28.11.13

 

O spin-off cinematográfico do celebre programa televisivo de sketches, 7 Pecados Rurais de Nicolau Breyner, conseguiu levar mais 80.000 espectadores aos cinemas no primeiro fim de semana de estreia, contando assim como a terceira melhor abertura nacional do ano 2013, ficando apenas abaixo de Fast & Furious 6 (menos de 140.000 espectadores) e o fim da trilogia The Hangover (97.000 espectadores). Protagonizado por João Paulo Rodrigues e Pedro Alves que regressam aos seus famosos personagens, 7 Pecados Rurais contará com uma sessão especial no Cinema City de Leiria no dia 30 de Novembro pelas 21h30, onde a dupla e o resto do elenco se encontrarão presentes para conversa e autógrafos.

 


publicado por Hugo Gomes às 23:39
link do post | comentar | partilhar

 

O actor duas vezes galardoado pela Academia, Christoph Waltz, poderá interpretar o vilão Capitão Brand do quinto filme do franchising The Pirates of Caribbean, juntando-se assim a Johnny Depp no habitual papel de Capitão Sparrow. Pirates of the Caribbean: Dead Men Tell No Tales será realizado pela dupla Joachim Rønning e Espen Sandberg (Kon-Tiki, Bandidas) e possui estreia marcada para 2016.

 

tags:

publicado por Hugo Gomes às 23:37
link do post | comentar | partilhar

Não tínhamos visto isto antes?

 

A Casa Branca é um símbolo de Poder nos EUA e em 2013 converteu-se para o cinema norte-americano,  o alvo favorito. Após termos assistido Gerard Butler como um "homem de mil ofícios" que tem a iniciativa própria de "limpar" a residência presidencial de invasores coreanos, tudo embrulhado num hino ao patriotismo e supremacia americana por Antoine Fuqua (Olympus Has Fallen), passamos agora para a visão de Roland Emmerich, o homem que teve o mérito de já ter destruído tal imóvel numa das suas obras anteriores (que bem relembra tal feito neste seu novo produto). Ao contrario do seu primo afastado, White House Down não gozou do êxito em bilheteira no seu país de origem, talvez prejudicado pela "mente não muito curta" dos espectadores em relação ao projecto de Fuqua, contudo vos garanto e mesmo sob as já eventuais focagens à bandeira e de todo aquele discurso patriótico e de emancipação norte-americana, que Emmerich até consegue aqui um agradável exemplar de acção.

 

 

Agradável com limitações é claro, mas a verdadeira essência de toda esta destruição, este amontoados de tiroteios e perseguições é que White House Down tem inspirações às obras de acção "old school", em particular o  (na altura) inovador Die Hard (1988), com Channing Tatum a mimetizar a própria imagem de Bruce Willis nos seus anos "verdes", referências notadas no seu humor sarcástico, as situações de "puro azar" que já faziam parte do nosso John McClane e até a certa altura, nas vestimentas do protagonista. Aliás encontramos aqui mais de Die Hard que o quinto filme do franchising original, que estreou entre nós no inicio deste ano. É verídico que este segundo assalto à Casa Branca é feita de uma forma mais entusiasmante e cativante que o anterior de Fuqua, aliás até na escolha das forças antagónicas White House Down é mais perspicaz, sendo que ao invés de estrangeiros com ódio fervoroso ao país de 50 estados, temos a nosso dispor um terrorismo interno, onde foca de leve questões bastantes pertinentes no rumo dos EUA nos dias actuais, quer militares (a militarização dos países árabes) e até sociais (o comércio de armas por exemplo), porém volto a referir e a sublinhar, ao de leve (para que não haja duvidas).

 

 

Sendo assim, White House Down vai-se embrulhando em clichés e referências até transmitir um espectáculo mais que visto, previsível mas eficaz deste fraco Verão de 2013. Com um elenco capaz e esforçado mesmo sob as suas limitações, encontramos um Jamie Foxx como uma alusão a Barack Obama (nota-se no seu discurso algo carismático partilha com o actual presidente dos EUA) e James Wood (que saudades) a destacar no meio desta fantasia apocalíptica para americanos e mundo a redor.

 

 

Tende mesmo em cansar a meio da recta, a nova obra do sr. blockbuster Roland Emmerich enverga-se como um competente filme de acção de grande orçamento, um fabula inconsequente norte-americana para ser visto sem pretensões. Um explosivo guity pleasure para que um vez na vida consigamos "abraçar" o patriotismo cegante que afecta este tipo de produções.

 

"Get your hands off my Jordans!"

 

 

Real.: Roland Emmerich / Int.: Channing Tatum, Jamie Foxx, Maggie Gyllenhaal, James Wood, Jason Clarke, Richard Jenkins, Joey King, Lance Reddick


 

 

Ver também

Olympus has Fallen (2013)

 

6/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 23:31
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

 

Numa conversa com Jay Leno no programa Tonight Show, Quentin Tarantino (Pulp Fiction, Kill Bill), revelou que o seu próximo filme será um western, contudo afirmou ainda que não irá ser nenhuma sequela do êxito de Django Unchained. O realizador salientou que o guião está de momento a ser preparado.

 

tags:

publicado por Hugo Gomes às 23:28
link do post | comentar | partilhar

 

Dois perus tem a arriscada missão de viajar no tempo para alterar por completo o curso da História, ou seja, retirar o peru do menu habitual do Dia de Acção de Graças. Escrito e dirigido por Jimmy Hayward (Horton Hears a Who!), Free Birds - A Revolta dos Perus é a nova aposta animada para esta temporada festiva. As vozes dos personagens estão a cargo de Owen Wilson (The Intership), Woody Harrelson (The Hunger Games), Amy Poehler (Mean Girls) e Keith David (Coraline) no original e Marta Borges, Pedro Ramalho e Pedro Borges na versão portuguesa. Com estreia marcada para 12 de Dezembro no nosso país. 

 


publicado por Hugo Gomes às 22:46
link do post | comentar | partilhar


“(…) o  sucesso do cinema de Hollywood é, antes de tudo, o triunfo de um modo de produção, ele próprio elaborado segundo o modelo de industria capitalista americana.”

Jacqueline Nacache, O Cinema Clássico de Hollywood

 


publicado por Hugo Gomes às 12:07
link do post | comentar | partilhar

27.11.13

 

Entre os dias 5 a 8 de Dezembro, o Cinema City Alvalade (Lisboa) irá albergar o 6º Ciclo de Cinema Israelita. É um selecção de 5 de alguns dos melhores filmes de produção israelita de 2011 a 2013, entre os quais Footnote de Joseph Cedar, o vencedor de Melhor Argumento do Festival de Cannes de 2012 (que será exibido no dia 5 como filme de abertura). Esta iniciativa tem a parceria da Embaixada de Israel e o apoio da United King Films, uma das "jóias da coroa" da produção cinematográfica israelita.   

 

 

Para mais informação, ver aqui.

 


publicado por Hugo Gomes às 23:26
link do post | comentar | partilhar

27.11.13

No ventre das mulheres de Shakespeare!

 

O realizador argentino Matias Piñero aborda a natureza e a preservação das relações afectivas como (e literalmente) uma peça de teatro se tratasse. A verdade é que através do impulso dado da sua dirigida obra dramaturga, parte integre de um programa argentino que convida diversas personalidade para gerir tais peças, Piñero tenta realçar, como balançar as divergências entre o cinema e o teatro.

 

 

Devido a tal perspectiva, deparamos com um híbrido que emane o insólito do teatro como o distinto da 7ª Arte, nesta ultima a destacar a proximidade do espectador com os actores, em consequência de uma câmara gerida quase exclusivamente por grandes planos. Do teatro podemos tirar partido do acto do improviso, bem presente nos actos finais ou no seu loop extraordinário (e segundo o realizador, no integral), como também do seu leque de personagens femininas, todas elas detentoras de teor shakespeariano (aliás a peça primária é uma incursão das mulheres desse universo literário e dramaturgo).

 

 

Em Viola (o filme, não a personagem) encontramos um exercício aos mais diferentes níveis; quer técnico, quer inerente ou interpretativo, porém  carece de objectividade em sobressair disso mesmo … o mero exercício cinematográfico. Infelizmente a curta duração exalta tal ausência, cedendo a um final meramente inexpressivo e forçado para o espectador. Contudo nota-se que este é um filme onde o modus operati é o seu elemento mais fascinante e talvez motivadora de uma caso de estudo. É que depois disto e apesar dos seus defeitos, ninguém poderá apontar o dedo a Matias Piñero e acusa-lo de ser um péssimo director de actores. Pelo contrario, o autor até adquiriu experiência na "praia" de Shakespeare. Tinha potencial!      

 

Filme visualizado no Lisbon & Estoril Film Festival'13

 

Real.: Matias Piñero / Int.: María Villar, Alessio Rigo de Righi, Agustina Muñoz



 

5/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 23:21
link do post | comentar | partilhar

27.11.13

Um pêlo como promessa do cinema venezuelano!

 

Cabelos rebeldes, difíceis, dores-de-cabeça imensas em tenta-los domesticar, pois bem, ninguém imaginaria que uma questão de pêlo servisse de alicerce para um espelho estilhaçado dos diferentes problemas sociais da Venezuela. Quem o diz é Pelo Malo, a obra escrita e dirigida por Mariana Rondón que consagrou a Concha de Ouro do Festival de Cinema de San Sebastian deste ano.

 

 

Na referida fita seguimos o pequeno Júnior (Samuel Lange Zambrano), uma criança carente e algo de anti-social, pouco adaptada ao meio ambiente que vive, sonha ser um cantor pop tendo como verdadeira preocupação a sua imagem, prioritariamente conseguir um cabelo liso e brilhante. Estes comportamentos inocentes dignos de uma criança sonhadora são visto como anomalias de uma mãe solteira, Marta (Samantha Castillo), que receia que o seu filho esteja a adquirir tendências homossexuais.

 

 

Frente a esta atribulado relacionamento familiar, Rondón implode uma visão alargada às causas sociais que contagiam o ambiente de Júnior, concretizando assim uma fita dinâmica e diversificada, porém limitada a uma narrativa esquemática e pela fraca aptidão dos seus personagens. É que na realidade este mundo apenas parece reduzido a duas personagens e meia dúzia de bonecos ocos e automáticos. E mesmo esse par trabalhado e destacado, encontramos inúmeras redundâncias e um crescente loop nas suas personalidades, tirando isso, é de "tirar o chapéu" ao desempenho de Samatha Castillo, que esboça uma mãe de difícil apreciação, de uma ambiguidade que irá concretamente dividir opiniões e "esfaquear" os mais sensíveis.

 

 

Em suma; Pelo Malo é um filme de potencialidades, os quais dificilmente cumprirão. Felizmente a nível técnico e operativo, a fita de Mariana Rondón é um primor, um exercício cinematográfico que mesmo sob as suas limitações, se revela numa promissora corrente do cinema venezuelano.

 

Filme visualizado no Lisbon & Estoril Film Festival'13

 

Real.: Mariana Rondón/ Int.: Samantha Castillo, Samuel Lange Zambrano, Beto Benites



 

6/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 23:12
link do post | comentar | partilhar

 

O Cineclube de Joane, em Vila Nova de Famalicão, irá apresentar uma sessão especial do imortal filme de Charles Chaplin, The Kid - O Garoto (1921). Trata-se de um filme-concerto cedido pela banda independente, Bueno.Sair.Es, que irá auxiliará o espectador a usufruir uma experiência única e insólita do filme em questão. A não perder neste Sábado, dia 30 de Novembro, pelas 22h00 no Grande Auditório da Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão.

 

 

Para mais informação ver aqui.

 


publicado por Hugo Gomes às 23:07
link do post | comentar | partilhar


publicado por Hugo Gomes às 06:24
link do post | comentar | partilhar

26.11.13

Quem aconselhou isto?

 

O problema é que Ridley Scott não é nenhum Michael Bay, partimos do principio que ele sabe o que faz … pelo menos julgávamos até me ser apresentado The Counselor - O Conselheiro. Eis um filme que à primeira vista é auxiliado por um elenco de luxo. Elenco, esse, capaz de corar outras grandes produções norte-americanas, contudo é aqui utilizada para preencher os espaços deixados por um argumento tão debilmente construído e pouco coeso que tem o "primor" de nos apresentar alguns dos piores diálogos e timings deste ano.

 

 

Cormac McCarthy (o mesmo escritor de The Road e No Country for Old Men) foi o responsável por este pastelão "novelesco" o qual é apelidado de argumento, um requisito de lugares-comuns da telenovela mexicana e de emoções baratas que parece "esvaziar" ainda mais perante uma narrativa retardante e sem precisão. Aliás, The Counselor é um péssimo trabalho de equipa; actores em piloto automático (excepto Michael Fassbender que tenta fazer-se ao Óscar através de meros overactings) prejudicados pelo descartável e a futilidade de que muitos são alvos, o já referido contributo do "escritor agora virado guionista" e um realizador irreconhecível, ora dinâmico em algumas sequências ora inconsequente noutras.

 

 

Sim, é tudo luxo que se transforma em lixo indecifrável, o pior é não existe comédia voluntária aqui, o que dificulta ainda mais a sua visualização. Mas se o involuntário servir, ora muito bem, temos então filme. The Counselor comporta-se facilmente como uma caricatura às fitas de carteis em cruzamento com o distinto produto televisivo do México. Enfim, "a pegada na poça" por parte de um realizador que tanto contribuiu para o cinema, uma desilusão penosamente executada. Não via tanta plasticidade e amadorismo de um autor desde Savages de Oliver Stone. Provavelmente o pior filme do ano 2013, e ainda vão culpar o excêntrico penteado de Javier Bardem!

 

"To partake of the stone's endless destiny, is that not the meaning of adornment? To enhance the beauty of the beloved is to acknowledge both her frailty and the nobility of that frailty. At our noblest, we announce to the darkness that we will not be diminished by the brevity of our lives."

 

Real.: Ridley Scott / Int.: Michael Fassbender, Javier Bardem, Cameron Diaz, Penélope Cruz, Brad Pitt, Bruno Ganz, Rosie Perez, John Leguizamo



 

Outros

C7nema / «The Counselor» (O Conselheiro) por Hugo Gomes

 

2/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 23:52
link do post | comentar | partilhar

25.11.13


Arnold Schwarzenegger irá protagonizar o novo thriller de acção de David Ayer (Street Kings, End of Watch), Sabotage, que remete a uma operação de desmantelado de um cartel de droga por parte de uma equipa de elite da DEA que se revela num fracasso sem precedentes. Olivia Williams (The Ghost Writer), Terrence Howard (Prisoners, Iron Man), Mireille Enos (World War Z), Joe Manganiello (Magic Mike), Josh Holloway (Mission Impossible: Ghost Protocol) e Sam Worthington (Avatar) completam o elenco. Data de estreia marcada para 11 de Abril de 2014 nos EUA.

 


publicado por Hugo Gomes às 02:17
link do post | comentar | partilhar

24.11.13

 

Este espaço não notificou mais cedo o encerramento dos Cinemas Medeia King de Lisboa não por falta de informação, mas por pesar por parte do escriba. Um dos últimos refúgios do cinema de autor tem hoje, dia 24 de Novembro, as suas ultimas sessões, a partir daqui é o eventual desaparecimento de uma dos espaços cinematográficos mais conceituados da capital. Segundo as fontes, o fecho das duas salas de cinema tem consequências de uma aumento drástico do IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis) que tornou o sustento do estabelecimento insuportável. A boa noticia é que Paulo Branco, proprietário da exibidora Medeia, garantiu a transferência dos sete funcionários para outros cinemas da cadeia.

 

2013 está a ser um ano negro para o cinema português, quer a nível produtivos, quer a nível físicos e o "trues" cinéfilos estão cada vez mais condenados a frequentar os cinemas de centro comerciais com o seus cartazes homogéneos e com mais ausência de cinema de autor.  

 


publicado por Hugo Gomes às 16:31
link do post | comentar | partilhar

A Encarnação!

 

Alguma vez desejaram mudar de vida tão drasticamente que até mesmo o próprio nome é descartado? Para Avery Wallace (Colin Firth) tal desejo torna-se na única solução para uma vida sem volta, o qual não se orgulha de manter. Decidido a esquecer o seu passado e viver um futuro completamente diferente auspicioso, Wallace simula a sua morte e exerce a identidade de Arthur Newman, um promissor jogador de golfe em busca de uma oportunidade. Nesta sua jornada pessoal em busca da sua merecedora identidade e respectivo destino, "o agora" Arthur conhece Michaela "Mike" Fitzgerald (Emily Blunt), uma jovem problemática determinada a deixar para trás os assuntos inacabados que sempre a haviam atormentado.

 

 

Primeira longa-metragem de Dante Ariola, As Vidas de Arthur é uma fita reservada a sua própria ambiguidade, que não apenas encontra decifrada nas suas personagens mas como também na narrativa. Variação algo fetichista de Bonnie & Clyde, este é um drama seco, por vezes inspirado que atropela-se nas exaustivas buscas intrínsecas da identidade e na tendência em subvaloriza-la face a uma sempre crescente cobiça aspirativa. São inúmeras as vidas vividas por este "casal fictício" (Firth e Blunt), porém adaptáveis e simbióticos entre eles, assombrados pelos seus "demónios reais" derivados das responsabilidades que os perseguem furtivamente.

 

 

São as consequências da sua limitação de resposta que as acorrenta a um "turbilhão de almas farsantes", nota-se porém a intensidade com que os protagonista se "entregam" no ultimo ato, em que as suas personagens reais são por fim reveladas sobre um manto de ilusões. Escusado será dizer que os desempenhos dos atores são camaléonicos e perseverantes, mesmo sob as "camadas" de variações interpretativas. Colin Firth é fascinante e soberano e Emily Blunt emana talento (afirmo que a actriz encontra-se cada vez melhor nos seus últimos filmes).

 

 

Tal como os seus personagens, a fita Arthur Newman é envolta de mistério e argumentos inconclusivos que lhe acrescentam uma certa sedução do incógnito e uma descoberta longe de facilidades. Este é sim, um filme discreto e ao mesmo tempo cativante, que ainda presenteia-nos como trunfo, um dos finais mais ininteligíveis do cinema norte-americano desde Lost in Translation de Sofia Coppola.

 

Real.: Dante Ariola / Int.: Colin Firth, Emily Blunt, Anne Heche



 

8/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 15:27
link do post | comentar | partilhar

tags:

publicado por Hugo Gomes às 14:59
link do post | comentar | partilhar

Um lago de suspeitas e crimes passionais!

 

O autor Alain Guiraudie aborda uma praia fluvial de nudistas como um escape à realidade quotidiana, todo este cenário esboça um "mundo" alternativo e marginal, onde a homossexualidade parece ser o segredo de cada um, a força motora para as suas necessidades mais obscuras. Um mosaico que gradualmente vai se construindo pela sistematização dos seus personagens, deparando com um singelo "when boys meet girl" ou no caso de L'Inconnu du Lac (O Desconhecido do Lago), "when boys meet boys".

 

 

A intriga centra-se em Franck (Pierre Deladonchamps), um jovem esbelto que frequenta estas ditas praias de forma rotineira, em constante busca de prazer e da integração social. Contudo durante as suas aventuras neste local “guiraudiano”, Franck adquire um interesse romântico no misterioso Michel (Christophe Paou), que é para além de tudo um homem perigoso, capaz de tudo para atingir os seus objectivos.

 

 

Obtendo uma fixação envolvente e persistente como filme de obsessões, é inegável não reconhecer o mérito de Alain Guiraudie na concretização de algum mise-en scené ou da manipulação de luz que contagia algumas das valiosas sequências, como também a aptidão de construir um trio de relações vertiginoso que nas proximidades finais, se converte numa derradeira viagem emocional. As interpretações dão o melhor de si, mesmo que o destaque caia no secundário Patrick D'Assumção, um homem de carácter assexuado neste cenário de luxuria que é servido como uma ponte de conexão entre aquela praia (difícil de abandonar) e o mundo fora-de-campo onde os peões desta fita estão determinados a interagir invisivelmente.

 

 

L'Inconnu du Lac é um dos filmes mais explícitos, naturalistas e arrojado na maneira como retrata a sexualidade dos seus personagens, o que poderá facilmente cair no “indigno” estereótipo de “militância homossexual”. Devido a isso, com adição da crueza com que simula as sequências de sexo e a cumplicidade dos actores nos momentos mais íntimos, L'Inconnu du Lac de Alain Guiraudie será motivo de repudia para os espectadores menos tolerantes em questões de orientação sexual. Eis uma obra singular, atmosférica, provocação de um certo “sabor” noir, que tem como senão a personagem de Jérôme Chappatte, o inspector intrusivo deste mundo oculto, que tem tanto de ridículo como de inverosimilhante. 

 

Real.: Alain Guiraudie / Int.: Pierre Deladonchamps, Christophe Paou, Patrick D'Assumção, Jérôme Chappatte




7/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 01:03
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

23.11.13
23.11.13

As trapalhonas!

 

A premissa é algo vista e revista em diversos policias que por aí abundam. Um infiltrado da polícia é encontrado morto numa praia do lago de uma pequena cidade. Acreditando-se tratar de um homicídio intencional, os Assuntos Internos iniciam assim uma investigação intensificada sobre o caso. Uma das mais ferozes investigadoras do departamento (Isabelle Hupert) é assim chamada.

 

 

Peripécias são muitas neste Tip Top do realizador e actor Serge Bozon, baseado numa novela de James Tucker, mas a ausência de graciosidade é o que mais o destaca. O espectador depara-se assim com um enredo impedido de fluidez em consequência de uma forçada perspectiva humorística burlesca (como também “pitadinhas” de comédia non sense em abundância e sem qualquer deslumbre), onde Isabelle Hupert e Sandrine Kimberlain vagueiam em todo o filme, sob jeitos disparatados e a eventuais “encontrões” a tudo e todos, parabolizando uma caricatura do estereótipo de investigadora criminal, quase digno dos registos televisivos.

 

 

Algo que poderia funcionar se o próprio filme incutisse um clima mais descontraído, equilibrando sobre os diversos tons e de pouca procura para as causas e questões sociais, ao invés disso temos uma pseudo-comédia que parece pautada por momentos realmente criativos (a sequência do piquenique é um dos exemplos) e por uma insuportável “colecção” de gags repetitivos e sem sincronismo para com a narrativa. Aliás o grande problema deste Tip Top é mesmo a sua narrativa e a intolerância desta para com o ápices de puro non sense, assim sendo o que temos a nosso dispor é nada mais, nada menos que uma fita desengonçada e de nula interação com o espectador. Um exercício claramente fracassado!

 

Filme visualizado no Lisbon & Estoril Film Festival'13

 

Real.: Serge Bozon / Int.: Isabelle Huppert, Sandrine Kiberlain, François Damiens



 

4/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 16:32
link do post | comentar | partilhar

23.11.13

Conquista lusa na série B!

 

Adaptação duma BD e Webseries da autoria do jornalista Nuno Bernardo, esta nova criação da beActive, produtora portuguesa que aposta nos mais variados formatos, tem o intuito primário de preencher um lugar vago no nosso panorama cinematográfica (catalogado como a primeira e genuína produção portuguesa de ficção cientifica), ou seja integrar num mercado pouco competitivo no ramo e ainda ilusório quanto aos parâmetros comerciais.

 

 

Com Teresa Tavares e Marco Costa como contributos portugueses num elenco internacional, este Collider do irlandês Jason Butler nos remete às temáticas das viagens do tempo e do CERN (Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear) para incutir mais um "survivor game" onde não poderiam faltar os habituais traumas dos personagens, as consequências e replicas dessas mesmas condições e os perigos ocultos que dificultam o caminho. Tudo isto origina um filme de estrutura "mastigada" e revista nas demais produções, mas a sua grande qualidade encontra-se na modéstia que demonstra. Collider não esconde as suas limitações, quer a nível técnico (mesmo que a fotografia seja sedutora), nível narrativo, nem interpretativos, ao invés disso integra tais num espectáculo ditamente série B e sem pretensões para além das comerciais.

 

 

Assim sendo e resumindo temos um singelo filme de ficção científica que nos soa como esforçado, mesmo que forçado perante o excesso de informação dada ao minuto e pela busca da complexidade argumentativa que se revela em autênticos “plots holes”. Fora isso, Collider destaca algo novo e insólito no nosso mercado cinematográfico, esperamos que esta “viagem no tempo” seja o início de novos e propícios tempos do cinema comercial português.

 

Real.: Jason Butler / Int.: Marco Costa, Teresa Tavares, Iain Roberston, Lucy Cudden, Jamie Maclachlan



 

Ver Também

Beat Girl (2013)

 

4/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 13:12
link do post | comentar | partilhar

23.11.13

O regresso do Homem ao primitivo!

 

Para um artista tão teatral e excêntrico como Ney Matogrosso, um documentário biográfico fiel aos cânones do modelo mainstream ou do restritamente televisivo soaria como algo deveras herege e ingrato para a personalidade em questão. Para tal, a obra Joel Pizzini assume desde o primeiro sopro como um retrato expressionista e experimental do célebre cantor brasileiro, artista irreverente cujos seus espectáculos são célebres pelas suas performances interpretativas, da vistosa caracterização que se apresenta e pela sua música transversal e poética sempre em busca da sua própria entidade artística.

 

 

Olho Nu é um convite irrecusável ao refugio do homem por detrás da "Rosa de Hiroshima", uma proposta o qual, o espectador se sentirá bem-vindo e intrinsecamente ligado a um artista em constante cumplicidade para com a câmara. Um misto de ensaio documental com as imagens de arquivo que estabelecem uma linha cronológica da jornada do artista, Pizzini aposta em recriar o documento mais próximo da aura e carácter de Ney Matogrosso, "abraçando" os seus devaneios e excentricidades afim de concretizar um mosaico  pessoal, ao mesmo tempo transvestido e ilusório da figura central.

 

 

Não existe aqui espaços para dilemas, questões, aprofundamentos temáticos, apenas o retrato de um homem que se fantasia no primitivo, com a Natureza, "despindo-se" perante preconceitos e pudores para conquistar o lugar vago no selvagem, porém na majestosa face do mesmo. É que na verdade esta pura "brincadeira" de artista, experiência sensorial, chega a seduzir o espectador, conforme seja a sua sexualidade ou até gosto musical.

 

 

Contudo reconhece-se que nada disto funcionaria se Ney Matogrosso não fosse o artista completo que se reconhece aos mais diferentes níveis; o legado musical, as perfomance imparáveis e criativas que emanam o mais natural da alma brasileira, a "história de bastidores" e a busca pela perfeição como se um próprio objecto de arte tratasse. Belo à sua maneira, distinto à sua vontade, Olho Nu é a confrontação entre duas entidades do mesmo ser - o Passado que não volta atrás e ausente de arrependimentos e o Presente, com um artista maduro e concreto por detrás.

 

Filme visualizado no DocLisboa'13

 

Real.: Joel Pizzini / Int.: Ney Matogrosso

 

8/10

publicado por Hugo Gomes às 02:01
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

sobre mim
pesquisar
 
arquivos
2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


recentemente

Trailer: Alguém Como Eu, ...

Tom Hanks em refilmagem d...

Atenção!! Trailer do novo...

Trailer: Bad Investigate,...

Doclisboa compromete-se c...

Alicia Vikander é Lara Cr...

Morreu Harry Dean Stanton...

Jamie Lee Curtis de volta...

Doclisboa'17: Wang Bing a...

IT (2017)

últ. comentários
como e que eu vejo este filme não estando ele já n...
Viva Hugo! Boa análise do It. Gosto de ver a críti...
Tudo bem, Hugo? Falando em palhaços :DDê uma olhad...
Finalmente o Donald Sutherland recebe alguma coisa...
Olá, eu assisto todos os filmes neste site https:/...
Takes
10/10 - Magnífico
9/10 - Imprescindível
8/10 - Bom
7/10 - Interessante
6/10 - Razoável
5/10 - Medíocre
4/10 - Muito Fraco
3/10 - Mau
2/10 - Péssimo
1/10 - De Fugir
0/10 - Nulidade
stats counter
HTML Hit Counter
counter
links
mais comentados
25 comentários
20 comentários
13 comentários
12511335_1084470088250815_732384524_o
subscrever feeds
blogs SAPO