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23.7.08

A epopeia do Homem na conquista do espaço inerente! 

 

Para quem está um pouco mais familiarizado com o cinema em geral, então Stanley Kubrick dispensa apresentações, o celebre autor de filmes tão marcantes como Clockwork OrangeSpartacus ou Shining é único pela sua postura calma e dotado de uma percepção ao realismo plano. É a visão de um génio que infelizmente apresenta um registo de somente 15 filmes, mas todos eles já formados em obras-primas. Este 2001: Odisseia no Espaço é possivelmente a sua obra mais famosa e referencial, o qual o realizador se juntou forças com a criatividade inteligente e sagaz de Arthur Clarke para trazer até nós, além do título sugestivo, uma reflexão quase filosófica em forma de ficção científica. Tal como o título indica, o filme é narrado num ano 2001 alternativo, num tempo em que o Homem conquista o espaço, agora convertido em seu novo lar. A tecnologia se tornou essencial para a sobrevivência e as máquinas estão cada vez mais independentes de si começam a raciocinar por elas próprias. Uma variação de temas que se fundem originando um pleno registo da ficção científica na sua primitiva forma.

 

 

Ao contrário da familiaridade do space opera, o frenesim científico quase fantasioso de filmes como Star Wars e Star Trek2001: A Space Odyssey é um primo (bastante afastado, que se diga) mais discreto e experimental, é fácil de perceber o porquê que esta obra aborrece muita gente. Em todos os filmes, a maneira de filmar de Kubrick é paciente, um misé-en-scene criativo, lento e de narrativa mais pronta à realidade da acção, a sua premissa poderia ser contada apenas por 1 hora e meia, mas o filme prolonga-se por quase o dobro, os planos são longos, muitas vezes estáticos e na maior parte das vezes, ausentes de qualquer “manipulador”, falo obviamente da banda sonora. Mas quando esta ultima surge entre nós, além deste integrar como um dos temas musicais mais famoso da história do cinema – refiro obviamente a da sua abertura, apresenta-nos uma composição musical formada pelo tom mais clássico e palpitante, como o exemplo do Danúbio Azul de Johann Strauss Jr. Já que estamos a mencionar os seus valores técnicos, não podíamos esquecer de destaque os efeitos especiais bastante evoluídos para a sua altura, e de todo nada luzidos.

 

 

Esta é sim, uma obra de difícil interpretação e de classificação, Arthur Clarke visiona o seu conceito de futuro alternativo nesta “clara” obra de ficção científica, mas segue mais além desse registo, aprofunda o conceito e explora as questões mais cerebrais sempre em trajectória correcta com a ciência – Donde nós viemos? Qual o nosso propósito no meio disto tudo? Para onde vamos? São perguntas que o argumento de Clarke, e também de Kubrick, aborda sem recorrer ao auxílio da religião ou da fé credível, mas desde já aviso, resposta, essas, não são dadas. Kubrick inicia esta jornada com a representação mais assente da evolução humana que de seguida parte para um registo de pura fantasia científica. Mas dentro desses parâmetros dispõe sempre do realismo, e quando tudo parecia rumar para o óbvio, o autor decide brincar um pouco com o intelecto do espectador, oferecendo o surrealismo mais filosófico que se pode imaginar, tornando assim esta Odisseia no Espaço numa complexa Odisseia da Vida. O problema reside a quem conseguir chegar aí, porque o característico talento narrativo de Kubrick poderá afastar muita gente, falo obviamente dos já referidos planos e da acção nada cronometrada num registo algo maçudo, porém denso e sempre intrigante e enigmático. É ficção científica no seu melhor, respirando a mais pura das genialidades. Deveria ser um crime ignorar um filme destes.

 

“I’m afraid. I’m afraid, Dave.”

 

Real.: Stanley Kubrick / Int.: Keir Dullea, Gary Lockwood, William Sylvester

 

 

O melhor –  O notório trabalho de dois autores (Stanley Kubrick e Arthur Clarke)

O pior –  A sua narrativa poderá afastar muitos espectadores.

 

10/10
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publicado por Hugo Gomes às 15:47
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2 comentários:
De André Filipe Moreira Santos a 20 de Janeiro de 2009 às 03:33
Este é um filme que ainda hoje não consegui entender, o que se passa naquele quarto com o surgimento do bébé deixou-me com muitas dúvidas. conseguiste perceber hugo?

em relação ao filme, apetece-me dizer que é perfeito.


De Hugo Gomes a 29 de Janeiro de 2009 às 19:54
Eu penso que a relação do filme varia com o especatdor, é daquelas obras que cad um interpreta a sua maneira, na minha opinião trata-se da aquela velha questão que andamos sempre a refelctir "qual o nosso proposito no mundo", "o que é a vida", etc. Tudo aquilo que foi mostrado depois da rebelião do computador de bordo, o qual n me recordo o nome e me apetece conferir em fontes - Hal qualquer coisa - a fita segue a evolução do astronauta desde a sua decadencai etaria (velhice) - morte e no final dá aquele plano do b´bé como nascimento.

A peça que andavam á procura, aquele tipo menir metalizado é a chave da vida, e nela encontra-se as respostas da evolução da mesma.

È dificil de explicar, mas o filme no todo é perfeito do inicio até ao fim, por isso dei 10/10


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