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10.11.13

O diabo veste de Vison!

 

Depois de ter trabalhado com somente quatro actores em Carnage, Roman Polanski volta a adquirir o gosto por elencos pequenos, demonstrando porém um só objectivo, aproximar o cinema ao teatro e assim sendo adquirir o gosto pela dramaturgia e a exploração artística dos seus actores. Em La Vénus à la Fourrure (adaptado de uma peça de David Ives), o realizador concentra-se numa lavagem cénica e por vezes limitada em termos de acção para apelar ao debate entre o sexismo presente não apenas no quotidiano como também na cultura em si.

 

 

Devido a tal, o sadomasoquismo (aqui servido como uma espécie de sarcasmo à sociedade de hoje que por um lado venera a subjugação) é um centro de tal confrontação que é visado no perfomance dos seus artistas, neste caso Emmanuelle Seigner formidável e abismal num vórtice de dualidades, que leva a melhor a um por vezes melancólico Mathieu Amalric. Em consequências dos seus desempenhos que sobressaem uma disputa psicológica entre as suas personagens, o espectador é quase como um intruso perante tal jogo de seduções e manipulações que Roman Polanski consegue tecer descaradamente frente aos seus habituais atributos, fazendo dele a terceira personagem, mantida fora de campo mas presente no seu intimo. É que o realizador de The Pianist é um artesão na construção de uma atmosfera sedutora e sempre mística, os décors que parecem "abraçar" os seus personagens, enriquecendo-as de forma inerente e a banda sonora simbiótica de Alexandre Desplat que alimenta tal sugestão, tudo tornam La Vénus à la Fourrure numa obra envolvente, sempre hiperactiva e acima de tudo confortante para a própria condição do espectador.

 

 

É um must artesanal, um traveling que se adivinha desde o inicio como tentador e erótico nas mais diferentes faces. Uma obra coberta por um veludo azul que deixa antever o sarcasmo que esta Vénus de Vison (titulo traduzido) transmite na sua sequência final, onde cruza Fellini com a tragédia de Dionísio onde o coro assume presença. Desta feita esta nova obra de Polanski  é um puro exercício de regressão e ao mesmo tempo sofisticação, quando o teatro e o cinema encontram-se cada vez mais "siameses".

 

Filme visionado no Lisbon & Estoril Film Festival'13

 

Real.: Roman Polanski / Int.: Emmanuelle Seigner, Mathieu Amalric



 

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Carnage (2011)

 

8/10
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publicado por Hugo Gomes às 23:31
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