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Título
Take
14.1.18

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Clive Owen junta-se a Will Smith em Gemini Man, o próximo filme assinado por Ang Lee (The Crouching Tiger and the Hidden Dragon, Life of Pi), uma ficção cientifica centrado num futuro próximo onde a clonagem humana é mais que uma possibilidade. Nesta história, Will Smith será um reformado operador da NSA que tem que escapar a um assassino, que mais tarde vem a descobrir que se trata de uma versão jovem dele próprio.

 

Segundo a Variety, Owen será o antagonista do filme, enquanto que Mary Elizabeth Winstead e Tatiana Maslany encontram-se cotadas para a coprotagonista feminina.

 

Gemini Man é uma produção de Jerry Bruckheimer (do franchise Pirates of the Caribbean) que se encontrava em desenvolvimento há mais de duas décadas, na pose da Disney. Contudo, o projeto foi adquirido pela Skydance Media, que o produzirá em conjunto com a Paramount Pictures.

 

Estreia prevista para Outubro de 2019.

 

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publicado por Hugo Gomes às 01:17
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13.1.18

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Leonardo DiCaprio voltará a trabalhar com Quentin Tarantino num filme baseado na “família Manson”, a comunidade de serial killers liderados por Charles Manson que assombrou os EUA no final dos anos 60, cuja vitima mais mediática foi a actriz, e na altura mulher de Roman PolanskiSharon Tate, em 8 de Agosto de 1969.

 

O filme terá distribuição da Sony, quebrando assim a relação de mais de duas décadas com os irmãos Weinstein via Miramax e The Weinstein Company, que datava portanto já desde a sua primeira longa-metragem: Reservoir Dogs de 1992. De acordo com uma fonte do Vanity Fair, o filme vai-se focar numa estrela de televisão, que teve uma série de sucesso e está à procura de entrar na indústria cinematográfica, e no seu parceiro (e duplo/stunt). Sendo assim, a tragédia que envolveu o assassinato de Sharon Tate e quatro amigos seus servirá como pano de fundo.

 

Foi ainda revelado que Margot Robbie encontra-se em negociações para integrar o elenco, que também “cobiça” as presenças de Brad Pitt e Tom Cruise.

 

O orçamento está nos 100 milhões de dólares, e deve-se esperar que a produção tenha início no Verão, com estreia para 2019.

 

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publicado por Hugo Gomes às 01:01
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Chris Albertch, Presidente da Starz, anunciou na Television Critics Association (TCA) Winter 2018 Press Tour, que a Starz em conjunto com Lionsgate irão produzir uma série baseada no franchise de John Wick.

 

Intitulado de The Continental, a série explorará o submundo dos assassinos e o hotel-fachada que os abriga. Nos filmes, esse mesmo hotel é gerido por Winston, personagem interpretada pelo ator Ian McShane.

 

O argumentista e produtor Chris Collins (Sons of Anarchy, The Wire) encontra-se confirmado para escrever esta adaptação televisiva, enquanto que Chad Stahelski (corealizador de John Wick e realizador de John Wick: Chapter 2), Derek Kolstad (argumentista dos dois filmes), Keanu Reeves, Basil Iwanyk (produtor do díptico e ainda de Sicario) e David Leitch (corealizador de John Wick e realizador da sequela de Deadpool) estarão integrados na produção. Este último, irá dirigir o episódio-piloto.

 

No seu anúncio, Albertch revelou que "esta série será verdadeiramente diferente de qualquer outra coisa na TV. "The Continental" promete incluir as sucessivas sequências de luta e os tiroteios intensamente organizados entre assassinos profissionais e seus alvos que os adeptos esperaram na franquia de John Wick, além de apresentar alguns personagens novos e convincentes que habitam neste mundo subterrâneo. "

 

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publicado por Hugo Gomes às 00:54
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12.1.18

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"Listen to me, Steve. Go where? Steve, this is important. Go where? That's right, go where? What happened in your room... Are you listening? What happened in your room is not an isolated incident. It is something that is happening everywhere. So, where you gonna go? Where you gonna run? Where you gonna hide? Nowhere, 'cause there's no one like you left. That's right..." Carol Malone (Meg Tilly)

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:00
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Jeannette l'enfance de Jeanne d'Arc, um musical tendo como inspiração a vida da heroína francesa do século XV, Joana D’Arc, que fora o filme de abertura do 49ª Quinzena de Realizadores, vai contar com uma continuação. Quem o confirma é o realizador Bruno Dumont (Ma Loute).

 

Intitulado de Jeanne!, esta sequela seguirá uma Joana D'Arc adulta a tentar concretizar a profecia. Ainda se desconhece se o filme manterá o estilo musical do antecessor, o qual contou com uma banda-sonora da autoria do compositor experimental electrónico, Igourrr (Gautier Serre).

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 16:32
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12.1.18

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O Cidadão Elefante em Cidade Turística!

 

Existe um exotismo associado ao termo world cinema. Termo, esse que Sundance apropriou para uma das suas secções mais impares, porém, interiorizada num certo conforto ocidental. A primeira longa-metragem de Kirsten Tan (criada em Singapura) que abriu o mesmo espaço ano passado, tendo arrecadado um prémio em igual categoria, é um postal turístico de uma Tailândia evidentemente exótica, visualmente oriental, mas enquadrada num registo apontado demasiado a Oeste.

 

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Sim agradará um público verdadeiramente ocidental, até porque o duelo de urbanização / ruralidade, em anexo com o lado selvagem de um património natural em perigo, Pop Aye é o que poderemos chamar num “world cinema crowd pleaser”, um exemplar inofensivo, o quanto caloroso em termos de coração, mas longe de conquistar um espaço na sua cinematografia. Primeiro, porque toda a sua linguagem narrativa estremece um apelo ao gosto de um “Hollywood” independente, não é por acaso que o filme abriu Sundance, o road movie encorajado por um tardio coming-to-age, neste caso a moralidade como objectivo de trajetória. Segundo ponto, essa linguagem culturalmente perceptível sufoca o misticismo que poderia, e bem, suscitar nesta amizade interespécies - um velho arquitecto que vive vampiricamente dos seus momentos de glória e um elefante que o remete à sua infância (existe em Pop Aye um certo dispositivo narrativo à lá Rosebud de Citizen Kane).

 

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O simbolismo animalesco que tenderia ser explorado na imagem do paquiderme é nada mais, nada menos que um convite sem anfitrião, e muitos menos sem convidados. De resto, esta travessia por uma Tailândia fora de Bangcoque (pelo retrato bem poderia ser de outro país), carece de identidade, a estranheza do longínquo e sobretudo a idiossincrasia não evidente. É por estas e por outras que Apichatpong Weerasethakul nos apresenta um olhar mais exótico, mais transversal, espirituoso e sobretudo bizarro, e aí reside o desafio proposto ao espectador entranhar. Pop Aye é somente uma viagem nada atribulada, confortante e sugerida na camada de pele de um elefante, difícil de atravessar. Ecologia, dicotomia e muito moralismo (sob vícios  de anti-materialismo). O cinema ocidental sob vestes do oriente.

 

Real.: Kirsten Tan / Int.: Thaneth Warakulnukroh, Penpak Sirikul, Bong

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5/10
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publicado por Hugo Gomes às 16:10
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11.1.18

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The Theatuh, the Theatuh - what book of rules says the Theater exists only within some ugly buildings crowded into one square mile of New York City? Or London, Paris or Vienna? Listen, junior. And learn. Want to know what the Theater is? A flea circus. Also opera. Also rodeos, carnivals, ballets, Indian tribal dances, Punch and Judy, a one-man band - all Theater. Wherever there's magic and make-believe and an audience - there's Theater. Donald Duck, Ibsen, and The Lone Ranger, Sarah Bernhardt, Poodles Hanneford, Lunt and Fontanne, Betty Grable, Rex and Wild, and Eleanora Duse. You don't understand them all, you don't like them all, why should you? The Theater's for everybody - you included, but not exclusively - so don't approve or disapprove. It may not be your Theater, but it's Theater of somebody, somewhere.” Bill Simpson (Gary Merril)

 

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publicado por Hugo Gomes às 16:51
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10.1.18

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Uma das sagas de terrores mais duradoras prepara-se para estrear o seu décimo capítulo. Trata-se de Hellraiser, que por cá obteve o título de Fogo Maldito, uma alegoria sadomasoquista inspirada nos contos de Clive Barker que estreou pela primeira vez no cinema em 1987 (com o dito escritor a assumir o cargo de realizador).

 

O filme rapidamente ascendeu ao estatuto de culto e o seu “monstro-estrela”, Pinhead, converteu-se numa das mais populares figuras do género. A sequela direta, que estreou em 1988, prolongou esse mesmo sucesso. Porém, depois do quarto filme, que foi um fiasco, o franchise ficou retido no circuito de Home Video, onde continuou de forma presencial. À chegada deste décimo capitulo, Doug Bradley, que sempre vestiu a pele desse demónio, saiu do projeto. No seu lugar temos Paul T. Taylor (Super).

 

Escrito e dirigido por Gary J. Tunnicliffe, responsável pelos departamentos de caracterização de X-Men Origens: Wolverine e Pulse, o intitulado Hellraiser: Judgment seguirá diretamente para o circuito de Home Video, Video-on-demand e streaming. Como curiosidade, a actriz Heather Langenkamp encontra-se no elenco. Para quem desconhece, ela foi Nancy Thompson, a grande protagonista de A Nightmare on Elm Street, de Wes Craven.

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:32
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Encontra-se a ser preparado um filme sobre a famosa dupla de comediantes Stan Laurel & Oliver Hardy, que em Portugal ficaram conhecidos como Bucha & Estica. A produção, que terá como título Stan & Ollie será protagonizado por John C. Relly (The Lobster, Step Brothers) e Steve Coogan (24 Hour Party) e contará com a realização de Jon S. Baird (Filth) e com um argumento de Jeff Pope (Philomena). Shirley Henderson (Okja), Nina Arianda (Midnight in Paris), e Danny Huston (Wonder Woman) fazem ainda parte do elenco.

 

Recordamos que a dupla de comediantes, provavelmente a mais icónica do Cinema, participou em mais de 100 produções, incluindo longas e curtas metragens e até mesmo peças teatrais. A primeira aparição foi em The Lucky Dog (1917) e desde então têm reunido êxitos como também fracassos.

 

O filme cinebiográfico terá como base a relação entre ambos e a diferença que os unia, focando particularmente numa tournée de despedida que o duo organizou em 1963, no Reino Unido. As primeiras imagens foram divulgadas, demonstrando a transformação dos actores para os respectivos papeis. 

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publicado por Hugo Gomes às 15:16
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"O crítico é a única fonte independente de informação. O resto é propaganda"

 

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publicado por Hugo Gomes às 14:42
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Linha atribulada!

 

É o efeito estafeta. Jaume Collet-Serra recebe os planos gerados por Luc Besson e Pierre Morel que consiste em transformar Liam Neeson num action man cinquentão, e põe em prática tal projeção, posicionando-o como um arquétipo de John McClane. É bem verdade que nesta cumplicidade, produções como Unknown e Run All Night funcionaram de forma moderada.

 

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Todavia, existem “coisas” que perpetuam vícios nefastos, entre eles a maligna avença de Neeson com transportes públicos. Aqui o avião de Non-Stop dá lugar a um comboio numa linha subjacente de Nova Iorque e, em modo teste, o ator, agora tornado em sexagenário (ele faz questão de relembrar isso inúmeras vezes), vê-se enredado num jogo mortal, tendo como objetivo o encontrar um misterioso sujeito. Prazo: até ao fim da linha. Prémio: quantias monetárias que rapidamente passam para a segurança da sua família.

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Assim sendo, a personagem de Neeson terá que usar o seu intelecto e o leque de “especialidades adquiridas por um longa carreira” (velha cantiga) para conseguir decifrar o “enigma”. Uns pozinhos de thriller hitchcockiano o qual Collet-Serra sempre esmiuçara e uma tendência whoddunit digna de uma Agatha Christie de segunda. Pois, não vale a pena suspirar por isto, porque de inteligência este The Commuter nada tem. Aliás, é apresentado “cartão amarelo” para Hollywood.

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Existe um problema (um!), uma grave anomalia na condução dos diálogos, ou melhor, na construção destes. Aqui somos confrontados com falas mais explicitas do que as imagens que se inserem, ou a informação despejada desalmadamente que apresenta um artificio irrealista dos mesmo. Talvez seja de forma a não levar o espectador em erro, ou (pior dos cenários) lançar uma indireta à inteligência do seu público-alvo. Preferimos pensar que é só um agravado desleixo. Porém, o mal desta enésima correria de Liam Neeson é a epidemia que parece invadir muitas das produções cinematográficas, reduzidas a produtos de linha montagem. Mas não avançaremos por esses diagnósticos complexos, não há tempo para isso, seguimos para a próxima paragem.

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O argumento, automatizado, colado a “cuspo”, vislumbrando uma extensa paisagem de lugares-comuns e de manientos truques segue até um twist que se adivinha a léguas. Talvez seja o trabalho técnico que nos dá algumas “luzes” do “potencial”. Desde a edição rotineira e recortada do seu arranque, que provoca em nós o efeito de conformismo férreo, até à grande sequência de ação filmada num só take, uma moda muitas vezes apresentada erradamente por muitos com o palavreado “lufada de ar fresco”. Portanto, nada de novo aqui. Nem a Oeste, Este, Norte ou Sul. Criativamente inexistente, somente mais uma paragem no meio de nenhures.   

  

Real.: Jaume Collet-Serra / Int.: Liam Neeson, Vera Farmiga, Patrick Wilson, Sam Neill, Jonathan Banks, Clara Lago

 

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2/10
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publicado por Hugo Gomes às 14:02
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8.1.18

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Por mais destaque e singularidade que tentam emanar nas suas cerimónias, os Golden Globes são sempre vistos como uma linha reta à premiação dos Óscares. A noite de ontem, pouco se destacou nesse sentido. Foi a feira das vaidade, porém, coberta de negro devido ao tão badalado protesto contra o assédio sexual, uma assombração que parece viver em Hollywood. E o decorrer da cerimónia deixa claro, que Hollywood não quer esquecer isso. Seth Meyers entra a “matar” com um rol de piadas nesse ramo, desde Weinstein a Kevin Spacey, passando pela sua masculinidade, ninguém sai ileso no seu discurso inicial. Mais um fator de que os Globos não conseguem deixar a sua marca, até porque os Óscares parecem dotados desse “comentarismo” político-social, diversas vezes embalado pela hipocrisia. E falando em hipocrisia, ouviu-se uns certos apupos a Meryl Streep.

 

Enfim, mas os Golden Globes não são o “We are the World” do discurso mediático, são Cinema … e Televisão, onde esta última tem adquirido uma portentosa relevância na indústria. Celebram-se séries como grandes produções hollywoodescas, festejam-se vitórias como verdadeiros oscarizados. The Handmaid’s Tale e Big Little Lies provam a sua força nas suas respectivas nomeações, tornando-se os grandes da noite - quer no pequeno ecrã, quer no grande panorama.

 

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Mas o Cinema está lá, a tentar vincar a sua constante ofuscação. Three Billboards Outside Ebbing, Missouri prova a sua consistência na época de prémios, arrecadando 4 estatuetas, entre as quais as previsíveis ator secundário (Sam Rockwell) e argumento (a mais merecida das suas indicações), em conjunto com o de melhor atriz (Frances McDormand a destroçar Sally Hawkins) e o surpreendente Melhor Filme. Martin McDonaugh viu o prémio de realização cair nas mãos de Guillermo Del Toro, a provar que é uma força a acontecer nos Óscares, quem sabe, a consagração do cinema de género. De mãos vazias, saíram três grandes da indústria: Steven Spielberg, Ridley Scott e Christopher Nolan, o resto do quinteto de “all-male directors”, ferroada lançada por Natalie Portman na apresentação da categoria à luz do snub de Greta Gerwing, Patty Jenkins e Dee Rees nos nomeados.

 

Lady Bird tira o tapete a Get Out na categoria de Melhor Filme Comédia ou Musical. Para quem esperava que o filme de Jordan Peele, completamente deslocado da sua secção, levasse a estatueta desmerecida (comédia, vai se lá ver), entrou aqui numa desesperante espiral. Até porque Daniel Kaluuya viu o prémio de melhor ator (comédia) ser entregue a James Franco com a sua mimetização de Tommy Wiseau. Surpresa, das surpresas, surge em palco o “verdadeiro” Wiseau, impedido de discursar por Franco. Este foi o momento mais hilariante da noite.

 

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De resto, Saoirse Ronan foi a melhor atriz de comédia por Lady Bird; Gary Oldman foi reconhecido como melhor ator dramático (como as academias adoram “imitações”); Coco, sem “espinhas”, conquista a melhor animação e Allison Janney rebaixa a sua concorrência (Laurie Metcalf) como melhor atriz Secundária em I, Tonya (Margot Robbie não foi reconhecida desta vez na categoria principal). Surpresas das surpresas, surge com a vitória de Fatih Akin e o seu In the Fade no melhor filme em língua estrangeira (para os Óscares apostasse em The Square- O Quadrado).

 

Contudo, existem ainda dois momentos que gostaria de destacar na Cerimónia. Uma foi o discurso inspirador de Oprah Winfrey, que motivou lágrimas e, apesar de tudo, deu um “cheirinho” de corrida presidencial. E o segundo ponto, e talvez o mais doloroso, Kirk Douglas decadente e inaudível em palco. Sabemos que ninguém é imortal, mas a velhice é tramada … e infernalmente cruel.

 

Para os Óscares espera-se um maior destaque a Get Out e quem sabe (a minha aposta), a Wonder Woman, visto que a heroína da DC integrou o painel da Producers Guild of America, o que é sempre um sinal. E sim, na maior das hipóteses a vitória de Gary Oldman como ator, um prémio de “consolação” pelos anos e anos de negligência por parte da Academia. Por enquanto, é só esperar pelo dia 23 de janeiro, quando as nomeações foram anunciadas.

 

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publicado por Hugo Gomes às 17:13
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A Guerra, ali ao lado!

 

A esta altura do campeonato torna-se difícil separar Darkest Hour de um outro olhar sobre a crise de Dunquerque. Sim, refiro ao homónimo filme de Christopher Nolan, o qual tantas maravilhas foram dirigidas por esse Mundo fora. E nesse “concurso opinativo”, o mais recente filme de Joe Wright sai a perder no senso comum por simplesmente emanar a dita biografia classicista, erguido, como é o costume, pela omnipresença do seu ator principal.

 

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O conflito bélico em si, encontra-se visualmente ausente, mas verbalmente presente nos discursos dos seus lideres, um campo de batalha torna-se terreno politico que se vislumbra em “horas mais negras”. A assombração da guerra e um homem, o belicista primeiro-ministro Winston Churchill, que se torna na figura-chave de uma nação a passos largos a essa mesma “escuridão”, parecem não ser par para o explicito pomposo de Nolan. Porém, é aí que se enganam. Darkest Hour é em toda a sua condução (e perdoam-se as aventuras no cinema mais clássico a puxar pela Hollywood “banhada” pelos seus ídolos de ocasião), um filme pacifico com a nossa imaginação. Um retrato de um Reino Unido como uma ilha em pés de guerra, onde as verdadeiras “trincheiras” residem a milhas de distancia, mas é com as suas invocações verbais que o espectador é engolido por esse cenário sugestivo (apenas relembrado por pequenos detalhes sem a afiambrada explicitude).

 

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Enquanto isso, Wright deixa-nos antever um aprumo técnico, a começar pela primeira sequência onde um picado navega por entre o parlamento inglês, causando uma extensão à sensação de conflito interno, o plano geralizado que dá lugar a um dinâmico conjunto a servir de preparativos para a enésima esquematização biográfica (recordamos a natureza teatral injetada num outro parlamento em Lincoln, de Spielberg). A luz, as sombras, tudo incluindo na fotografia de Bruno Delbonnel jogam a favor da avizinhada ansiedade e, em conformidade, a banda sonora rompante de Dario Marianelli assume o inicio de batalha como um rufar dos tambores (o tão profético confronto encontra-se ao virar da esquina). Obviamente, que Darkest Hour funciona como um objeto de requinte e de alguma classe no seu vigor vintage, e Gary Oldman é par para esse desafio, não fosse o facto da obra o apropriar como a sua força-motora. Apesar do “boneco imitador” que o ator contrai nesta sua composição (como os votantes e academistas tanto adoram premiar), é nessa coerência histórica indiciada na sua interpretação o qual Joe Wright trabalha como um vetor, o resto vem por acréscimo.

 

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A certo ponto, sentimos esse classicismo a estorvar a seriedade do filme. Vejamos a sequência decorrida no metro, onde Churchill entra em contacto com os seus eleitores, acompanhado por um “belo” discurso de empório patriótico, e de inspirada manipulação para nos dar a ideia de que o “povo é quem mais ordena” naquele cenário sociopolítico. Enfim, rasteiras e mais rasteiras que não condenam de todo este Darkest Hour, mas o enfraquecem frente ao leque de biopics da award season. Mas em relação ao outro Dunkirk, a dominância das palavras e o uso sugestivo do trabalho de Wright adquirem uma dimensão fulcral e menos jubiloso em relação a tão proclamada obra de Nolan. E, verdade seja dita, puxando para trás, em 2007, Joe Wright conseguiu em 5 minutos aquilo que o outro não conseguiu em hora e meia. Nem sempre a quantidade é sinonimo de qualidade. 

 

Real.: Joe Wright / Int.: Gary Oldman, Lily James, Kristin Scott Thomas, Ben Mendelsohn, Ronald Pickup, Stephen Dillane

 

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publicado por Hugo Gomes às 16:45
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7.1.18

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É do conhecimento geral que Justice League (Liga da Justiça) desiludiu nas bilheteiras, não conseguindo conquistar 700 milhões de dólares globalmente. A decepção da mais forte aposta da Warner / DC levou a inúmeras restruturações e reagendamentos do departamento de produção.

 

É também do conhecimento que o filme foi abalroado pela imposição de diversas refilmagens, motivadas pela mudança de realizador, Zack Snyder. Na altura à frente do projeto, o cineasta teve que abandonar devido a uma tragédia familiar (o suicídio da sua filha). Para o seu lugar chegou Joss Whedon, que fora um dos braços direitos de Kevin Feige na Marvel Studios. A juntar a isso, houve uma quebra de privilégios para com o trabalho de Snyder (tendo em conta a má reacção da imprensa depois de Batman V Superman), sendo imposto um tom mais ligeiro e próximo das duas horas de duração.

 

Porém, alguns rumores apontam a existência de uma versão de Zack Snyder intacta. Pessoas próximas do projeto, falam que se tratava de um filme mais negro, que termina num cliffhanger e contava ainda com Darkseid, o grande vilão da DC Comics, que só fora mencionado num dialogo na versão de cinema.

 

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Apesar de outras vozes referirem que essa dita versão não existe, mas sim um rascunho daquilo que se tornou no filme lançado nos cinemas, um grupo de fãs decidiu agir, criando uma petição que conseguiu até à data reunir 166 mil assinaturas. O objetivo? Fazer com que a Warner Bros lance em Home Vídeo a tão badalada versão com a banda-sonora original de Junkie XL (compositor que sempre acompanhou a DCEU, excepto Justice League, sendo substituído por Danny Elfman por imposição de Joss Whedon).

 

Contudo, a história não acaba aqui. Justice League será lançado em Blu-Ray e em DVD em Março, e nos planos encontra-se uma director’s cut. Porém, essa não será a versão de Snyder, mas sim a visão de Joss Whedon. Tal decisão levou os fãs a tomarem uma medida desesperada.

 

Segundo um evento no Facebook, encontra-se agendado um protesto à porta dos estúdios da Warner Bros. (Burbank, Califórnia) de forma a incentivá-los a lançar a visão de Snyder. O procedimento é simples, como se pode ler na descrição da página: preencher as redes sociais com as fotos dos protestantes com camisolas de apoio a Snyder e à respetiva versão ou cosplays das personagens de Justice League, sendo que nessas mesmas fotografias terá que estar visível o estúdio californiano. A mesma página adverte que não serão permitidos qualquer forma de insultos à empresa e às pessoas envolvidas.

 

Recordamos que o próximo filme da DC Comics será Aquaman, de James Wan, com estreia prevista para Novembro. Escusado será dizer que o futuro do franchise estará neste momento nas mãos desse mesmo filme. 

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 00:42
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5.1.18

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O mês de Janeiro será dedicado ao cineasta português Luís Galvão Teles, que contará com um ciclo na RTP 2. Serão quatro filmes que espelham bem a sua longa e diversificada carreira, entre as quais a estreia em televisão aberta do seu primeiro filme, A Confederação, uma ficção cientifica que reimagina um pais que após a Revolução dos Cravos é mergulhado numa Ditadura Militar. Recorrendo a imagens de arquivo em cumplicidade com ficção, Galvão Teles cria uma das obras mais vincada chamada vaga do cinema militante português que abraçou a nossa cinematografia nos anos 70. A Confederação é actualmente visto como uma espécie de primo lusitano da literatura distópico-politica 1984 de Georges Orwell. O filme será transmitido no dia 6 pelas 00h15.

 

Dia 13 pelas 23h15 é exibido A Vida é Bela.!?, uma comédia de forte componente politica, onde somos presenteados com a figura do Hipólito de Ó (Nicolau Breyner), um magnata “trafulha” que tenta sobreviver a um país marcado por diversas passagens do seu sistema político-social. Galvão Teles indicia um filme que satiriza para além das óbvias temáticas, a própria popularização do cinema, invocando o escapismo do “povo”, nomeadamente as chamadas Revistas de Teatro, como caricaturas ideológicas de uma politica instável. Foi um dos grandes sucessos de bilheteira do cinema português.

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Já na sexta-feira seguinte (dia 20 pelas 23h45), surge-nos Elas, que conta com um casting internacional de luxo (Miou-Miou, Carmen Maura, Marthe Keller, Marisa Berenson, Guesch Patti e Joaquim de Almeida). Trata-se de uma comédia dramática sobre um grupo de mulheres na casa dos 40 que encontram-se unidas por uma amizade inexplicável. Elas é hoje tido como um dos filmes portugueses com maior sucesso no estrangeiro.

 

Para terminar o ciclo, Dot.com, outra comédia que funcionou nas bilheteiras portuguesas. O choque tecnológico indiciado pela criação de um website na terra Águas Altas que cria tamanho alvoroço, a nível nacional, tudo porque uma multinacional sediada em Madrid quer reclamar o nome do site de forma a lançar uma água com o mesmo nome. Contando com argumento do seu filho Gonçalo Galvão Teles, que viria a tornar-se desde então iria-se tornar num habitual colaborador quer na escrita como na realização, Dot.com questiona a pacifismo de uma Península Ibérica que vivera em tempos uma “adormecida rivalidade”. Passará pelo canal no dia 27 de Janeiro, pelas 23h45.

 

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publicado por Hugo Gomes às 20:49
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A Warner Bros anunciou Walter Hamada como novo director do departamento de produção dos filmes da DC Comics. Hamada encontrava-se envolvido na secção de terror do estúdio, o qual trabalhou directamente com James Wan em The Conjuring e as respetivas sequelas e spin-offs. Desta forma, os anteriores responsáveis pela DC, Jon Berg e Geoff Johns, passarão para outros departamentos. Berg irá trabalhar na produção de Roy Lee (IT e os filmes LEGO), enquanto que Johns manterá na DC Comics, porém, como assessor de Hamada, que terá a tarefa de supervisionar os flimes de super-heróis.

 

Esta decisão diretorial tem sido encarado como uma das várias restruturações da Warner / DC, em consequências dos resultados dececionantes feitos pela Justice League (A Liga da Justiça), que não atingiu sequer o marco dos 700 milhões de dólares globais, tendo em conta o orçamento ultrapassou os 200 milhões devido sobretudo a reshoots e outras decisões produtivas de última hora. Apesar das mudanças, Diane Nelson continuará como chefe da DC Entertainment.

 

Com isto, a DC Comics manterá na corrida para a construção do seu Universo Partilhado, contando agora com Aquaman, dirigido por James Wan, como próximo título a estrear  (previsto para novembro deste ano).

 

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publicado por Hugo Gomes às 01:06
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4.1.18

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Le Révélateur (1968)

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La Cicatrice Intérieure (1972)

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L'Enfant Secret (1979)

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Liberté, la nuit (1984)

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J'Entends plus la Guitare (1991)

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Le Coeur Fantôme (1996)

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 17:18
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Cate Blanchett irá presidir o júri da próxima edição do Festival de Cannes. A atriz australiana vencedora de dois Óscares da Academia, torna-se assim a 12ª mulher a liderar o tão cobiçado júri.

 

Em declaração, Blanchett expressou o seu agrado com o convite: "Estive em Cannes de muitas formas ao longo dos anos; como atriz, produtora, no mercado, na esfera da Gala e na competição (…) exclusivamente pelo puro prazer de assistir à cornucópia de filmes que o festival abriga. Sinto-me honrada com o privilégio e a responsabilidade de presidir o júri deste ano".

 

Pierre Lescure, director do festival e o seu delegado-geral, Thierry Frémaux, afirmaram estar “muito satisfeitos em receber uma artista tão rara e única, cujo talento e convicções enriquecem as telas e o palco." 

 

A 71ª edição do Festival de Cinema de Cannes irá decorrer de 08 a 19 de Maio.

 

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publicado por Hugo Gomes às 16:54
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Um desastre que não se resume a um desastre de filme!

 

Primeiro de tudo, The Room, o filme original de 2003, produzido, dirigido, escrito e protagonizado por Tommy Wiseau, é um desastre por inteiro, a questão é como encaramos esse mesmo acidente. Alguns afirmam que é o pior filme da História da Sétima Arte, outros vão mais longe garantindo que apesar de “mau” (um rótulo algo oligárquico para qualquer crítico de cinema), trata-se de uma espécie de obra-prima nesse mesmo sentido, e quiçá, uma transgressão da arte narrativa.

 

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Não falamos de reavaliação ou revisionismo, mas sim de um “cult” que estabeleceu o filme como um sucesso de matinés, uma troça involuntária que se metamorfoseou para uma espécie de comédia negra. E como todos os “descarrilamentos” existe um enredo a ser absorvido por detrás disto tudo, e tal aconteceu em 2013 com o livro The Disaster Artist, onde Greg Sesteros aborda todas as atribulações de uma produção “arriscada”, assim como a misteriosa figura de Wiseau. Foi essa mesma matéria que serviu de base para esta homónima adaptação de James Franco (que realiza e protagoniza), que a certo momento cita Titanic para espelhar a sua verdadeira natureza – uma iminente “catástrofe” a servir de cenário para o amor entre dois seres – neste caso especifico a amizade entre dois aspirantes a atores. Inadaptados envolvidos em fracassos contínuos que decidem traçar as suas próprias regras, por outras palavras, o seu próprio filme.

 

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Mas em relação a Titanic de Cameron, ficamos somente por esta sintaxe enviusada. O filme de Franco tende em ser um prolongado making of dramatizado que bem tenta conquistar os que de fora estão deste fenómeno “The Room”. Infelizmente, a própria fenomenologia é falhada. A matéria-prima é demasiado nicho para o mainstream e de forma a conservar essa atmosfera bizarra que entra em paralelo com o objeto real, Franco emancipa-se dessa habitual tendência do “contado a principiantes” e aventura-se na sua própria jornada pessoal. Com isto afirma-se que não encontraremos nenhuma experiência de qualquer estado, nem algo arriscado em termos de storytelling clássico. Nada disso, os marcos narrativos aristotélicos mantém-se como manda o cinema de entretenimento, mas a vénia a este Quarto de Wiseau, que é constantemente indicado como o objetivo definitivo.

 

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E todo este jeito de homenagem faz bem à saúde de Franco, que para além de um ator em constante mimetização (o mesmo se pode apontar ao seu irmão e co-protagonista Dave Franco como Sesteros), é como realizador que deparamos com o seu melhor trabalho. Sim, este é o seu filme mais contido, o menos intimista e egocêntrico e sobretudo mais competente para fins comerciais, resultando numa compaixão terna entre criação e criador. Afastando-se da mera anedota, ou a caricatura de algo que por si merece a ridicularização, de que maneira funciona essa mesma? Tal depende do espectador. The Disaster Artist é um complemento dotado de carinho. É para ver, e desta vez sem a companhia de colheres.   

 

I did not hit her. It's not true. It's bullshit! I did not hit her. I did not. Oh, hi Mark!”

 

Real.: James Franco / Int.: James Franco, Dave Franco, Ari Graynor, Seth Rogen, Alison Brie, Zac Efron, Josh Hutcherson, Jacki Weaver, Melanie Griffith, Sharon Stone, Tommy Wiseau, Danny McBride, Adam Scott, J.J. Abrams, Lizzy Caplan, Kevin Smith, Kristen Bell, Bryan Cranston, Zach Braff, Judd Apatow

 

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6/10
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publicado por Hugo Gomes às 15:57
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3.1.18

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A violência como estado de alma!

 

Três cartazes são implantados à beira de uma estrada para nenhures com o objetivo de desafiar as autoridades de uma cidade local. Cidade, essa, assombrada por um misterioso rapto e violação que terminou em tragédia para uma adolescente. O alvoroço desses placares é simultaneamente instalado nos habitantes dessa mesma localidade, cada um deles se colocando na posição dos agentes, liderados pelo carismático Xerife Willoughby, ou do outro lado, em minoria, pela mãe da vitima, e autora dos badalados “três cartazes à beira da estrada”.

 

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Eis um novo trabalho de Martin McDonagh enquanto realizador e argumentista, convocando mais um ensaio de violência, nesse caso emanando um caos silencioso (talvez recorrendo ao lugar-comum da avaliação de obras americanas atuais), um retrato de uma América sufocada pela sua mesma agressividade. Não é a Trumplândia que se tornou habitual abordar, mas a consolidação de um país imaginário, a dita Terra de Oportunidades de Tio Sam, espelhada como um território de morte e de condenados. São misfits, personagens puramente idolatradas pela violência do seu meio, esquecidas pelo regulamento do maniqueísmo fácil.

 

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Three Billboards Outside Ebbing, Missouri remexe nesse leque de personagens. McDonagh aprendeu truques fáceis de escrita coenesca para persuadir e iludir o espectador neste seu ecossistema, principalmente na descartabilidade das figuras de fácil amor, erradicando a compaixão e desafiando-o a posicionar a favor daqueles que tudo menos fazem para conquistar-nos. Assim, como na vida real, nem todos os seres merecem a nossa comiseração, McDonagh reincide numa comunidade para esse mesmo feito. Porém, a violência transmitida na sua filmografia leva-nos a uma obra que cede facilmente a esse atos de primitividade. Em certo jeito, é como se fossemos transportados para a década de 70 no auge das missões de Dirty Harry e os seus métodos radicais. Os punhos que “calam políticos” e as balas que “exterminam” criminosos. Em Three Billboards Outside Ebbing, Missouri deparamos com a mesma natureza, a crueldade reina em todo o seu esplendor, porém, nunca somos realmente envolvidos numa catarse, numa reflexão desses mesmos atos, ao invés disso numa prolongada cumplicidade.

 

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O final é perverso nessa mesma imperatividade, onde alianças forjam em prol de um ativismo brutalizado e determinado. Mas para as boas graças de McDonagh, a sua nova criação é um portento argumentativo invejável, mesmo que as temáticas estejam em desencontro com a ideia do público, estas são indiciadas pelo bem da escrita e pela confiança nestas personagens que são insuflados com vida por atores de requinte (Frances McDormand como não víamos desde os tempos de Fargo, Woody Harrelson e Sam Rockwell). Provavelmente, seja por incompreensão da nossa parte, acreditamos que apesar dos facilitismos ideológicos, este Três Cartazes à Beira da Estrada revela uma imagem de uma época. Quem sabe.

 

Real.: Martin McDonagh / Int.: Frances McDormand, Woody Harrelson, Sam Rockwell, Kerry Condon, Abbie Cornish, Lucas Hedges, Peter Dinklage, John Hawkes

 

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7/10

publicado por Hugo Gomes às 17:55
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