Real.: Robert Rodriguez, Frank Miller, Quentin Tarantino
Int.: Bruce Willis, Mickey Rourke, Clive Owen, Josh Hartnett, Jessica Alba, Elijah Wood, Rosario Dawson, Benicio Del Toro, Rutger Hauer, Michael Madsen, Carla Gugino
Basin City é a nova Babilónia, onde os sete pecados mortais são cometidos diariamente com uma frequência alarmante; polícias corruptos, máfia, prostitutas armadas, pedófilos, assassinos, e muito mais, é o tipo de laia que percorre as ruas da Cidade Do Pecado. O filme narra a história de Marv (Mickey Rourke), um lutador de rua que vinga a memória de uma prostituta, Dwight (Clive Owen), um agente privado que se vê no meio de um confronto entre prostitutas e a máfia e por fim Hartigan (Bruce Wills), talvez o último polícia honesto da cidade que passa o ultimo dia antes da reforma a tentar resgatar uma indefesa criança das mãos de um pedófilo assassino.
Uma adaptação fiel às figuras do conjunto de obras escritas por Frank Miller intituladas por Sin City – Cidade Do Pecado, publicados de 1991 a 1992. È de esperar que encontremos uma ausência na humanização e na credibilidade nas historias de Marv, Hartigan ou Dwight devido á sua fidelidade com a matéria prima, mas isso não impede que o espectador fique capacitado de ver o melhor que Sin City tem, um delírio no campo visual e sonoro que equilibra todos os elementos de um filme noir com a obra de Miller.
Poderíamos catalogar Sin City – Cidade Do Pecado com um exemplo perfeito de anti-cinema, mas trata-se na verdade de um novo conceito da mesma, a probabilidade de assistirmos ao futuro da arte cinematografica, cujos limites artisticos seja quebraveis. Apesar de ser 100% fiel da obras de Miller, o filme parece ganhar independência própria que o automaticamente o separa da BD convencional, ou seja, acusado de ser demasiado plástico, Sin City – Cidade Do Pecado reflecte mão pesada na originalidade cinematografia dos nossos dias e torna-se numa experiencia invulgar e ao mesmo tempo excitante e charmosa.
Por menos credibilidade que as historias tem, não devemos esquecer que estamos perante um mundo diferente, uma incursão babilónica onde não existe heróis, nem vilões (personagens boas ou más); apenas retrata o que as pessoas reais são – mistos cheios de complexos, e é esse conceito que Sin City torna-se credível e auxiliado por uma narrativa perfeita composta com voz off, onde os narradores relatam os seus sentimentos com exactidão. Por vezes tais expressões são capazes de ser um pouco "broncas" para a veia teologica e neo-filosofica, como no caso da narração da personagem de Clive Owen, pouco inspirada com certeza.
De todas as histórias, talvez a mais bem conseguida chega a abjuração do episódio “Aquele Sacana Amarelo” (That Yellow Bastard), mais concretamente a história de Hartigan, bem interpretado por Bruce Wills, talvez seja a das três a mais aceitável a nível de humanização (não querendo dizer que as outras não tem espectacularidade), tendo mais um atribuído; a dança sexual de Jessica Alba como striper de um bar, que certamente ficará na memória. Contudo o melhor papel do filme é pertencente ao irreconhecível Mickey Rourke; quem se lembra daquele tarado sexual em Nove Semanas E Meia e Harold Angel em Angel Heart de Alan Parker (para mim o seu melhor papel), tendo uma caracterização esplêndida no papel do severo Marv, que só peca pela irrealidade da acção, mas isso é culpa da BD. Talvez a história de Dwight seja a menos equilibrada, mas com um grande artifício, uma sequência realizada por Quentin Tarantino, onde Clive Owen conduz um automóvel com o cadáver de Benicio Del Toro ao lado, e impossível que seja têm um dialogo, e é nessa conversa, nessas cenas que qualquer cinéfilo que se preze apercebe da marca de Tarantino.
Ao ver Sin City – Cidade Do Pecado é assistir a um espectáculo visual único, uma experiencia cinéfila nova destes dias. È a obra mais marcante de 2005, como uma das melhores do ano e tem como vantagem de se tornar num filme de culto por excelência num futuro proximo (ou será que já é considerado?).
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