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29.6.13

 

“Nolanizar” o Super-Homem!

 

O herói de BD criado por Joe Shuster e Jerry Siegel em 1939 é a nova vítima da chamada “nolanização”, termo fabricado alusivo ao realizado Christopher Nolan e à visão com que tratou Batman na bem-sucedida trilogia The Dark Knight. A definição centra-se numa injecção realismo, negrura e maduração, ingredientes que funcionaram e muito no “cavaleiro das Trevas” e que serve como experiência arriscada para Superman em Man of Steel. Nolan é somente produtor e argumentista ao lado do já habitual David S. Goyer, no posto de realizador encontramos Zack Snyder, o mesmo da interessantíssima analise da condição de vigilante em Watchmen (2009) e do sempre “cool300 (2007), ambos baseados em duas elogiadas graphic novels. Nos últimos dias fomos bombardeados até à exaustão por uma campanha de marketing gigantesca por parte da Warner Bros em promover o filme (tentando de certa forma contornar o semifiasco de Superman Returns de Bryan Singer em 2006, a mais recente abordagem cinematográfica do “herói de capa”) e de um frenesim desfreado dos fãs e geeks em difundir a obra, supostamente e no caso de Man of Steel tornarsse no êxito esperado, DC Comics poderá finalmente rivalizar com a Marvel Studios na conquista cinematográfica. 

 

 

Para começar esqueçam o ambiente familiar dos filmes de Christopher Reeve e da fidelidade com a BD, Man of Steel é um reboot adaptável para a nova geração; barulhento, sofisticado, frenético, gratuito e narrativamente ofuscado, tudo aquilo que os nossos tempos cinematograficamente liderados por blockbusters merecem. E é pena visto que a variante de Snyder nos reserva algumas ideias e visuais interessantes, mas quando os efeitos visuais e as sequências de acção retiradas de um qualquer videojogo assumem o protagonismo, logo o espectador defronta-se com as fragilidades desta ambiciosa obra.

 

 

Tudo começa com uma ida a uma Krypton (planeta natal do nosso herói) galacticamente exótica com Russell Crowe a profetar frases poéticas o tempo todo, se não for isso corre de um lado para o outro a batalhar uma legião de militares revolucionários. O início é longo, acarretado com cenas e pormenores inúteis sem razão de ser, porém Michael Shannon como o ambíguo General Zod (a visão distorcida dos norte-americanos a qualquer líder revolucionário) consegue salvar este acto do puro supérfluo (sendo mais herege diria todo o filme). De seguida a fita contrai uma certa síndrome de Batman Begins do próprio Nolan, aliás é só pegar na estrutura de Man of Steel e na coordenação de planos (uma narrativa interrompida por um conjunto de flahsbacks) e na apresentação dos seus personagens para confirmar que existe aqui uma espécie de auto-plágio do homem-morcego. O espectador depara-se com um “messias em ensinamento”, uma criatura divinal que compromete-se com a moral cívica e no papel de Deus de um mundo que não é o seu, todavia são questões apenas respondidas apenas à última da hora e sem grande relance, depois da caótica poeira dos imensos efeitos visuais assentar. 

 

 

Uma das expressões do chamado “nolanização” advém da riqueza das personagens secundarias e das respectivas situações protagonizadas, contudo este Superman é de facto demasiado leve nesse campo, a começar por uma das personagens mais importantes deste universo, Lois Lane, interpretada por uma Amy Adams em piloto automático e sem química com o seu par, Clark Kent (o Superman, para quem desconhece a BD), um Henry Cavill demasiado preso ao modelo herói inconsequente, por vezes inexpressivo e fracamente emotivo. Falando em emoções frias, a belíssima actriz Antje Traue (Pandorum) serve na perfeição na pele de Faora-Ul, a subcomandante das forças invasores do General Zod (Shannon), uma união simbiótica de rigidez sentimental com sex-appeal. Quanto aos pais adoptivos do nosso super-herói, Diane Lane é puro estereotipo ofuscado somente apoiado por um Kevin Costner acima da média. Por fim um conjunto de secundários falhados que vai desde um Laurence Fishburne, não tão divertido que Jackie Cooper no mesmo papel na anterior tetralogia do Superman, e um Harry Lennix estereotipado.

 

 

Mesmo estando acima de algumas das modernas incursões da Marvel, Man of Steel é um exagerado filme de super-heróis que não mede os seus desequilíbrios em prol da sua própria ambição. Acompanhado por uma imparável, mas mesmo assim semi-perfeita banda sonora composta por Hans Zimmer, que já se afirma como fiel companheiro de Christopher Nolan, este é um filme irreprovável para as audiências de Verão ou dos fãs deste novo subgénero cada mais influente na indústria cinematográfica, porém acredito que os mais puristas repudiarão a obra em questão, mas evidencia tudo aquilo que de banal e previsível existe nas grandes produções de Hollywood.

 

“You will give the people an ideal to strive towards. They will race behind you, they will stumble, they will fall. But in time, they will join you in the sun. In time, you will help them accomplish wonders.”

 

Real.: Zack Snyder / Int.: Henry Cavill, Russell Crowe, Michael Shannon, Amy Adams, Diane Lane, Ayelet Zurer, Harry Lennix, Kevin Costner, Christopher Meloni, Antje Traue, Laurence Fishburne, Richard Schiff

 


 

Ver também

Batman (2005)

The Dark Knight (2008)

The Dark Knight Rises (2012)

 

4/10
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publicado por Hugo Gomes às 23:53
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5 comentários:
De Nóbrega a 30 de Junho de 2013 às 16:52
Sinceramente, impressionaria se essa empreitada tivesse dado certo, mas irei assistir, nem que seja pelo visual proporcionado por Snyder. Só acho uma pena que a forma de Nolan esteja sendo ridicularizada dessa forma.


De Gustavo a 14 de Julho de 2013 às 21:05
Sinceramente achei a tua critica demasiado exagerada, n achei o filme assim tao mau. até adorei o final aquilo é o combate entre dois deuses. tinha que sair algo parecido com isto.


De Alejandra Álvarez a 20 de Agosto de 2014 às 14:36
Era hora de atualizar este super-herói e eu acho que eles fizeram bem com Man of steel (http://www.hbomax.tv/movies/) necessária alguma frescura


De marcelo a 10 de Outubro de 2014 às 20:00
Não entende nada esse crítico... o filme é muito acima da média... Acho que o crítico deve estar acostumado a assistir Monster High...


De Nóbrega a 29 de Outubro de 2014 às 01:04
Que média baixa você tem.


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