30.10.12

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publicado por Hugo Gomes às 15:43
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O legado de Cavill?

 

Enquanto não veste a capa do mais famoso e lendário herói da DC Comics, Superman, Henry Cavill já se disfarçou de guerreiro grego ao serviço dos deuses em The Immortals de Tarsem Singh ou então corre que nem um louco por entre as ruas movimentadas e solarengas de Madrid como uma cópia deslavada de Jason Bourne se tratasse. Neste momento pavoneia-se por entre os seus atributos físicos, infelizmente nem sempre encontramos nele quaisquer indícios de carisma nem sequer de talento que poderá fazer com que o super-herói mais rápido que um relâmpago voe novamente com glória no Verão de 2013, contudo não estamos aqui para discutir se Cavill se comportará bem nesse incerto e arriscado futuro, por enquanto ele é o protagonista deixado á mercê da sua sorte com esperanças de substituir Bruce Willis no seu próprio jogo em The Cold Light of Day.

 

 

Tendo como titulo português de À Fria Luz do Dia, eis um filme de acção como tantos outros, invocando em demasia os lugares-comuns estabelecidos pelas sagas mais recentes do género, porém este é um exemplar descartável e completamente inapto, o realizador Mabrouk El Mechri que até se comportou bem no pessoal JCVD, um retrato autobiográfico da carreira do actor Jean-Claude Van Damme em 2008, não encontra motivação na sua direcção e atribuição das sequencias e do trama, ora é verdade que recentemente nunca tínhamos vistos uma perseguição de automóveis, por exemplo, dirigido com o menor dos entusiasmos.

 

 

Nem mesmo a entrada dos actores Bruce Willis, Sigourney Weaver e o francês Roschdy Zem (Indigènes, 2006) conseguem tecer alguma empatia nesta obra, reduzidos a meras personagens descartáveis, vazias e recheadas por empenhos automáticos, o resto da fita se resume a isso; dispensabilidade incutida por uma trapalhada narrativa. Confirma-se assim que Henry Cavill ainda não possui estofo para herói de acção e menos como protagonista. The Cold Light of Day se resume então num filme de acção aborrecido e plano que fazia melhor figura no circuito direct-to-video, obviamente.

 

“You're scared, and scared people holding guns in my face... that scares me.”

 

Real.: Mabrouk El Mechri / Int.: Henry Cavill, Bruce Willis, Sigoruney Weaver, Roschdy Zem

 

 

3/10
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publicado por Hugo Gomes às 15:35
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publicado por Hugo Gomes às 00:02
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29.10.12


publicado por Hugo Gomes às 23:27
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Dentro da normalidade!

 

Antes de American Beauty, eram pouco os autores que ousavam ir mais além da aparência perfeita dos subúrbios norte-americanos, porém Sam Mendes, um realizador vindo do teatro e da televisão quebra preconceitos e consegue sob um registo trágico-cómico construir uma irónica análise da anormalidade que é normalidade. Beleza Americana (titulo traduzido á letra) é a história de Lester Burnham (Kevin Spacey), um homem com os seus 40 anos que sofre uma crise de meia-idade, assim sendo revolta-se contra o seu emprego, o qual considera um poço sem fundo, a sua mulher depressiva mas profissionalmente independente (Annette Benning) e até com a sua filha (Thora Birch), uma adolescente que despreza a sua própria família. Porém Lester fica encantado com uma amiga da filha (Mena Suvari) e faz amizade com o vizinho do lado, um estranho e psicótico adolescente que trafica drogas leves. Eis a revolta do cidadão comum á rotina estabelecida pelos parametros sociais.

 

 

Dentro de uma normalidade quase perfeita, um vago sonho americano, Lester é papel principal de um teatro disfuncional de aberrações, incluindo ele próprio, onde os segredos abundam mas manter as aparências é a prioridade. Desde início e graça á narração de Kevin Spacey, ficamos a conhecer o destino da maioria das personagens nomeadamente a de Lester, mas em American Beauty o que se preza não é o desfecho mas o percurso para este. Com isso somos deslumbrados por uma incisão nos comuns costumes da sociedade suburbana, conhecendo de perto os monstros, os anjos caídos e claros os incompreendidos mas nem sempre inocentes, aliás em American Beauty nada nem ninguém encontra-se inculpada de uma farsa em vias de ser mascarada mas reduzida ao estereótipo, o quotidiano.

 

 

Sam Mendes se revela ainda num magistral e sempre delicado realizador que transforma num belíssimo argumento, porém digno do palco de um teatro num misto cinematográfico que valoriza além mais o mise en scené: nunca as discussões á mesa foram tão provocadoras nem tão acesas como as aqui representadas, nem o onirismo das fantasias de Lester são tão eróticas e ao mesmo tempo sobre um embrulho de culpa, realçadas por uma banda sonora emocionante e parceira de Thomas Newman.

 

 

Por fim não poderíamos deixar de mencionar num elenco igualmente prestável que actua sob este enredo como peixe na água; Kevin Spacey prova ser um misterioso homem que lida gradualmente com a versatilidade da sua personagem que evolve e desenvolve face á experiencia, Annette Benning, essa “senhora” actriz que arrisco a nomear como a melhor interpretação da fita, consegue criar um personagem que mesmo longe de causar empatia para com o espectador, espanta pela suas explosões emocionais como também pela naturalidade com que expõe, uma surpresa no seu campo. Por fim com ainda destacável; Mena Suvari, mais conhecida pela saga American Pie, nunca fora muito dada á interpretação, mas é perfeita no seu papel de garota “slut” e por Chris Cooper que durante o desenrolar de American Beauty parecia ser um actor desaproveitado, porém actua numa das sequências mais difíceis como também fora de nexo nesta narrativa.

 

 

American Beauty por fim, ficou nomeado para 8 Óscares, tendo vencido cinco, entre os quais o de Melhor Filme, Melhor Realizador e Melhor Actor Principal (Kevin Spacey), tendo Annette Benning perdido o de Melhor Actriz para Hilary Swank em The Boys Don’t Cry de Kimberly Peirce. Eis uma das obras incontornáveis dos anos 90. Obrigatório!

 

“Remember those posters that said, "Today is the first day of the rest of your life"? Well, that's true of every day but one - the day you die.”

 

Real.: Sam Mendes / Int.: Kevin Spacey, Annette Bening, Thora Birch, Wes Bentley, Mena Suvari, Chris Cooper, Peter Gallagher, Allison Janney

 

 

10/10
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publicado por Hugo Gomes às 18:22
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Real.: Darren Aronofsky / Int.: Ellen Burstyn, Jared Leto, Jennifer Connelly / Ano.: 2000

 

O que é? Um casal jovens apaixonados (Jared Leo, Jennifer Connely) sonha montar um negócio de drogas leves porta-a-porta, porém são surpreendidos pelas rasteiras que a vida lhes dá. Enquanto isso, Sara (Ellen Burstyn), uma viciada em televisão, ganha motivos para viver graças a uma tremenda ilusão de aparecer na dita “pequena caixa mágica”.

Porquê? Um retrato tremendamente deprimente da perseguição de sonhos e da decomposição humana perante a constante ilusão. Após ter impressionado os críticos com Pi (1998), uma alusão ao estilo primórdio de David Lynch, Darren Aronofsky consegue remeter um drama implacável, poderoso e intrinsecamente triste, além disso consegue tirar proveito de fantasmagóricas interpretações do seu elenco, principalmente de Ellen Burstyn, que apresenta aqui o papel da sua vida.

Alternativas: a década de 2000 foi bastante promissora para o autor Darren Aronofsky, que demonstrou gradualmente o seu talento como também profissionalismo. Cada vez mais é um cineasta com um nome a reter na indústria cinematográfica norte-americana. Entre elas estão The Fountain (2007), uma obra metafisica do amor eterno contado por três narrativas temporais distintas com Hugh Jackman, Rachel Weisz e novamente Ellen Burstyn no elenco, e The Wrestler (2008) que brindou com a ressurreição do actor Mickey Rourke num papel que ficou distinto com uma nomeação ao Óscar, ambos são dois filmes singulares e talvez obras-primas de um cinema moderno, uma confirmação de um futuro consagrado autor.

 

Ver também

The Wrestler (2008)

 


publicado por Hugo Gomes às 02:45
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28.10.12
28.10.12

Um filme morno dentro de um género maldito!

 

Para um filme infestado de tubarões e Halle Berry a pavonear-se de biquíni, Dark Tide chega até a ser uma obra decente na carreira do realizador John Stockwell (Into the Blue, Blue Crush), um aficionado pelo oceano que nos apresenta aqui talvez o seu melhor trabalho desde The Cheaters (2000). Dark Tide – Aguas Profundas é um básico “shark flick” que porém consegue esquivar dos caminhos duvidosos que amaldiçoam o género há muito desde que Jaws de Steven Spielberg aterrorizou uma geração.

 

 

Filmado na Africa do Sul, nomeadamente a Cidade do Cabo, que é conhecido pelos amantes de tubarões como o Paraíso do Grande Tubarão Branco, Dark Tide apresenta-nos a história de Kate (Halle Berry), a única mergulhadora do mundo capaz de nadar com estes vorazes peixes sem o auxílio de uma jaula, que é abordada por um milionário, Brady (Ralph Brown – numa prestação desinspirada) a fim de conseguir tal experiência. Mesmo não estando muito confiante na sua tarefa, mesmo assim, Kate leva Brady e o seu filho á infame Baia dos Tubarões, na chegada a estas águas perigosas e sombrias, o comportamento da tripulação muda drasticamente e é então surge inúmeros problemas que irão desencadear memórias trágicas do passado da nossa protagonista.

 

 

Berry após ter-se afastado do spotlight do Óscar que recebeu em 2002 com Monster’s Ball de Marc Forster devido a más escolhas na sua carreira, se esforça a compor a sua trágica porém forte personagem ao lado do igualmente Olivier Martinez, somente a direcção de Stockwell e baixo relance de momentos mais profundos o impedem de se tornar desempenhos a descobrir, o mesmo acontece aos outros personagens que têm muito pouco para dar. A jornada porém não sendo muito atractiva como produto de entretenimento, nota-se a preocupação de John Stockwell em construir um drama e não um mero filme de tubarões a despedaçar mergulhadores, Dark Tide consegue ser inteligente e deveras astuto mesmo que limitado na sua forma de ser, apenas peca pela previsibilidade do produto e pelos desvaneios do realizador no ultimo acto em tentar incutir alguma emoção gratuita, desnecessária e a fim de prazo. As imagens dos tubarões são bem doseadas e editadas com todo o realismo (na verdade foram filmados mesmos animais verdadeiros), aliás é mesmo este animal marinho que pode atingir os 6 metros que se concentra a grande estrela deste filme que até poderia correr mal.

 

 

Um produto apenas enfraquecido pela pobre realização de Stockwell, que verdade seja dita é mais director de documentários de vida marinha que nomeadamente filmes para vastas audiências e pela pouca ousadia do mesmo em querer inovar território previsível. Mas acuso a dizer que dentro do subgénero “shark flick”, Dark Tide é um must, só não depositem muita confiança, contudo dêem uma oportunidade ao “rapaz”.

 

“My father once told me 'be careful of the things you love most in the world, because if your not careful, that very thing can destroy you'.”

 

Real.: John Stockwell / Int.: Hale Berry, Olivier Martinez, Ralph Brown

 

 

5/10
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publicado por Hugo Gomes às 00:50
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27.10.12

Sua Majestade, a Branca de Neve!

 

Foi a primeira das duas adaptações do famoso e celebre conto dos irmãos Grimm a estrear entre nós em 2012. Um projecto visualmente ambicioso vindo do igualmente Tarsem Singh, um dos autores mais criativos na arte cénica actual que transforma Branca de Neve num ensaio de comédia desvairada e tecnicamente extravagante, onde confunde e converte a princesa protagonista numa verdadeira heroína de Bollywood, na verdade esta é a obra que mais reivindica a origens indianas do realizador, onde as referencias e influências são abundantes, principalmente aquele final musical repentino que surrealiza o enredo. Mirror Mirror (que por cá obteve o imaturo titulo de Espelho Meu, Espelho Meu! Há Alguém Mais Bela do que Eu) tinha tudo para revisionar o conto, até mesmo Julia Roberts no papel de Rainha Má acompanhado por um “igual a si mesmo” Nathan Lane. A actriz celebrizada em Notting Hill e Erin Brockovich encontra-se deliciosamente cruel e sarcástica, mas infelizmente é a personagem mais bem lineada neste universo disparatado, barroco e burlesco.

 

 

As piadas caem ao lado como se “tordos” fossem, o visual sobressai á pompa da matéria. E ainda os reduzidos momentos em Mirror Mirror invoca a dimensão da fábula é reduzido por consequências do anedótico e do bacocismo automático e forçado, o tom agridoce que a fita emane transporta desequilíbrio para a própria narrativa. Tarsem Singh parece perder o norte nesta confusão que transborda pomposidade de luxo, encenado pela falsidade da própria premissa. Por fim as duas personagens que poderiam salvar esta obra são entorpecidas pelo próprio fracasso, Armie Hammer é prejudicado pela fraca composição do seu príncipe encantado que passa o filme todo, imaginem só, á procura das calças, e Lynn Collins (filha do cantor Phill Collins) como Branca de Neve é carente de carisma, charme e objectiva, sendo que de doçura estamos bem entregues, mas talvez pedia-se química para com o seu ar romântico e até mesmo para com a sua rival monarca, a fim de apimentar a disputa de ambas, mas infelizmente até nisso o filme requere.

 

 

É que na verdade cor não lhe falta, visão também não, sendo que em Tarsem Singh o que falta é uma melhor percepção na própria compressão cinematográfica. O autor precisa urgentemente de criar personagens, narrar e acreditar em enredos que cria, ausenta-los de cinismo e teatralidade e compreender que mesmo sendo por vezes o visual que aufere alguma distinção ao filme, somente ele é capaz de conduzir um no seu inteiro. Assim resultante, Mirror Mirror é uma balburdia cinematográfica.

 

It's important to know when you've been beaten. Yes?!

 

Real.: Tarsem Singh / Int.: Lynn Collins, Julia Roberts, Armie Hammer, Nathan Lane, Sean Bean

 

 

Ver Também

Snow White and the Huntsman (2012)

4/10
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publicado por Hugo Gomes às 20:10
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27.10.12

O Sexo e a Cidade por Steve McQueen!

 

O tema poderia ser sedutor, um ensaio de erotismo dignamente cinematográfico, mas não o é. Shame de Steve McQueen, o realizador com nome de ícone de Hollywood que nos ofereceu o cru mas majestoso Hunger - Fome em 2008 (um relato sobre os últimos dias de vida do notável membro da IRA, Bobby Sands), vê-se agora envolvido com o seu actor de eleição, Michael Fassbender, num retrato quase claustrofóbico de um homem que sofre de dependência sexual. Escrito por Abi Morgan (Iron Lady), Shame: Vergonha é um drama que se centra na busca incansável e portanto obsessiva do nova-iorquino Brandon (Fassbender), conseguindo transmitir o sexo como algo de depravação incontrolável e de puro animalesco. Aqui não existe embelezamentos, nem floreados, o sexo de Brandon é a seu refúgio, porém abrigo de uma dependência que aos poucos o despedaça e que o impede de viver sociavelmente, o espectador poderá estranhar esta adversão da sexualidade e mais, pela personagem de Fassbender que por vezes descontrola em prol dos seus devaneios.

 

 

A sua composição é de uma notável sensibilidade de relação actor / personagem, depois do desempenho magistral mas deveras ignorado em Hunger, Michael Fassbender volta a denunciar o seu corpo por parte da actuação, obviamente aqui em Shame não necessita de tortura-lo nem leva-lo ao limite como havia já feito, mas é o comportamento mais profundo de Brandon que leva com que o actor mimetize o seu problema para horizontes mais longes do que simplesmente o narrativo, um conformista para com as câmaras que parece não parece atrapalha-lo mesmo em momentos constrangedores. Para além disso, Fassbender consegue transmitir humanidade no personagem, fazendo com que este envergonhe dos seus actos, porém indefeso pelas obsessões compulsivas do seu ser escondido, tal como cicatrizes. Talvez com outro actor o personagem de Brandon seria um alvo abater na empatia com as audiências, mas Michael Fassbender faz o impensável. Merecia uma nomeação ao Óscar, mas isso é outra conversa.

 

 

Continuando dentro das actuações do elenco, não poderíamos ignorar Carey Mulligan que segue um rumo idêntico ao caminhando pela figura de Fassbender. Com excelentes desempenhos, momentos de pura vergonha humana mas de igual sensibilidade carnal, Shame apenas peca por cair no melodrama quando se aproxima do final. Mas resumindo e concluindo eis o segundo e grande trabalho de Steve McQueen, a solidão e o vazio do sexo numa era moderna, livre mas não menos depravada. O filme mais provocador do ano. E porque a ninfomania é uma doença e não um dom …

 

“We're not bad people. We just come from a bad place.”

 

Real.: Steve McQueen / Int.: Michael Fassbender, Carey Mulligan, James Badge Dale

 

 

Ver também

Hunger (2008)

8/10
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publicado por Hugo Gomes às 01:36
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26.10.12


publicado por Hugo Gomes às 01:05
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26.10.12

O filme que Salazar não quis que ninguém visse!

 

Há 70 anos, Portugal era muito diferente do que se encontra nos dias de hoje. Assistíamos a um país limitado no seu tempo, retardado por assim dizer, sem qualquer chance de desenvolvimento em qualquer dos sentidos. Vivíamos uma perante ditadura. António Oliveira de Salazar regeu uma nação a punho e ferro, censurado e amputado. E foi há menos de um século que uma equipa norte-americana de cinema concretizava nas nossas terras um filme tão distinto na nossa filmografia como verdadeiramente único. Enquanto filmavam a dita obra, pouco tempo foram descobertos pelo regime, o qual informaram-se sobre o filme em questão e sobretudo o seu conteúdo. Provocador que era o argumento, ataque directo da ditadura em si. Os envolvidos foram assim expulsos da nossa nação enquanto os actores portugueses que desempenhavam a fita … bem … os seus destinos foram menos felizes, tendo sido levados para a prisão do Estado, Tarrafal, onde acabaram por morrer.

 

 

O filme maldito tinha como titulo O Barão e era uma adaptação de uma obra homónima escrita Branquinho da Fonseca e do conto O Involuntário, também do mesmo autor. Com triste rumo a fita ficou perdida durante décadas até ter sido descoberto e recuperado pós-25 de Abril pelo Cineclube do Barreiro, mais concretamente pelo realizador Edgar Pêra, que decide então homenagear tal feito concretizando assim um remakeO Barão fala-nos de um inspector do Ministério da Educação (Marcos Barbosa) que chega a um aldeia perdida e remota a fim de executar uma inspecção a uma escola primária. É recebido então pelo Barão (magistral empenho de Nuno Melo), figura “draculesca” que governa a localidade com a maior das friezas e sem um pingo de misericórdia. Porém é na verdade uma "criatura" fragilizada em busca do amor que está a condenado a nunca consumar.

 

 

As referências à ditadura portuguesa está à vista de todos, pormenores ácidos e metáforas cruéis de um país governado pela ignorância e obsessão. Nuno Melo interpreta assim este “vampiro” da sociedade, o qual cita constantemente “quem manda aqui sou eu”, a figura impar do actor a um personagem que serve apenas de puro ataque a Salazar (até Coimbra não é mencionada em vão). Fora do Barão, todo o redor corresponde a um país à procura de piedade e cegamente oposta à esperança e luta. É então que chegamos à serva do Barão, Idalina (desempenhada com classe e alguma sensualidade mórbida unificada com graciosidade por Leonor Keil), que apesar de servir o seu mestre, este teme-a graças ao seu jeito desafiador, rebelde e nada conformista, uma clara metáfora à liberdade imposta pelas forças resistentes que actuaram no nosso pais e que culminaram mais tarde a marcante data do 25 de Abril.

 

 

Com tanta referência que soam a metáforas julgadas ao "Deus dará", O Barão é um filme raro de pura expressão técnica, manipulação que por si já é uma menção. Destaca-se as expressivas legenda em inglês até à insegura manipulação visual obsoleta, por exemplo a sobreposição exaustiva de imagens. Tão singular e único na nossa filmografia, Edgar Pêra conseguiu com uma homenagem cinematográfica converte-la num espelho angustiado de épocas negras governadas por figuras igualmente negras, vampiros da sociedade, ingénuos para com o futuro de uma grande nação. A ditadura fascista portuguesa representada como um filme de terror anos 30 se tratasse, morreu já faz tempo. Mas as suas assombrações ainda ecoam na nosso sociedade, talvez seja por isso O Barão possui uma aura tão imponente e de certa forma herege.

 

“I’m the one in Charge – Aqui quem manda sou eu”

 

Real.: Edgar Pêra / Int.: Nuno Melo, Marina Alburqueque, Marcos Barbosa, Leonor Keil

 

 

8/10
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publicado por Hugo Gomes às 00:41
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25.10.12


publicado por Hugo Gomes às 19:11
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A Lei de Stallone!

 

A verdade é que os anos 90 não foram muito apelativos às adaptações de BD, talvez pelo facto de serem considerados obras menores e no caso deste Judge Dredd, apenas útil para serviço comunitário para com o actor / vedeta. Baseado numa polémica série de banda desenhada criada por John Wagner e Carlos Ezquerra, acusada por muitos anos de promover o fascismo, Judge Dredd – A Lei de Dredd nos revela um futuro incerto onde a população humana é concentrada em metrópoles superlotadas e sempre á mercê de violência. Nessas comunidades que emanam a podridão humana, foram criados uma espécie de força de segurança com autorização para matar conhecido como os Judge – Juizes, o qual entre eles temos o mais temível, como também heróico, Dredd (aqui desempenhado Sylvester Stallone).

 

 

Começando relativamente bem, tendo em conta o espirito da matéria-prima, celebrando efeitos visuais e violência a rolos, Judge Dredd descarrila no preciso momento em que o protagonista retira o capacete, a partir daí o espectador tem a sensação de assistir a mais uma variação do ícone de acção e de certa forma uma paródia aos mesmos. Enquanto na BD, a personagem Dredd sob qualquer circunstância nunca retira o dito capacete e além de tudo é uma figura mortal e sem qualquer demonstração emocional, na fita de Danny Cannon como forma de consolidar os fãs do actor não se provou tal ousadia ignorando sobretudo o teor da personagem adaptada.

 

 

É Stallone no seu pior acompanhado por um Rob Schneider mais sério do que o costume, unidos para impedir um maléfico plano de Armand Assante como vilão de serviço, tudo dando resultado a uma fita desastrosa, mesmo que visualmente sedutor e bem desenrolado como mero blockbuster de acção. Mas é abalado pela falta de conduta dos envolvidos em tentar recriar uma versão hollywoodesca do célebre personagem dos comics dando assim origem a mais do mesmo em termos de produção cinematográfica de “lixo”. No fim disto sobra-nos Max von Sydow, como a única prestação deveras decente nisto tudo e claro com alguma classe a banda sonora composta por Alan Silvestri.

 

“ I’m the Law”

 

Real.: Danny Cannon / Int.: Sylvester Stallone, Diane Lane, Armand Assante, Rob Schneider, Jürgen Prochnow, Max von Sydow

 

 

4/10
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publicado por Hugo Gomes às 15:33
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Real.: Timur Bekmambetov / Int.: Benjamin Walker, Rufus Sewell, Dominic Cooper

 

Filme –Mesmo que baseado num improvável êxito literário, escrito por Seth Grahame-Smith, Abraham Lincoln: The Vampire Hunter, produzido por Tim Burton, é mesmo assim uma aventura rebuscada, caricata e na sua forma previsível, mesmo aguentando a pedalada com bem coreografadas sequencias de acção e um actor desconhecido (Benjamin Walker) que desempenha com alguma versatilidade o eternizado presidente dos EUA. O pior é mesmo quando a fita tenta ser séria, consolidando os factos históricos com a fantasia / terror da trama. Por fim destaca-se a enésima figura antagónica desempenhada por Rufus Sewell, que parece apenas ter queda para vilões de serviço.

 

AUDIO

Inglês

Checo

Polaco

Húngaro

 

LEGENDAS

Português

Inglês

Árabe

Búlgaro

Croata

Grego

Hebreu

Húngaro

Islandês

Romeno

Sérvio

Esloveno

 

EXTRAS

Documentário Making of Abraham Lincoln: Vampire Hunter

Segredos Obscuros: Do Livro ao Filme

Comentário Áudio com o Argumentista Seth Grahame-Smith

 

Distribuidora - PRIS Audioviduais, SA

 

 

Ver Também

Abraham Lincoln – Vampire Hunter (2012)

 

FILME –

DVD -

 

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publicado por Hugo Gomes às 14:40
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Sonhos e Pesadelos!

 

Um cientista “louco” (Daniel Emilfork) que vive numa sociedade surreal, rapta crianças no fim de extrair os seus sonhos, como se isso fosse retardar a sua avançada idade. Enquanto isso na apelidada “cidade das crianças perdidas”, dois improváveis heróis, uma menina órfã (Judith Vittet) e um homem de circo e de poucas palavras (Ron Perlman) estão em vias de decifrar tal mistério.

 

 

Após Delicatessen (1991), a surpreendente e bizarra visão semi-apocalíptica onde a humanidade sobrevive por vias do canibalismo, o realizador Jean-Pierre Jeunet volta a conquistar o seu público com este La Cité des Enfants Perdus (1995). Que em conjunto com Marc Caro (que também trabalhou com o autor na anterior e referida obra de 1991) se assume como o inventor de uma fantasia futurista obsoleta, referencial e sobretudo atmosférica (sendo esse uma das categorias que distingue a carreira do realizador, um clima pesado mas sobretudo delicioso). Será escusado dizer que La Cité des Enfants Perdus é um triunfo visual e técnico, em jeito de fábula negra de pouca inocência entre sonhos e genética, mas que infelizmente é um daqueles exemplos do cinema “gaulês” o qual é preferível a aposta no conceito "mais olhos que barriga", ou seja, muita palha sobre muita palha o qual não levam a fita a caminho algum sem ser uma aparente confusão narrativa.

 

 

Desnorteado e sobretudo demoroso em encontrar tal direcção objectiva, La Cité des Enfants Perdus também falha por não conseguir transmitir alguma consistência na visão dos autores, e mesmo sabendo tratar-se de um cenário com algum cariz juvenil e pueril, a fita é incapaz de centrar-se naquilo que supostamente é o mais importante, as personagens e a razão que as fazem correr. Emoções injectadas à última da hora, personagens vazias e “souless”, um argumento que confunde o que não é suposto confundir e por fim, uma narrativa tão atrapalhada como um pássaro inepto de voo. É visualmente deslumbrante, tecnicamente irrepreensível, isso não como negar, mas os filmes não se fazem através de imagens, efeitos e sons, é preciso alma que preencha esses "sonhos".

 

“When you're born in the gutter you end up in the port.”

 

Real.: Jean-Pierre Jeunet, Marc Caro / Int.: Ron Perlman, Daniel Emilfork, Judith Vittet

 

 

5/10
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publicado por Hugo Gomes às 01:32
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24.10.12

 

Com Jennifer Lawrence a tornar-se cada vez mais num fenómeno de popularidade, muito graças ao seu empenho em Hunger Games, adaptação de uma série literária juvenil escrita por Suzanne Collins, é normal que ganhe relevância como protagonista em outras obras. Principalmente em House at the End of the Street, onde a actriz terá que lidar com serial killers e outro tipo de psicopatas que se encontram na sua vizinhança. O novo filme de Mark Tonderai (Hush) já é um dos maiores êxitos do género deste ano nos EUA, por cá finalmente estreia entre nós. Para além de Lawrence, o elenco é composto por Elisabeth Sue (Piranha 3D, Leaving Las Vegas), Max Thieriot (Jumper, Chloe) e Eva Link.

 


publicado por Hugo Gomes às 22:49
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publicado por Hugo Gomes às 20:20
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publicado por Hugo Gomes às 20:19
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23.10.12

Atrás das Linhas do Inimigo!

 

O Guerra e Paz português, segundo o produtor Paulo Branco o que mais identifica a última grande produção lusitana, As Linhas de Wellington, uma viagem a um Portugal ameaçado por tropas francesas de Napoleão Bonaparte e defendida com um exército anglo-português arquitectado pelo célebre Arthur Wellesley, Duque de Wellington (aqui interpretado por John Malkovich). A ideia desta produção de fulgor épico mas dramaticamente retractivo e ilustrativo surgiu por parte do produtor português, Paulo Branco que após ter sido convidado para as comemorações do bicentenário das Linhas de Torres Vedras, por parte da Camara Municipal, contactou Carlos Saboga para escrever um guião que aborda tal acto histórico e triunfante na Historia Bélica Portuguesa.

 

 

Saboga havia escrito Os Mistérios de Lisboa, outra colossal produção nacional, baseado numa homónima obra de Camilo Castelo Branco, que caiu nas mãos do cineasta chileno Raúl Ruiz que concretizou-o triunfantemente. Aliás esta As Linhas de Wellington era sobretudo um filme de Ruiz, já que este o projectava mesmo antes de falecer, pelo que o seu legado foi deixado para a sua viúva, Valeria Sarmiento. Uma obra que resultou num ensaio detalhista de reconstituição histórica, onde somos celebrados por um rigor técnico invejável não apenas dentro do nosso panorama cinematográfico. Com o dispor de um elenco de luxo e internacional, As Linhas de Wellington é constituído por múltiplas narrativas todas elas de carácter figurativo sobre os horrores e consequências desta batalha, somos apresentados a um país à mercê da misericórdia e levado à deriva.

 

 

Um retrato de um Portugal infringido e acorrentado á sua limitação, reflexo daquilo que hoje somos e que convertemos. Todas as histórias apresentadas se cruzam, nem que seja por uma ponta em comum, obviamente com umas a puxar mais interesse que outras, e alguns apenas presentes como mero tópico. Mesmo com esforço reconhecível por parte dos integrados e um elenco prestável e por vezes poético, As Linhas de Wellington apenas peca não pela sua longa duração (claro, que comparado com as quatro horas de Os Mistérios de Lisboa, as duas horas e meia do filme de Valeria Sarmiento não são nada) mas pela fraca aprofundamento de algumas histórias e personagens, e pela inserção de outras que nada auferem sem ser inutilidade na narrativa.

 

 

No geral Sarmiento consegue um feito, um filme tecnicamente e de abordagem notável, simbiótico com a paisagem da serra do Buçaco e arredores e um aproveitamento glamouroso de um vasto elenco, porém mesmo que nunca saberemos é de imaginar que nas mãos de Raúl Ruiz o resultado poderia ser outro, talvez mais descritivo e poderosamente dramático. Uma fita obrigatória para todos os portugueses, porque finalmente a nossa rica história já está a servir de palco para o nosso cinema.

 

Real.: Valeria Sarmiento / Int.: Nuno Lopes, Carloto Cotta, Soraia Chaves, John Malkovich, Jemima West, Marisa Paredes, Filipe Vargas, Marcello Urgeghe, Victória Guerra, Adriano Luz, Miguel Borges, Vincent Perez, Afonso Pimentel, Gonçalo Waddington, Catherine Deneuve, Isabelle Huppert, Paulo Pires, Maria João Bastos, Mathieu Amalric, Melvil Poupaud, Michel Piccoli

 

 

8/10
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publicado por Hugo Gomes às 23:48
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publicado por Hugo Gomes às 21:31
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10/10 - Magnífico
9/10 - Imprescindível
8/10 - Bom
7/10 - Interessante
6/10 - Razoável
5/10 - Medíocre
4/10 - Muito Fraco
3/10 - Mau
2/10 - Péssimo
1/10 - De Fugir
0/10 - Nulidade
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