29.8.07

 

Real.: Je-gyu Kang

Int.: Dong-Kun Jang, Bin Won, Eun-ju Lee

 

O filme passa-se alguns anos depois da independência da Coreia, um pais cheio de esperanças e sonhos, mas que infelizmente um conflito entre ideais abateu-se e um guerra entre duas regiões do país “arrebentou”. A história retrata a forma como dois irmãos Jin-tae (Dong-Kun Jang), o mais velho e Jin-seok (Bin Won), o mais novo, que foram recrutados acidentalmente pelo exército democrático da Coreia Do Sul, ao tentarem escapar para voltar às suas famílias. Jin-tae terá que fazer os possíveis e os impossíveis para que o seu irmão mais novo tenha um permissão de saída, nem que isso tenha que enfrentar a morte em “pessoa”.

Não é arriscado dizer que Hollywood está a morrer aos poucos em termos de qualidade e originalidade, e com isso os cinéfilos experimentam virar as suas atenções para um pouco ou (muito) de cinema que se faz lá fora. Talvez nestes últimos anos temos assistido a uma evolução no cinema coreano, é de facto invejável a qualidade que muita das suas fitas tem atingido. Tae Guk Gi é um dos exemplos maiores dessa “invasão asiática”, muitas vezes a origem de muitas ideias importadas por Hollywood.

Antes de mais; Tae Guk Gi é um exemplo perfeito de cinema bélico, capta toda a emoção e atributos quase esquecidos desde Saving Private Ryan (O Resgate Do Soldado Ryan), as cenas de batalha são macabras, violentas e duras e inapta das habituais glorificações e maniqueísmos, mesmo tratar-se da guerra contra o comunismo coreano. As personagens estão muito bem construídas e sólidas, que nem um tijolo, é recheado de boas interpretações, uma controvérsia para quem julgava que actores só os americanos e enfies. Dong-Kun Jang está exuberante, mas é em Bin Won que se verifica uma melhore evolução em termos dramáticos. A fotografia é por si, bela e bem conseguida.

Ou seja, Tae Guk Gi – Irmãos de Guerra é um filme perfeito que capta o que de melhor se perdeu nos filmes bélicos e aliás não é só um filme de guerra, mas uma fita construída a partir de sentimentos. Uma viagem emocionante a redescobrir. Uma obra-prima do cinema contemporâneo e coreano.

10/10 *****


publicado por Hugo Gomes às 16:13
link do post | comentar | partilhar

 

Real.: Michael Bay

Int.: Ewan McGregor, Scarlett Johansson, Sean Bean, Djimon Hounsoun, Michael Clarke Duncan, Steve Buscemi

 

Lincolin Six-Echo (Ewan McGregor) é habitante de uma espécie de cidade artificial, que é o ultimo recurso da protecção da raça humana num futuro próximo, a única distracção dos habitantes deste habitat controlado é um tipo de sorteio que dá a possibilidade de irem para A Ilha, que segundo se diz o ultimo lugar paradisíaco intacto na Terra. Mas quando Lincolin descobre a verdade por detrás do sorteio, decide fugir, levando com ele, Jordan Two-Delta (Scarlett Johansson), a sua melhor amiga. A realidade encontrada é tenebrosa, todo o mundo que haviam conhecido não passava mais do que uma fachada, é que eles são clones de milionários que pagaram fortunas para ter uma fonte de órgãos 100% segura.

A clonagem foi desde sempre algo apetecivel para o cinema de ficção cientifica, esta nova fita´não foge á regra, construido por meios industriais, uma boa camada de ficção "neon", enriquecida com pormenores bem compostos. Sendo um espectáculo de adrenalina explosiva, visualmente, The Island é um sucesso no que remete a sua abordagem tematica, assim por assim, trocada por "miudos", isto até á primeira parte. O seu grande defeito está num realizador nato para cenas de acção e pirotecnia e quando cabe a si trazer a carga dramática nas personagens, o qual parece necessario para a trama, este torna-se inapto recorrendo ás suas "habituais" manipulações visuais e auditivas. Como se pode verificar na segunda metade do filme, em que o casal foge da sua antiga "casa", deparamos com um registo de “saltar as testeronas”, muita pirotecnia, muita piruetas, muitos acidentes, tiros e explosões é o que marcam no último tempo até á ultima pauta, fazendo esvaziar uma premissa interessante com um tema controverso e actual. The Island se torna numa obra demasiado enganadora, assume-se como um filme de ficção científica e instantaneamente muda de género como estivesse a mudar de “camisola”.

Talvez o “real” trunfo deste filme seja as interpretações, uma delas de uma actriz em ascensão; Scarlett Johansson, que revelou-se em Lost In Translation de Sofia Coppola (2003), que vê a sua carreira a crescer instantaneamente, percorrendo um número variado de projectos, agora explorando o dito cinema "blockbuster", quanto a Ewan McGregor, veio a verificar-se a sua subtileza no papel encarregue, como se pode observar na cena onde McGregor contracena consigo próprio como clone e criador, dando uma sólida prestação. Ao contrario da sua parceira romantica, McGregor já se encontra habituado a este tipo de produções, na ambiciosa segunda trilogia de Star Wars de George Lucas, onde desempenha o celebre papel de Obi-Wan Kenobi.

A Ilha, como titulo em português, não é um mau filme, como entretenimento cumpre bem as suas funções e aliás é o melhor exemplo de cinema de Michael Bay, que havia cumprido o melhor desde Armageddon e O Rochedo, todavia não pensem que esta informação queira dizer muito da qualidade da fita, mas pelo menos podem pensar como seria se fosse realizado por outro realizador competente, por exemplo um James Cameron (embora Steven Spielberg ou George Lucas fosse sonhar muito alto). Por enquanto é um divertimento recomendado.

 

 

7/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 14:12
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

28.8.07

 

Real.: Tony Scott

Int.: Denzel Washington, Jim Caviezel, Val Kilmer, Paula Patton, Bruce Greenwood

 

 

 

Depois do ataque terrorista a um ferry-boat em Novas Orleães, agente Doug Carlin (Denzel Washington), o detective pertencente ao caso, fica fascinado com um cadáver encontrado nas margens do rio. Este cadáver pertence a uma mulher, notificado ser de um caso distinto, Doug Carlin acredita ter ligação com o incidente do ferry-boat. Ao tentar provar a sua teoria, Carlin investiga os últimos passos da mulher que jura nunca a ter visto, apesar de uma arrepiante sensação indicar o contrário, os déjà vus.

Tony Scott, o irmão do veterano Ridley Scott (Alien - O Oitavo Passageiro, Gladiador), esteve sempre por detrás de muitos dos grandes êxitos de bilheteira da história do cinema de acção, um deles é o inconsciente Top Gun, responsável pelo estrelato do megalómano Tom Cruise. Scott nunca foi um grande génio na concepção da sua arte, sendo acusado de requisitar em demasia a manipulação visual, salvo algumas excepções, os seus projectos nunca tiveram grande alma, alguns apenas sobrevivem graças às bens trabalhadas sequências de acção ou o carisma dos protagonistas, sendo um deles Denzel Washington, um dos mais usados actores pelo realizador, acabando de ser um dos factores que influenciam o êxito do filme. Depois de ter trabalhado com o realizador em Crimson Tide e Man on Fire, Washington regressa como protagonista neste Déjà Vu, é um dos actores de acção mais cobiçado de Hollywood e pelas melhores razões, maioritariamente as suas interpretações superlativas e por raramente cometer erros na escolha dos projectos, e este Déjà Vu está longe disso, apesar de tudo.

Déjà Vu é uma mistura de thriller com ficção científica, explorado um das sensações mais estranhas do Homem, a do déjà vu, aquela sensação de conhecermos uma pessoa que nunca a vimos antes ou estar num lugar que já tivemos mas que na verdade nunca metemos lá os pés, soa algo paranormal, mas Tony Scott não pretendeu realizar um thriller sobrenatural mas sim um de teor cientifico com muitos buracos no argumento. Mas o realizador é exclusivamente um génio em cenas de acção, e é essa a única maneira de tapar essas ditas lacunas de logica. Além disso quem quer saber disso desde que vemos o magnifico Denzel Washington a salvar a situação. Tendo um das mais fracas interpretação da sua carreira (desde Out of Time), felizmente a sua fraqueza é equivalente ao melhor de muitos outros actores.

 

Não é um filme original, nem sequer inteligente, e não vai além da marca do produtor Jerry Bruckheimer, aquele homem por detrás dos exitos de Os Piratas das Caraíbas e da série televisiva C.S.I, tornando-a mais uma obra de sucesso e um entretenimento luxuoso desta temporada. Destaque pelo desempenho de Jim Caviezel.

6/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 13:42
link do post | comentar | partilhar

 

Real.: Doug Lefler

Int.: Colin Firth, Aishwarya Ray, Ben Kingsley

 

Existe uma profecia romana em que o último da real linhagem César terá que empunhar uma poderosa e enigmática espada e seguir para Britânia numa luta entre o bem e o mal. Estamos em Roma, 476 D.C e o império romano dá sinais de ruir. Os godos, um povo bárbaro outrora aliada de César provoca um golpe de estado e sobe ao poder, matando toda a família real, excepto o filho, uma criança, Romulus Augustur (Thomas Sangster), o último dos Césares, que fora capturado e levado por uma ilha fortaleza. Um legião leal de guerreiros romanos comandadas por Aurelius (Colin Firth) que jurou proteger o César até á sua morte, planeia um resgate.

O cinema épico ficou mais pobre, desde Gladiador de Ridley Scott ter arrecadado o Óscar de Melhor Filme, vimos tudo e mais alguma coisa; Oliver Stone a falhar o alvo a 360º com Alexandre, O Grande, um das maiores desilusões cinematográficas, um ambicioso projecto de dois anos que resulta num blockbuster e nada mais que isso em Tróia de Wolfang Peterson, um épico virada a entretenimento em Rei Artur e até mesmo Ridley Scott o autor do último grande épico (Gladiador) não tem inspiração suficiente para salvar O Reino Dos Céus da mediania. E este A Ultima Legião irá obviamente integrar-se nessa mesma lista.

Primeiro de tudo A Ultima Legião de Doug Lefler quer ser a força toda um Pirata Das Caraíbas, pelo seu forçado humor quase prejudicial num registo histórico como este como na cobiça da solidez das personagens, aliás como também é um filme muito adolescente e todo aquele plot de um escolhido não ser demasiado original é uma ideia precoce, confrangedora e demasiado irrealista na reconstituição épica. Depois da lavagem estrutural em Rei Artur de Antoine Fuqua, não precisávamos de saber ao certo a origem da Excalibur em mais outra lavagem.

A Ultima Legião até nem é mau filme, diverte nas horas vagas e apresenta uma esforçadíssima e forte interpretação por parte de Colin Firth, muito credível como herói, a beleza de Aishwarya Ray e até mesmo de Ben Kingsley, o eterno Gandhi e um miserável vilão na fita de Uwe Boll, BloodRayne, o que ele fazia nesse filme continua a ser um mistério, no filme de Doug Lefler ele é uma espécie de Gandalf do Senhor Dos Anéis cruzado com um druida saído da BD Asterix. A juntar isto temos boas sequências de batalha, delírio visual e tentativas disparatadas de mistificar diálogos pobres.

A Ultima Legião é um pobre filme épico com um final apressado e com uma estrutura de assemelhar a um blockbuster de faixa etária inferior e com toques de maniqueísmo algo exagerado. Poderia ser mais do que esse registo, mas infelizmente fiquemos por aqui.

 

5/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 13:17
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

 

Real.: Martin Weisz

Int.: Michael McMillian, Jessica Stroup, Daniella Alonso

 

È possível um treino militar virar um banho de sangue? Só se for esse treino ocorrido no Sector 16, uma antiga área de experiências nucleares que resultou num “ninho” de violentos mutantes com um sedento apetite por carne humana.

Depois da surpresa que foi The Hills Have Eyes de 2006 (ou com o titulo traduzido de O Terror Nas Montanhas) sendo um dos raros remakes que superioriza em tudo o original, não era de esperar que houvesse justificação para a produção de uma sequela. Infelizmente sai Alexander Aja e com ele toda aquela genialidade do primeiro e entra o quase desconhecido Martin Weisz. Isto pode parecer pura heresia, mas é que esta sequela até diverte, tem os seus grandes momentos de tensão, gore e susto, mas que infelizmente tenta ser complexo e englobar o maior número de êxitos do terror num filme só. A certa altura do filme, este surge como um remake daquela grande surpresa do terror de 2005, The Descent (A Descida) com toques de O Massacre No Texas e com um argumento semelhante a Dog Soldiers, do mesmo realizador de A Descida (Neil Marshall) devido á sua mistura de terror com um filme bélico.

Mas um dos grandes defeitos das personagens bélicas é a sua má interpretação coral, poderemos admitir que alguns esforçam-se, outros nem por isso e ainda quem segue o estereotipo, ou seja de actores o filme está muito mal servido. Enfim; a sequela é bastante inferior ao remake original, devido a um certo desequilíbrio no argumento e nas má interpretação do conjunto de actores, apresenta um epilogo e um prologo “á lá Massacre No Texas” e efeitos práticos credíveis. Apesar da sua fraqueza, The Hills Have Eyes 2 constitui um divertimento passageiro a um amante macabro.

5/10 **

 


publicado por Hugo Gomes às 13:13
link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

 

Real.: Stephen Hopkins

Int.: Hilary Swank, David Morrissey, Idris Elba, Stephen Rea

 

 

Katherine Winter (Hilary Swank), antiga missionária depois de uma tragédia familiar ter batido á porta, tem dedicado a sua vida a desmistificar milagres em todo o Mundo. Até que é chamada para resolver um acaso na misteriosa cidade de Haven, o qual o rio ficou vermelho, vermelho de sangue e os habitantes prevêem ser uma das dez pragas bíblicas que atacaram o Egipto na época de Moisés.

Alguém se lembra de The Omen – O Génio Do Mal, não estou a falar da frouxa versão de 2006, mas sim o clássico de 1976, onde além de possuir um dos melhores actores da sua geração (Gregory Peck) é ainda um filme assombroso e o terror mais electrizante dos anos 70, até agora é o melhor thriller religioso. The Reaping - As Pragas um filme que se baseia nas 10 pragas bíblicas que assombraram o Egipto, com a realização de Stephen Hopkins (o responsável por alguns episódios de 24 e no grande ecrã, realizou a quinta vingança de Freddy Krueger, a sequela de Predador e recentemente Eu, Peter Sellers).

Quanto ao filme, verdade seja dita, este “arranca” bem, começando com um mordaz crítica aos milagres contemporâneos e á ignorância das pessoas face á religião. Mas isto acaba tudo por terminar bem depressa, quando este passa ao desenvolvimento, com alguns sustos á mistura (e que sustos!) e algum interesse que invade no ecrã. Como era de esperar, o filme transforma-se numa mixórdia fantasiosa de lembrar The Omen de 1976, onde claramente Hilary Swank (galardoada com dois Óscares de Melhor Actriz, um em 2000 com Os Rapazes Não Choram e outro em 2005 com Million Dollar Baby) salva o filme da morte certa.

Recheado de soberbos efeitos especiais, The Reaping – As Pragas possui um argumento demasiado esquizofrénico e pouco coeso, onde o delírio visual, alguns sustos e a interpretação da actriz aguentam o filme para hora e meia pouco satisfatória.

 

5/10 **


publicado por Hugo Gomes às 13:09
link do post | comentar | partilhar

27.8.07
27.8.07

 

Real.: Joss Whedon

Int.: Nathan Fillion, Gina Torres, Chiwetel Ejiofor, Alan Tudyk, Sean Maher, Summer Glau

 

 

 

A tripulação da nave Serenity são uma espécie de mercenários que aceitam vários tipos de trabalhos, mesmos aqueles que se classificam por ilegais. A comandar a nave está Malcolm Reynolds (Nathan Fillion), um ex-combatente da guerra intergaláctica, o qual a sua legião foi vencida. A situação instável da tripulação da nave piora, quando Malcolm aceita transportar um médico (Sean Maher) e a sua estranha irmã (Summer Glau), que afinal são dois fugitivos da Aliança.

Serenity é adaptado de uma serie conhecida por Firefly, do mesmo autor do filme, que aliás já havia produzido uma serie de sucesso – o dispensável Buffy - The Vampire Slayer. Firefly não gozou da mesma sorte que Buffy e foi cancelado ao fim de alguns episódios, deixando em aberto o desfecho e destino das personagens, mas a sua emissão foi suficiente para alterar a serie a estatuto de culto.

O universo científico de Serenity não é de fácil acessibilidade, bebendo de uma água diferente que a de Star Wars por exemplo neste filme temos uma visão detalhada e palpável da nave espacial Serenity que ao contrário de vários space operas que nos apresentam uma afinidade corredores e salas, dando uma visão quase labiríntica. Aliás Serenity é diferente que qualquer space opera, nomeadamente dos Star Treks ou Espaço 1999, a tecnologia não é muito avançada, as naves não são propriamente “novinhas em folha” e com aspecto simplista, as personagens não usam fatos de látex ou algo mais bizarro e o mais importante, não vemos nesta obra espacial um único extraterrestre, ou seja, esta é tal a de todas a mais realista space opera desde 2001 Odisseia No Espaço e Solaris, porque o seu universo além de ser pouco acessível é credível em todos os campos, adoptando por vezes uma visão “á lá Blade Runner”.

Os efeitos especiais estão muito bem conseguidos, claro não é nenhum Star Wars, mas para o filme que é estão bastante bem, e por vezes chegam mesmo a surpreender. Mas o melhor da película é o seu conceito de entretenimento, sim Serenity entretem e muito, e o melhor é que estamos perante num divertimento consequente, bem-disposto e ao mesmo tempo sério. Esses mesmos adjectivos podem ser utilizados na caracterização da personagem de Nathan Fillion, no seu melhor e um invulgar vilão Chiwetel Ejiofor, cada vez mais um actor sólido, só pena que Gina Torres poderia ter mostrado mais emoção, pelo que a sua personagem passa.

Batem-me se estiver errado, mas arrisco a afirmar que Serenity é o melhor entretenimento cientifico dos últimos 5 anos, Joss Whedon está de parabéns por ter trazido um filme tão refrescante como uma série de televisão. Para os fãs e muito mais.

 

8/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 20:11
link do post | comentar | partilhar

24.8.07

 

Real.: Brad Bird, Jan Pinkava

Int.: Patton Oswalt, Lou Romano, Brad Garrett, Brian Dennehy, Janeane Garofalo, Ian Holm, Peter O’Toole

 

 

Remy (Paton Oswalt) é um rato que sonha ser chefe de cozinha, algo impossível para as da sua espécie, já que são odiados e repugnados pelos humanos. Inspirado pelos ensinamentos de Gusteau (Brad Garrett), um falecido e famoso cozinheiro, Remy segue para Paris e encontra no jovem e inexperiente Linguini (Lou Romano), uma forma de poder por os seus conhecimentos em prática.

Numa época onde o sector de animação é atacado por inúmeros estudos, sempre com ideias novas (ou não), só um consegue realmente mostrar que uma animação é mais que um simples produto para crianças, um filme sólido pertencente a longa história cinematográfica, esse estúdio com podem imaginar é a Pixar, o braço direito da Disney, que sempre presenteou-nos algumas das aventuras mais entusiasmantes do cinema do século XXI.

Primeiro de tudo, Ratatui brinda pela originalidade, segundo pelas boas intenções e terceiro pelos momentos divertidos recheados de gags que não são necessariamente referencias a outros filmes e anúncios (cof* Shrek cof*). O filme da Pixar é uma equilibrada aventura que divertirá as crianças e deliciará os adultos, ainda com um argumento que não tem ingenuidade ou a constante preocupação de se estar a fazer um filme exclusivamente para crianças, mesmo sem querer ofende-las dos seus prematuros conhecimentos, não subestima as suas mentalidades. Ratatui trata as crianças com seriedade e isso verifica-se na absorção do universo adulto.

Estamos perante doutra obra-prima da Pixar, onde marca passo á frente dos outros estúdios concorrentes, está condenado a ser a melhor animação do ano. Pixar está a crescer isso verifica-se na sua maneira de fazer filmes. No final da sessão houve quem ainda teve tempo para bater palmas.

 

10/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 20:15
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

24.8.07

 

Real.: James Gun

Int.: Nathan Fillion, Elizabeth Banks, Michael Rooker

 

Na pacata cidade de Wheesly, um pequeno objecto vindo do espaço cai e solta um ser que apoderou-se do corpo de Grant Grant (Michael Rooker), que aos poucos vai-se modificando. A sua mulher, a bela Starla Grant (Elizabeth Banks), começa aos poucos a desconfiar do estranho comportamento do marido, mas quando se apercebe é tarde de mais e a criatura já depositou os seus ovos.

O que aparenta ser um básico filme gore, é na verdade uma euforia de referências dos filmes de terror dos anos 70 e 80, onde torna apetitosa esta aventura com rolos e rolos de sangue. Antes de mais, temos que dar os parabéns a James Gun, que ao parece ser conhecedor do género e ter escrito um argumento inteligente e ao mesmo tempo descabido, com grandes doses de horror feita á “old school” e humor que não prejudica em sim a fita.

Ao juntar isso, temos um conjunto de actores poucos conhecidos, mas bastastes competentes, efeitos visuais práticos de tal maneira gore que chegam mesmo a impressionar e uma mistura de CGI bem doseadas. È um das melhores surpresas do ano, e depois de Serpentes A Bordo, a serie B encontra-se em perfeita saúde. Infelizmente não seduzirá os “novos amantes de terror” mal habituados aos remakes exageradamente invadidos por CGI, pelos “fast foodSaws e pelas inúmeras sequelas sem chama, ignorado completamente o cinema de horror que se fazia em pleno anos 70 e revitalizados nos anos 80 e é isso que faz de Slither um achado.

8/10 ****


publicado por Hugo Gomes às 20:11
link do post | comentar | partilhar

 

My name is Craig, Daniel Craig!

 

Sob um mar de controvérsias e de reprovação geral por parte dos "bondofilos" mais conservadores, Daniel Craig encarrega assim de ser o sexto James Bond no cinema. Uma figura que tenta vestir, não com a elegância clássica imaginada pelo seu criador Ian Fleming, mas com a brutalidade e sujidade digna dos novos tempos. Isso, tendo em conta que o objectivo dos produtores era converter a imaculada imagem do agente secreto mais famoso do Mundo numa aproximação ao arquétipo apresentado por outra saga de espionagem (The Bourne), que tem vindo a desafiar as próprias convenções do subgénero. Contudo, Pierce Brosnan, o último da linhagem mais vintage, já fora à muito e o seu último filme, Die Another Day, ficou aquém do memorável. Todo aquele maniqueísmo anti-Coreia não caiu bem com os cruzamentos com o imaginário mais pueril da ficção cientifica, assim sendo este Casino Royale, que inicia um novo ciclo, tem a vantagem de apostar na modernização do seu enredo, saboreando o tom de realismo e um tratamento mais vincado nas suas personagens, e não referimos somente a Bond.

 

17989195-17989198-large.jpg

 

Com um arranque que remete-nos aos melhores do franchise, a promoção do nosso protagonista a "00", ou seja, a licença para matar, divagamos por um genérico tradicional onde até mesmo a voz de Chris Cornell [You Know My Name] ecoa essa sofisticação prometida. E não é por menos, visto que na cadeira de realizador encontramos Martin Campbell, que não é um estranho nestas andanças. Há cerca de onze anos atrás havia depositado nova vida em James Bond com o muito apreciado episódio Goldeneye, por isso Campbell era o homem certo e experiente para renovar o contrato do nosso agente de serviço. Mas voltando a Casino Royale, Daniel Craig encarna um Bond mais musculado e de proeza mais física que os anteriores, tal duvida é dissipada na longa, mas sempre vibrante, sequência de acção / parkour que sucede os créditos iniciais.

 

casino_12.jpg

 

Uma amostra de adrenalina que coloca o espectador na pista de uma organização terrorista que negoceia … terroristas, como "usual" no franchise, é a volta dos vilões megalómanos, porém, até aqui encontramos certas divergências. Mads Mikkelsen, que vimos em Adam's Apple, de Anders Thomas Jensen, é essa força antagonista, um homem fragilizado, e não falamos somente da sua condição física, como também mental. É certo que este é dos vilões mais humanos que Bond enfrenta. Contudo, Casino Royale não resume a mais um "plano do mal", mas sim na condução da sua veia mais literária, por outras palavras, este novo 007 tem a função de se apresentar como um thriller de espionagem à moda antiga e não como um arquétipo de acção energética que os últimos tomos converteram. O verdadeiros climaxes encontram-se em plena mesa de póquer, por entre cartas, cocktails e muito bluff, aliás todo o filme tem como base isso … o bluff.

 

casino-royale-2006.jpg

 

Fazer acreditar e ao mesmo tempo arriscar, aqui o "bondofilo" mais puro em busca da habitual fórmula é submetido a algo novo dentro da saga, o que vemos é uma "prequela" assumida, mas ao mesmo tempo um reboot que detém a paciência como a sua melhor arma, assim como o jogo de póquer. Depois haja inovação na chamada "bond girl", uma Eva Green que revela-se mais que um objecto sexual, uma personagem que intromete no intimo de James Bond, provavelmente alterando para sempre a sua conduta nas suas respectivas missões. Green (que bem poderia ter ligações com a sua personagem em Dreamers: Os Sonhadores, de Bernardo Bertolucci) é um além de um deleite visual, e não referimos ao ponto vista estético, mas na sua postura enquanto mulher, provocadora e intelectualmente capaz de acompanhar o nosso herói. Em consideração ao papel das mulheres no legado Bond, M, novamente interpretada por Judi Dench, como a "bond girl" inalcançável, mais que somente a chefia da organização, uma matriarca que tece um inegável elo para com o nosso herói, agora sob traços de anti-herói, como manda a sapatilha dos tempos actuais.

 

still-of-ade,-urbano-barberini,-tsai-chin,-daniel-

 

Enquanto Daniel Craig ser ou não o melhor Bond de sempre, nisso, tudo resume a uma questão de gosto, todavia esta é o upgrade necessário da personagem para a nova era. Adivinha-se nova legião de fãs a um dos mais longos e tradicionais franchises cinematográficos, desta vez respirando novos ares. Um dos, se não o melhor, capítulo da saga.

 

"The name's Bond. James Bond."

 

Real.: Martin Campbell / Int.: Daniel Craig, Eva Green, Mads Mikkelsen, Judi Dench, Jeffrey Wright, Giancarlo Giannini, Caterina Murino, Simon Abkarian, Isaach De Bankolé, Jesper Christensen

 

still-of-judi-dench-and-daniel-craig-in-casino-roy

8/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 20:02
link do post | comentar | partilhar

 

Real.: Prachya Pinkaew

Int.: Tony Jaa, Mum Johmok, Jing Xing, Nathan Jones

 

 

Kham (Tony Jaa) vive numa remota povoação tailandesa, juntamente com a sua família; o seu pai e dois elefantes, o gigante Por Yai e a cria Korn. Mas quando um grupo de mafiosos internacionais rouba os seus elefantes, Kham vê-se numa missão de resgate num país totalmente desconhecido para si; Austrália e pronto a enfrentar os mais mortais perigos.

Dois anos passaram desde o grande êxito mundial Ong-Bak, Prachya Pinkaew e Tony Jaa voltam a reunir-se, trazendo desta vez um filme ainda mais ambicioso, o resultado foi a Honra Do Dragão, um show de artes marciais de grande qualidade onde as proezas do talento físico de Tony Jaa fazem sentir.

O argumento, esse, é muito semelhante ao filme anterior, onde o personagem de Jaa tem que procurar algo que lhe pertence em locais desconhecidos, desta vez o buda de pedra em Ong-Bak foi substituído por um elefante e o novo destino exótico seleccionando foi a Austrália, um ambiente mais Ocidental e acessível para o público mundial. Sendo essa via, uma desculpa para a criação deste filme, ora se Ong-Bak, a narrativa parecia ter saído de um videojogo agrupado pelos seus próprios níveis, nesta fita esse factor é exagerado ao máximo, em toda a sua forma.

È um vazio composto pelas mais sumptuosas sequências de artes marciais do momento, onde em cada acto começa com pancadaria e termina em pancadaria e a passagem das cenas comporta-se como algo alienado, sem noção de tempo e espaço. Não há interacção, não há momentos dramáticos eficientes, apenas gritos, socos, saltos e muitos inimigos que caiem no chão estrondosamente e sucessivamente.

As artes de marciais são deslumbrantes (repito um das melhores dos últimos anos) e ainda existe referências a Bruce Lee. Mas o filme acaba por não ter chama, nem sequer narrativa aparente para sustentá-lo, é inevitável que A Honra Do Dragão foi feito para agradar aos fãs de Tony Jaa, somente. Infelizmente o resultado é decepcionante.

 

 

4/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 19:55
link do post | comentar | partilhar


 

 

Real.: Brad Bird

Int.: Craig T. Nelson, Holly Hunter, Samuel L. Jackson, Jason Lee

 

Bob Parr (Craig T. Nelson), outrora conhecido como Mr. Incredible (o seu alter-ego super-herói, bastante famoso no passado), vive um aborrecimento profundo na sua vida aparentemente normal, tendo por vezes agarrar às memórias do seu glorioso auge. É então que surge uma oportunidade de regressar aos seus momentos de glória, através de misterioso convite com o intuito de Bob participar em missões. O que na verdade se trata de uma armadilha de Sindrome (Jason Lee), um super-vilão que tem como desejo exterminar todos os super-herois que ameaçam o seu reino de terror. A única hipótese de Mr. Incredible é a sua familia, também ela possuidora de super-poderes, que o tentam salvar .

Chegou o Natal, e com ele uma vasta gama de objectos natalícios; fantasia e animação é o que predominam as estreias recentes. A gloriosa e triunfante Pixar lançou para o mercado o The Incredibles – Os Super Heróis, a sua sexta animação, que mais uma vez é composto por um argumento fresco e imaginativo, um belo visual e gags sempre divertidos.

Assim sendo está provado, que a Pixar é a mais ambiciosa empresa de animação digital, tendo uma lista longa de filmes que automaticamente tornaram clássicos (Toy Story, Bugs Life, Monster Inc. e Finding Nemo); apresentando personagens inesquecíveis como fortemente preenchidas de emoções e solidez que representam moralidades que só a Disney (uma das bases da Pixar) poderia requerir, destacando assim dos filmes dos outros estúdios do mesmo ramo e de pureza comercial, a sequela de Shrek é um exemplo. 

O equilíbrio entre a comédia, acção e o drama (pensavam que nos desenhos animados não existia tal coisa!) é perfeita e a sofisticação da animação é de arrepiar. As personagens são bastante realistas, não no termo visual, porque nisso possuem um aspecto caricatural, mas na apresentação de emoções, valores humanos e na interacção, ao contrário de muitos do género nenhuma personagem cai facilmente no estereótipo fácil, e a estilista de design de fatos para super-heróis é fabulosamente delirante e uma surpresa.

Fica o aviso; desenhos animados não é sinonimo de sala cheia de crianças, mas também podem proporcionar um entretenimento a mais para os adultos, porque sim The Incredibles é mais dedicado aos graudos e com experiencia de vida que aqueles que aos mais jovens, sem desclassificar o filme nesse conceito. Um dos melhores filmes da Pixar desde Toy Story.

PS: para os cinéfilos mais atentos e curiosos, Brad Bird, o realizador deste filme, dirigiu outra obra de animação tradicional que é um clássico do género, o tão pouco conhecido e ignorado The Iron Giant, que possui também um enredo adulto sem perder a vocação de entretenimento para as crianças.

 

 

 

 

9/10

tags:

publicado por Hugo Gomes às 19:28
link do post | comentar | partilhar

 

Real.: Yimou Zhang

Int.: Gong Li, Chow Yun Fat, Jay Chou

 

Por detrás das coloridas paredes do palácio, esconde-se inúmeros segredos capazes de desabar a dinastia, uma delas é da Imperatriz (Gong Li) que conspira contra o seu esposo Imperador (Chow Yun Fat) nas vésperas do Festival Chong Yang.

Yimou Zhang sempre nos habitou com os épicos chineses mais espectaculares dos últimos anos e arrebatadores em termos visuais e este A Maldição Da Flor Dourada, titulo traduzido, não é excepção, trazendo para nós alguns dos mais exóticos e magníficos cenários do mundo cinematográfico, repletos de cor e luxúria. Ninguém diz o contrário que o novo filme de Zhang é uma obra bela, onde a diversidade do guarda-roupa se confirma, mas temos que admitir que esta beleza visual sobrepõe á narrativa do proprio filme, dando um toque de plasticidade e ameaçado a integridade e profundidade da trama.

È interessante ver Chow Yun Fat (um dos melhores actores chineses da sua geração) ao lado da bela e sensual Gong Li, que cada vez mais conquista o Ocidente. A intriga é interessante transpirando um certo clima de conspiração que incentiva a atmosfera de A Maldição das Flores Douradas, mas infelizmente mal aproveitadas muito devido a obsessão de Zhang pela qualidade visual e mesmo com um esforço crescente dos dois talentoso actores não salvam a fita do que vem a seguir. Quando este decide jogar pelas regras de um básico filme de artes marciais épicas (o velho estilo wuxia), onde claramente perde impacto, apesar das excelentes coreografias, estas já foram vistas em muito outros filme, apenas a explosão de cores que invadem o ecrã é que salvam o filme da monotonia.

Muitas das intrigas interessantes expostas nas fitas são abafadas, claramente um bónus. Sem a frescura das suas obras anteriores, A Maldição Da Flor Dourada cai facilmente na caracterização que enche o olho, mas que não enche o coração. Um espectáculo visualmente impressionante, mas sem chama que o apoie.

5/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 19:18
link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

18.8.07
18.8.07

 

 

Real.: Gregory Hoblit

Int.: Anthony Hopkins, Ryan Gosling, David Strathairn, Rosamund Pike

 

 

Crawford (Anthony Hopkins) descobre que a sua mulher tem um caso e assim planeia o seu assassinato. Depois do incidente, a polícia chega ao local e detêm o assassino, quanto a mulher, esta encontra-se em coma. Crawford é chamado a julgamento e dispensa qualquer advogado, defendendo a si próprio em tribunal. Um jovem promissor advogado de acusação convence tratar-se de um caso fácil, mas Crawford esconde um truque na manga.

Ruptura é uma variação de um thriller psicopático com um filme de suspense jurídico que se auto-assume como uma obra inteligente onde tudo é propositadamente feito para que exista twists e reviravoltas que alteram por completo a lógica do filme. Anthony Hopkins, antes de mais, parece ter reciclado o velho costume de psicopata, relembrando em demasia o seu antigo papel de Hannibal, onde o vilão assume como protagonista e o seu intelecto está a vários passos acima de qualquer outra personagem, causando assim um desigual confronto psicológico. Ryan Gosling que revelou-se em Half Nelson, onde foi recomendado ao Óscar, constrói uma caracterização sólida e bem interpretada mas demasiado débil no confronto com Hopkins, apesar das suas brilhantes “tacadas” entre ambos, pareceu ser demasiado desnivelado em comparação com a mestria intelectual do seu adversário.

Tirando os dois protagonistas, as outras personagens parecem ter sido maltratados por parte dos argumentistas, deixando-os de fora do verdadeiro enredo. Hoblit já mostrou ao Mundo que sabe fazer melhor no que toca a thrillers jurídicos, sendo este o verdadeiro cabecilha na revelação de Edward Norton em A Raiz Do Medo, este Fracture é um filme que promete mais do que cumpre, onde Hopkins repete o seu papel e a sua forma de pensar nas personagens psicóticas, mas para dizer a verdade, continuamos a adora-lo.

 

 

5/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 22:04
link do post | comentar | partilhar

 

Real.: Neil Jordan

Int.: Cillian Murphy, Liam Neeson, Stephen Rea

 

 

Abandonado pela mãe e deixada á porta da casa do padre da paroquia (Liam Neeson), Patrick “Kitten” Braden (Cillian Murphy) teve uma infância algo complicada. Patrick tem corpo de homem, mas sente-se como uma mulher. Mal recebido pelos habitantes da sua aldeia, que o consideram como uma aberração, decide seguir para Londres para procurar a sua mãe, como também encontrar o seu verdadeiro “eu”.

È o segundo filme onde Neil Jordan retrata a transexualidade e ao mesmo tempo a revolução da IRA, a primeira vez foi em 1992 com Crying Game, um drama nomeado para o Óscar de Melhor Filme recheado de boas interpretações e um final digno de comédia. Desta vez o dito travesti passa a primeiro plano sob a forma de Cillian Murphy.

Breakfast On Pluto é uma divertida comédia dramática, inicialmente de tom tranquilo e despreocupado, onde Cillian Murphy dá-nos uma boa caracterização da sua personagem (algo digno de Óscar), este actor irlandês tornou-se uma revelação desde o indie e bem sucedido 28 Days Later, a partir dai a carreira deste prodígio tornou-se cada vez mais exigente, o que se verifica neste filme. O personagem principal poderia ser algo humilhante para qualquer actor, mas Murphy faz dele (ou dela?) uma mente confusa mas humana desde Hillary Swank em Boys Don't Cry.

Só é pena que o filme só ganha consistência dramática no final, bem transmitida através da personagem de Liam Neeson, porque no desenvolvimento onde abrange temas controversos tais como; a transexualidade, a revolução irlandesa e o aborto, esses mesmos temas são tratados como algo anedótico, onde nada consegue ser levado a sério, e mesmo quando se tenta, ecoa como algo falhado. Um filme para ver sem preconceitos, e admirar contudo a hilariante mas ao mesmo tempo brilhante interpretação de Cillian Murphy (aka Revelação Irlandesa).

 

 

7/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 22:00
link do post | comentar | partilhar

 

Real.: Steven Spielberg

Int.: Tom Cruise, Justin Chatwin, Dakota Fanning, Tim Robbins

 

 

Ray (Tom Cruise) é o que devíamos prenunciar como um pai mais que imperfeito. Despreocupado, pouco serio e divorciado, Ray tem dois filhos; um jovem adolescente (Justin Chatwin) e Rachel, a sua filha mais nova (Dakota Fanning) que estão instalados em sua casa naquele fim-de-semana. Quando estranhas trovoadas surgem, e na superfície do solo erguem tripods extraterrestres que ameaçam o planeta, Ray terá que proteger a todo o custo, o que resta da sua família.

Antes de mais, War of the Worlds não bebe da mesma agua que o pipoqueiro ID4 – Independecnce Day, o filme de Spielberg é uma adaptação livre da obra de H.G.Wells (com o mesmo titulo), que nos dá um relato arrepiante do que poderia ter sido se a Terra fosse atacada por seres alienígenas tecnologicamente mais avançados que o Homem, (tal texto conseguiu aterrorizar os EUA com uma inequivoca narração pde Orson Welles por via radio). E na comparação com o filme de Roland Emmerich, A Guerra Dos Mundos não contêm qualquer adição do cinema pipoca adolescente que o ultimo possui, não é de estranhar que não exista heróis, presidentes solidários e rambos de ultima hora, contra-ataques por parte dos humanos, diálogos absurdos e uma leve dramatização a roçar o bacocismo, e é nesse caso que é correcto afirmar que a Guerra Dos Mundos de Steven Spielberg é um anti-blockbuster, é mais do que um simples espectáculo á la Michael Bay, é uma incursão de um tema ficcionario ambientado num mundo pós 11 de Setembro e alusão a essa data historica e intemporal, eleva os vulgares filmes de aliens a um patamar superior, a um lugar desconhecido para o género, mas sempre com os "olhos" postos na traumatização do mundo após o incidente do decimo primeiro dia do mês de Setembro.

È a primeira vez na carreira de Spielberg que vemos mortíferos e malfeitores extraterrestres ao contrario dos habituais estereotipo criado pelo realizador (E.T – O Extraterrestre, Os Encontros Imediatos De Terceiro Grau e nas cenas finais de A.I- Inteligência Artificial). È de esperar que com Spielberg venha as mais avançadas tecnologias no campo dos efeitos especiais e sonoros, criando algumas das mais espectaculares imagens de destruição ao mesmo tempo credíveis e assustadoras, e talvez seja esse o melhor adjectivo para película, a visão de Spielberg dum ataque alienígena é assustadora, arrepiante e realista.

Tom Cruise, apesar da sua reputação nos tablóides, tem uma interpretação acima da média facultando uma caracterização sólida de um homem imperfeito como pai, completando-se com Dakota Fanning, apresentando uma química entre ambos. Esta “menina-prodígio” tem aqui a sua melhor interpretação da sua pequena e jovem carreira e talvez o desempenho do filme (a de uma criança na casa dos 10 a 13 anos).

Estamos perante um filme negro de Spielberg, o mais desde Minority Report e Lista De Schindler. Na verdade foi preciso um realizador mais que experiente para conseguir criar um blockbuster que é ao mesmo tempo um pequeno pedaço do cinema. E que apesar das “gafes” apresentadas no filme, nada de grave que tire o brilhantismo desta visão que só o mestre realizador consegue-nos dar. Um exercicio de horror e panico feito com mestria.

 

 

9/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 21:55
link do post | comentar | partilhar

 

Real.: David Frankel

Int.: Meryl Streep, Anne Hathaway, Stanley Tucci, Emily Blunt

 

 

 

Andy Sarchs (Anne Hathaway), recém-formada em jornalismo, candidata-se a segunda assistente da editora da famosa e influente revista de moda Runway, com sucesso. Mas juntamente com emprego de sonho para muitos, vêm com uma patroa que assemelha mais uma encarnação directa do Diabo que um próprio ser humano, Miranda Priestley (Meryl Streep).

Directamente de Hollywood, chega-nos The Devil Wears Prada, sendo um dos maiores sucessos do ano 2006, uma adaptação do igual sucesso literario de Lauren Weisberg. È um filme leve e característico pela excelente interpretação e caracterização de Meryl Streep no papel da cruel e fria Miranda, com certos rasgos humanos. E por ela já justifica o visionamento do filme. Por outro lado, David Frankel dá-nos uma obra light, bem-humorada que foge às banalidades do género, apresentando personagens sólidas (sendo a menos, a protagonista que pelo qual não nos desperta interesse) e uma sátira ao mundo da moda e o impacto dela nos milhões de pessoas.

È moralista e esse moralismo é o seu ponto mais negativo, mas as pessoas gostam de ver filmes assim, gostam de rever o que está correcto apesar do mundo de Miranda despertar-nos mais interesse que a da protagonista. Apesar de verificarmos que a menina do O Diário Da Princesa está cada vez a ganhar garra nas suas interpretações e a melhorar na escolha dos seus filme.

Enfim, O Diabo Veste Prada, titulo português, não é uma má comédia, não senhor, poderíamos dizer que é uma surpresa nesse campo onde tem sido invadido por objectos banais sem inspiração. Podemos contar com uma diversão leve, mas muito leve de com "acessórios" que agradará mais ás raparigas que rapazes, vai se lá saber porquê.

 

 

 

 

7/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 21:51
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

18.8.07

 

Real.: Danny Cannon

Int.: Kuno Becker, Alessandro Nivola, Stephen Dillane

 

 

Santiago (Kuno Becker) sempre teve o sonho de tornar-se numa estrela de futebol, fugido do seu país natal (México) e trabalhador em jardinagem e restauração em Los Angeles, tem a sua chance quando lhe propõe-lhe jogar em Newcastle United. Contrariado o seu pai que vê o seu sonho como uma tolice, algo inalcançável, foge de casa com ajuda da sua avó. Em Newcastle, Santiago batalhará para que possa jogar na equipa principal assim poder realizar o seu sonho.

Nos dias de hoje quase todo o tipo de desportos são motivos para filmes, assim podemos encontrar uma vasta gama de obras medíocres ou pior, insignificâncias que conseguem ser bem sucedidas graças a um público pouco exigente no que refere qualidade. O desporto transcrito é o futebol (como dizem os americanos “soccer”). Soccer não é novidade no mundo cinematográfico; Fuga Para A Vitoria, Shaolin Soccer, A Maquina, são exemplos felizes deste subgénero.

Este Golo não é um mau filme, é apenas uma seguro de sucesso, não arrisca, nem petisca, mas mesmo assim consegue ter um sucesso justificável, muito devido aos milhões de fãs do chamado “desporto rei”. No seu todo é um conjunto de fórmulas bem sucedidas pelos lados de Hollywood. O menino que sonhava, o sonho a tornar realidade, as desilusões, os amores (a cena na enfermaria onde Santiago conhece a enfermeira faz lembrar descaradamente Dias De Tempestade de Tony Scott), um membro da família que não o apoia, bem tudo isto é demasiado cliché e apesar de emoção criada durante o desenvolvimento, esta só ganha dimensão no final.

Tem uns pontos a seu favor, mas trata-se apenas de entretenimento em forma de gente disfarçado de drama, onde as coincidências abundam e a fórmula torna-se gasta. Mas mesmo assim esses factores não conseguem ser negativos o suficiente para impedir o sucesso. E pelos visto uma sequela vem a caminho.

 

4/10

 


publicado por Hugo Gomes às 21:47
link do post | comentar | partilhar

 

Real.: Richard Eyre

 

Int.: Judi Dench, Cate Blanchet, Bill Nighy, Andrew Simpson

 

 

Barbara Covett (Judi Dench) é um pessoa solitária e difícil, que trabalha como professora numa escola problemática. Com a vinda da nova professora de artes, Sheba Hart (Cate Blanchet), Barbara começa a sentir uma profunda obsessão pela sua amizade e quando sabe que esta tem um secreto caso amoroso com um aluno menor, irá usar a sua sabedoria para aproximar de Sheba e controlar a sua vida. Directamente das mãos de Richard Eyre, realizador também do interessante biopic Íris, chega-nos uma história de obsessão e desejo sustentada pela interpretação das duas melhores actrizes das suas gerações; Judi Dench, que dispensa introduções e Cate Blanchet, cada vez mais deslumbrante em termos de desempenhos. O filme possui excelentes dotes técnicos e de qualidade no campo do argumento e narrativa, mas na aproximação d o final, a fita parece soluçar e acaba por ter alguns derrape, principalmente quando cede ao produto de luxo da BBC. Podemos contar com uma história envolvente que por vezes atinge momentos de tensão e desconforto graças a uma equilibrada enfase psicologica das personagens, mas o seu melhor tributo é a direcção dos actores, principalmente das duas protagonistas e de Bill Nighy, contudo pedia-se um pouco mais de Andrew Simpson,  tendo uma personagem chave para o desenrolar da historia.

 

7/10

 

 

tags:

publicado por Hugo Gomes às 21:39
link do post | comentar | partilhar

 

Real.: Dave Meyers

Int.: Sean Bean, Sophia Bush, Zachary Knighton

 

 

 

O que seria uma viagem inesquecível do jovem casal, Grace (Sophia Bush) e Jim (Zachary Knighton), torna-se um verdadeiro pesadelo quando estes decidem dar boleia a um estranho homem, que se dá pelo nome de John Ryder (Sean Bean).

O que Hollywood não consegue perceber é que as pessoas estão fartinhas de “remakes”, estes desejam ir a um cinema e assistir a uma história nunca antes contada e não lavagens visuais aos clássicos de sempre. Mas claro que existe os chamados bons remakes (The Departed, King Kong, The Hills Have Eyes e Dawn Of Dead) que revelam uma maior sabedoria do autor como da paixão dos envolventes, mas falando verdade na sua maioria nem chegam aos calcanhares dos originais, sendo em suma cópias deslavadas para as novas audiencias, o que parece resultar nos dias de hoje. Depois de reavivar obras de terror, como Amityville Horror, Texas Chainsaw Massacre e The Fog, canhou a vez de The Hitcher ser refeita pela Platinum Dunes, a empresa responsavel pelas "repetições" anteriores, gerida por Michael Bay, o original é um thriller muito bem feito, realizado em 1986 por Robert Harmon, já catalogado como obra de culto que apresenta o conceito de “será que conhecemos a pessoa que damos boleia?”.

Primeiro de tudo a grande diferença da versão de 1986 com a de 2007, é que o original nunca tenta mostrar violência gratuita (pronto, também é violento, mas não tão ousado como a nova versão). E aliás este Hitcher tem uma grande tendência para exageros e ainda por cima, nos momentos de grande tensão o filme exibe músicas rock punk na banda sonora de fazer lembrar qualquer filme de acção de Jason Statham, sem falarmos nas cenas de perseguição quase identicas a um Bad Boys ou algo parecido com o cunho de Michael Bay. Sendo assim é melhor dizer que Dave Meyers conseguiu o imaginável, fazer de The Hitcher um simples filme para adolescentes cheio de clichés, um argumento pouco coeso e de emancipação feminina (não, não é um comentário machista, é apenas uma grande diferença entre a versão original).

Enfim, nada mais há para dizer deste “frouxo remake”, o que salva é Sean Bean (apesar de tudo é uma copia exacta da personagem do Rutger Hauer do filme original) e do esforçadíssimo desempenho de Sophia Bush, quanto a Zachary Knighton, ele suo-me muito á teatral.

PS: é impressão minha, ou o realizador tem um certo fetiche para atropelamentos com animais.

  

4/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 21:22
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

sobre mim
pesquisar
 
arquivos
2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


recentemente

Novo filme de Roman Polan...

James Gray vai para o esp...

Sequela de Split recebe o...

Morreu Jonathan Demme, re...

Paul Verhoeven prepara fi...

Divulgado júri completo d...

Guardians of the Galaxy V...

Clint Eastwood terá mais ...

La Chiesa (1989)

Captain Marvel já tem rea...

últ. comentários
Se a Disney tem " daddy issues" voce aparenta ter ...
"Será que vemos em Guardiões da Galáxia os ensinam...
Este filme promete. Já é uma pena que se façam seq...
A década de 90 foi uma das melhores, mas especific...
Juntamente com Terminator 2 e com The Matrix, Jura...
Takes
10/10 - Magnífico
9/10 - Imprescindível
8/10 - Bom
7/10 - Interessante
6/10 - Razoável
5/10 - Medíocre
4/10 - Muito Fraco
3/10 - Mau
2/10 - Péssimo
1/10 - De Fugir
0/10 - Nulidade
stats counter
HTML Hit Counter
counter
links
mais comentados
25 comentários
20 comentários
13 comentários
12511335_1084470088250815_732384524_o
subscrever feeds
blogs SAPO