Real.: Ridley Scott
Int.: Anthony Hopkins, Julliane Moore, Giancarlo Giannini, Ray Liotta, Gary Oldman
Passados 15 anos desde a incursão ao universo lecteriano por Michael Mann (Manhunter) e 10 anos do grande colosso do policial dos anos 90 (Silence Of the Lambs – Silêncio Dos Inocentes), Hannibal Lecter o psicopata canibal marcado para sempre na cinéfilía regressa nas mãos de um dos mais influentes e subestimados realizadores da actualidade, Ridley Scott, que adapta outra novela de Thomas Harris que segue o percurso do assassino em série interpretado por Anthony Hopkins, Hannibal Lecter, que depois de sair do hospital psiquiátrico, refugia-se em Florença o qual se torna professor de artes. Enquanto isso Mason Verger (Gary Oldman), um milionário e vítima do “professor” Lecter reúne uma caçada ao mesmo para que possa por em prática os seus planos de vingança, pondo como isco Clarice Starling (Julliane Moore), o único ponto fraco de Hannibal.
Tendo um teor mais romanesco que os anteriores, explorando concretamente a relação entre Hannibal e Clarice como fossem um casal de apaixonados, mas de raízes menos platónicas, o filme de Ridley Scott segue da raiz, o filme de Demme, descartando qualquer artifício que reivindique o suspense de terror e o ambiente de aflição que caracterizava o galardoado filme de 1991, aqui substitui esse horror psicológico por um thriller de modelos mais classicistas que por sua vez combina com a igualmente banda sonora. Hannibal Lecter está mais rico de cenários, dito mais exótico e menos adulto, o terror provêm apenas das cenas de puro gore e não da trama, o que resume a Anthony Hopkins (brilhante como sempre) num vulgaríssimo slasher killer com alguma classe.
O elenco encontra-se razoavelmente bem, Hopkins já havia dito, desempenha o seu Hannibal na perfeição, Giancarlo Giannini com carisma suficientemente forte, aliás o seu confronto com Hopkins é um dos momentos mais altos do filme, Gary Oldman irreconhecível, Ray Lliota demasiado secundário e Julliane Moore como erro de casting. Tendo Jodie Foster declinado o seu papel de Clarice nesta nova versão com medo daquilo que a sua personagem poderia a tornar-se, Moore atribui á personagem uma frieza inexistente em Silêncio Dos Inocentes, mais calculista e mais estereotipa é o que se pode adjectivar esta incursão mais violenta da personagem homenageada na Gala dos Óscares de 1991 (Jodie Foster – vencedora do Óscar de Melhor Actriz com este papel). Sem ser mau filme, Hannibal cumpre na perfeição de um passageiro divertimento macabro, o actor (estrela) justifica a visualização, mas o seu maior ponto fraco é mesmo dizer que o filme de Scott é uma sequela do imponente O Silêncio Dos Inocentes.
O melhor – Anthony Hopkins igual a si mesmo
O pior – Jodie Foster por Julliane Moore
"Hannibal" - 8 estrelas. "Só a presença de Anthony Hopkins é esmagadora. Uma diferente forma de vermos a mente genial de um serial-killer, que resulta plenamente, num estilo cinematográfico muito próprio. Uma lenda entre os mitos dos serial-killers." Ante-Cinema
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