31.1.09
31.1.09

Real.: David Fincher

Int.: Sigourney Weaver, Charles Dance, Lance Henriksen, Charles S. Dutton

 

 

Passaram seis anos desde que James Cameron converteu no “pânico espacial” de Alien de Ridley Scott num grandioso filme de acção com generosas doses de adrenalina e gore, com a entrada dos anos 90, 20th Century Fox tinha ideia de transportar Alien para os novo tempos e ainda mais ambicioso, criar um franchising de grande importância comercial para o estúdio. Contudo nem Scott, nem Cameron queriam voltar às criaturas alienígenas, Scott estava entretido com a viagem de Colombo (1492 – Conquest of Paradise) e Cameron tinha crédito próprio com a sequela de uma das suas criações (Terminator). Por isso, a solução foi contratar um novo autor, provavelmente um mais influenciável para as audiências mais novas que cada vez mais consistiam numa grande fatia dos espectadores de cinema. A escolha recaiu com David Fincher, que havia ainda apenas trabalhado em videoclipps, Express Yourself de Madonna é o seu maior trunfo. MTV? Videoclipps? Madonna? Era o homem perfeito para aquilo que o estúdio pretendia.

Óptimo, existe realizador e Sigourney Weaver concorda interpretar novamente o filme, mas quanto ao argumento, a história, seria mais do mesmo? Seria de um patamar diferente ou superior? Bem, foram contratados três argumentistas para escreverem o “screenplay” deste capitulo bastante decisivo no rumo da saga; David Giler, Walter Hill e Larry Ferguson foram os elegidos. O resultado foi um regresso às origens, mas ao mesmo tempo uma variação arrojada e corajosa. A premissa inicia onde o segundo filme terminou, Ellen Ripley (Weaver) segue numa nave de fuga com Bishop (Lance Henriksen) e Newt (Carrie Henn), sobreviventes do planeta LV 426, todos se encontram hibernados durante uma viagem sem destino e duração incógnita, mas acabam por aterrar em Florina 161, um planeta prisional. A nave havia sofrido graves danos. Newt morreu no percurso, Bishop encontra-se bastante danificado e Ripley, a única sobrevivente, é mantida na prisão de alta segurança de Florina, cujos prisioneiros seguem pró regra uma intolerante religião. Mas por mais estranho que pareça, não é desta que Ripley se livrou das tenebrosas criaturas do LV 426, tendo viajado com eles. Agora a criatura anda á solta nos estabelecimentos prisionais e promete fazer vítimas, mas existe algo diferente neste exemplar, ele não ataca Ripley, porque será?

Provavelmente foi a sequela de Alien, mais mal recebida pelo público, que de certa forma odiou as escolhas dos produtores, argumentistas e realizadores no desenrolar do filme. Trata-se de uma obra bem mais lenta, menos terror e acção, mas mais suspense que acima de tudo confirma o estatuto de Fincher, como um provável mestre na arte de intriga. O argumento é a mais bem valia do filme que se equilibra em conjunto com os cenários neo-góticos e da permanência da cor vermelho-barro na fotografia, dando o seu ar de claustrofóbica. Nas interpretações, Sigourney Weaver cumpre o propósito da sua heroína, não tendo a mesma força que obteve em Aliens de James Cameron e Charles Dance é de facto uma das melhores adições á série, pena que foi tão mal aproveitado. A destacar também a belíssima e aterradora banda sonora que compõe as emoções deste interessa novo capítulo de um dos mais bem sucedidos filmes de ficção científica de sempre, a afirmar também uma coragem, hoje rara, dos argumentistas quando trataram do final (para mim um dos mais bem sucedidos e poéticos).

A não perder – a confirmação de um autor e do negro futuro das criaturas alienígenas mais famosas do planeta cinematográfico.

O melhor – O ambiente neo-gótico e claustrofóbico, o final arrojado e cheio de méritos

O pior – Os CGI serem um pouco obsoletos

 

Recomendações – Alien (1979), Aliens (1986), Alien IV – Ressurection (1997)

 

7/10
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publicado por Hugo Gomes às 18:58
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Podem dizer o que quiserem, para mim é dos melhores posters da saga Alien, o porquê? Porque simplesmente gostei desta mistura entre a criatura alienígena protagonista da série e do crossover com um embrião, uma aproximação com a real criatura que serviu de base para o “monstro” concebido por Ridley Scott e reformulado por James Cameron. Contudo foi com David Fincher que Alien encontrou a sua flexibilidade estética.

 


publicado por Hugo Gomes às 18:41
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Real.: Guy Ritchie

Int.: Mark Strong, Gerard Butler, Tom Wilkinson, Thandie Newton, Toby Kebbell, Karen Roden

 

 

Após vários fracassos de bilheteira, desastres cinematográficos e um complicado divorcio com a mundial estrela da música pop, Madona, Guy Ritchie regressa “do mundo dos mortos” ao seu velho estilo incomodo e “videoclippeiro”, onde volta a incursar personagens de teor cómico sobre um pano de fundo de um fracassado golpe, neste caso a premissa encontra-se algures entre um quadro roubado pertencente a um empresário russo de raízes duvidosas (Karen Roden), o qual emprestou o seu valioso objecto como prova de compromisso de um bom futuro negocio a Lenny Cole (Tom Wilkinson), um patrão da velha guarda que se quer ver bem, sucedido no mundo do crime. Tal desaparecimento irá desencadear várias ocorrências no mínimo estranhas, uma delas é o ressurgimento de uma estrela de rock declarada morta (Toby Kebbell).

Bebendo da mesma agua que o seu antecessor, o grande êxito Snatch (2000), RocknRolla é a consolidação do “velho” Ritchie, para um eventual novo êxito estilístico, sendo esse o padrão mais característico da fita, o estilo. Sendo um dos objectos mais artísticos do cinema comercial, contudo não é o regresso esperado do autor que tenta recompensar a si próprio após os fracassos como Swept Away. Em termos técnicos é um filme meramente sofisticado, divertido, rejuvenescido e com um certo charme inglês tão característico em Snatch, contudo não consegue esquivar do mero exercício gráfico.

Onde é que realmente o filme falha? Bem, no primeiro temos um argumento sólido, labiríntico mas que cede facilmente á solução apressada e fácil de última hora. Algumas personagens de princípio promissor são reduzidos a peões de um jogo de xadrez, contudo há que destacar a eficácia dos trabalhos dos actores; com Gerard Butler a dar cada vez mais nas vistas em termos de variabilidade de papéis, mas rei Leónidas de 300 ainda o persegue, Tom Wilkinson é uma adição de luxo e Mark Strong (sendo ele o narrador) é o mais promissor do elenco, quer físico ou de talento o actor de Stardust faz lembrar um Andy Garcia, já sendo um actor com uma longa filmografia, RocknRolla é o seu bilhete para o futuro estrelado.

É dos melhores Guy Ritchie dos últimos anos, mas não é desta que o autor se confirma. A continuação já vem a caminho e de certo um futuro sucesso do realizador, um “buddy movie” com estilo de sorte. 

A não perder – o futuro que reserva a Mark Strong, depois deste filme

O melhor – a pitadinha de humor inspirada de Guy Ritchie

O pior – O argumento não ajuda no estilo gráfico

 

Recomendações – Snatch (2000), Revolver (2005), Smokin’s Aces (2007)

  

“4/10””A primeira grande desilusão do ano (...) Para mostrar que um argumento arruína a beleza de um filme.” Cinema is My Life

 

6/10
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publicado por Hugo Gomes às 16:06
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29.1.09

 

A edição de 2009 do Festival de Veneza irá ser marcada pela homenagem a John Lasseter e o estúdio de animação, o qual é administrador, Pixar, responsáveis por conceber os filmes Toy Story, Ratatouille e recentemente, o grande êxito, Wall-E, tal informação foi dada pelos organizadores do evento cinematográfico que dará inicio 2 a 12 de Setembro. A distinção será um Leão de Ouro de carreira, estatueta original do festival.

Enquanto isso, fiquem com o novo poster de Up, a nova animação da Pixar a estrear dia 29 de Maio de 2009, um sério candidato ao Óscar de Melhor Filme Animado, podem ter a certeza absoluta (só se for desta que o estúdio desilude).

 


publicado por Hugo Gomes às 21:51
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28.1.09

O Confronto começou, preparem as câmaras!


É o confronto do ano, contudo apenas palavras são utilizadas como armas. Trata-se da reprodução de um dos debates televisivos mais polémicos e controversos de sempre, e o maior sucesso da sua categoria de televisão, feito fenómeno teatral londrino pelas “mãos” de Peter Morgan (o mesmo autor do argumento de The Queen), Hollywood não poderia deixar escapar esta matéria-prima com deveras potencial para os Óscares da Academia. Ron Howard toma assim as rédeas deste ensaio dramático encabeçado pelos protagonistas da obra teatral, Michael Sheen e Frank Langella. O primeiro encontrou-se às ordens de Len Wiseman no grande êxito Underworld – Submundo (2003), pelo qual onde será reconhecido pelo grande público, mas foi graças ao seu desempenho como o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, no filme The Queen de Stephen Frears que se destacou dos demais e o facto de possuir boas relações com Peter Morgan fez com o que o papel de David Frost (o entrevistador) fosse dele por direito, quer na peça, quer no filme. Frank Langella por outro lado, é um actor sólido, mas não reconhecido nas “bandas” de Hollywood, nem sequer pelo publico em geral, mas a sua escolha para a longa-metragem derivou bastante da forte afluência com que “abraçou” a personagem mais polémica da obra, o próprio ex-presidente dos EUA, Richard Nixon, cuja sua carreira encontra-se “manchada” em consequências do seu envolvimento no caso Watergate, uma estratégia de lavagens de dinheiro e corrupção politica que marcou negativamente o panorama social do país nos anos 70.

 

Todavia, o filme de Ron Howard não segue o escândalo por detalhe, o que de certa forma minimiza o enredo, perdendo assim contornos esquemáticos dignos do cinema biográfico, mas sim o homónimo encontro televisivo que ocorreu três anos após Richard Nixon ter abandonado a Casa Branca, mantendo o silêncio desde então, até que decide consentir uma entrevista com o intuito de “limpar” o seu nome no envolvimento do Watergate. Como jogada estratégica seleciona David Frost (Michael Sheen), conhecido por possuir uma frialdade televisiva que poderia ser benéfica para o afastado politico. Mas na hora “H”, quando as câmaras começam a filmar, Frost transforma-se num apresentador ofensivo, e tendo Nixon defender-se perante tais acusações, inicia-se assim um confronto inigualável. Ron Howard, um dos “empregados do mês” de Hollywood, cujo trabalho é conhecido por ser altamente “manipulador” em caracteres emocionais, concebe aqui uma realização segura que intensifica o tom do debate. Um choque de discursos que recebe teores algo bíblicos, como Howard tenta aludir o mito de David contra Golias.

Poderemos pensar de início que o facto de o realizador de Apollo 13 entranhar-se na política poderia gerar uma “generosa” dose de maniqueísmo e acusações manipuláveis á lá Michael Moore. Contudo o Ron Howard não se vende por tão pouco, conseguindo transformar a peça dramaturga num thriller dramático de um certo sabor novelesco que consegue acima de tudo preencher as personagens com algo mais do que simples papelão. Mas antes de mais, há que insinuar que Frost/Nixon é um filme de actores com Frank Langella (que já fora uma das caras de Drácula) a “reinar” qualquer sequência que entre. Por outro lado Michael Sheen, mesmo não sendo tão hipnotizante como o seu colega, nunca cede de maneira alguma no confronto dialogado, em simultâneo transmitindo o charme requerido de Frost, numa personagem que provavelmente não causará simpatia inicial muito em relevância à sua propositada pose de playboy, contudo nota-se um desenvolvimento do mesmo com o seguimento da narrativa. Comparativamente com as personagens reais, Langella consegue captar os tiques, os diálogos de maneira exacta da real entrevista Nixon integrou, a sua voz sonante aufere-lhe um carisma para dar e vender, apesar de não ficar atrás, Sheen em relação com a sua personagem Frost é a mais idêntica em termos físicos, contudo o filme não passou de uma imitação dos acontecimentos transmitidos, Howard consegue dar algo mais à película, como por exemplo uma exploração aos lados humanos de ambas as personagens, que com uma dose recomendável e sem excessos, consegue equilibrar a entrevista com a temática novelesca do filme, tudo sem cair no seu habitual dramalhão. O conflito de palavras é porém um espectáculo cinematográfico que Ron Howard e Peter Morgan conseguem incutir com toda a exactidão, uma surpresa tão precisa nos timings, na credibilidade dos diálogos e na interacção entre os seus personagens.

O realizador também opta pelo sistema de falso documentário, apresentado excertos de entrevistas de formato talk-show, onde actores requeridos compõem as suas personagens de forma exacta, fazendo com que o espectador acredite piamente naquilo que vê. Trata-se de uma manobra que fora utilizada no polémico Death of a President de Gabriel Range. Quanto ao elenco secundário, apesar de estes não destacar dos demais devido ao foco do argumento, ainda deparamos com algumas prestações acima da média tal como Sam Rockwell, que é convincente, aliás trata-se de um mais sólidos actores de Hollywood do momento, mesmo assim é constantemente deixado para segundo plano (esperemos que Choke de Clark Gregg mude-lhe a sorte). Oliver Platt (outro actor que parece não sair do registo de secundário) é de presença divertida, John Birt encontra-se em plano apenas para marcar presença (com certas semelhanças a John Lennon), Rebeca Hall do recente de Woody Allen, Vicky Cristina Barcelona, encontra-se desaproveitada, Toby Jones é dono da sua própria cena e por fim um Kevin Bacon igual a si mesmo. Aclamado nos EUA, quer pela surpresa que emane pelo facto de ser fruto de Howard (que já não fazia algo de realmente legível desde o académico e cliché Cinderella Man), quer pelo forte desempenho de Frank Langella, o qual valeu-lhe a nomeação para o Óscar de Melhor Actor, Frost/Nixon é um dos filmes americanos mais ímpares deste início de ano, o qual merece ser visto sem o preconceito político nem cinematográfico. Quando a força das palavras são poderosas!

 

"I'm saying that when the President does it, that means it's not illegal!"


Real.: Ron Howard / Int.: Frank Langella, Michael Sheen, Kevin Bacon, Rebeca Hall, Sam Rockfell, Oliver Platt, John Birt




A não perder – sem dúvida o embate “entre os dois titãs” numa entrevista que faz lembrar uma disputa de boxe devido tacticismo.

 

O melhor – a reprodução quase exacta das personagens e da entrevista em si

O pior – a forte competição pelo Óscar de Melhor Actor Principal, um azar para Frank Langella

 

Recomendações – Nixon (1995), The Assassination of Richard Nixon (2004), She Hate Me (2004)

 

“8 Estrelas””Aquilo que começa por ser uma electrizante e estimulante investigação jornalística passa rapidamente para um confronto sem precedentes E este confronto entre dois homens foi muito maior do que um simples programa televisivo. Foi muito mais do que quatro meras entrevistas. Este embate decidiu o futuro de um homem, deu respostas a uma nação e mostrou o excelso poder da televisão.” Cinema is My Life

“8 Estrelas””Mas se ainda assim Frost Nixon não alicia os que de política só querem distância, devo dizer que este pedaço de cinema é ainda uma bela introspecção do que é fazer jornalismo sério. Ou ainda melhor, fazer jornalismo para um país inteiro ouvir o que tem e quer ouvir.” Close-Up

“8 Estrelas” “Sem dúvida um grande regresso para Ron Howard. O filme apresenta grandes interpretações, inclusive um Frank Langella poderoso e cheio de presença, uma boa realização e um argumento perfeitamente sólido.” Ante-Cinema

 

8/10
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publicado por Hugo Gomes às 20:37
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publicado por Hugo Gomes às 19:46
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27.1.09
27.1.09

Real.: Jesse Nelson

Int.: Sean Penn, Dakota Fanning, Michelle Pfeiffer, Dianne West, Laura Dern, Loretta Devine

 

 

Estamos em 2002, em pleno Kodak Theatre como anualmente sucede a cerimónia dos Oscars, existe uma tremenda competição, ansiedade e suspense na revelação do Óscar de Melhor Actor Principal, provavelmente a categoria mais renhida do evento e um dos momentos altos do “espectáculo glamouroso”. Numa época em que Hollywood necessitava mesmo de seguir a deriva da sociedade cada vez mais sem tabus, preconceitos e conservacionismos, era necessário ganhar a confiança dessa dita cuja, e esse foi o ano em que dois actores afro-americanos venceram os Óscares das principais categorias (Hale Berry em Melhor Actriz por Monster’s Ball, num discurso que ficou para a historia) e Denzel Washington em The Training Day de Antoine Fuqua. Hale Berry foi merecida, mesmo que o seu futuro reservou-lhe os projectos do piorio, quanto a Washington (isto parecer herege, ou até xenófobo), merecia um Óscar, talvez por Malcolm X ou The Hurricane, mas não em The Training Day, tendo em conta o resto da concorrência, Will Smith em Ali, Russell Crowe em A Beautifull Mind, Tom Wilkinson em In the Bedroom e por fim, a minha escolha, Sean Penn em I Am Sam. Sendo na minha opinião, Denzel Washington um dos melhores actores de todos os tempos, o Óscar em 2002 foi para mim uma manobra de consolação dos dois ou mais momentos que este merecia o dito cujo e que não conseguiu por razões inexplicáveis, que levou a certas suscitações de racismo dentro da Academia.

Deixando agora a polémica que já passou e seguindo agora a Sean Penn há que dar o mérito de que fazer de deficiente mental tem que se diga, oi cai no estereotipo básico e grotesco das comedias distintamente adolescentes ou do embelezamento hollywoodesco, a interpretação de Penn tem um pouco da ultima, mas é a força e talento do actor que faz com que Sam, um pai com deficiências mentais que toma conta de sua filha (Dakota Fanning) abandonada pela mãe, e essa custodia é seguida de perto pela protecção de menores que aclama que o protagonista não possuí condições para educar uma criança, é de uma perfeição realista, tiques criados, linguagem rudimentar e derivando do pronome próprio, um olhar seco e personificação inesperada, as características de uma interpretação talvez marcada pela subestimação, mas das melhores do novo milénio. Aqui na minha opinião, o Óscar era mais que merecido.

Sean Penn é um dos melhores actores da sua geração e continua a demonstrar-se como tal em futuros projectos, e mais recentemente revelou-se como sóbrio autor pelo magnífico Into the Wild, estreado em 2007, protagonizado por Emile Hirsch, infelizmente é o actor principal que serve de veículo ou até mesmo de “cordel” para carregar a ênfase dramática de um filme tão ilógico e irrealista como este. A realizadora Jesse Nelson tem um trabalho manipulável, construindo um drama com uma carga emocional imperativa, caindo na desgraça de ser um filme fácil, vendido e como já havia referido impensável. Michelle Pfeifer dá uma “forçita” nesta Força do Amor, titulo traduzido, e Dakota Fanning inicia o seu destaque como a revelação infantil que nos dias de hoje tanto se aborda, apesar de estar a cair cada vez mais na ofuscação. Contudo, a manobra sem intelecto e comercial, faz com que o melhor do filme não fique a vista de todos, a notoriedade do protagonista em fazer um papel que desafia o seu próprio “ego”.

A mensagem da fita é esperançosa, aclamando que apesar de limitados os deficientes mentais, ou “diferentes” (sendo um nome mais digno) são capazes de grandes feitos, o que basta é acreditar. Para dizer a verdade não é só os diferentes, mas todo o grupo de pessoas, são capazes de acreditar, apenas, e digo apenas basta faze-lo? Contudo a moral é recebida com uma fantasia citadina digna de uma novela sensacionalista, um obra fraca, mas o actor é que não.

PS – já agora deixo-vos com uma frase, já emblemática, pertencente da comédia realizada por Ben Stiller, Tropic Thunder, que referencia um pouco o filme de Jesse Nelson e temática dos deficientes mentais no cinema “Check it out. Dustin Hoffman, 'Rain Man,' look retarded, act retarded, not retarded. Counted toothpicks, cheated cards. Autistic, sho'. Not retarded. You know Tom Hanks, 'Forrest Gump.' Slow, yes. Retarded, maybe. Braces on his legs. But he charmed the pants off Nixon and won a ping-pong competition. That ain't retarded. Peter Sellers, "Being There." Infantile, yes. Retarded, no. You went full retard, man. Never go full retard. You don't buy that? Ask Sean Penn, 2001, "I Am Sam." Remember? Went full retard, went home empty handed...”, citado por Kirk Lazarus, personagem interpretada por Robert Downey Jr..

 

Não perder – os papéis de alguns actores realmente limitados na fita.

O melhor – Sean Penn, evidentemente

O pior – a fantasia de uma história não credível e histeria de um filme constantemente a puxar as lágrimas do espectador.

 

Recomendações – Rain Man (1988), Forrest Gump (1994), Kramer Vs Kramer (1979)

 

 

“7/10””I am Sam é um filme que todos devemos ver, e que vale pelas grandes interpretações, mas, e acima de tudo, pela muito boa intenção. Talvez deva ser visto sem "preconceitos racionais", no entanto, passa com algumas falhas graves, e por mais "apaixonados" que estejamos por Sam, é absolutamente impossível conceber certas realidades aqui representadas. Ao contrário do que nos pode fazer acreditar, não existe o lado dos bons e dos maus. Existe sim o certo e o errado, e por mais custoso que seja, o que é certo seria muito diferente na vida real.Close-Up

 

5/10
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publicado por Hugo Gomes às 19:31
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26.1.09

Real.: David Fincher

Int.: Jodie Foster, Forest Whitaker, Jared Leto, Kristen Stewart

 

 

David Fincher está entre os realizadores mais exímios da actualidade, cruzando a sensatez do suspense que herdou de Alfred Hitchcock e a electrização e sofisticação de um videoclipp. Os seus filmes somam a mistura entre o passado e o futuro, o legado do thriller, não como um mero objecto comercial, mas sim uma obra de arte. Os seus filmes não estariam completos sem que existem verdadeiros protagonistas que motivassem o espectador a seguir a acção, na verdade David Fincher é talentoso atrás das câmaras mas também consegue expressar-se através dos actores que escolhe para protagonizar as suas fitas. È de verificar que todos os seus filmes até agora foram fortes em termos de elenco, a dupla Brad Pitt e Morgan Freeman entre as melhores de Hollywood após Se7en, o que se diz de Edward Norton e a sua dualidade sob a forma de um Brad Pitt bizarro em Fight Club, Michael Douglas emotivo e um eficaz Sean Penn em The Game, uma Sigourney Weaver guerreira em Alien 3, o trio arriscado, mas competente em Zodiac (Jake Gylenhaal, Robert Downey Jr. e Mark Ruffallo) e por fim, Jodie Foster em Panic Room.

De todos os filmes de Fincher, Panic Room – Sala de Pânico é de todos a sua obra mais influenciável pelo estilo de Hitchcock, o qual reserva-se com um argumento escrito por David Koepp em que claustrofobia e tensão são a ordem do dia. O elenco é curto, tal como por exemplo Rope do inglês mestre do suspense, o espaço é reduzido a uma mera casa e a ligação dos actores entre um deles é de facto beneficiável para a emocionante captura de tensão que David Fincher consegue. Panic Room é uma historia simples em que decorre num assalto a uma casa, em principio abandonada, três larápios, cada um com habilidades especiais tentam encontrar “algo”, contudo a casa que planeavam estar abandonada, afinal está habitada pelas recém-chegadas Meg Altman (Jodie Foster) e a sua filha Sarah (Kristen Stewart, muito antes de Twilight). Quando ambas apercebem que a casa está a ser forjada, mãe e filha abrigam-se na Sala de Pânico, uma das particularidades daquela casa. Sem sabendo no que se estão realmente a meter-se!

Panic Room foi um dos maiores sucessos do realizador, tendo angariado 96 milhões de dólares na sua data de exibição nos EUA, comparado com os 38 milhões de Fight Club. O thriller protagonizado por Jodie Foster é realçado pelo brilhante olho dos estúdios para desenvolve-lo de forma mais fluida e comercial, ou seja enquanto Fight Club tinha um certo fundo anárquico, com certas manifestações nos eu conteúdo, o qual Americano comum despreza tais ideias, Panic Room não traz á luz do dia nenhuma contradição teológica, anarquismos ou nenhuma divulgação, trata-se de um objecto de estúdio (mas estimado), cujo seu objectivo é entreter e é isso que tenta seguir. Alfred Hitchcock fazia o mesmo com as suas fitas, filmes para o público, mas claro, com a sua “garra” artística, que na verdade os definia. Talvez seja herege meter Fincher no mesmo patamar que o realizador de Psycho ou North By Northwest, ainda mais com o destaque deste filme, mas provavelmente daqui a uns anos valentes, David Fincher seja olhado com a mesma celebrização que Hitchcock e Panic Room da mesma maneira que um Rear Window. Mas ainda vivemos no nosso tempo e Panic Room ainda seja visto como mero produto descartável de Hollywood.

O que há para dizer de Panic Room é que ele é de facto um bom thriller, talvez muito devido ao realizador que ao mesmo tempo consegue pressionar nos actores emoções e grandes desempenhos, mesmo no género de filme que é, Jodie Foster é das melhores actrizes do seu tempo e Forest Whitaker já está a dar muito nas vistas, e também um argumento sóbrio de Koepp, com noção para o Norte e Sul e bastante equilibrado no ritmo. A câmara e a sofisticação “videoclippeira” de Fincher é o que lhe dá, á fita, um ar mais moderno, porque se não fosse isso, diria estávamos perante num filme de suspense com alguma acção á mistura, feito á moda antiga. O filme mais comercialidade do realizador de Seven, um dos melhores thrillers do inicio do novo milénio. Vale a pena entrar em pânico com esta Sala …!

A não perder – as referencias ao cinema de Hitchcock, nomeadamente Rear Window.

O melhor – O ritmo equilibrado, Jodie Foster e Forest Whitaker

O pior – alguma estilização em demasia

 

Recomendações – Rear Window (1954), Rope (1948), Assault on Precinct 13 (1976)

 

8/10

 

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publicado por Hugo Gomes às 19:57
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25.1.09

 

Nascido em 10 de Maio de 1962, Colorado (EUA), David Fincher foi sempre descrito como um herdeiro da arte de suspense de Alfred Hitchcock, contudo o seu passado foi um pouco mais moderno, tendo iniciado a sua carreira de realizador de videoclips, o seu trabalho com o videomusical de “Express Yourself” de Madonna é a sua obra mais conhecida desse ramo. Iniciou-se no grande ecrã como “tapa buracos” da saga Alien, que os produtores tentavam reavivar para os anos 90, Alien 3 (1992) foi o seu bilhete de entrada a um expansivo mundo cinematográfico que começou a realçar com Se7en (1995), que redefiniu os parâmetros do thriller moderno. Protagonizado por Morgan Freeman e Brad Pitt, Se7en foi um êxito de público e critica e nos dias de hoje continua a ser a referência do género, passados dois anos volta a surpreender com The Game com Michael Douglas e Sean Penn, onde invoca o mundo hitchcockiano de forma moderna e sempre ligado às raízes de videoclipp. O seu auge foi atingido com Fight Club (1999), o seu retrato á sociedade á beira do apocalipse quotidiano, em que arranca com uma voraz crítica ao consumismo e aos parâmetros, considerados normais, da sociedade, ainda hoje é o filme mestre da inserção da anarquia. Em 2002, realiza provavelmente um dos seus maiores êxitos entre o grande público, onde volta abordar o legado de Hitchcock, desta vez presente num espaço claustrofóbico liderado por Jodie Foster e Forest Whitaker em Panic Room. A partir teve que se esperar 5 anos de ausência, para este presentear-nos com Zodiac, que não teve o grande apoio entre o publico, apesar de a crítica tê-lo aceitado bastante bem, mas Fincher tinha planos maiores e mais arriscados, adaptar o conto de F. Scott Fitzgerald, The Curous Case of Benjamin Button. Tal feito deu-se em 2008, com Brad Pitt a protagonizar a fantástica história de um homem que nasceu velho e que rejuvenesce com o passar dos anos. O filme tem sido aplaudido por onde passa, tem tido um sucesso comercial bem agradável e recentemente veio a saber que foi nomeado para o Óscar de Melhor Filme, o mesmo que Fincher na categoria de Melhor Realizador. A ver vamos. Enquanto isso, o futuro de Fincher será planeado com a incursão de Ness (2010), em que conta a história de um detective, Matt Damon (Elliot Ness) e a sua luta contra Al Capone, baseado na graphic novel Torso.

   

 


publicado por Hugo Gomes às 16:17
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Como sabem o Cinematograficamente Falando … resolveu homenagear David Fincher e o seu trabalho durante o mês de Janeiro, com influência da excelente recepção obtida por The Curious Case of Benjamin Button. Seguimos agora pelas melhores sete quotes (ou frases) que embelezaram as suas fitas, muitas delas a arriscarem a serem clássicos daqui a uns anos.

 

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“My name is Benjamin Button, and I was born under unusual circumstances”

- Benjamin Button (Brad Pitt) – The Curious Case of Benjamin Button

 

 

“Ernest Hemingway once wrote, "The world is a fine place and worth fighting for." I agree with the second part.”

- William Somerset (Morgan Freeman) – Se7en

 

 

“Become vengeance, David. Become wrath.”

-John Doe (Kevin Spacey) – Se7en

 

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“Man, I see in fight club the strongest and smartest men who've ever lived. I see all this potential, and I see squandering. God damn it, an entire generation pumping gas, waiting tables; slaves with white collars. Advertising has us chasing cars and clothes, working jobs we hate so we can buy shit we don't need. We're the middle children of history, man. No purpose or place. We have no Great War. No Great Depression. Our Great War's a spiritual war... our Great Depression is our lives. We've all been raised on television to believe that one day we'd all be millionaires, and movie gods, and rock stars. But we won't. And we're slowly learning that fact. And we're very, very pissed off.”

- Tyler Durden (Brad Pitt) – Fight Club

 

 

“The first rule of fight club is, you do not talk about fight club. The second rule of fight club is, you do not talk about fight club. The third rule of fight club, someone yells stop, goes limp, taps out, the fight is over. The fourth rule: only two guys to a fight. The fifth rule: only one fight at a time fellas. The sixth rule: no shirts, no shoes. The seventh rule: fights will go on as long as they have to. And the eighth and final rule: If this is your first night at fight club, you have to fight.”

- Tyler Durden (Brad Pitt) – Fight Club

 

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“Make your life … fun”

- Conrad Van Orton (Sean Penn) – The Game

 

 

“People … in the house”

-Meg Altman (Jodie Foster) – Panic Room

 

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A vossa quote preferida ou o filme com as melhores frases?

 


publicado por Hugo Gomes às 14:59
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“I´m a Movie Guy”

Casablanca

One Flew Over the Cuckoo's Nest

The Godfather

The Godfather 2

Lawrence of Arabia

 

 

PS – como pura curiosidade, sabiam que o filme predilecto de George W. Bush são os Austin Powers, o critério fica para o leitor.

 

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publicado por Hugo Gomes às 14:57
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24.1.09

A estrear em Portugal dia 26 de Fevereiro, vamos lá ver se é desta!

 

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publicado por Hugo Gomes às 21:43
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Real.: Woody Allen

Int.: Rebeca Hall, Scarlett Johansson, Penelope Cruz, Javier Bardem, Patricia Clarkson

 

 

O novo filme de Woody Allen já havia causado polémica no mundo fora, com as alegações do realizador de March Point e Scoop em que o filme seria marcado por uma cena de sexo a três, e que as belíssimas actrizes, Scarlett Johansson e Penelope Cruz teriam envolvimentos homossexuais, além disso ainda houve alguma insatisfação de inúmeros realizadores espanhóis acerca do autor nova-iorquino e dos apoios que tem recebido do Estado espanhol na sua passagem pela grande cidade de Espanha (Barcelona). Longe das polémicas, a nova longa-metragem irá causar curiosidade no espectador menos movido por tabus, a premissa segue duas mulheres americanas, Vicky (Rebeca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson) que viajam para a cidade de Barcelona e conhecem o artista Juan António Gonzalo (Javier Bardem) e a sua ex-mulher, a perturbada María Elena (Penélope Cruz), o quarteto irá envolve-se em jogos amorosos e aventuras sexuais. Depois de ter rodado Scoop e o aclamadíssimo Match Point (ambos protagonizados pela sua “nova” musa Scarlett Johansson) em Londres, segue agora para a segunda grande cidade de Espanha, Barcelona, o qual o autor não esconde a sua admiração para com esta cidade que “cruza o moderno com o antigo”. O filme de teor dramático, estranhamente saiu triunfante nos Globos de Ouro, o qual venceu o Globo de Melhor Filme Comédia.

O que vemos nesta fita multi-cultural, é a faceta mais ousada do autor Woody Allen desde Match Point, em que envolveu Scarlett Johansson em jogos de adultério, em Vicky Cristina Barcelona volta a integrar a actriz em variados jogos de sexualidade, tentando realçar o lado mais sensual de Johansson. Para dizer a verdade, a actriz que contracenou com Allen em Scoop está igual a si própria, sendo um veículo de menor interesse no filme, de estrutura clássica, mas arrojada quer de ideias, quer de argumento, quer de personagens. Woody recria um clima exótico que sai beneficiado com as magnificas paisagens arquitectadas e monumentais de Barcelona e Oviedo. Servindo de background para uma historia de embaraços amorosos, sexuais que confundo teologia com puro sex-appeal.

Trata-se de um filme bem intriguista, mesmo no universo woodyesco, o qual a sua pausada “fala” como realizador serve de “caixa Pandora” a temas anti-matrimoniais, a razão do adultério, as fantasias sexuais que preenchem as personagens e muitos outros artifícios de variabilidade erótica ou ousada que tentam dar intuito a uma questão, que o próprio autor propõe em toda a sua narrativa, “o que raio é o amor? E como podemos identifica-lo? As respostas não estão de bandeja, e se formos ver bem nem se encontram nesta fita boémia e libertina.

Não é o grande filme que tanto se esperava do realizador e argumentista com 73 anos, mas é de facto uma das suas obras mais inspiradoras, mesmo que desorganizadas. Contudo ao seu dispor temos um grandioso leque de actores catalões tais como Javier Bardem que preenche o ecrã com o seu charme latino e a espantosa Penélope Cruz, bem convincente no seu papel de María Elena. Rebeca Hall que vemos também em Frost/Nixon em exibição, é um talento a não perder, apesar neste filme não ter sido captada na totalidade pela câmara de Allen. Os filmes que o autor tanto nos habituou, continuam a ser agradveis rotinas cinematográficas anuais, por isso só me faltam, venha o próximo. Para ver com interesse, nada mais.

A não perder – o sinonimo de Woody Allen para a sintonia perfeita do amor representada num trio amoroso.

O melhor – A ousadia de Match Point transmitida novamente por Woody Allen

O pior – o que é que o filme tem de comedia para enquadrar-se na categoria de Melhor Filme Comedia dos Globos de Ouro?

 

Recomendações – Match Point (2005), Scoop (2006), Better Than Sex (2000)

 

 

7/10
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publicado por Hugo Gomes às 21:26
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23.1.09

 

A dia 22 de Janeiro, abriu portas o novo cinema de Alvalade situado no Hollywood Residence, Avenida de Roma, anteriormente, mais propriamente há 25 anos, era também um cinema. Estava na zona, tinha acabado de sair da minha Aulas de Condução e seguia para casa, no entretanto dei de caras com este cine, o meu pai sempre falara da existência de um estabelecimento cinematográfico nos seus períodos de infância na zona de Alvalade, mas como sabem fechou, como é costume dos “velhos” auditórios em Portugal.

Sendo da cadeia Cinema City, o qual se fala muito bem devido ao Belouras Shopping, decidi entrar no dito espaço, Cinema City Classic Alvalade, o nome do dito cujo. È um espaço acolhedor com um café e quatro salas de exibição, o qual li hoje num jornal qualquer, que irá apostar numa programação alternativo do cinema em Lisboa, e espero bem que sim.

A estreia não poderia ser completa sem ter que entrar numa sala, por isso fiz a coisa mais natural da minha vida, ver um filme, eleito, Frost / Nixon de Ron Howard, que tanto ansiei ver. Prognósticos; um filme político novelesco, o qual o realizador pouco se reconhece, Frank Langella está fabuloso e Michael Sheen não fica pela sombra.

Gostei e espero voltar outra vez, é sempre bom encontrar cinemas que não estejam integrados em centros comerciais, acima de tudo sem programações “fast-food” como a cadeia líder do nosso país.

 


publicado por Hugo Gomes às 23:20
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Para ser sincero nunca escondi entusiasmo em ver The Dark Knight nomeado para a categoria de Melhor Filme na 81ª edição dos Óscares de Academia, os prémios mais importantes do cinema, e neste momento, após conhecer os nomeados, não escondo um certo desapontamento do filme de Christopher Nolan não estar integrado na cobiçada lista. O facto de afirmar o desejo de ver a sequela de Batman Begins nos Óscares na mais importante categoria, não quer propriamente dizer que o considero o Melhor do Ano como muitas listas por aí fora têm afirmado, contudo não anda muito longe disso, mas sim a ousadia e a pouca preconceituosa visão da sua escolha poderia levar a interessantes revelações, quer na própria cerimónia, quer no futuro do cinema-pipoca. Essa (não concretizável) nomeação poderia antes de mais incentivar a futuros grandes estúdios a produzir os seus “grandes” filmes de maneira mais rigorosa e que os actores que neles participam não se desleixam pelo facto de ser um blockbuster, vejamos o caso de Jennifer Connelly em The Day The Earth Stood Still. Tal como Obama, que despertou esperança num América que cada vez mais governada pelo conservacionismo, um afro-americano significou tanto para o país como para o Mundo, desafiando a este gritar pela diferença, pelos ventos da mudança que tanto anseiam correr. È decerto que o Mundo está a mudar a olhos vistos, o cinema também, então porquê que os Óscares não deveriam mudar? The Dark Knight, que tanto integrou listas e listas de escolhas do Melhor do Ano de muitos críticos, imprensa e outros, não fazia má figura ao lado de Slumdog Millionarie, The Curious Case of Benjamin Button ou mesmo Frost/Nixon. Um blockbuster sobre um super-herói, cinema mainstream e ainda por cima sequela, significaria muito para o mundo do cinema, significaria mudança de mentalidades, revolta ao classicismo á muito perdido no glamour de Hollywood, ao conservacionismo que parece ainda permanecer nos votantes da Academia. Contudo há que sublinhar que aos poucos esse conservacionismo está a dissipar, lentamente, mas está, se não, nunca The Departed, um remake e ainda por cima sob o catalogo de comercial nunca venceria um Óscar de Melhor Filme em 2007 e Milk de Gus Van Sant nunca seria nomeado.

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:57
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Real.: Ben Stiller

Int.: Ben Stiller, Robert Downey Jr., Jack Black

 

 

Filme

Um realizador (Steve Coogan) recusa a terminar as suas filmagens de um dispendioso filme de guerra no Vietname, devido a complicações entre o elenco, então decide levar o bando de egocêntricos actores para o meio da salva para combater vilões á séria.

 

Veredicto

Trata-se de uma sátira inteligente sobre a industria de Hollywood, o qual Ben Stiller, como realizador tem aqui a sua melhor obra, o qual a inspiração foi um dos factores mais certenhos nesta comedia do ano!! Robert Downey Jr, antes de mais, está hilariante num “I'm the dude playin' the dude, disguised as another dude!”. Recomendado.

 

AUDIO

Inglês Dolby Digital 5.1

 

LEGENDAS

Português

 

EXTRAS

Comentários do Elenco com Ben Stiller, Jack Black e Robert Downey Jr.

Rebentar Coisas

O HOT LZ

O Elenco de Tempestade Tropical

Teste de Caracterização com Tom Cruise

Carretéis Completos

Chuva de Loucura

MTV Movie Awards - Tempestade Tropical

 

 

Distribuidora – Zon Lusomundo, SA

 

Filme –

DVD – 

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:28
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23.1.09

A fome não é a questão!

 

Alguém se lembra do meticuloso Papillon de Franklin J. Shaffner? Filme, esse onde o actor Steve McQueen se expõe às mais difíceis e rigorosas situações quer mentais, quer físicos, sendo que a única coisa que o "sustem de pé" é a ideia de que um dia a liberdade seja devolvida? Pois bem, Bobby Sands, um dos mais relevantes militantes da IRA (Irish Republican Army) sujeitou-se a tais tormentos da enclausuramento, contudo "abraçou-os" numa causa. Causa, esse, que ficou ditada na história como Hunger Strike, uma greve de fome em revolto com o tratamento algo "especial" que os prisioneiros adquiriam no estabelecimento prisional de Maze. Após 66 dias, Sands acaba por falecer, tornando-se num mártir, a sua causa foi mediática de desde sempre vista como o acto de coragem e de imagem exemplar de liderança.

 

 

O seu corpo sofreu, a sua mente alucinou, mas o seu espírito estava cheio de esperança e liberdade, não física, mas intrínseca. Tal como PapillonHunger de Steve McQueen (não confundir com o dito actor) é um tratamento “choque” do que realmente ocorreu na prisão de Maze, onde tudo é pormenorizado através de planos longos e instáveis, uma fotografia altamente detalhada, onde é possível poderobservar os mais ínfimos circunstancies do estabelecimento e dos próprios prisioneiros. A sua narrativa, tal como os planos é lenta (muito lenta) mas ao mesmo tempo serve como uma entrada a uma distorcida realidade que certamente irá surpreender qualquer um com a crueza das imagens e da carga psicologia, não de forma espatifada se esperava em muitos dos clássico de Hollywood. Mas sim, pesada o bastante para que o espectador reflicta sobre a situação a que se encontra muitos prisioneiros. No fim disto tudo trata-se de um “The Shawshank Redemption” do nosso tempo.

 

 

Contudo, opõe ao neo-clássico de Frank Darabont, por não romanizar as suas personagens, em Hunger elas encontram-se “arrancadas” da realidade, a banda sonora é inexistente, culminando o silêncio como cúmplice desta operação. McQueen (o realizador) ainda dá-nos uma bem concretizada sequência de 15 minutos em que Bobby Sands explica os motivos da sua luta para com um padre cristão, tal cena é nos apresentada sem movimentos de câmara, sem planos sequências, sem banda sonora, sem artifícios de entretenimento, trata-se de um excerto do cinema mais primitivo que só o cinema europeu seria capaz de interpretar.

 

 

A destacar nesta obra de alta susceptibilidade é o grande actor que se encontra encabeçado no papel de Bobby SandsMichael Fassbender que parece sofrer na sua pele o mesmo que o membro da IRA, numa notável e impressionante prestação. Não é só o talento que faz um actor, mas sim a sua dedicação pelo seu papel e o sacrifício ao cinema, as mazelas ficam em Fassbender e nele um magnífico desempenho pelo amor ao cinema, tal como Christian Bale fez com The MachinistRobert DeNiro com Raging Bull e até mesmo Jared Leto com Chapter 27, “doaram” o seu corpo e também a alma nos seus papéis sacrificando o seu físico para fruto da mesma. Devido a isso, Fassbender merece um louvou! A juntar a isso temos um desesperado olhar, cujo sofrimento artístico é a prova viva que actoré um talento demasiado valioso para passar de despercebido, conhecido pelo grande público como o Stelios da obra de sucesso de Zack Snyder, 300, eis um dos nomes que prometerá dar que falar nos próximos anos. Será um novo Steve McQueen? O actor, pois claro, só futuro saberá.

 

"I have my belief, and in all its simplicity that is the most powerful thing".

 

Real.: Steve McQueen / Int.: Michael Fassbender, Stuart Graham, Brian Milligan

 

 

A não perder – a sequência de 15 anos que exclusivamente que exibe Bobby Sands debatendo-se com o padre.

 

O melhor – Um realizador com futuro, um actor no igual caminho, o resto da obra é indigestível, mas marcada com competência artística.

O pior – O facto dos planos serem demasiados longos e não possuir personagens para além da simples presença emprestada.

 

Recomendações – Papillon (1973), Midnight Express (1978), The Shawshank Redemption (1994)

8/10
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publicado por Hugo Gomes às 22:15
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22.1.09

 

 

Eis que são revelados os “esperadíssimos” nomeados para os Óscares da 81ª Edição, comento, sem grandes surpresas.

 

Melhor Filme

 

Frost/Nixon

Milk

Slumdog Millionaire

The Curious Case of Benjamin Button

The Reader

 

 

Melhor Realizador

Danny Boyle - Slumdog Millionaire
David Fincher - The Curious Case of Benjamin Button
Gus Van Sant - Milk
Ron Howard - Frost/Nixon
Stephen Daldry - The Reader


Melhor Actor

Brad Pitt- The Curious Case of Benjamin Button

Frank Langella - Frost/Nixon
Mickey Rourke - The Wrestler
Richard Jenkins - The Visitor

Sean Penn - Milk


Melhor Actriz


Angelina Jolie - The Changeling

Anne Hathaway - Rachel Getting Married
Kate Winslet - The Reader

Meryl Streep - Doubt
Melissa Leo - Frozen River


Melhor Actor Secundário

Heath Ledger - The Dark Knight

Josh Brolin - Milk
Michael Shannon - Revolutionary Road

Phillip Seymour Hoffman - Doubt

Robert Downey Jr. - Tropic Thunder


Melhor Actriz Secundária

Amy Adams – Doubt

Marisa Tomei - The Wrestler

Penelope Cruz - Vicky Cristina Barcelona
Taraji P. Henson - The Curious Case of Benjamin Button

Viola Davis – Doubt

 

 

Melhor Filme Animado

 

Bolt

Kung Fu Panda

Wall-E

 

 

Melhor Filme de Língua Estrangeira

 

Departures

Entre Les Murs

Revanch

The Baader Meinhof Complex

Waltz with Bashir

 

 

Para ver outros nomeados, cliquem aqui

 


publicado por Hugo Gomes às 22:20
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21.1.09

PROGRAMA

PROGRAM

 

O Festival Audiovisual Black & White está de volta pelo sexto ano consecutivo.

A decorrer de 22 a 25 de Abril de 2009, na Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa, o B&W é um festival único no mundo, que celebra a produção artística a preto e branco, sendo reconhecido tanto a nível nacional como internacional.

 

The Black & White Audiovisual Festival is back for its sixth consecutive year. Taking place from April 22nd to 25th 2009, at the Portuguese Catholic University, B&W is a unique and internationally recognized festival that celebrates the artistic production in black and white. 

 

 

 

COMPETIÇÃO

COMPETITION

 

 

O festival distingue três categorias em competição:

- Vídeo (ficção, documentário, animação, experimental e vídeo musical)

- Áudio

- Fotografia

 

As inscrições estão abertas a todos, independentemente da sua formação ou experiência. A única condição que se impõe é que as obras a concurso sigam a estética do preto e branco.

 

A data limite de participação na competição é 20 de Fevereiro de 2009 (carimbo dos CTT).

 

Por isso, participem e boa sorte!

Até breve!

 

 

The festival is divided in three competition categories:

-       Video (fiction, documentary, animation, experimental and music video)

-       Audio

-       Photography

 

The competition is open to all, no matter academic formation or experience. The only clause is that the works in competition follow the black and white aesthetics.

 

The DEADLINE for participation in the competition is on February 20th, 2009 (postal stamp).

 

Participate and good luck!

See you soon!

 

 

+ INFO  http://artes.ucp.pt/b&w/     http://www.myspace.com/blackandwhitefestival

Website www.artes.ucp.pt/b&w E-mail b&w@porto.ucp.pt

Telefone (+351) 22 619 62 51 Fax (+351) 22 610 74 54

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 19:38
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publicado por Hugo Gomes às 17:31
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