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7.5.13


Temos que falar sobre as nossas “crianças”!

 

Violar a própria imagem imaculada de Hollywood não é obra fácil, mas Harmony Korine, um dos argumentistas do polémico Kids de Larry Clark, um enfant terrible, assim por dizer, consegue tal “atentando” a começar com uma simples transformação de quatro estrelas adolescentes do cinema e televisão norte-americana, entre os quais duas vindas directamente do universo Disney, em um quarteto de jovens raparigas iguais a tantas outras, o espelho de uma geração sem alma, segundo o autor.

 

 

A realidade de uma juventude fora da vigília dos seus pais, protótipos gerados por uma sociedade cada vez mais consumista, mimetizando videojogos, televisão e tendências musicais, por fim o sexo, droga e álcool que ditam o seu quotidiano e objectivos, tudo isto transposto de uma forma ácida, corajosa e explicita em Spring Breakers, a história de quatro adolescentes, sempre em trajes menores, que embarcam neste mundo babilónico nas praias quentes de Miami, Flórida, sob o pretexto de viagem de finalistas, financiada por meios ilícitos que remete automaticamente a ideia de violenta natureza destas. Após terem sidos detidas pela polícia local, o quarteto é resgatado da cadeia por Alien (James Franco), um gangster egocêntrico que encontra nas jovens um poço de interesse.

 

 

Um autêntico pesadelo parental, Spring Breakers se revela na reconstituição nada novelesca da adolescência actual, emitindo irreverencia no seu próprio realismo. A narrativa adquire uma certa futilidade e vazio, de maneira a expressar a composição desta geração representada, contudo a vacuidade torna-se mais evidente quando o objectivo da fita é atingida, a partir daí caímos numa certa desorganização de lógica e narrativa. Spring Breakers perde-se em pretensiosismos, no “abraço” mal conjugado entre o mainstream e o lado artístico, caindo na contestação da identidade. À chegada deste ponto, Harmony Korine repete-se constantemente, cita filosofia barata e torna o ordinário em exclusiva poesia, por vezes deparamos com o autor a invocar o cinema de Terence Malick, de um jeito quase underground, ou o clima desconcertante de Gaspar Noé.



 

Por fim temos os desempenhos, onde assistimos a uma falta de expressividade por parte das protagonistas (excepto Rachel Korine que demostra alguma naturalidade), que prejudica de certa forma a ligação das personagens com o espectador, inicialmente nulo acaba por se revelar irritantemente vazio, somente James Franco numa interpretação caricatural, consegue suportar a fita, para que esta não ceda por completo. Mesmo não tendo uma prestação formidável e elaborada, James Franco é um must, se não fosse o actor de 127 Hours, Spring Breakers seria facilmente distinguido como o fracassado filme artístico do ano. Uma obra com uma crítica objectiva, mas limitada em termos de aprofundamento. Esperava-se mais.

 

Spring Breakers forever!”

 

Real.: Harmony Korine / Int.: James Franco, Vanessa Hudgens, Selena Gomez, Ashley Benson, Rachel Korine



 

6/10
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publicado por Hugo Gomes às 23:56
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