Data
Título
Take
3.10.13
3.10.13

 

Entre Rivais!

 

Muito tenho confrontado com as banalidades formais do cinema mais académico, muitas vezes próprio do sistema de Hollywood ou do formato mainstream. Contudo assumindo que o vosso escriba não é de “ferro”, eis que surge por vezes obras fieis aos signos técnicos e inerentes do cinema acima referidos que conquistam não com a sua irreverência mas paixão que emanam. Verdade seja dita, o cinema também ele deve ser preenchido com paixão. Um desses casos é Rush, a nova obra de Ron Howard que nos remete às pistas de Formula 1 como palco para uma das concentradas e espirituais rivalidades emergidas no cinema norte-americano nos últimos anos.

 

 

Não se trata aqui de tornar o filme mais naquilo que é, mas sim destacar o seu dinamismo, a sua essência apaixonante com que transfere tais “energias” para a trama e sim, a continuação do espetáculo hollywoodesco tal como ele é, pomposo, manipulador (neste caso no bom sentido), ambicioso e profissional. Porém, Rush tinha tudo para falhar, a começar pelo seu realizador, Ron Howard, que é capaz do melhor (Frost/Nixon, Apollo 13) como do pior (The Da Vinci Code, The Dilemma), um dito “empregado do mês” pelas bandas de Hollywood que tira partido do profissionalismo e na precisão de Peter Morgan (o mesmo argumentista de The Queen de Stephen Frears) para culminar um guião enraizado na rivalidade dentro e fora da pista. Rivalidade, essa, que a dupla (realizador / argumentista) consegue eficazmente transmitir sob um teor quase poético, mas acima de tudo pessoal, que é evidenciado com inspiração na sequência final (que funciona como uma “cereja no topo do bolo”).

 

 

Por outro lado a conexão rival entre os dois pilotos de Formula 1 é realçada e concretizada graças ao desempenho da sua dupla, surpreendentemente o limitado Chris Hemsworth (Thor) funciona na pele de James Hunt, um fútil, playboy e acima de tudo instintivo corredor que entra em pleno contraste com o reservado, lógico e calculista Niki Lauda (um excelente Daniel Bruhl). É este círculo fortalecido que interliga ambos os campeões de Formula 1 que converte Rush num autêntico “poço de emoções”, mesmo que o filme em si nada de novo demonstra em termos cinematográficos, aliás o seu modelo é demasiado “certinho”, académico por outras palavras. Até mesmo as corridas, um dos focos principais de intensidade, energia e emoção, são verdadeiros conjuntos lugares-comuns ou clichés quer a nível argumentativo ou de caracterização como a nível técnico (os constantes slow-motions, a orquestra que “abraça” o ruidoso barulho dos motores e os relatos dos comentadores durante as “partidas” que adquirem um certo caracter messiânico).

 

 

Depois temos aquele que possivelmente seja o “calcanhar de Aquiles” da obra inspirada de Ron Howard, a representação da vida pessoal dos seus dois protagonistas que é tão esquemático ou abundante de personagens descartáveis (Olivia Wilde é praticamente inútil) ou fracamente construídas em termos de caracterização. Todavia, Rush – Duelo De Rivais contorna tais fragilidades e através de peças já recriadas, constrói um filme de uma força relevante, sonante como o “arrancar” das viaturas de Formula 1. Mas mais do que uma reconstituição desportiva, Ron Howard nos cita filosofia pura sobre a essência da competição e a sua inerência quer prejudicial ou benéfica. Uma história verídica incrível que original um filme de igual forma. Emocionante! 

 

“I feel responsible for what happened. / You would... but trust me: watching you win those races, while I was fighting for my life, you were equally responsible for getting me back in the car.”

 

Real.: Ron Howard / Int.: Daniel Bruhl, Chris Hemsworth, Olivia Wilde, Alexandra Maria Lara



 

Ver Também

Frost / Nixon (2008)

 

8/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 10:08
link do post | comentar | partilhar

2 comentários:
De roleta betclic a 11 de Outubro de 2013 às 22:25
Estou curioso para ver este filme... Para quem como eu segue a Fórmula 1 tão fielmente à anos este é um filme a não perder. Espero que a realidade corresponda à expectativa ;)


De Gustavo a 13 de Janeiro de 2014 às 22:01
Só tenho uma coisa a dizer :) bom filme!


Comentar post

sobre mim
pesquisar
 
arquivos
2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


recentemente

Divulgado júri completo d...

Guardians of the Galaxy V...

Clint Eastwood terá mais ...

La Chiesa (1989)

Captain Marvel já tem rea...

Trailer: Kypton, a preque...

Primeiro teaser trailer d...

Fiore vence 10ª edição da...

The Fate of the Furious (...

Josh Brolin será Cable em...

últ. comentários
Este filme promete. Já é uma pena que se façam seq...
A década de 90 foi uma das melhores, mas especific...
Juntamente com Terminator 2 e com The Matrix, Jura...
Junto com o filme de Coppola, sem dúvida um dos me...
Talvez não seja o meu filme favorito do David Finc...
Takes
10/10 - Magnífico
9/10 - Imprescindível
8/10 - Bom
7/10 - Interessante
6/10 - Razoável
5/10 - Medíocre
4/10 - Muito Fraco
3/10 - Mau
2/10 - Péssimo
1/10 - De Fugir
0/10 - Nulidade
stats counter
HTML Hit Counter
counter
links
mais comentados
25 comentários
20 comentários
13 comentários
12511335_1084470088250815_732384524_o
subscrever feeds
blogs SAPO