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14.7.13

Trepidações de uma relação "perfeita"!

 

Em 1995, poucos imaginariam que o discreto, simples mas singular Before Sunrise de Richard Linklater, se tornaria passados 18 anos numa trilogia cinematográfica. Trilogia, essa, que preservou o seu carácter independente e a química que havia estabelecido desde o primeiro filme de Jesse e Celine (Ethan Hawke e Julie Delpy respectivamente). Não são no geral fitas que arrecadam um êxito tremendo em bilheteira, um dos mais propícios motivos para a produção de sequelas, mas pelo culto gerado, pelos seguidores que acompanham um casal exemplo que vivem através de dois filmes, o perfeito "conto de fadas" sem se tornar na irrealista inconsequência. Before Midnight é portanto o foco de maturidade perante o imaculado cenário romântico de ambos, é a passagem do tempo de descobertas amorosas para as crises matrimoniais, as revelações das "fendas ocultadas" numa relação. Ou seja, depois de dois jovens apaixonados com uma vida inteira pela frente em Before Sunrise, a segunda oportunidade em Before Sunset, em Midnight assistimos a Jesse e Celine, agora dois adultos na "casa dos quarentas" e com filhos, que enfrentam os fantasmas de uma relação consumida "apressadamente", o choque gerado por problemas e assuntos inacabados.

 

 

Sob o mesmo signo narrativo, a duração temporal de um dia e um conjunto extenso de diálogos realistas e incrivelmente expeditos para com a acção, a nova obra contínua de Richard Linklater torna-se a das três a mais complexada e acima tudo pretensiosa, com uma exploração mais acentuada e variada (outrora território virgem nesta saga cinematográfica) das personagens secundárias, cuja aposta não é fracassada mas quebra a essência da fita em si. Depois temos aquilo que é servido como atractivo em Before Midnight, a promessa da primeira discussão do "casal maravilha", um dialogo que por si emana diferentes ritmos e respectivas quebras, que vai desde o intenso ao embaraçoso, do leve à ilusão oratória. Essa discussão reage como uma invocação adversa para a espírito da fasquia criada por Linklater, mas nada prejudicial aqui. Contudo a tentativa soa como mero oportunismo para continuar histórias que muito bem beneficiavam do mistério envolto, principalmente dos finais cliffhangers trazidos pelo primeiro e maioritariamente do segundo.

 

 

Em suma: Richard LInklater revela-se eficaz no pretendido, culminando a beleza do dialogo e a estrutura destas e por fim preservando a química entre a dupla eternizada. Contudo Before Midnight nos emane pretensão de explorar novos territórios dentro das fronteiras da saga e com isso o "despe" de qualquer misticismo.    

 

"Like sunlight, sunset, we appear, we disappear. We are so important to some, but we are just passing through."

 

Real.: Richard Linklater / Int.: Ethan Hawke, Julie Delpy, Seamus Davey-Fitzpatrick

 

 

Ver Também

Before Sunrise (1995)

Before Sunset (2004)

 

7/10
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publicado por Hugo Gomes às 21:50
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1 comentário:
De carolzocas a 13 de Setembro de 2013 às 14:31
Eu vi o primeiro filme, e fiquei rendida pelo estilo. Vi o segundo, e agora vou a caminho do último. Obrigada


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