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9.6.13

O ponto de encontro!

 

Será possível voltar à frescura do primeiro impacto nos romances das nossas vidas, mesmo após a perda da inocência e ingenuidade do nosso íntimo, a resposta poderá ser encontrada em Before Sunset, o regresso de Richard Linklater à história naturalista e indie até à medula que havia concretizado em 1995, onde colocou os jovens e promissores actores Ethan Hawke e Julie Delpy num turbilhão de circunstâncias, coincidências e espontaneidade que levaram a um dos mais simplistas mas arrebatadores romances cinematográficos da década de 90. Esse filme era Before Sunrise (Antes do Amanhecer), um dialogo arrastado por tópicos interessantes que vão desde a conversa trivial até à desvenda de segredos ou embaraços íntimos, porém esta troca de palavras entre duas personagens estabelecidas por dedicação e desempenho natural dos actores conseguiram elaborar um ensaio analítico à natureza dos sentimentos, ao afecto crescente e uma historia de amor digna de registo que direccionou o espectador a um dos finais mais míticos e debatidos da sua época.

 

 

Sob a promessa de reencontro acordada entre o casal seis meses depois suscitou questões pertinentes e ansiosas por parte do público acerca do “final feliz” que a dupla Jesse e Celine teriam direito ou não. Na verdade a derradeira resposta foi pensada por Richard Linklater por volta do ano 1999 e 2000, contudo as estrelas que o autor havia conduzido encontravam-se distintas das personagens originais, a ingenuidade de mabas havia perdido, por isso uma sequela que nos remetia a esse reencontro preciso soaria perante tais artifícios falso e incredível, provavelmente embaraçoso para o espectador também. Uma solução foi assim traçada e com dificuldades em ser financiado eis que surgiu em 2004 a sequela Before Sunset, não o reencontro imaginado e pretendido mas algo fiel ao espirito da sua prequela e respeitável para as personagens transpostas por esta dupla magnifica de actores.

 

 

Passaram nove anos desde as ocorrências de Before Sunrise e o encontro nunca aconteceu. Jesse (Ethan Hawke) tornou-se escritor e o seu primeiro best-seller é uma recordação daquele inesquecível dia e da mulher que havia amado mas que nunca mais a viu. Durante a apresentação do seu livro numa livraria em Paris, Jesse reencontra finalmente Celine (Julie Delpy) e ambos inicia uma longa conversa sobre as mudanças bruscas das suas vidas, dos acontecimentos daquele dia e do futuro que espera ser assinalado.

 

 

É decerto que o efeito-surpresa, como a própria inculpabilidade dos actos desvaneceu há muito, mas mesmo assim Before Sunset apresenta-nos como a continuação possível, um reencontro íntimos do espectador com o casal modelo de 1995 envolto de admiração. Nota-se novamente o engenho nos diálogos e na descontracção do qual são anunciados como também as interpretações simbióticas da dupla que preenchem os seus personagens com a sua própria personalidade e intimo, ninguém nega que Jesse e Celine tem mais de Ethan Hawke e Julie Delpy do que aquilo que se imagina. A conversa contínua é novamente entusiasmante e propícia, porém neste segundo capítulo torna-se mais intensa em termos de conteúdos, mais directa, pessoal e menos trivial. A naturalidade destas recai por momentos mas a química transposta pelo casal contorna a situação e reconforta-nos como fosse a visita do amigo não esquecido mas não visto durante muito tempo.

 

 

Ver Before Sunset é reaver afectos que sentíamos falta de ver no grande ecrã com tamanha delicadeza e fluidez, é a resposta necessária para quem imaginava um final digno e não hollywoodesco do original de 1995. Contudo, falando em desfechos, uma deliciosa imitação de Nina Simone interpretada por Julie Delpy e um cliffhanger que volta apresentar a misticidade deste conto dual são dois “must see” desta sequela que não envergonha, além disso renova. Continua belo e sentimental.

 

“Baby, you are gonna miss that plane!”

 

Real.: Richard Linklater / Int.: Ethan Hawke, Julie Delpy, Vernon Dobtcheff



 

Ver Também

Before Sunrise (1995)

 

8/10
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publicado por Hugo Gomes às 23:51
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