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15.11.16

Animais Nocturnos.jpg

Será Tom Ford um homem singular?

 

Aviso desde já, que este não é A Single Man, o filme que marcou a estreia do estilista Tom Ford na realização, um ensaio poético sobre a perda dirigido por um Colin Firth na sua melhor forma. Sim, uma obra inesquecível, onde Ford provou capacidade para induzir-se numa carreira cinematográfica, visto que conseguiu evitar, no seu primeiro filme, os erros que muitos cometeriam à primeira.

 

nocturnal-animals-amy-adams-image.jpg

 

Com Nocturnal Animals (Animais Nocturnos), a perda já lá vai, contudo, é o ensaio de uma infelicidade “bovariana” que perdura neste cheesecake cinematográfico, um filme de duas camadas que exorciza fantasmas que o próprio Tom Ford interage, simultaneamente invocando um medo quase irracional a uma América cosmopolita e burguesa, que tal como os créditos inicias indicam, viventes de um país de excessos. Amy Adams, destroçada e vencida pela melancolia, é uma dona de uma galeria de arte que descobre que mesmo tendo tudo ao seu alcance, a sua vida é um mero vazio. Esse vácuo é perpetuado até certo ponto que recebe um romance escrito pelo seu ex-marido. Perdida nas insónias que teimam não a deixar, a personagem de Adams arranca numa leitura a este livro misterioso, o que encontra é uma intriga de vingança e de impotência que parece, gradualmente, confundir com a sua vida em ruínas.

 

screen-shot-2016-09-15-at-8-49-48-am.png

 

O expoente estético de Ford é uma meticulosa arte de engano e desengano, até porque a “beleza” fingida de Animais Nocturnos disfarça a sujidade formal exposta na sua segunda camada do filme, a ficção por detrás da ficção, onde Jake Gyllenhaal é um homem duplamente perturbado, pela desilusão de um homem fraco e indefeso que habita no seu ser até à sede insaciável de vingança que parece alimentá-lo furtivamente. As duas camadas, tão diferentes como água e azeite interpõem-se uma à outra, sucessivamente, e aí que entra a maior falha de Tom Ford neste segundo produto, a ficção ficcionada é mais interessante que a história primária, e o pior é que sentimos que não foi preciso muito esforço para o conseguir.

 

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Sim, sabemos, Tom Ford quis explorar o vazio do mundo de aparências que o próprio intriga, mas é incapaz de tecer a crítica apropriadamente, mas pelo menos, faz melhor figura que Nicolas Winding Refn e a sua passerelle que fora The Neon Demon, simplesmente porque não cede à provocação fácil, tentando encontrar nos seus becos sem saída, uma eventual escapatória. Como cúmplice desta artimanha montada, está o elenco que consegue descolar dos bonecos que o próprio insuflou, nesse contexto as nossas atenções vão para Michael Shannon, um peixe dentro de água, cujas movimentações levam Gyllenhaal aos seus picos de indecência emotiva.

 

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Voltando ao ponto inicial, não temos aqui um A Single Man, infelizmente, Ford parece ter tremido por momentos, mas não o suficiente para ceder à pressão. Ele constrói um filme de camadas, como já havia sido referido, e a gosto, coloca o seu “quê” de sugestão. O final inesperado que atraiçoa o espectador e a catch phrase, “um romancista escreve sobre ele próprio”, a persistir após o desfecho dos créditos. Afinal, há aqui margem para explorar!

 

"When someone loves you, you have to be careful with it!"

 

Real.: Tom Ford / Int.: Amy Adams, Jake Gyllenhaal, Michael Shannon, Aaron Taylor-Johnson, Isla Fisher, Armie Hammer, Laura Linney, Karl Gusman

 

noct.jpg

7/10
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publicado por Hugo Gomes às 23:52
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