24.5.09

Bem, gostaria de ter postado mais do que aquilo que consegui, mas o tempo escasseava, a ansiedade crescia e o dever mantinha. Quero avisar com certa pena minha que o blog entrará numa fase de hibernação, será actualizado, mas de vez em quando, mas prometo n esquecer de vocês. Irei seguir a minha carreira militar, também para fugir a essa crise, mas não fujo claramente da minha paixão pelo cinema. Veremos um dia, saudações cinéfilas.

 

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publicado por Hugo Gomes às 00:33
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22.5.09

 

Para ser sincero não acho nada de especial como poster, espero que não chova “calhaus” em cima de mim devido a tais afirmações!

 

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publicado por Hugo Gomes às 00:53
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publicado por Hugo Gomes às 00:48
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Real.: Robert Mulligan

Int.: Gregory Peck, Mary Badham, Philip Alford, Brocks Peter, Robert Duvall

 

 

O que é a justiça? Bem se formos a um dicionário, encontra-se escrito algo como; conformidade de direito, acto de dar a cada um o que por direito lhe pertence, equidade, etc. Contudo a pergunta é se a justiça é mesmo algo real ou simplesmente uma palavra? Cinicamente gosto de pensar que tal conceito é derivado das sociedades, não existem definições absolutas para a palavra, justiça modifica-se em conformidade com os anos, épocas, civilizações que por sua vez são influenciáveis a outros inúmeros factores tais como mentalidades, ideias e religião. Ora vejamos, há algum tempo atrás um negro não usufruía o mesmo tipo de julgamento que alguém de etnia branca, hoje a cor de pele é irrelevante no lugar dos réus, nesse curto espaço de tempo, que foi provavelmente 50 anos e nesses 50 anos muita coisa mudou. Ora vimos o homem a chegar á Lua, ora o muro de Berlim foi derrubado, ora as pessoas de cor começaram a receber o mesmo tratamento que qualquer outro ser humano, tendo a dita justiça que sempre mereceram e que sempre foi negada. Por mais estranho que pareça, não estou aqui a por em causa a integridade da consciência humana para o que é correcto e errado, matar é incorrecto, uma atrocidade nos dias de hoje mas em tempos longínquos tal “tarefa” era uma necessidade diária, com isto estou tentado dizer que justiça é algo tão pertencente á sociedade que não é psicótico questionarmos sobre tal presença. Para a justiça adaptar tal como a teoria de Charles Darwin teve que existir uma minoria e alguém que defendesse tal, porém os fracassos são mais que as vitorias e pelo caminho ficam Homens que defenderam as suas convicções que saíram como derrotados numa longa batalha pelos direitos. Do recentemente falecido Robert Mulligan surge-nos To Kill a Mockingbird (1962), baseado na obra literária de 1960 de Harper Lee, um dos dramas mais ricos da Hollywood clássica. Reunindo temas como justiça, direitos, discriminação racial e mental, jurisdição entre outros vistos pelos olhos de uma criança, neste caso de duas crianças; Scout (Mary Badham) e Jem (Philip Alford), filhos de Atticus Finch, um advogado de um pequeno povoado que se torna a defesa de um negro acusado de ter cometido um violento crime. Convicto da sua inocência, Finch tentará provar á sua comunidade que não é a cor da pele que dita se um ser é ou não digno da justiça, o envolvente julgamento é assistido pelas duas crianças com toda a ingenuidade e inocência. Gregory Peck, o qual venceu aqui o Óscar de Melhor Actor tem o seu melhor trabalho de dramatização num papel calmo, mas que se revela num grande “profeta” no seu sermão, uma das imagens de marca da fita, além disso temos um dos melhores desempenhos infantis da era dourada de Hollywood, levado a cabo por Mary Badham (nomeada ao Óscar). O desempenho de Brock Peters, no papel de Tom Robinson, é intenso, um actor que só ficará conhecido pelos trekkies como o Admiral Catwright de alguns episódios de Star Trek. Destaque também para Robert Duvall na sua primeira estreia cinematográfica, já que era detentor de uma longa lista televisiva. To Kill a Mockingbird é um absoluto clássico, o filme que lançou Robert Mulligan como um notório realizador, cujo seu ultimo trabalho data 1991, o pouco conhecido mas comovente The Man in the Moon.

 

A não perder – o sermão de Atticus Finch (Gregory Peck)

O melhor – Um envolvente conjunto de actores esforçados

O pior – nada a assinalar

 

Recomendações – Amistad (1997), Green Mile (1999), Witness for the Prosecution (1957)

10/10

 

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publicado por Hugo Gomes às 00:36
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20.5.09

Real.: Fernando Meirelles

 Int.: Julianne Moore, Mark Ruffalo, Danny Glover

 

 

Filme

Uma estranha epidemia invade o Mundo, os contagiados adquiram o sintoma de cegueira branca. Eis aterradora viagem de sobrevivência de um grupo de infectados em quarentena militar, cuja mulher do doutor (Julianne Moore) é a única que possui a visão intacta.

Veredicto

A assustadora visão dada por Meirelles é uma adaptação bastante peculiar do romance de José Saramago. Um filme lento, bem isente na comercialidade, mas não muito afastado dela e com algumas interpretações de mimo. Cerca de duas horas de pura reflexão.

AUDIO
Inglês Dolby Digital 5.1

 

LEGENDAS
Português

 

EXTRAS
Documentário "A Vison of Blindness"
Cenas Cortadas
Apresentação do Filme "Ensaio sobre a Cegueira", em Lisboa
À Descoberta de "Ensaio sobre a Cegueira"
A Polémica: Reportagem no "Jornal da Uma"

 

Distribuidora – Castello Lopes Multimedia

 

Ver Também

Blindness (2008)

 

Filme –

DVD -

 

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publicado por Hugo Gomes às 00:17
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20.5.09

Real.: Malcolm D. Lee

Int.: Samuel L. Jackson, Bernie Mac, Sharon Leal, Sean Hayes, Affion Crockett

 

  

O “ligeiro” sucesso de Soul Men provavelmente deveu-se á morte do actor Bernie Mac que se concentra aqui o seu penúltimo trabalho do que a qualidade da obra em si, contudo esta história de dois ex-musicos do género soul que reúnem uma vez mais para regressar aos palcos a propósito do falecimento do 3º membro dos “The Real Deal” (nome da banda) tem algumas ideias quer estéticas ou argumentativas bastante interessantes, como na contagiante química entre os actores Mac e Samuel L. Jackson (num regresso aos melhores desempenhos desde Jackie Brown).

The Soul Men que se inicia como uma “cliché” jornada de procura de identidade é detalhada por um toque de coolness digno do género musical que tanto marcou a América nos anos 60, aliás um dos pontos altos de filme que poderemos considerar á distância – banal, é o eventual confronto entre duas gerações de afro-americanos correspondentes a dois estilos musicais, o Soul e o Gangster Rap (considerados um dos condutores de violência).

O resto da intriga e servida com bom humor e nunca sinais de fadiga pelo par de protagonistas, num trama de gags digno das grandes comédias dos anos 70 e 80, porém o filme de Malcolm D. Lee (Welcome Home, Roscoe Jenkins) é fraco na concepção das personagens secundárias o que se poderia visionar uma maior complexidade com a profundidade das mesmas ao invés dos habituais estereótipos, destaque para a belíssima voz de Sharon Leal e dos espirituosos concertos musicais com interpretações dignas de registo por parte de Bernie e Samuel, dois “caras bacanos”. Não sendo glorioso nem sofisticado, Soul Men detém neste momento como uma das melhores comédias do ano.

Bernie Mac (1957 – 2008)

 

A não perder – Apesar de ter destacado mais como comediante de stand-up, vale sempre a pena relembrar um actor como Bernie Mac, destaque para o sincero memorial nos créditos finais.

O melhor – a musica e a dupla Bernie Mac / Samuel L. Jackson

O pior – tem bons momentos, mas poderia ser menos “hollywoodesco” e ter mais coração

 

Recomendações – Jazz Singer (1980), The Commitments (1991), Dreamgirls (2006)

 

6/10
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publicado por Hugo Gomes às 00:12
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Real.: Eric Darnell, Tom McGrath

Int.: Ben Stiller, Chris Rock, Bernie Mac

 

 

Filme

A continuação da aventura dos quatros animais foragidos do Zoo de Nova Iorque, desta vez tentam escapar da ilha de Madagascar, o qual vão dar, novamente perdidos, algures no Quénia, onde os nossos quatro amigos irão descobrir algo sobre os seus passados e instinto animal.

Veredicto

A sequela do grande sucesso de 2005 da Dreamworks é uma animação mais desenvolvida, mais paródica, mais ousada e sobretudo divertida. Nota-se as referências ao clássico de o Rei Leão e até mesmo Billy Elliott.

AUDIO
Português Dolby Digital 5.1
Inglês Dolby Digital 5.1
Grego Dolby Digital 5.1
Árabe Dolby Surround

 

LEGENDAS
Português
Inglês
Grego
Árabe

 

EXTRAS
Comentários dos Autores
É um Assunto de Família: O Elenco de Madagáscar 2
O Making Of Madagáscar 2
Jukebox de Vídeo da Dreamworks Animations
Trailer do Jogo da Activision Madagáscar 2
E muito mais …

 

Distribuidora – Zon Lusomundo

 

Ver Também

Madagascar – Escape 2 Africa (2008)

 

Filme –

DVD -

 

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publicado por Hugo Gomes às 00:07
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18.5.09

A “estrela” caída!

 

Kate Hudson mostrou o seu talento em Almost Famous (2000) de Cameron Crowe, o qual acabou mesmo por ser nomeada ao Óscar de Melhor Actriz Secundária, sendo que tal estatueta “caiu” para as mãos de Marcia Gay Harden em Pollock de Ed Harris. A partir deste momento, uma actriz que tinha tudo para marcar dos demais, seguiu por caminhos um pouco duvidosos, é difícil de responder se será culpa do seu “comparsaMatthew McConaughey, o qual insiste em contracenar ou o facto de escolher papeis tendo como requisições o valor monetário do cheque chorudo que a espera. Enquanto divergia na mediania de filmes como Skeleton Key ou You, Me and Dupree, logo desleixou-se quer no seu talento artístico quer na qualidade das suas escolhas (sempre a descer está visto!). Infelizmente é em My Best Friend’s Girl que se encontra praticamente irreconhecível, tendo de longe o pior desempenho da sua carreira em perfeita “queda livre”.

 

 

Hudson é Alexis, uma executiva que vive uma relação de amizade colorida com Dustin (Jason Biggs), que por sua vez se encontra perdidamente apaixonado por ela. Todavia My Best Friend’s Girl não vive dessa relação digna de um espírito de When Harry Met Sally, mas sim da personagem Tank (Dane Cook), que é pago para sair com ex-namoradas e proporcionar-lhes os piores encontros de sempre o que levará a uma segunda oportunidade entre o casal rompido. Tank é o melhor amigo de Dustin, o qual ele solicita os seus serviços. Tank aceita e o que inicialmente era mais um trabalho se torna numa paixoneta que nem mesmo a fria personagem consegue controlar-se.

 

 

My Best Friend’s Girl é uma vulgar comédia romântica ao rotineiro estilo americano, cujo único atractivo é mesmo Dane Cook que dá um “esforçozito” nem que seja garantindo o seu carisma, e só por isso devia-se poupar palavras. Mas sob um jeito algo masoquista cá vai um “apanhado” em relação ao elenco pouco menos esforçado – Jason Biggs repete a sua personagem de American Pie, parecendo ainda ser perseguido pelos irmãos Weitz, Hudson como já havia referido está ruim e não só, a sua personagem não provoca simpatia alguma. Mas o mais alarmante é o facto de a fita de Howard Deutch ser uma espécie de “funeral” para um actor da categoria de Alec Baldwin, que nos últimos anos tem sido reduzido a um mero secundário, aqui o actor celebrizado por The Hunt for Red October (1990) e nomeado ao Óscar por The Cooler (2003) bate mesmo no fundo em termos interpretativos, prestando o seu corpo para uma mera auto-caricatura.

 

 

Para ser sincero, este My Best Friend’s Girl por vezes emana alguns toques de “politicamente incorrecto” que o fazem diferenciar de tantas outras comédias românticas, mas ruma sempre para o lado errado da “força”, volta a debater-se numa lei do esteticamente perfeito, num bonitinho papel de Hollywood e termina com a mais idiota das moralidades românticas. Aos actores desejo melhoras, a Hudson desejo um “cava” mais rápido possível e ao público deixo uma pergunta; não vos chateia o facto de verem sempre o mesmo filme, tendo à partida que a única coisa que diferencia são os actores?

 

Real.: Howard Deutch / Int.: Kate Hudson, Dane Cook, Jason BIggs, Alec Baldwin

 

 

A não perder – A referência a When Harry Met Sally …

 

O melhor – assim por alto só mesmo Dane Cook

O pior – a personagem e a própria Kate Hudson

 

Recomendações – When Harry Met Sally … (1989), American Pie (1999), Wedding Crasher (2005)

3/10
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publicado por Hugo Gomes às 15:08
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17.5.09

Espaço … Um novo franchising!

 

Space … the final frontier”. O Espaço é muitas vezes o cenário das mais estonteantes epopeias cinematográficas, nomeadamente Star Wars – Guerra Das Estrelas que redefiniu o culto do “Space Opera” que continua a levar milhões ao cinema. Entre essas aventuras galácticas encontra-se Star Trek, criado originalmente por Gene Roddenberry, conhecido vulgarmente em Portugal por O Caminho das Estrelas, que se afirma como um alternativo ao hiperactivo Star Wars de George Lucas, tendo um “veia” mais crítica e metafórica aos problemas sociais do Mundo que “teimava” em mudar. Os fãs de Star Trek, “trekkies” como são vulgarmente chamados, auxiliaram os produtores do franchising a elaborar um universo sólido e fantasioso, dando origem a várias séries e inúmeros filmes. Este fenómeno teve origem em 1966 com a estreia, inicialmente não muito aplaudida, de uma série de televisão que combinava uma tripulação e as suas tramas dentro da Starship Enterprise  (a nave), de perfil lento, com alguma acção à mistura e a consolidação dos factos científicos que faziam salivar os mais interessados por tais temas espaciais, e como já havia referido, a inserção das questões sociais da época que levavam a inúmeras dores de cabeça aos estúdios de televisão, fizeram com que Star Trek tornar-se num fenómeno e com isso, em 1979, surgiu a primeira aparição cinematográfica.

 

 

Star Trek de Robert Wise rendeu 140 milhões de dólares nas bilheteiras de todo o Mundo, tendo custado apenas 30 milhões, comparação mínima com os 500 milhões rendidos por Star Wars que apenas custou 13 milhões de dólares. Mesmo sendo um sucesso discreto na indústria cinematográfica, Star Trek sempre conquistava os seus fiéis fãs sempre atentos às inovações que a saga recebia em cada capítulo. O alternativo das Guerras das Estrelas, enfrentou um fatal sinal de “falecimento” com Nemesis, o decimo filme estreado em 2002 sob a mão de Stuart Baird, que sofreu uma abrupta queda nas bilheteiras, cujo filme de 60 milhões de dólares tendo rendido nos EUA apenas 18 milhões de dólares. Tal sinal fez recuar a produções de outros capítulos cinematográficos até que J.J. Abrams, um dos mais sofisticados autores a trabalhar em Hollywood, ter aclamado que era preciso levar Star Trek às novas gerações e para isso “dar-lhe um toque mais a Star Wars” segundo este. Conhecido como criador da inovadora série televisiva Lost, Abrams realiza uma “espécie” de reboot com todos os atributos de um blockbuster do novo milénio.

 

 

Com um elenco maioritariamente jovem, com efeitos especiais sofisticadíssimos acompanhados por vibrantes cenas de acção, eis o Star Trek que as novas gerações apelavam, para tal foi requisitado a ausência daquele ar de “sixtie”, a monotonia do espaço e cenário, os visuais de “fazem de conta” e por ganho relevante de espectacularidade cinematográfica. O “fresco” argumento é da autoria de Roberto Orci e Alex Kurtzman (The Island, Transformers, The Legend of Zorro). Na pele da célebre dupla de protagonistas; William Shatner no papel de Capitão Kirk é substituído por Chris Pine, numa versão mais rebelde, o eterno Spock, anteriormente adaptado por Leonard Nimoy  (também participa no filme como uma versão futura do personagem) é “trocado” por Zachary Quinto  (mais conhecido como Sylar da série Heroes), num desempenho já aplaudido pelos fãs e do facto de ser um condutor de grande carisma nada a dever à versão de Nimoy. No papel de vilão encontramos Eric Bana como Nero, uma proximidade da figura miticamente histórica, de coração despedaçado e ansioso por vingança, prometendo literalmente “queimar” Mundos, beneficiando de uma avançada tecnologia que o permite viajar entre tempos e espaços. Porém, o vilão é dos pontos menos interessantes de toda a intriga, para dizer a verdade é do mais banal perfil, mas J.J. Abrams tem algo diferente em mente e não esquecendo o espírito da aventura intergaláctica, utiliza Nero como uma hipérbole (ou não) das eventuais intervenções dos EUA e outros países desenvolvidos em países do terceiro Mundo.

 

 

Winona Ryder, demasiado desaparecida nas recentes produções cinematográficas, encontra-se como Amanda Greyson  (mãe de Spock), infelizmente haverá quem não a note, Simon Pegg (Hot Fuzz) como o divertido, mas forçado Scotty, um dos membros da tripulação da Starship Enterprise, o qual fazem parte um variado agrupado inter-racial e cultural, uma das características notórias da série de televisão característico por ter sido o primeiro seriado televisivo a exibir um beijo inter-racial. Enterprise é formada principalmente por Zoe Zaldana, Anton Yelchi, John Cho e Karl Urban e por fim maduro Bruce Greenwood como o Capitão Christopher Pike.

 

 

Com uma hábil mistura de efeitos especiais de perder o fôlego e todo aquele “pastiche” colegial que certamente tem o propósito de seduzir os mais novos, J.J. Abrams soube adaptar uma série à “beira da extinção” de forma a competir com outros grandes blockbusters da temporada e nesse caso esta nova versão de Star Trek é um êxito garantido. É inegável que esta nova versão é vistosa, atractiva e bastante divertida, contudo não se frequenta como uma das melhores aventuras da U.S. Starship Enterprise, tudo porque mesmo mantendo o espírito do criticismo da fasquia, Abrams tornou Star Trek num “vulgar” blockbuster (atenção, dos bons), a lentidão narrativa e a limitação de espaço dos anteriores já eram uma imagem de marca entre o caminho das estrelas.

 

Spock, you are fully capable of deciding your own destiny. The question you face is: which path will you choose? This is something only you can decide.”


Real.: J.J. Abrams / Int.: Chris Pine, Zachary Quinto, Bruce Greenwood, Eric Bana, Zoe Zaldana, Simon Pegg, Anton Yelchi, John Cho, Karl Urban, Winona Ryder, Leonard Nimoy




A não perder –  para quem deseja conhecer o fenómeno de culto que é Star Trek, de uma forma mais acessível

 

O melhor –  o espírito mantido da saga com a sofisticação e noção de espectáculo dada por J.J. Abrams.

O pior –  apesar de tudo, poderá não diferenciar de um vulgar filme-pipoca.

 

Recomendações – Serenity (2005), Star Wars (1977), Star Trek (1979)

8/10
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publicado por Hugo Gomes às 19:18
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16.5.09

Sentindo os frames!

 

O cinema não é apenas figuras que se movem e dialogam entre si, impressas num grande ecrã, de forma a narrar histórias (muitas delas déjà vu aos espectadores), também funciona como um apelo aos sentidos do mesmo. Nada disso seria possível se não possuísse todos os elementos disponíveis na realização de tal arte e de um bem mais potente, mas igualmente esquecida pelos realizadores da actualidade, a mente humana, essa “porta” para mundos paralelos e o manipulador dos restos dos sentidos. Não estou com isto a insinuar o apelo à imaginação dos sujeitos cujo trabalho é “somente fazer filmes”, mas sim o incentivo do espectador em  "sentir o filme" no sentido mais literário da palavra. Assim sendo é possível sentir o vento através de imagens e som, cheirar a brisa marítima sem nunca estar em contacto com ela, sentir o horror sem nunca presenciar tal condutor, e se um filme é possível levar-nos a tais mundos de forma secretamente mágico é porque simplesmente quem o dirigiu sabia ao certo o que fazia ou resumindo simplesmente num verdadeiro conhecedor do Mundo em redor, a conseguir captar o meio tal como ele é, através somente da lente da sua câmara.

 

 

Por exemplo, dois homens num compartimento, uma janela e um vento forte que sai por ela, ouve-se um zumbido estrepitoso, os vestuários dos sujeitos estão “dançando” literalmente ao sabor dessa brisa, eles continuam a dialogar entre si, o assunto é sério, contudo o vento sopra constantemente sem que eles importem com isso, como e com razão, fosse a coisa mais natural do mundo. Outro, um acampamento bélico, o chão é composto por areia, mais uma vez o vento emplastra, nuvens de poeira enchem o cenário de forma mais natural possível, sem destaque, nem histerismos, nesse mesma acção, um general reúne as suas tropas, noutro canto um patrão “dá um puxão de orelhas” ao seu empregado por este não ter alisado o terreno como deve ser (o melhor é que são figurinos). A poeira continua lá, mas ninguém parece importar.

 

 

É de direcção tão natural e realistas que nós próprios (espectador) sentimos em pleno século XVI, numa época em que o Japão parecia estar marcada no confronto entre vários Senhores Feudais (os senhores da Guerra), e é com magia do detalhe e da reconstituição épica com todo o realismo possível e o misticismo digno da cultura nipónica que nos encontramos perante de um dos melhores realizadores da historia do cinema, Akira Kurosawa. De nacionalidade japonesa, Kurosawa prova além de tudo ser um conhecedor nato da história e cultura nipónica, sendo também um apreciador de todo o folclore da mesma.

 

 

Conhecido pelo seu impar trabalho em filmes como Rashomon (1950), Seven Samurais (1954), que de certa influenciaram o mundo cinematográfico até mesmo contagiando Hollywood pelas suas descobertas narrativas, Kagemusha (1980) surge numa era que por teoria Kurosawa já nada de novo tinha para demonstrar, porém é o seu talento e experiência que encena aqui um filosofia própria em fulgor épico. Kagemusha, que significa “sósia” na língua nativa é a história de um “Senhor da Guerra” tão tenebroso que só o seu nome, Shingen, assustava qualquer adversário. Todavia este foi ferido em batalha, como prevenção do seu legado, Shingen pede ao seu irmão que procure um “sósia”, para que possa falecer em paz e secretamente guiar o seu exército e continuando a estremecer de medo os seus inimigos. O candidato certo foi um ordinário larápio, que toma a grande responsabilidade da substituição. Gradualmente o substituto começa a adquirir o espírito do original!

 

 

Um filme de uma riqueza cénica e a nível de guarda-roupa impressionante, diálogos engenhosos e uma intriga de longínquos horizontes que explora tudo e todos e os conflitos sociais da época. Diria antes se Shakespeare fosse japonês, Kagemusha facilmente seria uma obra da sua autoria. Incute um existencialismo impar, fiel aos códigos tradicionais da cultura e "amante" do visual arrebatador, como se Kurosawa pintasse cada frame "à mão". Sim, é um filme raro, rico e complexo, até mesmo a nível fílmico, contudo é para além de uma "peça" cinematográfica, uma experiência digna em que os elementos naturais por força maior parecem expelir do ecrã. Claramente um filme que se sente e não se fica por somente “ver”.

 

A cópia só faz sentido, enquanto houver um original” (quote traduzida)

 

Real.: Akira Kurosawa / Int.: Tatsuya Nakadai, Tsutomu Yamazaki, Kenichi Hagiwara

 

A não perder – cinema que desperta os cinco sentidos

 

O melhor – tudo, desde o misticismo até ao nível técnico

O pior – provavelmente ser bastante longo, mas nada que retire o seu mérito

 

Recomendações – The Man in the Iron Mask (1998), Ran (1985), Alexander (2004)

 

 

10/10
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publicado por Hugo Gomes às 23:43
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Real.: David Frankel

Int.: Owen Wilson, Jennifer Aniston, Alan Arkin

 

 

Depois do surpreendente sucesso de The Devil Wears Prada, baseado na obra de Lauren Weisberger, David Frankel volta a adaptar outra obra literária de sucesso, desta vez o “ternurento” Marley & Me de John Grogan. Trata-se de um crónica entre um casal recentemente casado, os Grogans, que organiza a sua vida por passos, ele (Owen Wilson) um colunista, ela (Jennifer Aniston) uma jornalista, ambos desejam ter filhos, mas sabem que na altura ainda é precipitada, então invés disso compram um cão. Baptizado de Marley (em homenagem a Bob Marley), logo se torna um pesadelo de qualquer dono, é irrequieto até demais, imprevisível, indomável e “destruidor”. Os Grogans o apelidam de o “pior cão do Mundo”, porém entre eles cresce um amor muito forte, quase inquebrável. O filme de David Frankel tal como a obra literária, varia entre o tom de comédia e drama familiar em que tudo consiste na presença do cão através dos diferentes momentos que marcaram a vida dos Grogans, desde felizes (o nascimento do seu primeiro filho, o emprego) até situações invariáveis (a insegurança do casamento). De certa forma somos quase obrigados a gostar deste filme, e facilmente caímos no erro de quem não gostar é um insensível ou simplesmente odeia animais, isso não é bem assim. Primeiro lugar em momento algum assistirmos coesão de todo o enredo, o que narrativamente é fiel ao livro o que se torna num amontoado de situações episódicas e esporádicas, segundo lugar, Owen Wilson que deveria “segurar” o filme para não cede-lo na exclusividade da estrela canina, tem as mesmas expressões faciais que a dum mineral, repetindo o seu ego mais uma vez (tal efeito acontece com a personagem de Alan Arkin), Jennifer Aniston por outro lado é uma actriz subvalorizada que mesmo não conseguindo brilhar na fita, tem a capacidade de transmitir ao espectador os sentimentos pretendidos. Marley & Me só faz realmente sentido com a chegada do final, em que todo a força dramática que nunca se expandiu em toda a trama se concentra num desfecho trágico, mas por sua vez previsível. E sim, admito, a estrela é o cão labrador (para dizer a verdade foram utilizado 22 cães para representarem Marley) que tem o mérito de criar laços com o espectador.

 

A não perder – para quem pensa que os animais são os melhores amigos do Mundo

O melhor – indiscutivelmente os cães

O pior – a narrativa episódica

 

Recomendações – Garfield (2004), Fluke (1995), Lassie (2005)

5/10

 

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publicado por Hugo Gomes às 21:51
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Real.: Catherine Hardwick

 Int.: Kristen Stewart, Robert Pattins, Billy Burke

 

 

Filme

Bella Swan (Kristen Stewart) vai viver com pai na longínqua cidade de Folks, uma localidade que gira envolto de uma reserva índia. Bella começa a frequentar a escola secundária, contudo esta não se preocupa em ser popular, nem dar nas vistas, a sua vida baseia-se um pouco na melancolia. È então que conhece Edward (Robert Pattins), um jovem rapaz de comportamentos no mínimo bizarros que levam Bella a pensar no mais improvável, o facto de ele ser um vampiro. Tal descoberta não a levará á repudia, mas sim á paixão.

Veredicto

Adaptação do conto de Stephenie Meyer que vendeu milhões de exemplares e que já tem facultado um legado de fãs admiráveis. Twilight, o filme, é um cruzamento dos mais diferentes géneros cinematográficos que resultam num romance adolescente com boa pinta. Contudo é um filme com mais defeitos que virtudes, mas não é por isso que não deixa de ser divertido (limitadamente).

 

AUDIO
Inglês Dolby Digital 5.1

LEGENDAS
Português
Inglês para Deficientes Auditivos

EXTRAS
Menus Interactivos
Selecção de Cenas
Comentários áudio de Robert Pattinson, Kristen Stewart, e da realizadora Catherine Hardwicke
3 Videoclips - Paramore “Decode”, Muse “Supermassive Black Hole” e Linkin Park “Leave Out All The Rest”
Cenas Cortadas & Alargadas - Com introdução da realizadora
A Aventura Começa - 7 Documentários Exclusivos
Fenómeno Comic-Con - O Encontro de Fãs
Uma Conversa com a Autora Stephenie Meyer
Tornar-se Edward e Bella - A Caracterização dos Personagens Principais
O Beijo do Vampiro - Montagem da Cena
Concerto de Piano de Edward

 

Distribuidora – Zon Lusomundo

Ver Também

Twilight (2008)

 

Filme –

DVD –

 

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publicado por Hugo Gomes às 00:51
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Um grupo de mercenários parte para a América do Sul com a missão de derrubar um ditador, sendo esta a premissa de um dos filmes mais esperados do próximo ano, aqueles que muitos chamam o próximo épico de acção, The Expendables. Realizado e protagonizado por Sylvester Stallone, a fita que promete estar “recheado” de puros momentos de acção e adrenalina conta com um elenco de luxo deste tipo de produções; Arnold Schwarzenegger, Mickey Rourke, Jason Statham, Jet Li, Danny Trejo, Dolph Lundgren, Eric Roberts e Brittany Murphy. Por enquanto o filme encontra-se ainda em rodagens, mas já se encontra disponível o poster e uma imagem com Stallone em plena acção.


publicado por Hugo Gomes às 00:30
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Real.: Carter Smith

Int.: Jonathan Tucker, Jena Malone, Shawn Ashmore

 

 

Plantas carnívoras? Elas existem na realidade, mas são algo cujo nome é despropositado e desmesurado, porém esse tipo de criaturas sempre povoaram o universo fantástico em que isso sustentou num básico estereótipo digno de qualquer premissa cientifica-horror dos anos 50. Ao contrário das bocas enormes munidas de dentes e um ar feroz semelhantes a qualquer obstáculo do popular jogo da Nintendo, Super Mário, The Ruins apenas diferencia dos tantos “road trip horror movies” pelo seu original e um pouco nostálgica entidade assassina. Inicia-se como qualquer filme do género, quatro americanos de férias no México que com a influência de um alemão aspirante a arqueólogo vão visitar um templo Maia que não se encontra em nenhum mapa. Ao chegar ao local são mantidos dentro das ruínas pelos aborígenes e é lá que entram num jogo de sobrevivência, onde se esconde um muito antigo predador, uma planta carnívora com tudo aquilo que tem direito. Como filme de terror, The Ruins é previsível, mas nada que não garante um belo par de sustos, arrepios e alguma força psicológica, mesmo que limitada quanto á trama. As interpretações, essas, são desequilibradas variado por momentos entre a ênfase dramática até ao desespero que não convence nem ao santo espectador. Em suma; uma tentativa de frescura caindo no fracasso rotineiro.

 

A não perder – Para fugir um pouco dos psicopatas de mascara branca ou engenheiros com manias de Deus.

O melhor – a entidade assassina, única lufada de ar fresco

O pior – o filme é um bocejo, tão cliché e mais que cliché

 

Recomendações – The Descent (2005), The Happening (2008), Anaconda (1997)

5/10

 


publicado por Hugo Gomes às 00:11
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15.5.09

Real.: Tom Tykwer

Int.: Clive Owen, Naomi Watts, Armin Mueller-Stahl, Ulrich Tomsen, Alessandro Fabrizi

 

 

Baseado no escândalo de BCCI (Bank of Credit and Commerce International), The International de Tom Tykwer é o mais recente filme de acção e suspense a preencher as salas de cinema portuguesas, o qual Clive Owen celebra grande destaque neste ano 2009 após do inteligente Duplicity de Tony Gilroy ao lado de Julia Roberts, desta vez a actriz conhecida em Notting Hill é “trocada” por Naomi Watts (Mulholland Drive, The Ring). Ele é um agente da Interpol, ela uma advogada de Manhattan, ambos juntam forças para derrotar uma poderosa instituição bancária que opera com a utilização dos seus fundos para o fornecimento de armamento e corrupção. Enquanto a verdadeira BCCI teve que fechar em 5 de Julho de 1991, este novo “paraíso capital” abre trazendo toda a adrenalina digna de qualquer filme da saga de Jason Bourne ou doutro qualquer bem sucedido filme de espionagens e o carisma de Owen a “encher” o ecrã definitivamente, cumprindo mais uma vez a compensação de ter recusado ser James Bond quando tinha oportunidade. Tom Tykwer, o mesmo realizador de Perfum e Run, Lola Run, define a sua fita como um “internacional” thriller em que muitas cenas foram filmadas em lugares longínquos como Istambul, onde desenrola-se o clímax da fita. No elenco também poderemos contar com Armin Mueller-Stahl (Eastern Promises), brilhante como sempre, Ulrich Tomsen (Hitman), que encarrega-se mais uma vez como vilão e Alessandro Fabrizi (dez anos após The Talented Mr. Ripley), porém mesmo estes referidos se encontrarem em segundo plano, todos eles se destacam em relação a Naomi Watts que parece condenada a uma personagem que não serve para nada em termos narrativos. The International – A Organização resulta num thriller com bons momentos e historia aproveitável que condizia com um perfeito ambiente de uma película de espiões dos anos 60, mas esta conspiração global é “sol de pouca dura”, que se perde pela pretensão e pela fraca aptidão do realizador. Tem exageros risíveis como a sequência dentro do museu de Guggenheim (digna de qualquer acção de serie B) e termina da pior forma possível. Se forem ver este filme por Clive Owen e o seu contagiante carisma, garanto-vos não se vão arrepender e se o vão ver por julgarem se tratar de um frenético thriller feito com cabeça, bem, é melhor pensarem duas vezes.

 

A não perder – mesmo sendo uma fábula fantasiosa, um banco como aquele existiu de facto e provavelmente muitos negócios do mesmo género são praticados com uma rotina alarmante.

O melhor – Clive Owen e Armin Mueller-Stahl

O pior – um homem chamado Tom Tykwer sem garra para este tipo de material

 

Recomendações – The Bourne Supremacy (2004), Casino Royale (2006), The Firm (1993)

5/10

 

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publicado por Hugo Gomes às 10:49
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14.5.09

Real.: Matteo Garrone

Int.: Salvatore Abruzzese, Simone Sacchettino, Salvatore Ruocco

 

Filme

Baseado no polémico livro de Roberto Saviano, Gomorra é um retrato quase documental dos crimes cometidos sem pudor nas províncias das cidades de Napoles e Caserta. Esta actividade ilegal que constitui tráfico de droga, lavagem de dinheiro, homicídios de aluguer, entre outros, advém de um sistema ligado á Mafia Camorra.

Veredicto

Um filme violento, cru e puro que cruza a proeza cinematográfica com o realismo documental, mesmo sendo de narrativa um pouco confusa e lenta, não podemos negar o respeito como uma das obras mais alarmantes do ano 2008.

AUDIO
Italiano Dolby Digital 5.1

LEGENDAS
Português

EXTRAS
Selecção de Capítulos
Trailer
Cinco Histórias Bravas
Selecção de Histórias
Entrevista a Roberto Saviano
Entrevista aos Actores
Cenas Cortadas
Em
Filmagens

Distribuidora – Prisvideo, SA

Ver Também

Gomorra (2008)

 

Filme –

DVD -

 

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publicado por Hugo Gomes às 23:55
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14.5.09

Real.: Stanley Kubrick

Int.: James Mason, Sue Lyon, Shelley Winters, Peter Sellers

 

 

Amor e obsessão encontram-se no mesmo ramo, contudo em extremos diferentes, estes dois sentimentos por vezes se confundem e a partir daí é difícil a sua identificação e separação, estes dois aspectos peculiares da raça humana encontram-se representados no romance literário de Vladimir Nabokov, sob a forma do corpo adolescente de Lolita, uma rapariga na flor da idade que gera motivo de atracção por parte do professor Humbert (James Manson), num conflito entre a sobriedade e a loucura carnal.

Estamos a inícios dos anos 60 e matéria-prima como a já referida peça literária era motivo de repulsa por parte de Hollywood que conservava a sua gestão de “bons valores familiares”, é só lembrar das controvérsias que várias organizações mantinham com o material transposto por Billy Wilder nos seus filmes, conhecido por ser um realizador ousado, nota que dois anos depois da data do filme Lolita, Kiss Me, Stupid de Billy Wilder foi rejeitado pelo grande público com influência da Liga Católico-Romana da Decência que condenou a fita pela sua temática arrojada. Lolita foi dirigida por Stanley Kubrick, um dos nomes maiores do cinema internacional, num tempo em que dava nas vistas graças a Spartacus com Kirk Douglas como protagonista.

Ao lidar com este erotismo pedófilo, Kubrick contornou a sua fita para outros enredos como por exemplo centrando-se destacavelmente na personagem camaleónica de Peter Sellers, que apresenta aqui uma “senhora” interpretação. Sue Lyon, com apenas 14 anos mas favorecidamente de aparência mais velha, é notável e bem honrosa no seu papel de Lolita, depositado todo o sex-appeal e ao mesmo tempo a inocência juvenil. Todavia o resultado de Lolita ficou muito aquém do esperado, tendo o realizador aclamado de não ter captado toda a essência da obra de Vladimir Nabokov, a verdade é que nesta obra, Kubrick não é ele próprio, toda a sua marca desvanece no tratamento de conteúdo tão polémico. Enquanto o realizador era distinguido pelos seus longos planos e pela sua perfeição técnica e visual, em Lolita a obra desenrolou como qualquer outro filme “made in Hollywood”, porém um dos bons.

Sendo uma narrativa mais veloz e vivaça que as obras que antecederam e que sucederão, a película consegue-se assegurar graças a variadas tentativas de ousadia de Kubrick e pela magnificência dos desempenhos de Sellers e Lyon. E sabendo que o ser humano é capaz das mais vastas loucuras, Lolita continua a ser uma pérola da sétima arte e um inicio de que o cinema clássico não deve ser restrito aos bens familiares, perdida a inocência de Hollywood.

 

A não perder – um filme essencial da filmografia de Kubrick

O melhor – Peter Sellers e Sue Lyon

O pior – não atingindo os verdadeiros objectivos

 

Recomendações – Hard Candy (2005), In The Land of Women (2007), Shakespeare in Love (1998) 

8/10
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publicado por Hugo Gomes às 23:51
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publicado por Hugo Gomes às 23:45
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14.5.09

Real.: Mathieu Kassovitz

Int.: Vincent Cassel, Hubert Koundé, Saïd Taghmaoui

 

 

Por momentos esquecemos que existiu o dito cujo, Babylon A.D., ignoramos por completo Gothika e até mesmo Les Rivières Pourpres, encontramo-nos amnésicos face ao seu desempenho em Munich de Steven Spielberg, o que agora, neste momento pretende-se é a sua visão á delinquência social. Mathieu Kassovitz realizou um dia, mais propriamente em 1995, La Haine, o qual o autor foi considerado por muito tempo um Martin Scorsese francês e isso nota-se nas habituais referências de Taxi Driver, Goodfellas e Mean Streets. A temática de O Ódio, sendo esse o seu título em português, é a abordagem da violência dos subúrbios de Paris, o qual implica no realizador um experimentalismo urbano, centrando-se no dia-a-dia de três amigos unidos pela impetuosidade que os rodeia e pelo receio de se manter vivo até ao final do dia, o trio segue uma jornada que se varia entre a frieza dos seus meios até os “últimos” resíduos de amor e confraternidade que podem adquirir mesmo nos piores dos ambientes. Kassovitz filma La Haine a preto-e-branco, ou seja monocromático, não por desapropriadas razões. O contraste destas duas cores se reflectem num habitual modo de pensar que cada indivíduo possui ao classificar bem e mal, no cinema tais estereótipos se transformam em maniqueísmos, em La Haine, as suas personagens povoadas pela violência, crime e rebeldia encontram-se no limiar entre o errado e certo, se isso for mesmo viável. Personagens como a de Vinz (Vincent Cassel), capazes de amar, proteger os seus amigos e família, com capacidades de cometer os mais atrozes actos, ser consumido pela ira (neste caso ódio), revoltar-se e até mesmo cobiçar a maldade como propósito de prazer. O universo de La Haine é complexo, é pecaminosamente filósofo e “amante” da situação real que muitos querem negar ou evitar. O desejo de ser gangster, o desejo de ser um assassino, de metaforicamente “incendiar o Mundo”, nasce como o único método de liberdade que um indivíduo neste momento possui, a única forma de contrair as regras de um jogo chamado vida, se um lei diz que matar é homicídio equivalente a punição, se até um dos dez mandamentos cita “Não matarás”, é obvio que a revolta destes seres que nascem e crescem na violência urbana, por vezes cheia de ignorância, necessitam de vivos de qualquer forma. Vincent Cassel, não desfazendo as interpretações de Hubert Koundé e de Saïd Taghmaoui, é o verdadeiro Roberto De Niro á francesa, sua simbiose com o enredo de Kassovitz, encontra-se no mesmo patamar que Scorcese em relação ao actor norte-americano. Um conto urbano, real, duro, violentamente belo, sem maniqueísmos, nem panfletarismo (ao contrario de American History X, que é muitas vezes comparado), uma revelação como autor (Mathiew Kassovitz – vencedor do prémio de Melhor Realizador no Festival de Cannes), La Haine é uma obra singular do cinema francês e não só. Hei! Gangsters de segunda, que tal meterem os olhos nisto ao invés de Velocidades Furiosas e companhias?

How you fall doesn't matter. It's how you land!

  

A não perder – um filme com mais de 10 anos e que continua a citar tão correctamente a verdade diária

O melhor – tudo

O pior – a comparação com American History X

 

Recomendações – American History X (1998), Cidade d Deus (2002), Mean Streets (1973)

10/10

 


publicado por Hugo Gomes às 23:34
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11.5.09

publicado por Hugo Gomes às 22:41
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8/10 - Bom
7/10 - Interessante
6/10 - Razoável
5/10 - Medíocre
4/10 - Muito Fraco
3/10 - Mau
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