31.12.13

 

Cinematograficamente Falando … deseja a todos os seus leitores e cinéfilos por esse mundo fora, um feliz 2014 e que este traga excelentes filmes! (Pois claro!)

 

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publicado por Hugo Gomes às 20:03
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29.12.13

Entre o sangue e o afecto!

 

Desde Still Walking (2008) que não restam duvidas, Hirokazu Koreeda é o novo detentor do titulo "o mais japonês de todos os realizadores japoneses", o verdadeiro descendente da arte de Ozu. Um dos poucos capazes de transformar temas do quotidiano, enredos triviais sem força fílmica, em espectáculos cinematográficos de excelência, incutindo e preservando as relações entre as diferentes personagens, mantendo as suas ambições dramáticas. Contudo com Like Father, Like Son, a sua nova obra, o espectador assíduo do percurso artístico de Koreeda depara-se até ao momento com o seu filme mais ousado e sofisticado, sem com isso perder o seu toque como "amante" do mais caloroso dos sentimentos.

 

 

 

A ternura é algo que demora a sentir nesta nova criação, mas quando por fim é "solto" difícil mesmo é não ficarmos avassalados com tamanha percussão. Like Father, Like Son nos remete a um enredo que parece predilecto dos inúmeros ensaios "telenovelescos" e mediáticos; um casal da classe média alta que descobre que o filho de seis anos na verdade não é seu, mas sim fruto de uma troca na maternidade. O legitimo encontra-se aos cuidados de uma peculiar família de classe média baixa, o qual ambas as partes decidem exercer uma troca de forma a compensar os anos perdidos a criar o filho errado. Contudo esta decisão irá durante o percurso narrativo questionada pelos diversos dilemas, quer de legado ou simplesmente de amor.

 

 

Uma colisão entre classes sociais onde Hirokazu Koreeda "toca" mas não aprofunda, sendo que o seu cinema não erguido sobre panfletarismo nem intervenções a foro social, mas sim em emanar a emoção que parece algo perdida no cinema de hoje. Claramente, Like Father, Like Son é um profundo "must" na sua ênfase dramática, um jogo de emoções que cada espectador deliciará em ser manipulado, tudo isto num processo delicado, sensível e sim … modesto e humilde. Koreeda não seguiu o telefilme nem sequer novela, incutiu cinema de coração e manteve intacto o seu estilo já reconhecido.       

 

Real.: Hirokazu Koreeda / Int.: Masaharu Fukuyama, Machiko Ono, Yôko Maki

 

 

Ver Também

Still Walking (2008)

 

9/10

publicado por Hugo Gomes às 23:47
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Tentem simpatizar com isto!

 

 

A estreia do actor Mark Ruffalo (The Kids Are All Right) valeu-lhe o Prémio Especial de Júri na edição de 2010 do Festival de Sundance, onde anualmente se comemora o que de melhor se faz no cinema independente norte-americano. Com três anos de atraso a chegar ao nosso país, Sympathy for Delicious (Um Toque de Fé como titulo traduzido) é um filme inspirado na tragédia pessoal de Christopher Thornton, o protagonista e argumentista da obra de Ruffalo, ele é Dean “Delicious” O'Dwyer, um DJ de carreira promissora que após um acidente que o deixa paraplégico, tenta sobreviver a todo o custo nas ruas de Los Angeles, enquanto e incansavelmente procura um “milagre” para que volte novamente a andar. Contudo e miraculosamente, Dean adquire um dom mágico em curar mazelas e doenças com as próprias mãos, porém incapaz de faze-lo a si próprio. Um sinal de Deus interpretado pelo Padre Joe (Mark Ruffalo) que acompanhou o caso de Dean de perto e incentiva-o a curar pessoas em troca de donativos para o seu Abrigo. Mas Dean possui outros motivos e ideais, assim sendo o DJ parte, integrado numa banda de rock convencional, em “perseguição” de fama e fortuna.

 

 

Uma câmara constantemente remexida e inquieta sem influências criativas e uma realização algo míope por parte de Mark Ruffalo cedo limita qualquer “sopro divino” em Sympathy for Delicious. Estamos perante de uma obra secamente dramática, envolvida de pseudomoralismos disfarçados que ocultam uma sorrateira evangelização do guião de Christopher Thornton, descrito no tema e personagens. Até certo ponto as emoções trazidas por Sympathy for Delicious são nulas, guiadas por um vácuo que as confundes com demagogias. Se não fosse pelos desempenhos algo esforçados do protagonista, Mark Ruffalo e um Orlando Bloom a trazer à memória uma exagerada figura de Jim Morrison, este seria decerto uma obra cinematográfica a esquecer o quanto antes.

 

 

Abordada com uma história no mínimo curiosa mas retratada com os maiores dos desequilíbrios e inocuidades (as personagens parecem meros esboços), Sympathy for Delicious serve apenas como entrada do actor na posição de realizador, sem que isso o destaque. Maniqueísmos e morais num filme que por pouco sairia num panfletismo religioso.

 

Real.: Mark Ruffalo / Int.: Christopher Thornton, Mark Ruffalo, Laura Linney, Orlando Bloom, Juliette Lewis, Noah Emmerich

 

 

5/10
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publicado por Hugo Gomes às 16:06
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28.12.13

 

O actor Michael Caine (The Dark Knight, The Prestige) regressa ao protagonismo com este novo drama de Sandra Nettelbeck (Helen), Mr. Morgan's Last Love. A história (baseado numa novela de Françoise Dorner intitulada por Le Douceur Assassine) aborda às ligações e mudanças na vida de um professor viúvo (Caine) e uma jovem parisiense. Para além do veterano actor, no elenco podemos  encontrar Clémence Poésy (Harry Potter and the Goblet of Fire), Jane Alexander (The Ring), Gillian Anderson (The X-Files) e Justin Kirk (da série Weeds). Mr. Morgan's Last Love tem estreia no nosso país no dia 2 de Janeiro e terá o titulo traduzido de A Ultima Paixão de Sr. Morgan.

 


publicado por Hugo Gomes às 16:47
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Matar ou morrer … who cares?

 

Um John Travolta com sotaque “manhoso” e um Robert De Niro sob as saudades de The Deer Hunter protagonizam este novo filme de Mark Steven Johnson (um realizador que se encontra na lista negra dos geeks da banda desenhada pelas suas adaptações de Daredevil e Ghost Rider). Trata-se de um confronto entre homem contra homem, onde o espirito selvagem contagia tudo e todos, mas sem emanar o primitivo de suas inerências. Por outras palavras, Killing Season é um filme que promete algo mas que não chega a cumpri-lo, garante um embate acima de tudo psicológico sobre os danos colaterais da Guerra mas não assegura tal factor.

 

 

Entre um pretensiosismo algo insuportável perante o resultado exposto, a fita de Mark Steven Johnson evolui para o pior dos cenários, um thriller de acção tão rotineiro e inverosimilhante onde as quebras de ritmo são as suas maiores debilidades. Um cenário que não apela à profundidade nem sequer a visceralidade dos temas, com isso os actores principais que sob outras circunstâncias teriam “panos para mangas” em termos interpretativos, acabam por constituir personagens vazias que proclamam intenções automáticas e apresentam sotaques involuntariamente caricaturais. Trata-se de fraca aptidão dos envolvidos em abordar e explorar temas em prol do entretenimento, ao invés disso é o facilitismo e a inconsequência narrativa que encontramos.

 

 

Um “jogo de gato e rato” que pouco consegue surpreender e cativar, “embrulhado” por situações bacocas que apelam ao sentimentalismo barato e filosofias de bolso que são citadas como quem conta uma anedota. Killing Season não cumpre com o prometido, é fogo-de-vista em termos cénicos e oco no resto. Como solução mais vale rever The Deer Hunter de Michael Cimino, para recordar a relação espirituosa que o actor Robert De Niro possui com os veados.

 

Real.: Mark Steven Johnson / Int.: Robert De Niro, John Travolta, Milo Ventimiglia

 

4/10
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publicado por Hugo Gomes às 15:05
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Foi divulgado a primeira imagem de Gone Girl, o próximo filme de David Fincher (Se7en, Fight Club), onde é possível ver o actor Ben Affleck (Argo) em destaque. Baseado num homónimo livro de Gillian Flynn (o qual também é autora do argumento), Gone Girl é um thriller que remete ao desaparecimento de uma mulher, Amy Dunne (Rosamund Pike, Jack Reacher) e nos esforços do marido, Nick (Affleck), para encontra-la ao mesmo tempo que tenta provar a sua inocência, pelo facto deste ser o principal suspeito. No elenco podemos ainda contar com as participações de Tyler Perry (Alex Cross), Neil Patrick Harris (da série How I Met Your Mother), Patrick Fugit (Almost Famous), Kim Dickens (At Any Price) e Scoot McNairy (Argo, 12 Years a Slave). Gone Girl tem estreia prevista para 3 de Outubro de 2014 nos EUA.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:00
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27.12.13
27.12.13


publicado por Hugo Gomes às 08:55
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26.12.13
26.12.13

O Passado persegue …

 

Depois de ter arrecadado o Urso de Ouro do Festival de Berlim e o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2012 com Uma Separação, o autor Asghar Farhadi volta a abordar as dificuldades do divorcio iraniano, desta vez sob uma perspectiva ocidental, sem que com isso esqueça por momentos a sua herança cultural e social. O divórcio, algo que fora retratado na obra anterior como um obstáculo interminável e um indesejado estatuto, é visto aqui como uma escapatória a vidas não consumáveis.

 

 

Marie (Bérénice Bejo), uma mulher parisiense, anseia o termino do compromisso, viajando o seu ex-marido, Ahmad (Ali Mossafa) de Teerão para Paris para regularizar a situação e assim "libertar" a sua ex-companheira para que esta case com o actual noivo, Samir (Tahar Ramid). Aquilo que aparentemente seria uma tarefa simples transforma-se num extenso conflito no preciso momento em que Marie decide hospedar Ahmad em sua casa, convivendo temporariamente com Samir.

 

 

O "triângulo amoroso" aqui exposto torna-se cada vez mais cerceado, num ambiente de "cortar à faca" que tende a piorar gradualmente, especialmente depois de serem revelados conflitos ocultos, entrando assim as personagens numa "cadeia de colisões". É o passado, tal como o titulo transmite, o suspeito do costume nesta colectânea de sentimentos expostos à flor da pele, onde inúmeros dilemas morais e familiares surgem em prol da extensão da narrativa. Por outras palavras, um filme cenicamente simples converte-se num ensaio de complexidades humanas, tal e qual uma telenovela de luxo. Parecendo heresia esta comparação, diríamos que dentro do universo "telenovelesco", Asghar Farhadi executa um exemplar flexível e mais astuto na resolução dos conflitos. Para o consegui-lo, sem que com isso ceda aos lugares-comuns, as "desavenças familiares" funcionam como twists repentinos que "esbofeteiam" o espectador, mantendo-se o realizador sempre fiel ao suspense desde o primeiro minuto (parecendo que não, Asghar Farhadi demonstra elasticidade para o thriller).

 

 

Por fim, na condução destes argumentos que nos impelem a visualização deste Le Passé, eis que encontramos um leque de atores formidáveis em constante contagem decrescente para eventuais explosões emotivas, entre as quais destaca-se uma exuberante Bérénice Bejo, a "mulher-bomba" deste episódio cinematográfico.

 

 

Em suma, estamos perante uma orquestra regida a emoções e dramas humanos onde o "maestro" Asghar Farhadi demonstra nesta sua primeira longa-metragem fora do Irão que consegue acima de tudo conservar as suas raízes. Um desses evidentes factores é o fetiche cinematográfico iraniano (que tão bem sabem fazer) de filmar o interior de automóveis e "transportá-los" para o meio da intriga.

 

"When two people see each other after 4 years and still fight together, it shows that there is something unsolved between them."

 

Real.: Asghar Farhadi / Int.: Bérénice Bejo, Tahar Rahim, Ali Mosaffa

 

Ver Também

Jodaeiye Nader az Simin (2011)

 

 

8/10

publicado por Hugo Gomes às 20:41
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Uma causa adolescente, não só …

 

Tendo em conta o sucesso mundial de The Hunger Games: Catching Fire nas bilheteiras, podemos afirmar que estamos perante um dos sólidos franchisings do século XXI, aquilo que os produtores haviam procurando para preencher os espaços deixados por Harry Potter e Twilight, ou seja no apelativo universo da literatura juvenil. A verdade é que neste segundo filme, baseado no respectivo livro da autoria de Suzanne Collins, é uma distopia metafórica, uma critica mordaz aos reality shows como meras distracções para a intervenção global.

 

 

Com uma "pitadinha" de Battle Royale, a popular e provocadora manga de Koushun Takami (gerou um incursão cinematográfica em 2000), The Hunger Games novamente nos remete a um mundo pós-apocalíptico, uma América dividida em distritos e regida por um Capitólio, por sua vez ditada por um opressor (e cada vez mais vampírico) presidente (Donald Sutherland). Para conseguir implantar o medo e a subjugação dos diferentes distritos perante a capital, é decretado os Hunger Games - Jogos da Fome, uma variação de gladiadores modernos e pueris, dois jovens de cada distrito em luta pela sua sobrevivência. Neste novo capitulo os níveis de ambição são postas na ribalta, quer na produção, quer a nível de argumento, já que a intriga exposta por Suzanne Collins é propicia a tal. Aqui os jogos são outros, um massacre que a certa altura é apelidado, onde os vencedores das anteriores edições dos Jogos da Fome são convocados e colocados de novo na arena, o qual tentam acima de tudo evitar. No centro desta história encontramos a já ídolo adolescente, Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence), que é a rebeldia e a revolta em forma de gente. Após ter vencido a edição anterior juntamente com Peeta (Josh Hutcherson), o qual ambos falsearam um romance, é agora utilizada como propaganda da supremacia do próprio Capitólio, mas durante a sua digressão como estrela sobrevivente, esta observa no diferentes distritos as iminências de uma rebelião, fazendo dela um símbolo de causa.

 

 

Ao contrario do oco e politicamente incorrecto Twilight (diga-se por passagem que não envelhece saudavelmente), The Hunger Games é pura reflexão para os adolescentes de hoje, e nos tempos difíceis que se vive uma revolta, uma preservação de ideais, são temáticas sempre presentes no espírito jovem, mais do que qualquer outra. Por isso é fácil adivinhar o porquê a obra literária de Suzanne Collins agrada uma faixa etária, porque é a juventude o centro de uma manifestação revolucionária, um grito de revolta de uma geração desiludida com a promessa feitas, mas incumpridas pelas anteriores. Porém é verdade que tais ingredientes são explosivos em mentes e vontades convictas e imbatíveis (aliás uma das características da adolescência é destes julgarem que nada lhes acontece), mas é preferível tal luta inerente do que a implantação de um mundo "acorrentado" à luxúria e à estupidificação social, onde a mediocridade é sempre motivo para aplausos.

 

 

Enfim, como filme, esta adaptação de Francis Lawrence (Constantine, Water for Elephants) se resume a um dos mais importantes blockbusters do anos, e talvez na sua categoria a mais impressionante vista em pleno 2013. É uma variação mais pretensiosa, tecnicamente aperfeiçoada, mas preocupada com a incursão dos ideais trazidos pelos escritos de Collins, mais do que a própria distopia envolta, e com as mensagens subliminares, criticas a uma sociedade que tão bem conhecemos, intactas. Depois disto temos um elenco que "joga a seu favor", onde a aquisição de Philip Seymour Hoffman se revela num must e que Stanley Tucci continua a cativar num papel à sua medida, o desinformado entertainer. É somente pena que neste quadro, uma ou duas personagens encontram-se inteiramente … a mais, nomeadamente Lenny Kravitz (mais descartável que nunca) e um insonso Liam Hemsworth.

 

 

O final não deixa duvidas, mais capítulos virão e a fasquia encontra-se mais alta que nunca. Esperemos sim, que se volte a cumprir tais promessas já que Catching Fire conseguiu verdadeiramente contornar o seu histerismo inicial e proporcionar aquilo que aparentemente parecia rebuscado em cinema mais que adolescente. Superior ao primeiro, sem duvidas!

 

"People are looking to you, Katniss. You've given them an opportunity. They just have to be brave enough to take it."

 

Real.: Francis Lawrence / Int.: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemsworth, Woody Harrelson, Elizabeth Banks, Lenny Kravitz, Philip Seymour Hoffman, Jeffrey Wright, Stanley Tucci, Donald Sutherland, Toby Jones, Willow Shields, Sam Claflin, Jena Malone, Amanda Plummer

 

Ver também

The Hunger Games (2012)

Battle Royale (2000)

 

 

7/10
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publicado por Hugo Gomes às 13:55
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Estreia hoje, dia 26 de Dezembro, nos nossos cinemas, Short Term 12 - Temporário 12, a nova maravilha do cinema norte-americano independente. Nesta nova obra de Destin Cretton (realização e argumento) somos remetidos ao dia-a-dia de um centro de acolhimento de crianças desfavorecidas, onde acompanhamos a supervisora Grace (Brie Larson, 21 Jump Street) na sua lide com os traumas, conflitos e as situações frustrantes que estas crianças e a organização proporcionam.  Frantz Turner (Ghostbusters), John Gallagher Jr. (Whatever Works), Rami Malek (The Master, Twilight: Breaking Dawn Part 2) e Kaitlyn Dever (J. Edgar) no elenco, Short Term 12 é um drama eficaz movido por uma surpreendente interpretação de Larson (o qual venceu o Prémio de Melhor Actriz no 66.º Festival Internacional de Cinema de Locarno). Baseado numa homónima curta-metragem produzida em 2008, igualmente realizado e escrito por Destin Cretton.  

 


publicado por Hugo Gomes às 13:21
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Para poder regularizar o divorcio a pedido da sua ex-mulher, Marie (Bérénice Bejo, The Artist), Ahmad (Ali Mosaffa, Leila) viaja do Teerão para Paris. Na sua estadia na capital francesa, sem o seu prévio conhecimento, fica hospedado na casa da ex-companheira onde partilhará o espaço com o actual noivo, Samir (Tahar Rahim, Un Prophète), originando conflitos e revelações inesperadas. O novo e elogiado filme do iraniano Asghar Farhadi (A Separation, Óscar de Melhor Filme de Língua Estrangeiro em 2012), o primeiro a ser concretizado fora do Irão tem estreia marcada nas nossas salas a partir de hoje, dia 26 de Dezembro. Le Passé  - O Passado é um drama que nos apresenta destreza na relação das suas personagens e dotadas prestações por parte dos seus actores, nomeadamente a actriz Bérénice Bejo (vencedora do prémio de Melhor Actriz em Cannes). Com recomendação do Cinematograficamente Falando … eis um filme obrigatório para este final de ano.

 


publicado por Hugo Gomes às 02:35
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24.12.13

 

 

UM FELIZ NATAL E BONS FILMES!

 

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publicado por Hugo Gomes às 18:45
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24.12.13

Entre samurais e mestiços!

 

Um visual impressionante, dinâmicas sequências de acção e efeitos especiais de topo não chegam para esconder o maior dos defeitos de 47 Ronin, a sua incoerência histórica e a sua descarada liberdade artística. Fazendo passar-se por um filme série B com um colossal orçamento de 200 milhões de dólares (contradições à parte), a primeira longa-metragem de Carl Rinsch é baseada na mais amada e tradicional lenda japonesa, a história dos 47 ronins (samurais sem dono) que se reúnem para engendrar um plano de vingança, em memória do seu falecido senhor feudal, que havia sido condenado a cometer o suicídio (seppuku).

 

 

Lenda, essa, que aborda temas dignamente nipónicos como honra, sacrifício e persistência e que nesta produção norte-americana é servida aos propósitos do maniqueísmo. Onde encontramos senhores feudais justos e sábios, com um coração estimado e os vilão tão "ruins que nem serpentes", algo que contraria a mensagem transcrita pelo mito, o contagiando com os "nobres" ideais dos EUA. Depois temos as heresias; Keanu Reeves como um halfbreed ("mestiço"), o improvável protagonista de uma história completamente japonesa em vias de integrar no código de honra dos samurais, e todo um conjunto de fantasia pueril e pouco oriental.

 

 

Ou seja, como adaptação da lenda dos 47 Ronins (Kenji Mizoguchi concretizou em 1941, uma visão mais fiel e … "japonesa"), esta produção é um total fracasso e desrespeito cultural, porém eis que nos surge - e se tivermos disposto a isso - um exercício divertido e visualmente sedutor, enriquecido com algumas das melhores sequências de acção do ano (com e sem uso de CGI). Mas para que isto aconteça há que simplesmente desligar o cérebro, ignorar a lenda e censurar os ideais e a predominância norte-americana, e assim sim é provável que tenhamos uma dos rudimentares e modestos blockbusters do ano, e reparem que tem sido cada vez mais algo raro nos panoramas de hoje.

 

 

Por fim, uma banda sonora energética por parte de Ilan Eshkeri e uma Rinko Kikuchi expressiva como a central figura antagónica resultam nesta fita destinada ao entretenimento mas prejudicada pelas suas imensas liberdades. Pelo menos funciona como "guilty pleasure".

 

Real.: Carl Rinsch / Int.: Keanu Reeves, Rinko Kikuchi, Hiroyuki Sanada, Kô Shibasaki, Cary-Hiroyuki Tagawa

 

 

5/10
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publicado por Hugo Gomes às 17:40
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No quente do deserto …

 

Produzido por Luc Besson, Intersections é um thriller com claras atenções para o mercado internacional visto se tratar de uma produção francesa com um elenco misto de nacionalidades e maioritariamente falado em inglês (não são só os portugueses a executarem essa façanha), o que lhe reverte numa falta de identidade, não apenas cultural mas também cinematográfica. Resumindo tudo a cinema globalizado e industrializado, não são tais factores que estão aqui em causa.

 

 

 

A acção decorre em Marrocos, sendo que grande parte da mesma se centra em "nenhures" de um deserto marroquino onde, de formas algo inacreditáveis e impensáveis, um grupo de personagens se "enredam" uma com as outras, isolados num ambiente inóspito em consequências de uma aparatoso acidente. O exercício exposto na fita de David Marconi (contribuiu os argumentos de Die Hard 4.0 de Len Wiseman e Enemy of the State de Tony Scott) é tão "batido" que nada de novo, nem irreverente, encontramos no meio de toda esta poeira. Para além disso, o filme perde-se sobretudo pela fraca composição com que aborda os seus personagens, com evidentes sintomas de esquizofrenia pelo meio.

 

 

A sobrevivência leva a extremos, revela lados humanos nunca vistos nem sequer experimentados. Pois é, a psicologia humana nestes momentos ditados pela vida e morte sob um pesada atmosfera de suspeita, costumam ser servidos como reluzentes espectáculos cinematográficos (não só, relembro que Agatha Christie incutiu essa formula com uma inegável classe nas suas criações literárias). Contudo, em Intersections não é o caso, pois existe algo que impede a obra de "frequentar tais remotos cantos" e esse algo denomina-se por lógica.

 

 

Lógica essa que é ultrapassada por transposições quase surreais, personagens tão mal construídas que fazem com que o espectador deseje o fim destas o mais rápido possível e situações tão amnésicas e rebuscadas que negam qualquer deslumbramento nos constantes e exaustivos twists que a narrativa apresenta. Depois deste mau trabalho no argumento e até nas interpretações, com excepção de um "mecânico" (literalmente e não literalmente) Roschdy Zem (Days of Glory), Intersections ainda concentra bons valores técnicos, quer pela fotografia quer pela banda sonora, ainda que sejam apresentados na forma do bom e velho ditado com visíveis alusões ao deserto aqui exposto: "areia para os olhos".

 

Real.: David Marconi / Int.: Frank Grillo, Jaimie Alexander, Roschdy Zem

 

 

3/10
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publicado por Hugo Gomes às 17:30
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Para além de ser abordado como um dos grandes do ano, 12 Years a Slave de Steve McQueen encontra-se no centro da polémica em Itália em derivação dos posters nacionais em promoção ao filme. Em causa está o destaque, "injustificável", de Brad Pitt e de Michael Fassbender, que segundo consta interpretam personagens de pouca relevância para a história em relação ao nigeriano Chiwetel Ejiofor, o protagonista, dando a sensação de racismo dentro da campanha promocional em território italiano. A Lionsgate (a distribuidora do filme) após o conhecimento do sucedido, pronunciou adiantando que os posters em vigor em Itália não foram aprovados pelos produtores do filme, sendo que já foi decretado a ordem de retirada de tais promoções. 12 Years a Slave nos remete às memórias de Solomon Northrup, um afro-americano livre do século XIX que fora sequestrado e vendido como escravo durante 12 anos até à sua libertação. O filme tem estreia nacional para dia 2 de Janeiro de 2014, é apontado como o provável vencedor do Óscar de Melhor Filme e conta com Michael Fassbender, Dwight Henry, Bryan Batt, Kelsey Scott, Quvenzhané Wallis, Paul Giamatti, Benedict Cumberbatch, Sarah Paulson, Paul Dano e Brad Pitt no elenco.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 17:19
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O modelo vencedor!

 

James Wan (realizador de Saw), Oren Peli (realizador e produtor de Paranormal Activity) e Leigh Whannell (argumentista de Saw e Dead Silence) conseguiram criar uma formula de sucesso, filmes de baixo orçamento revestidos com os modelos tradicionais das "velhas" histórias de fantasmas, sem muito apelo aos efeitos visuais nem a computação em geral, o resultado disto tudo são produtos que realmente rendem. O ano 2013 foi propício em tais obras onde a equipa vencedora (que não mexe aliás) dominou as bilheteiras e conquistou os seus fãs com The Conjuring (de um orçamento de 20 milhões, foram conseguidos 300 milhões de dólares em todo o Mundo) e a sequela de Insidious (uns ridículos 5 milhões que originaram  160 milhões de dólares de receitas em todo o Mundo).

 

 

Enquanto a primeira obra se revelou numa espécie de "salada de frutas" das diferentes referências do género, o segundo demonstra a vontade enorme dos envolvidos em o transformar no próximo franchising do cinema de terror norte-americano. Se não bastasse Paranormal Activity ou Saw, Insidious é a eventual vitima do desgaste criativo. Além de competente a nível técnico, a banda sonora continua arrepiante desde o primeiro filme e os sustos são ocasionalmente eficazes (muitos deles dependentes da manipulação do som), a nova obra dirigida por James Wan peca pelos mesmos motivos que a fita de 2011 fraquejou, ou seja na pormenorização. Qual é a necessidade de remexer e teorizar todo o sobrenatural exposto, ou argumentar por vias do esoterismo? Enquanto no primeiro tudo cedia a um twist, neste exemplar tudo recorre à narrativa que perde o seu suspense e com isso adquire previsibilidade, um efeito prejudicial para o género.

 

 

Contudo, a imagem de marca de Wan, Peli e Whannell fazem-se sentir, um elenco competente (Rose Byrne é o tormento em pessoa) ao seu serviço e todo uma atmosfera conseguida que por si só funciona como um comité de boas-vindas. Mas infelizmente neste Chapter 2 não esperem algo mais que a simples formatação de estúdio. São receitas de sucesso, e derivado a isso pouco ou nada de irreverente incute.

 

"In my line of work things tend to happen when it gets dark."

 

Real.: James Wan / Int.: Rose Byrne, Patrick Wilson, Barbara Hershey, Leigh Whannell, Steve Coulter, Lin Shaye

 

 

Ver também

Insidious(2011)

The Conjuring (2013)

 

5/10
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publicado por Hugo Gomes às 16:07
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23.12.13

No fio da marioneta!

 

Jorge (Pedro Hestnes) é um escritor de romances eróticos de série B sob um pseudónimo feminino que é constantemente confrontado com uma melancolia diária que afecta a sua auto-estima e pretensões profissionais. Jorge sempre havia desejado uma vida diferente daquele “mar de solidão” que possui, contudo os seus desejos tornam-se realidade quando por mero acidente depara-se com um misterioso gravador o qual contém uma mensagem de suicídio de um desesperado homem que cita uma morada e um nome pronunciado com emoção, ao encontro do paradeiro daquele pedido, Jorge encara-se com Laura (Rita Durão) e o seu filho André, a família perfeita que sempre invejara. Aos poucos Jorge começa a viver então a vida daquele desaparecido sujeito, um sonho sem fim anunciado, “embrulhado” por eternas felicidades, porém enquanto mais se aprofunda nesta sua “segunda pele” mais ele apercebe do quanto distante se encontra da antiga vida.

 

 

Um protagonista de tendências voyeuristas desafiado pelo próprio voyeurismo causado, interpretado por Pedro Hestnes naquela que foi a sua última contribuição para o cinema português (o actor faleceu em 2011 em consequência de uma cancro), é mais ou menos isto que caracteriza a terceira longa-metragem de Catarina Ruivo (André Valente, Daqui Pra Frente). Uma obra curiosa que invoca as mais diversas influências estilísticas desde um neo-noir sombrio, auxiliado por uma fotografia algo melancólica e sombria como o protagonista, ou pelos toques de Hitchcock, evidentemente o seu Rear Window (1950), como podemos assistir na fantasmagórica sequência de voyeurismo, onde Jorge visualiza os seus vizinhos como James Stewart “espia-se” os seus como fez na referida obra do “mestre do suspense”.

 

 

Porém e como se confirma através desta cena-homenagem mise-en-scène composta por um curioso split-screen estrutural (ao contrario de Rear Window, o espectador apenas segue de livre vontade o “vizinho a seguir” ao invés da câmara “fascista” de Hitchcock), Em Segunda Mão é uma montra de vida, uma exposição das razões de ser do voyeurismo, a cobiça e a insatisfação de realização pessoal que nos faz julgar a felicidade dos outros em apenas invejar as suas rotinas e relações. É estranho, mas sob um jeito algo subtil Catarina Ruivo esboçou e dissecou o efeito “marioneta” dos seus personagens, a pseudo-naturalidade dos peões viventes e do descontrolo na automatização da vida e relações. E tal como a grande maioria dessas mesmas relações, Em Segunda Mão transfere o dilema do início fabulizado, as iminências caóticas e o desinteresse na exploração das ditas na jornada de identidade de Jorge, o eternizado homem-marioneta, a travestida criatura do destino.

 

 

Com um começo algo trapalhão, de narrativa minimalista e de ligação inexistente entre cenas que faz com que algumas soem desnecessárias, Em Segunda Mão tem o trunfo de ser das raras obras que melhora com a sua duração, após ter terminado as introduções e redefinição de objectivos, Catarina Ruivo contorna as reviravoltas dando uma sensação de prolongação do eventual climax, assim a fita adquire um tom algo conformista ao mesmo tempo sóbrio, espalhando erotismo e dualidade convertendo o filme num impensável thriller metódico. Por fim destaque a Luís Miguel Cintra, a cooperar com a sua forte presença nos planos em que entra.

 

Real.: Catarina Ruivo / Int.: Pedro Hestnes, Rita Durão, Luís Miguel Cintra

 

 

6/10
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publicado por Hugo Gomes às 23:19
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Para além de ser dia de Natal, o 25 de Dezembro será marcado pela estreia nacional do novo filme de Hirokazu Koreeda, aquele que eu apelido de o herdeiro de Ozu. O filme é Like Father, Like Son (Tal Pai, Tal Filho) e conta a história de um casal que descobre que a maternidade onde a sua criança nasceu trocou o bebé por outro na altura do nascimento. Decididos a recuperar os seis anos perdidos por terem criado o filho errado, ambas as famílias prejudicadas negoceiam uma troca entre crianças. A partir daqui nos é apresentando um confronto entre sangue e afecto, quem sairá vencedor desta radical decisão? Com Masaharu Fukuyama, Machiko Ono e Rirî Furankî no principal elenco, este é um filme duro ao mesmo emotivo e carinhoso. Com recomendação absoluta do Cinematograficamente Falando …

 


publicado por Hugo Gomes às 22:22
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Após a trágica morte de Paul Walker, a Universal Pictures decidiu interromper a produção do sétimo Fast & Furious, que tinha estreia prevista para 2014, para reescrever o argumento. Contudo o actor Vin Diesel revelou no seu Facebook que o novo filme da fasquia terá data marcada para 10 de Abril de 2015, ao mesmo tempo que posta a ultima foto com Paul Walker na produção do mesmo. 

 

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publicado por Hugo Gomes às 17:47
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22.12.13

 

Primeiro de tudo e mesmo tendo este blog há mais de 6 anos, este ano foi a primeira vez que participei e assisti a um TCN Blog Awards, a iniciativa conjunta com a revista online Take e o veterano blog de cinema, Cinema Notebook, com intuito de promover e incentivar a blogsfera cinematográfica portuguesa. Uma comunidade, pelo qual  julgava reduzida, mas a contar com os envolvidos na cerimónia de sábado, somos realmente imensos. A salientar a este evento a profissionalidade pelo qual foi levado a cabo do inicio até ao fim, e sendo uma cerimónia sem fins lucrativos é de facto louvável, dos esforços dos organizadores (Carlos Reis e José Soares) e pelos bloggers que contribuíram para a existência dos TCN. Para o merecido prémio de Blogger do Ano, Aníbal Santiago de Rick's Cinema, do sempre ascendente Caminho Largo de Jorge Teixeira a vencer Melhor Blog Individual, Sofia Santos do Girl on Film consagrada com a iniciativa de Uma Mulher, Um Filme, Catarina D'Oliveira do Close-Up como a vencedora da Melhor Critica (ler aqui) e A Janela Encantada de José Carlos Maltez como O Melhor Novo Blog. Ainda gostaria de agradecer novamente a Aníbal Santiago e André Marques do blog BlockbusterPT, por causa literalmente me obrigarem a candidatar o Cinematograficamente Falando … às principais categorias do evento, tendo conseguido a cobiçada nomeação para Melhor Blog Individual.

 

Mas nem tudo foram "rosas" nos TCN Blog Awards, o desrespeito de muitos bloggers na cerimónia fez-se sentir, atrapalhando o evento em si e os respectivos bloggers que tentavam discursar. É triste que dentro de uma comunidade que se adivinhava ser humilde e modesta, exista tamanhas e por "injustificáveis" egocentrismos. Depois existiu algo que realcei em 2009, a heresia da presença de Miguel Somsen num evento em homenagem aos blogs de cinema, algo que ele próprio repudio em  "Hoje basta criar um blog para se publicar meia dúzia de disparates sobre cinema – e sobre a respectiva classe crítica.". 

 

 

A continuação de uma forte comunidade bloggeira, é tudo o que desejo!

 

 


publicado por Hugo Gomes às 19:36
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