Spielberg existe uma sequência de alto teor emocional em que o grupo de soldados norte-americanos rodeiam um soldado alemão na ordem de executa-lo. Contudo apesar deste estar a "observar" a sua vida "por um canudo", tenta convencer Tom Hanks e companhia a não fuzila-lo, dando pretextos como "I love America" ou "Mickey Mouse". Em The Saving Private Ryan o uso desses diálogos lisonjeiros apenas serviram para usufrui o desespero humano em abraçar a causa inimiga em prol de salvar a sua própria vida, Spielberg transmitiu isso efectivamente, porém o mesmo não se pode dizer de Captain Phillips onde no preciso momento em que um dos piratas somalis cita "I love America", o mais recente filme de Paul Greengrass (um dos homens responsáveis pela reinvenção do género de acção para o século XXI com as sequelas de The Bourne Identity)descoordena-se automaticamente perante um discurso cínico de tentativa de humanização da força antagonista.

 

 

Baseado num verídica histórica glorificada pelos media, Captain Phillips inicia-se como uma abordagem conflituosa entre a tripulação de um cargueiro norte-americano e os "invasores" piratas somalis, um bando pescadores que envergam uma vida ilícita de violência para tentar sobreviver, para converter-se num branqueamento de um improvável herói, o homónimo capitão que é preenchendo por um desempenho emocionante por parte de Tom Hanks. A veracidade desta história foi muitas vezes contestado mesmo no principio da sua produção, com a tripulação do barco "sequestrado" a apontar o capitão Rich Phillips como uma farsa, longe da imagem heróica gerada pelos medias.

 

 

Mas não é esse nascimento de um herói que torna este filme tão propagandista, mas sim na forma com que os envolvidos da produção arranjaram para transmitir a certa personalidade e interacção para com os seus malfeitores, e nesses termos a solução recai sobre diálogos de veneração às terras de Tio Sam ou a perseguição pelo sonho norte-americano, triste evidenciar tais factores visto que grande parte dos piratas somalis são apenas "tarefeiros" aos serviço de senhores da guerra, obrigados a unir nesta causa pirata a fim de conseguir alimentar eles próprios e suas famílias. Tal cenário nunca é demonstrado neste filme, visto que a própria produção apontava para o seu conterrâneo e a luta de sobrevivência finalizada por uma operação SEAL que "corta" o climax emocional num ápice.

 

 

Mas em termos técnicos, Captain Phillips é a confirmação de um enorme profissionalismo de Paul Greengrass, cujo o seu modus operantis de câmara aos ombros é simbiótica com a ondulação do oceano, que por sua vez conseguem transmitir um certo realismo (uma das vertentes características da sua carreira) às situações expostas, um dos exemplos é um primeiro acto sóbrio e perturbante que exibe o hijacking de forma tão convincente que até mesmo o espectador consegue senti-lo em pleno. Em contributo a isso, os desempenhos são viscerais e plenos de emoção, entre os quais o desconhecido actor  Barkhad Abdi, cuja a sua vida e ascensão era digna de um filme.

 

"I'm the captain now."

 

Real.: Paul Greengrass / Int.: Tom Hanks, Barkhad Abdi, Barkhad Abdirahman

 

 

5/10
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publicado por Hugo Gomes às 14:21
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22.3.14

Um urso chamado passado!

 

Vic (Pierrette Robitaille) é uma ex-presidiária de 61 anos a quem lhe fora devolvido a liberdade. Decidida a começar uma vida nova, ruma para as florestas de Quebec (Canadá) para iniciar um novo ciclo numa cabana isolada da "civilização propriamente dita" (a fim de evitar qualquer confrontação com o seu passado) ao lado da sua companheira e também ex-presidiária, Flo (Romane Bohringer).

 

 

Após a sétima obra, o canadiano cineasta Denis Côté estreia por fim no nosso circuito comercial com Vic+Flo Viram um Urso (titulo traduzido), aquele que é talvez o seu mais acessível produto desde então. Esta é uma história sobre conflituosidades para com o passado e as replicas destas para com os seus personagens, tudo manufacturando um conto de reintegração social onde o autor expõe e planifica uma visão quase de hipermetropia (eis um filme com uma certa obsessão pela estético dos planos gerais). A fotografia como também os cenários predominados por tons cinzentos instalam uma melancolia quer visual, quer narrativa, ambiente natural para com personagens de teor "trágico", complexas ao mesmo tempo que carrancudas, de árdua cativação e de uma natureza fria e despida de qualquer euforia vivente (intercalando por certas sequências entre "risos" e "brincadeiras" que nos acata como um cinismo alarmante para com o tom da fita).

 

 

Vic+Flo Viram um Urso é um filme difícil de agradar, aliás sente-se em toda a obra de Denis Côté uma aversão pelo espectador, a liberdade artística sem acréscimos nem justificações, a recusa pelos trilhos óbvios e usuais (nota que mesmo as personagens principais ser um casal "homossexual", em momento algum o autor demonstra ou repudia intimidade ou até mesmo sexualidade entre elas), mas mesmo assim como é o caso deste seu novo filme, sentimos a crescente afinidade para com estes a surgir.

 

 

O "urso" do titulo, um passado que vagueia e que ocasionalmente nos vem ao nosso encontro, sem aviso prévio, deixando assim a sua marca e presença. Sarcástico, isente de esperança nem apelo pelos seus personagens (Côté é psicótico nesse termo, nem ele possui compaixão pelas suas criações), Vic+Flo Viram um Urso poderá funcionar como um bilhete de incentivo a um autor e cinema reduzido e resistido graças a nichos "marginais".

 

Real.: Denis Côté / Int.: Pierrette Robitaille, Romane Bohringer, Marc-André Grondin

 

 

7/10
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publicado por Hugo Gomes às 22:25
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22.3.14

 

No dia 22 de Março de 1985, há precisamente 119 anos, os Lumière projectaram perante uma grande plateia “A Saída dos Operários da Fábrica Lumière em Lyon". Evento que foi recebido com todo o entusiasmo por um sociedade crescente, a partir daí nasceu o Cinema.  

 


publicado por Hugo Gomes às 21:59
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Foi revelado o Top de Janeiro de 2014 dos Circulo de Críticos Online Portugueses (CCOP), com Cinematograficamente Falando … incluído. O galardoado 12 Years a Slave de Steve McQueen é eleito o filme do mês, seguido pelo recente de Martin Scorsese, The Wolf of Wall Street e o "carrasco de DiCaprio", Dallas Buyers Club de Jean-Marc Vallée.

 

 

A lista completa pode ser vista aqui

 

 

Ver Também

12 Years a Slave (2013)

The Wolf of Wall Street (2013)

Dallas Buyers Club (2013)        

 

 


publicado por Hugo Gomes às 21:49
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O Cinema morreu e com ele a sociedade!

 

Para os cinéfilos mais pessimistas, The Congress poderá servir numa visão bastante credível quanto à condição do actor e não só, toda a estrutura do cinema como tal nós o conhecemos. É com este anúncio da morte da 7ª Arte que o novo filme de Ari Folman (do fantasmagórico Waltz with Bashir) impera com um complexo argumento que não complemente exclusivamente nas envolvências para com a saúde do cinema mas como uma análise a uma sociedade cada vez mais empobrecida em termos de espírito, e as consequências que são levadas por essa fraqueza de estima social.

 

 

Baseado na novela de Stanislaw Lem (o mesmo autor de Solaris, que no cinema foi adaptado por Andrei Tarkovsky e mais tarde por Steven Soderbergh), The Congress inicia-se com a actriz Robin Wright a desempenhar ela própria, de forma a aludir a generalidade dos seus colegas de carreiras instáveis, que recebe uma pertinente proposta de ser scanizada pelo estúdio Miramount (deliciosa sátira e menção) para um projecto de actores digitalizados, a fim dos produtores e outros gestores livrarem-se das suas mordomias e das eventuais situações embaraçosas que a fama pode trazer. É um pouco como uma evolução industrializada, onde a condição humano é substituída por máquinas e em derivação a tal factor é gerada uma maior produtividade e rendimento. Neste estranho contracto, Robin Wright está interdita de exercer  seu trabalho de actriz de vez, quer teatro, televisão ou perfomance artística, nada.

 

 

Depois deste aperitivo de premonição tecnológica, The Congress desenvolve rapidamente para outra distopia, a das drogas alucinogénicas. Neste futuro algo medonho, roçando um pouco às temáticas de Matrix e Surrogates, é possível graças a um produto estupefaciente produzida pelo mesmo estúdio que garantiu um novo rumo ao cinema, viver a personalidade com que sempre sonhamos ser. Nota-se a certa altura fala-se de a chegada do pacifismo mundial em consequência disso, como foi argumentado, a extinção do ego, da vaidade e da intolerância social. Tudo isto beneficiado pelo uso da animação tecnológica, algo satírica, que Ari Folman atenta no segundo acto de The Congress, resultando numa obra visualmente sedutora, criativa e mais pessoal (não confundir com propósitos do Who Frammed the Roger Rabbit?).

 

 

Há muito por onde pegar nesta ficção cientifica autoral, as demasiadas distopias que remetem reflexões no espectador quanto ao estado actual de uma sociedade cada vez menos personalizada, cinicamente proporcionada pela tecnologia e gradualmente distante a níveis emocionais e didácticos. E devido a tal, Folman nos apresenta uma imensa vibratilidade em prol da complexidade dos seus temas, uma panóplia que nas mãos do autor é realçada a sua autêntica "espinha dorsal". Longe daquela capa de experiência do foro estético e intelectual, acentua-se uma jornada de afecto entre mãe e filho, onde Robin Wright serve de alavanca para esse subliminar jogo de emoções. Destaque também para o regresso em grande de um dos actores mais marginalizados pela industria cinematográfica actual, Harvey Keitel.

 

 

The Congress é um filme genial, extenso e nada tímido para com as suas próprias expressões e ideais, o anúncio da morte do cinema e da sociedade são arranques imaginativos e profundos para a confirmação de um dos mais proeminentes cineastas da actualidade. Depois da Valsa, chega-nos a solicitude.

 

Real.: Ari Folman / Int.: Robin Wright, Harvey Keitel, Paul Giamatti, Kodi Smit-McPhee, Danny Huston, Sami Gayle

 

 

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Waltz with Bashir (2008)

10/10

publicado por Hugo Gomes às 21:24
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21.3.14

 

Ele foi Gollum na trilogia The Lord of the Rings ou Ceaser em Rise of the Planet of the Apes, experiente no motion capture, o actor Andy Serkis será o realizador da versão cinematográfica de The Jungle Book (O Livro da Selva) para a Warner Bros, que também será concebido por vias dessa mesma tecnologia. Baseado no clássico literário de Rudyard Kipling, que fora publicado pela primeira vez em 1849, The Jungle Book nos remete à historia de um menino órfão, Mowgli, que fora criado por animais e é temido pelo tigre que autoproclama-se como o rei da selva. Contou em 1967 com uma adaptação animada bastante famosa por parte da Disney, estúdio esse que também prepara uma versão cinematográfica dirigida por Jon Favreau (Iron Man).

 

 

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Idris Elba em versão cinematográfica de The Jungle Book!

Ron Howard poderá realizar novo filme do O Livro da Selva!

 

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publicado por Hugo Gomes às 21:54
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Coming Home, o novo de Zhang Yimou (o poster)

 

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publicado por Hugo Gomes às 17:59
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Um dos filmes do ano 2013, como também um dos seus improváveis êxitos, Gravity: Gravidade tem por fim lançada a edição de DVD em Portugal. Realizador pelo galardoado Alfonso Cuarón (Y tu Mamá Tambien, Children of Men), Gravidade é abordado como um simples filme de sobrevivência no espaço, porém fora dos seus grandiosos efeitos visuais, da bom manejo de som e de toda a temática espacial, temos uma grandiosa metáfora sobre a solidão e da coragem inerente que nos acolhe em momentos cruciais. Sandra Bullock apresenta-nos o desempenho da sua vida, acompanhada por um auto-satírico e "tagarela" George Clooney. Destaque para a sequência que homenageia outra obra-prima da ficção cientifica, 2001: An Space Odyssey de Stanley Kubrick. O DVD é distribuído pela  Warner Home Video e tem como Extras, Collision Point: The Race to Clean Up Space e a curta de Jonas Cuarón, Aningaaq.

 

 

Ver Também

Gravity (2013)

 


publicado por Hugo Gomes às 17:44
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Numa entrevista da Collider com Thomas Tull, director executivo da Legendady Pictures, no âmbito do próximo Godzilla de Gareth Edwards (a estrear no nosso país em Maio), surgiu a questão de uma eventual sequela da Pacific Rim de Guillermo Del Toro. Tull confirma a possibilidade e ainda salienta:  "Adoramos estar na mesma área que Guillermo e sinceramente esse filme fez mais negócio que o primeiro X-Men, mais dinheiro que Batman Begins, fez mais que Superman Returns, The Fast and Furious, Star Trek. Por isso penso que este filme como propriedade original funcionou muito bem. Fez perto de 400 milhões de dólares em todo o Mundo e em vendas de home video e merchandising obteve um bom perfomance, pelo que indica que fizemos verdadeiros fãs por este mundo fora. Por isso nós iremos reunir com Guillermo e se não existir nada de reprovador, certamente iremos avançar com isso." A seguir pelas palavras do director executivo, é possível ver num futuro próximo uma Pacific Rim 2, contando em principio com a direcção de Guillermo Del Toro. Os fãs fazem fisgas!

 

 

Ver Também

Pacific Rim (2013)

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:53
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Doug Liman (The Bourne Identify) levará ao cinema o videojogo "Splinter Cell", que é por sua vez uma adaptação de um romance de Tom Clancy (Jack Ryan). Produzido pela Ubisoft, a empresa-mãe de Assassin's Credd (também ele com uma adaptação cinematográfica a caminho), Splinter Cell segue o espião secreto, David Michaels, nas suas arriscadas e derradeiras missões, no cinema prevê ser o inicio de um novo franchising. Tom Hardy (The Dark Knight Rises) será o protagonista. 

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:01
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