30.9.07

 

 

Real.: Anthony Russo, Joe Russo

Int.: Owen Wilson, Matt Dillon, Kate Hudson, Michael Douglas

 

Carl (Matt Dillon) e Molly (Kate Hudson) deram o nó naquilo que pensavam ser um casamento perfeito numa vida perfeita, até aqui tudo parecia tão e qual. Até que o melhor amigo de Carl, Dupree (Owen Wilson) perde o emprego e também a sua habitação, cheio de boas intenções, Carl ajuda o amigo, convidando-o a passar alguns dias em sua casa. O que Carl não sabia é que esses dias iriam tornar-se num inferno.

Ás vezes somos obrigados a engolir o nosso próprio veneno, pois bem, isso aconteceu comigo, quando subestimei demasiado You, Me And Dupree. É enganoso em comparação ao trailer que mais sugeria uma histérica comedia tipicamente americana e um poster egocêntrico, e sem querer considera-lo uma obra-prima do género, o que não é e bem longe disso está ele, o filme consegue ser bastante divertido, mesmo que o protagonista seja Owen Wilson e o seu habitual ego. Apesar de tudo, na caracterização da sua personagem era vantajoso usar esse mesmo atributo, porque aquela irritação em volta ao actor em saudável na sua personagem, o qual somos quase obrigados a dizer “amigos destes, quem precisa de inimigos”.

O que filme tem de melhor, é alguns gags inteligentes e outros recorrentes ao simples humor fisico (e sim corporais), brindadas com Matt Dillon (um actor cada vez mais ascensível desde a sua nomeação de Actor Secundário em Crash -Colisão de Paul Haggis) com uma excelente química com Kate Hudson, o que torna o filme de tão sedutor, e além disso quando quer, também You, Me and Dupree é uma fita que consegue ser emotiva. Não é um 40 Year Old Virgin, nem chega perto de The Wedding Crashers, mas é de certeza um comédia razoavelmente interessante e minimamente convincente, longe do catálogo de descartável, porque às vezes é saudável rir, mas rir com gosto. Tem como grande senão, a personagem de Michael Douglas ser tão mal aproveitada, penso que se pusessem outro actor mais desconhecido que o veterano caçador de esmeraldas, não fazia grande diferença. Tudo isto sugere apenas que o actor resume-se a mais um nome em cartaz, porém tirando o quarteto sugerido no dito cartaz, o resto é totalmente paisagem.

 

6/10
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publicado por Hugo Gomes às 18:36
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29.9.07

 

Real.: Bruce A. Evans

Int.: Kevin Costner, William Hurt, Demi Moore, Dane Cook

 

Premiado como o Homem Do Ano, Mr. Brooks (Kevin Costner) é um bem sucedido empresário que esconde um terrível segredo, ele é viciado em matar, no que toca no assunto, é um perito, tornando os eu rasto inacessível. Mas nenhum crime é impossível e resolver, no último homicídio, Brooks foi apanhado por um voyeur que se dá pelo nome de Mr. Smith (Dane Cook) que faz um proposta com o bem sucedido empresário, ou ele leva-o a um das suas “caçadas” ou ele irá denuncia-lo.

Mr. Brooks é um boa surpresa no thriller psicopático, Bruce A. Evans que havia apenas realizado o filme Kuffs, tem aqui uma entusiasmante realização que agarra do inicio ao fim o espectador, mas que infelizmente o filme de Evans tem uma forte obsessão de ser O Silêncio Dos Inocentes, que se pode verificar na adição de um psicopata secundário, numa inspectora deveras interessada no psicopata protagonista e com um forte feitio, e num assumido intelecto da personagem de Kevin Costner. Existe uma química forte entre Costner e o seu alter-ego William Hurt, mas que não é apoiada por diálogos interessantes e numa falta de abordagem e aprofundamento de uma mente perturbada como a da Mr. Brooks.

 Mr. Brooks não deve ser comparado com nenhum dos títulos da saga de Lecter com Anthony Hopkins (porque o novo capitulo não conta), e nem Costner tem força, mas podemos ficar pelo um interessante thriller com um psicopata que promete fazer um pouco de história, nem que seja pouca. Entre nós, o bilhete de cinema foi bem empregue e espero ansiosamente pelo os dois capítulos, que pelos vistos Mr. Brooks irá ser uma trilogia. Bruce A. Evans é um nome a reter, porque consegui dar bastante interesse numa história bastante dependente de um certo thriller por excelência de 1991. Fiquemos com a ideia.

6/10
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publicado por Hugo Gomes às 16:20
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29.9.07

 

Real.: Matthew Vaughn

Int.: Charlie Cox, Claire Danes, Sienna Miller, Robert De Niro, Michelle Pfeiffer, Ricky Gervais, Peter O’Toole, Mark Strong, Ian McKellen

 

 

Tristan (Charlie Cox) é um jovem que vive numa remota aldeia conhecida por Wall, o seu nome deve cujo ao muro (=wall) que se encontra na aldeia, guardada 24 horas por um velho guarda que segundo a lenda é um portal para um mundo novo, um universo fantástico cujo poucos ousem entrar. Quando Victoria (Sienna Miller), uma fria e cruel rapariga amada por Tristan, vê uma estrela cadente que atravessa os céus do outro lado do muro, faz um negócio com Tristan, se este lhe trouxer a estrela do outro lado do muro, num prazo da semana este seria digno da sua mão. Confiante e radiante em conquistar o coração de Victoria, segue numa jornada onde encontrará, príncipes assassinos, bruxas em busca da juventude eterna e piratas voadores, o qual acaba por encontrar aquilo que sempre desejou.

Adaptado de uma novela gráfica escrita por Neil Gaiman e ilustrada por Charles Vess de forma magnífica e quase poética, o universo de Stardust era cobiçado pelos estúdios muito devido a sua riqueza e encontros fantásticos, mas foi a Paramount Pictures que ganhou os direitos e o realizador encarregue de transpor a obra para o grande ecrã foi Matthew Vaughn, que havia realizado o discreto L4yer Cake – Crime Organizado, que viria a confirmar Daniel Craig no papel do eterno espião (007) em Casino Royale de Martin Campbell.

A escolha de Vaughn foi aplaudida pelo autor da obra, que confirmou ter confiança e segurança, afirmando também que não presenteou sua criação a mãos erradas. Primeiro de tudo, Stardust – O Mistério Da Estrela Cadente, sendo esse o seu titulo traduzido, é uma obra afável e cobiçada, onde a condensação do universo de Gaiman está bem descritivo no filme de Vaughn, não apresentando lacunas narrativas nem uma dependência do original, ou seja, a obra de Matthew Vaughn funciona como um entretenimento quase obrigatório neste ano tão decepcionante em nível de filmes de grandes orçamentos, tudo porque consegue ser honesto e modesto na sua noção de entretenimento, se não fosse todavia o facto de ter ao dispor uma excelente matéria prima, colorida e negra quando se quer.

Pois, também temos que admitir que Stardust não é forma alguma um exercício de intelecto, as cartas estão todas na mesa (um jovem desajeitado e sonhador, um busca da vida eterna, príncipes em busca do trono sabendo que existe uma princesa desaparecida) tudo é previsível. Desde que iniciamos a viagem por este Mundo Fantástico cheio de referências de outras histórias fantasiosas não tolkienas, não é preciso muito para sabermos desde o inicio o destino de algumas personagens, aliás talvez seja esse elemento, um dos mais divertidos do filme, a travessia. Porque essa mesma travessia para o final é cheio de humor, paisagens belíssimas e já referidamente os efeitos especiais sofisticados que infelizmente tentam tomar conta da narrativa, Stardust é de todo um filme meramente interessante e vivo em termos visuais.

Quanto ao luxuoso elenco, destacado por Michelle Pfeiffer numa impressionante papel de bruxa, nunca me lembro ter visto um bruxa tão cruel e ao mesmo tempo sedutora no grande ecrã, a actriz está cada vez a re-ascender em Hollywood e pelos vistos vilãs são o seu "prato" forte. Robert De Niro dando uma nova vida a um pirata com costumes muito pouco ortodoxos. Ainda podemos contar com Claire Danes, num simpático e amoroso papel, Sienna Miller que verdade seja dita não convenceu nada como menina cruel e Charlie Cox no estereótipo tipico de jovem sonhador mas com um grande destino á sua frente. São estes os actores que se encarregarão mostrar um universo fantasioso mais interessante desde O Senhor Dos Anéis.

 

7/10
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publicado por Hugo Gomes às 12:51
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Real.: Juan Carlos Fresnadillo

Int.: Catherine McCormack, Robert Carlyle, Amanda Walker

 

Passaram 28 semanas desde os incidentes que causaram o caos em toda Grã-Bretanha, um vírus infectou a sua população, transformando-os em criaturas moribundas e esfomeadas por carne humana, conhecidos por os infectados. A Nato, liderado pelos EUA, fez de tudo para extinguir o vírus e o que trabalho pareceu dar frutos, agora encarregues de repovoar o país, vê-se agora ameaçados por uma suposta infecção de uma mutação mais resistente do vírus dentro da área de reabilitação.

Sequela de maior orçamento de 28 Days Later do alternativo Danny Boyle, um realizador inglês conhecido pela sua polivalência. Desta fez Danny Boyle não está relacionado com o projecto, e em seu lugar surge Juan Carlos Fresnadillo, é mais desconhecido que o realizador anterior, mas na sua filmografia encontra-se um filme interessante, Intact (2001), como também foi nomeado para os Óscares de Academia com a curta Esposados (1996). Ou seja, Fresnadillo não é nenhum recrutado dos estúdios da MTV ou um novato na matéria, tem sim, esse sim, carácter directivo e criativo e todo o seu filme prova isso.

28 Weeks Later segue os mesmos passos deixados pelo seu antecessor, a câmara insegura e inquietante, a banda sonora nada a ver com o género submetido e o novo fôlego ao velho espírito dos filmes zombies, e é nesses aspectos que Fresnadillo consegue fazer do que ninguém, temos a sensação que estamos a assistir ao filme do “velho” Boyle, contundo tal como foi descrito no filme F For Fake de Orson Welles, o cópia não têm que ser inferior ao original. Este 28 Weeks Later é tão bom ou melhor que o sucesso de Danny Boyle.

È um filme chocante (a cena em que existe um ataque num compartimento escuro cheio de gente, onde é de facto arrepiante), com algum senso em inovar, com personagens imprevisíveis e muito, mas muitos zombies á mistura para surpreender um fã. O elenco não tem o mesmo talento de Cillian Murphy, mas podemos contar com o subestimado Robert Carlyle, que vimos recentemente como Durza em Eragon (2006), mas é mais conhecido pelo seu papel de Adolf Hitler na mini-série – Hitler – The Rise Of Evil, sendo uma das melhores interpretações da fita, como também muitos outros actores bastantes desconhecidos para nós.

Terror puro, com efeitos sofisticados e um critica á militarização americana, tem apenas como diferença ao universo de Romero, por possuir zombies mais rápidos, dando assim um efeito mais assustador. Uma sequela musculada e rigorosa.

 

7/10
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publicado por Hugo Gomes às 12:48
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Real.: Paul Greengrass

Int.: Matt Damon, David Strathairn, Joan Allen, Julia Stiles, Chris Cooper, Brian Cox, Paddy Considine, Edgar Ramirez

 

 

Roubaram-lhe a identidade, mataram aqueles que ele mais amava, agora é a sua vez de atacar. Intocável para as autoridades e pela Treadstone, sua antiga companhia, Jason Bourne (Matt Damon), um ex-assassino que trabalhava ligado com a CIA, começa a lembrar-se de tudo o que lhe tiraram e persegue todos os que estão envolvidos no seu recrutamento para a Treadstone. Desta vez, o alvo encontra-se na sua terra natal.

6 anos que ouvimos a mesma frase com a mesma ferocidade, “Matt Damon é Jason Bourne”, pois em Setembro de 2007, uma das sagas que renovou o conceito de espião e moldou-a para o século XXI, vai mesmo terminar. O terceiro e último, o desfecho dos The Bourne, marca o regresso de Paul Greengrass, depois do intervalo que teve com o perturbador United 93. Agora com uma nomeação de Melhor Realizador na consciência, Greengrass deposita tudo o têm (bem, ou quase tudo) para completar o dilema da personagem de Matt Damon.

Iniciado em 2002 pelo realizador Doug Liman, que mais tarde realizou o sucesso de Mr. And Mrs. Smith, The Bourne Identity era mais do mesmo, podendo assim dizer, mas que veio ganhar uma nova energia com a chegada de Greengrass em The Bourne Supremacy – Supremacia, é de facto uma sequela superior, com uma realização mais aberta para o publico, como também menos comercial, um argumento inteligente e engenhoso, cenas de acção com pouca presença, mas mesmo assim impressionantes e Matt Damon afirmar como o sucessor de James Bond, criando uma personagem de calibre tão inteligente desde Hannibal Lecter de Anthony Hopkins.

Para dizer a verdade, este The Bourne Ultimatum não é capaz de destacar a diferença técnica da Supremacia, o estilo da realização é a mesma, tal como a banda sonora e mesmo as situações envolvidas por este perturbado assassino da CIA. Todo o seu desenrolar soa a um longo déjà vu, mas que felizmente não perde energia e concretiza aquilo para o qual vimos; diversão para os olhos, como também para a mente, um thriller o qual se desligarmos o cérebro fica perdida.

Matt Damon consegue ser o Jason Bourne em pessoa, parece que a habitual frase “Matt Damon è Jason Bourne” faz algum sentido, mesmo depois do erro de casting que foi considerado em The Bourne Identity (eu fui um deles por isso peço desculpas). O desfecho talvez para muitos não é aquilo que se esperava desde o inicio, o que pode surpreender ou desiludir o espectador, esta ultima talvez para quem viu um tal filme com o Arnold Schwarzenegger realizado por Paul Verhoeven. Contudo o final acaba por ser um agrupado de referências de toda a saga. Estamos de facto perante um sólido filme de acção, mas eu esperava algo mais que The Bourne Supremacy, mesmo assim e tendo em conta as desilusões que a maioria dos blockbusters de Verão deram, O Ultimato seja uma pérola e uma diversão garantida.

 

 

 
7/10
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publicado por Hugo Gomes às 12:41
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Real.: Gabor Csupo

Int.: Josh Hutcherson, AnnaSophia Robb, Zooey Deschanel, Robert Patrick

 

Jess Arons (Josh Hutcherson) e Leslie Burke (AnnaSophia Robb) dois amigos que criam um mundo imaginário baptizado de Terabítia, um mundo encantado cheio de trolls, fadas e outras criaturas magicas. Juntos combatem as forças do mal vindos de um figura sombria de nome O Senhor Das Trevas, assim os dois amigos vivem inúmeras aventuras que ajudam a superar os problemas escolares e familiares, sobretudo Jess que tem uma grande dificuldade de adaptação.

Bridge To Terabithia não poderá ser catalogado como “mais um” filme de fantasia para juvenis, de facto esta discreta obra fantástica é superior em termos de qualidade a qualquer uma adaptação de livros do género (Harry Potters, Crónicas De Narnia e provavelmente Eragon). Com magníficos efeitos especiais dos responsáveis de “O Senhor Dos Anéis” esse sim o épico fantástico por excelência, Bridge To Terabithia tem a seu favor um bom livro, escrito por Katherine Patterson em 1977, uma das mais prestigiadas escritoras de livros infanto-juvenis, com uma boa historia que foge dos locais comuns do subgénero. Aqui o seu universo fantástico é um mundo imaginário que une os dois amigos, algo com que os dois partilham além da sua amizade e é aí que o filme aposta, na sua amizade.

De narrativa lenta e detalhada, com uma ambiente escolar longe do “pastiche” habitual, Bridge To Terabithia partilha talvez alguns factos com o espectador mais novo e capaz de quebrar corações do mais velho, com uma história ternurenta com algo mais do que uma simples diversão com criaturas mágicas e reinos encantados. Todos esses têm um significado literário aos pequenos heróis, a figura das trevas, por exemplo, representa talvez os contratempos que impendem a personagem de Jess abdicar o seu talento, o que no mundo real é apresentado pela figura paternal.

Emocionante e sedutor, Bridge To Terabithia peca apenas por algumas interpretações medíocres e pelo plot de algumas personagens meramente divertidas. Mas a conversão desta história “de espírito aberto” faz com que nós acreditamos nas coisas mais improváveis que surgem no grande ecrã, como a inocência que o filme retrata que desperta a criança que há em nós.

8/10 ****


publicado por Hugo Gomes às 12:37
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Real.: Mike Bigelow

Int.: Rob Schneider, Eddie Griffin, Jeroen Krabbé

 

Deuce Bigalow (Rob Schneider) regressa á sua velha profissão, a de gigolô. Quando o seu amigo chulo T.J. Hicks (Eddie Griffin) está envolvido numa serie de assassinatos aos melhores gigolôs europeus, Bigelow viaja para Amesterdão para limpara o nome do seu amigo.

Eu que sempre julgava que aquelas situações que um espectador sai-se da sala de cinema, muito antes de terminar a fita só acontecesse aos outros, pois bem, já me ocorreu “fugir” literalmente da sala de exibição ao ver um filme tão mau, mas mesmo tão mau como este Gigolô Europeu. Esta comédia de mau gosto é uma sequela de um filme de 1999, para dizer a verdade o primeiro não foi muito bom, as piadas eram forçadas e designadas como “humor de casa de banho”, mas podíamos aceita-lo como um divertimento inconsequente e nada mais do que isso com algumas cenas marcantes á mistura.

Passado 6 anos, eis uma sequela mal passada, o qual tive a infelicidade de ver. Para poder concluir esta crítica tive que aluga-lo num videoclube mais perto e passar uma hora de sofrimento agonizante. Mas deixemos de sofrimentos e seguimos para a crítica; além de ter dito que as piadas sejam de gosto duvidoso, o filme ainda tem para oferecer um argumento alienado, sem qualquer tipo de lógica, embrulhado com diálogos surrealistas e ridículos. As interpretações são más, destacado Rob Schneider e a sua presente situação.

Rir não consta no argumento, ao invés disso podemos apenas chorar ao saber que existem mentes capazes de tudo no mundo cinematográfico. As piadas residem em criticar e com críticas poucos construtivas (pouco aqui é uma palavra esforçada) á cultura europeia em geral, ou seja, todas estas giram á volta de deficiências, sexualidades, nacionalidades e diferenças raciais. Para finalizar lanço uma questão ao espectador; que piada tem de ver golfinhos a morrer e deficientes visuais a ser macabramente agredidos, é melhor pensar nisto. È uma perfeita nulidade.

2/10 *


publicado por Hugo Gomes às 12:34
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O Código aldrabado!

 

O simbologista Robert Langdon (Tom Hanks) é chamado ao museu de Louvre para evidentemente ajudar o inspector Bezu Fache (Jean Reno) na resolução de um macabro homicídio. Mas tudo acaba por ser uma conspiração contra si, fazendo dele o bode expiatório perfeito. Agora, com a ajuda de Sophie Neveu (Audrey Tautou), neta da vitima (um dos curadores do Louvre), fogem das autoridades como também de um assassino convencido em operar sob vontade de Deus. Enquanto isso, resolvem inúmeros enigmas que levam a segredos nunca antes revelados de um irmandade há muito julgada extinta.

 

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Cumpriu-se, por fim, o desejo de adaptar o universo de Dan Brown! Os produtores viram na obra literária O Código Da Vinci, a mais recente mina de ouro, graças a sua abordagem polémica como também, esse sim o mais importante para estes, o seu sucesso mundial como livro. Os estúdios da Walt Disney fizeram uma proximidade ao universo transcrito na obra literária, mas temos que admitir que National Treasure, protagonizado por Nicolas Cage, não pode, nem sequer servir, como alternativa ao fenómeno Código Da Vinci. Contudo, deu para "matar o bichinho" por alguns momentos.

 

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Quando à adaptação homónima, o realizador mais interessado neste projecto foi Ron Howard, tão bem amado pela Academia como adepto do classicismo formatado que tanto "veneram", poderia ser o homem indicado para esta proeza (o seu estatuto tarefeiro diz tudo). Infelizmente não foi bem isso que aconteceu, O Código Da Vinci é no seu total uma obra falhada, começando pelas opções de fotografia, escura e nua, assim como uma narrativa composta pelos elementos mais previsíveis e preguiçosas da envolvência cinematográfica - os flashbacks - e aqui é espécie abundante que até tresanda.

 

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Mas a grande desilusão aqui é sobretudo o cognome de director de actores que Ron Howard sempre teve estima. O homem que conseguiu de certa forma "encantar" os críticos com A Beautiful Mind (Uma Mente Brilhante), Apollo 13 e até mesmo a enésima bomba emocional de pugilismo, Cinderella Man, parece falhar nisso mesmo … nas interpretações. Nas surpresas inversas encontramos Tom Hanks, com um desempenho cadavérico e "murcho" (pode parecer mentira!). A sua inexpressividade talvez seja resultante da falta de manobra que os argumentistas (Akiva Goldsman, shame on you) tiveram em descolar uma personagem tão pouco desenvolvida no livro, ou tão apta para a imaginação do respectivo leitor.

 

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Ainda nesse espaço, e servindo de "bengala de apoio" temos Audrey Tautou sem brilho, não foi desta que a nossa Amélie mostrou o seu "Fabuloso Mundo" em produções norte-americanas. E já que falamos em previsibilidades, que tal um Jean Reno igual a sim mesmo, e ainda … surpresa … noutro papel de policia francês. Continuando no caso interpretativo, as melhores adições são, sem sombras de dúvida, um Paul Bettany no papel de um pouco ortodoxo fiel sob tendências psicopatas, Silas, e um Ian McKellen carismático, que vem manter um certo interesse a uma narrativa sob contornos suicidas.

 

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Mas porquê que falhou? Simplesmente, porque O Código Da Vinci é uma produção nervosa, sob o receio de ofender alguém mas sem realmente o fazer. Além dos enigmas ser descodificados a uma velocidade recorde, ainda temos direito a uma patética demonstração de fuga de um avião. Mais interessado em ganhar fortunas de que ser realmente um entretenimento de culto, em alternativa, mais vale visitar o verdadeiro museu do Louvre e viver o "Código Da Vinci" imaginário, aquele exposto no bem-sucedido livro. "Marias ofendidas" à parte, a adaptação saiu furada e sem personalidade. Para quê polémicas?

 

"Nobody hates history. They hate their own histories."

 

Real.: Ron Howard / Int.:  Tom Hanks, Audrey Tautou, Ian McKellen, Jean Reno, Paul Bettany, Alfred Molina, Jürgen Prochnow, Jean-Yves Berteloot, Etienne Chicot, Jean-Pierre Marielle, Marie-Françoise Audollent, Rita Davies, Francesco Carnelutti, Seth Gabe

 

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4/10
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publicado por Hugo Gomes às 12:24
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Real.: Quentin Tarantino

Int.: Uma Thurman, David Carradine, Lucy Liu, Daryl Hannah, Samuel L. Jackson, Michael Madsen, Vivica A. Fox

 

De nome de código Mamba Negra (Uma Thurman), era um ex-assassina profissional pertence-te a um bando conhecido como Clã Das Víboras Assassinas, que era comandada pelo misterioso Bill (David Carradine). Depois de os seus colegas dispararem na igreja em que ela iria casar, tal atentado sob as ordens de Bill, não deixando ninguém vivo e pondo em perigo a criança que Mamba Negra trazia no ventre, o qual era filho de Bill. Depois do massacre, esta ficou em coma, acordou 4 anos depois num hospital, sem sinais da criança e com uma sede de vingança. A Mamba Negra está decida em acabar com a raça dos seus cincos colegas incluindo Bill, pondo em cabo um plano vingança sem dó nem piedade.

O regresso de Quentin Tarantino ao grande ecrã é sempre um motivo de celebração, muito mais quando o seu ultimo projecto foi á 6 anos, com Jackie Brown. Este Kill Bill parece afastar-se muito da habitual obra do realizador, sendo que a vertente de assassinos encontra-se lá, porém o que não se encontra são os seus já distintos diálogos cheios de referências á cultura pop, sendo que referências estão descritas nas imagens e não nas suas falas. Kill Bill é um delírio barroco onde as referências a filmes, series e outras culturas estão exaustivamente presentes em cada frame, em cada imagem, em cada canção, vestuário ou na coreografia das lutas.

Quem pensa que está perante num simples produto envolvendo artes marciais, pancadas e fancaria, engana-se, porque o quarto trabalho de Tarantino tem um dos argumentos mais frescos dos últimos anos, e numa estreia que faz anteceder a dois prováveis campeões de bilheteira do ano (Matrix Revolutions e O Senhor Dos Anéis – O Regresso Do Rei) é provável que este clássico instantâneo seja sucumbido por esses mesmos blockbusters, muito pela sua falta de flexibilidade comercial, mas mesmo assim é o filme mais comercial de Tarantino sem isso fazer-lhe perder alguns méritos.

Com a chegada do autor Tarantino, eis o renascimento de alguns actores quase esquecidos na industria cinematografica, depois de trazer ao "Mundo dos Vivos", John Travolta, tirando de uma próxima decadência com Pulp Fiction. QT parece interessado em reavivar actrizes como Daryl Hannah, a cyborg de Blade Runner e a eterna sereia em Splash de Ron Howard, ao lado de Tom Hanks nos seus anos verdes, e do cameo de Michael Madsen que foi o psicopata elegante em Cães Danados, o primeiro filme de QT. Mas talvez a maior proeza em termos de actores, seja David Carradine, o actor que ficou com o lugar de Bruce Lee na mitica serie Kung Fu, parece encontrar um novo sentido aqui neste filme, num vilão bastante irónico e esforçadamente poético. Já para não falar que Uma Thurman, a "musa" do proprio QT, é uma "one show woman" em palco.

Tirando o mérito de fita perfeita, já que no trabalho de Tarantino tudo é menos o suposto perfeccionismo cinematografico, Kill Bill pode pecar pela sua violência que por vezes se torna gratuita e graficante, e num tempo em que a violência é cada vez mais discutida fora do ecrã, o novo filme de QT será visto com algum mau olhado por entre o activistas, mas é um bilhete de ida e volta de bom cinema, que não deixará ninguém indiferente. Atenção, esta é só o primeiro volume e pelo andar da carruagem a promessa é bastante grande, mas mesmo assim, o filme mais fresco deste ano e além de se tornar num filme de culto, está condenado a tornar num clássico daqui a 10 anos, é o máximo que dou.

9/10
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publicado por Hugo Gomes às 12:21
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29.9.07

 

Real.: Tony Scott

Int.: Keira Knightley, Mickey Rourke, Edgar Ramirez, Delroy Lindo, Liz Abbasi, Lucy Liu, Christopher Walken, Mena Suvari

 

Domino Harvey (Keira Knightley) é filha do actor Laurence Harvey, mas esta não seguiu as pisadas do seu pai, em vez disso ignorou o seu bom nome e decidiu seguir uma carreira como caçadora de prémios, o qual tornou-se famosa por isso.

Tony Scott, o irmão mais novo do veterano realizador Ridley Scott (Alien, Blade Runner, Gladiador), ao contrário do irmão especializa-se num único género, esse mesmo a acção. Como também é um manipulador de imagens, tal como fez com o seu filme anterior, o visualmente imperfeito mas mesmo assim emocionante Man On Fire – Homem Em Fúria, Scott utiliza variados efeitos visuais, espasmos coloridos, uma fotografia sofisticada e uma câmara sempre em movimento, e talvez seja isso o pior defeito do filme, além da história ser pouco satisfatória tal como o seu confuso “esqueleto” narrativo, O estilo de Tony Scott abafa qualquer tipo de momento de tensão, acção e drama.

Keira Knightley talvez seja um dos motivos de interesse do filme, mas a verdade seja dita, o seu desempenho está muito aquém do que se esperava dela. Destinado ao espectador que gosta de encher o olho, tentar encontrar um argumento sólido em Domino, é um mesmo que encontrar uma história decente num videoclip alargado. Uma tentativa falhada de inovação.

5/10 **

 


publicado por Hugo Gomes às 12:15
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23.9.07
23.9.07

 

Real.: James Wan

Int.: Leigh Whannell, Cary Elwes, Danny Glover

 

Adam (Leigh Whannell) e Gordon (Cary Elwes) acordaram misteriosamente numa casa de banho abandonada, ambos encontram-se acorrentados por um pé, no meio deles está um cadáver que possui numa mão um gravador e noutra um revolver, os dois possuem uma serra que não está destinada a cortar as correntes, mas sim o dito pé. Desesperados em sair, apercebe-se de estar envolvidos num jogo mortal de um misterioso e macabro serial killer que se dá pelo nome de Jigsaw (Tobin Bell), que põe á prova as suas vítimas com jogos de consequências mortais.

Estreou discretamente nas nossas salas, mas estava destinado desde cedo ao estatuto de culto e admito que é uma refrescante surpresa no campo do thriller com uns toques bastantes fortes de terror do mais gore que há. Escrito e realizado pelo estreante James Wan, Saw envolve-se numa premissa original cheio de tensão e de momentos chocantes que valorizam um dos instintos mais aterradores do ser humano; a sobrevivência, e nesse facto é aconselhado dizer que Saw não é para qualquer um, é preciso ter estômago como também é preciso ser impressionado num filme que não deixa ninguém indiferente. Entre a estrutura limitada de um Cube de Vincenzo Natali e a engenho de um Se7en de David Fincher, Saw encontra a sua inspiração em ambos.

Todavia não é um filme perfeito, a ideia claramante sobressai ao artistico, as interpretações não ajudam, e em certos momentos roçam o ridículo e Danny Glover surpreende muito, pela negativa, e a brilhante fotografia é por vezes manipulada com efeitos de luz e psicadélicos, aquilo que vulgarmente se chamaria de realização a lá MTV. Mas é de louvar algo fresco num género que anda pela hora da morte, como também a presença de um dos twists finais mais brilhantes dos últimos anos num argumento que tem muito que se diga entre o genial e a escassez de ideias. Um dos filmes mais perturbantes da nova era.

7/10
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publicado por Hugo Gomes às 18:56
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Real.: James Foley

Int.: Halle Berry, Bruce Willis, Giovanni Ribsi

 

Quando a amiga da jornalista Rowena (Halle Berry) é encontrada no rio, com indícios fortes de homicídio macabro, esta investiga a fundo a sua história para tentar descobrir o assassino. Mas tudo prevê que o “peixe” é demasiado grande para ela, porque tudo indica que a morte da sua amiga está relacionada com Harrison Hill (Bruce Willis), um poderoso executivo dono de uma empresa de publicidade.

Realizado por James Foley, Um Perfeito Estranho é um thriller assumidamente psicológico que junta três actores de grande calibre, dois deles, capazes de mover um vasta gama de fãs. Contundo, é Giovanni Ribsi que surpreende, a sua personagem é aparentemente frágil mas impenetrável em nível psicológico, tendo a melhor interpretação do filme, apenas Halle Berry desilude do trio.

O elenco é apenas o que o filme tem de bom, porque de resto são declives e derrapes estrondosos. A narrativa é apressada, segue o plot primário furtivamente, sem que exista os secundários, muitas personagens só parecem apenas existir para os problemas da protagonista, fazendo assim uma quantidade de personagens descartáveis e mal apresentadas a nível total e carentes de solidez ou mesmo credibilidade.

James Foley dá um ar de previsibilidade ao longo da fita, focando em alguns twists e falsos twists que nada ou pouco tem de relance na história e mesmo atrasando-a. E quando finalmente o filme parece ter caído no obvio, este emerge com um força inclassificável e dá nos um resultado muito além do que o espectador seguiu, por outras palavras, é um filme que subestima a inteligência do espectador ao querendo ser original, o que torna o seu maior erro.

A sua queda abrupta nos argumentos da lógica e nas pistas dadas ao longo do filme; Um Perfeito Estranho é um filme desmiolado que o qual o espectador não sai satisfeito ou mais, é ofendido pela sua inteligência. A evitar a todo o custo, valendo apenas pelo trio de actores.

3/10 *


publicado por Hugo Gomes às 15:39
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22.9.07
22.9.07

 

Real.: Antoine Fuqua

Int.: Mark Wahlberg, Danny Glover, Michael Peña

 

Bob Lee Swagger (Mark Wahlberg), um atirador furtivo dos Marines que depois de uma missão mal sucedida na Etiópia, é obrigado a sair do regime. Refugiado numa cabana localizada no meio de montanhas arborizadas, Swagger recebe a visita de federais, um deles é o Coronel Isaac Johnson (Danny Glover) que propõe a Swagger, um trabalho de investigação em uma elaboração de um plano de assassinato ao presidente para que se possa identificar um presumível assassino que fora contratado para disparar sobre o político. De inicio Swagger ficou na dúvida, mas depois aceitou de bom grado de maneira a que possa salvara vida do presidente. À chegada do dia em que o presidente discursa em pleno público, Swagger e os federais do Coronel Johnson preparam-se para apanhar o atirador furtivo, mas numa reviravolta, Swagger apercebe-se que a história de um suposto assassino era um embuste, para que o possa incriminar de algo que nunca fez; atentado ao presidente dos EUA.

Comecemos por os pontos no “is”, Antoine Fuqua nunca foi e talvez nunca será um realizador galardoado com um Óscar de melhor em sua categoria (se isso acontecer futuramente, irei pedir desculpas formalmente), mas têm na sua carreira, bons exemplos de espectáculos pirotécnicos ou aceitáveis filmes de acção, alguns deles com proporções pipoqueiras. Na sua filmografia podemos resumir em três filmes; O Dia De Treino, sua obra mais famosa e o qual Denzel Washington arrebatou o segundo Óscar de Melhor Actor, Tears Of Sun, um thriller com um cenário africano, um dos meus guilty pleasure e por fim Rei Arthur, um tentativa algo falhada da desmistificação da lenda, mas que apesar de tudo garante um saudável entretenimento.

O novo filme de Fuqua é uma adaptação da obra literária de Stephen Hunter, Point Of Impact, um thriller com um toque ácido de crítica á democracia americana. Quanto ao filme, esse tom crítico só ganha dimensão quase no desenrolar do final, de resto é tudo um show pirotécnico que não “moí” a inteligência do espectador, mas que não também não desperta qualquer intelectualidade nele. Misto de Rambo com Sniper, este bem artilhado “monstro” de acção é de facto mais do mesmo em termos de filme. Mesmo que a escolha de Mark Wahlberg faça diferença, o que neste caso não acontece, porque o recém-nomeado actor em The Departed tem aqui um inexpressividade muito semelhante a Steven Seagal, e mesmo com a morte do fiel companheiro de quatro patas (o cão) este nem transmite um bocadinho de sentimentos, tristeza ou afecto. Michael Peña e Danny Glover enchem um pouco a fita em termos interpretativos.

Enquadra-se perfeitamente no rótulo de entretêm pirotécnico, enche o olho, mas não a mente. Contudo, é de louvar um filme destes onde os inimigos são na realidade “interiores” ou seja americanos, o que nesse respeito não usa nem abusa da habitual americanização, de que este tipo de filmes tem sido alvo.

5/10 **


publicado por Hugo Gomes às 16:39
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21.9.07

 

Real.: Paul Greengrass

Int.: Matt Damon, Franka Potente, Karl Urban, Julia Stiles, Brian Cox, Chris Cooper, Michelle Monaghan, Joan Allen

 

Jason Bourne (Matt Damon) é um ex-assassino de uma organização com ligações á CIA, vive agora na India com Marie (Franka Potente) numa vida escondida pelo anonimato. Mas mais tarde ou mais cedo, Bourne torna-se outra vez num alvo e durante a fuga de um perseguição de um assassino contratado de origem desconhecida (Karl Urban), Marie é baleada perdendo assim a sua vida. Decidido a vingar, Bourne regressa á Europa, obcecado por acabar aquilo que ele próprio começou.

Dois anos passaram desde a estreia de The Bourne Identity, um filme de acção que prometeu reinventar o cinema da espionagem, mas para dizer a verdade, falhou completamente o alvo. Uma das grandes diferenças da sequela com o filme original de Doug Liman é de facto a mudança de realizador, que assegura uma narrativa mais documental, mais viva sem os sinais de cansaço do interior. O realizador escolhido foi Paul Greengrass, que havia filmado Domingo Sangrento, o qual também combinou ficção com documentário, numa realização inquieta mas fascinante que levou assim ao sucesso em termos de críticas que o filme obteve.

Podemos afirmar que estamos perante numa obra de acção inteligente e não um mero exercício automático que no filme de Liman, a sua narrativa é lenta, mas sempre intrigante, a sua importância á historia é mais relevante que o seu despacho para as sequencias de acção. The Bourne Supremacy afirma como um filme de actor bem doseado para fins comerciais, onde o ambiente de conspiração é de facto eficaz e sem cair no habitual arquétipo de um típico filme de acção á americano, deixando de fora quaisquer maniqueísmos e estereótipos sentidos. Talvez só a personagem de Joan Allen, uma inspectora com toques agressivos de Clarice Starling (O Silêncio Dos Inocentes) seja a personagem com mais destaque e menos desenvolvida no filme.

No campo das interpretações, temos talvez a confirmação de Matt Damon, como um novo tipo de herói, sofre, sangra e sente, não cai nas habituais poses fotográficas e o melhor de tudo usa o cérebro, sim, a personagem Bourne é talvez um dos heróis mais inteligentes da sétima arte. Julia Stiles encontra-se também favorável, existe alguma dimensão numa personagem tão pequena e Brian Cox sai incólume.

The Bourne Supremacy é uma pequena maravilha no seu género, faz crescer agua na boca par um eventual terceiro capitulo. Cinema de acção, puro e duro e acima de tudo inteligente e engenhoso. Para desenjoar um pouco dos “indigestíveis” filmes de acção vulgarmente americanos.

 

8/10
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publicado por Hugo Gomes às 23:57
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Entre dois mundos!


Espanha, 1941, passado cinco anos desde a guerra civil que marcou de tal forma o país. Um grupo de rebeldes ainda resiste as tropas de Franco nas encostas montanhosas de Navarra. Contudo esta história centra-se em Ofélia, uma menina de 10 anos que juntamente com sua gravida mãe (Ariadna Gil) chegam ao centro de operações do exército fascista em Navarra, para morar o fascista tirano Capitão Vidal (Sergi López). Padrasto de Ofélia, o oficial das tropas de Franco vê no seu “rebento” ainda por nascer, o futuro do seu legado. Ofélia que é fascinada por contos fantasiosos começa a receber estranhas visitas de uma criatura que diz ser um Fauno  (Doug Jones), que aclama a menina de ser uma princesa á muito perdida num reino de igual situação.

 

 

Vivemos num tempo onde o cinema fantástico parece ter um grande peso nas bilheteiras, enchendo sobretudo de CGI e pouco o factor de imaginação, o qual dão vida a criaturas que apenas existiam no imaginário de cada um, mundos belos e impossíveis e outros artifícios da mesma matéria de que são feitas os sonhos, sendo que por vezes essa “magia artificial” faz por vezes … isso mesmo, magia. Dentro desse ramo cinematográfico, um dos mais referenciados e bem-sucedidos é a trilogia The Lord of the Rings - O Senhor Dos Anéis, que constituiu uma surpresa no seu campo e até hoje é aclamada como uma das melhores adaptações de um livro fantástico, vindo directamente das páginas da homónima obra-prima escrita por J.R.R. Tolkien, nenhuma outra obra é dotada de uma solidez quase poética numa estrutura narrativa sedutora e viciante, fantasia em conformidade com o épico. Desde o grande sucesso da trilogia adaptada por Peter Jackson, como também os prémios, incluindo os Óscares galardoados durante a sua jornada, foi gerado quase de tudo no que se refere a mundos de fantasias, desde o aceitável e conformista (The Chronicles of Narnia) até mesmo a lixo comercial a três pancadas (Eragon).

 

 

Guillermo Del Toro, que nos exibiu uma sequela mais arrojada e fiel aos códigos do comics, Blade 2 (2002) e da invulgar divertido Hellboy (2004), é o autor escolhido para trabalhar num filme como este de proporções quase insuportáveis para um cinema fora dos E.U.A, quanto mais ser oriundo do México. Toda a fantasia recorrente, desde cenários a criaturas foram criadas a partir de raiz, tendo como algumas bases certamente, alguns contos literários de Lewis Carroll  (Alice No Pais Das Maravilhas, por exemplo). Notavelmente, CGI pouco se utilizou, em alternativa, a tão antiga e mesmo assim eficaz, efeitos práticos; caracterização, maquilhagem, cenários (sem ser os ditos verdes ou azuis), fazem as maravilhas da produção e com isso, uma credibilidade maior. O filme de Toro transborda dois mundos diferentes, o real e o fantasioso, mas nunca nenhum desses prejudica a existência do outro, sendo mesmo que um deles afirma ser incógnito na narrativa.

 

 

Novamente, Guillermo Del Toro alia-se á Guerra Civil Espanhola para servir desculpa á incursão sobrenatural desde El Espinazo del Diablo (2001), mas preocupa-se além mais do que pintar o simples quadro de Picasso. O autor é consegue coexistir os problemas sociais da época recorrente como a enfase fantástica da fita, dando um trabalho quase á lá Shyamalan. Ao servido de Del Toro um leque de actores profissionais e formidáveis com destaque Ivana Baquero, que consegue credibilidade na sua personagem e Sergi López como um formidável vilão, infelizmente é um modelo critico ao regime de Franco e com isso é-lhe adquirindo um sadismo em exagero. Um Amon Goeth franquista.

 

 

Tecnicamente apurado, O Labirinto Do Fauno é uma obra envolvente, cheio de goticismo e é de uma imaginação fértil, contudo longe da complexidade. Pan’s Labyrinth é de certeza o melhor filme de fantasia adulta desde O Senhor Dos Anéis.

 

Real.: Guillermo Del Toro / Int.: Ivana Baquero, Sergi López, Maribel Verdú, Doug Jones, Ariadna Gil



9/10
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publicado por Hugo Gomes às 18:58
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20.9.07

 

Real.: Oxide Pang Chun, Danny Pang

Int.: Kristen Stewart, Dylan McDermott, Penelope Ann Miller

 

 

Para fugir do ambiente de Chicago, a família Solomon decide mudar o estilo da sua vida, como decisão, viver para o meio rural, numa casa abandonada, onde os primeiros habitantes desapareceram sem deixar rasto. Depois de instalados, Jess Solomon (Kirsten Stewart), a filha mais velha, começa a ter visões aterradoras. Alguém dentro daquela casa está a tentar avisar de algo de terrivel.

The Messengers, não tem nada a ver com o programa de conversação online, é um filme de terror da autoria dos irmãos Pang, realizadores de um dos filmes de terror mais surpreendeste pós – Sexto Sentido, The Eye – Visão De Morte, uma película de Hong Kong que despertou um certo interesse do outro lado do Atlântico. The Messengers – Os Mensageiros é o seu primeiro trabalho americano, fruto de uma notoriedade ganha nas terras do tio Sam.

Aparentemente é um filme de terror com algumas qualidades, sendo esses alguns sustos que The Messengers consegue cumprir, isto talvez deve-se muito á forma de trabalho dos irmãos Pang, o silêncio e as cenas de tensão de longa duração são algumas das suas características, mas contudo não trazem nada de novo, e mesmo que uma premissa pouco original mas apostadora de novas ideias, tudo parece estar gasto. Desde a história até a um incompetente twist. Contamos com os desempenhos dos actores (destaque para Kristen Stewart) e talvez um fôlego novo que atravessa devagarinho e sem impacto a espinha dorsal da fita, esse mesmo graças ao trabalho dos irmãos Pang, tão mal tratado num filme como este.

 

 

 

5/10
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publicado por Hugo Gomes às 15:52
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Real.: Robert Shaye

Int.: Chris O'Neil, Rhiannon Leigh Wryn, Joely Richardson, Timothy Hutton, Michael Clarke Duncan

 

Duas crianças descobrem um caixa misteriosa que contêm brinquedos de origem duvidosa, com o passar do tempo, as crianças agora possuidoras dos tais misteriosos objectos começam presenciar fenómenos bizarros e estranhos, como também mensagens vindas de um colho de peluche sobre uma iminente extinção da raça humana.

The Last Mimzy assume-se como um descendente de E.T ou até mesmo O Encontro Imediato De Terceiro Grau, ambos da autoria de Steven Spielberg, contudo não é bem assim, as boas intenções do filme terminam, quando os efeitos especiais dão lugar ao mesmo, tornando o suporte num argumento algo esquizofrénico. Misturando budismo com ficção científica, genética com fantasia, The Last Mimzy é um salganhada de temas que não possui qualquer credibilidade, no caso dos dois filmes de Spielberg, apesar de serem ficção científica, tenho sim uma credibilidade com o qual pudessem agarrar.

Dos actores não há nada para destacar sem ser Michael Clarke Duncan, com um pequeno papel mas é claramente de todo a melhor interpretação do filme, o gigante de Green Mile tem apenas um má escolha em certas obras cinematográficas o qual entra, o elenco juvenil não convence ninguém, apesar do esforço de Rhiannon Leigh Wryn que infelizmente não consegue seguir o mesmo nível de desempenho ao longo do filme. The Last Mimzy não traz nada de novo e é fácil de esquecer.

 

4/10
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publicado por Hugo Gomes às 01:01
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19.9.07
19.9.07

 

"This is Sparta!"

 

Não é difícil ficar maravilhado com a carnificina, com as sequências de acção que prometem um novo fulgor épico mais ciente das gerações mais modernas, das frases emblemáticas que unem citações históricas e as expõem ao espectáculo cinematográfico. Sim, 300 de Zack Snyder, adaptado fielmente duma graphic novel de Frank Miller (seguindo de certa maneira o fascínio envolto de Sin City) que por sua vez baseado em factos históricos que converteram em lendas de bravura, é um filme viciante, visualmente sedutor e graficamente jubilante.

 

 

Com obras assim a História seria sempre um motivo que chegue de interesse para os mais jovens ou os menos informados, contudo este é um filme estilístico, reluzente e plástico que acima de tudo nos evidencia uma futuro meramente tecnológico do cinema de entretenimento. Filmado a 100% sob um fundo verde, a nova obra de Zack Snyder (que havia anteriormente concretizado o muito competente remake de Dawn of the Dead) nos apresenta a lenda / história dos 300 espartanos que desafiaram um exercício descomunal de persas liderados pelo megalómano rei-deus Xerxes, um Rodrigo Santoro assexuado e transvestido. Existe variados anacronismos indesejados numa obra que tenta incutir um fulgor épico, sem com isso aproximar dos velhos clássico de Hollywood (aliás os 300 espartanos já originaram uma versão cinematográfica em 1962), mas tendo como ponto de vista a graphic novel de Miller e até mesmo as inspirações deste exemplo de bravura, 300 funciona como um exagerado, contudo sempre estilizado olhar alternativo sobre um pedaço de história bélica.

 

 

Uma fita bastante "cheesy" (termo utilizado pelos críticos norte-americanos para classificar eventuais estereótipos hollywoodescos) que glorifica os corpos dos seus combatentes e a violência dos seus actos, solicitando as prestações do seu elenco não para preencher as suas personagens com solidez, mas sim carisma e como por exemplo, Gerard Butler é um must nesse campo. Sob uma narração expressiva por parte de David Wenham, temos sim um blockbuster que mesmo sendo plástico funciona como um exercício de estilo de uma Hollywood em busca da nova tendência "barroca-cinematográfica" e inovando o sindroma de videoclipp. Entretém visualmente sem duvida, enquanto que os 300 espartanos eternizaram na história da militarização já há muito.   

 

"A thousand nations of the Persian empire will descend upon you. Our arrows will blot out the sun! / Then we will fight in the shade."

 

Real.: Zack Snyder / Int.: Gerard Butler, Lena Headey, Dominic West, David Wenham, Vincent Regan, Michael Fassbender, Tom Wisdom, Andrew Pleavin, Andrew Tiernan, Rodrigo Santoro

 

6/10
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publicado por Hugo Gomes às 17:04
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19.9.07

 

Real.: Darren Lynn Bousman

Int.: Donnie Wahlberg, Shawnee Smith, Tobin Bell

 

 

 

Oitos pessoas foram fechadas num armazém armadilhado, o qual estão constantemente a ser filmados 24 horas, isto tudo é obra de Jigsaw (Tobin Bell), um psicopata que engenha armadilhas e põe á prova o instinto humano. Jigsaw foi capturado pelo detective Eric Mason (Donnie Wahlberg) que sempre o havia perseguido, contudo o psicopata tem um truque na manga; uma das oitos pessoas que se encontram aprisionadas é o filho do proprio detective, o qual se torna objecto de uma simples chantagem; Mason terá que ouvir e se convencer dos ideais de Jigsaw.

Quem diria que uma estreia tão discreta como Saw (2004) fosse originar um culto tão grande, e mais, a produção de uma sequela num curto espaço de tempo. Saw II tenta seguir á força o argumento de James Wan do original, mas com a saída do mesmo realizador, e a entrada do desconhecido Darren Lynn Bousman, os indícios comerciais da fita são claramente evidentes. A sua violência é mais gratificante e gratuita que o antecessor, e essa mesma contraem proporções colossais da premissa original. Os actores não têm brilho, foi também um dos problemas da fita de Wan e a realização, essa sim, o maior defeito da fita, é incrivelmente berrante. Lynn Bousman optou por adicionar efeitos e movimentos de câmaras, no mínimo irritantes que eliminam qualquer clima de tensão e suspense, e para ajudar ao motivo, temos uma pouco inspirada banda sonora, quase exclusivamente extraída de raiz do original.

Apesar desses motivos todos, de Saw II podia se esperar pior, muito pior. Existe ainda um twist final, não tão brilhante ou com o impacto que o imprevisível twist de Saw de James Wan obteve, mas que serve para manter aberto a saga para eventuais continuações, aliás Hollywood encontrou a sua "galinha" de ovos de ouro. Não é nenhum atentado á inteligência do espectador e quando a fita acha o alvo acerta em cheio. Um exercicio meramente gore.

  

5/10
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publicado por Hugo Gomes às 16:40
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Real.: Robert Rodriguez

Int.: Antonio Banderas, Salma Hayek, Joaquim De Almeida, Steve Buscemi

 

El Mariachi (Antonio Banderas), como assim é chamado, era outrora um guitarrista de grande talento, que depois de um tiro na mão foi impedido de tocar. El Mariachi leva o estojo da guitarra consigo, mas sem a dita, em vez disso, está cheio de armas, tornando assim num assassino implacável em busca de um chefe do crime, conhecido como Bucho (Joaquim De Almeida), responsável pelo tal tiro e de ter morto a sua mulher.

Eis a primeira sequela de um dos filmes sensação de 1992, El Mariachi realizado por Robert Rodriguez, que foi também autor da famosa saga Spy Kids, regressa por detrás das câmaras com outro filme passado num México de Terceiro Mundo, onde o som das balas fazem reinar. Carlos Galardo deu a vez a Antonio Banderas, onde o seu charme e estilo fazem sentir quando este aparece no ecrã e também dá um novo fôlego á história do primeiro filme. Pois bem, Desperado como filme de acção é explosivo e como entretenimento ainda mais. Cheio de estilo, violência, humor e cenas que perduram, como também possui o carisma de Banderas e do seu par, a nada mais bela e sensual Salma Hayek, que partilham socos, tiros, saltos, perseguições numa hábil mistura entre o western e serie B numa exótica e bem sucedida banda sonora. Quanto ao vilão, talvez seja a personagem mais divertida do filme, além de ser Joaquim De Almeida, o nosso “tuga” de serviço, é um dos responsáveis pelas cenas hilariantes, mas ao mesmo tempo chega a ser um vilão cru, duro e bastante macabro.

Vamos por partes, não é uma obra-prima nem algo do género, é uma espécie de cinema trash de luxo com veias acentuadas de grindhouse com western de segunda categoria, e um divertimento mais que acertado para horas vagas. Mas a sua qualidade depende do gosto de qualquer um e pela acessibilidade de explorar novos horizontes, porque este Desperado por vezes roça o ridículo. A premissa é simples, além de ser exagerado, felizmente é esse factor que lhe alfere o seu tom de graça. Apenas desilude naquilo que a fita promete ao longo da intriga, mas a sua energia compensa e sim ... muito.

 

6/10
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publicado por Hugo Gomes às 14:59
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Essa última frase foi simples mas genial.
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