31.1.13

Admito, 2012 não foi um ano perfeito, ora tivemos algumas das mais trapalhonas e excretáveis obras como tivemos a oportunidade de assistir a algumas surpreendentes obras-primas, filmes inspirados, inteligentes, belo e arrebatadores quer em termos interpretativos como técnicos que fizeram vibrar milhões de cinéfilos. Infelizmente só existe espaço para somente 10, sendo que a Cinematograficamente Falando … teve então que eleger aqueles que foram segundo este, as fitas mais marcantes de um ano pleno em estreias.

 

#10) Young Adult


 

Uma distracção da Academia o facto de não terem nomeado o desempenho da actriz Charlize Theron na nova fita de Jason Reitman, Young Adult, nos Óscares de 2012. Já vencedora de tal prémio em 2004 com Monster de Patty Jenkins consegue aqui uma interpretação no fio da navalha, a actriz presta corpo e alma a uma personagem ambígua mas com tendências de se tornar desagradável o suficiente para se odiar se não fosse o rico trabalho de Theron. Young Adult é uma comédia dramática com generosas doses de acidez que transmite a maturidade precoce em certos adultos.

 

 

#09) The Perks of Being a Wallflower




Um filme sobre adolescentes, porém abordado de forma adulta e motivadora que reúne um elenco jovem mas eficaz, entre eles; o “Percy Jackson” Logan Lerman a criar simpatia, Emily Watson a fazer-nos esquecer a sua Hermione do Harry Potter mas é em Ezra Miller que arrecada atenções na pele de um jovem homossexual assumido. Cenas icónicas como as sequências do túnel, cronicas de adolescências algo esquecidas, The Perks of Being a Wallflower de Stephen Chbosky, baseado num romance escrito pelo próprio, foi uma das maiores surpresas do ano! Para quem acredita que filmes para adolescentes não é sinonimo de pura patetice!

 

 

#08) Moneyball




Um Brad Pitt próximo do perfeito na última obra do realizador de Capote, Bennett Miller, Moneyball foi uma fita condenada desde inicio a integrar no imenso mar de estereótipos dos filmes de basebol, porém o rumo se tornou diferente. Menos coração e mais mecânica, Moneyball é um objecto profissional, inteligente e guiado por um argumento e uma realização quase sem falhas. Jonah Hill e Philip Seymour Hoffman completam o elenco.

 

 

#07) Skyfall




Se Casino Royale de Martin Campbell inovou e definiu o 007 para a nova geração, Skyfall de Sam Mendes é o auge dessa formatação. Daniel Craig veste a pele do famoso agente secreto ao serviço de sua majestade, James Bond, numa das missões mais arriscadas e pessoais da sua carreira. Estamos perante numa plena obra de acção que incute o espirito do “velhinho” personagem de Ian Fleming como também destorce o mito e recria um herói com falhas e traumas. Um vilão impressionante, Javier Bardem, e Judi Dench invicta, Skyfall ficará na memória, nem que seja pelo crédito inicial composto pela música de grande êxito de Adele.


 

#06) Millennium 1: The Girl with the Dragon Tattoo




Não foi o êxito esperado de David Fincher, nem a sua condição de remake do êxito sueco favoreceu, porém Millennium 1 é tão atmosférico e intenso que os seus antecessores. Um thriller negro que invoca certo neo-noir, onde o autor de Fight Club e Se7en injecta as suas doses de elegância e frieza. Uma obra com tudo no sítio e com Rooney Mara em grande plano (mesmo que não supere Noomi Rapace).

 

 

#05) Hugo




Martin Scorsese abandona os gangsters, as suas personagens scorseanas e a violência citadina para dar lugar a uma aventura para ser apreciada por toda a família. Hugo para além de mais consegue ter o dom de invocar o verdadeiro espirito do cinema, homenageando não só a sétima arte no geral mas como também um dos mestres mais esquecidos e porém incontornáveis, Georges Méliès, reencarnado com classe por Sir. Ben Kingsley. Uma obra tocante!

 

 

#04) Polissia




O cinema pode-nos levar a mundos nunca vistos, a época apenas imaginadas e a situações difíceis de acreditar, mas esta arte também pode ser servida como uma janela a um mundo realista, credível, uma mimetização na vida real, o nosso mundo. Baseados em casos reais da Brigada de Menores Francesa, Polissia de Maïwenn é um filme-documentário que nos impressiona e ainda mais, nos acolhe para uma comunidade cheio de vivências e emoções á flor-da-pele. Interpretações soberbas e personagens complexas que nos deixam ainda mais vontade de conhece-las. Soberbo!

 

 

#03) Amour




Quando se ama realmente alguém, difícil é mesmo separar dessa pessoa, agora imaginem vê-la morrendo nos nossos braços de um forma decadente e gradual. Demência, solidão, amor eterno, Michael Haneke, o perfeccionista cineasta austríaco, deixa de lado os seus thrillers de climas pesados e aventura-se numa das maiores declarações de amor que o cinema já presenciou. A dor de assistir á morte dos nossos entes mais queridos em frente dos nossos olhos é algo insuportável, benéfico com a realização poderosa de Haneke que transmite um peso quase intolerável.

 

 

#02) Holy Motors




O ano 2012 foi um ano fantástico em termos de referências cinematográficas, filmes que prestaram homenagem á arte em si. A começar pelo cinema mudo em The Artist, Martin Scorsese num tributo a um dos pais dos efeitos especiais cinematográficos em Hugo, Spielberg em modo de auto-referencia em War Horse e agora Leos Carax com Holy Motors, o derradeiro memorial dos diferentes estilos e géneros da sétima arte. Um actor camaleónico, Dennis Lavant, a estrela de um filme tão distinto e único que é capaz de deixar qualquer um contagiado. Diversificado e dinâmico!

 

 

#01) The Artist




Já que falamos em homenagens, o cinema mudo é servido de desculpa para ecoar esta autentica prova de amor por esta arte amada por milhões. The Artist de Michel Hazanavicius não incute um argumento complexo ou inteligentemente bem escrito, é básico, admito, mas em contrapartida é encantador, transpira vida nos seus mais ínfimos poros e a transmite através dos métodos mais primórdios do cinema. Foi a consagração do artista Jean Dujardin, um dos actores mais expressivos dos tempos actuais, vencedor do Óscar de Melhor Actor. Deslumbrante retrato da evolução da minha “mais que tudo” paixão.

 

 

 

Menções honrosas – Cave of Forgotten Dreams, Take Shelter, Enter the Void, A Torinói Ló, Margin Call, Detachment

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publicado por Hugo Gomes às 23:55
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31.1.13

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publicado por Hugo Gomes às 08:17
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30.1.13

MELHOR FOTOGRAFIA

 

Claudio Miranda (Life of Pi)

 


 

“Confirma-se que Life of Pi é inspirador e terrivelmente belo, uma fantasia motivadora que se destaque sobretudo pelos seus valores técnico, desde o sonoro ao visual.”

 

Robert Richardson (Hugo)         

Janusz Kaminski (War Horse)  

 

 

MELHORES EFEITOS VISUAIS

 

Life Of Pi, Ang Lee

 


 

“ (…) os efeitos visuais são incríveis na reprodução do vasto oceano e dos animais transpostos que dificilmente consegue-se distinguir do real do digital (…)”

 

The Hobbit: A Unexpected Journey, Peter Jackson

John Carter, Andrew Stanton

 

 

MELHOR BANDA SONORA

 

Hans Zimmer (The Dark Knight Rises)

 


 

“Já que falamos de épico, não poderíamos deixar de referir Hans Zimmer que já um habitual colaborador de Christopher Nolan principalmente nesta trilogia do O Cavaleiro das Trevas, cuja sua composta banda sonora transcreve a fita para um lado mais ambicioso, tornando-o um mimo técnico invejável.”

 

Thomas Newman (Skyfall)

Mychael Danna (Life of Pi)

 

 

MELHOR BLOCKBUSTER

 

The Hobbit: A Unexpected Journey, Peter Jackson

 

 

“ (…) Peter Jackson desperdiça aqui um grande filme para dar lugar a uma excelente aventura no fantástico mundo de Tolkien.”

 

The Amazing Spider-Man, Marc Webb

The Dark Knight Rises, Christopher Nolan

 

 

MELHOR SEQUENCIA DE ACÇÂO

 

Na caverna dos goblins, The Hobbit: A Unexpected Journey

 

 

“(…) sem contar com as sequências de acção mais dinâmicas e menos rudimentares.”

 

Spider-Man vs Lizard, The Amazing Spider-Man

O Inicio de Skyfall

 

 

MELHOR PERSONAGEM

 

Ted (voz de Seth MacFarlane / Ted, Seth MacFarlane)

 


 

“(…)Ted consegue conter um deliciosa metáfora.”

 

Richard Parker (Life of Pi, Ang Lee)

Ravenna (Charlize Theron / Snow White & The Huntsman, Rupert Sanders)

 

 

MELHOR SURPRESA

 

Skyfall, Sam Mendes

 


 

“Surpresas esperam neste Bond revisitado e transformado, o qual arrisco-me a afirmar estarmos perante no mais perfeito e emocionante filme de 007 até á data. Para ser relembrado. “

 

Dredd, Peter Travis

Wreck-It Ralph, Rich Moore

 

 

MOMENTO DO ANO

 

Enigmas na Caverna (The Hobbit: An Unexpected Journey)

 


 

“(…) Gollum, criatura computorizada e gerada por motion-caption através de Andy Serkis, que em “confronto” com o novo Bilbo Baggins (Martin Freeman) conseguem reproduzir a cena mestra de todo o filme, a abertura oficial do espirito de The Lord of the Rings.”

 

O túnel (The Perks of Being a Wallflower)

No museu de arte (Skyfall)

 

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 23:08
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publicado por Hugo Gomes às 19:19
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28.1.13

 

Real.: Woody Allen / Int.: Woody Allen, Ellen Page, Penelope Cruz

 

Filme – Desta vez o realizador / argumentista viaja para a cidade eternal, Roma, para nos oferecer algumas das suas histórias mais caricatas e sim … o regresso do próprio aos papéis de interpretação. Quem gosta do seu estilo, certamente To Rome With Love é um filme indispensável! Com Ellen Page, Jesse Einseberg, Alec Baldwin, Roberto Benigni e a exuberante Penélope Cruz.

 

AUDIO

Inglês Dolby Digital 5.1

 

LEGENDAS
Português

 

Distribuidora – Zon Lusomundo, SA


 

Ver Também

To Rome With Love (2012)

 

FILME –

DVD -

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publicado por Hugo Gomes às 22:51
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O fim abate sobre nós!

 

Turim, 3 de Janeiro de 1889, decorre um dos episódios mais marcantes e lendários da vida do filósofo alemão Friedrich Nietzsche. Tudo começa quando este defende um cavalo em vais de ser espancando pelo seu próprio dono no meio da rua, tal acto faz com que Nietzsche seja visto como um louco por entre a comunidade, em consequência disso o filosófico ficou acamado e não falou mais durante 11 anos, até á sua morte. Porém a questão abordado nesta nova fita de Béla Tarr (com co-realização de Ágnes Hranitzky), e segundo este o fim da sua carreira, o que terá sucedido com o cavalo?

 

 

A Torinói Ló (O Cavalo de Turim) não se fica por uma biografia ou por uma simples obra de ficção, nada disso. Primeiro de tudo e confesso que ver um filme do cineasta húngaro Béla Tarr, não é tarefa fácil, algo exaustivo perante tanta invocação de tempo real e como no caso desta sua nova obra, a repetição dos actos dos actores que formam uma rotina em vias de ser quebrada. Tarr compõe aqui um castigo digno de Nietzsche, o fim do rural e a iminente calamidade apocalíptica que se faz adivinhar mas nunca de concreto soam como mensagens divinas de um Deus vingador e cruel, uma das suas pragas assim por dizer.

 

 

A visualização de A Torinói Ló é desconcertante, sem um veio de esperança nem crenças nos peões de Béla Tarr, transmitindo um círculo rotineiro onde o espectador segue de perto, ficando até mesmo contagiado com tal fórmula ramerraneira. A fotografia e até mesmo a banda sonora transmitem tal repetição, o efeito do espectáculo leva-nos á decadência. Como já havia dito, Béla Tarr o anunciou como o “the end” da sua obra, culpando dos esforços e a criatividade que depositou neste onde exaustou por completo o autor. Todavia não existe nada mais poético e metafórico que assistir ao fim de um cineasta enquanto activo com um filme que por si dita um fim de uma era.

 

 

A Torinói Ló foi a primeira obra do autor a receber uma distribuição comercial no nosso país, o resto dela apenas conhecida através de lançamentos de direct-to-video ou circuitos cinéfilos da cinemateca. Foi o vencedor do Urso de Prata na edição de 2011 do Festival de Berlim, O Cavalo de Turim é uma obra de arte que nos deixará desconcertados perante tal destino. Intenso e devastador como poucos.  

 

Real.: Béla Tarr, Ágnes Hranitzky / Int.: Erika Bók, János Derzsi, Mihály Kormos

 

 

9/10
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publicado por Hugo Gomes às 18:47
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A obra-prima de 1960 de Alfred Hithcock, um dos filmes mais importantes da Historia do cinema e do género do thriller vai voltar a ser exibido nas salas de cinema do nosso país a partir do dia 14 de Fevereiro. È favor marcar na agenda!

 


publicado por Hugo Gomes às 15:54
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Argo, o terceiro trabalho de realização de Ben Affleck, triunfou ontem nos PGA (Producers Guild of America), um sindicato que integra mais de 4000 produtores e sempre tem sido um bom indicador do Óscar de Melhor Filme. Enquanto isso Wreck-It Ralph, a grande aposta da Disney, venceu na categoria de Melhor Filme Animado.

 


publicado por Hugo Gomes às 15:38
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Depois de Yella (2007) e Jerichow (2008), a actriz Nina Hoss volta á sua colaboração (a quinta) com o autor alemão Christian Petzold em Barbara. A actriz desempenha a personagem homónima, uma doutora de um grande hospital na Alemanha do Este em pleno anos 80 que após ter solicitado autorização para sair do país é transferida para um hospital de província como castigo. Um retrato de um país intolerante e de um regime fascista e autoritário. Barbara esteve presente na 62ª edição do Festival de Berlim e venceu o Urso de Prata e o Prémio de Júri. Com estreia para o nosso país esta semana, dia 31 de Janeiro.

 


publicado por Hugo Gomes às 09:51
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E finalmente encontro-me na etapa final para revelar os 10 melhores filmes de 2012 segundo Cinematograficamente Falando …, mas primeiro de tudo irei desvendar-vos aqueles que foram os melhores nas diferentes categorias, operação habitual aqui no meu estaminé. Desde as actuações á parte técnica, todos merecem destaque e louvores pelo rico trabalho que obtiveram num ano pleno de obras que certamente irão constatar na Historia do Cinema.

 

MELHOR ACTOR PRINCIPAL


Michael Shannon (Take Shelter)




“A sua prestação é poderosa e o actor consegue invocar na perfeição o desequilíbrio psicológico requerido e tal se confirma com as proximidades finais onde a personagem terá o seu maior desafio”

 

Denis Lavant (Holy Motors)

Brad Pitt (Moneyball)


 

MELHOR ACTRIZ PRINCIPAL


Meryl Streep (The Iron lady)




“Streep conseguiu o seu terceiro Óscar de interpretação na pele da política conservacionista, num desempenho que dividiu opinião, por um lado aclamam um dos melhores (se não o melhor) desempenhos da actriz e outros que acusavam-na de ser histérica e caricatural. A actriz consegue ter, a meu ver, uma das prestações destaque da sua carreira, conseguindo de uma forma avassaladora camuflar no papel da Margaret Tchatcher, cujo seu mandato também ele discutível, marcou para sempre o Reino Unido, as suas decisões ainda hoje prevalecem nas memórias dos seus cidadãos.”

 

Michelle Williams (My Week with Marilyn)

Charlize Theron (Young Adult)

 


MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO


Nick Nolte (Warrior)




“Todavia o que de monótono podemos encontrar na nova fita de Gavin O’Hood é compensada por um profissionalismo de rigor que vão desde os actores (Nick Nolte a demonstrar que a nomeação ao Óscar não é em vão) (…)”

 

Max Von Sydow (Extremely Loud & Incredibly Close)

Alan Arkin (Argo)


 

MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA


Charlize Theron (Snow White & The Hunstman)




“A actriz galardoada com o Óscar de Melhor Actriz pela sua representação em Monster de Patty Jenkins (2003), tem aqui um desempenho hipnotizante, arrepiante e reluzente na pele da Rainha Má, ou neste caso, Ravenna. Ela interpreta a vilã com uma angústia vil, ao mesmo tempo que atribui uma certa figuração de tragedia na mal-amada monarca. Ela é a alma da fita de Rupert Sanders, o motivo para que esta fantasia presunçosa funcione, chego mesmo a arriscar que Charlize Theron tem aqui um dos melhores desempenhos da sua carreira e talvez do ano, uma vilã que poderá ficar na posteridade como um das mais assustadoras bruxas alguma vez transportadas para o cinema, bem pode protagonizar os meus maiores pesadelos.”

 

Jessica Chastain (Take Shelter)

Sami Gayle (Detachment)


 

MELHOR REALIZADOR


Leo Carax (Holy Motors)




“Holy Motors englobe muitas variantes, muitos requintes e muitos géneros, tornando-o quase inclassificável dentro do seio cinematográfico, um OVNI assim por dizer, Leos Carax se comporta como um visionário, um homem expressivo e distinto no seu amor por esta diversificada arte. Singela e pura paixão que nos traça algo nunca visto e rico.”

 

Michael Haneke (Amour)

Michel Hazanavicius (The Artist)


 

MELHOR ARGUMENTO


Wes Anderson, Roman Coppola (Moonrise Kingdom)




“Original, criativo e inteligente, Moonrise Kingdom chega mesmo á alma das primeiras paixões juvenis e a conduz para um mundo impar de puro fascismo.”

 

Phil Johnston, Jennifer Lee (Wreck-It Ralph)

Leos Carax (Holy Motors)



 

Continua …

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publicado por Hugo Gomes às 00:50
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27.1.13

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publicado por Hugo Gomes às 20:10
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Por entre tanta coisa boa que estreou em 2012 no nosso país em contraste existiu objectos que me fizeram sair do cinema em tom de revolta. São obras prensadas, mal elaboradas que resultaram em filme que nunca deveriam ter visto a luz do dia. O 10 piores filmes de 2012 segundo Cinematograficamente Falando …


 

#10) (REC) 3 Genesis




O que se passou aqui? Isto tem algo a ver com revelação do terror found footage de 2007, o espanhol (REC)? Desculpado como o início desse êxito de Jaume Balagueró e Paco Plaza, desta vez só contém o ultimo na cadeira de realizador, este Génesis é algo intolerável quer para a saga quer para o terror em geral, contraindo um tom de segunda de Sam Raimi e um abandono por completo do mockumentario e found footage, este foi certamente das fitas mais decepcionantes do ano. Ver critica

 

 

#09) Silent Hill: Revelations 3D




Um dos videojogos mais assustadores e célebres recebeu em 2006 pelas mãos de Christopher Gans um tratamento visual bastante interessante, infelizmente houve quem tive a ideia de produzir uma sequela. Aproveitando a onda do 3D, Silent Hill: Revelations é uma obra de má escola, vulgar, trapalhão e com alguns dos piores diálogos do ano 2012. Terror é inexistente e o visual já não deslumbra. Fiasco! Ver critica

 

 

#08) Cold Light of Day




Um básico filme de acção com os mesmos códigos da saga Bourne e de Taken, mas sem o carisma nem a versatilidade nenhum dos dois. Henry Cavill, o futuro Superman na versão de Zack Snyder, não tem estofo para herói e Sigourney Weaver como vilão não deixa marca, por fim Bruce Willis, o eterno die-hard num papel tão inútil quanto á sua presença. Cansativo, mal executado e com um argumento desinspirado é a ordem do dia! Ver critica

 

 

#07) House at the End of the Street




A história e tão reduzida que até parece brincadeira e o ritmo que até se encontrava óptimo é reduzido aos meros clichés e á previsibilidade de primeira. Poderia realmente ser o pior filme do ano, mas Jennifer Lawrence faz uma “forçazita” para levantar a moral deste pseudo-terror. Ver critica

 

 

#06) The Devil Inside




A “coisa” até estava a correr bem, mas tinha de terminar com um dos piores finais cliffhanger que há memória e direccionado o publico irado a aceder a um site de internet. The Devil Inside não só é uma obra ingrata e verdadeiramente oportunista, como também marca a banalidade que atingiu o estilo mockumentario found footage. Ver critica

 

 

#05) One for the Money




Comédia romântica com pitadinha de acção sobre caçadores de recompensas em plena actualidade. A sério, não tínhamos visto algo parecido em 2010 com Gerard Butler e Jennifer Aniston? Já esse filme não era grande “espingarda”, mas pelos vistos esta versão baseado num homónimo livro e com Katherine Heigl no principal papel, muito menos. Ver critica

 

 

#04) Paranormal Activity 4




Já tínhamos criticado o filme The Devil Inside por colocar o estilo found footage na “asas da banalidade”, mas com o quarto filme de um saga de terror que promete seguir os mesmos passos de Saw em original, tal se confirma a previsibilidade do género. Paranormal Activity 4 para além de tudo é chato, ausente de sustos e de um clima de medo, tudo arquitectado para um final esboçado às três pancadas em jeito de twist final. Não vale a pena! Ver critica

 

 

#03) The Twilight Saga: The Breaking Dawn Part 2




Velhos tempos de Lost Boys, ao menos tinha vampiros carnívoros e luxuriosos, agora temos uma geração ditada por isto. Não quero aprofundar muito sobre este último capítulo e sim, o pior de uma saga oportunista feita através de ícones de adolescentes sem um pingo de talento e com mensagens subliminares que coram qualquer um. Romance, isto? Nem sonhos! Ver critica

 

 

#02) Piranha 3DD




O primeiro ainda tinha a sua piada, um humor trash tresloucado, este segundo que já não conta com Alexandre Aja como realizador é uma brincadeira de mau gosto que deixaria corado até mesmo Uwe Boll. Tanta estupidez que nem o santo espectador aguenta, ao menos tem David Hasselhoff de volta á sua autoparódia.

 

 

#01) Jack and Jill




O problema não está em Adam Sandler a fazer um duplo papel ao estilo de Ed Wood em Glenn / Glenda ou sequer as piadas de mau gosto e sem um pingo de graça. Nem sequer o argumento horrendo e tudo envolto, não, o mais chocante deste filme que nunca deveria ter sido produzido é ver um actor como Al Pacino a participar nele, o pior é que tem realmente um desempenho a esquecer a todo o custo. Ó homem! O que é que passou pela tua cabeça? Ver critica

 

Menções desonrosas: Chernobyl Diaries, Battleship, Resident Evil: Retribution, Wrath of Titans, The Darkest Hour


Outras categorias

Pior Actor – Adam Sandler (Jack and Jill)

Pior Actriz – Rihanna (Battleship)

Pior Realizador – Dennis Dugan (Jack and Jill)

Pior Argumento – Paul W.S. Anderson (Resident Evil: Retribution)

Piores Efeitos Visuais – Piranha 3DD

Pior Desculpa para uma Sequela – Taken 2 / Paranormal Activity 4

 

Desilusões: Prometheus, The Dark Knight Rises, The Bourne Legacy, Cloud Atlas, Anna Karenina

 

E para o leitor quais são os piores filmes do ano? 

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publicado por Hugo Gomes às 19:12
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Aos “invisíveis”!


São poucos os filmes dos dias de hoje que tão bom invocam o ambiente das primeiras paixões (ou “crushs” como os americanos gostam de apelidar) e ainda são menos aqueles que conseguem representar no grande ecrã as personagens adolescente, ao invés de transmiti-la através de clichés, estereótipos ou alavancas de hormonas, como é o caso de American Pie, e outros afins. Sem cair em batalhas de popularidades, bailes de finalistas e entre outros lugares-comuns dos chamados filmes teen, toda a gente sabe que a adolescência é uma fase de revelações, da procura da identidades, dos primeiros amores, das primeiras resoluções de ideias e redefinição do próprio ser, porém sabemos que ser adolescente é difícil, é incompreensível e acima de tudo peões de uma época ingrata. Em 2008 estreou entre nós o interessante The Wackness de Jonathan Levine, que apesar de ter passado ao lado do seu público-alvo, a fita protagonizada por Josh Peck e com um insólito Ben Kingsley, desvendava as primeiras desilusões amorosas porém afastando de qualquer ambiente liceal e assim os seus estereótipos.

 

 

Contudo feita de uma essência completamente diferente e de um tom menos alucinado, The Perks of Being a Wallflower de Stephen Chbosky não irá certamente atingir as audiências direccionadas, mas para os poucos que viram encontrarão sobretudo um hino á adolescência de uma forma fragilizada e tal como muitos jovens, desajeitado mas vivos. Baseado num romance de 1999 escrito pelo próprio realizador, As Vantagens de Ser Invisível (titulo traduzido) nos remete á história de Charlie (Logan Lerman), um jovem de difícil adaptação, sem amigos e com um passado que o sempre atormenta, conhece um grupo de miúdos punk-gótico e consegue estabelecer uma amizade que o transformará numa pessoa mais confiante. Dentro desse círculo de amigos encontramos o homossexual Patrick (Ezra Miller) e a sua meia-irmã Sam (Emily Watson), o qual segundo estes formam os “subestimados”.

 

 

Até certo ponto The Perks of Being a Wallflower desenvolve como qualquer obra “teen” de pedigree independente, mas tudo modifica quando chegamos a uma das emblemáticas cenas da fita, o trio principal ouve Heroes de David Bowie e questionam que musica estão a ouvir, enquanto isso atravessam um túnel na sua carrinha. Desde cedo a fita de The Perks of Being a Wallflower adquire um misticismo que o persegue, todavia não vive desse termo “the tunnel song” mas sim da evolução dos seus personagens, principalmente a adaptação de Charlie, naquilo que poderia se tornar em algo irritante e merecido de pena se torna num foco de interesse. A personagem de Logan Lerman começa a surpreender, transfigura de forma carismática. Somos então levados a alguns dos conceitos básicos de relações entre jovens, que vai desde o sexo, passando pela confiança até á dita paixão juvenil, mas Stephen Chbosky é delicado nos temas, é conhecedor da interactividade entre eles e acima de tudo é adulto, mesmo retratando situações de personagens que não o são. É que o autor conhece através de um grupo de gente ainda com acne e problema hormonais, filosofias de vida que não apenas emocionarão o espectador como também o remeterá aos pequenos fragmentos da sua juventude e ao desejo de continuar sob este plano.

 

 

The Perks of Being a Wallflower é tocante e sensível e as performances dos jovens actores são de igual adjectivo, Emily Watson parece fazer esquecer da sua Hermione na milionária saga de Harry Potter e Ezra Miller que brilhou em We Need To Talk About Kevin de Lynne Ramsay é um achado nesta fita (a Academia esqueceu dele). Uma fantástica obra de foro adolescente que culmina todos os ingredientes deste universo, mas tem a singularidade de se tornar algo distinto e descrito com a maturidade que muitos não possuem. O final é esplendido e motivador, que pena não exista tantos filmes assim.

 

Right now we are alive and in this moment I swear we are infinite.”

 

Real.: Stephen Chbosky / Int.: Logan Lerman, Ezra Miller, Emma Watson, Dylan McDermott, Paul Rudd



 

9/10
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publicado por Hugo Gomes às 16:44
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26.1.13

Não vás para Silent Hill, dizem eles e com razão!

 

Para qualquer apreciador de videojogos, Silent Hill é um must dos chamados survival games do mesmo estilo de Resident Evil. No cinema e sabendo que o subgénero da adaptação de videojogos ainda algo infame, a versão cinematográfica de Silent Hill em 2006 e dirigido por Christopher Gans tinha as suas falhas mas valia sobretudo como uma obra visualmente vibrante e a certos momentos arrepiantes. Agora surge-nos uma sequela que nos remete a Michael J. Bassett, o homem por detrás do razoavelmente divertido Solomon Kane (2008), a dar a sua visão deste tenebroso mundo do legado de videojogo, o resultado fica-se pela pura trapalhada narrativa.

 

 

Revelations é como era de esperar ficou bastante abaixo do original, apostando num terror passageiro acompanhado por cenários e sequencias que para além de arrepiar do previsível que são ainda vagueiam pelos lugares-comuns do género. Os personagens são baços, difíceis de simpatizar, alguns deles são meros peões de jogo com pouco para oferecer (que patético está Malcolm McDowell) e a interactividade entre eles é algo irritantemente irrealista. O 3D, um mero atractivo para o êxito do filme, não o valoriza mas o torna comercialmente comum e oportunista, sendo que da tecnologia pouco ou nada aproveita-se. Silent Hill: Revelations não possui a dinâmica da versão de 2006, nem sequer um argumento decente que possa atrair o espectador para além do mero “espectáculo” de terror de videoclube.

 

 

A verdade é que mesmo de início, a fita já dava motivos para não depositar crenças, o mesmo se podia dizer de Sean Bean num desempenho muito, mas muito abaixo daquilo que esperamos dele. Acredita-se num terceiro tomo, mas a contar pelo resultado deste desajeitado, mais valem estar quietos, isso ou da próxima vez lança-lo directamente para vídeo, porque coisas ruins os nossos cinemas já se encontram cheios.   

 

“Promise me you'll never go to Silent Hill.”

 

Real.: Michael J. Bassett / Int.: Adelaide Clemens, Kit Harington, Sean Bean, Carrie-Anne Moss, Malcolm McDowell, Radha Mitchell, Deborah Kara Unger



 

Ver também

Silent Hill (2006)

 

3/10
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publicado por Hugo Gomes às 23:46
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Um clássico sob nova capa!

 

Baseado num clássico literário de Tolstoy, cujos russos consideram um dos seus monumentos, publicado entre 1875 e 1877 numa revista bastante influente da época denominada de “The Russian Messenger”, Anna Karenina, a terceira colaboração do realizador Joe Wright e da actriz Keira Knightley (Pride and Prejudice, Atonement), resultou numa adaptação com notável singularidade face às inúmeras versões.

 

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A história de uma nobre aristocrata de uma Rússia czarista, bem casada que comete o adultério com um  sedutor conde, originou aqui num teatro vivo de dinamismo cénico remetido graças a um conjunto de trabalhados cenários multidimensionais. Wright tentou recriar a experiência da leitura, aquele folhear de páginas em sintonia com o uso da nossa imaginação, no ecrã empreendido por uma orquestra visual prendida sob personagens mecânicas que se movem ao sabor da narrativa. Este exemplo de ousadia poderá ser visto como um "primo" da realização meticulosa de um Russian Ark, de Aleksandr Sokurov, mas existem aqui mais contras que prós. Porque simplesmente não basta trabalhar o visual, há que consolida-lo com as ênfases dramáticas e a composição das suas personagens.

 

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Pois bem, eis uma temática interessante por parte do realizador em descrever a nova versão de Anna Karenina, porém, por mais cuidadoso e tecnicamente delicado que seja, Wright não consegue levar a sua ideia de palco de teatro até ao fim, o que o determina com um estilo desequilibrado que chega a confundir com o próprio espectador sobre a experimentalidade da fita. Um épico romântico que é descalcificado, ausente de alma e sob uma entidade do clássico literário, sentimos estabelecer por um drama dignamente hollywoodesco, algo vazio que se perde pelo seu visual como também pelo seu argumento que não devolve profundidade no respectivo caso amoroso, nem sequer as historias secundarias que cruzam. É que para além do trio tragicamente amoroso, tudo o resto torna-se insignificante e sem utilidade, apenas inserido na narrativa somente para o uso moral ou preenchimento cénico e de reconstituição de época. 

 

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Felizmente, o que compensa nisto tudo, é que Joe Wright para além de ser um excelente director cénico e na coordenação das suas câmaras, é também um homem com um notável gosto de trabalhar com os seus actores, arrancando deles desempenhos vivos, apesar de alguns destes serem dissipados pelos tiques técnicos elaborados. Contudo, é sempre bom ver uma Keira Knightley cada vez mais digna de desempenhar papeis mais maduros e Aaron Taylor-Johnson a abandonar a figura de menino. Jude Law por outro lado é o actor mais confiante, não exageradamente dramático que consegue criar uma personagem que curiosamente simpatiza com o público.

 

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A verdade é que Anna Karenina tinha tudo para funcionar como um novo horizonte do romance, talvez uma inspiração para um novo tratamento para os velhos clássicos de sempre. Mas enfim tudo acaba por ceder ao mero espectáculo visual, onde a narrativa e o drama é absorvido por estes termos. Decepcionante! Eis, apesar de tudo, a obra menor de Joe Wright!

 

Anna isn't a criminal, but she broke the rules!”

 

Real.: Joe Wright / Int.: Keira Knightley, Jude Law, Aaron Taylor-Johnson, Kelly Macdonald, Matthew Macfadyen, Olivia Williams, Domhnall Gleeson, Emily Watson

 

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5/10
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publicado por Hugo Gomes às 20:50
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Estado (dese)Unidos da América!

 

Eis um conto de gangsters decorrido entre a entrega de poder de George W. Bush a Barack Obama, recriando ventos de mudança de um país diversificado porém ausente nas diferentes partes, onde Andrew Dominik volta a trabalhar com o actor Brad Pitt, cinco anos após o neo-western de longa duração The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford. No filme de 2007 o autor parecia mimetizar o estilo de Terence Malick e utilizando os cenários como também os longos planos como ingredientes benéficos á própria narrativa, em Killing Them Softly (não confundir com a musica original de Roberta Flecka) invoca David Mamet para estabelecer um vulgar filme sobre o crime organizado com um severo olhar politico pelo estado actual dos EUA.

 

 

Pitt veste a pele de Jackie Cogan, um homem de serviço contratado para descobrir e executar os responsáveis por um assalto aos cofres de um jogo organizado por mafiosos. Jackie é nomeadamente um dita personagem mametiana, um anti-herói que percorre o lado negro e oculto da noite com uma visão acida e irónica para com o seu trabalho e todo os adereços envoltos, um cronista das ruas. Brad Pitt é soberbo neste papel, o seu charme e talento natural transmite no próprio carisma que emite mesmo que a sua personagem não possui qualquer pingo de empatia para com o espectador.

 

 

Andrew Dominik também beneficia um elenco secundário de excelentes actores norte-americano que vai desde Richard Jenkins a um brutal James Gandolfini, passando pelo grande regresso aos grandes desempenhos de Ray Liotta que invoca a boa forma de Goodfellas de Martin Scorsese (como também é protagonista de alguma das sequencias mais sangrentas e arrepiantes da fita). Killing Them Softly ainda conta com excelentes desempenhos de Scoot McNairy (Monsters) e Ben Mendelsohn (The Dark Knight Rises) que compõem a dupla de assaltantes que cedo cedem á simples figuras de mártires. Aliás tal como representativo retrato dos EUA, a fita encontra-se amontoada de mártires que levam a uma visão cronista e ácida do autor para com um país hipócrita e incorrigível.

 

 

Andrew Dominik é porém um excelente director de cenas, o que resulta em sequências mórbidas que para além de credíveis transmitem a ferocidade do tiroteio ou do espancamento, para além o cineasta é crente nos planos enquadrados e na versatilidade dos ângulos. Killing Them Softly (Mata-os Suavemente) é tal como o título indica, envolve-nos lentamente, não chega a “explodir”, mas conclui como uma obra cirúrgica, interessante, atmosférica com excelentes desempenhos. Não é o filme de gangsters que será referenciado nos próximos anos, talvez por possuir um argumento demasiado “suave”, mas mesmo assim é um quadro de um país cujo lema é cada um por si. David Mamet deve estar orgulhoso!

 

“America is not a country it's a business”

 

Real.: Andrew Dominik / Int.: Brad Pitt, Scoot McNairy, Ben Mendelsohn, James Gandolfini, Ray Liotta, Richard Jenkins



 

8/10
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publicado por Hugo Gomes às 17:39
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Um Ano de Star Wars visto pela Disney

 

Uma das notícias mais badaladas do cinema do ano 2012 foi a revelação da venda da LucasFilms à Disney. A empresa de produção cinematográfica anteriormente gerida por George Lucas se junta ao novo catálogo da Casa do Mickey depois de comprada a Marvel Studios, em termos miúdos, a Disney acaba de adquirir os direitos da saga bilionária Star Wars e com o feito anunciou aos fãs a produção de uma nova trilogia, sendo o primeiro filme agendado para o Verão de 2015.

 

 

 

Um Ano de Tragédia

 

A estreia do terceiro e último filme da trilogia de Christopher Nolan, The Dark Knight Rises, não ficou somente nas manchetes pelo seu enorme sucesso ou pela legião de fãs que o seguiu, infelizmente Batman correu mundo pelas mais tristes razões. Numa pequena localidade de Denver, Colorado (EUA), durante a estreia do tão aguardado blockbuster, James Holmes de 25 anos entra numa sala de projecção atira um engelho de fumo e começa a disparar sobre o público, o resultado foi 12 mortos e cerca de 40 feridos. Não apenas os EUA como também o resto do mundo encontrou-se de luto perante tão mórbido acto. As semanas que seguiram, registou-se algumas das maiores quebras de bilheteira no Norte da América, segundo os especialistas do ramo o pânico instalou-se sobre o público que começou mesmo a recear as próprias salas de cinema.

 

 

 

 

Um Ano de Despedidas

 

A vida é feita de despedidas, mesmo que o cinema consiga de certa forma eterniza-las para todo o sempre. Lendas vivas deram o último adeus a uma comunidade, ao mundo geral, como foi o caso de Sylvia Kristel, a eterna pioneira do cinema erótico com a sua personagem Emmanuelle, Charles Durning, um dos mais amados actores da sua geração também partiu. A diva da música, Whitney Houston, que também participou em inúmeros filmes e encantou milhões com a sua fabulosa voz não conseguiu despediu propriamente do seu público mas irá deixar saudades. O jovem Johnny Lewis nem sequer teve tempo demonstrar o seu grande valor como actor. Realizadores que encaminharam milhões de espectadores às salas de cinemas como Tony Scott e Nora Ephron não conseguiram cumprir o seu derradeiro filme de despedida e o carismático actor Michael Clarke Duncan empobreceu Hollywood. No nosso país a perda também foi imensa com o desaparecimento de três grandes artistas o qual Portugal nunca conseguirá recuperar tal talento; Bernandi Sassetti, compositor de renome e de grande influência e Fernando Lopes e Paulo Rocha, dois cineastas do cinema vanguardista português. A todos desejo um descanso eterno e um muito obrigado pelas vossas existências.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 14:04
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“Western Sushi!”

 

O sádico, porém imaginativo cineasta japonês Takashi Miike recria um género tão americano que é o western num alegórico quadro pastiche. Conhecido mundialmente como a mente por detrás de Koroshiya 1 (Ichi The Killer) em 2001, onde glorifica a violência com o estilo próprio da manga, o autor recria um “eastern” e o converte num sistema onírico de inúmeras obras que ditaram a fama de que é constituída nos dias de hoje este género.

 

 

Ao som de um aspirante a Ennio Morricone, Sukiyaki Western Django é um “Fistfull Dollar” nipónico, onde nos reserva um oeste alternativo em disputa por dois grandes grupos de rebeldes em busca de ouro perdido, no seio deste eterno confronto que muitas vezes é comparado com a “Guerra das Rosas” dos ingleses, encontramos o solitário mercenário que se dá pelo nome de Django (Hideaki Ito), uma alusão figurativa ao “Homem sem Nome” que Clint Eastwood interpretou vezes sem conta em obras de Sergio Leone em companhia com o nome de uma das personagens mais conhecidas de Franco Nero em 1966, e claro Jamie Foxx agora na badalada obra-homenagem de Quentin Tarantino.



 

Sukiyaki Western Django é uma combinação de dois aromas completos distintos que estruturam uma salganhada que desafia os próprios cânones do género. Uma obra estilosa que enfim peca por falta de substancia, perdendo por entre referências, estilos e criatividade narrativa. Miike tenta mimetizar Tarantino, tornando-se barroco, exagerado, sempre referencial e conhecedor dos próprios códigos do género que homenageia, porém esquece de depositar alma num projecto tão desloucado como este.

 

 

Destaque para a participação do próprio Quentin Tarantino, foi graças ao convite de Miike que o realizador de Kill Bill e Pulp Fiction obteve a iniciativa de entrar neste mundo de pistoleiros e duelos ao por-do-sol em Django Unchained. E por falar em Django, hilariante que é o desfecho da obra do mestre nipónico com uma versão oriental da musica “main theme” da fita interpretada por Franco Nero. Enfim, Sukiyaki Western Django até tem a sua piada!

 

Real.: Takashi Miike / Int.: Hideaki Itô, Kôichi Satô, Quentin Tarantino, Kaori Momoi, Masanobu Andô



 

6/10
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publicado por Hugo Gomes às 13:25
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25.1.13

 

Depois de ter transformado Star Trek numa saga intergaláctica própria para competir com os maiores blockbusters produzidos, J.J. Abrams foi contratado para a Disney para realizar e escrever o tão aguardado sétimo capítulo de Star Wars, que se encontra agendado para o Verão de 2015. No argumento já se confirmou que estará nas mãos de Michael Arndt (Little Miss Sunshine).

 


publicado por Hugo Gomes às 23:43
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