31.3.09

Filho de ferreiro, Clinton Eastwood Jr. nasceu em 1930, San Francisco, abandonou o liceu de Los Angeles, o qual estudava para poder relacionar-se com o mundo profissional. As suas primeiras aparições como actor foi em Tarantula (1955) e Francis in the Navy (1995), mais tarde consagrou-se no western como por exemplo a trilogia Um Punhado de Sergio Leone, o qual se tornou num símbolo de masculinidade cinematográfica. Também actuou em variados policiais, entre eles o famoso Dirty Harry, onde marcou o cinema norte-americano com o seu estereótipo de detective incorruptível e justiceiro que fora mais tarde reproduzido inúmeras vezes nos filmes futuros. Como realizador, Eastwood estreou em 1973 com The Beguiled - The Storyteller, uma curta documental, e o Play Misty For me, o qual protagonizou ao lado de Jessica Walter, ambos os filmes foram concebidos em 1971. Sempre conhecido pela sua habitual dualidade de obras em cada ano, Eastwood variou o resto da sua carreira como actor, realizador e produtor, tendo vencido 2 Óscares de Melhor Realizador em 1993 (Unforgiven) e em 2005 (Milion Dollar Baby), provou ser um autor classicista mesmo nos tempos mais contemporâneos, sensível, simples e retratista, tornando as suas obras num evento cinematográfico anual e a sua presença nos prémios de Academia um facto incontornável (excepto este ano). Eastwood abordou os seus filmes com temas fortes igualmente servidas pelas emoções dos personagens, que por sua vez apresentadas com alguns dos melhores desempenhos da actualidade. O seu registo como realizador destaca-se por Bird (1988), um filme sobre a vida de Charles “Bird” Parker, o famoso saxofonista do jazz norte-americano, White Hunter Black Heart (1990), Unforgiven (1992), a sua despedida ao género western (nomeação para o Óscar de Melhor Actor Secundário), The Bridges of Madison County (1995), um dos romances cinematográficos mais belos, o qual Eastwood protagoniza ao lado de Meryl Streep, o conhecido Midnight In The Garden of Good and Evil (1997), um filme no mínimo singular, o “fiasco” Space Cowboys (2000), Mystic River (2003), Million Dollar Baby (2004), onde Hillary Swank venceu o seus segundo Óscar de representação, o quadro da batalha de Iwo Jima com Flags of Our Fathers (2006) e Letters From Iwo Jima (2006), e por fim Changeling (2008), com Angelina Jolie e Gran Torino (2008), a sua despedida á actuação. Neste momento encontra-se anexado ao projecto Human Factor, um olhar sobre a vida de Nelson Mandela (interpretado por Morgan Freeman) e do campeonato de Rugby de 1995. Clint Eastwood resume-se a uma lenda viva do cinema.

   

 


publicado por Hugo Gomes às 23:02
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29.3.09

Real.: David S. Goyer

Int.: Odette Yustman, Gary oldman, Carla Gugino. Meagan Good

 

 

Em 1973, William Friedkin assustava as audiências com o relato de um dos actos mais sombrios e negados da religião cristã, o exorcismo, a execução de expulsar um demónio ou espírito maligno do corpo de um crente, tal filme ficou relembrado como The Exorcist, um dos mais assustadores de sempre. Passaram 36 anos, e tal conceito foi imitado até á exaustão, mas sempre com resultados menores e nalguns casos puramente excrementícios. Passemos agora a The Unborn, o primeiro filme de terror do ano que conta com David S. Goyer, conhecido internacional como o argumentista de The Dark Knight, como realizador, tal “proeza” já havia tentado com a segunda sequela de Blade e o remake do filme sueco The Invisible. Infelizmente já as obras anteriores pouco ou anda afirmaram-no como um sólido autor, em The Unborn, o nosso autor bate no fundo da garrafa.

Recebendo o titulo português de Espírito do mal, como intuito de apelar às audiências lusitanas, eis a “velha” historia de assombração e possessão, que apenas diferencia do clássico de Friedkin somente pela invocação de um demónio judaico, que irá motivar um exorcismo de igual religião, levado a cabo por Gary Oldman. Aviso desde já, veteranos fãs do terror, que este “pseudo-terror” é do mais ingrato, cliché, pouco imaginativo e semi-amador que já estreou num cinema nos últimos anos. Tendo em conta de não se tratar de um remake, sequela ou outra “Maria” da moda gore, o facto é que The Unborn é deveras decepcionante.

O que errou? Bem a começar pela fraca prestação da protagonista que em momento algum parece empenhada no papel, já para não dizer que a moça não tem talento para as cenas de maior carga dramática e o lidar com esse drama para as restantes cenas. Ou seja, morrem amigos e pessoas queridas, mas o facto é que Odette Yustman não apresenta qualquer credibilidade. O resto dos personagens (excepto Oldman) são “carne para canhão”, estão na obra por motivos quer estéticos, quer delírio para as audiências que apelam às suas mortes ou estão lá, para simplesmente parecer bem. Contudo a maior desgraça está a cargo do realizador e do argumentista, por outras palavras de um só homem, David S. Goyer, duas, uma, ou escreve inspirado tal como aconteceu como os dois Batmans de Christopher Nolan ou até mesmo Dark City de Alex Proyas, ou faz, desculpem a expressão … burrices, como Jumper. Como realizador, eu sempre defendi que o autor não tem consistência como tal, por isso essa foi uma das razões que fez duvidar do eventual potencial de The Unborn.

Além de ser um “horror movie” mal escrito, ainda tem o descaramento de se apresentar narrativamente apressado e pretensioso a “oferecer” sustos á audiências, sem descanso. È o mesmo que ver um segmento de sketches, sem história como fundo, apenas sustos e todo o tipo de artifícios com os mesmos fins. Agora, tenham santa paciência, as tentativas de medo derivam apenas de clichés mais que previsíveis, muitas vezes acompanhados por péssimos efeitos especiais e por temáticas que involuntariamente depara-se com uma gargalhada do espectador. O filme apenas ganha uns pontinhos no preciso momento em que Gary Oldman surge. Para esquecer e perceber que Hollywood já não se encontra mais entre o terror.

A não perder – o facto dos EUA já não fazerem filmes de terror como dantes.

O melhor – apesar de tudo, Gary Oldman

O pior – é melhor passarmos adiante

 

Recomendações – The Exorcist (1973), An American Haunting (2005), Ju-On (2003)

 

3/10
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publicado por Hugo Gomes às 22:16
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Real.: Olivier Assayas

Int.: Juliette Binoche, Edith Scob, Charles Berling

 

 

Serge Lemoine, director do Museu d’Orsay, pretendia homenagear o cinema com um projecto em que englobava cineastas como Hou Hsiao Hsien, Jim Jarmuch, Raoul Ruiz e Olivier Assayas na concepção de curtas-metragens com relações aos artefactos ou á historia do museu. Assayas deparou com uma iniciativa interessante, contudo tais notas serviram de base para uma nova longa-metragem. Tal filme, L’Heure d’Eté, é um relato de gerações e de uma casa decorada com os inúmeros artefactos históricos ou coleccionáveis que reflectiram nos conflitos a família Berthier, após a morte da matriarca Hélène Berthier (Edith Scob) e a sua herança, dividida pelos seus filhos.

Se em Boarding Gate (a ultima obra de Assayas), o autor carenciou da coesão e solidez que serviria de base para o reconto da história pretendida, em L’Heure d’Eté – Tempos de Verão, afie de uma sensibilidade quer técnica ou intrínseca que lhe garante manobra de exploração á ética e desenvolvimento das suas personagens. À primeira vista todos dos caracteres parecem ser meros adereços decorativos que raiam um papel quase figurativo, mas a sustentação destas personagens advém de um outro personagem, colectivo, que é a casa de Verão de Berthier que é antes de mais o palco abrangente dos conflitos e das consciências dos membros da família que dividem os pertences. Esse acto irá emergir questões que unem passado, presente e futuro, tratados com uma delicadeza pura e sem histerismos. Sempre ouvimos dizer que é preciso a próxima geração destruir o que é a geração anterior construiu, este filme retrata um pouco esse conceito, mas de forma intimista e mais abordativa que simples artifícios.

Olivier Assayas carrega esta fita com o máximo de pormenores agradáveis para a saúde da mesma, quer estéticos ou decorativos, quer nos diálogos ou na composição das personagens. È sempre bom ver um filme que se preocupa com o realismo de tempo, tendo em conta que a narrativa é pausada por largos espaços de tempo, personagens como a da Frédéric (Charles Berling) que se apresenta em cada momento um aspecto diferente, como cabelo mais comprido, penteado variado, a incursão ou não incursão de pêlos faciais. Isto apenas demonstra a susceptibilidade do realizador em construir algo mais subsistente através de simples objectos de museu. Juliette Binoche é das melhores estrelas do cinema francês, cada vez mais condensada com o cinema de autor e Edith Scob tem um magnífico desempenho. Um olhar ao passado que reflecte no futuro de uma família. O melhor filme de Assayas.

A não perder – Edith Scob, uma actriz tão desconhecida mas tão magistral

O melhor – a delicadeza do tema

O pior – o enredo é sempre “plano” em termos de desenvolvimento.

 

Recomendações - Le Voyage du Ballon Rouge (2007), Dan in Real Life (2007), Elizabethtown (2005)

9/10

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:31
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Real.: Tomas Alfredson

Int.: Kåre Hedebrant, Lina Leandersson, Per Ragnar

 

 

O que é o terror? O que podemos criar com tal sensação? O que podemos desenvolver e experimentar? Algo que Hollywood nos dias de hoje parece esquecer por completo, catalogando o género de receitas milionárias, o terror ficou limitado a um certo grupo etário e pior as mesmas formulas. O terror deixou de ser sério, invés disso, tornou-se em catálogos de mortes sangrentas, obscenas, grotescas, sem personagens e sem emoção. O género é considerar frio, anti-sentimental e a condizer com o grupo de adolescentes á beira do estado de embriaguez com mais preocupações com os seus problemas de puberdade resolvidas com as cenas de nudez do que a historia em geral. Por mais estranho que isto possa soar, a mais recente experimentalidade do terror americano foi mesmo a animação Coraline de Henry Selick que inovou num novo subgénero bem descredibilizado que é o “terror para crianças”, fora disso pouco ou nada se sentiu nos últimos 5 anos em termos de matéria pelas bandas de Hollywood (Saw foi revelação que resultou num equivoco comercial). Quanto ao cinema ditamente “estrangeiro”, surgiram nos últimos anos caso meramente interessantes e ilimitados daquilo que se pode fazer com algo tão básico que é assustar audiências, coisa que também está a perder-se nesta geração You Tube, ora assistimos os fenómenos espanhóis com (REC), El Orfanato e até mesmo Fragiles, este ultimo destaca-se pela reutilização da semi-extinta estrutura da velha guarda, ora foram os britânicos a revelarem-se pioneiros em cena como Neil Marshall na The Descent, os japoneses em força com muita matéria-prima alvo de remakes e o mexicano Guillermo Del Toro que afirmou-se autor cénico na beleza fantástica de Pan’s Labyrinth (O Labirinto do Fauno). Neste caso irei falar-vos de um caso esporádico de experimentalidade na matéria de filmes de terror, o sueco Let The Right One In.

Este Let The Right One In surgiu no mesmo ano que Twilight, a adaptação do conto literário de Stephen Meyer em que abordava a relação amorosa entre uma humana e um vampiro, no filme de Tomas Alfredson a situação é um pouco oposta, neste caso é a historia de um rapaz de 12 anos, Oskar (Kare Hedebrant), que vive sob as ameaças dos seus colegas que lhe agridem quer fisicamente, quer psicologicamente. Oskar torna-se um rapaz bastante perturbado com um desenvolvimento de um lado obscuro psicótico deveras alarmante, tendo o desejo de vingar-se a todo o custo. Contudo, a chegada de uma nova vizinha, neste caso de uma jovem miúda que se auto-denomina como Eli (Lina Leanderson). Ambos se convertem nos melhores amigos e tal amizade transforma-se em algo mais forte, mais semelhante ao amor. Todavia, a controvérsia desta relação é o facto de Eli ser uma vampira e a sua vinda á cidade de Oskar é marcada por sangue. Adaptado de uma obra literária da autoria de John Ajvide Lindqvist, Let The Right One é para já o melhor filme de vampiros dos últimos 10 anos, por isso peço ao espectador que metam Twilight, Underworld ou 30 Days of Night num canto, porque estamos um patamar bastante superior.

Em função do pretexto do terror, houve competência para criar acima de tudo um filme mais sóbrio e “unido” á sua própria história, aqui não se encontra distracções que nos separam da narrativa, somente uma riqueza de beldade infernal que nos invade e que nos consolida com a mais inocente, negra e bela história de amor. Porque no fundo trata-se apenas disso, um romance, ausente de qualquer arquétipo comercial (cof* Twilight*cof) e mais humano. Com excelentes desempenhos por parte de todo o elenco, em destaque das prestações infantis como a revelação de Lina Leanderson que recria com maturidade uma vampira mista humana, mista pesadelo. No campo técnico temos rítmicas doses de gore, sangue e violência, mas que não se afirma como gráfica, aliás como o realizador afirma “as imagens mais fortes são aquelas que são criadas pelas nossas mentes”, o que isso demonstra é que existe uma madureza na concepção do terror, ou seja, não se trata de dar às audiências o que elas pretendem, mas sim o que elas necessitam, e numa obra deste género, necessitam da mente para leva-los aos cantos mais escuros, tenebrosos do filme, aqueles momentos em que não vemos, mas sentimos. Nesse caso, o filme é brilhante, contudo não pelo terror que Let The Right One In se vinga, mas sim pela própria humanização da trama, pela psicologia trazida á luz do dia, neste aspecto á escuridão das noites frias da Suécia. Por isso estamos perante na invulgar e mais perfeita sintonia do romance cinematográfico.

A fotografia é negra e claustrofóbica, a realização, mais uma vez madura, o ritmo é lento, mas confirmo, releva a beldade do filme. Let The Right One In destaca-se pela sua experimentalidade com o terror, e a prova de que este não tem que ser um mero “pipoqueiro” sedento de sangue, mas sim um conto de contornos únicos de formosura. Um dos melhores filmes do ano, faz de Twilight um objecto pelas mãos de Uwe Boll. Magnifico!

A não perder – a prova existencial que o terror é mais que meros sustos ocasionais, é arte e emoção.

O melhor – a madureza em relação ao género

O pior – apesar das grandes semelhantes e de estrear no mesmo ano, as inevitáveis comparação com a obra cinematográfica do Twilight.

 

Recomendações – Twilight (2008), Underworld (2003), Bram Stoker’s Dracula (1992)

10/10
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28.3.09

Real.: Marc Forster

Int.: Daniel Craig, Judi Dench, Olga Kurylenko

 

 

Filme

James Bond (Daniel Craig), o famoso agente da MI6, procura a vingança da morte de Vesper Lynd por todo o globo, até se confrontar com uma organização do crime praticamente desconhecida para as autoridades internacionais. Agora acabe a “007” e uma misteriosa mulher, Camille (Olga Kurylenko) impedir que esse mal triunfe.

Veredicto

Continuação directa de Casino Royale, algo único na fasquia, agora sob a direcção do experiente Marc Forster (Finding Neverland), Quantum of Solace é o upgrade de um filme bastante iniciante como o anterior de 2006. Promete mais acção e é isso que entrega, contudo a sua falta de dramatização como sucedera em Royale pode subvalorizar este filme. No seu todo é um grande filme de acção.

AUDIO
Inglês Dolby Digital 5.1
Castelhano Dolby Digital 5.1
Castelhano DTS
Polaco Dolby Digital 5.1 (Voice-Over)

 

LEGENDAS
Português
Castelhano
Polaco
Holandês

 

EXTRAS

Videoclipp “Another Way to Die”

Trailers

“Bond on Location”

“Start of Shooting”

“On Location”

“Olga Kurylenko and the Boat Chase”

“Director Marc Forster”

“The Music”

“Crew Files”

Clips de Bastidores

 

Distribuidora – Sony Pictures, LDA

 

Filme –

DVD -

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 20:08
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Baseado na novela de Charles Portis, True Grit, realizado por Henry Hathaway (1969), que garantiu o único Óscar de John Wayne, será refeito pela dupla dos irmãos Coen (Burn After Reading, No Country For Old Men), segundo a revista Variety. Por cá, o célebre western foi intitulado de “A Velha Raposa” e o remake tem data de estreia para 2011.

 

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publicado por Hugo Gomes às 19:58
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28.3.09

 

A revista de cinema Empire divulgou a primeira imagem de Antichrist, o novo filme de Lars von Trier (Dogville) que retrata um drama infernal do nascimento do anticristo, segundo a Bíblia, o filho legítimo de Lucifer (O Diabo). A película será protagonizada por Willem Dafoe e Charlotte Gaunsbourg.

 

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publicado por Hugo Gomes às 19:47
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publicado por Hugo Gomes às 19:46
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Real.: Dennis Dugan

Int.: Adam Sandler, John Turturro, Rob Schneider

 

 

Filme

Zohan (Adam Sandler) é um bem sucedido agente israelita com um sonho, esse sonho é ser cabeleireiro, o que dificilmente se concretizara na sua terra Natal. Porém, Zohan encena a sua morte para poder fugir para os EUA e assim “perseguir” o seu dito sonho, enquanto isso, o seu país é aterrorizado por um dos arqui-inimigos, o temível Phantom (John Turturro).

Veredicto

Não nego os seus momentos de alto-humor, alguns deles a roçar o ridículo, mas uma coisa é certa, esta sátira política, como gosta ser chamado, não é mais um spoof movie que não persegue nada de política nem da situação global. Ao menos Adam Sandler surpreende.

 

AUDIO
Inglês Dolby Digital 5.1
Espanhol Dolby Digital 5.1
Inglês Dolby Stereo

 

LEGENDAS
Português
Inglês
Espanhol
Dinamarquês
Finlandês
Hindú
Norueguês
Sueco

 

OPÇÕES ESPECIAIS
Comentários de Adam Sandler, Robert Smigel, Rob Schneider, Nick Swardson, do realizador Dennis Dugan
Documentários
Cenas adicionais

 

Distribuidora – Sony Pictures, LDA

 

Filme –

DVD -

 

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publicado por Hugo Gomes às 19:32
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A fúria da razão!

 

Em 1971, Clint Eastwood sob a pele de Dirty Harry aponta uma magnum a um assaltante que se encontrava estendido no chão após um fracassado golpe e suplicando pela sua vida, com a dita fúria da razão este citou “Do I feel lucky? Well, do ya, punk?”, um frase que marcou a sua carreira como agressivo actor e do estereótipo polícia incorruptível em geral. Passado 37 anos, agora com 78 anos de vida, Eastwood volta a protagonizar a mesma cena mas desta vez sob a forma de um aposentado veterano de guerra, Walt Kowalski, que tenta proteger o seu bem mais precioso, o seu Gran Torino de 1972 (um clássico automóvel), do seu vizinho adolescente, pressionado por uma gang local com o intuito de furta-lo. Ao invés da magnum, tem agora em sua pose uma espingarda e o larápio encontra-se perante ele, as palavras do actor foram as seguintes “Get off my lawn”. Isto só prova que após todos aqueles anos, Eastwood terminará a sua carreira como actor encarnando naquilo que sempre o caracterizou: uma figura congelada pelo tempo, pelos velhos costumes e velhas ideologias que usufrui da violência como seu modo de afirmação, por outras palavras uma personalidade da velha guarda.

 

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Gran Torino é uma incursão do mais básico que há em termos de “vigilante movie”, onde um homem aparentemente insensível e anti-social irá aprender a possuir compaixão através do uso de violência, que neste caso é a sua opção para proteger do mal que ameaça os seus vizinhos. Gran Torino é o último grande filme de Eastwood, que celebra a sua filmografia como actor resumida num só papel, iremos ter saudades de uma actor assim, como ele são poucos ou mais provável, nenhum. Este seu Walt Kowalsky é uma personagem e tanto, um fantasma puramente americano movido por preconceitos, medos e tormentos que levam a um desenvolvido, o qual o realizador / actor adivinha ser um espelho ao futuro dos EUA, os ventos de mudança chegaram, deixa-os entrar. Contudo esta retrospectiva de mudança se lança ao papel do autor na sua evolução. Kowalsky pode muito bem ser o Clint Eastwood do mundo cinematográfico, tendo um pouco de todos as personagens já desempenhadas por ele, desde Dirty Harry ao “Loiro Sem Nome”(da trilogia dos Dólares de Sérgio Leone), do Frankie Dune (Million Dollar Baby) a Bill Muney (Unforgiven). Este é o definitivo prodígio do legado.

 

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O que dizer sobre esta ultima aparição de Eastwood como actor, segundo ele? Verdade há quem o acusa como um actor pouco expressivo, mas na realidade o seu “ego” enraizado dos westerns condiz com a personificação de Kowalsky, num desempenho forte, presença de igual adjectivo, que se cruza com um argumento simples, mas inspirador. Uma obra que herda a veia filosófica citadina de Dirty Harry, presentes em diálogos bem escritos, labirínticos e variados em termos de opiniões, que consolida acima de tudo um confronto entre duas gerações distintas, tal temática encontra-se presente nas discussões entre a personagem de Kowalsky e a do jovem padre Janovich (Christopher Carley). Mesmo sendo estruturalmente simples, ao jeito de Million Dollar Baby, Gran Torino é um classicista e um “bom condutor” da relevância de um realizador que não tem medo de “mergulhar” entre a xenofobia, imigração e multi-cultura americana, nem mesmo Spike Lee e a sua arrogância em forma de racismo fazem melhor e bem doseado que isto.

 

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Destaque também para a banda sonora e o tema “Gran Torino”, interpretado pelo próprio Clint Eastwood e de seguida por Jamie Cullum, como não podíamos esquecer do resto dos desempenhos, nomeadamente Ahney Her como Sue e Bee Vang como Thao (Toad), todavia muito à deriva de Clint. Gran Torino foi nomeado aos Globo de Ouro, mas infelizmente esquecido nos Óscares, aliás o filme todo foi um “outsider” nesse campo, mas não é por isso que não estamos perante de uma obra-prima do cinema, a mostra que os filmes não têm que ser complexos e bacocos na dramatização. Gran Torino resume-se A Obra, O Homem e a Lenda.

 

Real.: Clint Eastwood / Int.: Clint Eastwood, Christopher Carley, Bee Vang, Ahney Her

 

A não perder – a ousadia de apresentar um personagem racista como protagonista, sem redenções fáceis. Clint Eastwood a resumir a sua carreira num filme.

 

O melhor – A caracterização de Walt Kowalsky

 

O pior – nem uma nomeação aos Óscares

 

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Recomendações – Million Dollar Baby (2004), Dirty Harry (1972), Walking Tall (2004)

 

(9/10) – “Clint prova que só ele nos consegue transportar até aos grandes clássicos realizando uma obra estonteante onde se destaca a sua interpretação e a incível metáfora que é o seu Gran Torino”. Cinema is My Life

 

(9/10) "Walt Kowalski poderá ser das personagens mais bem construídas e características dos últimos tempos, em parceria com um dos melhores filmes tanto de Clint Eastwood como da actualidade. Um filme para qualquer fã incondicional de Clint, e até mesmo para os menos adeptos do homem sem nome." Ante-Cinema

 

10/10
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publicado por Hugo Gomes às 19:24
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publicado por Hugo Gomes às 05:03
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Sociedade imperativa, o nascimento do anárquico!

 

A sociedade se comporta como um conjunto de leis em que cada individuo tem de cumprir para se iludir com a “forma correcta de viver”, por mais estranho que pareça ou confuso, esse correctismo que nos impões não tem que ser maioritariamente em termos éticos, aliás deve-se questionar a ética nos mais diversos parâmetros. Pondo de lado o criacionismo ou o antropocentrismo, temos que admitir que de certa forma o ser humano é um animal, domesticável por nós mesmos, nalgum período histórico decidimos e redefinimos os valores do bem, algo eticamente aceito por sendo comum, e em contraste com o errado, o mal. Contudo se seguirmos a nossa natureza, o dilema é ainda mais distorcido que a sociedade nos impõe e o instinto que nos tentam “retrair” á força, é prevalecido, isolado e fortalecido, mesmo em frente da nossa capacidade de raciocínio. Todos os dias chocamos com a “barbaridade” dos actos dos outros, temos conhecimento de notícias que variam desde violações, abusos de poder, crimes de todas as estruturas, feitios e ideias individualistas que resultam em tragédias de proporções calamitosas. Esta última poderá ser entendida como um pedido de ajuda de uma “sociedade” demente, consumista, materialista e fria, contra a nossa verdadeira natureza animal e a qualquer outra regra biológica, deixamos de preocupar com o simples acto de respirar e damos valor a “fantasias criadas por nós”, como por exemplo o ultimo modelo automóvel nas “mãos” ou a mansão luxuosa que nem temos vontade de chamar “lar”. Esta comunidade instalou-se no nosso ser e fez de nós escravos das nossas próprias criações.

 

 

Farto desse meio “ecológico” encontramos Travis Bickle (Robert De Niro), um homem que se insere no modelo de inadaptado, não por ter limitações físicas, mas mentalmente sentir desconforto com o mundo em seu redor. “Atacado” por insónias profundas e quase inaturais, Bickle decide trabalhar á noite como motorista de taxis, tal part-time se revelará como um conjunto de experiências que lhe irão mudar a sua forma de agir. Aos poucos, o “nosso” taxista sente-se cada vez mais atraído pelo seu lado negro, incontornável marginalidade que o leva a ter pensamentos de reacção que começam pela arquitectação de um plano para assassinar um senador (em jeito de destruir a sociedade que tentou com fracasso “reintegrar-se”), até tecer sentimentos protectores em relação a  Íris (Jodie Foster), uma prostituta menor, do seu “chulo”, Sport (Harvey Keitel).



Com a pressão da guerra do Vietname que abalou o “sonho americano”, o qual muitos nativos questionaram acercas dos propósitos da sua pátria (a ascensão do grupo tribal dos hippies), em 1976 surgiu um dos filmes norte-americanos mais célebres e icónicos da história da cinematográfica contemporânea. A sua temática era ousada, negra, com cobiças anárquicas, mas acima de tudo, reveladora de uma América em conflito intrínseco que reflectia com um Mundo á beira da diversidade quer tribal, quer social, quer quotidiana. O realizador desta obra de culto é Martin Scorsese, que antes de Taxi Driver e mesmo com a sua consolidação da violência urbana, ainda havia destacado por Mean Streets (1973) e Alice Doesn’t Live Here Anymore (1974), mas foi com a referida obra o qual inúmeras “portas” abriram sobre ele, adquirindo assim uma liberdade artística invejável. Em termos de distinção, Scorsese venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes da altura, o que compensou a derrota nos Óscares desse ano, principalmente o de Melhor Realizador  (depois disso contou-se com mais quatro nomeações em vão, profecia penas cumprida em 2006 com The Departed, que se juntou também a cobiçada estatueta de Melhor Filme). Scorsese classifica-se como um violentamente gráfico autor, mas calmo em termos narrativos e preocupação com os planos magistralmente orquestrados que o tornam invejável para qualquer estúdio. A sua concepção de trabalho e a sua fidelidade para com os actores, fazem com que os seus filmes arrecadem grandes desempenhos com simbiose com personagens marcantes da Sétima Arte, e nos termos artísticos, Scorsese nunca desilude.

 

 

Robert De Niro encontra-se imaculável na pele deste “bizarro e distinto personagem”, a sua transformação é reconhecida de registo. Este carácter resultou num legado que mais tarde foi imitado e utilizado como matéria base nos mais variados filmes, quer eles congéneres ou comédias satíricas e de teor paródico, e “carimbado” na cultura pop proeminente. A célebre cena com a citação de “Are you talking to me” enquanto Travis Brickle encenava uma disputa á frente do espelho e munido por um revolver, sequencia essa, “congelada” na memória cinéfila e na História do cinema como um “hino” á ”revolta anarquista” e reproduzida vezes sem conta em outros trabalhos cinematográficos. O resto do elenco está dentro dos seus parâmetros de limitação, personagens transformadas em “selos de manifestação”, exemplares, que vão desde uma “pequena” Jodie Foster, num papel ousado e embaraçoso (para o espectador), Harvey Keitel irreconhecível como o “alcaiote” Sports e até mesmo Martin Scorsese que surge como um dos passageiros de Brickle, num dos encontros mais míticos dentro e fora do ecrã.

 

 

Eis um filme filosófico, com veia da arte intimista cuja força provem do talento dos actores, realizador e do argumentista (Paul Schrader) que no conjunto constroem um perfeito exemplo de resultante simbiótico. Contudo, devo admitir que Taxi Driver é uma história fria e carente de emoções e a personagem de Travis Brickle, que foge muito á regra dos parâmetros do cinema norte-americano da altura, não provoca na sua totalidade simpatia com o público. Não é um filme fácil de ver como também de gostar, mas é na realidade uma obra intrinsecamente rica, um ponto de viragem do conservacionismo á nova vaga contemporânea em que a 7º arte se exprimia em liberdade, não limitando-se ao reconto de histórias. Um filme obrigatório, mesmo não sendo perfeito.

 

“All the animals come out at night - whores, skunk pussies, buggers, queens, fairies, dopers, junkies, sick, venal. Someday a real rain will come and wash all this scum off the streets. I go all over. I take people to the Bronx, Brooklyn, I take 'em to Harlem. I don't care. Don't make no difference to me. It does to some. Some won't even take spooks. Don't make no difference to me.”


Real.: Martin Scorsese / Int.: Robert De Niro, Cybill Shepherd, Peter Boyle, Jodie Foster, Harvey Keitel, Leonard Harris, Albert Brooks




A não perder – a famosa cena do espelho.

 

O melhor –  um esforçado trabalho de talentos

O pior –  Por mais estranho que pareça, este é um daqueles filmes que só apercebemos da grandiosidade da estrutura com o passar dos tempos, a sua visualização imediata poderá deixar o espectador indiferente.

 

Recomendações – La Haine (995), The Assassination of Richard Nixon (2004), Leon (1994)

9/10
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publicado por Hugo Gomes às 03:54
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26.3.09

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24.3.09
24.3.09

Real.: Albert Pyun

Int.: Jean-Claude Van Damme, Deborah Ritcher, Vincent Klyn

 

 

Existiu um certo fetiche que prevaleceu nos anos 80, que se trata daquela visão de futuro, uma posteridade xunga assim dizendo, tudo começou com Mad Max de George Miller (1979) que apresentou-nos um retrocedo evolutivo no ser humano, a prevalência do cabedal ou casacos de pele, a violência extrema e sem sentido e um colapso social acompanhado com decadência ambiental e patológica, factores que serviram para filmes conhecidos dos anos 80 como Streets Of Fire (Walter Hill, 1984) e até mesmo Robocop (Paul Verhoeven, 1987), contudo esse background foi também motivo de ascensão de uma das estrelas incontornáveis do cinema de acção dos anos 90, o qual parece que depois de alguns momentos baixos da sua carreira parece regressar aos poucos graças ao hype JCVD (Mabrouk El Mechri), refiro obviamente a Jean-Claude Van Damme e o filme é Cyborg (1989).

Cyborg realizado por Albert Pyun é na teoria um filme estranho, trata-se de um spin-off do fiasco Master of Universe (1987) com Dolph Ludngren e Frank Langella (uma adaptação dos famosos desenhos animados He-Man) e ao mesmo tempo um remake do “sangrento” anime Fist of the North Star (1986), combina-se um pouco da visão futurista já referida e artes marciais da pior espécie, com usos e abusos da câmara lenta e acção rudimentar. Van Damme presta “corpo” a pseudo-ninja envolvido misteriosamente nas piores situações, entre elas proteger um ciborgue que possui uma cura para um mundo pós-apocaliptico. Atrás dessa mesma cura está um gang de rebeldes, um conjunto de aspirantes a lutadores de wrestling, liderados por um sósia de Arnold Schwarzenegger e um par de diálogos monossilábicos e pacóvios.

À primeira vista não parece tão mau, mas devo precaver-vos que Cyborg é uma experiencia traumatizante em termos argumentais e estruturais, para não falar nas interpretações de “luxo”, principalmente Deborah Ritcher, pelas piores razões claro. Obviamente existirá a desculpa de ser cinema “trash”, serie Z sem pretensões, mas será que pouco orçamento significa pouca inspiração e rigor. O mais triste é saber que este foi o filme, se pudemos o chamar assim, que deu fama a Van Damme. Horror, horror, como já dizia Marlon Brando.

PS – não tinha esperanças quando peguei no DVD, mas apetecia na altura ver um pouco de acção. Nem isso tem, o resto é intragável, a experiencia, como já havia referido foi péssima. Esta critica no geral, é apenas um desabafo. Eu sei, eu sei, mas qualquer psiquiatra diz que o melhor remédio é desabafar com alguém acerca dos nossos traumas (ironia).

A não perder – nada

O melhor – o fim (para ser simpático)

O pior – podia mencionar tudo, mas ficarei pela acção pouco inspirada

 

A não perder – Blade Runner (1982), Mad Max 2 (1981), Robocop (1987)

 

2/10
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publicado por Hugo Gomes às 23:06
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22.3.09

Real.: John Erick Dowdle

Int.: Jennifer Carpenter, Steve Harris, Jay Hernandez

 

 

Era inevitável, o quê? O facto de os americanos refazerem o grande sucesso espanhol (REC) de Jaume Balagueró e Paco Plaza, o que não estávamos era que fosse tão instantâneo, nem sequer deixado o sucesso castelhano assentar. Este pretensiosismo de Hollywood é apenas pratico para que os louvores do marco de (REC) sejam encaminhados pelos americanos para os americanos. Sabendo que essa vaidade dos “nativos” não gostarem de ler legendas em filmes, caso contrario é os portugueses que optam mais pelas legendas do que a nossa língua falada, Quarantine de John Erick Dowdle é o seu narcisismo, a sua “cópia”, cujo argumento, as sequencias e os sustos foram preservados integralmente. Este mockumentario (ou pseudo-documentário) apresenta-nos Angela Vidal (Jennifer Carpenter), uma repórter de um programa matinal que compõe uma peça televisiva sobre o turno da noite dos bombeiros. Durante as filmagens surge uma urgência, o qual a jovem repórter e o seu cameramen acompanham os bombeiros a um velho edifício, a chamada foi para socorrer uma idosa aflita em seu apartamento, mas o que parecia ser uma simples missão, torna-se num questão de vida ou de morte com a ameaça de um vírus patogénico e mortal.

Se (REC) cruzou o cinema de Romero com Blair Wtch Project qual fez furor no Festival de Cannes, Quarantine é antes de mais uma “musculada” revisão que sujeita-se ao patriotismo da produção. O filme é uma cópia, como já havia dito e ninguém tem duvidas, contudo há que destacar alguns caracteres que tornam este filme mais apelativo, e esses mesmos surgem com pequenas cenas inéditas que envolvem mais sustos, alguns deles de categoria mais “americanizada”, como o eventual surgimento de animais como “pseudo-assombros” e a já batida caracterização dos militares governamentais dos EUA, hostis mesmo para os civis que contraem um pouco de medo adicional.

Contudo a originalidade é aqui questionada, e mesmo com o disfarce publicitário de se apresentar como um filme de terror “baseado no (REC) ” não evita os enésimos déjà vus que surgem ao espectador que anos antes atormentou-se com a película espanhola. Balagueró aclamou que este “monstro americano” foi produzido de forma mais académica que a sua obra original, que segundo consta, os actores não sabiam ao certo o que iria decorrer. Uma espécie de brincadeira “halloweenesca” á equipa técnica, captando as expressões, gritos e gemidos mais reais possíveis, aqui os actores tinham um guião e apenas interpretavam, nada mais. Tudo parece automático, e mesmo Jennifer Carpenter ter mais carisma que Manuela Velasco, nada feito, os seus gritos não convencem nem mesmo ao “espectador mais ceguinho”.

A não perder – a facilidade que os americanos conseguem fazer um remake de quase tudo

O melhor – a adição da hostilidade das tropas americanas fora do recinto da acção

O pior – não havia necessidade de refazerem (REC) num curto espaço de tempo

 

Recomendações – (REC) (2007), The Blair Witch Project (1999), Diary of The Dead (2007)

 

Ver também

(REC) (2007)

  

 

4/10
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publicado por Hugo Gomes às 22:35
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publicado por Hugo Gomes às 20:16
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Real.: Jonathan Demme

Int.: Anne Hathaway, Debra Winger, Rosemarie DeWitt

 

 

Confesso que na última gala dos Óscares estive a torcer ela vitória já muito reservada de Kate Winslet no novo filme de Stephen Daldry – The Reader, contudo a minha favorita nessa categoria era Anne Hathaway, que ao contrário do que muitos pensam tinha grandes chances de vencer a cobiçada estatueta. A sua prestação é tão gloriosa que mesmo em segundo plano se destaca dos demais, e olha que os “outros” não eram pêra doce, tal como a “ressuscitada” Debra Winger, para quem não sabe era o par romântico de Richard Gere no grande sucesso An Officer and Gentleman, até mesmo Rosemarie DeWitt, uma secundária de luxo é deixada levar pelo talento desta “ainda revelação actriz”.

Hathaway, que será celebremente conhecida como a princesa adolescente em Princess’s Diary, veste a pele de Kym, uma personagem problemática e incompreendida que acaba de sair do centro de reabilitação, o qual uma festa de casamento é o palco de fundo de várias disputas familiares e a desobstrução de um trágico segredo. A nomeada actriz constrói uma personagem bastante complexa, credível e mesmo identificada com o espectador, acabando por levar a nossa consciência acerca dos factos que ocorrem no grande ecrã. Quem é que nunca foi compreendido dentro do seio familiar, quem possui um irmão (ou irmã) e sempre sentiu que a as atenções estavam direccionados a ele (ou ela), pois bem, quem não sentirá inconformidade com Kym, quem é que não sentirá ódio por Rachel (Rosemarie DeWitt), ou talvez quem não parecerá o oposto? Isto sim, são personagens ou talvez algo mais.

Do realizador de O Silencio Dos Inocentes e Filadélfia, este O Casamento de Rachel é a sua estreia no ramo mais independente e acima de tudo menos hollywoodesco e mais “encostado” á realidade quotidiana, os diálogos são quase verdadeiros, as expressões também e a realização que se assemelha a um vídeo caseiro próprio das festas de casamento também nos guia para essa conclusão. Contudo esse proporcionado amadorismo é por vezes confundido com a independência que Jonathan Demme tenta “esforçadamente” perceber, não se conseguindo comportar como tal, a narrativa está cheio de entulho e futilidades que desviam o espectador á trama central, o qual tanto interesse capta. Valeu a intenção, valeu o esforço, mas Anne Hathaway valeu muito mais.

A não perder – Uma das personagens mais interessantes deste inicio do ano (Kym – Anne Hathaway).

O melhor – Anne Hathaway em grande forma e talento

O pior – A realização propositadamente amadora

 

Recomendações – Requiem For A Dream (2000), Dan in Real Life (2007), My Big Fat Greek Wedding (2002)

 

7/10
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publicado por Hugo Gomes às 19:55
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Real.: Steven Soderbergh

Int.: Benicio Del Toro, Catalina Sandino Moreno, Demían Bichir, Rodrigo santoro, Julia Ormond

 

 

Toda já gente ouviu falar sobre ele, toda a gente já viu o seu rosto como símbolo de revolta estampado em t-shirts, placares, bandeiras e muros, toda a gente conhece o seu nome ou pelo menos ouviu falar, mas são poucos que conhecem os seus verdadeiros feitos e muito menos o homem que foi, e nesses termos é que Steven Soderbergh apresenta a primeira de uma dualidade de filmes biográficos sobre a vida do mais famoso revolucionários de sempre, Ernesto Che Guevara. Apresentado no Festival de Cannes de 2008 como um filme único de uma estimativa de quatro horas, foi lançado para os cinemas públicos em duas partes, iniciado com Che Part One – The Argentine, que retrata o momento em que o “argentino” conhece Fidel Castro, aquele que viria a tornar-se no seu maior aliado na luta contra a ditadura de Fulgêncio Baptista em Cuba, até a sua ocupação como Ministro da Industria.

Benicio Del Toro (21 Grams) veste a pele de Che Guevara num desempenho premiado com o prémio de interpretação masculina no Festival de Cannes do ano passado, porém o seu esquecimento nos Óscares se fez sentir e nesse aspecto a Academia deste ano parece ter alguns problemas de Alzheimer. O actor galardoado com o Óscar de Melhor Actor Secundário por Traffic (2000), realizado também por Soderbergh, tem um desempenho fenomenal, o qual consegue “camuflar” perfeitamente na pele do revolucionário mais famoso do Mundo. Del Toro protagoniza este biopic multi-narrativo e temporal ao lado de Catalina Sandino Moreno, a revelação do filme de 2004, Marie Full of Grace, interpreta um dos braços direitos do conhecido revolucionário, afirma-se carisma e força na actriz colombiana, a juntar ao elenco também temos Julia Ormond (Surveillance), Rodrigo Santoro (300) e por fim Demían Bichir como a incontornável figura de Fidel Castro, num desempenho notável.

Depois dos Ocean’s e da experiencia Bubble, Soderbergh glorifica a imagem de Che sem aditivos e corantes de forma sóbria, contudo roçando ao esquematismo. E tal como grande maioria dos biopics, as personagens parecem estar confinadas a servir de base ao protagonista, neste é apenas Che que se destaca dos demais como é obvio, mas o resto não se fica atrás ou se consola com o papel adereçado, existem alguns desempenhos e personagens atestadas pelo meio que contornam este filme biográfico para algo mais superior, algo mais que uma homenagem, um certo dever de recontar o sucedido da Revolução Cubana e mais, um dos homens que a conduziu. Os ideais de Ernesto Che Guevara não cativaram muitos, como os EUA, um país bastante conservador do idealismo e arrogante para com o seu meio, o qual a distribuição deste filme ficou limitada a duas cópias. Mais uma vez os americanos ficarão pela ignorância e perderam um imponente filme. Ao cinéfilo aconselho reverem Diarios de Motocicleta (Walter Salles – 2004), em que Gael Garcia Bernal interpreta um Che Guevara jovem, ainda aprendiz do Mundo, obviamente também aconselho os meus “compatriotas” a esperarem pela segunda visão de Soderbergh ao símbolo de uma geração, e é já dia 2 de Abril, sem imprevistos.

A não perder – vendo para além do filme, olhando para uma das figuras mais importantes do século XX.

O melhor – Benicio Del Toro e a sua transformação

O pior – O esquematismo da intriga, mas nada de sério

 

Recomendações – Diarios de Motocicleta (2004), Che! (1969), Comandante (2003)

8/10
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publicado por Hugo Gomes às 14:28
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21.3.09

A consequência de uma beijo

 

Nas mais variadas peças animadas, quando duas personagens se beijam existe repentinamente um “choque” e meia dúzia de efeitos, com intuito de demonstrar o agradável, como o desagradável. Tendo como base esse conceito de consequências que um só beijo proporciona o novo filme de Emmanuel Mouret, que realiza e escreve, desenvolve assim uma forma versátil na narrativa dual em que segue. A história inicia com dois estranhos que acabam de conhecer, Gabriel (Michael Cohen) e Émilie (Julie Gayet), ambos partilham o mesmo dia de forma agradável, mas na altura da despedida Gabriel tenta beijar Émilie, o que provoca uma reacção contrária nela. Ao tentar explicar o ocorrido ele afirma apenas ter a intenção de dar “um beijo sem consequências”. Émilie argumenta que beijo algum está fora de tais efeitos, e é então que ela relata uma história que garante ter-se passado com uns amigos dela, tendo como culpado um simples e "inofensivo" beijo.

 

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Emmanuel Mouret que também participa neste filme no papel de Nicolas, uma das personagens da história de Émilie, dirige aqui uma fita perversa, cómica e melancólica com certa veia do cinema de Eric Rohmer e Woody Allen, onde o sexo é uma palavra tão vulgar e rotineira, tratada sem tabus e glorificada com uma estranha filosofia que abate no role de personagens que vão surgindo. A premissa parece caricata, mas é o tratamento perspicaz dos caracteres que descredibilizada a potencialidade do argumento. Mas se isso aparenta ser algo de prejudicial, a compensação é que as interpretações são óptimas (Julie Gayet é uma “pequena” musa do cinema francês), bem desenvolvidas e carismáticas, alguns pontos são tocados de forma acertada acerca da alma em estado amoroso e até mesmo existe algumas lavagens shakespearianas em toda a intriga. A realização é emotivamente clássica, conseguindo assim lidar com a perpendicularidade diegese.

 

 

Não ofende, não mói e até de certa forma é uma lufada de ar fresco numa temporada em que os filmes parecem ter aquele sabor pretensioso a Óscar, consegue resultar numa comédia romântica interessante, cativante e diferente. É cinema “gaulês”, não com todo o esplendor, mas sob rasgos de talento artístico nos mais variados níveis. Somente a busca infinita da definição de amor por parte de Mouret poderá levar a fita a uma certa inverosimilhança.

 

Real.: Emmanuel Mouret / Int.: Virginie Ledoyen, Emmanuel Mouret, Michael Cohen, Julie Gayet

 


 

A não perder – o pausado, mise en scène final

 

O melhor – o toque de cinema Allen com Rohmer

O pior – a pretensiosismo do autor em perseguir e preencher a filosofia

 

Recomendações – Lost in Translation (2003), Before Sunrise (1994), When Harry Met Sally … (1989)

6/10
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publicado por Hugo Gomes às 19:45
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