31.5.13

 

Dois grandes bancos de diferentes pontos mundiais foram assaltados em simultâneo, os principais suspeitos encontravam na altura em pleno espectáculo de ilusionismo. Now you See Me (Mestres da Ilusão) é o proximo filme do francês Louis Leterrier (Transporter, Clash of Titans), a estrear nas nossas salas 13 de Junho, segundo o trailer e as primeiras imagens exibidas, podemos contar com um misto de thriller com a acção mais acelerante habitual do realizador, onde tudo o que parece não é. Com Jesse Eisenberg (The Social Network), Mark Ruffalo (The Avengers), Woody Harrelson (Zombieland), Isla Fisher (The Great Gatsby), Dave Franco (Warm Bodies), Mélanie Laurent (Night Train to Lisbon), Morgan Freeman (Bruce Almighty) e Michael Caine (The Dark Knight Rises) a compor um elenco de luxo. Now You See Me tem tudo para ser uma excelente proprosta de entretenimento.

 


publicado por Hugo Gomes às 22:29
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Nova Iorque e Lisboa irão em simultâneo presentear-nos o NY Portuguese Short Film Festival 2013, um evento que durante dois dias pretende promover o cinema português através da apresentação de curtas-metragens dos novos e talentosos cineastas. Arranca hoje, 31 de Maio, por voltas 22:30 no Teatro do Bairro (Lisboa) e 19:30 no Tribeca Cinemas (Nova Iorque) onde serão exibidos cinco curtas em competição e em sessão especial, a esperada curta realizada por Henrique Câmara Pina e escrito por Francisco Baptista, O Mundo Cai aos Bocados (e ainda assim as pessoas apaixonam-se).

 

O evento será continuado no dia seguinte, 1 de Junho sob o mesmo horário. Os bilhetes custam 5 euros.

 


publicado por Hugo Gomes às 17:57
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Real.: Quentin Tarantino / Int.: Jamie Foxx, Christoph Waltz, Leonardo DiCaprio


Filme – Polémicas étnicas à parte, Django Unchained é a resposta de Tarantino à aclamação geral de The Birth of a Nation de D.W. Griffith, o controverso filme mudo de 1915 que tornou-se num dos pioneiros técnico e narrativos do cinema contudo o argumento deriva da apresentação dos membros dos Ku Klux Klan como heróis nacionalistas, aqui o autor inverte os papéis e com ele o seu impacto. Western de estilo tarantinesco com desempenhos ousados e barrocos, Django Unchained é mais que um tributo ao género, mas sim uma nova vida. Destaque para os desempenhos de Leonardo DiCaprio, Christoph Waltz (vencedor do Óscar de Melhor Filme Estrangeiro) e de Samuel L. Jackson.


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LEGENDAS

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Turco

 

EXTRAS

Reviver J. Michael Riva: O Design de produção de Django Libertado

SPOT da banda sonora de Django Libertado

Selecção musical de Django Libertado

20 Anos a fazer: A colecção de Blu-ray XX de Tarantino

 

Distribuidora – PRIS Audiovisuais, SA



 

Ver Também

Django Unchained (2012)

 

FILME –

DVD -

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publicado por Hugo Gomes às 16:54
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31.5.13


publicado por Hugo Gomes às 15:03
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30.5.13
30.5.13

 

Procura-se originalidade!

 

Até certo acreditei que com a ausência de inspiração lá para os lados de Hollywood que as animações dos grandes estúdios continuariam mesmo sob esse cenário adverso a oferecer aos espectadores alguma criatividade e originalidade, porém até o ultimo reduto é invadido pela escassez. Na própria indústria animada são muitas as sequelas que estreiam como alternativas aos grandes blockbusters e pior como no caso deste Epic, a reciclagem de fórmulas e lugares-comuns cinematográficos.

 

 

Tudo começa com a habitual e usual história da adolescente, Mary Katherine (com a voz de Amanda Seyfried) que apesar de contrariada vai viver com o pai que parcialmente conhece numa terra remota, longe da sua infância e obviamente das grandes cidades. O seu progenitor por um lado preenche todo os requisitos do estereotipo de cientista obcecado, neste caso em provar que afinal existe “gente minúscula” a viver na floresta em frente da sua casa, sendo responsáveis pelo equilíbrio do ecossistema, obviamente uma teoria repugnada e descredibilizada pela sua filha. Contudo apesar de risível e inverosimilhante que estas criaturas soam, elas são verdadeiras, pequenos soldados ecológicos que juraram defender a estabilidade da floresta e a sua rainha (a cantora Beyoncé Knowles a emprestar os seus dotes vocais), o ponto de equilíbrio desta, duma temível raça de criaturas igualmente etruscas apelidadas de Boggans, liderados pelo maquiavélico Mandrake (Christoph Waltz) que ameaça transformar todo o verde em trevas. O resto é magia literalmente, Mary Katherine (M.J. como gosta de ser apelidada) torna-se minúscula, “cai acidentalmente” nesta guerra milenar e apercebe que integra uma profecia para salvar todo o destino deste Reino Secreto.

 

 

Adaptado do livro infantil de William Joyce, The Leaf Men and The Brave Good Bugs, Epic é uma espantosa fantasia visual, mas sem a criatividade e personagens sólidas que possam anexar o espectador à narrativa. Quanto ao primeiro ponto e tendo em conta a premissa estabelecida entende-se que nova produção da Blue Sky (os mesmos estúdios do êxito de Ice Age e Rio) é um poço de clichés, “marcos turísticos” já vistos e revistos em inúmeras fitas do género e não só, mesmo que oleada esteja esta batalha entre bem e mal, já nada nos surpreende, a estética visual nem sequer as personagens (por momentos chegamos mesmo a simpatizar pelo vilão) ou o seu humor incutido. É triste insinuar mas Epic é a evidência de que até mesmo as animações destes grandes estúdios, apresentados nos últimos anos com uma fertilização imaginativa invejável, também estão condenados à falta de ideias e á rotina que se faz sentir em Hollywood em geral.

 

 

Por mais que queiramos gostar do novo filme animado de Chris Wedge (um dos realizadores do primeiro Ice Age), não existe nada de substancial aqui, só rotina incapaz de seduzir ou motivar, além disso não são os atributos visuais nem um elenco vocal de luxo directamente extraído da cultura pop que irá faze-lo. Épico? Apenas de nome!

 

“Just because you haven't seen something doesn't mean it's not there.”

 

Real.: Chris Wedge / Int.: Amanda Seyfried, Beyoncé Knowles, Josh Hutcherson, Colin Farrell, Christoph Waltz, Pitbull, Steve Tyler, Jason Sudeikis



 

5/10
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publicado por Hugo Gomes às 23:49
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publicado por Hugo Gomes às 19:18
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Piratas das Caraíbas 5 já têm realizadores! A Disney confirmou que a grande produção de Jerry Bruckheimer terá a dupla Joachim Rønning e Espen Sandberg no cargo de realização, os dois cineastas noruegueses ficaram célebres pelo seu empenho em Kon-Tiki, que foi nomeado aos Óscares de Melhor Filme Estrangeiro em 2013, o argumento será da autoria de Jeff Nathanson (Catch me If You Can). A nova aventura de Jack Sparrow, marcando assim o regresso de Johnny Depp ao seu famoso papel de pirata ambíguo, tem data agendada para 10 de Julho de 2015.

 

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publicado por Hugo Gomes às 13:28
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29.5.13

 

Quatro brilhantes porém reformados músicos (Maggie Smith, Tom Courtenay, Billy Connolly, Pauline Collins) decidem novamente reunir a favor de uma festa de angariação de fundos para salvar Beecham House, um lar especializado em artistas musicais aposentados onde o qual vivem. Com um elenco veterano de luxo, Quartet, baseado na peça de Ronald Harwood (o qual também contribuiu para o argumento), marca a estreia do actor Dustin Hoffman no cargo de realização.

 

Com estreia nacional para esta Quinta-feira, dia 30 de Maio, Quarteto (titulo traduzido) encontrará nas salas portuguesas com uma parceira de Zon e Direcção da Casa do Artista, o qual 2% da venda total dos bilhetes do filme reverterão para a instituição que há 14 anos acolhe e apoia os artistas portugueses. A Casa do Artista foi também palco da ante-estreia da obra de Hoffman, um evento decorrido no Teatro Armando Cortez no passado dia 28 de Maio e que foi fortemente recebido por imensa figuras públicas do espectáculo.

 

Um filme recomendado pela Cinematograficamente Falando … (critica em breve)

 


publicado por Hugo Gomes às 23:59
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Tendo em vista a aguardada estreia do novo Star Trek: Into Darkness no dia 6 de Junho no nosso país, o canal História prepara uma programação especial com a exibição do documentário Star Trek, Segredos do Universo, uma viagem ao set de filmagens do próximo blockbuster de Verão onde o espectador é convidado a conhecer a tecnologia que torna este franchising possível e inovador. O documentário exclusivo do canal História terá exibição no dia 5 de Junho pelas 20h15 e repetido no dia seguinte pelas 01:20, 04:00 e 15:10.  A não perder, para trekkies e mais que isso.

 


publicado por Hugo Gomes às 21:57
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publicado por Hugo Gomes às 20:40
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publicado por Hugo Gomes às 20:39
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Não depositem grandes esperanças aqui!

 

O regresso da conto literário e devera amado de Charles Dickens, Great Expectations, ao grande ecrã é marcado pelo também retorno de Mike Newell ao cargo de realizador após o semifracasso da adaptação cinematográfica do videojogo Prince of Persia: Sands of Time (2010). Do clássico de Dickens, demasiadas vezes requisitado para o cinema e televisão, podemos destacar duas versões no seio cinematográfico, a mais conhecida e fiel pelas mãos do eterno romântico David Lean em 1946 e a visão moderna pelo mexicano Alfonso Cuarón em 1998, quanto a adaptação de Newell, estamos perante na mais reverente e linear, porém a mais ausente de lirismo e em comparação com a de Lean, mesmo tendo mais 15 minutos que o clássico de cinema, este novo Great Expectations é um exemplo anoréctico e esquemático de filme.

 

 

Felizmente são os veteranos actores da “velha guarda britânica”; Ralph Fiennes, Helena Bonham Carter ou Robbie Coltrane, que conseguem garantir alguma visibilidade interpretativa após o par romântico de protagonistas se revelar num autêntico fracasso (Jeremy Irvine e Holliday Grainger), de resto temos um elenco jovem dissipado por personagens quebradiças e forçosas relações entre elas. Um vazio oco apenas ofuscado por uma produção de luxo da BBC, onde o valor cénico, o guarda-roupa e a reconstituição de época parecem ter sido os únicos termos trabalhados em Great Expectations.


 

Charles Dickens parece remexer na sua tumba, não devido ao facto desta nova versão ser propositadamente ofensiva mas por revelar numa falsa crença na matéria-prima. Não só nos remete a sensação que por vezes os clássicos literários também originam maus filmes mas como também assistimos a uma decadência de um realizador que nos havia oferecido obras de foro interessante como Enchanted April, Donnie Brasco e um dos melhores Harry Potters que há em memória (Goblet of Fire). Dispensável, vazio e descrente, tão rotineiro como telefilme da BBC.

 

Real.: Mike Newell / Int.: Jeremy Irvine, Helena Bonham Carter, Holliday Grainger, Ralph Fiennes, Robbie Coltrane, Sally Hawkins, Jason Flemying, Ben Lloyd-Hughes

 

4/10
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publicado por Hugo Gomes às 20:36
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28.5.13

 

Real.: Leos Carax / Int.: Dennis Levant, Edith Scob, Kylie Minogue

 

Filme – Um filme tão bizarro como surpreendente, Holy Motors de Leos Carax é uma declaração de amor à diversidade cinematográfica, um presente de multiplicidade narrativa e fílmica que nos exibe um actor tão versátil que a aura da obra, Dennis Levant. Gracioso e ao mesmo tempo grotesco, inconformado e decidido, o yin e o yang, um OVNI cinematográfico de tão primitiva forma de arte. DVD obrigatório está visto!

 

AUDIO

Francês

Alemão

Inglês

Italiano

 

LEGENDAS

Português

 

EXTRAS

Entrevista a Kylie Minogue

 

Distribuidora – DVD Leopardo

 


 

Ver Também

Holy Motor (2012)

 

FILME –

DVD -

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publicado por Hugo Gomes às 16:03
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As complexidades da verdade!

 

The Reluctant Fundamentalist inicia com um sequestro de um cidadão norte-americano nas ruas de Lahore, Paquistão, a principal suspeita deste acto tenebrosa cai sobre um grupo de fundamentalistas islâmicos liderados pelo professor universitário Changez Khan (Riz Ahmed). Bobby Lincoln (Liev Schreiber), um repórter e colunista, tem a oportunidade única de entrevistar tal influente pessoa durante um cenário de iminente caos. Enquanto a conversa entre ambos prolonga uma teia complexa de ideias, ilusões e preconceito entende-se entre eles.

 

 

Depois do desastroso Amelia (2009), a realizadora indiana Mira Nair aposta nesta adaptação do homónimo best-seller do escritor paquistanês Mohsin Hamid. A realizadora emprega assim uma posição neutra no seio de um conflito que parece durar eternidades, e devido a tal opção posicional consegue rumar uma história resumida a choque cultural num interessante exercício de perspectivas, sempre com uma delicadeza que não se cede entre maniqueísmos, moralismos nem patriotismos. É um jogo de aparências que sempre contraria a narrativa deste O Fundamentalista Relutante (titulo português), manobrando um filme moldável e de uma certa maneira idealista. Todo este exercício narrativo nos remete a um clássico de Akira Kurosawa, Rashomon (1950), onde a verdade contrai diferentes formas, manipulável pelas perspectivas e visões de cada um, implacável em formar heróis e vilões que não os haja. Obviamente que The Reluctante Fundamentalist não será de todo os casos um exemplo intimamente comparável com a referida obra japonesa, mas nos serve como um ensaio algum modesto do tema, reduzindo a complicados e mortais conflitos como meros desentendimentos culturais (o que até não será mentira).

 

 

A sua teia estrutural que gerará diferentes interpretações funciona como compensação para a limitação cinematográfica The Reluctante Fundamentalist, se por um lado é um curioso exercício na análise dos confrontos fundamentalistas entre Ocidente e Oriente, por outro temos alguns buracos de lógica que interpõe a trama mais ficcional e menos filosófica da fita de Mira Nair, entre os quais bem presentes no final algo apressado. Outro ponto menos favorável é o desempenho e personagem de Kate Hudson, um elo fraco que contrasta com as eficazes prestações de Riz Ahmed e Liev Schreiber. Longe de ser um filme fundamental, este The Reluctante Fundamentalist é provável que seja das melhores obras de Mira Nair dos últimos anos. Um pleno exercício nada mais que isso.

 

Real.: Mira Nair / Int.: Riz Ahmed, Kate Hudson, Liev Schreiber, Kiefer Sutherland, Om Puri, Martin Donovan



 

6/10
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publicado por Hugo Gomes às 15:45
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O controverso filme da cineasta Kathryn Bigelow, Zero Dark Thirty (00:30 Hora Negra) será exibido no Cineclube de Joane, Famalicão, no dia 30 de Maio, pelas 21H45. Nomeado aos Óscares de Academia de 2013, incluindo as categorias de Melhor Filme e Melhor Actriz Principal (Jessica Chastain), eis um envolvente filme que nos remete à incansável busca de uma agente da CIA ao homem mais procurado, o líder da organização terrorista Al Qaeda, o infame Osama Bin Laden.

 

Para mais informação ver aqui

 

Ver Também

Zero Dark Thirty (2012)

 


publicado por Hugo Gomes às 01:50
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27.5.13

 

Vem aí a NAFF - Not A Film Festival, 1ª Mostra de curtas-metragens de Benfica, que irá exibir um leque variado de curtas-metragens, documentários e animações, no intuito de incentivar e promover novos cineastas nacionais e trabalhos do foro cinematográfico. O evento irá decorrer no Auditório Carlos Paredes a partir do dia 31 de Maio até 2 de Junho, e para além da programação própria da mostra ainda contará com uma sessão especial do filme de João Nuno Pinto, América.

 

Para mais informação ver aqui

 


publicado por Hugo Gomes às 23:59
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publicado por Hugo Gomes às 23:55
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A partir do dia 30 de Maio em exclusivo no Espaço Nimas, Lisboa, poderemos assistir o regresso do coreano realizador e argumentista Hong Sang-Soo em In Another Country, marcando três anos depois da estreia nacional de Night and Day (2008). O autor nos leva a uma viagem ilimitada ao seu país para contar a história de três mulheres (todas elas interpretada pela actriz francesa Isabelle Huppert) que viajam para um local distante a fim de fugir aos seus desgostos. Uma fita que combina comédia e romance num turbilhão de mal-entendidos e claro, choque cultural. A sessão será antecedida pela curta-metragem de Filipa Reis e João Miller Guerra, Fragmentos de uma Observação Participativa.

 


publicado por Hugo Gomes às 23:50
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27.5.13

Quando o predador se torna a presa …

 

Um dos meus receios em relação à Mostra do Cinema Judaico e da sua futura (e espero) longevidade é de uma possível ausência de diversificação de temas, muito derivado a uma cultura fragilizada pelos temores e atrocidades do Holocausto (Shoah). Mas ao ver Lore apercebo que afinal existem filões pouco explorados em paralelo com o tema do cenário de pesadelo da cultura judaica.

 

 

Depois da sua entusiasmante e aplaudida estreia como realizadora de longas-metragens no Festival de Cannes, com Sommersault (Salto Mortal) em 2004, a australiana Cate Shortland adapta uma das três histórias integradas no livro de Rachel Seiffert, que abordam a queda do regime nazi e a perseguição aos apoiantes dos ideais partilhados por Adolf Hitler. Lore (a personagem interpretada magistralmente por Saskia Rosendhal) é uma rapariga nazi, ingénua por natureza que se confronta com uma situação extrema. Tendo os pais detidos após a libertação da Europa pelos Aliados, Lore é a única responsável pelo bem-estar e sobrevivência dos irmãos, tentando levados para um ambiente longe da ruína do “mundo” que conhecera. Perseguidos e expostos às piores das condições, os jovens nazis encontram num refugiado judeu a única esperança de sobrevivência.

 

 

À primeira vista, Lore (o filme) soa como uma desforra, um castigo divino aos indivíduos que mesmo não tendo contribuído directamente, negligenciaram um dos tempos mais obscuros e discutidos da História da Humanidade. Contudo o resultado desta incursão algo alternativa dos territórios comuns dos filmes abordantes do Shoah se revela desde cedo num ensaio do cinema sensorial, Cate Shortland incute na narrativa planos fechados e limitados do meio ambiente, das mazelas reveladas e das sequências impetuosas que transmitem um clima de morte, podridão humana e animalidade na jornada. A realizadora é implacável nas transmissões de tais sensibilidades, a dor e a transição madura dos seus personagens (incluindo Lore) através destas expressões físicas e corporais.

 

 

Outros trunfos da nova obra de Cate Shortland é as suas opções narrativas, o espectador encontra-se no escuro, partilhando tal incógnita com a protagonista, assim sendo os factores desta jornada tornando-se intensas contraindo um impacto desejado, para tal deparamos com desempenhos frios, de teor físico que se revelam como corpos celestes para a emoção quase invisível porém contagiante. Enquanto muito assistem a fuga de um grupo de crianças nazis, outros observam o crescimento gradual, a transição da infância à maturidade, da inocência ao intrinsecamente despedaçado, tudo isto acima de qualquer espectáculo de vínculo vingativo para as personagens que todos adoram odiar.

 

 

Enfim, Lore nos explícita um outro lado do Holocausto, o início do fim da Segunda Guerra Mundial, um desfecho pouco explorado e muitas vezes ignorado por uma senso comum moralista e pouco irreverente. Não dignifica a imagem da juventude hitleriana, dos falsos educandos duma sociedade que fora considerada (erradamente) como o futuro brilhante, como também não mancha às memórias dos milhões de almas perdidas em prol de um idealismo fascista, discriminador e megalómano. Lore é cinema de sensações e raro nos dias de hoje.

 

Filme visualizado na 1ª Mostra do Cinema Judaico

 

Real.: Cate Shortland / Int.: Saskia Rosendahl, Nele Trebs, Kai-Peter Malina

 


 

Ver Também

Train de Vie (1998)

 

9/10

publicado por Hugo Gomes às 23:43
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26.5.13

 

O regresso do romeno realizador Cristian Mingui (4 Months, 3 Weeks, 2 Days) às salas portuguesas será marcado pelo intenso Beyond the Hills (Para Lá das Colinas), a adaptação cinematográfica do livro de Tatiana Niculescu Bran. Um drama sobre duas amigas de infância que reencontram passados vários anos. Alina (Cristina Flutur) regressa ao seu país após vários anos de trabalho na Alemanha pede refúgio à sua amiga, Voichita (Cosmina Stratan) agora freira num convento remoto. Porém a estadia não irá ser pacífica, porque em confronto com o sufocante clima de regressão social que se vive no convento está um passado negro de Alina, fantasmas que perseguem as duas amigas prejudicado o seu redor. Uma obra entusiasmante, com Cristian Mingui a vingar novamente no seu mise-en-scené e na convulsão de uma atmosfera pesada, envolvente e degradante. Um dos melhores filmes do ano a estrear nos nossos cinemas no dia 30 de Maio

 


publicado por Hugo Gomes às 20:36
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