27.4.09
27.4.09

Real.: Alex Proyas

Int.: Nicolas Cage, Rose Byrne, Chandler Canterbury, Lara Robinson

 

 

Um filme de Alex Proyas é sempre motivo de celebração, para quem não o conhece, este talentoso autor foi o responsável pelo filme-trágico The Crow, o qual Brandon Lee perdeu a vida durante a rodagem, o culto de The Dark City e o frenesim futurístico de I, Robot, agora mantendo o registo da ficção científica com Knowing, que tinha tudo para ser um grande filme da temporada porém no papel principal está Nicolas Cage, que parece ultimamente um rei Midas, em que tudo o que toca transforma-se em ouro, infelizmente no caso dele é o oposto. Vindo de um “real sangue” de cineasta, sendo ele sobrinho do magistral Francis Ford Coppola (The Godfather, Apocalypse Now), Cage sofreu uma infama que deriva dos seus últimos filmes, topicamente de má qualidade, da categoria mais comercial possível e com maus desempenhos, sim, da parte dele. Ora é Ghost Rider, ora é Wicker Man, ou é Next ou até mesmo Bangkok Dangerous, que foram todos filmes (excepto o primeiro) que sofreram sucessos temporários mas ficaram condenados a tornarem-se fracassos após o “passa palavra”. Visionando as suas escolhas anteriores, poderemos garantir que Knowing é o seu eventual regresso (ironicamente ás fitas menos más), contudo os méritos da fita derivam mais de outros factores que dele, já que o seu desempenho encontra-se em automático. A começar, pelo que já referi, o realizador que consegue sempre acompanhar a história de maneira cativante em relação aos efeitos especiais de grande qualidade que reproduzem grandes e ousadas cenas de destruição (a sequencia do desastre aéreo é formidável e os danos colaterais chocantes, mas não gratificantes), contudo nada se pode prevalecer se um argumento arquitectónico não exista para sustentar a trama. Desde já é uma fita de premissa original que roça o thriller e a ficção científica, relatando um armagedão profetizando através de um misterioso agrupamento de números escritos num papel que fora depositado num projecto escolar conhecido como a “cápsula do tempo”, tal folha de papel dita os dados relativos a futuros desastres naturais que acabam por concretizar, por fim tudo se desenrola no mais do mesmo em termos produção hollywoodesca, pais viúvos marcados pela tragédia, crianças que são únicas testemunhas de fenómenos bizarros e que falam com seres de igual categoria (onde é que vimos isto!), ninguém parece acreditar no protagonista e novamente a irritável moral de americano em fazer-nos acreditar que a Ciência é maligna e a religião é um modo a seguir, no seu geral, mesmo sob a capa de inovador, Knowing é cliché atrás de cliché. Rose Byrne, limitadamente eficiente, Chandler Canterbury a surpreender e Lara Robinson que mesmo sendo inexperiente no ramo se encontra em melhor forma do que Nicolas Cage, fazem parte do elenco deste “pouco cerebral thriller” do mesmo argumentista de Mercury Rising.

 

A não perder – os efeitos especiais e os desastres digitais.

O melhor – os efeitos especiais

O pior – este filme engana, não é tão inteligente como pretende ser

 

Recomendações – Number 23 (2007), The Day The Earth Stood Still (2008), War of the Worlds (2005)

 

5/10

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:57
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A Empire revelou as primeiras imagens de The Lovely Bones, a adaptação do best seller de Alice Sebold, realizado por nada mais, nada menos que Peter Jackson (The Lord of the Rings), o filme segue a historia de uma rapariga de catorze anos que é violada e assassinada pelo seu vizinho e é no céu que ela “espia” as reacções dos seus familiares e também do seu assassino. Este romance celestial tem data de estreia para o dai 11 de Dezembro nos EUA; Mark Wahlberg, Stanley Tucci, Rachel Weisz, Susan Sarandon e Saoirse Ronan fazem parte do elenco.

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:39
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CINEMA PORTUGUÊS EM DESTAQUE NO INDIELISBOA'09


O IndieLisboa'09 abriu a 6ª edição do festival com uma grande salva de palmas ao cinema português, um gesto prolongado ao longo dos 11 dias do festival com a exibição de 29 filmes de produção nacional e as LisbonTalks, os debates do IndieLisboa que põem na mesa as questões mais prementes que preocupam os profissionais da indústria cinematográfica portuguesa.

A ver e ouvir, durante a próxima semana:

 

LisbonTalks

 

O Aparecimento de Novos Realizadores em Portugal. Haverá espaço para eles?
Segunda-feira, 27 de Abril, às 17h30, na Sala 2 do Cinema São Jorge

Em 2004, quando o Festival IndieLisboa se iniciou recebemos um conjunto pequeno de filmes portugueses, a maioria apoiado pelo Instituto de Cinema. Hoje em dia, esse número multiplicou-se e recebemos na última edição mais de 200 filmes. As escolhas estão cada vez mais difíceis de fazer, o que atesta que a qualidade vem a aumentar, o que muito nos satisfaz enquanto programadores e organizadores de festival. Mas aquilo que nos preocupa é que a maioria destes realizadores seleccionados, não só pelo IndieLisboa, mas em muitos outros festivais internacionais estrangeiros, não vai continuar a fazer cinema, se as estruturas de apoio ou o meio profissional não mudarem muito rapidamente. (Com Miguel Valverde)

Salas Independentes de Cinema em Portugal. Urgente?
Terça, 28 de Abril, às 17h30, na Sala 2 do Cinema São Jorge

Em Portugal, praticamente não há salas de cinema que não estejam integradas num grupo ou que não estejam ligadas a distribuidoras. É cada vez maior a tendência para a concentração da oferta cinematográfica. A escassez de salas que exibam documentário, curta metragem ou cinema de países de baixa produção é gritante. Como aumentar a diversidade da oferta cinematográfica em Portugal? (Com Rui Pereira)

A Internacionalização do cinema português. Repensar metodologias e estratégias de internacionalização do cinema português.
Quinta, 30 de Abril, às 17h30, na Sala 2 do Cinema São Jorge

O cinema português continua a precisar de reforçar a sua visibilidade nos mercados internacionais. É hoje necessário contrariar as dificuldades de implementação no mercado de distribuição e exibição internacional, e repensar novas estratégias de internacionalização. Vamos repensar metodologias, discutir formas de solução e colocar as perguntas certas. (Com Ana Isabel Strindberg)

Cinema

 

Birth of a City, de João Rosas
Segunda, 27 de Abril, às 21h45, na Sala 1 do Cinema Londres

Era uma vez um rapaz em Londres. Dia após dia, ao andar pela rua, o rapaz, não sendo doido, ouvia a cidade falar consigo. Não eram só as pessoas, eram também os edifícios que falavam, e os autocarros e os comboios, os parques e os mercados. E diziam – ora gritando, ora sussurrando – fi lma-me! E o rapaz, dia após dia, de câmara em riste, em peregrinação, fi lmou. O quê? O seu bairro e quem lá vive e trabalha. E uma rapariga. Claire. Pintora. De quê? Cidades. Assim se fez Birth of a City, como se de um diário se tratasse. Espero que gostem.” (João Rosas)

Muitos Dias tem o mês, de Margarida Leitão
Segunda, 27 de Abril, às 21h45, na Sala 2 do Cinema São Jorge
Sexta, 1 de Maio, às 21h15, na Sala 2 do Cinema Londres

É um documentário sobre a realidade actual e emergente na sociedade portuguesa: o endividamento das famílias portuguesas. Procura resgatar do anonimato dos números e estatísticas a voz e o rosto de pessoas que entre o sonho e o desespero, entre a ilusão e o esforço, se vêem a braços com difi culdades de fazer face aos compromissos assumidos. Surge de uma inquietação sobre uma situação humana limite, sobre a natureza do ser humano e as suas contradições. Revela a luta diária de pessoas, com os seus calendários povoados por dias em que é preciso cumprir obrigações. É um retrato urgente de uma sociedade centrada na satisfação imediata do eu. Uma sociedade onde tudo nos indica que a felicidade só se alcança com consumo. Só assim os nossos desejos podem ser saciados. Propõe um olhar sobre os mecanismos de aquisição de crédito, os seus intervenientes e protagonistas. Um olhar atento que questiona e provoca a refl exão. Um olhar que, para além da apresentação de factos e informação, procura alertar e ter um efeito pedagógico na sociedade. Põe em confronto dois padrões antagónicos: expectativa e realidade, necessidade e desejo, prazer e disciplina. Procura refl ectir sobre a nossa postura enquanto trabalhador devedor e consumidor gastador. Estes dois padrões são o reverso de uma mesma moeda: NÓS.” (Margarida Leitão)

Alasca, de Miguel Seabra Lopes
Segunda, 27 de Abril, às 21h15, na Sala 2 do Cinema Londres

Alasca surge enquanto condição material e relacional das personagens e não como identificação de uma paisagem ou de um lugar. Quem vive dentro de si tem os gestos contidos, as acções agrilhoadas nessa impossibilidade que é evoluir. Questionar seria permitir o surgimento da outra coisa, do desconhecido - zona de agitação e medo. E ninguém quer isso, pois não? Cada novo objecto possibilita laborar ou adentrar assuntos formais pendentes ou mesmo desconhecidos. Para mim prevalece o trabalho sobre a estrutura e sobre a dimensão. Neste fi lme tentei introduzir a elipse como um pós-fora-de-campo e a placidez no olhar frontal da câmara de fi lmar. Com os actores o que vigora, apesar de imberbe, é que seja garantida certeza em cada gesto ou em cada acto, que a gravidade da representação vacile entre a solenidade e o ridículo, que o que é consumado tem valor concreto e evita uma leitura aberta sobre o que se vê. Na montagem concentrámo-nos em distinguir a incompreensão da ilegibilidade, tendo como vontade a supressão da primeira e a vontade da manutenção da segunda enquanto parte do todo. Alasca é apenas um dia, sabendo que amanhã será igual.“ (Miguel Seabra Lopes)

A Nossa Necessidade de Consolo, de André Santos e Marco Leão
Segunda, 27 de Abril, às 18h30, na Sala 2 do Cinema Londres

"No fundo, o tempo de nada serve, inútil instrumento de medida que só regista o que a vida já me trouxe." (Stig Dagerman) Ao ler o ensaio de Stig Dagerman A Nossa Necessidade de Consolo É Impossível de Satisfazer, fomos levados a lugares da nossa história pessoal que tornaram conscientes inquietações que nos têm acompanhado toda a vida. O nosso fi lme é uma breve refl exão sobre a passagem do tempo e sobre a vida. Quisemos expressar-nos com os pés bem assentes na realidade, pois esta questão é, para nós, algo demasiado presente. Já que o objecto que queríamos criar era de tal ordem pessoal, sentimos a necessidade de nos vermos, no interior do nosso fi lme. Ao olharmos à nossa volta, encontrámos nas nossas mães as parecenças físicas que nos poderiam representar, e nas suas vidas a profundidade emocional que nos traria a intimidade e a proximidade que queríamos sentir no nosso fi lme. Fazê-lo foi, de certa forma, a nossa maneira de encontrar algum consolo, ainda que momentâneo. É isto que o nosso fi lme representa, a impossibilidade de nos sentirmos completamente consolados uma vez que o tempo não pára, a vida não pára e tudo o que conseguimos são breves momentos em que nos sentimos completos.” (André Santos e Marco Leão)

Santos dos Últimos Dias, de Leonor Noivo
Segunda, 27 de Abril, às 18h30, na Sala 2 do Cinema Londres
Quarta, 29 de Abril, às 19h, na Sala 1 do Cinema São Jorge

É um filme sobre os jovens missionários domovimento Mórmon, os Elders e as Sisters. O modelo que estes jovens perseguem assemelha-se a uma prova pessoal, iniciática, durante os dois anos que passam longe de casa. Saíram do seu país para estudar outra língua e outra cultura, absorvidos por esse espírito de missão. Hoje discutem as questões da fé, da família, da religião, da existência, aspirando a ser os exemplos dos rapazes e raparigas perfeitos. Neste filme, como nos anteriores, volto a olhar para um grupo e para a forma como este se organiza. Esta é uma instituição que preza a ordem e o auto-controle, que aprofunda as regras de comunicação, assumindo por vezes a encenação como necessária, para levar a sua mensagem às pessoas. Interessam-me as regras e os seus desfasamentos. Todo o processo de aproximação a este grupo obrigou-me a entendê-las e a “jogar” de acordo com elas. Mais do que falar sobre a instituição, este fi lme fez-me chegar aos outros, àqueles a quem os missionários procuravam levar a mensagem. O fi lme acaba por assumir esses dois caminhos que raramente se cruzam. O das pessoas, em busca da fé, da salvação, de companhia. E o dos missionários que se esforçam, com escrituras e ensinamentos, para as doutrinar. O contraste é evidente. De novo, uns e outros, à procura de uma razão no que é irracionável, à procura de uma forma de organizar o mundo.” (Leonor Noivo)

Sangue Frio, de Patrick Mendes
Terça, 28 de Abril, às 21h15, na Sala 2 do Cinema Londres
Quarta, 29 de Abril, às 19h, na Sala 1 do Cinema São Jorge

Sempre gostei do universo do fantástico. Nunca imaginei que iria fazer fi lmes fantásticos. No fim da montagem fi quei surpreendido com o resultado: fantástico.” (Patrick Mendes)

Singularidades de uma Rapariga Loura (Ante-estreia), de Manoel de Oliveira,
Terça, 28 de Abril, às 22h, na Sala 1 do Cinema São Jorge

Macário ocupa o lugar de contabilista do armazém do tio Francisco, em Lisboa. É o seu primeiro emprego. Do outro lado da rua habita Luísa Vilaça, a rapariga loura por quem logo se apaixona perdidamente. Quer casar-se com ela. De imediato. Acabou de a conhecer mas não pode esperar. O tio discorda, despede-o e expulsa-o de casa. Macário vai contando estas atribulações amorosas a uma senhora desconhecida, numa viajem de comboio a caminho do Algarve. Continuando a história, parte mas leva a certeza de que não desistirá da amada - o que pode um tio contra o mais genuíno amor? Segue para Cabo Verde, onde consegue enriquecer. Quando volta, tem já a aprovação de Francisco para o casamento. Vai, finalmente, desposar Luísa Vilaça. Que mais poderia desejar? É só então que descobre a “singularidade” do carácter da noiva. Uma extraordinária adaptação do conto original de Eça de Queiroz.

Passeio de Domingo, de José Miguel Ribeiro
Quarta, 29 de Abril, às 19h, na Sala 1 do Cinema São Jorge

Passeio de Domingo é um filme que conta a história de um dia na vida de uma família que se esqueceu de si, no meio de uma cidade que os empurra para dentro. Uma história onde o espaço entre as pessoas e as coisas é valioso e um pedaço de terra livre é transformado em caldo verde e sonhos de crianças. Um dia em que não é possível continuar igual. Um filme viagem construído num estúdio de animação de volumes que vai de Lisboa a Montemor-o-Novo passando por Bruxelas, Valence e Utrecht. Com várias equipas, línguas, alguns anos e os amigos do costume. Com o empenho de todos foi possivel chegar ao fim. Obrigado.” (José Miguel Ribeiro)

Exótica, de Sérgio Cruz
Quinta, 30 de Abril, às 21h15, na Sala 2 do Cinema São Jorge
Sexta, 1 de Maio, às 19h, na Sala 1 do Cinema São Jorge

Este filme nasce de um convite feito pelo coreógrafo português Miguel Pereira para colaborar numa residência de três semanas em Moçambique para o seu novo espectáculo, estreado em Junho de 2008 no festival Alkantara, em Lisboa. Dentro do trabalho de pesquisa durante a residência tínhamos como intenção inicial investigar e documentar, para além das questões pessoais (passado) da infância do coreógrafo, alguns elementos da cultura africana, através do contacto com a comunidade local da dança e da musica. No entanto, durante a residência fomos confrontados com uma situação deveras insólita: “a cidade de Maputo, pensada e edificada na altura pelo “espírito pioneiro e empreendedor dos Portugueses”, estava a ficar coberta e envolvida por um tecto verde, frondoso, enorme, que pelas fachadas dos edifícios, com as suas raízes-tentáculos furando e rasgando os passeios. (texto de Miguel Pereira) Exótica é o resultado da compilação de algumas das imagens e sons recolhidos durante a residência em Maputo. O filme apresenta justaposições de fragmentos da floresta com fragmentos de edifícios de betão e rituais de dança e música capturados na cidade de Maputo. A banda sonora combina sons originais das filmagens, incluindo sons naturais, sons de batuques, de trabalhadores e tráfego na cidade que se vão transformando progressivamente numa faixa de drum & bass.” (Sérgio Cruz)


Vai com o vento, de Ivo Ferreira

Sexta, 1 de Maio, às 19h, na Sala 1 do Cinema São Jorge

As histórias são quase sempre as mesmas. Nas simples, as pessoas nascem e crescem num determinado sítio, estudam mais ou começam a trabalhar mais cedo. Trabalham no lugar onde nasceram ou mudam de lugar para procurar uma vida melhor e viverem outras experiências. Esta é uma história que se passa em qualquer cidade, em qualquer país. Ao filmar uma história assim, quis encontrar num personagem a complexidade destas decisões de forma a percebê-las (e perceber-me) melhor. Foi assim que no início de 2008 fui a Quingtian, Zhejiang, a cerca de 700 quilómetros a sul de Xangai, encontrar Wang Ping que tentava emigrar para Portugal. Sentei-me frente a frente com ele (e com outras personagens). Procurámos a autenticidade dentro de cada um de nós, dentro das nossas culturas. Acabei por segui-lo até Lisboa e encontrar-me com ele uns meses depois de ele estar instalado. Na China, quando alguém se despede de quem vai partir numa longa viagem diz: “Vai Com O Vento”. Fizemos esta viagem e este fi lme juntos porque o tínhamos de fazer. E assim ficámos mais nós. (Ivo M. Ferreira)

 

Visionary Iraq, de Gabriel Abrantes e Benjamin Crotty
Quinta, 30 de Abril, às 21h15, na Sala 2 do Cinema São Jorge

Visionary Iraq conta a história de um teenager português e da sua irmã adoptiva angolana que durante a sua relação de pseudo-incesto decidem alistar-se na operação de libertação do Iraque. O drama atinge o seu expoente máximo quando eles descobrem que o pai está a lucrar com a reconstrução do Iraque. O filme termina com perguntas do género - “So dad is profiting from our suffering?” e afirmações como – “Democracy is just so many lies”. Penso funcionar bem como uma grande metáfora para os países que têm implicações em conflitos mundiais. Se pudesse escolher uma tagline para este filme seria algo do género: “Uma hiper-ficção surreal e cínica sobre o conflito actual no Iraque com um final sincero e comovente”. Este filme é político da mesma forma que Hollywood é política, cria falsas memórias sobre a nossa forma de ver o mundo. Eu partilho da ideia de Frederic, Jameson que considera o “trabalho político” como ficção científica. O livro Utopia é ficção científica. Um trabalho político é aquele que tenta imaginar o mundo, distorcê-lo e pervertê- lo, para que seja possível refl ectir moralmente sobre o que o nosso mundo devia ser. (Gabriel Abrantes, entrevista ao site Rua de Baixo.

 

Visita Guiada, de Tiago Hespanha
Quinta, 30 de Abril, às 21h15, na Sala 2 do Cinema São Jorge

Todos os anos vêm a Portugal milhões de turistas à descoberta de um país, um povo e uma cultura. Durante a viagem, grande parte vai contactando com vários guias-intérpretes incumbidos de os guiar nessa descoberta. Nos discursos dos guias cruzam-se elementos da história, da arte, lendas e contos da tradição oral, etc., tudo isto unido pela personalidade do narrador, daquele a quem cabe transmitir em dado momento a história do seu país. A construção dessas narrativas é o tema deste filme, ele é sobre a forma como nos damos a conhecer enquanto país, povo e cultura, através do turismo. A forma como nos apresentamos aos outros fala-nos daquilo que somos, da nossa auto-representação. Desde os anos 60, nos tempos do SNI (Secretariado Nacional da Informação) e de António Ferro, a profissão de guia-intérprete veio sendo valorizada e regulamentada, nessa época os guias eram “estimados” mas sobretudo controlados pelo regime; a principal preocupação era a de apresentar Portugal como uma nação grandiosa, que “abriu novos mundos ao mundo”, e como centro florescente de um vasto império colonial. Depois da revolução de 1974 esse programa alterou-se e os guias-intérpretes passaram a ter outra autonomia. Passados 35 anos sobre o 25 de Abril interessa-me neste filme explorar como é que hoje os guias-intérpretes apresentam Portugal aos turistas. A rodagem deste filme constituiu um mergulho no universo do turismo organizado. Durante três meses, numa equipa de duas, às vezes três, pessoas (realização/imagem, som e produção) acompanhámos inúmeros grupos de turistas, viajámos de norte a sul, em várias línguas, atentos à forma como os guias-intérpretes constroem os seus discursos e como neles se inscreve uma ideia de história e identidade nacional. Este filme parte de uma reflexão sobre o que é o turismo de massas, o que é que se conhece através dele, de que forma se estrutura esse conhecimento e qual a ideia do país e da cultura portuguesa se pode construir neste universo.” (Tiago Hespanha)

Algo Importante, de João Fazenda
Quinta, 30 de Abril, às 18h45, na Sala 3 do Cinema São Jorge

O filme desenvolve-se a partir da ideia de repetição, do desenho circular dos dias. É um filme sobre rotinas e projectos adiados, sobre a indecisão e o tempo a passar. A personagem é um homem magro que tem qualquer coisa importante para fazer, mas que hesita constantemente entre uma série de afazeres e pequenos acidentes domésticos. Há sempre outras coisas para tratar, para resolver, e o homem luta contra o tempo e por isso todos os seus dias duram uma vida. Como se trata de um filme de animação, a plasticidade da imagem ganha contornos narrativos. É no movimento do desenho, no ritmo das manchas, no encadeamento dos planos que o filme se conta, que o tempo passa.” (João Fazenda)

Ruínas, de Manuel Mozos
Quinta, 30 de Abril, às 22h00, na Sala 3 do Cinema São Jorge
Sexta, 1 de Maio, às 17h45, na Sala 2 do Cinema Londres

Fragmentos de espaços e tempos, restos de épocas e locais onde apenas habitam memórias e fantasmas. Vestígios de coisas sobre as quais o tempo, os elementos, a natureza, e a própria acção humana modificaram e modificam. Com o tempo tudo deixa de ser transformando-se eventualmente numa outra coisa. Lugares que deixaram de fazer sentido, de serem necessários, de estar na moda. Lugares esquecidos, obsoletos, inóspitos, vazios. Não interessa aqui explicar porque foram criados e existiram, nem as razões porque se abandonaram ou foram transformados. Apenas se promove uma ideia, talvez poética, sobre algo que foi e é parte da(s) história(s) deste País.”(Manuel Mozos)

Arca d'Água, de André Gil Mata
Sexta, 1 de Maio, às 21h30, na Sala 3 do Cinema São Jorge

Arca d’Água reflecte a visão de um pescador que entrega a vida a uma mulher, Vi, e ao sonho comum de viajar pelas águas. Ele vive num lago, circunscrito por uma civilização que “evoluiu” sem a sua percepção. O barco é a casa que ele constrói para essa viagem a dois. Um berço e um altar para Vi, que guarda e trata como se a morte a tivesse santificado pelas águas daquela arca. Arca d’Água é o olhar e a solidão de um homem que vive um presente de memórias cruzadas entre a sua infância, o seu casamemto e o filho que nunca teve.” (André Gil Mata)

Pássaros, de Filipe Abranches
Sábado, 2 de Maio, às 16h15, na Sala 3 do Cinema São Jorge

Tudo gira em volta de aves. A caracterização das figuras intervenientes passa pelo recorte e delineação das mesmas enquanto silhuetas num mundo peculiar. Esse mundo é de alguma forma desprovido de psicologia no que toca à construção de estruturas ou egos de personagens pelo método mais tradicional. Está mais próximo, pensando agora em teatro, do teatro de marionetas descrito por Meyerhold, do que de um teatro dito do Método protagonizado por Stanislavski, e que se estendeu aos Estados Unidos via Actors Studio. No primeiro a biomecânica, o cinético versus estático, no segundo, as memórias e a psicanálise. Sempre senti uma proximidade maior com os autores da primeira escola referida, tanto no cinema e teatro como nas derivações para outras formas de expressão artística. Esta proximidade está presente essencialmente no processo criativo pois enquanto espectador sou mais permeável aos géneros que são subsidiários da segunda linha. O cinema de Hollywood é uma referência incontornável, por diversas razões. Exige-se apenas um sentido crítico das coisas. A ideia para esta animação surgiu a partir de uma banda desenhada minha. O elemento dramático ali prevalecente é a identificação dos personagens com aves. Trata-se do desenvolvimento narrativo da expressão “não sejas mãe galinha” e do instinto de protecção maternal. Pode-se também encontrar outro paralelismo entre o final e a forma como as aves ensinam as crias a voar, isto é, empurrando-as do cimo de uma árvore. Foi pelo grafismo e o trabalho da linha tremida e instável que se arquitectou um mundo perturbado e perturbante. Um conjunto de linhas nervosas e instáveis que acabaram por delinear a ideia sonora e musical da animação.” (Filipe Abranches)

Uns tantos Milhares de Negativos, de Paulo Seabra,
Sábado, 2 de Maio, às 21h30, no Museu do Oriente

Como o próprio nome indica, é um documentário sobre o espólio de milhares de negativos de fotomaton detidos pelo realizador. Uma apaixonante redescoberta de um mundo já extinto através de imagens (algumas delas também à beira do desaparecimento) povoadas por anónimos lisboetas.

 

 


publicado por Hugo Gomes às 22:04
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24.4.09

Real.: Joel Coen

Int.: Billy Bob Thornton, Frances McDormand, James Gandolfini, Tony Shalhoub, Richard Jenkins, Scarlett Johansson

 

  

Os geniais irmãos Coen que realizam e escrevem esta fita de traição e conspiração, aborda o homem comum, neste caso o barbeiro Ed Crane (Billy Bob Thornton), como centro de um episódio labiríntico composto por crime e luxúria. Desafiando o senso comum em que apenas e determinados indivíduos são capazes de engendrar algum plano maquiavélico que envolva capital, os Coen em conjunto com Thornton retratam uma personagem singular que questiona a vacuidade do seu vazio.

The Man Who Wasn’t There é uma película de detalhes, produzida a preto e branco que não é por isso que as suas características mais notáveis são ofuscadas, este filme dos irmãos Coen é uma apaixonante jornada de profundidade intrínseca que envolve cada frame como uma critica ao “modelo ideal” do “sonho americano”.

Billy Bob Thornton tem um dos seus melhores desempenhos em conjunto com Frances McDormand (sempre presente nas fitas desta duplas) e James Gandolfini com o carisma forte que garante com que as suas cenas são motivos de interesse. Scarlett Johansson surge em segundo plano, numa fase em que constantemente surpreendia ao invés de limitar-se a estrela, a sua personagem, Birdy, é adorável. Por fim, Tony Shalhoub tem um discurso notório da vulgaridade do indivíduo e de quanto mais olhamos, menos sabemos. A narrativa é plena de filosofia, nostalgia e inúmeras particularidades que não pode perder. O olhar dos Coen sobre a vulgaridade.

 

A não perder – Para nunca desprezar o “homem comum”.

O melhor – O talento dos Coen e a grande prestação do elenco

O pior – filme cheio de pormenores que não é para qualquer um.

 

Recomendações – American Beauty (1999), Revolutionary Road (2008), A Simple Plan (1998)

 

8/10
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publicado por Hugo Gomes às 23:37
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23.4.09

Real.: Ethan & Joel Coen

Int.: Brad Pitt, John Malkovich, George Clooney

 

 

Filme

Tudo inicia quando o analista da CIA, Osborn Cox (John Malkovich), recentemente demitido escrever as suas memórias dentro da agência de segurança. O pior é quando os apontamentos são encontrados misteriosamente no ginásio local e é então, julgando se tratar de informação ultra-secreta, que os funcionários Lind Litzke (France McDormand) e Chad (Brad Pitt) decidem chantagear o ex-CIA. Uma trama que unirá vários personagens que causaram resultados catastróficos.

Veredicto

Uma comedia inteligente bem ao jeito dos irmãos Coen, um elenco de luxo e trabalhadores que criam personagens coenescas de grande prestigio. Brad Pitt está fenomenal e o resto não se fica atrás. Um comedia negra a não perder!

AUDIO
Inglês Dolby Digital 5.1

 

LEGENDAS
Português

 

EXTRAS
Menus Interactivos
Selecção de Capítulos
Featurettes: "Finding the Burn"

"DC Insiders Run Amuck"

"Welcome Back George"

 

Distribuidora – Castello Lopes Multimedia

 

Filme –

DVD -

 

Ver Também

Burn After Reading (2008)

 

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publicado por Hugo Gomes às 23:20
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23.4.09

Real.: Alejandro Gomez Monteverde

Int.: Eduardo Verástegui, Tammy Blanchard, Manny Perez

 

 

Com três anos de atraso no nosso país, mas já com 6 prémios em variados festivais de cinema, incluindo o de Toronto, Bella é uma simples história de romance entre um ex-jogador de futebol e uma simples empregada de um restaurante mexicano, o seu amor irá leva-los a consequências mais profundos e ambos conhecerão o verdadeiro significado. Bella é realizado por Alejandro Gomez Monteverde, que nada mais realizou para além de duas curtas, concebe aqui um drama de toques triviais, mas é a sua sensibilidade que se destaca dos demais, como também o seu exotismo pelas suas personagens principais serem mexicanas. O par romântico está ao cargo de Eduardo Verástegui, um actor meramente televisivo e Tammy Blanchard, cujo currículo é mais preenchido, tendo já sido creditada em filmes como The Good Shepherd realizado por Robert De Niro e Cadillac Records (2007) ao lado de Adrien Brody e Beyoncé. Bella é equiparada a um simples romance que apenas diferencia de um amontoado pelas suas influências evangélicas que fazem semelhar um simples “livro de auto-ajuda”. As interpretações são desequilibradas, algo simbiótico com uma narrativa com mais distracções do que objectividade. Tantas mensagens moralistas para quê? Para tudo terminar da forma mais insonsa que roça o que Monteverde pensa ser eticamente correcto. Um filme discreto, mas nada curioso que invoca os sucessos do passado como fantasmas se tratassem.

 

A não perder – Três anos e mesmo assim estreia num cinema!

O melhor – Eduardo Verástegui

O pior – as suas meras tentativas de manipulação com o espectador.

 

Recomendações – Caos Calmo (2008), The Lovebirds (2007), Lost in Translation (2003)

5/10

 

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publicado por Hugo Gomes às 23:03
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22.4.09

Real.: Rob Letterman, Conrad Vernon

Int.: Reese Witherspoon, Will Arnet, Kiefer Sutherland, Seth Rogen, Hugh Laurie

 

  

Se o mundo for ameaçado com uma invasão alienígena, quem vamos chamar? Faz lembrar um pouco o “velho” slogan dos Ghostbusters, a mítica série de filmes em que quatro indivíduos ganhavam a vida a caçar esses ditos espectros. Contudo não são os Ghostbusters, mas sim os Monstros que são chamados para resolver a situação. Monsters Vs Aliens é a nova animação, distribuída a 3D, da Dreamworks, os mesmos estúdios que lançaram os sucesso de Shrek, Madagáscar e mais recentemente Kung Fu Panda. Utilizando referências aos dos populares filmes de aliens dos anos 50 e um pouco do universo da Marvel, nomeadamente X-Men, esta animação é a tresloucada aventura que combina ficção científica, fantasia e muito humor que agradará pequenos e graúdos. Como é habitual nestas produções, o elenco vocal é luxuoso, vindo directamente da carpete vermelha de Hollywood. Ora temos Reese Witherspoon, a vencedora do Óscar de Melhor Actriz de 2006 em Walk The Line, a biopic de Johnny Cash, como Ginormina, na sua estreia na animação (e que bem), uma colossal mulher que faz lembrar Daryl Hannah em Attack of the 50 Ft. Woman. Seth Rogen dá voz ao cómico B.O.B, uma espécie de gelatina falante ciclope (um achado do cinema animado). Hugh Laurie, o conhecido Dr. House dá vida ao Dr. Cockroach, um cientista em forma de barata, que nega sê-lo. Will Arnet é o Missing Link, uma incursão ao monstro da Lagoa Negra e por fim, Kiefer Sutherland, o “hiperactivo” Jack Bauer da série 24 é o General W.R. Monger. Este ousado produto animado consegue oferecer aquilo que promete, diversão, e é nesse caso que Monsters Vs. Aliens faz todo o sentido. As cenas de acção concebidas digitalmente são de grande rigor e rivalizando com os próprios filmes de Michael Bay. Os gráficos são dinâmicos e entusiasmantes e o final já promete sequela, pena que de certo não possui “coração” suficiente para se distinguir das enésimas produções animadas que integram as manhãs televisivas aos mais novos. Todavia é uma sessão de cinema para todas idades, com acção, comédia e muita aventura!

 

A não perder – quando o cinema animado se funde com o cinema de acção

O melhor – B.O.B (Seth Rogen) é sempre motivo de gargalhada

O pior – demasiada ridicularização das situações

 

Recomendações – Bolt (2008), War of the Worlds (1953), Plan 9 From Outer Space (1959)

7/10

 

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publicado por Hugo Gomes às 21:31
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21.4.09

Agradeço a todos os que participaram no passatempo do Festival Black & White / Cinematograficamente Falando, os vencedores irão receber convites duplos para “vaguear” livremente no festival entre os dias 22 e 25 de Abril, parabéns a:

 

Assunção Sousa Guedes

João Paulo Calvet

Sara Oliveira 

 


publicado por Hugo Gomes às 22:53
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16.4.09

LISBON TALKS

 

Lisbon Talks continua a ser um espaço aberto à discussão crítica, reflexão, aprendizagem e reformulação de ideias, à volta das práticas cinematográficas e do meio profissional português e internacional. Conta para isso com um seminário activo, debates e conversas informais envolvendo convidados de renome, nacionais e estrangeiros das diversas áreas do cinema e audiovisual.

DEBATES E CONVERSAS

Diariamente entre 26 de Abril a 2 de Maio, 17:30, Cinema São Jorge – Sala 2 - ENTRADA LIVRE

SEMINÁRIO ACTIVO “DA PRODUÇÃO À EXIBIÇÃO”

26 de Abril, 10:00 às 18:30, Hotel Florida, Sala de Conferências

INSCRIÇÕES ABERTAS até 24 de Abril (+ info talks@indielisboa.com ou TM. (+351) 91 675 04 65)

A exemplo das últimas duas edições, o IndieLisboa vai realizar um Seminário Activo, sob a orientação de Amândio Coroado, com o título genérico, Da Produção à Exibição, com dois painéis na parte da manhã - "De onde vêm os filmes – ideias e projectos", e "A Distribuição – Exibição"; e uma sessão na parte da tarde - Apresentação de Projectos – (Coaching), com Esther van Driesum da Binger Filmlab. Contamos com profissionais do meio cinematográfico português e internacional de renome na mesa dos convidados.

DEBATES

O APARECIMENTO DE NOVOS REALIZADORES EM PORTUGAL. Haverá espaço para eles?

(27 de Abril, 17:30, Cinema São Jorge, Sala 2)

Com Miguel Valverde

"Em 2004, quando o Festival IndieLisboa se iniciou recebemos um conjunto pequeno de filmes portugueses, a maioria apoiado pelo Instituto de Cinema. Hoje em dia, esse número multiplicou-se e recebemos na última edição mais de 200 filmes. As escolhas estão cada vez mais difíceis de fazer, o que atesta que a qualidade vem a aumentar, o que muito nos satisfaz enquanto programadores e organizadores de festival. Mas aquilo que nos preocupa é que a maioria destes realizadores seleccionados, não só pelo IndieLisboa, mas em muitos outros festivais internacionais estrangeiros, não vai continuar a fazer cinema, se as estruturas de apoio ou o meio profissional não mudarem muito rapidamente."

SALAS INDEPENDENTES DE CINEMA em Portugal. Urgente?

(28 de Abril, 17:30, Cinema São Jorge, Sala 2)

Com Rui Pereira

Em Portugal, praticamente não há salas de cinema que não estejam integradas num grupo ou que não estejam ligadas a distribuidoras. É cada vez maior a tendência para a concentração da oferta cinematográfica. A escassez de salas que exibam documentário, curta metragem ou cinema de países de baixa produção é gritante. Como aumentar a diversidade da oferta cinematográfica em Portugal?

A ACÇÃO DO CINEMA NAS ESCOLAS – Utilização do cinema enquanto instrumento pedagógico em sala de aula

(29 de Abril, 17:30, Cinema São Jorge, Sala 2)

Com Possidónio Cachapa

Como pode o cinema agir no ensino de forma a melhorar processos de aprendizagem, estimulando a abertura, o conhecimento e o sentido crítico dos alunos. O INDIEJUNIOR, com a criação do Kit “DVD “Escolas” e a sua acção de formação em diversos estabelecimentos de ensino no país, procurou aplicar este conceito do cinema como agente educativo. O IndieLisboa resolveu sentar à mesma mesa diferentes agentes, envolvidos em processos educativos pela Arte e que têm utilizado regularmente o cinema como instrumento pedagógico.

A INTERNACIONALIZAÇÃO DO CINEMA PORTUGUÊS. Repensar metodologias e estratégias de internacionalização do cinema português.

(30 de Abril, 17:30, Cinema São Jorge, Sala 2)

Com Ana Isabel Strindberg

O cinema português continua a precisar de reforçar a sua visibilidade nos mercados internacionais. É hoje necessário contrariar as dificuldades de implementação no mercado de distribuição e exibição internacional, e repensar novas estratégias de internacionalização.
Vamos repensar metodologias, discutir formas de soluça
̃o e colocar as perguntas certas.

A CRÍTICA DE CINEMA. Para que serve a Crítica?

(2 de Maio, 17:30, Cinema São Jorge, Sala 2)

A crítica de cinema é cada vez mais alvo de crítica. Para que serve a “Crítica”? Qual o valor da acção crítica como ideia e prática actualmente? Que mitos ou clichés alimentam formas de percepcionar a sua legitimação e que novas configurações se desenham no papel da verdadeira crítica de cinema? Estas são as questões que se vão colocar neste debate que terá a presença de críticos portugueses e estrangeiros.

CONVERSAS INFORMAIS

À VOLTA DE WERNER HERZOG

(26 de Abril, 17:30, Cinema São Jorge, Sala 2)

O crítico de cinema e responsável de programação da Cinemateca Portuguesa Luís Miguel Oliveira estará à conversa com Grazia Paganelli (comissária da exposição Werner Herzog e autora do livro “Sinais de Vida – Werner Herzog e o Cinema”) e o produtor Lucki Stipetic (irmão de Werner Herzog) sobre a obra do Herzog em Portugal.

À CONVERSA COM JACQUES NOLOT

(1 de Maio, 17:30, Cinema São Jorge, Sala 2)

O realizador Jacques Nolot, um dos Heróis Independentes desta edição do festival e François Bonenfant, um dos programadores da Cinemateca Francesa e conhecedor da obra do homenageado, juntam-se numa conversa informal à volta do universo do cinema de Nolot e das suas criações, para falar de cinema mas também sobre a vida em geral. Uma conversa especial, forte e impressiva.

 

 


publicado por Hugo Gomes às 18:44
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Real.: Walter Sales, Daniela Thomas

Int.: Sandra Corveloni, João Baldasserini, Vinícius de Oliveira

 

 

Alguém me disse um dia que é nas terras húmidas e cheias de pobreza do Brasil que vem os filmes mais comoventes da nossa saga cinematográfica. Tudo indica que a sua percepção do seu quotidiano dá-lhe forças para produzir obras de grande paladar realista, grandes desempenhos e uma fotografia de cortar a respiração. O cinema português por outro lado é mais cínico e egoísta, prefere dar destaque a histórias sem cabimento na nossa realidade (sempre demos importância á classe mais avantajada na nossa ficção), sem desenvolvimento e com fraca aptidão para bons desempenhos, ora oferecemos os papéis a actores de novela ou de teatro, pior é que anda muito na moda nestes dias, dar papéis a quem simplesmente não sabe representar ou nem esforça para isso. Contudo ambos os países fluentes da língua de Camões partilham a paixão pelo desporto rei, o futebol, obviamente um mais que o outro e não é preciso insinuar quem é quem.

È na paixão do dito desporto que nasce esta comovente história realizada por Walter Sales, um dos mais internacionais realizadores brasileiros (Dark Waters, Diarios de Motocicleta) em conjunto com Daniela Thomas (Terra Estrangeira) que também concebeu o argumento, Linha de Passe é um retrato realista da podridão e violência do Brasil, representado numa mãe solteira (Sandra Corveloni) de quatro filhos, todos eles com os seus problemas mas que mutuamente partilham o desejo de conhecer o seu desconhecido pai, o futebol é a sua salvação.

Foi candidato á Palma de Ouro do Festival de Cannes do ano passado, mas só Sandra Corveloni recebeu a Palma de Melhor Actriz numa personagem polivalente que serve de união ao desenrolar das quatros histórias, dos quatros filhos, o seu desempenho é uma proximidade do realismo. Contudo este trata-se de uma daqueles filmes em que não é fácil identificar a personagem principal, de certo modo a narrativa quer seguir o modo mosaico, mas tudo cede numa complexidade diegese. O resto das prestações são credíveis, realistas, o que se torna por vezes uma carga enorme de motivação.

Todavia como espectador senti uma frustração quando o final foi cedido a múltiplos cliffhangers, como isso estivesse na moda do que é artisticamente aceitável, tudo isso faculta numa altura que ficamos presos ao universo destas personagens quede tanto ficção tem como nós. Um apaixonante filme de sensível realismo, aquele que a Associação de Críticos de São Paulo considera o Melhor Filme Brasileiro de 2008.

 

A não perder – para quem faz do futebol o seu modo de vida

O melhor – o tratamento do realismo quotidiano

O pior – Sentir no final que o conjunto de historias davam mais “pano para mangas”.

 

Recomendações – A Ultima Parada 174 (2008), Cidade de Deus (2002), Goal! (2005)

 

7/10
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publicado por Hugo Gomes às 18:36
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15.4.09

Real.: Michael Mann

Int.: Al Pacino, Russell Crowe, Diane Venora, Christopher Plummer, Rip Torn, Philip Baker Hall, Bruce McGill, Gina Gershon, Michael Gambon

   

Baseado em factos verídicos e num artigo de Marie Brenner – The Man Who Knew Too Much, The Insider é um conjunto de consequências em que a verdade nem sempre está acima de tudo e o acto do dever cívico nem sempre é a escolha mais acertada. Consequências, essas que valeram a descredibilizaram do programa informativo de prestígio “60 Minutos” produzido pelo canal CBS. Dentro desse mesmo programa televisivo está Lowell Bergman (Al Pacino), o produtor, um audaz homem quem consegue tudo o que quer em favor ao seu programa, obtendo as entrevistas mais arriscadas e mais mediáticas. Contudo nunca um episódio deu tanto trabalho que aquele que o filme de Michael Mann refere, a entrevista bombástica de Jeffrey Wigand (Russell Crowe), um executivo recentemente despedido de uma mega-empresa de tabaco que veio esclarecer os verdadeiros motivos e a negligência empresarial do seu local de trabalho.

Nomeado a 7 Óscares de Academia em 2000, incluindo o de Melhor Filme, The Insider foi injustamente um dos grandes perdedores da Gala. Trata-se de um misto entre thriller e drama que expõe todo o talento de Mann na cadeira de realizador, desde a sua excelente coordenação dos actores, a sua visão ao cenário envolto, sempre descartando a fantasia composição das cidades (mérito cometido em Heat e mais recentemente Collateral e Miami Vice) e a sempre acertada banda sonora acompanhada com aquele toque mágico de câmara.

Nisso revela-se uma verdadeira pérola do final da década de 90, quanto aos desempenhos, a destacar é mesmo Russell Crowe numa interpretação soberba, mesmo capaz de ofuscar Al Pacino que se encontra na sua melhor forma. O actor de Gladiator e A Beautifull Mind têm aqui o seu melhor papel, uma prestação que lhe valeu uma nomeação ao Óscar. Christopher Plummer é carismático o bastante para ser protagonista das suas próprias cenas, Philip Baker Hall tem garra, Michael Gambon arrepia, Diane Venora sofre credivelmente e Bruce McGill brilha subitamente numa pequena mas gloriosa cena decorrida dentro de um tribunal de Mississípi. Um complexo retrato á busca de informação e da credibilidade dos medias e a sua constante guerra de audiências. Hipnótico, negro e soberbo.

 

A não perder – Um thriller calmo mas bastante perturbador

O melhor – Um actor de grande prestígio como Russell Crowe, um autor de grande talento como Michael Mann

O pior – Um humilhante perdedor na gala dos Óscares

 

Recomendações – Thank You To Smoking (2005), A Mighty Heart (2007), Network (1976)

 

 

10/10
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publicado por Hugo Gomes às 11:44
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14.4.09


B&W 09 - TV Promo from eartes on Vimeo.


publicado por Hugo Gomes às 22:44
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publicado por Hugo Gomes às 22:33
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Real.: Yukihiko Tsutsumi

Int.: Toshiaki Karasawa, Etsushi Toyokawa, Takako Tokiwa

  

 

Imaginem o seguinte, são crianças e com o seu grupo de amigos formam um daqueles clubes secretos em que apenas os exclusivos podem “entrar”. Dentro desse clube, existe convívio entre os membros que inclui jogos e brincadeiras das mais diferentes formas e feitios, até um logótipo possuem. Como por brincadeira, decidem escrever um livro de profecias que relata o fim da civilização. O que de inicio era uma brincadeira de crianças, transforma-se numa seita secreta e religiosa liderada por um misterioso Friend, cuja identidade é uma incógnita. Friend segue a risca a “profecia criada por aquele bando de crianças” e utiliza o seu símbolo para espalhar o terror e exterminar a humanidade durante a passagem do século XX para XXI, apenas os autores desse clube são os únicos capazes de impedi-lo. Se a cultura japonesa sempre foi detentora de mitos e códigos de honra, a urbanização nipónica é um pouco seguida pelo histerismo cultural, é um mundo diferente, mais independente e esquivo a principal globalização do Mundo. A sua cinematografia neste momento varias dos mais diferentes costumes, mas são os seus ditos “blockbusters” que reinam as bilheteiras nacionais. Nesse grupo poderemos apenas incluir os J-Terrors (filmes de terrores que pouco evoluíram desde Ringu e Ju-On), os animes e os aspirantes a eles como este 20th Century Boys. Baseado numa manga de Naoki Urasawa, o novo filme de Yukihiko Tsutsumi tinha o verdadeiro proveito de uma historia base bastante apelativa e original, sem os habituais requisitos de um produto animado nipónico, contudo perde-se no desequilíbrio entre o humor e o trágico, o qual em certos momentos de pura seriedade é rompida com o mais distorcido humor oriental. Tsutsumi esteve mais preocupado em ser fiel á obra original e com isso cede ao erro de se apresentar com os mesmos tiques de um anime qualquer, os desempenhos também são ruins com expressões exageradas e atitudes imaturas que cortam qualquer motivo de ser levado por esta história apocalíptica a sério. Já se promete a continuação, contudo apenas pede-se um pouco mais de maturidade e mais elasticidade ao termo. Apresentado em Portugal na I Mostra Sci Fi do Cinema Fantástico, eis mais um fracasso histérico em forma de filme vindo directamente do Japão.

 

A não perder – uma visão apocalíptica bastante diferente

O melhor – o argumento

O pior – Os “tiques” de anime

 

Recomendações – The Goonies (1985), The Outsiders (1983), Casshern (2004)

5/10

 

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publicado por Hugo Gomes às 19:21
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Real.: Harald Zwart

Int.: Steve Martin, Emily Mortimer, jean Reno, John Cleese, Alfred Molina, Andy Garcia, Aishwarya Rai, Jeremy Irons

 

 

Passaram 45 Anos desde que o lendário Peter Sellers interpretou pela primeira vez o bizarro e divertido Inspector Clouseau em The Pink Panther (1963) de Blake Edwards, provavelmente a sua personagem de marca, uma fasquia que iria originar uma meia dúzia de filmes, curtas-metragens animadas e até sereis televisivas de animação.

Mas longe do clássico da comédia, a Columbia Tristar Warner encontrou nele uma nova forma de rentabilidade, sendo que em 2006, juntando um elenco atractivo e uma estrela do humor moribunda, Steve Martin, refazem The Pink Panther pela mão de Shawn Levy (Mentiroso Compulsivo), que resultou num agradável sucesso de bilheteira (não duradouro), mas a repudia dos fãs do original foi severa. Noves anos depois eis que estreia a sequela, o qual Steve Martin regressa ao protagonismo e ao argumento, que escreve em conjunto com Michael H. Weber e Scott Neustadter. Pudera se não fosse esta tentativa de franchising, a sua restante ligação ao mundo do cinema. The Pink Panther 2 é o retorno do atrapalhado Inspector Clouseau na pista de mais um desaparecimento do Diamante Pantera Cor-de-Rosa.

Um comédia física e colorida que conta com um elenco de luxo, com a afirmação de Emily Mortimer e Jean Reno (ao contrario do antecessor, desta vez não possuem brilho), que se encontravam presentes no antecessor, a substituição de Kevin Kline por John Cleese (apesar de Kline destacar-se no filme anterior, Cleese é sempre uma divertida adição) e a aquisição de Alfred Molina, Aishwarya Rai (estrela internacional de Bollywood) e a estreia na comédia deste registo, Andy Garcia, que promete acima de tudo inovar quanto actor e “esquivar” dos seus habituais papeis de mafioso, pelo que não conseguiu fugir deles por completo, e a surpresa de Jeremy Irons (ninguém sabe ao certo que ele faz precisamente no filme).

Para finalizar, Harald Zwart, o mesmo realizador de Cody Banks, substitui Shawn Levy no mesmo “papel”, que resulta numa direcção em piloto automático. Tal como muitas vezes sucede no futebol, nem sempre a equipa com o maior número de estrelas é a vencedora, resumindo tudo apenas a um espectáculo de vedetas. Steve Martin volta a utilizar inadequadamente o “espírito” de Peter Sellers, em criar uma variante de Johnny English do que propriamente do celebre Inspector Clouseau, resultando e ofendendo a composição da personagem de Sellers, aqui vemos um palhaço desastrado em forma de detective e não o simples detective desastrado (o humor físico é do mais exagerado que há). Uma comédia desproporcionada, colorida e imatura até demais. Mas pronto, é isto que da audiências! Para esquecer!

 

A não perder – Um elenco de luxo, pouco trabalhado

O melhor – a cena da apresentação de Andy Garcia

O pior – a eventual questão de porquê produzir uma sequela de um remake que repudiou mais do que propriamente agradou

 

Recomendações – Johnny English (2003), Austin Powers in Goldmember (2002), The Pink Panther (2006)

 

 

Ver também

The Pink Panther (1963/2006)

 

 

 

3/10
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publicado por Hugo Gomes às 15:43
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Real.: Larry Charles

Int..  Bill Maher, Jose Luis De Jesus Miranda, Dean Hamer

 

 

Por mais estranho que pareça, o intuito de Religulous não é promover o ateísmo nem o agnosticismo, mas sim separar a fé do fanatismo religioso que parece estar cada vez mais presente na nossa sociedade, além disso, mais pressionada com a chegada dos novos tempos. Realizado por Larry Charles, Religulous utiliza o mesmo “modus operanti” do seu antecessor, Borat (2006), que ao invés de Sacha Baron Cohen, temos o igualmente cómico Bill Maher, que faz-se passar por um entrevistador que encabeça uma peça documental sobre a Jornada Espírita, mas na verdade este “disfarce” serve intuitivamente para destacar o ridículo e o irracional dentro das grandes sociedades religiosas. Tal como Maher refere a meio do documentário como é possível pessoas tão desconfiadas no seu dia-a-dia, mas sem “coragem” para questionar uma cobra falante, a suposta reencarnação de Cristo nos novos tempos, uma descendência de extraterrestres ou até mesmo a invasão de zombies judeus. Inevitavelmente o filme suscitou polémica, quer do seu conteúdo, quer da sua campanha publicitária cujos muitos movimentos religioso aclamam de ofensivo e herético. Esta “jornada” de desmistificação às diferentes religiões sem o auxílio do Código Da Vinci ou qualquer outro tipo de “heresia” tem com arma é apenas humor inteligente em disfarce de questão pertinente e uma ironia que engloba a linha ténue que separa a fé do ridículo.
Um delicado, mas não por isso “cobarde” documentário cómico que no final atravessa o seu grande momento de reflexão, pena que o caminho até lá levará muitos “fiéis” a saírem bruscamente da sala de cinema. A arte de duvidar, uma característica única do ser humano é posto á prova. Contudo existe algum desequilíbrio nas suas “provas de fogo”, enquanto a religião cristã e os seus congéneres é facilmente ridicularizada, sente-se um receio em “questionar” o islamismo. Em suma – quem é que é incapaz de lançar uma boa gargalhada com a ignorância dos outros. Sabendo que religião não significa de todo irracionalidade, eis um filme para cada um de nós abrir os nossos horizontes de forma risonha e irónica. Para vê-lo há que ter coragem de mentalizar que não somos os únicos a ter a fé, e mesmo acreditando em Deus, temos que aceitar que Ele não para uns, mas para todos (repito se acreditarem).

PS – Como ateu, senti-me praticamente ofendido com a facilidade que as pessoas têm em sair da sala do cinema, só porque o filme contrariou os seus ideais. Não devemos (como país) levar ao extremo dos EUA. Se faz favor!

 

A não perder“You don't have to pass an IQ test to be in the Senate.” Uma frase que “explode” e que reflecte na situação político-religiosa dos EUA.

O melhor – o conjunto de ideias e entrevistas

O pior – a sua ironia não conseguirá cativar os fiéis que acharam ofensivo.

 

Recomendações – Mary (2005), Da Vinci Code (2006), The Last Temptation of Christ (1988)

7/10

 


publicado por Hugo Gomes às 15:30
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Real.: Billy Wilder

Int.: Marilyn Monroe, Tom Ewell, Evelyn Keyes

 

  

Depois do sucesso de Sunset Boulevard (1950), Billy Wilder devia um contrato de três filmes á megalómana Paramount Pictures e com o termino das filmagens de Sabrina (1954), o autor seguiu de imediato para novos estúdios entre eles a 20Th Century Fox, o qual com a cooperação de George Axelrod escreveu o argumento de Seven Year Itch, um filme baseado numa peça teatral do próprio Axelrod, o qual Wilder abdicou do seu imaginativo talento para poder trabalhar com Marilyn Monroe, o que não escondeu admiração para a celebre e estrelar figura da actriz.

Esta comédia romântica apresenta a história de um homem casado e com filho, Richard Sherman (Tom Ewell) que após a ausência da sua esposa, tenta de tudo para seduzir a sua sensual vizinha (Marilyn Monroe). Contudo a sua consciência é debatida pelo bem e o errado segundo os seus parâmetros, resultando assim em situações embaraçosas. Um dos grandes êxitos do estúdio e de Wilder que beneficiou do sex-appeal da sua estrela e tornou imortal a sua figura. Existe uma cena memorável, cortada pelo próprio estúdio devido á grande disposição sexual em que Monroe se encontra sobre um gradeamento do metro, todavia serviu para publicidade da própria fita.

Wilder e Axelrod expõem o “papão” do adultério na sociedade, o que resulta numa comédia inteligente de grande prestígio e de gags absolutamente fenomenais onde o realizador não poupa censura á sua liberdade de exposição sexual e linguagem liberal. Tom Ewell tem um desempenho absorvente e divertido, com monólogos igualmente cativantes e insólitos que preenche com química o contraceno com Monroe, que verdade seja dita, não é uma actriz soberba como Hepburn ou Bergman, mas a sua imagem é radiosa e electrizante que transmite uma presença inegável, a sua personagem encontra-se bem escrita e mesmo com as primeiras impressões se trata de um carácter bastante complexo. Mas alguém tem dúvidas que a mulher é um icon?

Porém The Seven Year Itch é uma película que se sente muito a fidelidade da adaptação de Wilder para com um texto que não é seu, e sabendo que o cinismo cinematográfico já nos trouxe maravilhas de fazer corar o cidadão de época. Mas obviamente que apesar desta sua limitação, eis uma comedia divertida, como nunca fora produzida nem antes e depois.

 

A não perder – o fascínio de Wilder por Marilyn Monroe

O melhor - a ousadia de Wilder, a chama de Monroe

O pior – um Wilder bastante preso á adaptação

 

Recomendações – Some Like It Hot (1959), Lost In Translation (2003), Kiss Me, Stupid (1964)

 

Ver Também

Some Like It Hot (1959)

 

8/10
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publicado por Hugo Gomes às 14:48
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13.4.09

Real.: Mike Leigh

Int.: Sally Hawkins, Alexis Zegerman, Andrea Riseborough, Eddie Marsan

 

 

 

Mike Leigh é um dos nomes veteranos da cinematografia britânica; Life is Sweet (1991), Naked (1993), Secrets & Lies (1996) e Vera Drake (2004) que fez com que Imelda Staunton fosse nomeada para o Óscar de Melhor Actriz, são exemplos de filmes importantes que distinguiram uma carreira. Passados quatro anos, eis que surge por fim um novo filme da sua autoria, trata-se do insólito Happy-Go-Lucky, que não seduziu o público em geral, mas encantou a critica que foi desde há muito aclamar como um dos melhores do ano 2008. Leigh apresenta ao mundo, a admirável Sally Hawkins, uma actriz britânica que viveu quase exclusivamente dos produtos televisivos. Neste papel de alegria contagiante parece que finalmente a actriz de 32 anos está a conquistar ao Mundo aos poucos, tendo agora na manga vários projectos puramente cinematográficos, sendo um; Happy Ever Afters ao lado do realizador / argumentista Stephen Burke. Graças ao seu delicioso desempenho, venceu o Urso de Prata para Melhor Actriz no Festival de Berlim de 2008 e o Globo de Ouro de Melhor Actriz / Comedia, a sua prestação na fita é de uma professora primária chamada Poppy, que ensina numa escola em Londres. O seu lema de vida, tal como o título traduzido indica, é viver Um Dia de Cada Vez, e nisso, ela irá mostrar aos que se encontrem em seu redor que o mundo pode ser maravilhoso e não cinzento como muitos crê e que vivem como rotina. Mike Leigh parece adoptar essa “colorida” forma, expressou-se á imprensa que havia sido cedido ao derrotismo, sendo essa desculpa à dramática e séria filmografia. Será este filme de teor cómico-dramatico, um novo rumo a carreira de um dos mais importantes realizadores britânicos, nomeado para o Óscar de Melhor Realizador em 1997 por Secret & Lies? Para começar, o filme tem algo de optimista, tanto como um sorriso amarelo e cínico, não que isso se reflicta na qualidade de Happy-Go-Lucky, mas os seus propósitos são pouco claros. Muitos (ou seja, os poucos que o viram) afirmam ter saído contagiado com a felicidade quase histérica da personagem de Poppy, nesse caso parece que fui uma espécie de “ovelha negra”. O que causou aflição foi a crueza de que o Mundo necessita ser feliz, aceitando o mundo em seu redor tal como ele é e pior, há que se apresentar em termos esteticamente aceitáveis. Sally Hawkins representa uma idealista, que se apresenta como uma moralidade quase rara no seio da sociedade, mas temos a sensação que a nossa protagonista parece viver numa maré de sorte, em que momento nenhum é marginalizada pelos restantes, apenas aceitada como ela é, mesmo que a sua felicidade é levada ao extremo. A certa altura não encontramos nenhum propósito para o sentido de vida de Poppy, o porquê apresentado no grande ecrã, tudo isso cede sabendo que Mike Leigh é um autor dramático e mesmo sob o disfarce de “pastor de auto-ajuda”, não consegue dispensar o seu dito derrotismo. Como símbolo desse derrotismo encontra-se Eddie Marsan que interpreta Scott, o instrutor de condução de Poppy, mais um idealista, mas em contraste com a protagonista. Este Scott é perturbado, revolucionário a qualquer lei da sociedade e um grande perdedor na fita pelo facto de não sentir o mesmo que Poppy sente pelo mundo. Contudo é marginalizado, até mesmo pela própria protagonista “detentora de felicidade”. No final temos a sensação que ela fracassou em trazer felicidade, mas resumo que se trata numa pessoa meramente feliz que tem tudo o que quer através de um estalar de dedos, até certa altura consegue um namorado que mais parece um modelo das revistas Men’s Health e um trabalho bem pago e todo o tipo de experiencias possíveis. Não, não me convenceu, de optimista não encontrei nada, Leigh não disfarçou a sua ironia e a sua visão cinzenta da vida, de resto posso dizer que não existe nada que fizesse sentir que era capaz de mudar um mundo que não quer ser mudado. Hawkins encontra-se formidável, ninguém diz o contrário, a realização é madura e algumas situações são deveras hilariantes, sem estes aspectos, o filme era outro. Mas … com a crise envolto, não é este filme que vai fazer feliz ou especial, coisa que o “subvalorizado” Slumdog Millionaire conseguiu.

 

A não perder – Uma actriz como Sally Hawkins

O melhor – o talento de Hawkins

O pior – o falso pretensiosismo de optimismo embalando em crítica social.

 

Recomendações – Amelie (2001), Slumdog Millionaire (2008), Eden Lake (2008)

 

Cinema is My Life

Happy Go Lucky (7/10) - Sally Hawkins apresenta-nos uma interpr etação oscar worthy. Não se deixem enganar pelos tons cómicos da fita, este trabalho de Mike Leigh é tão próximo da realidade quanto alguma vez poderia ser.

 

 

 

6/10

 

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publicado por Hugo Gomes às 17:39
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Real.: Thomas McCarthy

Int.: Richard Jenkins, Haaz Sleiman, Danai Jekesai Gurira

 

 

Walter Vale é um professor viúvo que perde a emoção pelo ensino e escrita, que após uma viagem a Nova Iorque para assistir a uma conferência encontra Tarek e Zainab, um casal de imigrantes ilegais, o qual Vale começa por ajuda-los estabelecendo assim fortes laços de amizade.

Richard Jenkins interpreta Walter Vale, num desempenho que já arrecadou elogios e a Nomeação ao Óscar como momento alto da carreira do veterano, mas por vezes, esquecido actor destacado pelas produções independentes. Recentemente o vimos como o colega de Frances McDormand no invulgar Burn After Reading dos irmãos Coen (2008), estabelece aqui um papel calmo, mas inspirador que retrata as diferenças culturais entre americanos e árabes (nacionalidade dos imigrantes). Realizado por Thomas McCarthy, o mesmo de The State Agent (2003) com Patrícia Clarkson, um filme esquecido pela Academia e público, tem aqui a seu segundo trabalho como director.

McCarthy labora também na indústria cinematografia como actor (Baby Mamma, Syriana), mas como argumentista que o seu talento tem sido aclamado. The Visitor pode ser facilmente identificável com “produtozinho” independente que surge todos os anos e que tantos gostam, muitos elogiam, mas que não ficam na memória, todavia esse factor é um descabido neste exemplar de fina classe, a prova disso está a nomeação da interpretação de Jenkins para os Óscares, após dois anos passados.

O filme em si, é uma admirável crónica sobre a solidão que se converte numa critica amena com “pedigree” da emigração ilegal nos EUA e a sua relação como país / individuo e individuo / país pós 11 de Setembro, o que facilmente cedia ao conteúdo “mais olhos que barriga”, o que não e o caso, pausado quando deve e não anuindo ao panfletarismo, eis que surge um pequeno grande filme.

The Visitor é um filme mais discreto da temporada dos Óscares, contudo é uma experiência imperdível e Richard Jenkins é memorável num papel de um homem comum que descobre que tem força para mais.

 

A não perder – vamos meter os olhos em Richard Jenkins, se faz favor!

O melhor – poderia ser um somente filme de actor, mas é muito mais que isso

O pior – “peixe” independente não sobrevive entre os “tubarão” de grandes proporções.

 

 Recomendações – Lost in Translation (2003), The Wackness (2008), Rachel Get Married (2008)

 

 

 

8/10
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publicado por Hugo Gomes às 14:09
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12.4.09

 

Bem, voltei, espero que tenham sentido a minha falta, se sim, não desesperem, se não, na teoria ninguém é perfeito.

Quero antes avisar que o blog irá sofrer transformações drásticas, contudo a partir dia 24 de Maio, o qual iniciarei (em principio) a minha carreira militar, enquanto isso, além do trabalho, irei furtivamente ver cinema e falar sobre ele. As criticas terão outro formato, algumas serão mais pequenas que o habitual, sendo um facilitismo na actualização deste blog.

Na verdade é só isto que tinha a dizer, eu voltei.

 

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publicado por Hugo Gomes às 21:34
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