Casa da tolerância!
Do realizador de Tiressia (2003), Bertrand Bonello concretiza assim este relato narrativo de um bordel na transição do século XIX e XX, no seu auge até à sua última noite de “vida”, em que o ultimo acto demonstra um cinismo extravagante e fetichista. Apollonide é um objecto de fascínio que nos revela uma natureza sedutora porém algo bizarra, mas quase pedagógica no que requer a explicitar o funcionamento de tais casas de prazer. Bonello contou ao seu dispor um leque de actrizes sensuais e bem familiarizadas com a câmara, sem medo do pudor face às sequências que se seguem (nada mais explicito que puro softcore), o autor consegue invocar a sensualidade sob os seus cenários barrocos e em certa altura tal como magnifico Venus Noir de Abdellatif Kechiche, presentear com a veneração do grotesco. Uma obra interessante no requerimento visual e cénico, que suscita fascinação. Infelizmente torna-se algo anoréctico em termos de ênfase dramática e cede ao cariz artístico na proximidade do final. Um filme que aufere alguma dignidade á profissão mais velha do Mundo. L’ Apollonide encontrou-se em competição no último Festival de Cannes.
Real.: Bertrand Bonello / Int.: Hafsia Herzi, Céline Sallette, Jasmine Trinca
Step Up da hora do chá!
Eis a resposta britânica ao sucesso de Step Up, Streetdance é um festim em 3D das marginais coreografias de dança que ao contrario do seu primo norte-americano, possui ao seu dispor um nome prestigiado na produção, a Charlotte Rampling, uma professora de uma academia de ballet que encontrou nas danças de rua a solução para restauração do aureolo da escola. Streetdance é constituído por todos os lugares-comuns dos filmes de dança e ainda por clichés típicos do puro íntegro hollywoodesco, não existe nada de audaz ou ousado na produção. Porém encontra-se uns pontos acima do rival norte-americano graças a uma construção mais convincente da sua trama, mas tal como o seu congénere é bastante vazio e oco em personagens, contudo é menos espectacular no próprio campo de jogo; as danças. Tem ainda um 3D desnecessário o qual se pode salientar como atractivo para os vibrantes da arte da dança Freestyle. Típico produto adolescente!
Real.: Max Giwa, Dania Pasquini / Int.: Charlotte Rampling, Nichola Burley, Richard Winsor
As mentiras têm perna curta!
A “brincadeira” desta fita de Raymound De Felitta (Two Family House) encontra-se nas mentiras e peripécias que cede se transformam num caos cómico sob a capa de um drama familiar. City Island apresenta-nos os Rizzos, uma família intrinsecamente afastada, o qual não partilham as suas inspirações e segredos. No centro desta família está Vince (Andy Garcia) um guarda prisional que descobre o seu filho perdido no estabelecimento em que trabalha, este o acolhe e leva-o para casa, mas esconde a sua identidade á sua família e a este. Do outro campo temos Joyce (Juliana Margulies), mulher de Vince, que pensa que o seu marido tem um caso amoroso, porém este frequenta aulas de representação. Vivian (Dominik Garcia-Lorido) convence os pais que é uma estudante universitária, mas esta foi expulsa e trabalha como uma stripper num bar nocturno e para finalizar, o membro mais novo dos Rizzos, Vinnie Jr. (Ezra Miller) tem um fetiche sexual que esconde de tudo e de todos. Como podem ver, City Island reúne uma intriga algo rebuscada, de uma certa veia cómica negra, mas que resulta numa peça hilariante e igualmente cativante e emocionante. Não apenas pelas peças da teia de mentiras se juntarem de forma simbiótica e o clímax ser mortífero, mas pelos actores serem convincentes e profissionais. Andy Garcia está de parabéns, mas por um lado é triste saber que o actor de The Godfather III e de Havana parece ser limitado ao mesmo estereotipo de personagem.
Real.: Raymound De Felitta / Int.: Andy Garcia, Julianna Margulies, Steven Strait, Emily Mortimer, Alan Arkin, Dominik Garcia-Lorido, Ezra Miller
Real.: Oliver Megaton / Int.: Zoe Saldana, Michael Vartan, Cliff Curtis
Filme – um filme sobre vingança e homicídios encomendados levado a cabo pela bela, mas mortífera Cataleya (Zoe Saldana). Oliver Megaton, o homem por detrás da adaptação de Hitman e o produtor Luc Besson invoca assim um frenético exercício de acção no feminino, com uma construção acentuada nas sequências de acção. Pode muito bem ser pobre em termos de historia, mas tem todos os ingredientes possíveis para nos deixar agarrados á sua intriga.
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EXTRAS
Menus Interactivos
Índice de Cenas
Distribuidora – Zon Lusomundo
Ver Também
Um Ano de Discurso do Rei
Foi um dos filmes mais inspiradores e belos do ano 2011, e o vencedor do Óscar, deixando para trás o grande rival The Social Network de David Fincher. Nunca a gaguez de um rei, neste caso o monarca George V, pai da rainha Isabel II de Inglaterra, foi tão falada e por Colin Firth nunca tão perto da perfeição (vencedor do Óscar de Melhor Actor). Tom Hopper que o afirmou que o drama sensação do ano conteve vários obstáculos na sua produção, entre eles o seu financiamento, o qual era negado por inúmeros estúdios que duvidavam da capacidade rentável da fita. The King’s Speech é um sensacional caso de inspiração que resultou num drama com um leque fenomenal de actores e ainda conseguiu arrecadar 400 milhões de dólares em todo o Mundo (para um dramalhão, o resultado está longe da mediocridade).
10 DVDs Essenciais de 2011
The Social Network (Edição de Colecionador)
Harry Potter and the Deathly Hallows Part 2 (Edição Especial de Dois Discos)
Os 10 Melhores Posters do ano
Independente com quatro “M”!
Atormentada por dolorosas memórias, Martha (Elizabeth Olsen) tenta integrar-se na sua família após ter fugido de uma seita que acreditava na vida selvagem e independente do ser humana e com obvias dominações masculinas.
Eis uma das revelações que o cinema indie norte-americano nos ofereceu este ano, Martha Marcy May Marlene nos proporciona como um thriller porém com um registo narrativo digno do drama que nos celebra com um ambiente forte e atmosfericamente inseguro que contagiará de certo o espectador, mesmo que nada de extraordinário e precioso para a história decorra no grande ecrã.
A intriga envolve o tormento que combina o culto da emancipação do ser humano da era moderna como também um clara dominação do homem sobre a mulher, tudo isto em feito de alusão às alcateias, onde podemos até assistir á influencia do macho dominante ou alfa, interpretado por um sinistro John Hawkes. Todavia a grande revelação da fita de Sean Durkin é mesmo Elizabeth Olsen, a irmã mais nova das gémeas Olsen, e talvez a talentosa da família, que aqui presta serviço ao próprio ambiente em desempenhar uma personagem tão ao mais insegura que a atmosfera que transborda.
Contudo o espectador não consegue de todo demonstrar simpatia pela protagonista, mas quanto a este produto independente, a conversa é outra mesmo que este envolve mais mistérios do que aqueles que propriamente resolve. Interessante e bem interpretado!
Real.: Sean Durkin / Int.: Elizabeth Olsen, John Hawkes, Brady Corbet, Hugh Dancy
O Big em versão maiores de 16!
O tema de troca de corpos é quase um poço sem fundo em termos de ideias e utilização, principalmente no género de comédia, onde o qual este The Change-Up do realizador David Dobkin (The Wedding Crashers) não foge á regra. A premissa é simples; dois amigos inseparáveis de infância cujas vidas são diferentemente opostas, um é casado e pai de filhos o outro um solteirão sem responsabilidades e sem futuro á vista, que após uma noite de bebedeira e ter soado alto e em bom som a inveja pela vida de cada um, acordam no dia seguinte, bizarramente de corpo trocado. The Change-Up é uma comédia adulta, um quanto ordinária e ousada que consegue causar bons momentos de comédia, se não fosse também ser um projecto liderado por duas estrelas de talento no ramo (Jason Bateman e Ryan Reynolds) e um realizador habituado e experiente nestas andanças. Porém a ideia, que não é nova, torna-se previsível e com aquele sabor de déjà vu prolongado, mas o pior vêm mesmo depois, quando o estado de graça dá lugar a um drama moralista, fantasioso e por vezes lamechas. É um filme desequilibrado e insatisfatório da dupla de argumentistas Jon Lucas e Scott Moore (os autores do êxito de The Hangover). Por enquanto dá para piscar os olhos com a angelical e cada vez mais ascendente na indústria cinematográfica, Olivia Wilde.
Real.: David Dobkin / Int.: Jason Bateman, Ryan Reynolds, Olivia Wilde, Alan Arkin
Sexo com compromisso a final feliz!
Hollywood parece ter agora descoberto que afinal existe sexo sem compromissos e o ano 2011 tornou-se fértil em comédias que exploram essa temática, a começar por No Strings Attached de Ivan Reitman, que reuniu Natalie Portman e Ashton Kutcher, dois amigos que comprometem-se apenas para o sexo. O filme arrancou com uma própria crítica e ironia ao romance e todos os adereços envolto, mas depressa se tornou naquilo que sempre tentou fugir desde inicio, o mesmo erro que Friends With Benefits comete. Mascara-se de politicamente incorrecto e completamente contra a temática romântica, mas cedo cede aos seus pesadelos. Nesse termo a fita de Will Gluck se confunde a um cinismo quase alarmante, quando assistimos á uma última meia hora digna de qualquer fita domingueiras, onde o espectador fica á mercê das clichés desavenças e reconciliações do “pseudo-casal”. Mas nem tudo são más notícias; a dupla de protagonistas têm química, Mila Kunis possui presença, já Justin Timberlake as palavras são outras e ainda temos ao nosso dispor: Patricia Clarkson e Richard Jenkins a encher com algum talento o grande ecrã. Friends with Benefits não nos contagia com a sua suposta irreverência, tudo se resume a uma comédia romântica comum servida com os mais variados lugares-comuns. Não é mau de todo, mas é esquecível o suficiente. Falta alguma “pimenta” para os lados de Hollywood!
Real.: Will Gluck / Int.: Justin Timberlake, Mila Kunis, Patricia Clarkson, Richard Jenkins
Happy Feet versão 1.5!
Jim Carrey enfrentou nos anos 90 o seu boom artístico, onde o actor automaticamente ficou na lista dos mais requisitados para o género de comédia, porém no novo milénio a sua carreira enfrenta alguns altos e baixos, entre os quais o vaivém de géneros que fazia dele um actor mais completo mas que comercialmente se tornou um desperdício. É difícil ao grande público imaginar Carrey, o ex-Mascara ou Ace Ventura a recorrer a dramas (The Majestic de Frank Darabont), ficção científica (Eternal Sunshine of the Spotless Mind de Michel Gondry) e até mesmo o thriller (The Number 23 de Joel Schumacher), devido a imensas experiências filmograficas, Carrey perdeu o seu brilho no seio do p
úblico e mesmo o seu retorno á comédia, género o qual sempre esteve anexado, os resultados foram aquém das expectativas (Fun with Dick and Jane, I Love You Phillip Morris) e este Mr. Popper’s Penguins segue o mesmo caminho. As aves inaptas para o voo mais amadas do cinema são agora as co-protagonistas desta fita da autoria de Mark Waters (Mean Girls), Jim Carrey interpreta assim um homem de negócios frio, viciado no trabalho, divorciado e sem tempo para os filhos, um claro estereótipo do filme familiar, que encontra num bando de pinguins a sua redenção e a sua estima pelos outros. Sendo que os momentos mais divertidos sejam mesmo os quais os pinguins surgem sem auxilio de qualquer actor, Carrey parece desgovernado e sem carisma para uma fita com inverosimilhanças quase fantasiosas. O resto do filme é previsibilidade e bocejo, mas o grande medo é o futuro incerto que espera para o actor de The Cable Guy.
Real.: Mark Waters / Int.: Jim Carrey, Carla Gugino, Ophelia Lovibond
E assim são revelados os nomeados para a gala de prémios mais esperados para o cinema, os Óscares, onde surpresas e outras não se fizeram sentir. Com principal destaque para Hugo, o novo de Scorsese e o muito celebrado The Artist de Michel Hazanavicius, os dois filmes que arrecadaram mais nomeações (11 e 10 nomeações respectivamente) e curiosamente uma rivalidade entre o 3D e o cinema mudo e bicolor.
Melhor Filme
Extremely Loud & Incredibly Close
Hugo
Midnight in Paris
Moneyball
The Artist
The Descendants
The Help
The Tree of Life
War Horse
Melhor Realizador
Alexander Payne (The Descendants)
Martin Scorsese (Hugo)
Michel Hazanavicius (The Artist)
Terrence Malick (The Tree of Life)
Woody Allen (Midnight in Paris)
Melhor Actor Principal
Brad Pitt (Moneyball)
Demián Bichir (A Better Life)
Gary Oldman (Tinker Tailor Soldier Spy)
George Clooney (The Descendants)
Jean Dujardin (The Artist)
Melhor Actriz Principal
Glenn Close (Albert Nobbs)
Viola Davis em (The Help)
Rooney Mara (The Girl with the Dragon Tattoo)
Meryl Streep (The Iron Lady)
Michelle Williams (My Week with Marilyn)
Melhor Actor Secundário
Kenneth Branagh (My Week With Marilyn)
Jonah Hill (Moneyball)
Nick Nolte (Warrior)
Christopher Plummer (Beginners)
Max von Sydow (Extremely Loud & Incredibly Close)
Melhor Actriz Secundária
Bérénice Bejo (The Artist)
Jessica Chastain (The Help)
Melissa McCarthy (Bridesmaids)
Janet McTeer (Albert Nobbs)
Octavia Spencer (The Help)
Melhor argumento Adaptado
The Descendants
Hugo
The Ides of March
Moneyball
Tinker Tailor Soldier Spy
Melhor Argumento Original
The Artist
Bridesmaid
Margin Call
Midnight in Paris
A Separation
Melhor Filme Estrangeiro
Bullhead (Bélgica)
Footnote (Israel)
In Darkness (Polónia)
Monsieur Lazhar (Canadá)
A Separation (Irão)
Melhor Filme de Animação
A Cat in Paris
Chico & Rita
Kung Fu Panda 2
Rango
Puss in Boots
Ver lista completa aqui
Mais um ano, mais uns Golden Globes, Beverly Hilton Hotel encheu-se de glamour e estrelas para o evento que chamam de antecipação aos Óscares. A imprensa internacional elegeu aqueles que consideram os melhores do ano. A cerimónia foi marcada com a presença habitual das estrelas e o actor / humorista, Rick Gervais fez as honras da apresentar a festa de celebração á entrega de prémios. Com principal destaque para The Artist, vencedor de 3 globos (incluindo o de Melhor Filme Comédia / Musical e de Melhor Actor de igual categoria – Jean Dujardin) e The Descendants por Melhor Filme Drama e Melhor Actor Drama – George Clooney).
MELHOR FILME DRAMA – The Descendants (Alexander Payne)
MELHOR FILME COMÉDIA / MUSICAL – The Artist (Michel Hazanavicius)
MELHOR ACTOR DRAMA – George Clooney (The Descendants)
MELHOR ACTRIZ DRAMA – Meryl Streep (The Iron Lady)
MELHOR ACTOR COMÉDIA / MUSICAL – Jean Dujardin (The Artist)
MELHOR ACTRIZ COMÉDIA / MUSICAL – Michelle Williams (My Week with Marilyn)
MELHOR REALIZADOR – Martin Scorsese (Hugo)
MELHOR ARGUMENTO – Woody Allen (Midnight in Paris)
MELHOR ACTOR SECUNDARIO – Christopher Plummer (The Beginners)
MELHOR ACTRIZ SECUNDARIA – Octavia Spencer (The Help)
MELHOR FILME DE LINGUA ESTRANGEIRA – A Separation (Asghar Farhadi)
Ver todos a lista completa de vencedores aqui
Real.: Charles Laughton / Int.: Robert Mitchum, Shelley Winters, Lillian Gish
Filme – um dos maiores clássicos do cinema thriller, um dos auxiliares para redefinição da figura do psicopata no cinema conhece finalmente uma edição de DVD nacional, infelizmente não de luxo. Robert Mitchum interpreta aqui o enigmático Reverendo Harry Powell que casa com uma viúva no fim apenas de obter os 10,000 dólares que apenas os seus filhos conhecem o paradeiro. Uma fita “neo-noir” que apesar de ter tido pouca relevância quando estreou, tornou-se com o passar dos anos um misto de culto / clássico com uma atmosfera sombria e eficiente e um protagonista igualmente sinistro e brilhante.
AUDIO
Inglês Dolby Digital 2.0
LEGENDAS
Português
EXTRAS
Trailers
Distribuidora – DVD Alambique
Um Ano de Cinema Português
Infelizmente o ano 2011 foi um dos mais fracos em termos de resultados e qualidade para o nosso pequeno cinema. Ao contrário de 2010, que o total conseguiu render 56.586.260,86€ de receita bruta e reunir 11.392.029 espectadores, este ano os resultados ficaram bem abaixo; 10.624.130 espectadores e 54.708.345,4€ de receitas. O filme mais visto como também o mais elogiado foi Sangue do Meu Sangue de João Canijo, a historia de uma família em dificuldades no Bairro Padre Cruz que foi visto por 20.262 espectadores. Em segundo lugar, a cooperação portuguesa e brasileira em Complexo – Universo Paralelo, documentário sobre uma das mais degradantes favelas do Rio de Janeiro conseguiu trazer ao cinema 17 mil espectadores, outros resultados destacados são de Cidade dos Mortos de Sérgio Tréfaut (7 mil espectadores), 48 de Susana Sousa Dias (3 mil) e a nova obra de Manoel Oliveira, O Estranho Caso de Angélica com 2.63 mil espectadores.
Um Ano de Mistérios de Lisboa
Apesar de ter estreado em 2010 e mesmo aí ter arrecadado prémios e elogios não apenas no nosso país como também em inúmeros festivais e eventos no Mundo fora, o ano 2011 foi também significativo para a obra-prima de Raoul Ruiz (que faleceu no dia 19 de Agosto de 2011), e esperamos que este ano também de grande importância para este épico português. Mistérios de Lisboa venceu assim o prémio de Melhor Filme Estrangeiro no Satellite Awards, o igual prémio no Festival de Toronto, Melhor Filme em Athens Panorama of European Cinema e a alegria pode ser melhor este com o facto de a fita estar pré-candidatada aos Óscares e com grande probabilidade de ser um dos nomeados á categoria de Melhor Filme de Língua Estrangeira. Esperemos que sim!
Os Focados
Ryan Gosling (Crazy Stupid Love, The Ides of March, Blue Valentine, Drive)
Natalie Portman (Black Swan, Thor, No Strings Attached)
Colin Firth (The King’s Speech, Tinker Tailor Soldier Spy)
Daniel Radcliffe (Harry Potter and the Deathly Hallows Part 2)
Elle Fanning (Super 8, Somewhere)
Jessica Chastain (The Help, The Tree of Life)
Vin Diesel (Fast Five)
Os Desfocados
Nicolas Cage (Seeking Justice, Trespassing, Season Witch, Drive Angry 3D)
Ryan Reynolds (The Green Lantern, The Change-Up, Buried)
Gerard Butler (Machine Gun Preacher)
Jason Momoa (Conan, The Barbarian)
Daniel Craig (Dream House, Cowboys & Aliens, The Adventures of Tintin: The Secret of the Unicorn)
Kevin James (The Dilemma, Zookeeper)
Johnny Depp (The Pirates of the Caribbean: On Stranger Tides, The Rum Diary, Rango, The Tourist)
Ver Também
Complexo – Universo Paralelo (2010)
Harry Potter and the Deathly Hallows Part 2 (2011)
O Estranho Caso de Angélica (2010)
The Adventures of the Tintin: The Secret of the Unicorn (2011)
The Pirates of the Caribbean: On Stranger Tides (2011)
O espião que veio do frio!
Nos dias de hoje e muito por senso comum, o filme de espionagem é muitas vezes confundido como simples exercício de acção, porém longe dessa extravagância explosiva como no caso do quarto filme de Missão Impossível, ainda nos cinemas, Tinker Tailor Soldier Spy de Tomas Alfredson, acentua que nem uma luva no realismo das organizações de inteligência.
Narrado com uma classe pausada e orquestrada sob calma, A Toupeira, titulo traduzido, é a adaptação da homónima mini-série de culto dos anos 70 com a imagem de marca da BBC protagonizado por Alec Guiness que por sua vez é a conversão do conto de John le Carré, como filme é um regresso nostálgico às origens do próprio cinema de espionagem, sem gadgets, sem agentes heróicos, nem vilões megalómanos, as sequências de acção são de conteúdo mais mental e quando requerem física exploram o realismo detalhado, como no caso da emboscada de Budapeste (uma das raras sequencias que contêm tiroteios).
Alfredson, o realizador sueco de Let The Right One In, uma das melhores obras vampíricas de sempre, transmite neste “caça á toupeira” (designação dada a espiões traidores) uma frieza quase nórdica, contagiada pela melancolia narrativa a qual também o protagonista expede, um tremulo mas profissional Gary Oldman que lidera um elenco igualmente maduro e experiente, com principal destaque para Colin Firth, Mark Strong, Peter Guillam e o emocionante explosivo David Dencik.
Porém mesmo ter referido o frio narrativo, Tinker Tailor Soldier Spy também consegue executar alguma emoção, não de forma arrebatadora ou bacoca, mas camuflada em planos cautelosos e pelos desempenhos dos seus actores, nomeadamente Gary Oldman com os seus óculos fundo de garrafa torna-se a estrela de uma das mais excitantes cenas do filme enquanto simula uma conversa com Karla, o seu homologo soviético, neste sequência em particular era fácil recorrer ao amontoado de flahsbacks mas a representação do actor o torna igualmente animada e cativante. Se os louvores vão para o actor que funciona num às em termos de casting, Tomas Alfredson não deve ser ofuscado, o autor se revela num arquitecto exemplar em termos narrativos e de estrutura cinematográfica, criando em todos os momentos um mise-en-scené criativo e obscuramente sedutor. Automaticamente A Toupeira entra no top dos filmes de espionagem.
Real.: Tomas Alfredson / Int.: Gary Oldman, Colin Firth, Tom Hardy, John Hurt, Toby Jones, Mark Strong, Konstantin Khabenskiy, Peter Guillam, David Dencik
Missão Impossível – Operação Pixar para Hollywood!
Brad Bird dá o seu salto de catapulta da animação para a acção real, porém a mudança é devera brusca, mas não é por isso que o autor agora virado realizador não aguente a pedalada e catalisa energia explosiva a este Mission: Impossible – Ghost Protocol, o qual filme de uma das sagas mais frenéticas de sempre. De volta a Bird, o realizador deu nas vistas em 1999 com a animação, The Iron Giant, porém esquecido mas tocante para os poucos que viram esta amizade entre um rapaz e um robô alienígena. Depois do evento seguiu para os estúdios da Pixar para integrar na equipa principal, colaborou com imensas obras animadas de grande prestígio no comando de John Lasseter e entregou a espectador, duas das melhores obras do estúdio, The Incredibles (2004) e Ratatouile (2007). Decidido a experimentar o outro lado do cinema, Bird aposta repentinamente na grande produção, sendo que em Ghost Protocol, antes da sua estreia mundial, o verdadeiro atractivo era mesmo a confirmação de um autor de animação em praias que não são as suas, muito mais do que o facto de ser protagonizado por uma das estrelas mais megalómanas de Hollywood, Tom Cruise (que encarrega também da produção).
Os diferentes directores da saga sempre ofereceram aos respectivos capítulos uma marca própria, sendo que Brian DePalma em 1996 carregou a Missão: Impossível com classe noir de um explosivo filme de espiões, John Woo por sua vez deu um espectáculo pirotécnico e cheio de tiques pós-Matrix em 2000 e J.J. Abrams sob a influência da saga Bourne, que redefiniu o género de acção / espionagem, realiza em 2006 um espectáculo explosivo mas igualmente moderno e em aposta com a figura antagónica. Brad Bird pode muito bem ser os dos autores que passaram pelas missões de Ethan Hunt, o menos próprio, mas mesmo assim aprendeu a lição das inúmeras maneiras e transforma este improvável titulo de 2011 num filme de acção com um pé pesado no acelerador e bem coreografado nas sequencias. Tudo isto combinando o moderno de Abrams, a classe de DePalma e a adrenalina de Woo, juntos temos um blockbuster sedutor e hiperactivo, sem espaço de paragens, cujas emoções estão presentes em cada segundo.
O argumento poderá não ser dos melhores, visto e revisto, mas a vertente cómica que Mission: Impossible – Ghost Protocol emana, compensa tais redundâncias. Tom Cruise volta a ser um peão forte no protagonismo (de regresso como figura central das sequencias de acção, novamente sem duplos, como se pode verificar na espectacular escalada a Burj Khalifa, Dubai, o edifício mais alto do mundo), mas neste capítulo, as personagens secundárias não se ficam pela mera caricatura, aliás estas constituem como grandes pontos de atenção como Simon Pegg (o grande vertigo cómico) e até mesmo Jeremy Reener, aos poucos a tomar o lugar como futura estrela de acção. Podemos ainda contar com Michael Nyqvist (o Mikael Blomqvist da trilogia sueca Millennium, baseado nos livros de Stieg Larson) que parece ter caído em graça para desempenhar vilões do outro lado do Oceano, a ultima vez que o vimos em tal papel foi no infeliz Abduction, para finalizar destaca-se a participação de Anil Kapoor, o apresentador de televisão do galardoado Slumdog Millionaire de Danny Boyle.
Resumindo e concluindo, Brad Bird fecha uma quadrilogia com grande noção de espectáculo, num cocktail de emoções e explosões em doses industriais que consolidam o espectador com modelo de entretenimento megalómano de Hollywood. Um dos filmes de acção do ano, um dos melhores da saga.
Real.: Brad Bird / Int.: Tom Cruise, Paula Patton, Jeremy Reener, Simon Pegg, Michael Nyqvist, Anil Kapoor, Tom Wilkinson, Ving Rhames
Ver Também
Do mesmo realizador de Stay Alive, William Brent Bell apresenta-nos uma nova obra de terror, The Devil Inside – O Despertar das Trevas. O filme protagonizado por Fernanda Andrade (da série Sons of Anarchy), Simon Quaterman (The Scorpion King – Rise of a Warrior) e Evan Helmuth (Garfield) conta a misteriosa história de uma mulher que se vê envolvida em imensos exorcismos durante a sua jornada em Itália (Vaticano) para descobrir o que aconteceu á sua mãe, que alegadamente assassinou três pessoas em exorcismos não autorizados. Com estreia em Portugal no dia 8 de Março.
Drive, o filme, não confundir com o jogo!
Ryan Gosling conhecido apenas neste filme como The Driver (o condutor), é um duplo de cinema que opera trabalhos ilícitos como transportador. A sua vida vazia e sem sentido em breve se transforma num turbilhão de emoções quando conhece a sua vizinha Irene (Carey Mulligan) e o seu filho. Assim sendo, The Driver aprende a amar e a proteger aquilo que é lhe mais importante.
Drive, a nova fita do autor Nicolas Winding Refn, muito habituado á violência gráfica como ao peso psicológico, é uma das obras destaque de 2011 que tem vindo a surpreender e a arrecadar cada vez mais adeptos. Se baseia com uma intriga simples, muito vista e revista em inúmeros “cozinhados” de acção, como alguns exemplos interpretados por Jason Statham, mas cedo se revela como um episódio de nostalgia que nos refere Gosling como um futuro Robert DeNiro, ao desempenhar a sua personagem com eventual imprevisibilidade (vem-nos á memoria Taxi Driver).
A nostalgia encontra-se em todo o seu código genético, Nicolas Winding Refn conserva uma fórmula molecular digna dos anos 80, presente quer na banda sonora electrónica e de inserção divina, quer nos créditos, na fotografia, na narrativa e até na mesma forma de que os personagens se descrevem. O seu argumento pode bem ser o mais simples possível, mas em Drive o que nos espera é a linha que separa as figuras de acção dos humanos, e mesmo sob o contexto de violência, a obra quase nos chega como um livro de auto-ajuda.
Cruelmente belo, o autor ainda nos presenteia como um senso requintado nos seus planos e enquadramentos. No campo dos desempenhos dos actores, um magnífico leque liderado por um Gosling frio mas profissional, por uma adversa calorosa Carey Mulligan, um arrepiante Albert Brooks e Ron Perlman a reproduzir o seu papel na série Sons of Anarchy. Drive é assim, automaticamente a obra de culto de 2011.
Real.: Ryan Gosling, Carey Mulligan, Oscar Isaac, Albert Brooks, Ron Perlman
Um Ano de Tron
No inicio deste ano estreou nas nossas salas, um dos filmes mais aguardados de sempre, o festim visual Tron Legacy, a sequela do filme de culto de 1982 que sofisticou os efeitos visuais da altura (algo equiparável a Avatar nos tempos de hoje). Os fãs esperaram 28 anos pela continuação cibernética e foram brindados por efeitos visuais de última espécie (o rejuvenescimento de Jeff Bridges chegou a ser ponto de conversa), um 3D revitalizado e uma banda sonora tecnológica da autoria dos Daft Punk. A fita conseguiu render no total 400 milhões de dólares em todo o Mundo, mesmo sendo um óptimo resultado, infelizmente foi muito aquém do esperado, a crítica por um lado ficou dividida com a obra, acusando de ser um videoclipp alargado e vazio. Mas mesmo sob o embrulho moderno e sofisticado, em Tron Legacy, a nostalgia encontra-se presente.
Realizadores no Topo (Conformações e revelações)
Nicolas Winding Refn (Drive, Valhalla Rising)
Tom Hooper (The King’s Speech)
Lars Von Trier (Melancholia)
Rupert Wyatt (Rise of the Planet of the Apes)
Darren Aronofsky (Black Swan)
Brad Bird (Mission Impossible – Ghost Protocol)
Justin Lin (Fast Five)
Realizadores em Baixa (Desilusões e Maus Resultados)
Jon Favreau (Cowboys & Aliens)
Marcus Nispel (Conan the Barbarian)
Martin Campbell (Green Lantern)
George Miller (Happy Feet 2)
Jim Sheridan (Dream House)
David Dobkin (The Change-Up)
Zack Snyder (Sucker Punch)
Um Ano de Lars Von Trier
Se tivermos que escolher um realizador que protagonizou o ano 2011, o escolhido seria obviamente Lars Von Trier que desempenhou alguns dos melhores e piores momentos do ano. No último Festival de Cannes, o realizador conhecido pelos seus trabalhos em Dogma e Antichrist, faz polémica ao proferir em pleno evento a admiração que tinha pelo infame Adolf Hitler. Tal acto levou á sua expulsão do festival, contudo a sua nova obra, Melancholia tem conquistado onde quer que vá. A fita apocalíptica com Kristen Dunst, Charlotte Gainsbourg e Kiefer Sutherland tem a critica aos seus pés e de olhos nos prémios da award season. Por enquanto venceu o prémio de Melhor Filme na European Film Awards e umas quantas sociedades de críticos.
Ver também
Rise of the Planet of the Apes (2011)
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