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7.2.08

 

Desaparecida: Um Caso de Ficção em imitação à Realidade!


Ben Affleck estreia na realização com este Gone Baby, Gone, a adaptação de um romance homónimo de Dennis Lehane, o mesmo autor de Mystic River. É um filme protagonizado por Casey Affleck, o mais novo e talentoso irmão do actor / realizador, que presta aqui outro grande desempenho no papel de um detective privado contratado para desvendar o desaparecimento de uma criança de 4 anos em Boston. Um caso de suposto sumiço, alarido pelos medias, converte-se numa suspeita de rapto, envolvendo todo o tipo de atrocidades infantis. No percurso de contornos de uma fábula de Lewis Carroll, a personagem de Affleck, Patrick Kenzie, entra em contacto com todo o tipo de laia, pedófilos, dealers, polícias de actividades suspeitas e inocentes que num ápice convertem-se nos seus inimigos mais puros e duros.

 

 

Gone Baby, Gone gozou no nosso país uma certa publicidade gratuita envolto em polémica, polémica, essas, que são conduzidas através de meras coincidências que confundem a ficção com a realidade. Todavia no caso da fita de Affleck, tais "difamações" advém de um exagero e oportunismo mediático. Refiro ao caso de desaparecimento de "Maddie" (Madeleine McCann), uma criança britânica de três anos desaparecida em circunstancias ainda apor explicar na Praia da Luz, Algarve, em 4 de Maio de 2007. Este triste caso gerou uma imensa manifestação popular como um frenesim de conspirações e teorias sobre o que realmente estará ocorrido naquele dia. Em relação a Gone Baby, Gone (Vista Pela Ultima Vez …), as semelhanças fica apenas em três pontos; a primeira, o misterioso desaparecimento da garota, segundo a fisionomia desta e por último a maneira apática como é apresentada a progenitora (Amy Ryan), que tal como a vida real anexada como principal suspeita. De resto a obra adaptada do livro de Lehane segue rumos próprios e deveras ficcionais. Mesmo tendo um argumento que constantemente soa a “déja vu” pelas razões acima referidas, Gone Baby, Gone tem a proeza de explorar todos os campos possíveis de crimes à integridade infantil, ausente de qualquer alarido mediático.

 

 

Tendo a proeza de ser um thriller que radicalmente foge dos ensaios automáticos de estúdio, Gone Baby, Gone tem a infelicidade de possuir mais "apetite que estômago" em termos narrativos - o excesso de temas e a pouca exploração devida destas. As personagens são compostas por uma espécie de modelo, enquadrando e proclamando diálogos algures entre o panfletarismo e o puro falso moralismo, algo que poderia tornar esta obra à partida num exemplar insuficiente, isso se não fosse assegurado pela realização entendida de Ben Affleck ou pelos fortes desempenhos do seu elenco. Falando em interpretações, Gone Baby, Gone nos reserva surpresas nesse campo, a começar pelos veteranos Ed Harris e Morgan Freeman (sem referir o carisma que expõem), o já mencionado Casey Affleck a impressionar como um complexado protagonista e Michelle Monaghan em boa forma. Contudo é em Amy Ryan onde todas as atenções estão centradas, nem que seja pelas circunstancias do seu papel ou da polémica envolto, a actriz que tem sido nomeada ao Óscar de Melhor Actriz Secundária com esta prestação, emane uma figura de papelão, dissipada pela distorção dos estereótipos, por outra palavra Ryan é sobrevalorizada. Porém a actriz consegue aquilo que era mais que pretendido em Gone Baby, Gone em relação ao seu papel, a repudia que causa no espectador e a intensa suspeita que persegue a sua aura.

 

 

Por fim, há para destacar uma trabalhada composição de Boston, que deriva em evita-la dos estereótipos colectivos, para além disso temos em Gone Baby, Gone, uma excelente selecção de figurinos. Outro marco valoroso na composição desta fita é o seu final, um puro moralismo semi-cristão que voluntariamente invoca o debate e apela à discussão desses parâmetros maniqueístas, sendo que o tom desta conclusão ficará no critério de cada um.

 

"Cheese, if you ever disrespect her again like that, I'm gonna pull your fuckin' card, okay? So you're saying you didn't do it, fine. We'll take your money, and we'll be on our way. When it turns out you're lying, I'm gonna spend every nickel of that money to fuck you up. I'm gonna bribe cops to go after you, I'm gonna pay guys to go after your weak fuckin' crew, and I'm gonna tell all the guys I know that you're a C.I. and a rat, and I know a lot of people. And after that, you're gonna wish you listened to me, 'cause your shitty pool hall crime syndicate headquarters is gonna get raided, and your doped-up bitches are gonna get sent back to Laos, and this fuckin' retard right here is gonna be testifying against you for a reduced sentence, while you're gettin' cornholed in your cell by a gang of crackers. 'Cause from what I've heard, the guys that get sent up Concord for killing kids, life's a motherfucker."

 

Real.: Ben Affleck /Int.: Casey Affleck, Michelle Monaghan, Amy Ryan, Ed Harris, Morgan Freeman




O melhor – Um final moralista mas para merecida reflexão

O pior - o excesso de temas e a sua falta de profundidade

 

 · Já agora deixo-vos a critica do meu caro amigo Filipe sobre este filme, uma opinião diferente da minha, mas uma critica muito bem escrita. Ver aqui.

7/10
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publicado por Hugo Gomes às 16:55
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